PLANO DE PASTORAL DE CONJUNTO 1966 – 1970

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

PLANO DE PASTORAL DE CONJUNTO 1966 – 1970

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Apresentação da Edição de 2004

Em 1962, ainda antes do início do Concílio Vaticano II, a CNBB lançava o Plano de

Emergência para preparar a Igreja para uma profunda renovação. Teve seu foco na paróquia e no exercício do ministério sacerdotal, mas também estava orientado para as escolas católicas e para a realidade sócio-econômica. A força motivadora desta primeira tentativa de pastoral de conjunto foi muito grande.

Para colocar em prática as ricas orientações do Concílio Vaticano II, a CNBB lançou, em 1966, o Plano de Pastoral de Conjunto – 1966-1970. Foi elaborado durante a VII Assembléia Geral Extraordinária da Conferência, ainda em Roma, durante os três meses da última sessão conciliar. A proposta deste Plano era que a Igreja no Brasil se ajustasse rápida e plenamente à imagem da Igreja do Concílio Vaticano II.

De fato, as diretrizes do primeiro Plano de Pastoral de Conjunto foram inspiradas pelos

grandes Documentos do Concílio, dando origem às seis grandes “linhas” de trabalho da Igreja:

1) Unidade visível da Igreja Católica (Lumen Gentium, Christus Dominus, Presbyterorum

Ordinis, Optatam Totius, Perfectae Caritatis, Apostolicam Actuositatem); 2) Ação Missionária (Lumen Gentium, Ad Gentes); 3) Ação Catequética, aprofundamento doutrinal, reflexão teológica (Dei Verbum); 4) Ação Litúrgica (Sacrosanctum Concilium); 5) Ação Ecumênica (Unitatis Redintegratio); 6) Ação da Igreja no mundo (Gaudium et Spes, Dignitatis Humanae, Nostra Aetate, Gravissimum Educationis, Inter Mirifica).

Além de “Diretrizes Fundamentais da Ação Pastoral”, foram elaboradas também “Linhas

Fundamentais de Trabalho”, segundo cada uma das seis linhas acima citadas. Foi sempre dada especial ênfase ao conhecimento da realidade e à reflexão pastoral sobre ela, à formação de agentes e à organização de assessorias. Foi um Plano muito bem articulado e com uma clareza impressionante de metas e propostas. Tudo isso era fruto da participação dos seus autores no Concílio e do desejo de traduzir logo no Brasil, na organização e na prática da vida eclesial, as lições colhidas no Concílio Vaticano II.

Este Plano de Pastoral de Conjunto marcou profundamente, durante as décadas sucessivas, o caminho pastoral da Igreja no Brasil e a própria organização e atuação da CNBB. A organização das atividades da Conferência segundo as “seis linhas” durou até 1995, quando as Diretrizes quadrienais passaram a se chamar “Diretrizes da Ação Evangelizadora”, destacando mais fortemente o caráter evangelizador e missionário da atuação da Igreja. A partir daí, as Diretrizes passaram a ser orientadas segundo as quatro “exigências” da evangelização: serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão. Mesmo assim, as dez Comissões Episcopais Pastorais aprovadas na Assembléia Geral de 2003, e que dão a estrutura de referência da organização pastoral da Conferência, ainda estão claramente relacionadas com as seis “linhas pastorais” do primeiro Plano de Pastoral de Conjunto da CNBB.

O Plano de Pastoral de Conjunto – 1966-1970 continua despertando interesse, sendo citado com freqüência, por causa da importância histórica que tem para o caminho pastoral da Igreja no Brasil. Por isso, o Secretariado Geral da CNBB decidiu publicá-lo novamente, na série “azul” dos Documentos da CNBB, para facilitar o seu acesso na atualidade. Seu conhecimento ainda poderá trazer frutos para a ação evangelizadora e pastoral dos nossos dias.

Brasília, 30 de maio de 2004, Solenidade de Pentecostes.

Dom Odilo Pedro Scherer

Bispo Auxiliar de São Paulo

Secretário-Geral da CNBB

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ÍNDICE

Apresentação ………………………………………………………………………………………………………..

Exortação de Paulo VI ao Episcopado latino-americano ……………………………………………….

Apresentação-síntese ………………………………………………………………………………………………

Primeira parte

Introdução geral

  1. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ………………………………………………………..
  2. Finalidade e membros …………………………………………………………………………………
  3. História …………………………………………………………………………………………………….
  4. Órgãos constitutivos ……………………………………………………………………………………
  5. Eleição dos membros e manutenção dos serviços …………………………………………….
  6. O Plano de Pastoral de Conjunto ………………………………………………………………………..
  7. Plano de Emergência, Concílio, Plano de Pastoral de Conjunto …………………………
  8. Objetivos do Plano de Pastoral de Conjunto …………………………………………………..
  9. Diretrizes fundamentais de ação: objetivo geral e objetivos específicos de ação da

Igreja ………………………………………………………………………………………………………..

Segunda parte

Diretrizes fundamentais de ação pastoral

  1. Justificativa geral ………………………………………………………………………………………………
  2. Em que sentido podemos planejar a ação da Igreja ………………………………………….
  3. Tomada de consciência da situação da Igreja no Brasil …………………………………….
  4. a) Necessidades e exigências ………………………………………………………………………
  5. b) Possibilidades da Igreja no Brasil …………………………………………………………….
  6. Objetivo geral e objetivos específicos de ação da Igreja …………………………………….
  7. Linhas fundamentais de trabalho ………………………………………………………………………..

Linha de trabalho nº 1 – Promover uma sempre mais plena unidade visível no seio da

Igreja Católica ………………………………………………………………………………………………….

Linha de trabalho nº 2 – Promover a ação missionária ……………………………………………

Linha de trabalho nº 3 – Promover a ação catequética, o aprofundamento doutrinal e a

reflexão teológica ……………………………………………………………………………………………..

Linha de trabalho nº 4 – Promover a ação Litúrgica ……………………………………………….

4 Linha de trabalho nº 5 – Promover a ação ecumênica …………………………………………….

Linha de trabalho nº 6 – Promover a melhor inserção do povo de Deus como fermento na construção de um mundo segundo os desígnios de Deus ………………………………………..

III. Aplicação das diretrizes aos planos nacional e regional ……………………………………………

  1. Aplicação ao plano nacional …………………………………………………………………………

1.1. Atividades permanentes …………………………………………………………………………

1.2. Ampliação dos serviços existentes ……………………………………………………………

1.3. Atividades especiais e montagens de novos serviços …………………………………..

  1. Aplicação aos planos regionais ……………………………………………………………………..

2.1.Responsabilidade do plano regional …………………………………………………………

2.2. As diretrizes do plano regional ………………………………………………………………..

2.3. As atividades do plano regional……………………………………………………………….

  1. Aplicação das diretrizes ao plano diocesano ………………………………………………………….
  2. A diocese como unidade fundamental de ação pastoral ……………………………………
  3. Sentido e função do planejamento diocesano ………………………………………………….
  4. Requisitos básicos de renovação diocesana …………………………………………………….
  5. Como elaborar o plano diocesano …………………………………………………………………

4.1. Passos principais na elaboração do plano diocesano …………………………………..

4.2. Programas e projetos a serem desenvolvidos …………………………………………….

4.3. Estruturação e coordenação diocesanas ……………………………………………………

Terceira parte

Plano nacional de atividades da CNBB

Indicações gerais ……………………………………………………………………………………………………

Programa nº 1 – Levantamentos e pesquisas …………………………………………………………

Programa nº 2 – Reflexão e elaboração teológico-pastoral ………………………………………

Programa nº 3 – Formação de pessoal …………………………………………………………………

Programa nº 4 – Montagem de novos serviços de assessoria ……………………………………

Quadros resumo …………………………………………………………………………………………………….

Dados estatísticos sobre a Igreja no Brasil …………………………………………………………………..

Estatutos da CNBB …………………………………………………………………………………………………

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Apresentação

Ao Povo de Deus, em nossa pátria brasileira, apresentamos, em nome e com a

autoridade de todo o episcopado nacional, o Plano de Pastoral de Conjunto para o próximo qüinqüênio.

Este Plano foi elaborado por especialistas, e exaustivamente discutido, emendado e

aprovado pelos bispos do Brasil, na VII Assembléia Geral Extraordinária da CNBB, reunida em Roma durante os três meses da última sessão conciliar.

Não há dúvida de que a graça de Deus transcende os cálculos humanos e o Espírito

Santo atua independente dos condicionamentos naturais: Spiritus ubi vult spirat (Jo 3,8). Mas é certo também que é imprescindível a cooperação do homem com a graça. Ora, o planejamento pastoral é um esforço dessa cooperação indispensável. Ele visa exatamente a criar condições favoráveis à atuação da graça.

Acresce que o planejamento foi requerido pelo Chefe visível da Igreja e que representa o Chefe invisível, Nosso Senhor.

O saudoso Papa João XXIII, já no seu primeiro ano de pontificado, pediu uma coordenação orgânica da atividade pastoral entre nós. Em 1961 foi além do pedido: ordenou o planejamento.

Ouçamos ainda a voz do nosso Pontífice Paulo VI, no discurso proferido ante os bispos da América Latina, na audiência de 24 de novembro de 1965:

“… a atividade pastoral não pode processar-se às cegas. O apóstolo não corre no encalço do incerto e bate no ar (I Cor, 9,26). Hoje foge à acomodação e ao perigo do empirismo. Um sábio planejamento pode oferecer também à Igreja um meio eficaz

e um incentivo de trabalho.

Sabemos que em alguns de vossos países foram elaborados planos de pastoral de conjunto, em resposta à encarecida recomendação de nosso predecessor João XXIII, de feliz memória, na Carta Apostólica Ad dilectos Americae Latinae populos, de 8 de dezembro de 1961. O exemplo poderá ser seguido também pelos demais episcopados”.

E o Santo Padre continua a dissertar difusamente sobre o assunto. Outrossim, na

alocução de 23 de fevereiro de 1965, aos participantes da Comissão Italiana de Superiores

Maiores dos Institutos Religiosos, trata Sua Santidade da integração dos Religiosos na

indispensável planificação pastoral de conjunto.

Estribados, assim, na autoridade dos legítimos Pastores, vem promulgado o novo

Plano, fase de um processo de planejamento, que começou com o Plano de Emergência aprovado pela V Assembléia Geral da CNBB em abril de 1962 e que deverá prosseguir

fecundado pelas bênçãos divinas. Ele envolve todas as forças vivas da Igreja no Brasil e empenha cada membro do Povo de Deus. Que ninguém se furte a tomar a parte que lhe couber, na sua execução.

Rio de Janeiro, janeiro de 1966.

+ D. Agnelo cardeal Rossi

Presidente da CNBB

+ D. José Gonçalves da Costa

Secretário Geral da CNBB

Exortação de Paulo VI ao episcopado latino-americano

(24-11-65, X aniversário do CELAM)

A ação pastoral na América Latina

Condições do trabalho pastoral da Igreja1

O continente latino-americano é considerado católico: é a sua glória e a sua fortuna. Este catolicismo, que tem notável peso numérico no seio da comunidade católica do mundo, revela, porém – e o dizemos com solícito afeto de pai – aspectos negativos que denotam debilidade e falta de homens e de meios. Poder-se-ia falar de um estado de debilidade orgânica, que manifesta urgente necessidade de revigorar e reanimar a vida católica, a fim de torná-la mais substanciosa nos princípios doutrinais e mais sólida na prática. Dir-se-ia que a fé do povo latino-americano deve realizar ainda uma plena maturidade de desenvolvimento.

Qual é, com efeito, a solidez, a consciência de si, a capacidade de resistência da vida católica? Em que camadas sociais se concretiza? Qual é o seu grau de cultura? Que estatísticas existem a respeito da observância religiosa, da moralidade familiar e das vocações eclesiásticas? Vós, que conheceis os índices da freqüência média aos sacramentos e à Missa dominical e os gravíssimos danos causados à família pela lei do divórcio introduzida em muitos países, achareis justificadas nossas apreensões.

Outro elemento que pesa na situação religiosa da América Latina é a falta de homens no campo apostólico, especialmente de sacerdotes. Sempre se insistiu, e com razão, no angustioso problema da grave carência de clero: o fato é por demais evidente para que se possa menosprezar o seu alcance. Será preferível reexaminar os critérios seguidos, até o presente momento, na utilização mais profícua das forças que se têm à disposição, e perguntar-se, entre outras coisas, se sempre se cuidou da melhor distribuição do clero a fim de eliminar as desproporções que, em não poucos casos, existem entre o número de sacerdotes empenhados nas grandes cidades e o daqueles encaminhados para o interior, e se sempre se observou um cauteloso emprego do clero em atividades estritamente apostólicas.

A questão pode aplicar-se também aos religiosos, os quais devem representar sempre forças verdadeiramente vivas no apostolado, mediante os centros exemplares e importantes de vida espiritual que criaram e saberão criar.

Intimamente ligado à falta de homens é o grau de eficiência das estruturas pastorais em relação às grandes exigências de hoje: deve-se, portanto, estudar atentamente se estas são adequadas e suficientes nas cidades e nos meios rurais e o que se pode fazer para polarizar novamente a vida nos modernos centros urbanos em torno da Igreja.

Chamamos a atenção, enfim, para a falta de meios, estes também necessários à Igreja, mesmo sem constituírem a principal preocupação do Pastor, o qual põe a sua confiança na Providência. Aqui é o caso de ver se a Igreja colocou os seus bens a serviço da comunidade e se não se deixou sobrecarregar em algum lugar com o peso de bens temporais improdutivos,

especialmente de terras, que já não possuam hoje a função de outros tempos e aos quais é

oportuno dar inteligentemente um melhor emprego. É necessário recordar a este respeito – e é

agradável atestá-lo de público – que alguns episcopados da América Latina, encorajados e

autorizados por esta Sé Apostólica, já puseram à disposição dos mais necessitados de seus fiéis

1 Apresentamos o trecho do discurso que se refere às condições do trabalho pastoral e aos critérios de ação.

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grandes propriedades de terras da Igreja para uma racional produção, empreendendo-se a

seguir o processo de transformação agrária.

No diagnóstico, que se vem delineando, é confortador, por outro lado, discernir os

diversos elementos de relevante valor que tornam mais otimista a visão de conjunto e

constituem motivo de segura esperança para o Pastor.

O povo é bom e profundamente religioso por natureza: recebe com prontidão e ótima

disposição a mensagem evangélica, é batizado na Igreja Católica, nela quer viver e sente-se

orgulhoso de a ela pertencer. No conjunto, a Igreja vive em um clima de liberdade e de paz

propício a um profícuo trabalho; representa a maior força capaz de salvar o continente, com o

prestígio social e moral que possui. A Igreja existe e possui estruturas seculares sólidas e

respeitáveis: se ela se movimenta é ainda amplamente seguida; se fala, sua voz é ainda

amplamente ouvida. Ela deve, pois, manifestar a sua vitalidade, e explorar ao máximo suas

grandes possibilidades de ação, com uma pastoral dinâmica, adequada ao ritmo das

transformações em curso. Deste modo, a Igreja jamais se encontrará alheia e separada da vida

da sociedade na qual, por mandato divino, é chamada a atuar. Ela deve testemunhar, com

fatos, que não só foi parte integrante no processo de formação de cada país da América

Latina, mas que quer ser hoje também um raio de luz e de salvação no processo das atuais

transformações.

Para uma atividade desta natureza, seria prejudicial cair num estado de timidez, de

medo e de falta de confiança, que desarma e constrange, mesmo nos melhores homens, o

ímpeto requerido para um difícil trabalho construtivo. A Igreja deve ter confiança em si mesma

e saber infundir coragem e confiança nos seus filhos, ministros de Deus e fiéis, recordandolhes

que as “armas de nossa luta não são carnais, mas nos vêm de Deus todo poderoso” (2

Cor. 10,4). O momento é propício: o Concílio Ecumênico suscitou um forte despertar de

energias, que é necessário saber alimentar e pôr em prática; produziu uma ardente expectativa

no público, que não pode ser decepcionado.

O Pastor, portanto, terá sempre olhos abertos sobre o mundo porque a observância e a

vigilância evangélica devem continuar, pois o mundo muda e é necessário saber satisfazer às

acrescidas exigências e interpretar as novas situações. Ele saberá servir-se do auxílio dos

especialistas, teólogos e sociólogos, para preparar dirigentes capazes, quer no clero, quer no

laicato; promoverá freqüentes cursos de renovação pastoral, convidando, em espírito de

fraterna compreensão, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, aos quais terá o cuidado de

ensinar os sólidos princípios da genuína espiritualidade pastoral, que têm na fé suas raízes de

desenvolvimento. Para o exato conhecimento da situação e da urgência do trabalho, o Pastor

fará um amplo e inteligente uso dos dados sociológicos recolhidos e elaborados a respeito das

condições religiosas do país.

Critérios de ação

Caráter extraordinário

A consideração de eventuais deficiências do passado no trabalho pastoral e a

identificação dos pontos nevrálgicos sobre os quais ocorre concentrar o esforço de

evangelização, devem levar o Pastor a dirigir a atividade apostólica sobre algumas linhas

fundamentais.

Em primeiro lugar, será conferido ao trabalho pastoral um caráter extraordinário: pelo

empenho sério e profundo que lhe será dispensado, pelas formas de ação decididas e rápidas

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que se colocarão em movimento para tornar mais difundido o anúncio do Evangelho, e

extraordinário também pelo emprego dos homens aos quais se recorrerá.

Unitário

Mas como os problemas de hoje são gerais, requerem soluções de conjunto. Ninguém os

pode resolver sozinho. Daqui se segue o caráter unitário que deve revestir a ação pastoral de

hoje: o que comporta um entendimento, permanente quanto aos critérios e periódicos no

controle a ser exercido, em base nacional através das Conferências Episcopais e em base

continental através do Conselho Episcopal Latino-Americano. A união íntima e o esforço

concorde dos bispos não diminuem a liberdade e a responsabilidade pessoal de cada um, mas

eliminam os efeitos prejudiciais provocados pelas divisões internas.

Planificado

Em terceiro lugar, na obra pastoral não se pode andar às cegas: o apóstolo não é alguém

que corre incerto ou se bate contra o ar (1 Cor 9, 26); evita hoje a acomodação e o perigo do

empirismo. Uma sábia planificação, portanto, pode oferecer também à Igreja um meio eficaz e

incentivo para o trabalho. Sabemos que em alguns de vossos países, em resposta ao insistente

apelo que o Nosso Predecessor João XXIII, de venerável memória, dirigiu com a Carta

Apostólica “Ad dilectos Americae latinae populos”, de 8 de dezembro de 1961 (AAS 54, 1962,

28-31), foram elaborados planos de pastoral de conjunto pelas Conferências Episcopais. O

exemplo pode ser seguido também pelos outros episcopados. Diremos ainda mais: sob certos

aspectos e para alguns assuntos, poderá ser também útil e oportuno estudar um plano de nível

continental através do vosso Conselho Episcopal, na sua função de órgão de contato e de

colaboração entre as Conferências Episcopais da América Latina.

A planificação impõe opções e comporta renúncias mesmo do que, às vezes, seria o

melhor; e a concentração de esforços intensiva e extensiva nos objetivos essenciais obriga a

deixar realizações que, embora belas, sejam limitadas ou supérfluas. O plano de pastoral deve,

além disso, estabelecer claramente as metas a que se dirige, fixar os critérios de escolha e

prioridade entre as múltiplas necessidades apostólicas e levar em conta elementos disponíveis

em pessoal e meios. O Plano de Pastoral terá maior concretização se for determinado também

no seu tempo de aplicação e se for articulado numa pastoral de tipo missionário, que não se

limita a conservar intactas ou a aperfeiçoar posições adquiridas, mas se estende à expansão e

à conquista.

Para garantir a execução dos planos de pastoral será conveniente instituir, como já se fez

em algumas nações, um Secretariado de Coordenação do apostolado dependendo das

Conferências Episcopais, com suas respectivas ramificações ou ligações em cada uma das

dioceses, que lhe assegurem um funcionamento eficiente.

Evitando o dano dos extremismos, recordamos ainda uma vez que é indispensável

proceder conjuntamente: aqui a uniformidade é força e virá a ser costume.

Segundo a doutrina da Igreja

Enfim, o Pastor sempre age segundo a doutrina da Igreja que, com admirável

continuidade e na hora precisa, sempre soube estar à altura de todo momento histórico difícil,

suscitando, por virtude do Espírito de Deus que a acompanha, formas e instituições sempre

novas para satisfazer as novas necessidades e exigências.

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Apresentação – síntese

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criada em outubro de 1952, tem

sido, durante estes 13 anos de existência, um instrumento privilegiado, através do qual o

episcopado de nosso país vem exercendo sua co-responsabilidade pastoral.

A pedido do Papa João XXIII e consciente da situação muito especial e decisiva em que

se encontra a Igreja no Brasil, a CNBB empreendeu, sobretudo nos últimos 3 anos, um

esforço intenso de renovação pastoral, baseado no que se convencionou chamar o Plano de

Emergência.

Este Plano proporcionou à Igreja novo dinamismo, novas estruturas, novas

possibilidades de ação, e preparou terreno propício para uma ampla renovação na linha do

Concílio Vaticano II.

Em continuidade a todo este esforço e no intuito de uma aplicação ao Brasil das grandes

decisões conciliares, a CNBB acaba de elaborar e aprovar o seu Plano de Pastoral de Conjunto

(1966-1970).

Este Plano visa a criar meios e condições para que a Igreja no Brasil se ajuste, o mais

rápida e plenamente possível, à imagem de Igreja do Vaticano II.

Para realizar este objetivo a CNBB elaborou diretrizes e planejou atividades.

  1. As diretrizes contêm os objetivos, princípios e opções fundamentais que devem orientar a

ação da Igreja no Brasil, nos próximos 5 anos. Estas diretrizes prevêem seis grandes linhas de

trabalho:

– Promover uma sempre mais plena unidade visível no seio da Igreja Católica.

– Promover a ação missionária.

– Promover a ação catequética, o aprofundamento doutrinal e a reflexão teológica.

– Promover a ação litúrgica.

– Promover a ação ecumênica.

– Promover a melhor inserção do povo de Deus como fermento na construção de um

mundo segundo os desígnios de Deus.

Em cada linha de trabalho são definidas as atividades mais importantes que devem ser

desenvolvidas para sua realização.

Todos os cristãos católicos e organismos de Igreja, cada um dentro de sua

responsabilidade e iniciativa e de acordo com sua vocação específica, são convidados a

empreender e organizar sua ação segundo estas diretrizes, para que haja um melhor

aproveitamento de esforços, e a ação da Igreja adquira eficiência e unidade em vista dos

objetivos comuns.

  1. Além dessas diretrizes, a CNBB elaborou um plano de atividades, que executará

diretamente ou através de serviços a ela ligados. Este plano prevê:

– atividades permanentes;

– ampliação de alguns serviços;

– atividades especiais e montagem de novos serviços.

As atividades permanentes são desenvolvidas pelos diversos secretariados nacionais da

CNBB e organismos a ela ligados. Consistem em assessoria ao episcopado, elaboração de

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diretrizes a serem submetidas ao juízo e à sanção do episcopado, coordenação de organismos

e movimentos a ela ligados, fornecimento de subsídios à ação pastoral da Igreja, assessoria a

todos os organismos de Igreja que a solicitarem, entrosamento com as entidades e organismos

eclesiásticos ou civis para questões referentes à ação da Igreja.

A CNBB, para dar à sua ação o dinamismo dela exigido, necessita, imediatamente,

ampliar também alguns de seus serviços.

As atividades especiais e a montagem de novos serviços estão planejadas em quatro

diferentes programas, assim discriminados:

– Programa de pesquisas e levantamentos, com 19 diferentes projetos.

– Programa de reflexão e elaboração ideológico-pastoral, com 19 diferentes projetos.

– Programa de formação de pessoal, com 12 diferentes projetos.

– Programa para montagem de assessorias aos secretariados regionais, às dioceses e a

outros organismos de Igreja, com 6 diferentes projetos.

*

O Plano é apresentado em três partes:

  1. Introdução geral do Plano.
  2. Diretrizes fundamentais da ação pastoral.

III. Plano nacional de atividades da CNBB.

Nestas três partes apresentamos o mais concreta e sucintamente possível:

as mais importantes opções pastorais da Igreja e sua justificativa à luz da teologia e

das situações, necessidades e possibilidades práticas;

a definição das atividades que a CNBB visa a realizar, em nível nacional, de janeiro

de 1966 a dezembro de 1970, a fim de concretizar estas opções;

as responsabilidades, prazos, sistemas e custos de cada uma destas atividades e de todo

o conjunto.

A primeira parte corresponde à Introdução geral do Plano, e apresenta dados gerais

sobre a CNBB, sua história e suas finalidades, assim como o objetivo geral deste Plano, sua

ligação com o Plano de Emergência, e os princípios básicos que orientaram a formulação das

diretrizes.

A segunda parte corresponde ao pano de fundo de toda a formulação do Plano e de seu

desenvolvimento. A partir dos objetivos de ação da Igreja, traça as diretrizes que formulam as

opções feitas e fundamentam as decisões a serem tomadas no seu detalhamento e

desdobramento; estabelece igualmente os princípios gerais de aplicação destas diretrizes aos

planos nacional, regionais e diocesanos.

A terceira parte contém o Plano nacional de atividades da CNBB, e define os objetivos

de trabalho, a sistemática adotada, os responsáveis pela execução, as tarefas, datas e prazos.

Os diversos planos regionais fazem parte integrante deste Plano de Pastoral de Conjunto,

complementam-no e com ele estão íntima e organicamente ligados. Todo esse trabalho, por

sua vez, orienta-se em grande parte no sentido de um serviço às dioceses, para que elas

realizem, o mais rápida e plenamente possível, a imagem de Igreja do Vaticano II, entrando

num esforço de ação planejada e renovadora.

Este Plano visa, pois, ser o esforço coordenado e conjunto para que a Igreja no Brasil

possa realizar, o mais plenamente possível, o que Deus dela espera nos próximos cinco anos.

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Regionais da CNBB

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primeira parte

Introdução geral

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I

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

  1. Finalidade e membros

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a organização instituída pela

Hierarquia eclesiástica do Brasil e aprovada pela Santa Sé, tendo como finalidade:

  1. a) estudar problemas de interesse da Igreja, particularmente no Brasil;
  2. b) apresentar normas, aprovar e coordenar medidas, que facilitem e promovam a

unidade de orientação e a conveniente atualização da pastoral (Art. 1º dos

Estatutos).

Desta maneira, como afirma a “Lumen gentium”, ela pode hoje contribuir com múltipla

e fecunda força, para que o afeto colegiado que deve animar fundamentalmente a hierarquia

seja levado a uma aplicação concreta (nº 23).

São membros da CNBB, com iguais direitos, os Ordinários do lugar de qualquer rito

(exceto os vigários gerais), os coadjutores, auxiliares e outros bispos titulares, em comunhão

com a Santa Sé, que tenham residência canônica no Brasil (Art. 2º dos Estatutos).

  1. História

A Assembléia de instalação da CNBB foi realizada de 14 a 17 de outubro de 1952, na

cidade do Rio de Janeiro. Durante estes 13 anos de sua existência realizaram-se 6 assembléias

ordinárias assim relacionadas:

— 1ª Assembléia Ordinária — Belém, 1953. Temas debatidos: Espiritismo; Imigração;

Reforma Agrária; Ação Católica e Apostolado dos leigos; Liga Eleitoral Católica.

— 2ª Assembléia Ordinária — Aparecida, 1954. Temas debatidos: Ação Católica e

Apostolado dos leigos; Liturgia: Projeto de ritual português-latino; Protestantismo;

Família; Reforma agrária; Ajuda espiritual, cultural e econômica ao clero.

— 3ª Assembléia Ordinária — Serra Negra, 1956. Temas debatidos: Ação Católica e

Apostolado dos leigos; Modernização do apostolado; Meios de divulgação; Formação

da opinião pública através dos agentes de publicidade; A Igreja e o mundo operário;

O problema dos nossos seminários.

— 4ª Assembléia Ordinária — Goiânia, 1958. Temas debatidos: Paróquia: digna

sustentação do clero e das obras paroquiais; Influência das estruturas sociais sobre a

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vida religiosa da paróquia; Levantamento prático e eficiente da paróquia; Papel dos

leigos na ação missionária da paróquia; Paróquia e liturgia; Paróquia e missão; Papel

do pároco na espiritualização das estruturas sociais da Paróquia; Relações do pároco

com o bispo e a cúria diocesana.

— 5ª Assembléia Ordinária — Rio de Janeiro, 1962. Temas debatidos: Plano de

Emergência.

— 6ª Assembléia Ordinária — Roma, 1964: Reformulação dos Estatutos;

Reestruturação da Conferência.

Além destas assembléias ordinárias que marcaram a vida da CNBB e da Igreja no Brasil,

realizaram-se igualmente vários encontros regionais de bispos, visando responder a problemas

específicos e situações peculiares de determinadas regiões. Assinalamos de modo especial:

— 1ª Reunião dos prelados da Amazônia – Belém, 1964;

— 1º Encontro dos bispos do Nordeste – Campina Grande, 1956;

— 2ª Reunião dos prelados da Amazônia – Belém, 1957;

— 2° Encontro dos bispos do Nordeste – Natal, 1959;

— Encontro dos bispos da Bacia do Rio Doce – Cel. Fabriciano, 1961;

— Reunião das Províncias Eclesiásticas de São Paulo – S. Paulo, 1960;

— Reunião dos bispos e prelados de Minas Gerais – Belo Horizonte, 1961;

— Reunião dos bispos e prelados de Goiás – Goiânia, 1962.

Após o lançamento do Plano de Emergência (abril de 1962) e a criação das comissões e

secretariados regionais, estes encontros se multiplicaram e começaram a fazer parte da vida

ordinária da Conferência, contribuindo vigorosamente para seu fortalecimento, eficiência e

vitalidade.

Durante este período foi também intensificado o entrosamento com as Ordens,

Congregações e Institutos religiosos e com a CRB, verificando-se consequentemente uma

crescente inserção das comunidades religiosas na pastoral de conjunto.

A CNBB tem participado efetivamente do Conselho Episcopal Latino-Americano

(CELAM) através de seus delegados.

Por ocasião da VI Assembléia realizada em Roma, durante a 3ª Sessão conciliar, com

autorização especial da Sagrada Congregação Consistorial, foram reelaborados os Estatutos e

reformuladas suas estruturas provisoriamente, até que o término do Concílio possibilite uma

formulação e estruturação mais definitiva de acordo com o conjunto de decisões a serem

tomadas pelo Vaticano II.

  1. Órgãos constitutivos

Atualmente a Conferência exerce suas atividades através dos órgãos constitutivos

seguintes:

  1. a) a Assembléia geral, órgão supremo da CNBB, presidida e dirigida pela comissão

central, e que deve se reunir ordinariamente a cada dois anos, e extraordinariamente sempre

que necessário;

  1. b) a Comissão central, órgão diretor da CNBB, dependente da assembléia, cujas

resoluções deve cuidar sejam executadas. Constituem a comissão central: os cardeais do Brasil

e o titular da arquidiocese na Capital Federal, como membros natos; o presidente e os dois

vice-presidentes, o secretário geral, o tesoureiro geral, os secretários nacionais, os secretários

regionais. Devem reunir-se ordinariamente cada semestre, e extraordinariamente sempre que

necessário;

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  1. c) o Secretariado geral, a quem compete, sob a dependência da assembléia e da

comissão central, suscitar, auxiliar, executar e coordenar toda a dinâmica e atividades da

CNBB;

  1. d) os Secretariados nacionais, que através do respectivo secretário, e em harmonia com

o secretariado geral, respondem perante a assembléia por setores de especial interesse da vida

e ação da Igreja;

  1. e) as Comissões regionais, que constituídas por todos os membros da CNBB

pertencentes à região são o órgão de planejamento e orientação da pastoral de conjunto, no

âmbito da região, em consonância com as diretrizes do plano nacional;

  1. f) os Secretariados regionais, que, sob a direção do respectivo secretário e em

dependência das comissões regionais, devem suscitar, dinamizar, executar e coordenar todas

as atividades da CNBB na região;

  1. g) as Comissões episcopais, que a assembléia geral venha a nomear para atender às

exigências da Santa Sé e à solução de problemas de interesse da Igreja no Brasil;

  1. h) Instituições por ela criadas.
  2. Eleição dos membros e manutenção dos serviços

O presidente, os vice-presidentes, o secretário geral, os secretários nacionais são eleitos

pela assembléia; os secretários regionais pela respectiva comissão regional.

Os serviços nacionais da CNBB são mantidos:

  1. a) pela contribuição das circunscrições eclesiásticas;
  2. b) pela cooperação financeira dos santuários;
  3. c) por doações ou legados;
  4. d) por eventuais receitas.

19

II

O Plano de Pastoral de Conjunto

.

Para efetivação de seus objetivos e melhor serviço à Igreja, a CNBB vem tentando

planejar suas atividades. O esforço mais decisivo neste sentido foi o Plano de Emergência.

  1. Plano de Emergência, Concílio, Plano de Pastoral de Conjunto

Elaborado e lançado pelo episcopado nacional, em abril de 1962, por pedido expresso

do Papa João XXIII, o Plano de Emergência marcou decisivamente, nestes três últimos anos, a

Igreja no Brasil. Por falta de dados mais completos e científicos, de uma reflexão já mais

amadurecida sobre nossa situação, de instrumentos a serem ainda criados, e sobretudo pela

premência da ação a empreender, o Plano de Emergência não quis ser um plano global e

acabado. Preferiu empreender a renovação de alguns setores da vida da Igreja, que pareciam

vitais: a paróquia, o ministério sacerdotal, o sistema educacional católico, a ação da Igreja no

campo sócio-econômico; e, a partir destes setores, um primeiro esforço de pastoral de

conjunto em nível diocesano, regional e nacional.

Sobre todos estes aspectos, o Plano de Emergência formulou princípios, sistema,

diretrizes concretas e previu a criação de determinados instrumentos e estruturas: secretariados

regionais, CERIS, equipes de assessoria, etc.

Todos estes elementos passaram a constituir as diretrizes que orientaram grande parte

das atividades da CNBB em nível nacional e regional, e fundamentaram e apoiaram a

montagem e desenvolvimento de planos de trabalho em nível diocesano e paroquial,

adotando o ritmo e a aplicação cabíveis em cada situação.

Em fevereiro de 1965, elevavam-se:

a 93 o número de circunscrições eclesiásticas que haviam adotado integralmente o

Plano de Emergência como base de renovação;

a 73 o número daquelas que simpatizavam e tentavam realizar algo.

Mais perceptível ainda foi a dinamização que provocou em nível regional e nacional,

abrindo novas perspectivas de ação para a Igreja e uma base mais ampla e concreta para o

exercício da co-responsabilidade episcopal. Todo este esforço, porém, ganhou amplitude

inesperada e cobertura total com a realização do Concílio Vaticano II que, sob o sopro do

Espírito Santo, empreendeu um gigantesco esforço de renovação de toda a Igreja.

20

Sentiu-se, porém, a necessidade de dar seguimento ao Plano de Emergência,

atualizando-o, e começar a concretizar, no Brasil, os caminhos abertos à Igreja pelo Vaticano

II.

Assim foi elaborado este Plano de Pastoral de Conjunto.

  1. Objetivos do Plano de Pastoral de Conjunto

O Plano de Emergência baseou seu esforço de renovação no mistério da Igreja como

comunidade: prolongamento e presença viva do mistério de Cristo. O Vaticano II significou,

para toda a Igreja, uma clara e esplêndida tomada de consciência, uma explicitação de seu

próprio mistério e a disposição firme de renovar-se segundo a imagem que Cristo nela deseja

fazer brilhar.

Nesta perspectiva, situamos o objetivo geral do Plano de Pastoral de Conjunto, que é:

Criar meios e condições para que a Igreja no Brasil se ajuste, o mais rápida e

plenamente possível, à imagem de Igreja do Vaticano II.

A formulação e realização deste objetivo contém quatro aspectos importantes:

  1. a) a renovação de Igreja, no Brasil, conforme a imagem de Igreja do Vaticano II.

Comparando nossa situação atual com aquilo que o Concílio quer que seja a Igreja,

poderemos estabelecer os objetivos gerais e específicos desta renovação, seus princípios,

opções e diretrizes mais importantes;

  1. b) a criação de meios e condições. A renovação é, antes de tudo, dom de Deus,

garantido indefectivelmente à sua Igreja, e resposta livre dos homens. Como instrumentos

disponíveis nas mãos divinas, o que podemos e devemos fazer é criar os meios e as condições

para que ela se realize o mais plenamente possível;

  1. c) o tempo em que se realizará esta renovação. Não podemos prevê-lo pelos motivos

acima aludidos. Mas, como membros vivos da Igreja, desejamos com ardor e zelo que seja o

mais rápido possível, conscientes de que a renovação plena só se efetuará na segunda vinda

do Senhor, por sua intervenção direta e dom gratuito.

Podemos, porém, e devemos prever as atividades a realizar, para criarmos os meios e as

condições que Deus espera e quer de nossa colaboração. É este, aliás, o sentido da ação

apostólica.

Para não ficar apenas em princípios e diretrizes, e descer a detalhes mais concretos, para

poder acompanhar melhor a evolução histórica e garantir uma presença sempre adaptada da

Igreja, arbitramos em cinco anos o tempo de previsão das atividades da CNBB contidas no

Plano de Pastoral de Conjunto. Seu desenvolvimento e execução se processarão de janeiro de

1966 a dezembro de 1970.

  1. d) a continuidade desta renovação. O Plano deverá dar continuidade, segurança e

progresso à ação da Conferência, tornar-se um instrumento privilegiado de aplicação do

“afeto colegiado” e da co-responsabilidade e solicitude episcopal. Em 1970 poderá ser

elaborado o Plano seguinte, para um prazo, então, de 4 anos. Como as assembléias gerais da

Conferência se realizam de dois em dois anos, teremos alternadamente uma assembléia para

renovação dos mandatos e estudo de aspectos especiais do plano em vigor ou de assunto de

interesse particular da Igreja, e outra assembléia para elaboração, discussão e sanção do novo

Plano.

21

  1. Diretrizes fundamentais de ação: objetivo geral e objetivos específicos de ação

da Igreja.

Para promover a renovação da Igreja no Brasil, conforme a imagem de Igreja do

Vaticano II, necessitamos, em primeiro lugar, definir os grandes objetivos, princípios, opções,

diretrizes que devem orientar a ação e, em vista deles, precisar as atividades e tarefas a

desenvolver. Baseamos esta definição de diretrizes, objetivos e tarefas em dois grupos de

reflexões, que se completam e interpenetram:

a formulação aplicada ao Brasil dos objetivos de ação da Igreja explicitados pelo

Vaticano II;

a tomada de consciência da situação da Igreja no Brasil (suas necessidades,

exigências e possibilidades), à luz do Concílio e dos dados reais de que dispomos no

momento.

*

Sintetizando as grandes perspectivas da “Lumen Gentium”, e em especial do capítulo

primeiro, podemos afirmar que o objetivo geral de ação da Igreja é:

Levar todos os homens à plena comunhão de vida com o Pai e entre si em Jesus Cristo,

no dom do Espírito Santo, pela mediação visível da Igreja.

O Plano de Emergência, conforme já assinalamos, fundamentou a renovação paroquial,

sacerdotal e educacional no ministério da Igreja como comunidade. Este Plano de Pastoral de

Conjunto continua a mesma perspectiva, mas a amplia e aprofunda à luz do Concílio,

explicitando-lhe a riqueza: a Igreja é a comunhão de vida dos homens com o Pai e entre si,

em Jesus Cristo, no dom do Espírito Santo, comunicada e manifestada pela mediação da

comunidade visível.

O objetivo último de todo o mistério de salvação é esta comunhão de vida interpessoal

dos homens em Cristo, e por Cristo, com toda a Trindade. Esta relação interpessoal de amor é

dom gratuito de Deus, que tanto amou o mundo, que lhe deu seu Filho unigênito (Jo 3, 16),

mas exige igualmente dos homens uma resposta livre e pessoal de amor.

Este desígnio de salvação, Cristo o realiza e manifesta na comunidade visível de Igreja,

de tal modo que a “sociedade provida de órgãos hierárquicos e o Corpo Místico, a assembléia

visível e a comunidade espiritual… formam uma só realidade constituída de elementos divinos

e humanos” (“Lumen Gentium” n° 8).

Prolongamento, presença viva e atuante em Cristo, a comunidade de Igreja participa de

seu tríplice múnus: profético, sacerdotal e régio.

Em um primeiro momento de renovação pastoral, numa aplicação acomodatícia, o

Plano de Emergência denominou o múnus profético de comunidade de fé, o múnus

sacerdotal de comunidade de culto e o múnus régio de comunidade de caridade. Por motivos

práticos ligou algumas atividades do ministério da palavra (pregação, catequese, movimento

bíblico) à comunidade de fé; reuniu as atividades litúrgicas na comunidade de culto; e fez

depender da comunidade de caridade a ação missionária dos movimentos leigos, o

movimento vocacional, a promoção social e a organização da comunidade paroquial.

Esta sistematização tem o seu fundamento e valor. A Igreja é, e será sempre, uma

comunidade. Nela estará sempre presente e atuante o ministério da palavra, a vida litúrgica e

especialmente eucarística, a ação missionária, a formação na fé de todos os membros do povo

de Deus, a presença da Igreja no desenvolvimento humano, a organização visível da própria

22

comunidade eclesiástica. Através destas atividades a Igreja exerceu e exercerá sempre seu

múnus profético, sacerdotal e régio.

O agrupamento, porém, destas atividades em comunidade de fé, de culto e de caridade

era acomodatício. A fé e a caridade são duas virtudes teologais que devem informar todas as

atividades pastorais e todos os aspectos da vida da Igreja. A eucaristia, por exemplo, é por

excelência o sacramento da caridade e, ao mesmo tempo, o “mysterium fidei”.

O múnus sacerdotal e o culto cristão, por sua vez, não se restringem à vida litúrgica,

embora nela tenham fonte e sua máxima realização. Todas as atividades apostólicas e a vida

evangélica de um leigo são exercícios de seu sacerdócio comum e culto espiritual.

O Vaticano II aprofundou e explicitou riquezas insondáveis do mistério de Cristo e da

Igreja, autenticando-as com a garantia do magistério hierárquico. À luz do Concílio,

retornamos e ampliamos todas as atividades e diretrizes pastorais do Plano de Emergência,

mas demo-lhes uma sistematização mais profunda, mais orgânica e mais conforme as

perspectivas conciliares. Este reagrupamento e esta sistematização tomaram como critério os

seis objetivos específicos de ação da Igreja. Em cada um deles Cristo e a comunidade de Igreja

exercem seu múnus profético, sacerdotal e régio.

*

Como primeiro objetivo específico, nossa ação pastoral visa a renovar e dinamizar a

Igreja no seu próprio ministério de comunidade, estreitando sua unidade visível.

Este objetivo requer a renovação de todos os membros do povo de Deus para uma vida

evangélica mais autêntica, para o melhor desempenho da missão a que foi chamado, para um

aproveitamento mais pleno e comunitário dos carismas que lhe foram comunicados pelo

Espírito Santo. Exige especialmente o pleno exercício do ministério hierárquico: do colégio

episcopal, tendo o Papa como cabeça visível, da Conferência episcopal, do bispo em sua

diocese ou no desempenho da tarefa especial que lhe foi confiada, do presbitério unido a seu

bispo.

Este objetivo requer ainda a renovação das diversas estruturas em que se realiza esta

comunidade de Igreja: comunidade de base, a paróquia, a zona pastoral, a diocese, as regiões

pastorais, a Conferência episcopal, o Conselho continental, a Igreja universal.

*

Nossa segunda reflexão visa a renovar as atividades fundamentais da comunidade de

Igreja e seus níveis de realização. À semelhança do organismo humano, a Igreja possui uma

dinâmica permanente de crescimento extensivo. Aprofundando a unidade do todo, exerce

atividades diversas em níveis diversos.

A atividade máxima e o nível supremo de realização da Igreja é o ministério eucarístico,

que constitui a fonte e o ponto culminante de toda a sua vida. Em função da eucaristia, e dela

dimanando, desenvolve-se toda a vida sacramental e litúrgica, especialmente os sacramentos

do batismo e da confirmação, que com ela constituem os sacramentos da iniciação cristã.

Em função da eucaristia e dos sacramentos, mas os precedendo e preparando,

aprofundando e continuando, a Igreja proclama, explicita e interioriza em todos os seus

membros o ministério da Palavra de Deus, na pregação, na catequese, na comunicação da

doutrina, para que a vida de fé, esperança e caridade, a vida no Espírito Santo, neles cresça e

se intensifique.

Para aqueles que ainda não chegaram à fé e ao conhecimento de Cristo, e ainda não

estão inseridos na comunidade visível, para aqueles que, embora batizados, vivam apenas

23

uma fé implícita, a Igreja, pela Palavra e pelo testemunho de vida, desenvolve uma ação

missionária, anuncia a mensagem que os leve à primeira conversão, à adesão pessoal a Cristo,

à inserção consciente e participante na comunidade visível.

São essas as atividades básicas e os três níveis fundamentais de realização da Igreja. Não

são três compartimentos estanques, mas três fases crescentes de um mesmo processo vital.

Para aqueles que já vivem uma fé explícita e uma participação pessoal e efetiva na

comunidade de Igreja, a ação pastoral desenvolverá o nível litúrgico e a explicitação e

interiorização da Palavra de Deus. Para todos aqueles que ainda não chegaram à fé ou a

vivem apenas implicitamente, será decisivo o desenvolvimento de uma ampla e intensa ação

missionária.

Baseados nestas reflexões, podemos situar o segundo, terceiro e quarto objetivos

específicos de nossa ação pastoral, assim enunciados:

– Levar os homens à primeira adesão pessoal a Cristo, através do anúncio missionário

da Palavra e do testemunho de vida evangélica.

– Levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo, através da Palavra

e do testemunho de vida evangélica, que iluminam e alimentam.

– Levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo, através do culto

litúrgico integral e das celebrações da Palavra.

Adotamos nesta enumeração a ordem mais vital: o homem que se converte e adere a

Cristo é inserido na comunidade visível da Igreja, nela aprofunda sua vida cristã,

interiorizando a Palavra de Deus, e participa de sua realização máxima, que é a eucaristia.

Esta é a única Igreja de Cristo2, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor

de Pedro e pelos bispos, em comunhão com ele. Hoje, porém, são numerosas as comunhões

cristãs que se apresentam aos homens como legítima herança de Jesus Cristo. Todos se

professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e caminham por rumos

diferentes. Quase todos, porém, se bem que de modo diverso, aspiram a uma Igreja una e

visível que seja verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro. Esta situação histórica

levou o Concílio a imprimir a toda a ação da Igreja uma perspectiva ecumênica. Além de

renovar a Igreja no seu mistério de comunidade, nas suas atividades básicas e nos seus três

níveis de realização, a pastoral deve, pois, renová-la nas suas relações e no diálogo com os

irmãos separados. A ação ecumênica constitui o nosso quinto objetivo específico, que assim

enunciamos:

– Levar o Povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo, através de uma

autêntica ação ecumênica.

*

A Igreja não se identifica com a comunidade dos homens e sua história, mas nela vive e

está presente. Esta sua presença no temporal e sua relação com a história dos homens faz

parte do seu próprio mistério, embora nas diversas épocas e nos diversos lugares se expresse e

concretize de maneira peculiar. O Vaticano II significou uma viva tomada de consciência,

aprofundamento e explicitação deste aspecto do mistério da Igreja. A ação pastoral deve, pois,

à luz do Concílio, repensar e renovar em cada contexto humano, as relações da Igreja com a

2 Cf. o decreto “Unitatis redintegratio”.

24

família humana e sua presença concreta na história dos homens. Este constitui nosso sexto

objetivo que assim formulamos:

– Levar o Povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo, através de sua

inserção como fermento na construção de um mundo segundo os desígnios de Deus.

*

Nestes seis objetivos, que estão por sua vez em função do objetivo geral, reagrupamos

todas as atividades pastorais preconizadas pelo Plano de Emergência, agora ampliadas e

aprofundadas pelo Concílio.

Estes seis objetivos constituem-se pois nas seis diretrizes fundamentais ou nas seis linhas

de trabalho, que orientarão a pastoral da Igreja no Brasil, nos próximos cinco anos.

Em cada uma destas linhas de ação são previstas, por sua vez, em um nível maior de

detalhes, as atividades mais importantes a serem desenvolvidas para sua aplicação.

Assim, por exemplo, a promoção de organização, da catequese paroquial, da catequese

escolar nos diversos níveis, etc., são atividades que tornarão efetivo o terceiro objetivo ou a

terceira linha de trabalho.

Os bispos do Brasil, no exercício de sua co-responsabilidade e solicitude episcopal,

apresentam-nas, não como normas jurídicas, mas como diretrizes pastorais, que devem

orientar a ação de todos aqueles – pessoas e instituições – que desenvolvem atividades

pastorais, respeitados os carismas e vocação específica de cada um. Estas diretrizes, sobretudo

no seu objetivo geral e nas suas seis linhas de trabalho, são muito amplas e de realização a

longo prazo. E assim como elas prolongam e ampliam as diretrizes do Plano de Emergência,

poderão, por sua vez, ser retomadas, continuadas e aprofundadas pelos planos subseqüentes.

25

segunda parte

Diretrizes fundamentais da ação

pastoral

26

Nosso objetivo é renovar a Igreja no Brasil, conforme a imagem de Igreja do Vaticano II.

É, pois, importante precisar, detalhar as diretrizes desta renovação à luz do Concílio e da

situação concreta da Igreja em nosso país. Apresentamos a justificativa geral das decisões

propostas e as linhas de trabalho que as devem orientar e realizar.

27

I

Justificativa geral

Algumas constatações e reflexões fundamentam estas diretrizes que darão unidade e

eficiência à Pastoral de Conjunto, em todos os níveis (nacional, regional e diocesano), e a

todo o esforço de renovação.

Analisemos as mais importantes.

  1. Em que sentido podemos planejar a ação da Igreja

A Constituição “Lumen Gentium” nos fala no libérrimo desígnio do Pai que, na sua

sabedoria e bondade, salvou em Cristo os caídos em Adão, dando-lhes o poder de se

tornarem filhos segundo a imagem de seu Unigênito, congregando na Santa Igreja todos

aqueles que chegaram ao conhecimento da Verdade.

A Igreja, prefigurada desde a origem do mundo, preparada na história do povo de Israel

e na Antiga Aliança, constituída na era presente, manifestada pela efusão do Espírito

Santificador, é a realização, no tempo, deste desígnio do Pai até sua consumação gloriosa, no

fim dos séculos (“Lumen Gentium”, nº 21).

Este desígnio constitui o plano fundamental, decisivo, para toda a humanidade. Todos

os outros planos adquirem sentido na medida em que o tomam como ponto de referência,

com ele colaboram e nele se integram.

Quis, porém, a bondade do Pai constituir homens que, como continuadores da missão

do Filho, sob o impulso do Espírito Santo, cooperassem na realização do plano divino.

Esta missão apostólica é perene e indefectível na Igreja, por garantia do próprio Cristo

(Mt 28, 20), mas alcança maior ou menor plenitude conforme a qualidade da cooperação

humana. É a graça divina que converte, incorpora a Cristo na Igreja, e faz crescer até a

plenitude da caridade. Deus, porém, quer realizar este mistério através de instrumentos

humanos.

Planejar a ação da Igreja significa, pois, esforçar-se por assegurar mais plena e adequada

cooperação humana à realização do plano divino, no respeito e na fidelidade total ao desígnio

do Pai, à ação do Filho, ao dom do Espírito Santo e à livre resposta dos homens.

  1. Tomada de consciência da situação da Igreja no Brasil

28

Para planejarmos qualquer empreendimento necessitamos conhecer objetivamente a

situação: suas necessidades e possibilidades. Não possuímos ainda uma análise cientifica

global sobre os diversos aspectos da Igreja, em nosso país. Os estudos parciais existentes e o

testemunho de pessoas qualificadas já nos permitem, no entanto, um conhecimento razoável,

capaz de informar melhor as decisões.

  1. a) Necessidades e exigências

Esta análise pode parecer negativa, porque não pretende ser um balanço global e uma

avaliação completa da presença da Igreja, mas apenas a focalização de alguns aspectos

fundamentais, que estão a exigir renovação. Podemos sintetizá-los em quatro capítulos:

Os níveis de motivação religiosa e a ação pastoral que os alimenta

Somos um país predominantemente católico (93,49% – IBGE 1960) com uma

percentagem quase total de batizados. Este dado, porém, toma matizes bem variados, quando

analisamos o nível e o tipo de motivação religiosa que animam estes batizados. Existe,

realmente, um forte espírito religioso, principalmente nas áreas rurais e urbanas de migração

recente, mas a grande maioria vive apenas uma fé implícita, pois jamais fizeram uma adesão

explícita e pessoal a Cristo, único Salvador. Esta constatação é válida, mesmo para a boa

parte daqueles que assistem freqüentemente ou mesmo dominicalmente à Missa.

Em relação ao conjunto de batizados, constitui reduzida minoria o grupo dos que

chegaram a esta adesão pessoal e explícita, e procuram viver como membros ativos,

participantes da Igreja. Mesmo entre os que possuem melhor compreensão do cristianismo,

predominam os motivos de mera salvação individual, com séria deficiência do sentido e

vivência de Igreja.

Completando este quadro, devemos assinalar o sincretismo religioso, que anima

numerosos grupos de nossa população, e o florescimento de cultos africanos, sobretudo entre

as camadas populares.

Esta situação toma expressões e aspectos diversos nos vários grupos que compõem a

comunidade nacional: dirigentes da economia e da política, intelectuais, técnicos, proletários

rurais e urbanos, operários qualificados, profissionais liberais, classe média tradicional, jovens

dos diversos meios sociais. Uma crise de fé amplia-se sobretudo nos grandes centros urbanos.

A ação pastoral está, em grande parte, absorvida pela ação sacramental e pela

administração de obras. O anúncio missionário, a catequese, o aprofundamento doutrinal e

toda a educação da fé ocupam um lugar insignificante no conjunto, e a Palavra que é

transmitida carece muitas vezes de seiva evangélica e de encarnação, que lhe possibilitem

atingir os grupos a que se dirige.

Numa sociedade patriarcal, de evolução lenta, institucionalmente quase identificada com

a Igreja, este tipo de pastoral não encontra maiores problemas, e consegue manter a situação,

pois a fé transmite-se, em grande parte, pelo próprio ambiente e estruturas da sociedade.

A situação brasileira não é, porém, a de uma cristandade definida nestes termos e, por

isso, nos leva a uma orientação clara e precisa: a necessidade de empreender,

predominantemente um esforço de educação da fé, através de todos os instrumentos que

Cristo proporciona à sua Igreja, para que a grande maioria dos batizados chegue à fé explícita.

Em outras palavras, nossa situação requer que orientemos a ação da Igreja numa perspectiva

marcantemente missionária, capaz de:

provocar a conversão e a primeira adesão pessoal a Cristo;

conduzir a uma explicitação e aprofundamento da fé;

29

inserir organicamente na Comunidade de Igreja;

assumir, purificar e elevar os autênticos valores da cultura e do gênio do nosso povo

(“Lumen Gentium” n° 13).

A comunidade de Igreja

A Igreja foi constituída comunidade visível, que realiza e expressa a incorporação dos

homens a Cristo e sua participação na vida divina. A conversão e a adesão pessoal a Cristo

significam ao mesmo tempo a inserção na comunidade visível da Igreja pela fé e pelos

sacramentos. Quando a fé é apenas implícita ou insuficiente, as comunidades de Igreja

perdem o seu vigor; e reciprocamente, a falta de comunidades vivas é responsável pelo

enlarguecimento da vida teologal, pelo ritualismo, por um cristianismo que permanece apenas

ao nível da fé implícita.

Mais uma vez sentimos a necessidade de uma pastoral em que educação da fé e vida

sacramental não se separem nem se aponham, mas integrem-se dentro do equilíbrio exigido

em cada situação concreta, visando à construção da comunidade de Igreja.

Por outro lado, a comunidade visível é condicionada pelas estruturas nas quais se

realiza. No Brasil, estas estruturas estão a exigir uma renovação.

*

Na realidade, a estrutura de base é a paróquia. Existem atualmente em nosso país, 4.604

paróquias, com 17.658 habitantes, como média demográfica e 1.848 km2, como média

territorial. Para compreendermos a diversidade, mesmo quantitativa, incluída nesta média,

basta considerarmos os dois casos extremos: a paróquia de Sant’Ana em Itaiutuba, prelazia de

Santarém (Pará), com 186.966 km2 e 13.793 habitantes, e a paróquia de Nossa Senhora de

Copacabana, com 120 mil habitantes, num reduzido espaço territorial (CERIS, 1964).

Nestas circunstâncias, é muito difícil construir uma comunidade paroquial viva. Não é,

pois, de estranhar que a maioria dos cristãos não se sinta membro vivo, responsável e

integrante da Igreja e que a paróquia se torne uma estrutura predorninantemente jurídica e

administrativa.

*

Faz-se urgente uma descentralização da paróquia, não necessariamente no sentido de

criar novas paróquias jurídicas, mas de suscitar e dinamizar, dentro do território paroquial,

comunidades de base (como as capelas rurais) onde os cristãos não sejam pessoas anônimas

que apenas buscam um serviço ou cumprem uma obrigação, mas sintam-se acolhidos e

responsáveis, e delas façam parte integrante, em comunhão de vida com Cristo e com todos

os seus irmãos.

*

Numa sociedade patriarcal e primitiva, a paróquia forma como que uma ilha e torna-se

quase auto-suficiente. Numa sociedade que se tecnifica e urbaniza, ela torna-se

progressivamente insuficiente, sem condições de garantir isoladamente uma presença efetiva

de Igreja. Criam-se situações humanas que não podem receber uma resposta conveniente ao

nível paroquial, pois o ultrapassam inteiramente. São um conjunto de fenômenos, de aspectos

culturais, linhas de evolução, problemas que marcam todo um espaço geográfico, constituindo

o que se convencionou chamar “zona humana” e que exige uma resposta pastoral integrada.

30

Impõe-se, pois, a formação e o incremento das zonas pastorais, que coordenem a ação das

paróquias e respondam, em conjunto, aos fatores gerais que influenciam a zona.

*

A acentuação jurídica e administrativa da pastoral e uma teologia insuficiente sobre o

episcopado levam muitos a encararem a diocese como uma simples reunião de paróquias,

comprometendo a unidade vital e básica da Igreja particular. Uma das tarefas urgentes da

pastoral é dar à estrutura diocesana toda a sua riqueza eclesiológica, com as conseqüências

práticas que dela decorrem.

A própria comunidade diocesana sente-se hoje insuficiente. Há desafios lançados à

Igreja que superam as possibilidades de uma diocese, e exigem uma ação regional, subregional

ou nacional. A co-responsabilidade e a solicitude universal do episcopado encontram,

assim, vasto campo de exercício e aplicação concreta. Urge, pois, a dinamização e o

fortalecimento da CNBB e da comunhão eclesiástica dos bispos, no colégio episcopal, tendo o

Papa como cabeça. É nesta perspectiva que deve ser empreendida uma renovação de

estruturas de Igreja.

Os diversos membros do povo de Deus

Queremos também chamar a atenção para alguns aspectos da situação presente nos

diversos membros do povo de Deus, em especial presbíteros, religiosos e leigos.

Presbíteros – Existem no Brasil 4.628 sacerdotes seculares (CERIS – 1961) e 7.515

sacerdotes religiosos (CERIS – 1963). Sem desconhecer as deficiências quantitativas,

queremos assinalar outros dados do problema que nos parecem importantes.

Hoje fala-se, muito amiúde, de crise sacerdotal. Ela existe de fato. Mas é crise de

crescimento e maturidade. Em relação aos sacerdotes, podemos situá-la nos seguintes

aspectos:

Necessidade de tomar consciência e viver o que é essencial ao sacerdócio do

presbítero. Muitos sentem-se inseguros, caem no relativismo ou agarram-se a

aspectos acidentais.

Necessidade de realizar a síntese harmônica de sua personalidade como sacerdote,

com integração de todos os aspectos, em sintonia com o momento histórico atual, e

solidário com toda comunidade humana.

Necessidade de viver a consagração no celibato, como opção consciente e livre,

como caminho do perfeição na caridade.

Necessidade de descentralizar o ministério. A maioria das atividades realizadas pelos

sacerdotes não são especificamente presbiteriais. Podem ser assumidas por outros

ministros, como os diáconos.

Necessidade de reformular o tipo de relacionamento com o bispo, com outros

sacerdotes, com leigos, com não católicos e não cristãos.

Considerando que na situação de Igreja no Brasil a ação pastoral repousa em grande

parte no ministério dos presbíteros, podemos avaliar a importância decisiva da superação

desta crise e da renovação do ministério sacerdotal.

*

Religiosos – Existem atualmente 7.515 religiosos-sacerdotes, 4.200 religiosos não

sacerdotes e 37.747 religiosas (CERIS – 1964). Percebe-se, em geral, a necessidade de uma

31

melhor encarnação e adaptação da vida religiosa à nossa realidade. Impõe-se, nesse caso, um

aprofundamento do que é essencial a cada Ordem, Congregação ou Instituto, conforme o

carisma do fundador, expresso nas constituições, para uma adaptação às exigências da Igreja

e da vida cristã em nosso país. Reconhecemos a envergadura da tarefa que preocupa, hoje, a

Igreja universal, mas não podemos permanecer inativos.

Uma questão de grande importância é a inserção das comunidades religiosas na Pastoral

de Conjunto, diocesana, regional e nacional. Seu encaminhamento em sólidas bases

eclesiológicas é vital para a ação da Igreja no Brasil.

*

Leigos – A grande maioria encontra-se na situação anteriormente descrita, de uma fé

implícita, sem adesão pessoal ao mistério do Cristo, nem inserção consciente e responsável na

comunidade de Igreja.

Outros, em número mais reduzido, vivem um cristianismo que lhes proporcione uma

salvação individualista, sem se considerar membros vivos da comunidade eclesial.

Constituem minoria os que têm consciência da posição do leigo, membro do povo de

Deus. Estes, em geral, vivem hoje uma séria tensão, entre sua fidelidade à comunidade

humana e à Igreja. Esta questão, porém, é um aspecto de toda a problemática das relações

Igreja-Mundo e do tipo de presença da Igreja em nosso tempo.

*

Complementaridade e integração desses diversos membros – Hoje começa a haver um

despertar, um esforço para reconhecer não apenas o papel específico de cada um, mas

também sua complementaridade e integração como membro do povo de Deus. Este esforço é,

porém, muito incipiente. Resta-nos grande caminho a percorrer. A realização deste objetivo

deverá ser o fruto de um intenso trabalho de educação da fé, de reformulação de algumas

estruturas internas da Igreja e de novas formas concretas de sua presença no mundo.

Presença da Igreja no mundo

Há uma solidariedade fundamental entre o povo de Deus e o povo dos homens, pois o

povo de Deus é precisamente o povo dos homens convocados e reunidos em Cristo, na Igreja.

Sociedade visível, constituída e organizada neste mundo, a Igreja está a serviço da

comunidade dos homens, para revelar-lhes o sentido de sua existência e história, comunicarlhes

a vida divina, reunir os filhos de Deus dispersos e, assim, realizar o desígnio do Pai.

Servidora, a Igreja é também acolhedora da comunidade dos homens, assumindo seus valores

e os ritmos de sua história, purificando-os e elevando-os. Esta sua atitude não é mera

adaptação ou concessão, nem simples pedagogia, mas exigência de seu próprio mistério3.

Esta presença da Igreja é uma das questões fundamentais da ação pastoral, e tem

assumido formas variadas ao longo da história, precisamente porque estas formas dependem,

em parte, do contexto histórico em que se realizam.

Baseados na situação concreta da comunidade humana, podemos caracterizar em três

tipos principais a presença da Igreja no contexto histórico brasileiro.

– A presença da Igreja em áreas de evolução lenta, de estrutura patriarcal e economia

de subsistência.

3 R. P. J. M. R. Tillard OP – Notre Pastorale mise en question.

32

Nestas áreas ela é chamada, muitas vezes, a desenvolver uma ampla tarefa de

civilização.

– A presença da Igreja em áreas em vias de desenvolvimento, em transformação de

estrutura, em estágio pré-teórico de civilização.

A comunidade humana começa a assumir mais adultamente suas responsabilidades,

e a Igreja, conservando certas tarefas de civilização, passa progressivamente ao

papel de testemunha, animação e fermento.

– A presença da Igreja em áreas tecnificadas e urbanizadas.

Neste contexto, ela assume uma ou outra tarefa de civilização, como testemunho da

caridade, mas sua função decisiva é de animação e fermento, revelando aos homens

o verdadeiro sentido e destino dos seus esforços.

Convém notar que estes três tipos de áreas não são três etapas estanques, mas se

interpenetram no espaço e no tempo. Podemos encontrar as três situações nos limites de uma

mesma diocese.

Não podemos, porém, esquecer nem deixar de prever, sem queimar etapas, que a

evolução se orienta no sentido do terceiro tipo. A mentalidade técnica e urbana e o conjunto

de valores e contravalores que ela implica marcam, hoje, grupos significativos de nossas

metrópoles e constituirão a mentalidade do homem de amanhã.

Constatando, ao mesmo tempo, o aceleramento destas transformações, sentimos a

necessidade de uma presença dinâmica da Igreja que respeite, acompanhe e fomente um

crescimento orgânico da sociedade.

O homem da sociedade que hoje começa a desaparecer apoiava-se, de preferência, no

passado e nas estruturas constituídas. O novo tipo de homem que surge volta-se,

predominantemente, para o futuro, para o que há de mais profundamente pessoal,

comunitário e dinâmico em cada ser humano. A presença da Igreja não pode ser uma

presença de quem “vai a reboque”, mas de quem prevê, se antecipa e assume os ritmos da

história.

Esta tarefa não é fácil para a Igreja, no Brasil, onde coexistem as mais primitivas

comunidades e grupos empenhados nos mais avançados processos da tecnificação e

urbanização. Impõe-se à pastoral um esforço de grande realismo, flexibilidade, capacidade

criadora, compreensão e aceitação das diversidades, sem querer impor, a situações tão

díspares, modelos fixos e rigidamente pré-estabelecidos.

  1. b) Possibilidades da Igreja no Brasil

Apesar das necessidades e exigências que apontamos acima, devemos render graças ao

Pai pelas vastas possibilidades efetivas e potenciais de que a Igreja dispõe, hoje, no Brasil.

Não é o caso de fazermos, aqui, seu levantamento e avaliação. Tudo o que antes assinalamos

como elementos que necessitam de renovação (clero, laicato, comunidades religiosas,

estrutura paroquial e diocesana, etc.) podemos, sob outros aspectos, apresentar como pontos

de apoio mui decisivos, aos quais podemos imprimir um sempre maior rendimento.

Queremos, no entanto, chamar a atenção para dois fatores especiais que, no momento,

nos parecem os mais importantes e dinâmicos.

Plano de Emergência

Foi um dos frutos mais abençoados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil,

suscitado pelo carisma profético de João XXIII. Como plano “de emergência” seu objetivo

33

principal era provocar um despertar generalizado e preparar a Igreja para uma profunda

renovação. Este objetivo foi atingido.

Superando as previsões mais otimistas, o Plano de Emergência tornou-se, efetivamente,

uma bandeira e um roteiro de renovação paroquial. Em grande número de dioceses deu início

às mais variadas experiências de renovação paroquial e empreendeu uma séria renovação do

ministério sacerdotal. No aspecto educacional e sócio-econômico, a par de atividades e

realizações, logrou principalmente uma reflexão mais profunda sobre a presença da Igreja

nestes diversos campos, possibilitando, agora, uma ação de maior envergadura.

Suscitou dinamismos, energias novas e latentes, sobretudo provocou maior

entrosamento, colaboração e integração entre os diversos membros do Corpo Místico de

Cristo e os diversos organismos e instituições que desenvolvem ação apostólica.

Renovou algumas estruturas diocesanas e possibilitou ao episcopado uma ação regional

e nacional mais efetiva, através da constituição dos regionais, reformulação e ampliação da

CNBB em nível nacional. Foi uma primeira tentativa de pastoral de conjunto, nestes diversos

níveis. Criou sobretudo uma mística e uma esperança de renovação.

Neste particular merece especial destaque a ação empreendida pelo Movimento por um

Mundo Melhor que, através de cursos realizados, em todo o país, para sacerdotes, religiosas e

leigos, renovou-lhes o espírito comunitário e os levou a se comprometerem decisivamente

com o Plano de Emergência e o esforço de conjunto da Igreja no Brasil.

Concílio Vaticano II

Podemos afirmar que o Plano de Emergência preparou a Igreja no Brasil para a

aplicação das decisões conciliares. Mas podemos igualmente assegurar que o Vaticano II criou

o clima, meios e condições para a ação pastoral empreendida pelo Plano de Emergência.

A renovação litúrgica encontra-se hoje em pleno desenvolvimento. A Constituição

“Lumen Gentium” já começa a ser conhecida, debatida, assimilada e vivida, com

repercussões na mentalidade pastoral. Percebe-se real expectativa em torno de vários outros

decretos e constituições, especialmente de documentos como o “Da liberdade religiosa”, “A

Igreja no mundo de hoje”, “Vida e ministério sacerdotal”, etc. Cursos, conferências, debates

sobre temas conciliares despertam o mais vivo interesse. São numerosos os grupos de

sacerdotes, religiosos e leigas dispostos a assimilar, aprofundar, viver as grandes decisões do

Vaticano II e cooperar em sua execução. Este clima intensifica-se e constitui uma das maiores

esperanças de renovação.

  1. Objetivo geral e objetivos específicos de ação da Igreja

O Plano de Emergência baseava a renovação paroquial, sacerdotal e educacional na

Igreja como comunidade. À luz das experiências realizadas e sobretudo do Vaticano II,

podemos explicitar mais detalhadamente e com maior precisão e profundidade este mistério.

Analisemos, pois, seu conteúdo à luz do Concílio e das exigências pastorais e

explicitemos melhor o objetivo geral e os objetivos específicos de ação da Igreja.

  1. a) Objetivo geral

A “Lumen Gentium” apresenta-nos Cristo como a luz dos povos e afirma que a Igreja é,

em Cristo, como que sacramento ou sinal instrumento da íntima união com Deus e da

unidade de todo o gênero humano (n° 1).

34

Nele e por Ele, Deus quis libertar o homem do pecado e da morte e introduzi-lo na sua

intimidade e comunhão de vida. Por sua encarnação, vida e morte, ressurreição e ascensão,

Cristo estabeleceu a Nova Aliança e, pelo dom do Espirito Santo, constituiu o novo povo de

Deus, de quem é Cabeça. O estado deste povo é o da dignidade e da liberdade dos filhos de

Deus, em cujos corações habita o Espírito Santo como num templo. Sua lei é o mandamento

novo de amor, como o próprio Cristo nos amou (Jo 13,14). Sua meta é o Reino de Deus

iniciado pelo próprio Deus na terra, a ser estendido mais e mais até que, no fim dos tempos,

seja consumado por ele próprio, quando aparecer Cristo, nossa vida (Col. 3,4), e a própria

criatura será libertada do cativeiro da corrupção para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus

(Rom 8, 21). Assim, este povo messiânico, embora não abranja atualmente todos os homens

e, por vezes, apareça como um pequeno rebanho, é, contudo, para todo o gênero humano,

gérmen finíssimo de unidade, esperança e salvação. Constituído por Cristo em comunhão de

vida, caridade e verdade, é por Ele ainda assumido como instrumento de redenção de todos,

e é enviado ao mundo inteiro como luz do mundo e sal da terra… (Mt 5, 13-16).

O novo Israel que, caminhando no presente tempo, busca a futura cidade perene (Heb

13,14), também é chamado Igreja de Cristo (Mt 16,18) pois o próprio Cristo adquiriu-a com o

seu sangue (At 20,28), encheu-a do seu Espírito e dotou-a de meios aptos de união visível e

social. Constituiu-se assim sua cabeça, fez dela seu Corpo Místico, difundindo sua própria vida

naqueles que crêem, fazendo-os participar, pelos sacramentos, de sua morte e glorificação,

tornando-os membros deste Corpo e membros uns dos outros (Rom 12-15).

Deus convocou e constituiu a Igreja – comunidade congregada daqueles que, crendo,

voltam seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade e da paz – a fim de que ela

seja para todos e para cada um sacramento visível desta salutífera unidade. Devendo

estender-se a todas as regiões da terra, ela entra na história dos homens enquanto

simultaneamente transcende os tempos e os limites dos povos (“Lumen Gentium” nº 13).

Mas assim como Cristo realizou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim

a Igreja é chamada a palmilhar o mesmo caminho a fim de comunicar aos homens os frutos

da salvação. Entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, ela avança como

peregrina, anunciando a cruz e a morte do Senhor, até que venha (1 Cor 11, 26). Mas é

fortalecida pela força do Senhor ressuscitado, a fim de vencer pela paciência e pela caridade

suas aflições e dificuldades, tanto internas como externas, para poder revelar ao mundo o

mistério d’Ele, embora sob as vestes da sombra, porém com fidelidade, até que no fim seja

manifestada em plena luz (“Lumen Gentium” nº 8).

A Igreja para a qual somos todos chamados em Cristo Jesus e na qual, pela graça de

Deus, adquirimos a santidade, só se consumará na glória, quando chegar o tempo da

restauração de todas as coisas (At 3, 12) e, com o gênero humano, também o mundo todo,

que intimamente está ligado com o homem e que por ele chega ao seu fim, será perfeitamente

restaurado em Cristo… (“Lumen Gentium” nº 48).

Neste desígnio divino de salvação situamos a missão da Bem-aventurada Virgem no

mistério do Verbo Encarnado e do Corpo Místico, como também os deveres dos homens

remidos para com a Mãe de Deus, Mãe de Cristo e Mãe dos homens, mormente dos fiéis. A

Virgem Maria, que na Anunciação do Anjo recebeu o Verbo de Deus, no coração e no corpo,

e trouxe ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do

Redentor. Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de modo mais sublime e unida a Ele

por um vínculo estreito e indissolúvel, é dotada com a sua missão e dignidade de ser Mãe do

Filho de Deus e, por isso, filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo.

Por este dom de graça exímia, supera de muito todas as outras criaturas celestes e

terrestres, mas ao mesmo tempo está unida, na estirpe de Adão, com todos os homens a

serem salvos. Mais ainda: “é a mãe dos membros de Cristo porque cooperou, pela caridade,

35

para que, na Igreja, nascessem os fiéis que são membros desta Cabeça. E por causa disso é

saudada também como membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu tipo e

modelo excelente na fé e na caridade. E a Igreja Católica, instruída pela Espírito Santo, honraa

com afeto de piedade filial como mãe amantíssima (“Lumen Gentium” nº 53).

Dentro desta visão global que nos apresenta o Concílio, podemos entrever toda a

riqueza deste mistério escondido desde os séculos em Deus e agora revelado aos seus santos

apóstolos e profetas pelo mesmo Deus, conforme o plano eterno que Ele realizou em Cristo

Jesus Nosso Senhor (Ef 3, 9-11). Numa formulação de saber tradicional podemos afirmar que

o objetivo geral deste plano divino ou da Igreja é:

Levar todos os homens à comunhão de vida com o Pai e entre si por Cristo, no dom do

Espírito Santo, pela mediação visível da Igreja.

  1. b) Objetivos específicos

A Igreja é, por conseguinte, comunhão de vida em Cristo e, ao mesmo tempo, a

comunidade visível que a expressa e realiza. Mas a sociedade provida de órgãos hierárquicos

e o Corpo Místico de Cristo, a assembléia visível e a comunidade espiritual, a Igreja terrestre e

a Igreja enriquecida de bens celestes, não devem ser consideradas como duas coisas, mas

formam uma só realidade complexa que se compõe de elementos divinos e humanos… Esta

Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, é a Igreja Católica,

governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele, embora fora de sua

visível estrutura se encontrem vários elementos de santificação e de verdade. (“Lumen

Gentium” nº 8).

De outro lado, ela é profundamente dinâmica, deve crescer extensivamente, na medida

da expansão histórica e demográfica da humanidade. E é chamada principalmente a um

crescimento interior e orgânico nos seus membros: desde o ato inicial do novo nascimento até

“à medida da idade madura da plenitude de Cristo” (Ef 4, 13). O cristão só chegará lenta e

progressivamente à plena comunhão de vida em Cristo, devendo, sem cessar, defender-se

contra as forças do mal, numa luta que só terminará com a morte.

Dinâmica, ela é uma Igreja pobre. A comunhão de vida em Cristo se realiza como dom

de Deus e resposta livre dos homens. Cristo a realiza em sua Igreja como “o pobre de Javé”,

isto é, no dom e na disponibilidade total a Deus e no serviço aos homens. A Igreja não é, por

conseguinte, uma força política, mas algo a serviço da comunhão de vida dos homens em

Cristo. Realiza sua missão no despojamento, nas contradições e perseguições, buscando

sempre encontrar os homens no mais íntimo de sua pessoa, para revelar-lhes o sentido de sua

existência e de seu destino, ajudando-os na sua realização em comunhão com os outros

homens e na transformação do universo, em Cristo. Continuadora de Cristo, ela deve ser

capaz de encontrar todos os homens, mesmo os mais miseráveis e frustrados, para ajudá-los a

tomar consciência de sua dignidade e a participar do processo de comunhão com todos os

outros homens.

Dinâmica e pobre, ela é também uma Igreja peregrina, pois já é essencialmente a

humanidade nova, a comunidade de caridade, a comunhão de vida em Cristo, mas em

estado de tensão, em estado de esperança. Todos os bens divinos já lhe foram comunicados,

mas em gérmen, que ainda não atingiram seu pleno desenvolvimento. Seus fiéis conhecem o

Deus de Jesus Cristo, mas sob o véu da fé. Amam-no, mas o objeto amado não é ainda

possuído em plenitude, provocando uma tensão em busca da posse total e definitiva. Deverão

passar pela morte e retomar seus corpos após uma longa espera.

36

Cristo quis que a Igreja mesma, sob Seu influxo, realizasse este crescimento, em busca

de sua plenitude. Ela é um corpo que se constrói e se renova a si mesma, em união vital com

a sua Cabeça e sob a força do Espírito Santo que a anima interiormente.

Estes meios são: a comunidade visível e o ministério hierárquico, a Palavra de Deus, os

sacramentos (tendo como centro culminante a eucaristia) o testemunho vivo de todos os fiéis

(pastores, religiosos e leigos), e sua presença ativa e diversificada na construção do mundo em

vista do Reino que há de vir, mas que já está presente e cresce aqui em baixo.

Todos estes meios visam a realizar mais plenamente a comunhão de vida em Cristo; isto

é, construir a Igreja; e, só mesmo tempo, eles pertencem à Igreja, em quem encontram sua

fonte e sua força.

O Plano de Emergência já empreendeu um esforço para renovar e desenvolver todos

estes meios. Nosso esforço consiste em fazer com que eles sejam exercidos o amais

plenamente possível, conforme o desígnio do Pai para a Igreja que vive hoje no Brasil.

O Plano de Emergência tomou-os como base de renovação, agrupando-os em torno do

tríplice critério: comunidade de fé, de culto, de caridade. Como já expusemos na 1ª Parte, este

Plano de Pastoral de Conjunto retoma todos estes meios fundamentais de ação da Igreja,

agrupando-os, porém, em torno dos seis objetivos específicos de ação da Igreja, assim

formulados:

1 – Levar o Povo de Deus, reunido na Igreja Católica, a uma maior comunhão de vida

em Cristo, através da realização sempre mais plena de sua unidade visível.

2 – Levar todos os homens à primeira adesão pessoal a Cristo, através do anúncio

missionário da Palavra e do testemunho de vida evangélica.

3 – Levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo, através da Palavra

e do testemunho evangélico, que iluminam e alimentam.

4 – Levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo, através do culto

litúrgico integral e das celebrações da Palavra.

5 – Levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo, através de uma

autêntica ação ecumênica.

6 – Levar o povo de Deus a uma maior comunhão de vida em Cristo através de sua

inserção como fermento na construção do mundo, segundo os desígnios de Deus.

Além de tudo que já explicitamos anteriormente, esta sistematização da ação pastoral

tem a grande vantagem de nos mostrar os meios de ação da Igreja em sua ligação e relação

vital com o objetivo a que se destinam.

37

II

Linhas fundamentais de trabalho

Baseados nos objetivos gerais e específicos, anteriormente expostos, podemos elaborar

as linhas de trabalho que orientam a renovação pastoral.

Tomando como ponto de partida os seis objetivos específicos, estabelecemos seis linhas

fundamentais de trabalho.

Após apresentar justificativas, elementos sobre os quais assentam as linhas de trabalho, é

proposto um certo número de atividades, que efetivam e contretizam as linhas de trabalho

respectivas.

As atividades previstas distinguem-se em dois grupos, conforme sua relação ao objetivo.

As atividades que realizam diretamente o objetivo são chamadas atividades-fins: por ex.,

promover e organizar a catequese paroquial. As atividades que preparam e visam às

atividades-fins são denominadas atividades-meios, por ex., formar catequistas.

O que se entende por projeto, programa, plano.

As atividades previstas em cada linha de trabalho passam a constituir um projeto,

quando alguém (a diocese, a CNBB, uma Ordem ou Congregação religiosa, ou qualquer

outro organismo de Igreja) se propõe assumi-las e realizá-las, definindo responsabilidade,

prazos, custos, etc…

Por exemplo, a atividade meio de formar catequistas passará a ser um projeto no

momento em que a diocese X resolve assumir e realizar esta formação de catequistas, através

da organização de diversos cursos, que começarão e terminarão em datas prefixadas, com

responsáveis, método, local e custos definidos.

Como as respectivas atividades, de que são a concretização, os projetos também se

destinguem em projetos-fins e projetos-meios.

Podemos agrupar várias projetos segundo critérios diversos. Por ex., podemos agrupálos

conforme o objetivo que visam: a unidade da comunidade eclesial católica, a ação

missionária, a ação catequética, etc… Podemos também agrupá-los segundo as técnicas que

desenvolvem: pesquisa, reflexão pastoral, formação de pessoal, etc…

Um grupo de projetos reunidos sob o mesmo critério constitui o que chamamos um

programa.

O conjunto de dois, três, quatro ou mais programas constitui um plano.

38

Esta distinção entre projeto, programa e plano pode ser aplicada em diversos níveis.

Assim, a CNBB, em nível nacional, terá o seu plano, seus programas e seus projetos.

Igualmente, uma diocese terá seu plano diocesana, seus programas e seus projetos.

LINHA DE TRABALHO Nº 1

Promover uma sempre mais plena

unidade visível no seio da Igreja Católica

Justificativa4

Visando a uma cada vez mais plena comunhão de vida em Cristo, a Igreja realiza-se

sempre em comunidade visível.

São incorporados plenamente à sociedade da Igreja os que, tendo o espírito de Cristo,

aceitam a totalidade de sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos, e, na

sua estrutura visível regida por Cristo através do Sumo Pontífice e dos bispos – se unem com

Ele pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do regime eclesiástico e da comunhão.

Não se salva, contudo, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da

Igreja com o “corpo” mas não com o “coração” (“Lumen Gentium” n° 14).

Por instituição divina, a Santa Igreja é estruturada e regida com admirável variedade.

Mas todos são um só Corpo, em Cristo, e membros uns dos outros. Comum é a dignidade dos

membros pela regeneração em Cristo; comum, a graça dos filhos; comum, a vocação à

perfeição.

Ainda que alguns, por vontade de Cristo, são constituídos mestres, dispensadores dos

mistérios e pastores em benefício dos demais, reina, contudo, igualdade quanto à dignidade e

ação comum de todos os fiéis na edificação do Corpo de Cristo. Porquanto a distinção que o

Senhor estabeleceu entre os ministros sacros e o resto do povo de Deus traz em si certa união,

pois que os pastores e os damas fiéis estão intimamente relacionados entre si.

Esta Igreja – Cristo fundou-a nos apóstolos e edificou-a sobre o bem-aventurado Pedro,

seu Príncipe, sendo ele próprio a pedra angular (Ap. 21, 14; Mt. 18; Ef. 2, 20). Estes apóstolos

– instituiu-os à maneira de Colégio ou grupo estável, à frente do qual colocou Pedro, escolhido

dentre os mesmos como Cabeça e quis que os sucessores dos apóstolos, isto é, os bispos,

fossem, em sua Igreja, pastores até a consumação dos séculos, e, junto com o sucessor de

Pedro, Vigário de Cristo, Cabeça visível de toda a Igreja, regessem a Casa de Deus.

Assim como, por disposição do Senhor, S. Pedro e todos os apóstolos constituem um

colégio apostólico, paralelamente, o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, e os bispos

sucessores dos apóstolos, estão unidos entre si. Alguém é constituído membro do corpo

episcopal pela sagração sacramental e pela hierárquica comunhão com o Chefe e os membros

do Colégio.

Enquanto composto de muitos, este Colégio exprime a variedade e a universalidade do

povo de Deus; enquanto unido sob um chefe, exprime a unidade do rebanho de Cristo.

4 A maior parte desta justificativa é citação quase literal da “Lumen Gentium”.

39

O Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é o perpétuo e visível princípio e

fundamento da unidade, tanto dos bispos como da multidão de fiéis. E os bispos são o visível

princípio, e fundamento da unidade em suas igrejas particulares, constituídas segundo a

imagem da Igreja universal, nas quais e pelas quais subsiste a Igreja Católica, una e única. Por

este motivo cada bispo representa sua Igreja, e todos, juntamente com o Papa, representam a

Igreja inteira, no vínculo da paz, do amor e da unidade. Cada bispo que preside a Igreja

particular exerce seu governo pastoral sobre a porção do povo de Deus a ele confiada e não

sobre outras igrejas, nem sobre a Igreja universal. Mas enquanto membro do Colégio

episcopal e sucessor legítimo dos apóstolos cada qual, por instituição e preceito de Cristo, é

obrigado a ter solicitude pela Igreja universal. O cuidado de anunciar o Evangelho por toda a

terra compete ao Corpo de pastores, pois a todos eles, em comum, deu Cristo a ordem,

impondo-lhes um ofício comum.

As Conferências episcopais podem, hoje, contribuir com múltipla e fecunda força para

que este afeto colegial seja levado a uma aplicação concreta.

Como vigários e legados de Cristo os bispos governam as Igrejas particulares que lhes

foram confiadas, com conselhos, exortações e exemplos, mas também com autoridade e

poder sagrado. Este poder que eles pessoalmente exercem, em nome de Cristo, é próprio,

ordinário e imediato, embora seu exercício seja, em última análise, regido pela autoridade

suprema e possa definir-se segundo a utilidade da Igreja e dos fiéis.

O bispo, enviado pelo Pai de Família para governar sua família, deve ter diante dos

olhos o exemplo do Bom Pastor, que veio não para ser servido, mas para servir (Mt. 20,28;

Mc. 10,45), e para dar sua vida pelas ovelhas (Jo. 10,11).,

Por sua vez, os fiéis devem estar unidos a seu bispo, como a Igreja a Jesus Cristo e Jesus

Cristo ao Pai, para que todas as coisas se harmonizem pela unidade e transbordem para a

glória de Deus (Cor 4,15).

Os presbíteros, embora não possuam o ápice do pontificado e no exercício do seu poder

dependam dos bispos, estão contudo com eles unidos na dignidade sacerdotal em virtude do

sacramento da Ordem, segundo a imagem de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote (Heb. 5,1-10;

7,24; .9,11-28), são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o

culto divino.

Solícitos cooperadores da Ordem episcopal, formam, com o bispo, um único presbitério.

Em cada comunidade local de fiéis tornam presente, de certo modo, o bispo, cujas funções e

solicitudes tomam como suas. No lugar onde estão tornam visível a Igreja universal e

cooperam, efetivamente, na edificação de todo o Corpo de Cristo (Ef. 4,12). Devem esforçase

para dedicar seu empenho à ação pastoral de toda a diocese e mesmo da Igreja universal.

Todos os sacerdotes, tanto os diocesanos como os religiosos, em razão da ordem e do

ministério, estão unidos com o Corpo dos bispos, e segundo sua vocação e graça devem servir

ao bem de toda a Igreja.

Já que hoje em dia, mais e mais, o gênero humano se vai unindo numa unidade civil,

econômica e social, tanto mais é mister que os sacerdotes, unindo os cuidados e as forças, sob

a direção dos bispos e do Sumo Pontífice, evitem qualquer dispersão, para levar todo o

gênero humano à unidade da família de Deus.

Os diáconos estão num grau inferior da hierarquia. São-lhes impostas as mãos “não

para o sacerdócio mas para o ministério”, fortalecidos com a graça sacramental, servem o

povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade, em comunhão com o bispo e

seu presbitério.

Sabem os pastores que não foram instituídos por Cristo a fim de concentrarem em si,

sozinhos, toda a missão salvífica da Igreja no mundo. Sua função por excelência é apascentar

40

de tal forma os fiéis e reconhecer suas atribuições que todos, a seu modo, cooperem na obra

comum.

Os leigos são os fiéis incorporados a Cristo pelo batismo, constituídos no povo de Deus,

e que não receberam a imposição das mãos para o ministério hierárquico nem abraçaram o

estado religioso aprovado na Igreja, mas que a seu modo foram feitos participantes do múnus

sacerdotal, profético e régio de Cristo. Eles exercem sua parte na missão de todo o povo

cristão, na Igreja e no mundo. O caráter secular caracteriza particularmente os leigos. E sua

vocação específica procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as

segundo Deus. Vivem no século, isto é, em tordo e em cada um dos ofícios e trabalhos do

mundo. Vivem, nas condições quotidianas da vida familiar e social, pelas quais sua existência

é como que tecida. Lá são chamados por Deus para que, exercendo seu próprio ofício,

guiados pelo espírito evangélico, a modo de fermento, contribuam de dentro para a

santificação do mundo e assim manifestem Cristo aos outros, especialmente pelo testemunho

de sua vida resplandescente em fé, esperança e caridade. A eles, portanto, cabe, de maneira

especial, iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente

unidos, que elas, continuamente, se façam e cresçam segundo Cristo.

Assim, todas as suas atividades tornam-se “hóstias espirituais, agradáveis a Deus, por

Jesus Cristo” (1 S. Pedro 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a

oblação no Senhor, na celebração eucarística. Assim, também os leigos como adoradores,

agindo santamente em toda a parte, consagram a Deus o próprio mundo.

Além deste apostolado, que atinge todos os cristãos, sem exceção, os leigos podem, de

diversos modos, ser chamados a uma cooperação mais imediata com o apostolado da

hierarquia Gozam igualmente de aptidão para serem designados pela hierarquia para alguns

misteres eclesiásticos com fim espiritual.

Cada leigo, individualmente, deve ser, perante o mundo, uma testemunha da

ressurreição e vida do Senhor Jesus e sinal de Deus vivo.

Os conselhos evangélicos da castidade consagrada a Deus, da pobreza e da obediência,

baseiam se nas palavras e nos exemplos do Senhor. A própria autoridade da Igreja cuidou de

interpretá-los, regulamentar-lhes a prática e estabelecer formas estáveis de vida.

Assim, floresceram as diversas famílias religiosas, que garantem a seus membros o apoio

de uma vida mais estável e segura, proporcionando lhes uma doutrina comprovada para

adquirir a perfeição, o amparo de uma comunhão fraterna, na milícia de Cristo, bem como a

proteção de uma liberdade protegida pela obediência, para que, deste modo, possam cumprir,

com segurança, a profissão religiosa, conservá-la fielmente e progredir, jubilosamente, na

senda da caridade.

Do ponto de vista da estrutura divina hierárquica da Igreja, este estado não constitui um

estado intermediário entre a condição hierárquica e leiga, mas de ambas são chamados alguns

fiéis, por Deus, a fim de desfrutar deste particular dom na vida da Igreja. A profissão dos

conselhos evangélicos não pertence à estrutura hierárquica da Igreja, mas está firmemente

relacionada com sua vida e santidade.

Para colher frutos mais abundantes da graça batismal, aqueles que professam os

conselhos evangélicos na Igreja procuram livrar-se dos impedimentos que os possam afastar

do fervor da caridade, da perfeição do culto divino e consagrar-se mais intimamente ao

serviço de Deus. Esta consagração será tanto mais perfeita quanto Cristo, unido à Igreja, sua

Esposa, por vínculo indissolúvel, for representado através de vínculos mais sólidos e estáveis.

Obriga a um empenho especial, segundo as forças e o gênero da própria vocação, na

implantação do Reino de Cristo, nas almas, bem como na sua dilatação por todas as partes.

41

A profissão dos conselhos evangélicos é um sinal que manifesta, neste mundo, a todos

os fiéis, a presença dos bens celestes, da testemunho da nova e eterna vida conquistada pela

redenção do Cristo, prenuncia a ressurreição futura e a glória do Reino Celeste.

Imitação privilegiada da forma de vida assumida pelo Filho de Deus ao entrar no

mundo, patenteia, de modo peculiar, a transcendência do Reino de Deus, demonstra a todos

os homens a supereminente grandeza da força de Cristo Rei, o infinito poder do Espírito

Santo, que opera maravilhosamente na Igreja.

Qualquer Instituto de perfeição e cada um de seus membros podem ser isentos da

jurisdição do Ordinário do lugar, pelo Sumo Pontífice, e ficar sujeitos somente a ele. Isto em

razão do Seu Primado sobre toda a Igreja, a fim de atender melhor às necessidades de toda a

grei do Senhor, e em vista do bem comum. Igualmente podem ser comissionados às próprias

autoridades patriarcais, ou ficar confiados a elas. No cumprimento dos seus ofícios para com a

Igreja, segundo sua peculiar forma de vida, os membros devem prestar reverência e

obediência aos bispos, conforme as leis canônicas, e isto por causa de sua autoridade pastoral

nas Igrejas particulares e em vista da necessária unidade e harmonia no apostolado.

Nesta diversidade entre seus membros, quer de ofício, quer de condição e ordenação de

vida, todos são chamados à intensa comunicação de bens, aspirando à plenitude na unidade.

Há, na comunhão eclesiástica, igrejas particulares que gozam de tradição própria,

permanecendo íntegro o primado de Pedro, que preside a assembléia universal de caridade,

protege as legítimas variedades e, ao mesmo tempo, vigia para que as particularidades não

prejudiquem a unidade, mas antes estejam a seu serviço. Daí, finalmente, entre as diversas

partes da Igreja haver vínculos de íntima comunhão, com relação às riquezas espirituais, aos

operárias apostólicos, aos subsídios temporais.

Por sua união ao bispo e comunhão com toda a Igreja particular, as comunidades locais

são constituídas segundo a imagem da Igreja universal, e a tornam visível especialmente pela

presença de um cooperador do bispo.

Nossas paróquias atuais são ou deveriam ser compostas de várias comunidades locais

ou comunidades de base, dada sua extensão, densidade demográfica e percentagem de

batizados a elas pertencentes de direito. Será, pois, de grande importância empreender a

renovação paroquial, pela criação ou dinamização destas comunidades de base. Nelas devem

ser desenvolvidas, na medida do possível, as seis linhas fundamentais de ação da Igreja. A

Matriz será, pouco a pouco, uma destas comunidades e o pároco presidirá a todas que se

encontram na porção do rebanho a ele confiado.

As zonas humanas, compreendendo em geral várias paróquias, colocam, hoje, para a

Igreja, exigências que não podem ser atendidas pela ação paroquial isolada. É necessário que

todos os membros do povo de Deus, responsáveis pela presença da Igreja numa determinada

zona; e em especial os presbíteros como cooperadores do bispo, assumam,

corresponsavelmente, as tarefas globais e comuns. É uma exigência de sua inserção na

comunidade diocesana.

Esta é a comunidade primordial, pois o bispo é o princípio e o fundamento de sua

unidade, da realização nela da Igreja universal.

O crescimento e a importância das tarefas regionais, sub-regionais e nacionais estão a

exigir, hoje, um exercício sempre mais intenso da co-responsabilidade episcopal, em

comunhão com o Papa e conseqüente fortalecimento da Conferência Nacional dos Bispos do

Brasil.

Todos estes aspectos necessitam urgentemente ser mais aprofundados por um

conhecimento mais preciso da realidade e uma séria reflexão teológica e pastoral. Impõe se,

igualmente, uma ampla tarefa de formação dos diversos membros do Corpo de Deus, para

que possam assumir mais plenamente suas tarefas eclesiais.

42

Sociedade visível, em pleno século XX, a Igreja precisa interpretar, adequadamente, a

opinião pública, sua verdadeira natureza, seus objetivos, atitudes e realizações, preparando os

caminhos para as sementes do Evangelho ou intensificação da vida cristã.

Atividades propostas

Partindo dos dados e reflexões anteriormente expostos, apresentamos as atividades

principais que, na situação, concreta da Igreja no Brasil, detalham a linha de trabalho n° 1 e

visam à sua realização.

  1. Atividades-fins5
  2. Levar as paróquias a suscitarem e criarem comunidades de base, garantindo-lhes uma

coordenação.

  1. Levar as paróquias de uma mesma zona humana a se organizarem em zona pastoral a

fim de que possam responder aos problemas globais que ultrapassam os limites paroquiais.

  1. Atualizar a coordenação diocesana dentro das exigências do Plano de Pastoral de

Conjunto, para uma mais plena integração e participação de todos (pessoas e instituições).

  1. Dinamizar as estruturas regionais e nacionais, tornando-as mais eficientes em suas

tarefas específicas, na assessoria às dioceses e no seu entrosamento com todas as instituições

que atuam no mesmo nível.

  1. Promover um sempre melhor entrosamento entre os Provinciais religiosos e a CNBB,

conforme as perspectivas do Vaticano II.

  1. Promover o entrosamento da CNBB com a CELAM e outras Conferências episcopais

fora do Continente.

  1. Promover uma sempre mais plena comunhão da Igreja no Brasil com o Santo Padre,

o Papa, Cabeça visível da Unidade.

  1. Atividades-meios
  2. Conhecer em plano nacional, regional e diocesano, do ponto de vista da história

eclesiástica do Brasil e da realidade presente:

  1. a) a situação dos diversos membros do povo de Deus e sua integração na comunidade

de Igreja: ministério hierárquico; bispos e presbíteros; estado religioso; movimento de leigos,

laicato em geral; seminários; pastoral vocacional;

  1. b) as estruturas da Igreja, sua adequação às exigências de hoje;
  2. c) os sistemas de organização dos bens eclesiásticos;
  3. d) a vivência e ação colegial do episcopado.
  4. Refletir sobre:
  5. a) a missão específica e complementar de cada membro do povo de Deus;
  6. b) o mistério da Igreja Universal e suas relações com a Igreja particular, primado do

Papa e colegialidade episcopal, e suas conseqüências sobre as estruturas de Igreja, à luz do

Vaticano II e das exigências atuais;

  1. c) a teologia da vocação;

5 Cf. o Decreto “Christus Dominus”.

43

  1. d) as exigências atuais a respeito do sistema de sustentação da Igreja e gestão dos bens

eclesiásticos.

  1. Atualizar os presbíteros para que, como cooperadores do bispo, presidam com ele a

Igreja diocesana, promovendo a sua plena unidade.6

  1. Atualizar os religiosos para que, na fidelidade ao espírito da respectiva Ordem ou

Congregação, se insiram cada vez mais na comunidade de Igreja em plano diocesano,

regional e nacional.7

  1. Reinstaurar o diaconato como ordem permanente e formar diáconos capazes de

auxiliar o bispo a construir a unidade diocesana como ministros da Palavra, do culto, da

caridade.8

  1. Preparar futuros presbíteros que, como cooperadores do bispo, sejam promotores

qualificados da comunidade diocesana.9

  1. Formar coordenadores e promotores vocacionais.
  2. Criar um movimento apostólico infanto-adolescente que ajude esses níveis de idade a

se encaminharem normalmente à realização de sua vocação dentro do povo de Deus.

  1. Dinamizar movimentos de juventude no mesmo objetivo.
  2. Criar círculos de vocações religiosas sacerdotais para jovens e adultos que aspiram a

uma consagração na vida religiosa ou apresentam possibilidades de serem chamados ao

diaconato ou presbiterato, sem afastá-los dos movimentos apostólicos em que se encontram

engajados.

  1. Levar os orientadores vocacionais a integrarem sua profissão numa visão cristã

global.

  1. Criar um movimento de opinião pública que apresente uma imagem mais autêntica

do laicato, da hierarquia e do estado religioso e sua melhor integração na comunidade de

Igreja.

  1. Levar o povo de Deus a tomar consciência de sua responsabilidade na escolha e

formação dos presbíteros, diáconos e ministros inferiores.

  1. Dinamizar a participação dos leigos na Igreja e coordenar os movimentos de

apostolado dos leigas, especialmente os movimentos de Ação Católica, integrando-os na

unidade de Igreja em plano diocesano, regional e nacional.10

6 Cf. o Decreto “Presbyterorum ordinis”.

7 Cf. o Decreto “Perfectae Caritatis”.

8 Cf. a constituição dogmática “Lumen Gentium”.

9 Cf. o Decreto “Opstatam Totius”.

10 Cf. o Decreto “Apostolicam actuositatem”.

44

  1. Dinamizar e atualizar o sistema de bens eclesiásticas no sentido de levar todos os

membros da Igreja a serem co-responsável pela sua sustentação (Campanha da Fraternidade,

organização do centésimo em bases comunitárias).

45

LINHA DE TRABALHO Nº 2

Promover a ação missionária

Justificativa11

Como o Filho foi enviado pelo Pai, assim também Ele enviou os Apóstolos dizendo:

“Ide, pois, e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e

do Espírito Santo, ensinando-lhes a observar tudo quanto vos mandei. E eis que estou

convosco todos os dias, até o fim do mundo. (Mt. 28, 18-20). Este mandamento solene de

Cristo, de anunciar a verdade salvadora, a Igreja o recebeu dos apóstolos com ordem de

cumpri-lo até os confins da terra. (At. 1,8). Por isso a Igreja continua a enviar incessantemente

os pregadores, até que as Igrejas nascentes sejam plenamente constituídas e continuem elas

mesmas o trabalho de evangelizar. Pregando o Evangelho, a Igreja atrai à fé e à confissão da

fé os ouvintes, dispõem-nos ao batismo, arranca-os da escravidão do erro, incorpora os a

Cristo, para que, através da caridade, cresçam n’Ele até a plenitude. A Igreja trabalha de

maneira tal, que tudo o que de bom se encontra semeado no coração e na mente dos

homens, ou nos próprios ritos e culturas dos povos, não só não desapareça, mas seja sanado,

elevado e consumado para a glória de Deus, confusão do demônio e felicidade dos homens.

Em face das religiões não-cristãs, a Igreja Católica reconhece tudo que de santo e

verdadeiro nelas existe, e tem em consideração suas maneiras de viver e de agir, suas

prescrições e doutrinas. Se estas, em muitos aspectos, divergem dos preceitos e da doutrina

que a Igreja professa e proclama, não raramente refletem um raio daquela verdade que

ilumina todos os homens. Ela, porém, anuncia, e é obrigada a anunciar o Cristo, que é “o

Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo. 14,6), em quem os homens encontram a plenitude da

vida religiosa, em quem Deus reconciliou Consigo todas as coisas. A Igreja sabe que Deus

pode, por caminhos d’Ele conhecidos, conduzir à fé, sem a qual é impossível Lhe ser

agradável (Hb. 11,6), homens que nunca tenham escutado a mensagem do Evangelho, mas

sabe igualmente que os homens são incomparavelmente iluminados e enriquecidos de dons

espirituais pelo conhecimento de Cristo e de seu Evangelho, e que Lhe incumbe o dever e o

sagrado direito de evangelizar hoje, como sempre.

Além disso, afirma e proclama ser vontade de Deus que todos os homens cheguem à

salvação pela fé, suscitada na pregação da Igreja, e pelos sacramentos da vida cristã, formem

o único povo de Deus, sejam integrados no único povo de Cristo e sejam pedras vivas do

único templo ao Espírito Santo.

Agradou a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se e fazer conhecido o

sacramento da sua vontade, pelo qual os homens tem acesso ao Pai e tornam-se participantes

da natureza divina (Ef. 2,18; 2Pd. 4,) por Cristo, Verbo feito carne, no Espírito Santo,

Por esta revelação, pois, o Deus invisível (Col. 1,15; 1 Tim. 1,17) fala aos homens como

a amigos (Ex. 33,11; Jo. 15, 14,-15) da abundância de seu amor e entra em contato íntimo

com eles (Bar. 3,38), para que participem do seu convívio e nele sejam recebidos.

11 Cf. a constituição dogmática “Dei Verbum”; o decreto “Ad Gentes”; as declarações “Dignitatis Humanae” e “Nostra

Aetate”.

46

Esta economia da revelação se faz por ações e palavras intrinsecamente ligadas entre si,

de modo que as ações realizadas por Deus na história da salvação manifestam e corroboram a

doutrina e as realidades significadas pelas palavras, assim como as palavras proclamam as

ações e explicitam o mistério nelas contido.

Cristo é ao mesmo tempo o mediador e a plenitude de toda esta revelação.

Ao Deus que se revela deve ser prestada a obediência da fé (Rom. 16,26; Rom. 1,5; 2

Cor. 10, 5-6). Por ela o homem entrega-se a Deus total e livremente, prestando plena

obediência da inteligência e da vontade ao Deus que se revela, e aderindo por um ato de sua

vontade à revelação por ele comunicada.

Para que chegue a esta fé, o homem tem necessidade da graça de Deus que previne e

sustenta, dos auxílios internos do Espírito Santo que movam o coração, convertam para Deus,

abram os olhos do espírito e dêem a todos a suavidade em aderir a verdade e nela crer. Para

uma inteligência cada vez mais profunda da revelação, o mesmo Espírito aperfeiçoa

continuamente a fé pelos seus dons.

Diante de uma maioria considerável de batizados que provavelmente vivem uma fé

implícita, diante do sincretismo religioso e do florescimento de cultos africanos, diante de

grupos humanos que professam diversas religiões, diante de uma crise de fé que se acentua na

medida em que a sociedade se tecnifica e urbaniza, torna se urgente e imperiosa uma ampla e

intensa ação missionária. Nela devem empenhar-se todos os membros do povo de Deus, cada

um segundo sua vocação e função na Igreja, vivência apostólica e possibilidades concretas.

É necessário que saibamos utilizar todos os instrumentos, ocasiões e métodos que a

Providência colocou, hoje, à nossa disposição.

Deus atua onde quer e como quer, mas esta ação missionária exige, normalmente, um

conhecimento dos grupos humanos a serem evangelizados, um esforço de encarnação na

realidade concreta em que vivemos, respeito a seus autênticos valores, o dialogo, um

testemunho pessoal e comunitário de Igreja, o anúncio explícito da mensagem em condições

de ser entendida e de provocar uma conversão, opção pessoal e adesão explícita ao mistério

de Cristo, uma inserção progressiva e orgânica no mistério da Igreja.

Esta ação exige, ao mesmo tempo, que se aprofunde o conhecimento da realidade,

intensifique-se a reflexão teológica e pastoral, proporcione-se a todos os membros ativos do

povo de Deus, segundo sua vocação específica, a possibilidade de uma formação e reflexão

missionária.

Atividades propostas

Dentro dos elementos expostos, apresentamos as principais atividades que podem ser

desenvolvidas para a concretização desta segunda linha de trabalho.

  1. Atividades-fins
  2. Promover o anúncio missionário da Palavra nas diversas ocasiões em que o povo de

Deus se reúna em assembléia (missa, sacramentos, novenas, tríduos, etc).

  1. Promover o anúncio missionário da Palavra nos estabelecimentos de educação

matemática.

3.Promover o anúncio missionário da Palavra em todos os instrumentos de educação

assistemática (cursos de formação de líderes, escolas de pais, etc).

  1. Promover o anúncio missionário da Palavra por meio de cursos, conferências,

semanas de estudo, dias de formação etc.

  1. Promover o anúncio missionário da Palavra através dos meios de comunicação social.

47

  1. Promover o anúncio missionário da Palavra por medo de pronunciamentos e

mensagens da hierarquia, do clero, das movimentos de leigos.

  1. Suscitar nas comunidades de base equipes dos movimentos de Ação Católica e de

militantes leigos em geral, que se capacitem melhor a dar testemunho missionário no

engajamento temporal.

  1. Atividades-meios
  2. Conhecer do ponto de vista nacional, regional e diocesano e dos grupos humanos

mais expressivos;

  1. a) a história religiosa, especialmente sob o aspecto da evangelização;
  2. b) as categorias e expressões religiosas;
  3. c) os níveis de motivação religiosa e comportamento moral;
  4. d) a psicologia em suas relações com a vida religiosa;
  5. e) a situação social e a estrutura econômica, o nível cultural e a dinâmica da

evolução em suas relações com a vida religiosa;

  1. f) a situação atual do anúncio e do testemunho missionário da Igreja.
  2. Refletir e elaborar teológica e pastoralmente a mensagem a ser transmitida a cada

comunidade e as grandes linhas de uma ação missionária.

  1. Atualizar e formar os diversos membros do povo de Deus (presbíteros, diáconos,

religiosos e leigos), capacitando-os a desenvolver uma ação missionária conforme sua vocação

específica.

  1. Criar um movimento de opinião pública favorável ao anúncio da mensagem e ao

testemunha missionário.

48

LINHA DE TRABALHO Nº 3

Promover a ação catequética,

o aprofundamento doutrinal e a reflexão teológica

Justificativa12

Deus, criando (Jo 1,3) e conservando todas as coisas pelo Verbo, oferece aos homens

nas coisas criadas um perene testemunho de si mesmo (Rom 1,19-20), querendo abrir o

caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se já desde o princípio aos nossos primeiros

pais.

Tendo eles caído, levantou-os na esperança de salvação pela promessa do Redentor

(Gen. 3,15), e sem cessar cuidou do gênero humano para dar a vida eterna (Rom 2,7) a todos

que buscam a salvação pela constância no bem.

A seu tempo, chamou Abraão para fazer dele um grande povo (Gen 12,2). Após os

patriarcas, ensinou este povo, por Moisés e pelos profetas, a reconhecê-lo como o único Deus,

vivo e verdadeiro, pai providente e justo juiz, e a esperar o Salvador prometido, e assim

preparar através dos tempos o caminho ao Evangelho.

Tendo falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, Deus “nos falou nestes

tempos, que são os últimos, pelo Filho” (Heb 1, 1-2). Enviou, pois, seu Filho, o Verbo eterno

que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e revelar-lhes o mistério íntimo de

Deus (Jo 1,1-18). Por isso, Jesus Cristo, o Verbo feito carne, homem enviado aos homens,

fala as Palavras de Deus (Jo. 3,34) e cumpre definitivamente a obra de salvação cuja

realização o Pai lhe confiou (Jo 5,36; 17,4).

Por toda sua presença e manifestação, por suas palavras e ações, pelos prodígios e

milagres e principalmente par sua morte e gloriosa ressurreição de entre os mortos, tendo

enviado afinal o Espírito da Verdade, Ele, que quem vê, vê também o Pai (Jo 14,9), conduz à

sua plenitude a revelação e confirma, pelo testemunho divino, que Deus está conosco para

nos livrar do pecado e das trevas da morte e ressuscitar para a vida eterna.

A economia cristã é, pois, a nova e definitiva aliança, que nunca passará, e nenhuma

revelação pública deve ser mais esperada antes da manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo

(1 Tim 6,14; Tit 2,13).

Em sua benignidade, Deus estabeleceu que aquilo que fora revelado para salvação de

todos os povos permanecesse integralmente para sempre e fosse transmitido a todas as

gerações, Cristo deu à sua Igreja a Palavra, que recebeu do Pai, confiando-lhe a missão de

comunicá-la a todos os povos (Mt 28,19).

A função de interpretar autenticamente a palavra de Deus, escrita ou comunicada, foi

confiada unicamente ao magistério da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus

Cristo. Este magistério não está acima da Palavra de Deus, mas a seu serviço, ensinando

unicamente o que foi comunicado pela revelação. Por mandamento divino, pela assistência

do Espírito Santo, ele ouve com piedade a Palavra de Deus, guarda-a santamente e fielmente

a expõe, e tira deste único depósito da fé tudo o que propõe para que se creia como

divinamente revelado.

12 Cf. a constituição dogmática “Dei Verbum”.

49

Fiel à sua Cabeça, a Igreja guarda este depósito, aprofunda a sua inteligência através da

reflexão teológica, anuncia-o a todos os homens para levá-los à fé e ao conhecimento da

verdade, comunica-o aos seus filhos para educá-los, iluminá-los e alimentá-los até atingirem a

idade madura da plenitude do Cristo.

Assim como a vida da Igreja recebe um forte incremento pela contínua participação no

mistério eucarístico, assim também se pode esperar um novo impulso de vida espiritual pela

veneração da Palavra de Deus, que permanece para sempre (Is. 40,8; 1 Pd. 1, 23-25).

A vida cristã do povo de Deus em nosso país está marcada por uma ruptura entre

religião e vida e, para muitos, o cristianismo transformou-se num ritualismo quase vazio, sem

contato vital com o mistério de Cristo, nem inserção na comunidade de Igreja.

A estes aspectos acrescem os mesmos fatores que exigem uma ação missionária,

conforme já temos assinalado.

As rápidas transformações da sociedade exigem um aprofundamento constante da fé,

mesmo por parte daqueles que levam a sério sua dignidade de batizados.

Todos estes motivos nos levam a medir a importância e a envergadura de uma ação

catequética e de um aprofundamento da doutrina capaz de educar a fé do povo de Deus,

tornando seus membros cada vez mais adultos, humana e sobrenaturalmente.

Damos grande importância à catequese e ao aprofundamento doutrinal na comunidade

de base, onde existe todo um clima e ambiente eclesial, que a sustenta e dinamiza. Todas as

outras formas de ação e organização catequética devem, inclusive, orientar e levar o cristão a

inserir se numa comunidade de Igreja concreta.

Por motivos teológicos e pastorais, emprestamos grande importância à catequese que

prepara os sacramentos, especialmente os sacramentos da iniciação cristã: batismo, crisma e

eucaristia. São etapas decisivas da vida de um cristão. Quando esta preparação não foi

realizada, deve ser suprida, como são supridos os ritos sacramentais.

O sacramento do matrimônio exige também uma catequese especial de preparação.

A catequese e o aprofundamento da doutrina exigem, por sua vez, uma séria e metódica

reflexão teológica, que aprofunde a inteligência sobre os dados da revelação, em contato

direto e permanente com a fé viva de toda a Igreja e com os valores, risco e exigências da

história dos homens.

Faz-se necessário, igualmente, um conhecimento mais preciso da realidade humana e de

Igreja, uma contínua experimentação e revisão dos métodos, da pedagogia, da organização,

para que sejam mais adaptados e respondam melhor às condições e necessidades do povo de

Deus.

Este empreendimento exige uma formação intensa dos diversos membros da

comunidade de Igreja e, em especial, catequistas e teólogos de grande competência, capazes

de garantir sua efetivação e continuidade.

Será importante despertar a opinião pública, sobretudo dentro dos quadros visíveis da

Igreja, para a verdadeira focalização, importância e natureza do problema.

Atividades propostas

Dentro de tudo aquilo que foi exposto, apresentamos as principais atividades para a

realização desta linha de trabalho.

  1. Atividades-fins
  2. Promover e organizar a catequese paroquial através das comunidades de base:

catequese infantil

50

catecumenato à 1ª eucaristia (preparação à 1ª comunhão)

catequese dos pais em preparação ao batismo dos filhos

catecumenato batismal para jovens e adultos

catecumenato crismal e catequese da adolescência e juventude.

  1. Instituir nas comunidades de base, na Matriz ou nas zonas pastorais, centros de

preparação para o matrimônio e vida familiar.

  1. Promover conferências, cursos, dias de estudo, para aprofundamento doutrinal.
  2. Promover e organizar a catequese nas escolas de nível elementar.
  3. Promover e organizar a catequese no ciclo ginasial e colegial.
  4. Promover e organizar a catequese no ensino de nível superior.
  5. Promover a catequese através de sistema de rádio e TV com recepção organizada.
  6. Promover e organizar a catequese nos instrumentos de educação assistemática.
  7. Suscitar equipes dos movimentos de Ação Católica e equipes, de leigos em geral

(famílias, profissionais, jovens, adolescentes, crianças) para aprofundar o

conhecimento e a vivência da mensagem, ao mesmo tempo que as exigências de um

testemunho missionário.

  1. Atividades-meios
  2. Conhecer do ponto de vista nacional, regional e diocesano, e dos grupos humanos

mais expressivos:

  1. a) a história religiosa;
  2. b) as categorias e expressões religiosas;
  3. c) os níveis de motivação religiosa e comportamento moral;
  4. d) a psicologia em relação com a vida religiosa;
  5. e) a situação social, a estrutura econômica, o nível cultural, a dinâmica da evolução

em suas relações com a vida religiosa;

  1. f) a situação atual da catequese que é ministrada, da reflexão nas diversas ciências

sagradas.

  1. Refletir à luz da teologia sobre os dados da realidade e elaborar as grandes linhas da

renovação catequética e da reflexão nas diversas ciências sagradas.

  1. Atualizar e formar os diversos membros do povo de Deus (presbíteros, diáconos,

religiosos e leigos), capacitando-os a desenvolver uma ação catequética e a

contribuir para a reflexão teológica, dentro das suas possibilidades e conforme sua

vocação específica na Igreja.

  1. Criar um movimento de opinião pública favorável à renovação da catequese e da

reflexão teológica.

51

LINHA DE TRABALHO Nº 4

Promover a ação litúrgica

Justificativa13

A renovação litúrgica está em pleno desenvolvimento. A liturgia é o setor onde sentimos

mais palpavelmente os resultados da renovação empreendida pelo Concílio.

Para que não se transforme em mera renovação de ritos, é necessário fundamentá-la e

inspirá-la nas grandes orientações traçadas pela Constituição “Sacrosanctum Concilium”.

*

Cristo, assim como foi enviado pelo Pai, assim também enviou os apóstolos, cheios do

Espírito Santo, não só para anunciarem, pela pregação do Evangelho a toda a criatura, que o

Filho de Deus, pela sua morte e ressurreição, nos havia livrado do poder de Satanás e da

morte e transportado ao reino do Pai, mas também para que realizassem, pelo Sacrifício e

pelos sacramentos – em torno dos quais se desenvolve toda a vida litúrgica – a obra de

salvação que anunciavam.

Assim, pelo batismo, os homens são inseridos no mistério pascal de Cristo, participando

da morte, sepultura e ressurreição do Senhor, recebem o espírito de adoção dos filhos “pelo

qual clamamos: Abba, Pai” (Rom 8,15), e assim tornam-se os verdadeiros adoradores que o

Pai deseja.

Igualmente, todas as vezes que comem a Ceia do Senhor, anunciam sua morte até que

venha. E por isso, no dia mesmo de Pentecostes em que a Igreja se amostrou ao mundo, “os

que acolheram a palavra de Pedro, foram batizados”. “E começaram a freqüentar, com

assiduidade, o ensinamento dos apóstolos, a comunhão fraterna, a fração do pão e as

orações… louvando a Deus e cheios de bondade para com todo o povo” (At 2, 4,1-47). Desde

então, a Igreja nunca deixou de reunir-se para a celebração do mistério pascal, seja lendo

tudo o que nas Escrituras se refere a Cristo (Lc 24, 27), seja celebrando a eucaristia, na qual

se faz presente a vitória e o triunfo de sua morte, e ao mesmo tempo agradecendo a Deus

pelo dom inestimável (II Cor 9,5) recebido em Cristo Jesus para louvor de sua glória (Ef.

1,12), pela força do Espírito Santo.

Para realizar tal obra, Cristo sempre está presente na sua Igreja, especialmente nas ações

litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, tanto na pessoa do ministro como sobretudo

sob as espécies eucarísticas, pois aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o

mesma que então se ofereceu na cruz. Está presente com seu poder nos sacramentos, de

modo que quando alguém batiza é Cristo quem batiza. Está presente na sua Palavra, pôs é

Ele quem fala quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura. Está presente, afinal, quando a

Igreja reza e canta, pois Ele mesmo prometeu: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu

nome, Eu estarei no meio deles” (Mt 18,20).

13 Cf. a constituição “Sacrosanctum Concilium”.

52

Nesta grande obra de perfeita glorificação de Deus e da santificação dos homens, Cristo

associa verdadeiramente a Si a Igreja, sua Esposa, diletíssima que invoca n’Ele o seu Senhor e

por Ele rende culto ao eterno Pai.

Com razão, pois, a liturgia é considerada como o exercício do múnus sacerdotal de

Jesus Cristo. Neste exercício, por meio de sinais sensíveis, é significada e realizada, da

maneira peculiar a cada um, a santificação do homem, e é exercida o culto público integral

pelo Corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, pela Cabeça e seus membros.

Por isso, toda a celebração litúrgica, sendo obra de Cristo Sacerdote e de seu Corpo que

é a Igreja, é ação sagrada por excelência, cuja eficácia não é igualada ao mesmo título e no

mesmo grau por nenhuma outra ação da Igreja.

Na liturgia terrena participamos, pregustando-a, daquela que se celebra na Jerusalém

celeste, para a qual marchamos em peregrinação, onde Cristo, sacerdote do santuário e do

tabernáculo verdadeiro, está sentado à direita do Pai. Na liturgia terrestre cantamos também,

ao Senhor, o hino de glória com toda a malícia do exército celeste, venerando a memória dos

santos e esperando participar de seu convívio, aguardamos o Salvador Nosso Senhor Jesus

Cristo até que Ele, nossa vida, apareça, e nós apareceremos com Ele, na glória.

A sagrada liturgia não esgota toda a ação da Igreja, pois, antes que os homens possam

aproximar-se da 1iturgia, é necessário que sejam chamados à fé e à conversão.

Por isso, a Igreja anuncia aos que não crêem a mensagem de salvação, para que todos

os homens conheçam a Deus verdadeiro e Jesus Cristo, que foi por Ele enviada, e convertamse

de sua maneira de viver, fazendo penitência. Aos que crêem, a Igreja deve também

continuar a pregar a fé e a penitência, dispô-los a receber os sacramentos, ensinar-Ihes a

observar todos os mandamentos de Cristo e induzi-los a toda obra de caridade, de piedade e

apostolado, para que, através destas obras, seja manifesto a todos que os fiéis cristãos, não

sendo deste mundo, são todavia a luz do mundo e dão glória ao Pai diante dos homens e

entre si.

Contudo, a liturgia é, ao mesmo tempo, o ponto culminante para o qual tende toda a

ação da Igreja e a fonte donde dimana toda a sua força. Pois os trabalhos apostólicos são

ordenados de maneira que todos os fiéis pela fé e pelo batismo tornem-se filhos de Deus,

encontrem-se reunidos para o louvor de Deus no seio da Igreja e participem do Sacrifício e

comam a Ceia do Senhor.

Nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite mesma em que foi entregue à morte, o

sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar por todos os séculos, até

sua volta, o Sacrifício da Cruz, dando até este pondo à sua dileta Esposa, a Igreja, o memorial

de sua morte e ressurreição, como sacramento de culto, sinal de unidade, vínculo de caridade,

convívio pascal, no qual Cristo é recebido, o espírito enchesse de graça e nos é dado o penhor

da glória futura.

Por isto a Igreja desenvolve toda sua solicitude para que os fiéis não assistam a este

mistério da fé como mudos e estranhos espectadores, mas a compreendam em seu verdadeiro

valor e assim participem cônscia, pia e ativamente da ação sagrada, sejam instruídos pela

Palavra de Deus, sejam alimentados pela Mesa do Corpo do Senhor, dêem graças a Deus.

Quer também a Igreja que, oferecendo uma vítima imaculada não somente pelas mães do

sacerdote, mas juntamente com ele, aprendam a oferecer a si mesmo e assim realizem, cada

dia mais, por Cristo mediador, sua unido com Deus e entre si, para que Deus seja finalmente

tudo em todos.

Os sacramentos são ordenados à santificação do homem, à reedificação do Corpo de

Cristo, ao culto a ser prestado a Deus. Enquanto sinais, visam também à instrução. Não

somente supõem a fé mas também a alimentam, fortalecem, expressam por palavras, por

gestos e pela matéria, por isso são denominados sacramentos da fé.

53

Comunicam, indubitavelmente, a graça. Mas sua celebração dispõe admiravelmente

para receber com frutos a mesma graça, prestai a Deus o devido culto e exercer a caridade.

Por isso é de grande importância que os fiéis entendam facilmente os sinais

sacramentais, e freqüentem com todo o empenho estes sacramentos que foram instituídos

para alimentar a vida cristã.

*

A Santa Mãe Igreja instituiu, além disso, os sacramentais. São sinais sagrados que, de

alguma maneira, se assemelham aos sacramentos e significam principalmente efeitos

espirituais obtidos pela impetração da Igreja. Por eles os homens são dispostos a receber o

efeito iminente dos sacramentos, e são santificadas as várias circunstâncias da vida.

*

Cristo Jesus, Sumo Sacerdote do Novo e Eterno Testamento, assumindo a natureza

humana, trouxe para este exílio terreno aquele hino cantado eternamente nos céus. Une,

assim, toda a comunidade humana e a associa no canto divino deste seu louvor.

Cristo continua, deste modo, sua obra sacerdotal por meio de sua Igreja, e não somente

pela celebração eucarística mais também de outros modos, principalmente com o Ofício

Divino, louva sem cessar o Senhor e intercede pela salvação de todo o mundo.

Pela antiga tradição cristã, o ofício divino é de tal maneira constituído que todo o curso

do dia e da noite seja consagrado pelo louvor a Deus. Quando este admirável canto de louvor

é devidamente exercido pelos sacerdotes e por aqueles que para isso foram deputados pela

Igreja, ou pelos fiéis que rezam com o sacerdote segundo uma forma aprovada, então

verdadeiramente é a voz da mesma Esposa que fala ao Esposo, e é mesmo a oração de Cristo

que, unido a seu Corpo, se dirige ao Pai.

A Santa Mãe Igreja assume como seu dever celebrar com santa recordação, em dias

estabelecidos no decurso do ano a obra redentora de seu divino Esposo. Em cada semana, no

dia que chamou “do Senhor” (domingo), celebra a memória da Ressurreição do Senhor.

Celebra-a também uma vez ao ano, na solenidade máxima da Páscoa, juntamente com a

Paixão do Senhor.

No decorrer do ano, porém, desenvolver todo o mistério de Cristo, da Encarnação e do

Nascimento até a Ascensão ao dia de Pentecostes e à expectativa da feliz esperança da vinda

do Senhor.

Celebrando assim os mistérios da redenção, abre aos fiéis os tesouros do poder e dos

merecimentos do seu Senhor, de modo que estes se tornem de alguma maneira

continuamente presentes, e os fiéis possam entrar em contato cem eles e ser cumulados da

graça de salvação. Ao celebrar, ao longo do ano, o mistério de Cristo, a Santa Igreja venera

com particular amor a Santa Mãe de Deus, Marca, que está indissoluvelmente ligada à obra

salvadora de seu Filho, e nela a Igreja admira e exalta o fruto mais excelente da Redenção, e

contempla com alegria, como em uma imagem puríssima, aquilo que esta mesma Igreja

deseja e espera ser em sua totalidade.

A Igreja inseriu também no desenvolver de seu ano litúrgico a memória dos mártires a

dos outros santos, que conduzidos à perfeição pela multiforme graça divina e já possuidores

da salvação eterna, nos céus cantam a Deus o hino do louvor perfeito e intercedem por nós.

Pois, nas festas dos santos, ela proclama o mistério pascal realizado nos santos participantes

da Paixão e glorificação do Senhor, propõe aos fiéis os seus exemplos, que podem conduzir

todos por Cristo ao Pai, e impetra pelos seus merecimentos os benefícios divinos.

54

Segundo a tradição apostólica, que fundamenta sua origem no próprio dia da

Ressurreição do Senhor, a Igreja celebra o mistério pascal cada oito dias, no dia que é por isso

chamado “do Senhor” ou Domingo. Neste dia tidos os fiéis devem reunir se para que,

ouvindo a palavra de Deus e participando da eucaristia, celebrem a memória da Paixão, da

Ressurreição e da glória do Senhor Jesus, e dêem graças a Deus, que “os regenerou na

esperança viva, pela ressurreição de Jesus Cristo dos mortos” (I Petr 1,3). Por isso o domingo

é a festa mais antiga e mais importante, e como tal deve ser proposto e inculcado à piedade

dos fiéis, de modo que se torne um dia de alegria e de repouso festivo. Já que o domingo é o

fundamento , e o núcleo de todo o ano litúrgico, as outras celebrações não devem ter

precedência sobre ele, a não ser que sejam verdadeiramente da mesma importância.

O tempo da quaresma seja focalizado em viva luz, tanto na liturgia como na catequese

litúrgica, de acordo coso a dupla característica que lhe é própria, de memória e preparação do

batismo e da penitencia. E principalmente conforme esta dupla característica que ele prepara

os fiéis à celebração do mistério pascal; por uma maior assiduidade em ouvir a palavra de

Deus e em dedicar-se à oração. A penitência do tempo quaresmal seja não só individual e

interna, mas também externa e social.

A tradição musical da Igreja, em todas as partes do mundo, constitui um tesouro de valor

inestimável, uma expressão artística que sobressai a todas as outras, sobretudo quando, na

forma de canto sagrado em íntima conexão com as palavras, entra como parte necessária e

integrante na liturgia solene.

A música sacra, cujo fim é a glória de Deus e a santificação dos fiéis, será tanto mais

religiosa quanto mais se unir à ação litúrgica, seja para expressar mais suavemente a oração

ou fomentar a união dos espíritos, seja enriquecendo de maior solenidade os ritos sagrados. A

Igreja aprova e admite no culto divino todas as firmas de arte, quando esta é verdadeiramente

arte e apresenta as qualidades devidas.

Tanto a arte religiosa como a arte cristã buscam por sua própria natureza expressar de

alguma maneira, na obra humana, a infinita beleza divina, e destinam-se, de tal modo a Deus

e à promoção de seu louvor e de sua glória, que não podem ter outra finalidade senão

contribuir, o mais possível, através de suas realizações, para que o espírito dos homens se

oriente piedosamente para Deus. A Igreja não possui como próprio nenhum estilo artístico,

mas admitiu todos os tipos, conforme a índole e a cultura de cada povo e as necessidades dos

diversos ritos, fazendo com que, no decorrer dos tempos, o tesouro artístico fosse conservado

com todo o cuidado.

A arte contemporânea de todos os povos e de todos os países deve ser livremente

desenvolvida na Igreja, contanto que seja capaz de servir com o devido respeito ao edifício

sagrado e aos ritos sagrados.

Os Ordinários são os responsáveis pelo incentivo e pela promoção da verdadeira arte

sagrada, procurando mais a beleza nobre que a mera suntuosidade, também no tocante às

vestes e ornamentos sagrados.

*

É necessário empreender uma intensa formação dos pastores e fiéis, dos ministros e da

assembléia, para que a liturgia se torne, realmente, o “cume para o qual tende a ação da

Igreja, que é, ao mesmo tempo, a fonte de onde dimana toda a sua força. Pois os trabalhos

apostólicos se ordenam a isso: que todos os fiéis, feitos, pela fé e pelo batismo, filhos de Deus,

juntos se reúnem, louvem a Deus no seio da Igreja, participem do sacrifício e comam a ceia do

Senhor.

55

A própria liturgia, por seu turno, impele os fiéis a que, saciados pelos sacramentos

pascais, sejam concordes na piedade; reza para que conservem, em suas vidas, o que

receberam pela fé, a renovação da aliança do Senhor, na eucaristia, solicita e estimula os fiéis

para a caridade imperiosa de Cristo. Da liturgia, portanto, mas da eucaristia principalmente,

como de uma fonte, se derivam as graças para nós e, com maior eficácia, é obtida aquela

santificação dos homens, em Cristo, e a glorificação de Deus, para a qual, como seu fim, todas

as demais, obras da Igreja apontam”,

Embora em pleno andamento, a renovação tem ainda um grande caminho a percorrer.

São tarefas urgentes e primordiais: criar e garantir um melhor funcionamento de autenticas

assembléias litúrgicas; assegurar a celebração mais adequada dos sacramentos de iniciação

cristã, do matrimônio (em sua preparação, celebração e vivência litúrgica), renovar a liturgia

da penitência, do dia do Senhor, do ano litúrgico, da música e das artes sacras. Além disto,

assegurar as tarefas derivadas de prescrições conciliares, entre as quais ressaltamos a tradução

e a edição de textos litúrgicos.

Empreendimento de maior envergadura e a mais longo prazo será a adaptação e a

aculturação previstas ela Constituição “Sacrosanctum Concilium”, e de grande importância

pastoral.

Todas estas renovações devem ser bem fundamentadas em pesquisas, estudos e

experiências para o seu cabal e seguro desenvolvimento.

A falta de preparação dos ministros e do povo às reformas litúrgicas provocou as mais

diversas reações. É necessário que as renovações sejam conduzidas dentro de uma pedagogia

e preparadas por esclarecimentos de interpretação à opinião pública.

Atividades propostas

Apresentamos as atividades propostas para a renovação litúrgica.

  1. Atividades-fins
  2. Realizar, nas comunidades de base, assembléias litúrgicas, com a participação ativa

de todos os seus membros, segundo as suas funções, especialmente na celebração

da eucaristia e dos outros sacramentos.

  1. Dar maior ênfase à celebração da Palavra em toda ação litúrgica.
  2. Promover nas equipes familiares das diversas comunidades de base a reflexão sobre

a família-comunidade de oração, orientada para a assembléia litúrgica.

  1. Promover a arte e a música sacras no sentido da participação ativa de toda a

comunidade.

  1. Promover e organizar celebrações litúrgicas e celebrações da palavra pelo rádio e

TV.

  1. Atividades – meios
  2. Conhecer do ponto de vista nacional, regional e diocesano e dos grupos humanos

mais expressivos:

  1. a) a história religiosa, especialmente sob o aspecto litúrgico;
  2. b) as expressões de religiosidade em suas diversas motivações e as manifestações

culturais suscetíveis de serem incorporadas ao culto;

  1. c) os níveis de motivação religiosa nos atos do culto;
  2. d) a psicologia em relação à vida religiosa;

56

  1. e) a situação social, a estrutura econômica, o nível cultural, a dinâmica da

evolução em suas relações com o culto;

  1. f) a situação atual da pastoral litúrgica (tipos de reação, participação do povo,

atuação dos ministros).

  1. À luz da verdadeira natureza da liturgia, refletir sobre os dados da realidade e

elaborar as linhas da pastoral litúrgica, definidas pelas exigências da Assembléia, da

Palavra, dos sinais e de sua pedagogia progressiva.

  1. Atualizar e formar os diversos membros do povo de Deus (presbíteros, diáconos,

religiosos e leigos), capacitando-os a uma sempre mais efetiva participação litúrgica,

segundo sua vocação e função específica na Igreja.

  1. Promover as experiências litúrgicas na linha da Constituição e oferecer subsídios

para a renovação pastoral.

  1. Criar um movimento de opinião pública favorável à renovação litúrgica.

57

LINHA DE TRABALHO Nº 5

Promover a ação ecumênica

Justificativa14

A reintegração da unidade entre todos os cristãos é uma das principais finalidades do

Vaticano II. Pois N. S. Jesus Cristo fundou uma só e única Igreja. São, entretanto, numerosas

as comunhões cristãs que se apresentam aos homens , como legítima herança de Jesus Cristo.

Todos em verdade se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos.

Caminham por rumos diferentes. Como se o próprio Cristo estivesse dividido. Esta divisão,

sem dúvida, contradiz abertamente a vontade do Senhor e é escândalo para o mundo, como

também prejudica a pregação do Evangelho a toda criatura.

O Senhor dos séculos, sábia e pacientemente, prossegue o plano de sua Graça a favor

de nós, pecadores. Começou ultimamente a infundir, de modo mais abundante nos cristãos

separados entre si, compunção de coração e o desejo de união. Por toda parte, muitos

homens sentiram o impulso desta graça. Também entre nossos irmãos separados, por moção

da graça do Espírito Santo, surgiu um movimento, cada vez mais intenso, para restauração da

unidade de tidos os cristãos. Este movimento de unificação é chamado ecumênico. Participam

dele os que invocam o Deus Trino e confessam a Cristo como Senhor e Salvador, não só

individualmente, mas também reunidos em assembléia. Cada qual afirma que o grupo onde

ouviu o Evangelho é sua Igreja e a de Deus. Quase todas, porém, se bem que de modo

diverso, aspiram a uma Igreja de Deus una e visível, que seja verdadeiramente universal e

enviada ao mundo inteiro a fim de que se converta o mundo ao Evangelho e seja salvo para a

glória de Deus.

Por movimento ecumênica se entendem as atividades e iniciativas que são suscitadas e

ordenadas em favor das várias necessidades da Igreja e oportunidade dos tempos, no sentido

de favorecer a unidade dos cristãos. Tais são:

Primeiro, todos os esforços para eliminar palavras, juízos e ações que não correspondem

à condição dos irmãos separados e por isso tornam mais difíceis as relações com eles.

Em seguida, o diálogo, entre peritos competentes das diversas Igrejas e comunidades.

Nestes encontros de cristãos, organizados no espírito religioso, cada qual explica mais

profundamente a doutrina de sua comunhão e apresenta perspicuamente suas características.

Pois, com este diálogo, todos adquirem um conhecimento mais verdadeiro e uma avaliação

mais adequada da doutrina e da vida das duas comunhões. Então estas comunidades

conseguem também uma mais ampla colaboração em certas obrigações, que toda consciência

cristã exige, em vista do bem comum. E onde for permitido, reúnem se em oração unânime.

Enfim, todos examinam sua fidelidade à vontade de Cristo acerca da Igreja e, na medida

do necessário, iniciam vigorosamente o trabalho de renovação e de reforma.

Desde que os fiéis da Igreja Católica, prudente e pacientemente, trabalhem sob a

vigilância dos pastores, tudo isso contribuirá para promover a equidade e a verdade, a

concórdia e a colaboração, o espírito fraterno e a união. Assim, palmilhando este caminho,

superando paulatinamente os obstáculos que impedem a perfeita comunhão eclesiástica,

14 Cf. O decreto “Unitatis Redintegratio”.

58

todos os cristãos se congreguem na celebração de uma só eucaristia e na unidade de uma

única Igreja. Esta unidade, desde o início, Cristo a concedeu à sua Igreja. Cremos que esta

unidade subsiste, inamissível, na Igreja Católica e esperamos cresça dia a dia, até a

consumação dos séculos.

Atividades propostas

Dentro destas diretrizes básicas do Concílio, apresentamos os passos mais importantes e

as principais atividades para uma ação ecumênica na Brasil.

  1. Atividades-fins
  2. Levar o povo de Deus à oração para que todas as Igrejas aprofundem seu

cristianismo e cheguem a uma mais intensa comunhão eclesial na unidade visível

(Semana da Unidade).

  1. Promover o estudo em comum de temas que interessam às diversas Igrejas e a

participação de observadores em semanas e encontros de outras Igrejas.

  1. Promover a cooperação de todos os cristãos no sentido de, juntos, inserirem-se

melhor como fermento na construção de um mundo, segundo os desígnios de Deus.

  1. Atividades-meios
  2. Conhecer do ponto de vista nacional, regional e diocesano:
  3. a) a história da Igreja no Brasil em relação ao ecumenismo;
  4. b) as diversas comunidades denominadas cristãs, não unidas a Roma, e sua

relação com a Igreja católica;

  1. c) a atitude das várias confissões cristãs, inclusive da Igreja Católica, em face do

ecumenismo;

  1. Refletir sobre o mistério da unidade da Igreja é elaborar as grandes linhas de uma

ação ecumênica aplicada ao Brasil.

  1. Atualizar e formar os diversos membros do povo de Deus (presbíteros, diáconos,

religiosos e leigos), capacitando os a desenvolver uma ação ecumênica dentro de

suas possibilidades e conforme sua vocação e função na Igreja.

  1. Formar especialistas capazes de assessorar e animar o movimento ecumênico.
  2. Criar um movimento de opinião pública favorável ao autentico ecumenismo.

59

LINHA DE TRABALHO Nº 6

Promover a melhor inserção do povo de Deus, como fermento

na construção de um mundo segundo os desígnios de Deus

Justificativa15

A presença da Igreja no mundo repousa, ao mesmo tempo, na vontade do Pai, na

missão que lhe foi ,confiada por Cristo e na adesão livre dos homens. Ela é o sacramento

universal de salvação que manifesta e realiza o mistério do amor de Deus para com o homem.

Procedendo do amor do eterno Pai, fundada no tempo por Cristo Redentor, reunida no

Espírito Santo, a Igreja possui um fim salvífico e escatológico, que só atingirá sua plenitude no

mundo futuro. Ela está, porém, presente já aqui nesta terra, e é formada por homens

membros da cidade terrestre, os quais já neste tempo da história humana são chamados a

construir a família dos filhos de Deus, a ser continuamente aumentada até a vinda do Senhor.

Assim, a Igreja, sociedade visível e comunidade espiritual, caminha com toda a

humanidade, experimenta juntamente com o mundo a mesma sorte terrena, e é como que o

fermento ou a alma da sociedade humana a ser renovada em Cristo e transformada na família

de Deus.16

Esta interpenetração da cidade terrestre e celeste só pode ser percebida à luz da fé.

Permanece, pois, o mistério da história humana, que será perturbada pelo pecado até a plena

revelação da glória dos filhos de Deus.

A Igreja, porém, buscando seu próprio fim de salvação, não somente faz o homem

participar de sua vida divina, mas derrama sua luz que de algum modo penetra o mundo

inteiro, principalmente por que restabelece e eleva a dignidade da pessoa humana, fortalece a

unidade estrutural da sociedade humana e infunde na atividade quotidiana dos homens um

sentido e uma expressão mais profunda.

Assim, a Igreja Católica crê que pode contribuir consideravelmente, através de cada um

dos seus membros e de toda a sua comunidade, para tornar mais humana a família e a

história dos homens.

De bom grado considera de grande importância toda a contribuição solidariamente

prestada pelas outras Igrejas ou comunidades eclesiásticas para o desempenho da mesma

função.

Ao mesmo tempo está firmemente persuadida de que na pregação do Evangelho pode

ser ajudada notavelmente e de várias maneiras pelo mundo, com seus valores e

empreendimentos, seja por cada homem em particular, seja pela sociedade humana.

A história dos homens e a história da salvação estão estreitamente ligadas e, segundo a

presente economia da Salvação, a ordem da Redenção inclui a ordem da Criação.

15 Cf. a constituição pastoral “Gaudium et spes”.

16 Neste texto entende-se por mundo ‘toda a família humana com todo o universo no qual vive; o teatro da história dos

homens e de sua atividades, marcado por derrotas e vitórias; o mundo que, conforme crêem os cristãos, foi fundado e

conservado pelo amor do Criador, foi submetido à escravidão do pecado, mas liberado pela crucifixão e ressurreição de

Cristo – que destruiu o poder do Maligno – para que seja transformado segundo os desígnios de Deus e chegue à sua

plena e definitiva realização”.

60

Encarnando se, o Filho de Deus assumiu toda a natureza humana, o homem todo, corpo e

alma, toda a obra da criação, inclusive a matéria.

Por isso a Igreja faltaria à sua missão se não comunicasse aos seus filhos e àqueles que a

querem escutar as exigências de todo o desígnio divino e as luzes de que necessitam para

viver em tudo segundo o espírito de Cristo. Cristo, com efeito, não lhe confiou nenhum

mandato com finalidade de ordem política, econômica e social. Sua intervenção nas coisas

humanas é unicamente em relação ao aspecto sob o qual elas de um ou de outro modo se

referem ao Reino que há de vir, mas que já está presente e cresce. Suas intervenções não se

situam no nível das técnicas sociais e dos sistemas particulares, acomodando-se a formas

institucionais históricas muito diversas. Elas devem respeitar a justa autonomia das coisas, dos

homens e da sociedade, não no sentido de que as coisas criadas e as leis sociais não

dependem de Deus, e de que o homem pode delas dispor sem referência ao Criador, mas no

sentido de que as coisas criadas e a sociedade têm suas leis próprias, sua consistência própria,

segundo a vontade do seu Criador, e que o homem deve conhecê-las e respeitá-las.

A Igreja respeita tudo o que há de justo, de bom, de verdadeiro nas instituições

humanas. Não busca nenhuma dominação terrestre, por sua natureza mesma não está ligada

a nenhuma cultura particular, a nenhum sistema político, econômico ou social determinado.

Para vantagem de todos, ela deseja vivamente poder desenvolver-se sob qualquer regime que

respeite os direitos fundamentais da pessoa e da família, as exigências do bem comum e a

liberdade da sua missão.

De modo algum, porém, pode renunciar à sua missão universal, pois neste caso seria

infiel a Deus e aos homens. Todas as atividades humanas, a começar pelas mais quotidianas,

devem ser vividas pelos cristãos, segundo o espírito de Cristo e em referência ao Reino e,

consequentemente, a serviço de todos, especialmente dos necessitados.

Como cidadãos do mundo, os fiéis, e especialmente os leigos, devem assumir suas

responsabilidades próprias, adquirir uma verdadeira competência profissional no seu domínio,

respeitar as leis próprias de cada disciplina e unir seus esforços a todos aqueles que trabalham

na construção de um mundo mais justo e fraterno, mas devem agir em tudo segundo o

espírito do Evangelho. Em questões abertas, agirão segundo os julgamentos de sua

consciência previamente formada, guiados pela prudência cristã. Muitas vezes a fé os inclinará

a tais e tais soluções, em face das circunstâncias. Outros cristãos, com a mesma sinceridade,

terão outro julgamento. Que guardem entre si a caridade.

Os leigos devem conduzir-se, em tudo, como testemunhas de Cristo no meio do mundo.

Unidos entre si, dóceis ao ensinamento da hierarquia, irradiarão o espírito do Evangelho sobre

o conjunto da vida social e permanecerão atentos à presença do Espírito, que se manifesta na

vida quotidiana dos homens. Escutando seus apelos, não apenas os responderão, mas

também buscarão revelá-los a seus companheiros de caminho, associá-los à sua ação.

Participando das mesmas condições de vida dos homens, respeitando-os, amando-os e

procurando uni-los, fá-los-ão participar da amizade de Cristo, a quem se entregaram e,

dioceses ao Espírito, manifestar-lhes-ão por seus atos e palavras o amor infinito do Pai.

Os pastores, que por encargo apostólico, dirigem a Igreja de Deus, devem não só

ensinar, com autoridade, a mensagem de Cristo, mas comunicá-la de tal maneira que possa

infirmar a vida completa dos fiéis. Isto supõe um diálogo constante e confiante entre fiéis e

pastores, em todos os níveis.

Por todos os meios com que Cristo dotou sua Igreja, e especialmente pelos sacramentos,

proporcionarão a todos as forças de viverem o que crêem. Mesmo que Deus dispense suas

graças por caminhos diversos, e o Espírito atue para além dos limites da Igreja institucional, no

entanto, a Igreja é o sacramento de Deus sobre a terra, o Corpo de Cristo, no interior do qual

61

o homem pode, segura e plenamente, encontrar o Espírito de Deus, alimentando-se e vivendo

dele em abundância.

*

A Igreja, porém, não ignora tudo que recebeu da história do gênero humano.

É dever de todo o povo de Deus, mas principalmente dos teólogos, com o auxílio do

Espírito Santo, escutar, discernir e interpretar as diversas linguagens do nosso tempo, julgá-las

à luz da Palavra divina, para que a Verdade revelada possa ser mais profundamente

percebida, melhor entendida e mais adequadamente apresentada, de modo a possibilitar a

todas as formas de cultura humana e a todas as nações o acesso às insondáveis riquezas de

Cristo.

Por isso nossas contemporâneos, especialmente aqueles que não crêem, cada vez mais

esperam da Igreja, não a manifestação de uma verdade meramente humana, que buscam em

outras fontes, mas a explicação do mistério do próprio homem, à luz da revelação de Cristo.

Dificilmente aderem a doutrinas abstratas, mas deixam-se mover pelo testemunho

fraterno, que lhes é proposto na vida concreta, e de nenhum modo violenta lhes a liberdade.

Solidária com a história dos homens e intimamente ligada a ela, não é de estranhar que

a Igreja, ao longo dos séculos, apareça com rugas e manchas, e necessite de renovação. Não

podemos, ao mesmo tempo, esquecer a contribuição que ela recebe do autêntico progresso

do mundo.

Solidária com o mundo, que a olha e interpela, ela quer discernir os apelos do Espírito

nestas múltiplas interrogações e responder-lhes generosamente. Pede a seu Senhor e Mestre

que lhe dê a força e a coragem, a fim de corresponder, o mais perfeitamente possível, às

exigências concretas de sua missão, no mundo de hoje.

Pois o Verbo de Deus, pelo qual todas as coisas foram feitas, Ele mesmo, se fez Carne

para, como Homem perfeito, salvar a todos e formar-se o Chefe de todas as coisas. O Senhor

é o fim supremo de toda a história humana, é o ponto para o qual convergem os desejos da

História e da civilização, a alegria de todos os corações e a plenitude de seus anseios.

Ele é Aquele a quem o Pai ressuscitou, glorificou e colocou à sua direita, constituindo

juiz dos vivos e dos mortos. Vivificadas e congregados no seu Espírito, caminhamos como

peregrinos para a consumação da história humana, que condiz plenamente com o desígnio do

seu amor: reunir “todas as coisas sob um só Chefe, o Cristo, tanto os seres celestes como os

terrestres”, (Ef. 1, 10).

Diz o mesmo Senhor: “Eis que venho em breve e trago comigo o salário que vou dar a

cada um, na proporção do seu trabalho. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o

Princípio e o Fim (Ap. 22, 12-13).

*

A presença da Igreja em um país tão diversificado como o nosso, em fases tão

desencontradas de desenvolvimento, enfrentando difíceis em fases reformas de estruturas,

constitui-se tarefa importante, delicada e decisiva. Impõe-se, antes de tudo, uma ampla

atividade de reflexão, com levantamento de dados e pesquisas, que nos dê diretrizes mais

concretas, fundamente e suscite experiências, assessore os pastores, forneça subsídios aos

,cristãos engajados. Esta reflexão e este levantamento de dados devem objetivar não apenas a

teologia da presença da Igreja em um país em vias de desenvolvimento, mas as linhas

fundamentais de sua presença nos diversos campos da atividade humana: família, cultura,

ordem econômico-social e política, etc.

62

Esta reflexão pode ser empreendida de tal maneira que ao mesmo tempo se realize um

largo despertar de todos os membros do povo de Deus e sua conseqüente formação. Ela nos

levará certamente a reformular organismos, instituições criadas e sustentadas pela Igreja, no

sentido de darem um testemunho mais explícito e desenvolverem uma ação mais eficaz de

fermento.

Será importante, também, sensibilizar a opinião pública para uma melhor compreensão

do autêntico papel da Igreja na construção do mundo.

Atividades propostas17

Baseados em todos estes elementos, apresentamos as atividades que poderão realizar

esta linha de trabalho.

  1. Atividades-fins
  2. Incentivar e promover movimentos e organizações que possibilitem uma reflexão

cristã em cada um dos campos da atividade.

  1. Orientar mais eficazmente a atuação, o funcionamento e os programas das

instituições educacionais católicas (sistemáticas e assistemática), no sentido de uma

formação conforme as necessidades e exigências do desenvolvimento integral das

comunidades na região e no país.

  1. Levar todas as organizações que a Igreja criou e sustenta nos diversos campos da

atividade humana a serem mais efetivamente testemunhas e fermento na construção

de um mundo segundo os desígnios de Deus.

  1. Atividades-meios
  2. Conhecer do ponto de vista nacional, regional e diocesano:
  3. a) a história da Igreja no Brasil no que se refere à inserção dos cristãos na

construção do mundo;

  1. b) a presença atual da Igreja no processo de desenvolvimento;
  2. c) sua presença específica nos diversos campos da atividade humana em que se

fizer sentir a necessidade de uma atuação prioritária;

  1. d) as necessidades e os planos existentes em cada um dos campos em que a Igreja

deseja planejar a sua ação.

  1. Refletir, elaborar e aplicar ao Brasil, à região e à diocese a teologia da presença da

Igreja num mundo em desenvolvimento, conforme a orientação do Vaticano II.

  1. Refletir e elaborar as linhas de atuação da Igreja nos campos diversos da atividade

humana em que se julgar necessária uma presença prioritária, e especialmente no

campo familiar, cultural, sócio econômico, político, internacional.

  1. Atualizar e formar os diversos membros do povo de Deus (presbíteros, diáconos,

religiosos e leigos), capacitando-os a uma melhor inserção como fermento na

construção do mundo, de acordo com a sua vocação e a função na Igreja.

  1. Levar os movimentos apostólicos de leigos a educar seus membros para o exercício

de sua responsabilidade cristã nas tarefas temporais.

  1. Criar um movimento de opinião pública que faça todos compreenderem o autêntico

papel da Igreja na construção do mundo.

17 Cf. a constituição pastoral “Gaudium et spes”.

63

III

Aplicação das diretrizes aos planos

nacional e regional

Este Plano de Pastoral de Conjunto visa a “criar meios e condições para que a Igreja no

Brasil se ajuste mais rápida e plenamente possível à imagem de Igreja do Vaticano II”.

Para realizar este objetivo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil desenvolve dois

tipos fundamentais de meios:

traça as diretrizes desta renovação.

prevê e realiza um certo número de atividades.

Estas diretrizes constituem, pois, um dos meios mais decisivos para a renovação da

Igreja. Levando em conta nossas necessidades e possibilidades, buscam atingir os pintos

essenciais da ação pastoral, excetuados aqueles que o Sumo Pontífice reservou à sua

autoridade.

Ao sancioná-las, a CNBB tem consciência de estar exercendo uma das tarefas mais

importantes e específicas de sua co-responsabilidade pastoral e afeto colegial.

Elas dirigem-se a tidos os membros do povo de Deus, que vivem e trabalham no Brasil.

Não constituem normas jurídicas, a não ser nos casos e aspectos previstos pelo Concílio ou

determinados pelo Santo Padre e, como tal, expressamente promulgados pelo episcopado.

São; porém, normas pastorais que devem orientar a ação de todas os membros do povo de

Deus (pessoas, grupos e instituições), possibilitar. lhes uma maior e mais visível comunhão de

vida entre si com a hierarquia (selo da unidade), realizar uma integração mais profunda de

todos os esforços pastorais.

Foram elas elaboradas em diálogo com as forças apostólicas mais representativas que

atuam no Brasil, de acordo com a função eclesial respectiva.

Respeitando a vocação e o carisma de cada fiel e de cada grupo, estimulando seus

dinamismo próprios, animando-os a assumir suas responsabilidades e a desenvolver

iniciativas, estas diretrizes querem que todos persigam os mesmos grandes objetivos, trilhem as

mesmas linhas de orientação e integrem-se na comunhão do Todo.

É, porém, decisivo que sejam assumidas e encarnadas em atividades concretas a serem

realizadas. Baseando-se nestas linhas fundamentais e tomando-as como quadro de

referências, compete a cada organismo de Igreja, (dioceses, famílias religiosas, organizações

apostólicas de leigos) colaborar e executar seu plano de atividades de acordo com a

peculiaridade que o caracteriza, com suas possibilidades reais e exigências da área ou setor

onde atua.

64

  1. Aplicação ao plano nacional

Ao longo de seus 13 anos de existência e de funcionamento, sobretudo a partir do Plano

de Emergência, a CNBB não se limitou a uma ação diretiva e orientadora da pastoral, mas

criou e mantém, atualmente, diversos serviços ou sejam 1 secretariado geral, 13 secretariados

nacionais, 11 secretariados regionais e 11 organismos a ela ligados. Podemos assim enumerálos:

Secretariado geral

Secretariados nacionais

Secretariada Nacional de Liturgia – SNAL

Secretariado Nacional de Catequese – SNAC

Secretariado Nacional de Teologia – SNAT

Secretariado Nacional de Pastoral Especial – SNAPES

Secretariado Nacional de Vocações – SNAV

Secretariado Nacional de Seminários – SNASEM

Secretariada Nacional do Ministério Hierárquico – SNAMHI

Secretariado Nacional de Apostolado das Religiosas – SNAR

Secretariado Nacional de Apostolado dos Leigos – SNALE

Secretariado Nacional de Educação – SNED

Secretariado Nacional de Opinião Pública – SNOP

Secretariado Nacional de Ação Social – SNAS

Secretariado Nacional de Prelazias – SNAP

Secretariados Regionais

Norte 1: Sede em Manaus.

Norte 2: Sede em Belém, abrangendo dos Estados de Amazônia, Pará e Acre, e

os Territórios de Amapá, Rondônia e Roraima.

Nordeste 1: Sede em Fortaleza, abrangendo os Estados do Maranhão, Piauí e

Ceará.

Nordeste 2: Sede em Recife, abrangendo os Estados do Rio Grande do Norte,

Paraíba e Alagoas.

Nordeste 3: Sede em Salvador, abrangendo os Estados da Bahia e Sergipe.

Leste 1: Sede no Rio de Janeiro, abrangendo os Estados da Guanabara e Rio de

Janeiro.

Leste 2: Sede em Belo Horizonte, abrangendo os Estados de Minas Gerais e

Espírito Santo.

Sul 1: Sede em S. Paulo, abrangendo o Estado de S. Paulo.

Sul 2: Sede em Curitiba, abrangendo o Estado do Paraná.

Sul 3: Sede em Porto Alegre, abrangendo os Estados de Santa Catarina e Rio

Grande do Sul.

Centro-Oeste: Sede em Goiânia, abrangendo o Estado de Goiás.

Extremo-Oeste: Sede em Cuiabá, abrangendo o Estado de Mato Grosso e a Prelazia de

Guajará-Mirim.

Organismos ligados à CNBB

Centro de Estatística Religiosa e Investigação Social – CERIS

Serviço de Cooperação Apostólica Internacional – SCAI

65

Movimento de Educação de Base – MEB

Instituto de Previdência do Clero – IPREC

Comissão Católica Brasileira de Migração – CCBM

Caritas Brasileira

Instituto Superior de Pastoral Catequética – ISPAC

Instituto Superior de Pastoral Litúrgica – ISPAL

Instituto Superior de Pastoral Vocacional – ISPAV

Instituto Nacional de Apostolado dos Leigos – INAL

Telepax – órgão federativo que coordena outros três organismos:

Representação Nacional de Emissoras Católicas – RENEC

Central Católica de Cinema – CCC

União Nacional Católica de Imprensa – UNCI

*

Neste Plano de Pastoral de Conjunto a CNBB prevê e pretende realizar um certo

número de atividades através desses serviços. Agrupamos as atividades da CNBB em três

,categorias:

1.1. Atividades permanentes

Constituem elas a vida quotidiana da Conferência e dos diversos secretariados

nacionais. Estas atividades são:

assessoria ao episcopado em todos os assuntos de interesse da Igreja e,

principalmente, na aplicação das questões que o Concílio confiou às Conferências

episcopais;

elaboração de anteprojetos de diretrizes a serem submetidas ao juízo e à sanção do

episcopado e, por ele, eventualmente assumidas;

coordenação de organismos e movimentos ligados à CNBB;

fornecimento de subsídios a toda a ação pastoral da Igreja;

assessoria direta a todos os organismos de Igreja, que o solicitarem;

entrosamento com todos os organismos eclesiásticos ou civis para questões

pertinentes à ação da Igreja e no nível requerido pela natureza de cada um deles.

Estas atividades realizam-se continuamente na vida normal dos secretariados, uma vez

devidamente montados os dispositivos capazes de executá-las.

1.2. Ampliação dos serviços existentes

Para o satisfatório funcionamento dos diversos secretariados nacionais e organismos

ligados à CNBB, para que possam desenvolver adequadamente suas atividades permanentes

e assumir atividades especiais, faz-se necessário que alguns serviços sejam ampliados. São

previstas as seguintes ampliações:

ampliação da sede;

aquisição de uma viatura;

montagem do sistema de comunicação com os secretariados regionais;

equipamentos de mecanografia;

ampliação dos serviços permanentes do CERIS.

1.3. Atividades especiais e montagem de novos serviços

66

São as atividades que a CNBB pretende desenvolver nestes 5 anos para criar os meios e

condições de renovação da Igreja, na perspectiva conciliar, é assegurar a concretização de

suas diretrizes em aspetos que julga de vital importância.

No seu Plano de Atividades, a CNBB é, antes de tudo, um organismo de serviço e

especialmente a serviço das dioceses. Em conseqüência, as atividades que lhe competem

desenvolver são quase exclusivamente atividades-meios, isto é, atividades de levantamentos e

pesquisas, de reflexão, de formação e de assessoria. (Cf. as 6 Linhas de Trabalho na

atividades-meios da letra B).

Por este motivo julgamos por bem agrupá-las em 4 Programas, correspondentes a estes

4 tipos de atividades. Assim teremos:

Programa de levantamentos e pesquisas.

Programa de reflexão e elaboração.

Programa de formação e atualização de pessoal.

Programa de montagem de novos serviços de assessoria.

Estes 4 Programas darão unidade ao trabalha dos diversos secretariados nacionais e

organismos ligados à CNBB. Cada um deles desenvolverá suas tarefas específicas. Mas estas

tarefas não serão mais paralelas, isoladas, e sim, complementares e integradas em programas

comuns. Este sistema, por sua vez, possibilita uma mais efetiva coordenação.

Dada a importância destas atividades especiais, procuramos planejá-las em maior

detalhe, (of. III Parte).

  1. Aplicação aos planos regionais

O plano nacional deverá ser completado pelo plano de cada regional, e todos eles

alcançarão a sua plenitude na medida em que forem elaborados também os planos

diocesanos.

2.1. Responsabilidade do Plano Regional

O plano regional é elaborado pela comissão regional, composta por todos os membros

da CNBB pertencentes à região. A comissão é assessorada pelo secretariado regional. É

também de grande importância o diálogo e entrosamento com superiores maiores das Ordens,

Congregações e Institutos Religiosos.

O secretariado regional é constituído pela coordenadoria regional e pelos departamentos

regionais.

A coordenadoria é formada:

pelo secretário regional, que é um membro da comissão regional, eleito por quatro

anos para coordenar os trabalhos da comissão e do secretariado;

pelo subsecretário regional que, sob a dependência do secretário, assume mais

imediatamente os trabalhos;

por assessores, chamados a colaborar com o secretário e subsecretários nas tarefas

de coordenação.

Os departamentos regionais, que, na medida do possível, devem corresponder aos

secretariados nacionais, em harmonia com a coordenadoria, respondem perante a comissão

regional por setores de especial interesse da vida e da ação da Igreja. Estes departamentos são

constituídos por um responsável e por assessores chamados a colaborar.

Para criar meios e condições de renovação da Igreja na região, o plano regional:

traça as diretrizes da renovação;

prevê e realiza um certo número de atividades.

67

2.2. As diretrizes do plano regional

As diretrizes regionais são aplicações à região das diretrizes nacionais. O plano regional

pode assumir integralmente todas as linhas de trabalho e atividades propostas pelo plano

nacional, assumindo-as todas pode, porém, dar prioridade a algumas que apresentam maior

importância e urgência no contexto regional, e pode, ainda, assumir somente aquelas que

correspondam melhor às necessidades, exigências e possibilidades da região.

2.3. As atividades do plano regional

O plano regional deve prever também, a realização das atividades assumidas pela

comissão regional. O agrupamento e a organização destas atividades seguem critérios bem

semelhantes aos do plano nacional, feitas as devidas adaptações.

Nos programas 1 e 2 (levantamentos e pesquisas, reflexão e estudo) o regional é

chamado a participar intensamente dos projetos nacionais, podendo também prever projetos

específicos.

No programa 3 (formação de pessoal), ao lado de sua participação em alguns projetos

nacionais, o regional deverá desenvolver em piamente projetos próprios.

O programa 4 (montagem de novos serviços) deve merecer um grande esforço por parte

do regional, para que possa pouco a pouco ter condições de prestar à Comissão regional e às

dioceses uma assessoria à altura das necessidades e exigências.

Conforme o caso, o regional poderá introduzir ainda um programa 5, de assessorias

específicas. Neste programa são agrupados projetos que prevêem assessorias a realizações

específicas. É o caso, por exemplo, de assessorias às festas anuais de padroeiros de grandes

santuários, à realização de experiências-pilotos em diversos campos, como 1iturgia, catequese,

educação etc.

Podem também ser previstos projetos inter-regionais, interessando, a mais de uma

região e assumidos co-responsavelmente por elas. Se estes projetos forem numerosos e de

grande vulto, estas regiões poderão mesmo criar, sob a dependência das comissões regionais

respectivas uma coordenadoria inter-regional, que garanta, de um modo permanente e mais

imediato, a coordenação e execução destes projetos.

Como o plano regional deve ser assumido pela comissão regional e na sua concretização

será diverso de uma região para outra, apresentamos apenas o seu roteiro geral:

ATIVIDADES REGIONAIS (I)

Atividades permanentes (A)

Ampliação de serviços (B)

Atividades especiais (C)

􀂃Programa n° 1 – Levantamentos e pesquisas

  1. a) participação em projetos nacionais
  2. b) projetos regionais específicos.

􀂃Programa n° 2 – Reflexão e elaboração teológico pastoral

  1. a) participação em projetos nacionais
  2. b) projetos regionais específicos.

􀂃Programa n° 3 – Formação de pessoal

  1. a) participação em projetos nacionais
  2. b) projetos regionais específicos.

􀂃Programa n° 4 – Montagem de novos serviços

68

  1. a) participação em projetos nacionais
  2. b) projetos regionais específicos.

􀂃Programa n° 5 – Assessorias específicas

  1. a) participação em projetos nacionais
  2. b) projetos regionais específicos.

ATIVIDADES INTER-REGIONAIS (II)

Atividades permanentes: se forem necessárias, e a serem assumidas pela

coordenadoria inter-regional (A)

Atividades, especiais (B):

  1. a) participação em projetos nacionais
  2. b) projetos inter-regionais específicos.

69

IV

Aplicação das diretrizes

ao plano diocesano

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é, antes de tudo, um instrumento

privilegiado de exercício da co-responsabilidade pastoral do episcopado. Uma das tarefas mais

eminentes, porém, é o serviço às dioceses, onda se realiza a Igreja particular.

  1. A diocese como unidade fundamental de ação pastoral

A diocese é uma porção do povo de Deus, confiada ao pastoreio de um bispo, com a

cooperação do seu presbitério, de tal modo que, ligada a seu pastor e por ele reunida no

Espírito Santo, pelo Evangelho, pela eucaristia, constitua uma Igreja particular, na qual se

realiza e opera verdadeira e plenamente a Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja de Cristo,

(Decreto “Christus Dominus”).

A renovação da Igreja no Brasil, conforme a imagem de Igreja do Vaticano II, será, em

grande parte, a renovação de cada Igreja particular. Como dizia o Plano de Emergência, “a

diocese é a unidade fundamental de ação pastoral. Não é ela uma reunião de paróquias, mas

a paróquia é uma parte, ou melhor, uma célula orgânica da diocese”.

Neste esforço de renovação e “aggiornamento” global da Igreja é de suma importância

que a diocese se renove como um todo orgânico, tendo o bispo como centro de unidade e

primeiro responsável.

  1. Sentido e função do planejamento diocesano

Em nossos dias, o planejamento pastoral tem sido comprovado como um dos meios

importantes para esta renovação diocesana orgânica. Sempre se planejou na Igreja, isto é,

sempre se refletiu, decidiu, realizou e avaliou a ação pastoral. O mundo hoje apresenta,

porém, uma situação muito complexa, em transformação rápida, e exige uma reflexão mais

ampla e profunda, capaz de informar decisões acertadas, atingir ,com segurança os pontos

chaves, aproveitar melhor os recursos, dinamizar toda a ação, possibilitar uma avaliação mais

objetiva. Não se trata, pois, de fazer algo de inteiramente novo, mas de fazer melhor,

aproveitando os recursos que Deus colocou à nossa disposição.

Como alma de todo este trabalho e garantia de sua fecundidade, permanece sempre o

reconhecimento de nossa radical insuficiência, a gratuidade do dom que o Pai nos comunica

70

em Cristo Jesus, e opera pelo Espírito Santo, o respeito à livre adesão dos homens, a

disponibilidade nossa como simples instrumento nas mãos do Senhor.

Conduzido neste sentido e com este espírito, o planejamento pastoral impulsiona as

forças apostólicas de uma diocese e convoca-as a uma participação mas efetiva na edificação

da Igreja, permite a cada grupo ou instituição integrar-se no conjunto conforme sua vocação e

carisma específicos, pois define claramente objetivos e metas comuns, dinamiza a esperança

pela possibilidade concreta a cada um de se realizar melhor como membro do povo de Deus;

intensifica e aprofunda a unidade, estreitando os laços visíveis da caridade, em torno do

bispo.

Renovar a diocese significa orientar todas as suas atividades para os grandes objetivos

da Igreja, explicitados pelo Concílio e sintetizados nas diretrizes fundamentais e linhas de

trabalho deste Plano de Pastoral de Conjunto.

O planejamento diocesano visa a ordenar toda a ação de Igreja numa diocese. Não

basta definir o roteiro de ação de cada um dos setores (catequese, liturgia, ação missionária

etc.) ou dos diversos membros do povo de Deus (presbíteros, diáconos, religiosos, leigos) ou

os vários níveis da ação diocesana (zona pastoral, paróquia, comunidade de base), mas é

necessário que todos estes setores níveis e, pessoas sejam ordenados com o máximo

rendimento para a realização dos objetivos gerais e específicos da própria Igreja e das metas

estabelecidas para a diocese.

Em face das suas necessidades e possibilidades reais é importante que cada diocese

defina suas metas de trabalho, de modo a permitir que cada instrumento de ação, cada grupo

e cada pessoa possa encontrar e realizar o mais plenamente possível seu papel em vista da

utilidade comum (I Cor. 12, 8). Podem diferenciar-se as vocações, as funções, os carismas, os

instrumentos, métodos e ritmos, mas todos visam aos mesmos objetivos e assim se

complementam, encontrando no bispo o sinal visível da unidade diocesana.

O Espírito Santo é quem age e realiza a comunidade de Igreja na diocese, mas quer

nossa colaboração e conta com ela. Sem planejamento é ordinariamente muito difícil em

nossos dias uma integração e vitalização da comunidade diocesana.

Mas como planejar a ação diocesana?

  1. Requisitos básicos da renovação diocesana

Antes de detalharmos um roteiro de sugestões, queremos lembrar dois requisitos básicos

e de importância decisiva para a renovação de uma diocese. É necessário:

– que o bispo se decida e assuma essa renovação

O bispo, na sua diocese, é a presença autenticamente garantida da sucessão e missão

apostólica, o centro de unidade do povo de Deus confiado ao seu pastoreio, o elo de sua

ligação com a Igreja universal.

A iniciativa pode não partir dele, mas necessita de seu ,consentimento próprio, manifesto

e efetivo. Sem ligação vital com o bispo esta iniciativa correria o risco de estiolar-se, ou não ter

condições de fecundar toda á Igreja particular.

– que se crie um clima de renovação

Esta renovação não se realiza automaticamente por um decreto emanado do Alto. É

preciso saber motivar, despertar, inquietar pessoas ou grupos capazes, principalmente o clero.

As maneiras de conduzir esta motivação são muito variadas. Devem ser pensadas e adaptadas

em cada caso. Dado, porém, o passo inicial, as próprias atividades de renovação, na medida

71

em que são assumidas e executadas, passam a ser os meios mais eficazes para intensificar e

ampliar o clima a ser criado.

Garantidos estes dois requisitos básicos, podemos passar ao processo de planejamento.

  1. Como elaborar o plano diocesano

Os objetivos da diocese são os mesmos da Igreja universal, conforme estão explicitados

nas diretrizes fundamentais deste Plano de Pastoral de Conjunto. As 6 linhas de trabalho que

delas derivam e as atividades propostas são também o roteiro de elaboração do plano

diocesano.

Partindo das necessidades e possibilidades da Igreja, na diocese, e baseados neste

roteiro, podemos estabelecer os programas e projetos, a serem assumidos pela diocese ou

sejam: as metas a serem atingidas, as tarefas a serem realizadas, os responsáveis pela

execução, a sistemática adotada, isto é, a maneira de fazer, prazos e custos.

Vejamos, pois, os passos principais a serem dados na elaboração do plano diocesano, os

programas e projetos a sarem desenvolvidos, a estrutura e coordenação a ser implantada e

dinamizada.

4.1. Passos principais na elaboração do plano diocesano

Quando em uma diocese já existe um clima propício à renovação, e o bispo decide

planejá-la, o primeiro passo é a escolha de uma comissão preparatória. É importante que

seja integrada por pessoas com certa experiência pastoral, capacidade de reflexão,

facilidade de contato e trabalho em equipe.

*

Esta comissão prepara o roteiro de uma pesquisa que permita o conhecimento mais

preciso e objetivo da realidade e forneça elementos capazes de informar o plano

pastoral. Se necessário, pedirá assessoria à CNBB regional ou nacional.

Esta pesquisa deve desenvolver-se por dois ou três meses, solicitando-se, na medida

do possível, a cooperação de todas as forças vivas e atuantes, para que elas estejam

desde o início comprometidas com a elaboração do plano. Convém notar que esta

pesquisa, denominada “pesquisa-ação” é diversa da pesquisa de rigor mais científico.

Restringe-se ela a dados essenciais que interessam mais imediatamente à ação. Não

busca um rigor absoluto e exaustivo nos levantamentos e investigações, mas fornece

dados que dão maior segurança e objetividade ao plano e à ação que se deve

empreender.

*

Terminada a pesquisa e feita a interpretação dos dados, a comissão preparatória

elabora o anteprojeto do plano diocesano, consultando e fazendo participar desta

elaboração peritos ou pessoas que possam contribuir validamente, seja no conjunto seja

em aspectos específicos. É importante que o bispo diocesano acompanhe todo este

processo.

Concluída a elaboração deste trabalho preparatório e recebida a aprovação do

bispo, o anteprojeto deve ser remetido a todos os sacerdotes, comunidades religiosas,

diretorias diocesanas de movimentos e instituições apostólicas de leigos, como também

72

aos 1eigos que exerçam tarefas de coordenação diocesana ou possuam qualificação

especial.

*

Se não o tiver feito anteriormente, o bispo convocará neste momento uma

assembléia diocesana com participação de todos aqueles que receberam o anteprojeto,

conforme acabamos de enumerar. Entre o envio do anteprojeto e a realização da

assembléia, deve ser deixado um lapso de tempo razoável, que permita a todos a leitura

e o estudo mais amplo do documento.

Na assembléia diocesana este texto deve ser discutido não apenas no seu conjunto

mas também nos seus detalhes, a fim de ser enriquecido com a contribuição de todos e

para que todos se sintam com ele comprometidos. Concluída a assembléia, o anteprojeto

é submetido à sanção episcopal, pois compete ao bispo diocesano a última decisão. Este

processo tem a vantagem de tornar o plano mais enriquecido de variadas contribuições,

mais objetivo e realista, e de comprometer, desde o início, todos aqueles que irão

executá-lo.

4.2. Programas e projetos a serem desenvolvidos

Como a diocese é a unidade fundamental de ação pastoral e exerce atividades

imediatas e concretas, os programas do plano diocesano corresponderão às 6 linhas de

trabalho apresentadas nas diretrizes fundamentais. Não é necessário, e às vezes nem será

possível, que a diocese adote como programas de seu plano todas as seis linhas de

trabalho, nem as atividades propostas para uma determinada linha. Partindo das

necessidades e possibilidades concretas, melhor identificadas pela pesquisa, serão

assumidas como programas diocesanos somente as linhas de trabalho que forem julgadas

convenientes e exeqüíveis para o período em que se planeja. O ideal é que os planos

diocesanos sejam elaborados para dois anos com uma revisão anual.

Julgamos, porém, que a linha de trabalho nº 1 (Promover uma sempre mais plena

unidade visível no seio da Igreja Católica), pela sua importância capital, deverá ser

adotada em qualquer hipótese. Dentro deste programa são, em geral, prioritários:

os projetos de formação, atualização e animação do clero, inclusive do

seminário;

os projetos de atualização pastoral das comunidades religiosas e sua inserção na

pastoral de conjunto;

os projetos de formação do laicato, especialmente dos movimentos de Ação

Católica e de todos os leigos que assumem ou se dispõem a assumir uma tarefa

de Igreja;

os projetos que visam à renovação paroquial, pela sua descentralização e

criação de comunidades de base vivas;

os projetos que visam à criação, estruturação, e dinamização das zonas

pastorais;

os projetos que têm como objetivo a estruturação e coordenação da pastoral

diocesana.

A Linha de trabalho nº 2 (Promover a ação missionária) e a linha de trabalho nº 3

(Promover a ação catequética, o aprofundamento doutrinal e a reflexão teológica),

quando assumidas, podem unir-se em um único programa se assim se julgar mais

conveniente.

73

*

Em cada uma das linhas de trabalho devem ser assumidas apenas as atividades que

correspondem às exigências e possibilidades diocesanas. Existem mesmo várias

atividades que ultrapassam o plano diocesano. Poder-se-á igualmente adotar outras

atividades além das propostas em uma determinada linha de trabalho, se no caso

concreto conduzem melhor à realização dos objetivos.

Os programas e projetos correspondem às atividades especiais da diocese: aquelas

que devem visar, de um modo especial e direto, à renovação diocesana, na linha

conciliar. Ao mesmo tempo, a diocese continuará com suas atividades permanentes, que

se renovarão pouco a pouco na medida em que forem realizadas com êxito as atividades

especiais.

Todas as forças e instituições apostólicas da diocese, sobretudo as paróquias,

comunidades religiosas, movimentos e organizações de leigos, cada uma conforme sua

vocação e carisma específicos, devem participar e integrar-se neste plano diocesano. Em

cada diocese deve haver um único plano. A diversidade de planos quebraria a unidade

básica da diocese e impediria a renovação da Igreja particular, que é um todo orgânico.

4.3. Estruturação e coordenação diocesanas

À medida que os programas e projetos de renovação forem sendo executados,

pode-se partir para uma melhor estruturação e mais efetiva coordenação da pastoral

diocesana.

Apresentamos um roteiro de orientação. Não é possível prever todos os casos, mas

tomamos como base as dioceses comuns. Este roteiro tem a vantagem de ser dinâmica,

flexível e, dentro de certos limites, adaptável a todas as situações. Prevê um tipo de

estrutura que evita a estratificação e permite contínua revisão e aperfeiçoamento.

Enumeramos seus elementos essenciais:

– O bispo: coordenador nato e insubstituível da pastoral diocesana.

A assembléia diocesana: formada por todos os sacerdotes que exercem um

ministério pastoral, por representantes das comunidades religiosas, pelas diretorias

diocesanas dos movimentos e instituições de leigos, pelos leigos que desempenham uma

tarefa de coordenação em nível diocesano (catequese, liturgia, etc.). Esta assembléia

tem direito consultivo. Através dela todo o povo de Deus participa da vida diocesana e

dialoga com o bispo.

– O conselho diocesano: formado pelo vigário geral, pelo coordenador pastoral,

pelos membros do secretariado diocesano de pastoral (coordenadores dos programas

assumidos pela diocese e responsáveis por projetos especiais, como atualização do clero

seminários, etc.), e pelos coordenadores das zonas pastorais. Este conselho terá em geral

funções consultivas, mas nos casos previstos pelo Código de Direito Canônico exercerá

também funções deliberativas. Sua constituição é bastante representativa, pois nele

encontram-se os responsáveis pelos grandes setores de atividade da diocese e pela

coordenação das diversas zonas.

– O vigário geral; aquele que, em nome do bispo, sob sua dependência, coordena a

pastoral.

– O coordenador pastoral: é normal que o vigário geral seja o mesmo coordenador,

pastoral. Nos casos, porém, de dioceses muito complexas ou quando o vigário geral, por

vários motivos, não tem condições para realizar diretamente essa coordenação, escolhe74

se outro sacerdote como coordenador pastoral, ficando o vigário geral com supervisão

do conjunto.

O secretariado diocesano de pastoral: formado pelo vigário geral, pelo

coordenador pastoral, pelos coordenadores de cada programa assumido pela diocese

(comunidade de Igreja, catequese, liturgia, etc.) e pelo responsável de um ou outro

projeto de especial relevância (atualização do clero, seminário, renovação do apostolado

das religiosas, apostolado dos leigos). Como dissemos acima o projetos mais importantes

no plano diocesano são os projetos do Programa nº 1.

Este secretariado tem uma função executiva e coordena todos os projetos

diocesanos, e assume diretamente as tarefas de pesquisa e reflexão. O CERIS diocesano,

se existir, está ligado a ele.

A maioria das dioceses não tem condições para fazer funcionar tantas comissões

diocesanas quantos forem os setores de ação pastoral. É bem mais viável que as dioceses

tenham um coordenador para cada programa que pretenda realizar. Estes, por sua vez,

coordenam os responsáveis de projetos, que, em geral, não necessitam dedicar tempo

integral para a execução do projeto pelo qual são responsáveis. Desta maneira o

secretariado diocesano de pastoral será formado comumente de seis ou sete elementos,

entre os quais dois ou três dedicar-lhe-ão tempo integral.

Além de seus membros integrantes, o secretariado deverá contar com alguns

assessores, mesmo que sejam de fora da diocese, para solicitar sua colaboração em

setores específicos ou a reflexão sobre o conjunto da ação pastoral.

Nas dioceses que dispõem de maior número de pessoal e de recursos mais

abundantes, pode ser constituída toda uma comissão especial responsável pelo

programa. Assim, o programa de catequese pode ser assumido por uma comissão

diocesana de catequese, constituída, normalmente, pelos responsáveis dos diversos

projetos ligados a este programa e também de outros assessores chamados a colaborar.

Nas dioceses de menores recursos, o coordenador do programa acumulará, muitas vezes,

a responsabilidade imediata dos projetos ligados a seu programa. Não é necessário, mas

é pedagógico, que o coordenador pastoral e os coordenadores de programa e

responsáveis de projetos sejam nomeados pelo bispo após indicação do conselho

diocesano ou mesmo da assembléia diocesana. Normalmente seus mandatos coincidem

com o tempo de duração do programa.

O coordenador do programa nº 1, que visa à renovação da comunidade de Igreja e

de seus diversos membros, poderá e em muitos casos deverá ser o próprio coordenador

pastoral. Consequentemente ele coordenará todos os projetos de formação e atualização

de pessoal (clero, seminário, comunidades religiosas, vocações, leigos), o que supõe que

cada um destes projetos tenha, por sua vez, um responsável próprio. Dentro deste

programa caber-lhe-á, normalmente, a responsabilidade direta do projeto ou dos

projetos de reestruturação das paróquias, comunidades de base, zonas pastorais,

coordenação diocesana.

– A chancelaria e a secretaria administrativa: assumirão principalmente as tarefas

administrativas e financeiras. Deverão entrosar-se perfeitamente com o secretariado

diocesano de pastoral e dependerão não apenas do bispo mas também, por delegação

deste, estarão sob a dependência do vigário geral. Este coordena o secretariado

diocesano de pastoral através do coordenador pastoral, e a chancelaria e a secretaria

administrativa através do seu chanceler.

– A cúria diocesana: formada pelo conjunto das pessoas e organismos executivos de

nível diocesano. Sob a direção do bispo, é integrada pelo vigário geral, o coordenador

75

pastoral, o chanceler, o secretariado diocesana de pastoral, a chancelaria e a secretaria

administrativa, responsáveis por projetos.

As zonas pastorais: devem corresponder mais ou menos às zonas humanas e

implicam uma coordenação de várias paróquias. Correspondem em muitos casos aos

decanatos, forânicas ou arciprestados. Esta coordenação da zona pastoral buscará dar

uma resposta de conjunto às necessidades e exigências da Igreja na respectiva zona, e

realizar um melhor aproveitamento de seus recursos e possibilidades. O coordenador da

zona pastoral (ou o decano, forâneo, arcipreste) é um delegado e uma presença do bispo

na zona. É muito conveniente que o bispo o nomeie por indicação dos outros sacerdotes,

em eleição realizada anualmente.

– As paróquias: continuam como estrutura importante da diocese, mas necessitam

de uma grande renovação e descentralização em comunidades de base.

– As comunidades de base: correspondem, no meio rural, às capelas rurais.

Necessitam de dinamização dentro da perspectiva apresentada por este Plano de Pastoral

Conjunto. No meio urbano é necessário intensificar as experiências incipientes. As

assessorias da CNBB deverão incentivar e divulgar estas experiências e fornecer

subsídios que ajudem os que estão empenhados na renovação paroquial.

*

Toda esta estruturação da diocese deverá ajudar a formar o povo de Deus e

intensificar sua unidade em Cristo. Permite igualmente uma realização efetiva do

presbitério. Cada sacerdote, como cooperador do bispo, torna-se co-responsável por

toda a ação pastoral da diocese.

Assim, pouco a pouco, a Igreja particular será renovada conforme a imagem de

Igreja do Vaticano II.

76

ESTRUTURA DA DIOCESE

C ú r i a D i o c e s a n a

BISPO

Conselho

Diocesano

Assembléia

Diocesana

Vigário Geral

Coordenador

Pastoral

Chanceler

Secretariado

Diocesano de

Pastoral

Chancelaria e

Secretaria

Administrativa

ZONAS PASTORAIS

PARÓQUIAS

Comunidades de Base

77

terceira parte

Plano nacional de atividades da CNBB

78

Indicações gerais

O plano nacional de atividades está baseado nas seis linhas de trabalho e nas

correspondentes atividades propostas por cada uma delas (cf. II Parte). Apenas verificou-se

quais, dentre elas, a CNBB, através de seus secretariados nacionais e organismos a ela

ligados, se propõe realizar diretamente. Todas elas, porém, contam com a cooperação dos

secretariados regionais em aspectos bem precisos, que devem, por conseguinte, integrar os

diversos planos regionais.

Os organismos autônomos, mas ligados à CNBB, como o CERIS, O MEB, a CARITAS, o

IPREC etc… deverão elaborar seus planos próprios, fundamentados, porém, nas diretrizes

deste Plano de Pastoral de Conjunto. Ao apresentarmos, pois, o plano nacional de atividades

da CNBB, eles só serão mencionados nos casos em que for julgada importante sua

participação direta em determinado projeto ou programa.

As atividades permanentes e a ampliação de serviços ou fazem parte da vida cotidiano

da CNBB ou nos levariam a detalhes muito minuciosos. Considerá-las todas sobrecarregaria

demasiadamente o texto do Plano, sem apresentar maior interesse.

*

Expomos, pois, em maiores detalhes, as atividades especiais, que constituem ao todo 55

projetos, agrupados em 4 programas. Em todos eles explicitamos detalhadamente:

os objetivos de cada programa e de cada projeto;

a sistemática global a ser utilizada na sua execução;

os responsáveis pela coordenação de programas e execução dos projetos;

os prazos e datas previstos para o seu início, duração e término;

a utilização dos resultados ou a destinação de recursos.

Os custos globais de cada um dos programas e de cada um dos projetos, detalhados

para cada ano e ao longo dos 5 anos, foram calculados, e previstas as fontes de receita. Estes

dados, porém, não foram incluídos neste texto, mas formam documento à parte.

Os diversos secretariados nacionais e organismos ligados à CNBB, além disso, conforme

a responsabilidade que lhes for atribuída na coordenação destes programas e execução destes

projetos, deverão planejá-los cada ano em detalhes ainda mais minuciosos, e levá-los à

execução.

Mantidas as diretrizes traçadas neste Plano de Pastoral de Conjunto e as atividades

global e diretamente assumidas pela CNBB, será possível uma certa flexibilidade e um

79

reajustamento anual das atividades, conforme o exigirem o próprio desenvolvimento e a

execução do Plano e as novas necessidades e possibilidades que venham a surgir.

Especifiquemos, pois, em maior detalhe, cada um dos programas e projetos.

PROGRAMA Nº 1

Levantamentos e pesquisas

Este programa visa a dar-nos, com maior precisão científica, o conhecimento de

aspectos fundamentais da situação da Igreja no Brasil, e de realidades que condicionam sua

presença e ação pastoral.

Possuímos neste momento alguns conhecimentos destes aspectos e realidades, mas de

modo empírico. Necessitamos de um conhecimento mais científico que possa orientar com

maior segurança as atividades pastorais.

O conhecimento da situação não fornece, por si mesmo, os rumos da ação pastoral e

necessita de uma interpretação à luz da Teologia, num esforço de penetração profética sob a

orientação do magistério. No entanto, este conhecimento se reveste, hoje, de grande

importância e é um dos elementos básicos para uma séria reflexão e um planejamento da

ação pastoral.

A nós interessa, sobretudo, conhecer o homem e, em especial, o homem brasileiro de

hoje, em toda a sua diversidade e contrastes. Este objetivo nos leva a recorrer às principais

ciências que estudam o homem sob seus diversos aspectos: a sociologia, a economia, a

política, a psicologia, a antropologia e a história.

Nestas investigações e pesquisas não pretendemos refazer os dados já elaborados com

real valor científico. Aproveitá-los-emos e neles basearemos nossa investigação, canalizando

ao mesmo tempo nossos esforços na pesquisa de certos aspectos ainda não estudados, e cujo

conhecimento, é importante para a presença e a ação da Igreja.

O CERIS, que até este momento vem realizando um vasto trabalho de estatística

religiosa e investigação social, ampliará o seu raio de atividades para assumir a coordenação

de todo o programa de pesquisas, incluindo também as investigações de ordem histórica,

psicológica e antropológica.

Os diversos projetos previstos neste Programa, o CERIS poderá executá-los de 3

maneiras:

diretamente, utilizando seus próprios quadros, quando o julgar conveniente;

delegando a outros organismos, de comprovada probidade e competência, que o

desejem realizar, sem ônus para o CERIS;

contratando sua execução com organismos, grupos ou peritos realmente

competentes.

Como as pesquisas são encomendadas ao CERIS pela CNBB, todos os secretariados

nacionais e organismos ligados à Conferência deverão participar da definição do tema e

conteúdo da pesquisa, principalmente daqueles que interessam mais diretamente o respectivo

80

secretariado ou organismo, conforme indicaremos no quadro-resumo. Caberá, porém, ao

CERIS, a deliberação sobre a técnica mais eficiente de conduzi-las.

Todas estas pesquisas deverão fornecer subsídios para reflexão dos seminários de

estudos previstos pelo Programa n° 2, a maioria delas deverá terminar seis meses antes da

realização do respectivo seminário, que visa a subsidiar.

Estes prazos deverão, pois, ser respeitados com certo rigor.

O programa de pesquisas prevê 19 projetos. Conforme a técnica utilizada nas diversas

pesquisas, distinguimos 3 tipos de projetos:

  1. A) Projetos de pesquisas à base de entrevistas de campo em áreas

escolhidas por amostragem

Estes projetos serão realizados em três tipos de áreas: áreas de evolução lenta e

economia de subsistência, áreas em transição e transformação rápida, áreas tecnificadas e

urbanizadas. A pesquisa nestes três tipos de áreas não se limitará a uma região, mas será

repetida ou realizada concomitantemente em três ou quatro regiões diversas.

Todas as pesquisas deste tipo de projetos, no entanto, serão realizadas nas mesmas

áreas, uma vez determinadas. Assim poderemos ter, de cada uma delas, visão mais completa.

De outro lado, como estas áreas serão escolhidas por amostragem entre as mais

representativas, o seu estudo exaustivo nos dará um conhecimento bastante aproximativo do

conjunto.

Passamos a enumerar os projetos que serão realizados segundo este tipo de pesquisa,

com seus respectivos objetivos e prazos de realização.

1.1. Clero, religiosos e leigos

Conhecer o papel social de fato e seus condicionantes e o papel social, julgado ideal, do

clero secular e dos religiosos, bem como dos leigos, a fim de verificar as respectivas

integrações na comunidade da Igreja no Brasil (Linha de trabalho nº 1, item B 1a).

Prazo de realização: de julho de 1966 a julho de 1967.

1.2. Estrutura da lgreja

Conhecer as estruturas atuais da Igreja no Brasil e sua adequação às exigências de hoje.

(Linha de trabalho nº 1, item B 1b e d)

Prazo de realização: de julho de 1966 a julho de 1967.

1.3. Motivação religiosa e comportamento moral

Conhecer as diferentes motivações do campo religioso: primárias (psico-sociológicas) e

secundárias (sociológicas) e o seu grau de implicação sobre o comportamento moral no Brasil.

(Linhas de trabalho ns. 2, 3 e 4, nos respectivos itens B 1c).

Prazo de realização: de julho de 1966 a junho de 1967.

1.4. Categorias mentais do povo e comunicação da Palavra de Deus

Estudar o grau de adequação da maneira de se exprimir da Igreja e da diferentes

categorias sociais no Brasil. (Linhas de trabalho ns. 2, 3 e 4, nos respectivos itens B 1b).

Prazo de realização: de agosto de 1968 a agosto de 1969.

1.5. Situação atual do anúncio missionário

Conhecer a situação do anúncio e do testemunho missionário da Igreja nas diversas

condições existentes no Brasil. (Linha de trabalho n° 2, item B 1f).

Prazo de realização: de agosto de 1967 a dezembro de 1969.

81

1.6. Situação atual da pastoral litúrgica

Conhecer a situação atual da pastoral litúrgica nas diversas condições existentes no

Brasil. (Linha de trabalho no 4, item B 1f).

Prazo de realização: de março de 1966 a fevereiro de 1968.

1.7. Situação atual da catequese

Conhecer a situação atual da catequese que é ministrada nas diversas condições

existentes no Brasil (Linha de trabalho nº 3, item B 1f).

Prazo de realização: de março de 1966 a outubro de 1967.

1.8. Igreja e família

Conhecer a situação da família nas diferentes condições do Brasil e a correspondente

presença da Igreja nesse setor (Linha de trabalho n° 6, item B 1c).

Prazo de realização: de agosto de 1967 a dezembro de 1968.

1.9. A Igreja e a educação

Conhecer a presença da Igreja no processo de desenvolvimento, no que se refere ao

setor educacional no Brasil. (Linha de trabalho nº 6, item B 1 c).

Prazo de realização: de julho de 1967 a julho de 1968.

  1. B) Projetos de pesquisas à base do estudo de documentos existentes e da

observação direta

Para esses projetos o CERIS contratará um ou mais peritos que levantarão os dados

necessários através de visitas, contatos, observação direta e coleta de documentos e dado.

Estes projetos com os seus objetivos e prazos serão os seguintes:

1.10. A

Igreja e a opinião pública

Conhecer a presença da Igreja no processo do desenvolvimento no que se refere aos

instrumentos de comunicação de massa e de formação da opinião pública no Brasil. (Linha de

trabalho n° 6, item B 1c).

Prazo de realização: 1ª parte: de abril a dezembro de 1966; 2ª parte: de julho de 1968 a

julho de 1969.

1.11. Be

ns eclesiásticos

Conhecer o sistema de organização dos bens eclesiásticos no Brasil, inclusive no que se

refere ao patrimônio histórico e artístico. (Linha de trabalho nº 1, item B 1c).

Prazo de realização: de março a novembro de 1966.

1.12. Mi

grações e estações

Conhecer os aspectos sócio-econômicos e sócio-religiosos do problema dos

deslocamentos de população e dos pontos de embarque nesses deslocamentos no Brasil.

(Linha de trabalho nº 6, item B 1c).

Prazo de realização: de maio de 1966 a maio de 1967.

82

1.13. Lo

cais de turismo

Conhecer os fluxos e lugares de turismo no Brasil e seus condicionamentos para a ação

da Igreja. (Linha de trabalho nº 6, item B 1c).

Prazo de realização: de outubro de 1967 a outubro de 1968.

  1. C) Projetos de estudos interpretativos de dados e documentos já existentes

Estes projetos baseiam-se em dados já existentes e coletados por organismos de

comprovada seriedade e competência. O CERlS contratará um ou mais peritos que possam

investigar e recolher todos estes dados, e interpretá-los, aprofundando o aspecto que interessa

em cada caso concreto.

Estes projetos, com seus respectivos objetivos e prazos, são os seguintes:

1.14. Hi

stória religiosa

Conhecer a história da evangelização e catequese, da liturgia da Igreja como

comunidade visível, do ecumenismo e da presença dos cristãos na construção do mundo, no

Brasil. (Linhas de trabalho nº 1, 2, 3, 4, 5 e 6, respectivamente item B 1c para a Linha 1 e B

1a para as demais).

Prazo de realização: de fevereiro de 1966 a dezembro de 1969.

1.15. Ci

ências sagradas

Conhecer a situação atual da reflexão nas diversas ciências sagradas no Brasil. (Linha de

trabalho nº 3, item B 1f).

Prazo de realização: de fevereiro de 1967 a fevereiro de 1968.

1.16. Ex

pressões religiosas

Conhecer os elementos culturais suscetíveis de serem integrados na liturgia católica, no

Brasil. (Linha de trabalho nº 4, item B 1 b) .

Prazo de realização: de agosto de 1967 a agosto de 1968.

1.17. Igr

eja e ecumenismo

Conhecer as experiências concretas de ação ecumênica já efetivadas no Brasil e

conhecer as diversas comunidades denominadas cristãs não unidas a Roma e sua relação com

a Igreja Católica, assim como a atitude das várias confissões cristãs, inclusive da Igreja

Católica, em face do ecumenismo no Brasil. (Linha de trabalho n° 5, item B 1 b e d).

Prazo de realização:1ª parte: de março a julho de 1966 (experiências já efetivadas); 2ª

parte: de julho de 1967 a dezembro de 1969.

1.18. Igr

eja e desenvolvimento

A partir dos estudos em realização, em especial aquele de âmbito internacional

promovido pelo FERES e pelo ISS, conhecer, no Brasil, a presença atual da Igreja no processo

de desenvolvimento. (Linha de trabalho nº 6, item B 1d).

Prazo de realização: de fevereiro de 1966 a outubro de 1967.

83

1.19. El

ementos sócio-econômico-culturais

A partir do conhecimento da situação social, estrutura econômica, nível cultural e

dinâmica da evolução, no Brasil, estudar as suas relações com os diferentes aspectos da vida

religiosa. principalmente evangelização, catequese e liturgia. (Linhas de trabalho ns. 2, 3 e 4,

nos respectivos itens B 1e).

Prazo de realização: de julho de 1966 a dezembro de 1969.

*

Maiores detalhes são apresentados nos quadros-resumo, que se encontram no fim desta

IIIª Parte.

84

PROGRAMA Nº 2

Reflexão e elaboração teológico-pastoral

O objetivo deste programa é dar à ação da Igreja um fundamento sempre mais sólido à

luz da reflexão teológico-pastoral.

As diretrizes fundamentais (cf. II Parte), com as seis linhas de trabalho e as atividades

que propõem, nos proporcionam os temas de reflexão mais importantes para a vida e a ação

da Igreja nos próximos cinco anos.

O ponto de partida desta reflexão serão as exigências da realidade melhor identificadas

pelas pesquisas e a base teológica do Concílio Vaticano II.

Este programa contém 19 projetos. A responsabilidade principal dos diversos projetos é

confiada aos diversos secretariados, conforme o tema de reflexão. Os subsecretários e os

diretores dos diversos institutos nacionais e os assessores oficiais da CNBB são todos

chamados a participar, sobretudo quando se tratar de um tema afim ao respectivo

secretariado ou instituto.

O secretariado ao qual compete a principal responsabilidade do projeto convidará

igualmente peritos de diversas correntes, de diversas disciplinas e de diversas regiões,

solicitando-lhes a contribuição de sua competência.

Boa parte destes seminários de estudo será preparada por uma pesquisa, que deverá

terminar 6 meses antes da realização do respectivo seminário. Durante este tempo, os peritos

que dele participarão, coordenados por um secretariado nacional ou por outro organismo a

quem competir a coordenação, deverão receber e fornecer documentos, e aprofundar seus

estudos e reflexão. Os participantes, serão unicamente os assessores e peritos especialmente

convidados.

O método de trabalho consistirá no estudo do tema sob seus vários aspectos, com o

concurso das várias disciplinas que possam dar contribuição, e na colocação em comum de

toda a reflexão anterior, para um maior aprofundamento e possível síntese.

Os projetos da linha de trabalho n ° 6 (presença da Igreja no mundo) seguirão uma

sistemática especial. Com alguns peritos de várias regiões, será organizado um seminário de

estudos, em nível nacional, para levantar as hipóteses de trabalho e traçar o roteiro da

reflexão. Estes peritos, por sua vez, organizarão semanas regionais sob o mesmo tema, com

participação de representantes das dioceses. Em seguida serão organizadas semanas

diocesanas.

Os peritos regionais tentarão fazer uma síntese de todos estes debates e de toda a

contribuição da base. Após este processo, e com todo o enriquecimento por ele

proporcionado, será organizado O 2º seminário nacional de estudo.

Enumeramos, a seguir, os 19 projetos deste Programa, com seus objetivos e prazos, e

responsabilidades.

2.1. Mistério da Igreja e sua realidade visível

85

Refletir sobre o mistério da Igreja Universal e suas relações com a Igreja particular,

primado do Papa, a colegialidade episcopal a suas conseqüências sobre as estruturas da

Igreja, à luz do Vaticano II e das exigências atuais. Analisar, de forma especial, o problema das

comunidades de base e o sistema de bens eclesiásticos. (Linha de trabalho n.° l, item B 2b)

Prazo de realização: Estudos por peritos – de julho de 1967 a fevereiro de 1969;

Seminário nacional – fevereiro de 1969.

Coordenação do projeto: Secretariado geral – Departamento pastoral.

2.2. Missão do ministério hierárquico

Refletir sobre a missão específica e complementar do ministério hierárquico (bispos,

presbíteros e diáconos). (Linha de trabalho nº 1, item B 2a).

Prazo de realização: Estudos por peritos – de janeiro a julho de 1967; Seminário

nacional – julho de 1967.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional do Ministério Hierárquico (SNAMHI).

2.3. Missão dos religiosos

Refletir sobre a missão específica e complementar dos religiosos como membros do povo

de Deus. (Linha de trabalha nº 1, item B 2a).

Prazo de realização: Estudos por peritos – de janeiro a julho de 1968; Seminário

nacional – julho de 1968.

Coordenação do projeto: Secretariado geral – Departamento Pastoral, em entrosamento

com a CRB.

2.4. Missão dos leigos

Refletir sobre a missão específica e complementar dos leigos como povo de Deus, no

que se refere ao laicato em geral e aos movimentos de leigos, tanto de jovens como de

adultos, analisando, de forma especial a espiritualidade, o papel missionário, a família, a

juventude e o engajamento de leigos na construção do mundo. (Linha de trabalho nº 1, item

B 2a).

Prazo de realização: Estudos por peritos – de janeiro a julho de 1967; Seminário

nacional – julho de 1967.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Apostolado do Leigos. (SNALE) .

2.5. Teologia da vocação

Refletir sobre a teologia da vocação cristã (Linha de trabalho nº l, item B 2c).

Prazo de realização: Estudos por peritos – de janeiro a agosto de 1966. Seminário

nacional – agosto de 1966.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Vocações. (SNAV).

2.6. Seminários

Refletir sobre os seminários, seus métodos e sistemas de formação. (Linha de trabalho n

° 1, item B 2e).

Prazo de realização: Encontros regionais – janeiro de 1966; Estudos por peritos – de

janeiro a julho de 1966; Seminário nacional – julho de 1966.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Seminários. (SNASEM).

2.7. Sistemas de sustentação

Refletir sobre as exigências atuais a respeito do sistema de sustentação da Igreja e gestão

dos bens eclesiásticos .(Linha de trabalho n° l, item B 2 d).

86

Prazo de realização: Estudos por peritos – de outubro de 1966 a fevereiro de 1967;

Seminário nacional – fevereiro de 1967.

Coordenação do projeto: Secretariado Geral – Departamento Pastoral.

2.8. Evangelização

Refletir e elaborar, teológica e pastoralmente, a Mensagem a ser transmitida e as grandes

linhas de uma ação missionária. (Linha de trabalho nº 2, item B 2).

Prazo de realização: Seminário nacional – fevereiro de 1966; Estudos por peritos – de

fevereiro de 1966 a fevereiro de 1970; Seminário nacional – fevereiro de 1970.

Coordenação do projeto: Secretariado Geral – Departamento Pastoral, com a

colaboração especial do SNAC e SNAPES.

2.9. Renovação catequética

Refletir à luz da teologia sobre os dados da realidade e elaborar as grandes linhas da

renovação catequética e da reflexão nas diversas ciências sagradas. (Linha de trabalho n° 3,

item B 2).

Prazo de realização: Estudos por peritos – de fevereiro a julho de 1968; Seminário

nacional – julho de 1968; Estudos por peritos – julho de 1968 a julho de 1970; Seminário

nacional – julho de 1970.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Catequese. (SNAC).

2.10. Pa

storal litúrgica

À luz da verdadeira natureza da liturgia, refletir sobre os dados. da realidade e elaborar

as linhas da pastoral litúrgica, no que se refere aos aspectos abaixo enumerados. (Linha de

trabalho n ° 4, item B 2).

Prazo de realização: Estudos por peritos nos meses anteriores aos seminários.

Seminários nacionais:

Pastoral da penitência – Junho de 1966.

Pastoral do matrimônio – Junho de 1967.

Dia do Senhor – junho de 1968.

Ano litúrgico – junho de 1969.

Liturgia e aculturação – junho de 1970.

Música sacra e Arte sacra – encontros paralelos aos acima citados.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Liturgia. (SNAL).

2.11. Ec

umenismo

Refletir sobre o mistério da unidade da Igreja e elaborar as grandes linhas de uma ação

ecumênica aplicada ao Brasil (Linha de trabalho n.° 5, item B 2).

Prazo de realização: Seminário nacional – julho de 1966.

Estudos por peritos – dezembro de 1969 a julho de 1970.

Seminário nacional – julho de 1970.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Teologia Setor Ecumenismo (SNAT).

2.12. Pr

esença no desenvolvimento

Refletir, elaborar e aplicar ao Brasil a teologia da presença da Igreja num mundo em

desenvolvimento, conforme a orientação do Vaticano II. (Linha de trabalho n° 6, item B).

87

Prazo de realização: Seminário nacional – março de 1966; Semanas diocesanas e

regionais – março de 1966 a fevereiro de 1968; Semana nacional de estudos – fevereiro de

1968.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Ação Social. (SNAS).

2.13. Pr

esença na família

Refletir e elaborar as linhas de atuação da Igreja nos problemas e perspectivas da família.

(Linha de trabalho m° 6, item B 3).

Prazo de realização: Seminário nacional – fevereiro de 1968; Semanas regionais e

diocesanas – de fevereiro de 1968 a fevereiro de 1969; Semana nacional de estudos – julho de

1969.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Ação Social. (SNAS).

2.14. Cu

ltura

Refletir e elaborar as linhas de atuação da Igreja no campo da cultura. (Linha de

trabalho nº 6, item B 3).

Prazo de realização: Seminário nacional – fevereiro de 1968; Grupos regionais de estudo

– fevereiro de 1968 a julho de 1969; Seminário nacional – junho de 1969; Grupos regionais de

estudo – julho de 1969 a fevereiro de 1971.

Coordenação de projeto: Secretariado Nacional de Educação (SNED).

2.15. Só

cio-econômico-poltico

Refletir e elaborar as linha de atuação da Igreja no campo sócio-econômico e político.

(Linha de trabalho nº 6, item B 3).

Prazo de realização: Seminário Nacional – fevereiro de 1968; Grupos regionais de estudo

– de fevereiro de 1968 a julho se 1969; Semanas regionais e diocesanas – julho de 1969 a

fevereiro de 1971.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Ação Social. (SNAS).

2.16. De

slocamentos e estações

Refletir e elaborar as linhas de atuação da Igreja no problema dos deslocamentos de

população e das estações de embarque e desembarque de passageiros. (Linha de trabalho n °

6, item B 3).

Prazo de realização: Seminários nacionais – maio de 1966 e setembro de 1967.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Pastoral Especial (SNAPES).

2.17. Sa

ntuários

Refletir sobre os problemas e perspectivas pastorais dos Santuários. (Linha da trabalho

nº 1, 2, 3 e 4).

Prazo de realização: Estudos por peritos – de agosto de 1969 a maio de 1970; Seminário

nacional – maio de 1970.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Pastoral Especial (SNAPES).

88

2.18. Ju

ventude

Refletir e elaborar as grandes linhas de uma pastoral para a Juventude. (Linha de

trabalho n° 6, item B 3).

Prazo de realização: Estudos por peritos – de agosto de 1968 a janeiro de 1969;

Seminário nacional – janeiro de 1969.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Apostolado dos Leigos. (SNALE).

2.19. Es

piritualidade

Refletir sobre os problemas de espiritualidade à luz das diretrizes do Vaticano II. (Linha

de trabalho n.° 1).

Prazo de realização: Estudos por peritos – de fevereiro a junho de 1967; Seminário

nacional – julho de 1967; Estudos por peritos – de junho de 1967 a junho de 1970; Seminário

nacional – junho de 1970; Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Pastoral

Especial. (SNAPES).

*

Maiores detalhes são apresentados nos quadros-resumo, que se encontram no fim desta

3ª Parte.

PROGRAMA Nº 3

Formação de pessoal

Criar meios e condições para a renovação da Igreja conforme Vaticano II significa,

sobretudo, empreender uma vasta tarefa de formar os diversos membros do povo de Deus e

ajudá-los a realizar o mais plenamente possível sua missão específica e complementar.

A Igreja deve ser um organismo vivo, de membros vivos.

O Concílio significou um aprofundamento extraordinário de toda o mistério da Igreja, do

seu diálogo com os irmãos separados e com o mundo contemporâneo. É necessário que todos

os fiéis assimilem e vivam intensamente esta mentalidade conciliar, e que especialmente os

presbíteros a traduzam na sua vida e no exercício de seu ministério.

Este programa visa a uma formação integral e integrante da personalidade, focalizando

os pontos essenciais e a hierarquia de valores, ajudando o maior número possível a lograr um

mais pleno amadurecimento humano e teologal.

Apoio e estímulo especial deverá ser dado à atualização do clero, devido ao papel chave

que os sacerdotes desempenham em toda a ação pastoral.

Em todos estes projetos de formação é necessário levar em conta também o grande valor

pedagógico de formação na ação, segundo o método ver – julgar – agir, ou de revisão de vida.

89

Estas tarefas de formação serão em grande parte assumidas pelos secretariados regionais

e diocesanos. Os secretariados nacionais, a não ser em caso supletivo, formarão pessoal de

nível superior ou elementos destinados a assumir responsabilidades e tarefas regionais.

Enumeramos a seguir os diversos projetos, com seus objetivos, prazos, datas e

sistemática de realização.

3.1. Ministério sacerdotal

Formação de responsáveis regionais pela atualização do ministério sacerdotal. (Linha de

trabalho n.° l, item B 3).

Sistemática, duração. prazo de realização:

12 cursos intensivos (1 em cada região), com duração de 10 dias, para peritos que,

por sua vez, ministrarão cursos intensivos de atualização para todo o clero da região,

no período de 2 a 4 anos – 1º semestre de 1966.

Encontro desses peritos, para avaliar o trabalho, aprofundar certas questões e

planejar sua ação posterior janeiro de 1968.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional do Ministério Hierárquico. (SNAHMI).

3.2. Ação missionária e catequética

Formação de responsáveis regionais pela ação missionária e catequética.

Os responsáveis regionais terão por função a formação de pessoas, assessorias e

fornecimento de subsídios às dioceses (Linhas de trabalho n° 2 e 3, item B 3).

Sistemática, duração, prazo de realização:

Continuação dos cursos do ISPAC, com a duração de 1 ano.

Concessão anual de 12 bolsas de manutenção (1 para cada regional) e 12 bolsas de

estudos (1 para cada regional) nos corsos do ISPAC, com a finalidade de formar

responsáveis e assessores dos departamentos regionais de catequese – durante o

período de 5 anos.

8 cursos, no período de 20 dias, em 8 regiões diferentes – em 1966 e 1967.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Catequese e Instituto Superior de

Pastoral Catequética (SNAC e ISPAG).

3.3. Liturgia

Formação de responsáveis regionais pela pastoral litúrgica. Estes responsáveis terão por

funções a formação de pessoal, assessoria e fornecimento de subsídios às dioceses. (Linha de

trabalho n ° 4, item B 3).

Sistemática, duração, prazo de realização:

Curso inicial de 1 mês – janeiro de 1966.

Curso de 4, meses, com 12 bolsas de manutenção e 12 bolsas de estudo – agosto à

novembro de 1966.

Concessão anual de 12 bolsas de manutenção (1 para cada regional) e 12 bolsas de

estudo (1 para cada regional), para um curso anual, durante o período de 4 anos,

com a finalidade de formar os responsáveis e assessores dos departamentos regionais

e programas diocesanos – a partir de 1967.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Liturgia e Instituto Superior de

Pastoral Litúrgica. (SNAL e ISPAL).

3.4. Formação de responsáveis regionais pela ação ecumênica

Os responsáveis regionais terão por função a formação de pessoal, assessoria e

fornecimento de subsídios às dioceses. (Linha de trabalho n.° 5, itens B 3 e 4).

90

Sistemática, duração, prazo de realização:

Curso de 10 dias, para 40 a 50 pessoas – janeiro de 1967.

Concessão de 5 bolsas de estudo, no estrangeiro, com duração de 6 meses, para

formar peritos em ecumenismo – durante o período de 5 anos.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Teologia – Setor de Ecumenismo. (SNAT).

3.5. Ação social

Formação de responsáveis pelos departamentos regionais de ação social. (Linha de

trabalho nº 6, item B 1, letra e e B 3).

Sistemática, duração, prazo de realização:

Curso de 10 dias, no Rio de Janeiro, para 40 a 50 pessoas – setembro de 1966.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Ação Social. (SNAS).

3.6. Diaconato

Formação de responsáveis regionais pelo projeto da restauração do diaconato. (Linha de

trabalho n.° l, item B 5).

Sistemática, duração, prazo de realização:

Curso de 20 dias para 30 a 40 pessoas – fim de julho de 1966.

Coordenação do trajeto: Secretariado Nacional do Ministério Hierárquico. (SNAMHI).

3.7. Vocações

Formação de promotores vocacionais e responsáveis pelo departamento regional de

vocações. (Linha de trabalho n ° 1, item B 7).

Sistemática, duração, prazo de realização:

Curso de 4 meses, com 12 bolsas de manutenção e 12 de estudo – de agosto a novembro

de 1966.

Concessão anual de 12 bolsas de manutenção (1 para cada regional) e 12 bolsas de

estudos (1 para cada regional), para um curso de 1 ano, durante o período de 4

anos, com a finalidade de formar os responsáveis e assessores dos departamentos

regionais e programas diocesanos a partir de 1967.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Vocações e Instituto Superior de

Pastoral Vocacional. (SNAV e ISPAV).

3.8. Responsáveis por seminários

Formação e atualização de reitores, prefeitos de estudos, diretores espirituais e

professores de Seminários. (Linha de trabalho n° 1, item B 6).

Sistemática, duração, prazo de realização:

2 cursos anuais, de 4 meses cada um, em São Leopoldo (Rio Grande do Sul) – início em

1966.

Concessão de 24 bolsas de manutenção (2 para cada regional) e 2 bolsas de estudos

(2 para cada regional) – durante o período de 5 anos.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Seminários. (SNASEM).

3.9. Equipes de assessoria para renovação pastoral

Preparação de equipes de assessoria para a renovação pastoral diocesana, que

permanecerão por 1 ou 2 anos nas dioceses que as solicitarem. (Linha de trabalho nº 1).

Sistemática, duração, prazo de realização:

5 cursos de 20 dias para 50 a 60 pessoas, – novembro de 1966 a 1967.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Apostolado Especial. (SNAPES).

91

3.10. Movimento infantoadolescente

Formação de responsáveis regionais capazes de lançar movimentos apostólicos infantoadolescentes,

que ajudem esses níveis de idade a se encaminharem normalmente para a

realização de sua vocação, como membros do povo de Deus. (Linha de trabalho n ° 1, item B

8).

Sistemática, duração, prazo de realização:

10 cursos para 40 a 50 pessoas, em diversas regiões, com duração de 10 dias – de 1967

a 1969.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Vocações. (SNAV).

3.11. Leigos

Aperfeiçoamento de leigos, em nível superior. (Linha de trabalho nº 1, item B, 14).

Sistemática, duração, prazo de realização:

Encontros nacionais, com participação dos diversos movimentos de apostolado dos

leigos – de 1966 a 1970.

Curso anual, com duração de 1 mês no (INALE) – de 1966 a 1970.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Apostolado dos Leigos. (SNALE).

3.12. Formação da opinião pública

Aproveitar os diversos meios de comunicação social para informar a opinião pública

sobre o Plano de Pastoral de Conjunto, e formá-la segundo a imagem de Igreja que ele

apresenta. Manter para isto algumas colunas em jornais, organizar programas semanais de

rádio e TV, em diversas regiões e em diversas dioceses de cada região.

Prazo de realização: de março de 1966 a dezembro de 1970.

Coordenação do projeto: Secretariado Nacional de Opinião Pública. (SNOP).

*

Maiores detalhes são apresentados nos quadros Resumo, que se encontram no fim desta

IIIª Parte.

PROGRAMA Nº 4

Montagem de novos serviços de assessoria

A função da CNBB é eminentemente uma função de serviço, no sentido de ajudar as

dioceses e os organismos de Igreja a realizarem sua missão.

Este Plano de Pastoral de Conjunto traça as diretrizes de renovação e prevê as atividades

da CNBB em nível nacional e até certo ponto em nível regional.

Sente-se, porém, a necessidade de prestar uma assessoria aos regionais e às dioceses

que solicitarem, no sentido de ajudá-los a planejarem sua renovação.

De outro lado, para que se possa acompanhar, avaliar e coordenar a ação pastoral é de

suma importância que se elabore e adote um sistema comum de planejamento pastoral.

92

A CNBB criará no secretariado geral um setor de assessoria ao planejamento pastoral e

formará, por indicação das regiões, os assessores em planejamento pastoral junto a cada

secretariado regional. Estes assessores estarão à disposição das dioceses que desejarem planejar sua

renovação e solicitarem assessoria.

Além de assessores em planejamento pastoral, é necessário que os secretariados regionais

disponham de grupos de assessores liberados ou semi-liberados, capazes de ajudar uma diocese,

que os solicita, a promover sua renovação, seja no conjunto da ação pastoral, seja nos diversos

setores especializados (catequese, liturgia, etc.). Além de leigos, estas equipes deverão ser

integradas por religiosos e religiosas. Este é um dos setores onde os religiosos podem prestar uma

grande colaboração e integrar-se eficazmente na pastoral de conjunto. Esta colaboração exige um

diálogo intenso e um acordo entre a comissão regional da CNBB e os superiores provinciais, de

modo que sejam formados os religiosos e religiosas capazes de assumir estas tarefas de assessoria

e sejam integrados por tempo determinado nos secretariados regionais e diocesanos e em outros

organismos de assessoria regional.

*

A questão dos bens eclesiásticos e dos sistemas de sustentação da Igreja assume hoje

um papel decisivo no conjunto da renovação pastoral e requer não só uma pesquisa e uma

reflexão, mas também uma assessoria capaz de ajudar a CNBB em nível nacional, os

secretariados regionais e as dioceses no planejamento destes bens e dos sistemas de

sustentação.

No mais breve espaço de tempo, e da maneira mais conveniente ao testemunho a ser

dado pela Igreja e à renovação de toda pastoral, dever-se-á chegar a um sistema que permita

à Igreja sua auto-sustentação, assumida responsavelmente por todos os seus membros.

Como o assunto é de natureza muito específica, será criado junto ao secretariado geral um

setor de assessoria ao planejamento de bens eclesiásticos ao lado do assessoria ao planejamento

pastoral.

*

Compreende-se, igualmente, a importância de a CNBB estar inteiramente ao corrente de

todos os assuntos, sobretudo de nível nacional, que interessem à vida e à ação da Igreja.

Em princípio, poder-se-ia confiar a cada secretariado nacional e aos demais organismos

ligados à CNBB que procurassem manter-se informados dentro do seu campo. Embora eles

devam em parte realizar esta tarefa, há questões que escapam aos secretariados e que às vezes

atingem o conjunto da vida da Igreja. Ganharíamos também em eficiência se houvesse uma

coordenação de todas estas informações.

O secretariado geral criará, pois, uma assessoria de informações capaz de manter

informado o episcopado e os diversos secretariados da CNBB (sobretudo no campo que lhes

é específico), sobre todas as questões que possam interessar à vida e à ação da Igreja.

*

Como conseqüência do programa de formação durante os anos de 1966-1967, deverse-

á montar o Instituto Nacional de Apostolado dos Leigos (INAL), o Instituto Superior de

Pastoral Vocacional (ISPAV) e o Instituto Superior de Pastoral Litúrgica (ISPAL).

Para uma maior divulgação de todos estes trabalhos de pesquisa e reflexão e para maior

eficiência de todo o programa de formação, será reestruturada, e reaparelhada a Livraria D.

Bosco Editora, para que possa servir melhor a estes objetivos.

Enumeramos em seguida os diversos projetos de montagem de novos Serviços:

93

4.1. Sistema de planejamento pastoral

Definição da sistemática de planejamento permanente da CNBB, seu sistema de controle

e avaliação, seu sistema de elaboração orçamentária e montagem do setor correspondente no

secretariado geral. Montagem de um serviço para atender às solicitações de assessoria de

planejamento de dioceses e regionais.

Coordenação do projeto: Secretariado Geral – Departamento do Pastoral.

4.2. Assessoria para planejamento de bens eclesiásticos

Montagem de um serviço para atender às solicitações de assessoria às dioceses para

organização e a gestão dos bens eclesiásticos.

Coordenação do projeto: Secretariado Geral – Departamento de Pastoral.

4.3. Assessoria de informações

Montagem de uma equipe de assessores e sistema de documentação para prestar as

informações sobre a conjuntura brasileira à CNBB, bem como acompanhar o andamento dos

assuntos de interesse da Igreja.

Coordenação do projeto: Secretariado Geral – Departamento de Pastoral.

4.4. Montagem do ISPAL, ISPAV e INAL

Existe em funcionamento o ISPAC. Em 1966 serão montados, em conjunto com o

ISPAC, os outros três Institutos: ISPAL, ISPAV e INAL. Funcionarão possivelmente no mesmo

edifício e com uma certa organização comum. Terão algumas matérias básicas em comum

para os quatro, e outras matérias em separado conforme o objetivo específico de cada um.

Seu objetivo é formar pessoal especializado de nível superior nestes vários setores de ação da

Igreja.

Coordenação do projeto: Secretariado Geral – SNAL, SNAC, SNAV, SNALE.

4.5. Reestruturação da Livraria D. Basco Editora

Constituição de um fundo de publicação e ampliação dos serviços de venda e

divulgação de livros da Livraria D. Basco Editora.

Coordenação do projeto: Secretariado Geral.

*

Maiores detalhes serão apresentados nos quadros-resumo, que se encontram no fim

desta III Parte.

94

PROGRAMA 1 – LEVANTAMENTOS E PESQUlSAS

QUADRO – RESUMO

Nº Projeto Responsáv

el

Datas e Prazos Util. dos resultados Observações

Pesquisas por

amostragem, nas mesmas

áreas

1.1 Clero, religiosos e leigos CERIS Jul. 1966 a jul. 1967 Projetos: 2.2; 2.3; 2.4

1.2 Estruturas da Igreja CERIS Jul. 1966 a jul. 1967 Projetos: 2.1

1.3 Motivação Religiosa CERIS Jul. 1966 a jul. 1967 Projetos: 2.8; 2.9; 2.10;

2.17; 2.18; 2.13; 2.16; 2.19

Conclusões sobre: Laicato e

ministério hierárquico –

janeiro 1967; Esstruturas da

Igreja – agosto 1967;

Religiosos – janeiro 1968.

1.4 Categorias mentais e anúncio

da Palavra

CERIS Ago. 1968 a Ago. 1969 Projetos: 2.8; 2.9; 3.10;

2.18; 2.13; 2.16; 2.19

1.5 Situação atual do anúncio

missionário

CERIS Ago. 1967 a Ago. 1969 Projetos: 2.8; 2.17; 2.18;

2.13; 2.16; 2.19

Juventude e famílias –

agosto 1968; Santuários,

Presença no mundo e

conclusões finais – agosto

1969.

1.6 Situação atual da pastoral

litúrgica

CERIS Mar. 1966 a Fev. 1968 Projetos: 2.10; 2.17; 2.18;

2.13; 2.16; 2.19

O CERIS já conta com Cr$

5.000.000,00 de

financiamento.

1.7 Situação atual da catequese CERIS Mar. 1966 a Out. 1968 Projetos: 2.9; 2.13; 2.16;

2.17; 2.18; 2.19

Por conta dos recursos do

CERIS.

1.8 Igreja e família CERIS Ago. 1967 a Dez. 1968 Projetos: 2.12; 2.13

1.9 Igreja e educação CERIS Jul. 1967 a Jul. 1968 Projetos: 2.13; 2.14; 2.15;

2.18

Pesquisas por observação

direta

1.10 Igreja e opinião pública CERIS 1ª parte: (Levantamento Projetos: 2.15 1ª Parte por conta dos

95

quantitativo) abr. a

dez.1966

2ª parte: (Análise

qualitativa) jul. 1968 a jul.

1969.

recursos do CERIS.

1.11 Bens eclesiásticos CERIS Mar. a Nov. 1966 Projeto: 2.7

1.12 Migrações e estações CERIS Mai. 1966 a Mai. 1967 Projeto: 2.16

1.13 Locais de turismo CERIS Out. 1967 a Out. 1968 Projeto: 2.13; 2.18

Estudos interpretativos

1.14 História religiosa CERIS Fev. 1966 a Dez. 1969 Projeto: 2.2; 2.3; 2.4; 2.1;

2.8; 2.9; 2.10; 2.11; 2.17;

2.18; 2.13

Conclusões sobre: Laicato e

ministério hierárquico – jan.

1967

Estruturas da Igreja – ago.

1967

Religiosos – jan. 1968

Juventude e família – ago.

1969

Santuários, presença no

Mundo, evangelização e liturgia

– ago. 1969.

1.15 Ciências sagradas CERIS Fev. 1967 a Fev. 1968 Projeto: 2.9 Igreja como comunidade,

catequese e ecumenismo – dez.

1969

1.16 Expressões religiosas CERIS Ago. 1967 a Ago. 1968 Projeto: 2.10

1.17 Igreja e ecumenismo CERIS 1ª parte: mar. a jul.

1966

2ª parte: jul. 1966 a dez.

1969

1ª Parte – Levantamento

2ª Parte – Observação direta

e diálogo com grupos

1.18 Igreja e desenvolvimento CERIS Fev. 1966 a Out. 1967 Projeto: 2.12

1.19 Elementos sócio-econômicoculturais

CERIS Jul. 1966 a dez. 1969 Projetos: 2.8; 2.9; 2.10;

2.17; 2.18; 2.13; 2.16

Conclusões sobre: Lacaito e

ministério hierárquico – jan.

1967

96

Estruturas da Igreja – ago.

1967

Religiosos – jan. 1968

Juventude e família – ago.

1968

Santuários, presença no

Mundo, evangelização e liturgia

– ago. 1969

Igreja como comunidade,

catequese e ecumenismo,

conclusões finais – dez. 1969.

Legenda: CERIS: Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais.

PROGRAMA 2 – REFLEXÃO E ELABORAÇÃO TEOLÓGICO-PASTORAL

QUADRO – RESUMO

Nº Projeto Responsável Datas e Prazos Material Básico

2.1 Ministério da Igreja e sua

realidade visível

Secret. Geral

Dep. Pastoral

Estudos por peritos: jun. 1967 a fev. 1969

Encontro nacional – fev. 1969

Pesquisa: 1.2;1.14

2.2 Missão do ministério

hierárquico

SNAMHI Peritos: jan. a jul. 1967

Sem. Nacional – jul. 1967

Pesquisa: 1.1;1.14

2.3 Missão dos religiosos Secret. Geral,

Dep. Pastoral

Peritos: jan. a jul. 1968;

Sem. Nacional – jul. 1968

Pesquisa: 1.14;1.1

2.4 Missão dos Leigos SNALE Peritos: jan. a jul. 1967;

Sem. Nacional – jul. 1967

Pesquisa: 1.14;1.1

2.5 Teologia da vocação SNAV Peritos: jan. a ago. de 1966;

Sem. Nacional – ago. 1966.

Pesquisa já realizadas

2.6 Seminários SNASEM Encontros Regionais – jan. 1966

Peritos: jan. a jul. 1966;

Sem. Nacional – jul. 1966.

Pesquisa já realizadas

2.7 Sistemas de sustentação Secret. Geral Peritos: out. 1966 a fev. 1967 Pesquisas: 1.11

97

Dep. Pastoral Sem. Nacional – fev. 1967

2.8 Evangelização Secret. Geral

Dep. Pastoral

Encontro nacional: fev. 1966

Peritos: fev. 1966 a fev. 1970

Sem. Nacional: jul. 1970

Pesquisas:

1.3;1.4;1.5;1.14;1.19

2.9 Renovação catequética SNAC Peritos: fev. a jul. 1968

Encontro nacional: jul. 1968

Peritos: jul. de 1968 a jul. de 1970

Sem. Nacional: jul. 1970

Pesquisas:

1.3;1.4;1.7;1.14;1.15;1.19.

2.10 Pastoral litúrgica SNAL Peritos: meses anteriores aos enc.

Seminários nacionais

Penitência – jun. 1966

Matrimônio – jun. 1967

Dia do Senhor – jun. 1968

Ano litúrgico – jun. 1969

Liturgia e aculturação – jun. 1969

Música sacra e Arte sacra – encontro paralelos

aos acima.

Pesquisas:

1.3;1.4;1.6;1.14;1.16;1.19.

2.11 Ecumenismo SNAT Sem. Nacional –jul. 1966

Peritos: dez. 1969 a jul. 1970

Sem. Nacional – jul. 1970

Pesquisas: 1.14;1.17

2.12 Presença no desenvolvimento SNAS Sem. Nacional – mar. 1966

Sem. Diocesano e regionais – mar. 1966 a fev.

1968

Semana nacional – fev. 1968

2.13 Presença na família SNAS e SNALE Sem. Nacional – fev. 1968

Sem. Diocesanos e regionais – fev. 1968 a jul.

1969

Semana nacional – jul. 1969

Pesquisas:

1.3;1.4;1.5;1.6;1.7;1.8;1.9;1.

13;1.14;1.19.

2.14 Cultura SNED Sem. Nacional – fev. 1968

Grupos regionais – fev. 1968 a jul. 1969.

Pesquisa: 1.9

2.15 Sócio-econômico-poltico SNAS Sem. Nacional – fev. 1968

Grupos regionais – fev. 1968 a julho 1969

98

2.16 Deslocamento e estações SNAPES Sem. Nacional – mai. 1966 a set. 1967 Pesquisas:

1.3;1.4;1.5;1.6;1.7;1.12;1.19

.

2.17 Santuários SNAPES Peritos: ago. 1969 a mai. 1970

Sem. Nacional – mai. 1970

Pesquisas:

1.3;1.5;1.6;1.7;1.14;1.19

2.18 Juventude SNALE Peritos: ago. 1968 a jan. 1969

Sem. Nacional – jan. 1969

Pesquisas:

1.3;1.4;1.5;1.6;1.7;1.9;1.13;

1.14;1.19.

2.19 Espiritualidade SNAPES Peritos: fev. 1967 a jun. 1967

Sem. Nacional – jun. 1967

Peritos: jul. 1967 a jun. 1970

Sem. Nacional – jun. 1970.

Pesquisas:

1.3;1.7;1.5;1.6;1.4.

Legenda: SNAMHI: Secretaria Nacional do Ministério Hierárquico

SNALE: Secretaria Nacional do Apostolado Leigos

SNAV: Secretaria Nacional de Vocações

SNASEM: Secretaria Nacional de Seminários

SNAC: Secretaria Nacional de Catequese

SNAL: Secretaria Nacional de Liturgia

SNAT: Secretaria Nacional de Teologia

SNAS: Secretaria Nacional de Ação Social

SNED: Secretaria Nacional de Educação

99

PROGRAMA 3 – FORMAÇÃO E ATUALIZAÇÃO

QUADRO – RESUMO

Nº Projeto Responsáv

el

Sistemática e

duração

Nº de

participant

es

Datas e

prazos

Destinação

dos recursos

Observações

3.1 Ministério sacerdotal SNAMHI 12 cursos regionais de

10 dias cada um

(preparação de

responsáveis por casos

regionais de

aprofundamento de 1

mês) Encontro

nacional de revisão.

15-20 1º semestre

1966

Jan. 1968

Realização dos

12 cursos e do

Encontro

nacional

Os cursos

diocesanos e

regionais farão

parte dos planos

dos secretariados

regionais.

3.2 Ação missionária e

catequética

SNAC

ISPAC

Participação nos cursos

permanentes do

Instituto de Pastoral

Catequética.

8 cursos regionais de

20 dias cada um.

50

A partir de

janeiro de 1966.

4 cursos no 1º

semestre 1966 e

4 no 1º

semestre 1967.

12 bolsas de

manutenção e

12 de estudos,

por ano, para os

cursos

permanentes.

1 bolsa de

manutenção e 1 de

estudos por

regional.

3.3 Liturgia SNAL

ISPAL

Participação nos cursos

do ISPAL:

– curso de 1 mês

– curso de 4 meses

– curso de 1 ano

– Jan. 1966

Ago. a nov.

1966

A partir de mar.

1967.

12 bolsas de

manutenção e

12 de estudos,

por ano, para os

cursos

permanentes.

1 bolsa de

manutenção e 1 de

estudos por

regional.

3.4 Ação ecumênica SNAT Curso de 10 dias no 40-50 Curso: jan. Realização do

100

Rio. Bolsas de estudo

no exterior.

1967; Bolsas – a

partir de 1967.

curso e 4 bolsas

de 6 meses, 1

por ano

3.5 Promoção social SNAS Curso de 10 dias no

Rio

40-50 Set. 1966 Realização do

curso.

3.6 Diaconato SNAMHI Curso de 20 dias no

Rio

30-40 Jul. 1966 Realização do

curso.

3.7 Vocações SNAV

ISPAV

Participação nos cursos

permanentes do

ISPAV: – Curso de 4

meses; – Curso de 1

ano.

– Ago. a nov.

1966

A partir de mar.

1967.

1 bolsa de

manutenção e 1 de

estudos por

regional.

3.8 Responsável por

seminários

SNASEM Participação nos cursos

permanentes de São

Leopoldo

(duração- 4 meses)

– A partir de 1966 24 bolsas de

manutenção e

24 estudos, por

ano, para dos

cursos

permanentes.

2 bolsas de

manutenção e 2 de

estudo por

regional.

3.9 Equipes de

assessoria

SNAPES 5 cursos regionais de

20 dias cada um

50 2º semestre de

cada ano. A

partir de 1966

Realização dos

cursos

3.10 Movimento infantoadolescente

SNAV 10 cursos regionais de

10 dias cada um

30 3 cursos em

1967

3 cursos em

1968

4 cursos em

1969

Realização dos

cursos

3.11 Leigos SNALE Encontros nacionais

Cursos nacionais de 30

dias cada um

60

40

Janeiro de cada

ano 2º semestre

de cada ano.

Realização dos

encontros e

cursos

Legenda: SNAMHI: Secretaria Nacional do Ministério Hierárquico

101

SNAS: Secretaria Nacional de Ação Social

SNAC: Secretaria Nacional de Catequese

SNAPES: Secretaria Nacional de Pastoral Especial

SNAL: Secretaria Nacional de Liturgia

SNALE: Secretaria Nacional do Apostolado dos Leigos

SNAT: Secretaria Nacional de Teologia

SNASEM: Secretaria Nacional de Seminários

ISPAC: Instituto Superior de Pastoral Catequética

ISPAL: Instituto Superior de Pastoral Litúrgica

SNAV: Secretaria Nacional de Vocações

ISPAV: Instituto Superior de Pastoral Vocacional

102

PROGRAMA 4 – MONTAGEM DE NOVOS SERVIÇOS

QUADRO – RESUMO

Nº Projeto Responsáv

el

Sistemática e datas Destinação dos

recursos

Observações

4.1 Sistema de planejamento

pastoral

Secr. Geral Elaboração da sistemática –

janeiro a maio de 1966

Curso nacional de 2 semanas

em maio de 1966.

Elaboração

Realização do curso

O curso se destina a

preparar os responsáveis

pelas assessorias regionais.

4.2 Assessoria para

planejamento de bens

eclesiásticos.

Secr. Geral Encontro nacional de pastores

e peritos em abril 1966.

Acompanhamento de

experiências no ano de 1966.

Realização do encontro e

despesas de

acampamento.

4.3 Assessoria de informações Secr. Geral Montagem de um Centro de

Documentação a partir de jan.

1966.

Aquisição de material e

despesas de coordenação.

4.4 Montagem do ISPAL,

ISPAV e INAL

Secr. Geral

SNAL,

SNAC,

SANV e

SNALE

Englobado no Projeto 4.5

4.5 Reestruturação da

Livraria D. Bosco Editora

Livraria D.

Bosco

Constituição de um fundo de

publicação e ampliação do

serviço de venda e

divulgação.

Constituição do fundo e

ampliação.

103

DADOS ESTATÍSTICOS SOBRE A IGREJA NO BRASIL

BRASIL

Especificação Dados numéricos

Área (km2) 8.511.965

População 82.222.000

Circunscrições Eclesiásticas 182

Paróquias: (1964) – total 4.604

Providas pelo clero Secular 2.396

Providas pelo clero Religioso 1.332

Anexas ou vagas 524

Prelados 228

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 454.265

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 46.769

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 1.848

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 17.658

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 7.019

REGIONAL NORTE

(Rondônia – Acre – Amazonas – Roraima – Pará – Amapá)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 3.492.727 41

População 3.058.000 3

Circunscrições Eclesiásticas 25 15

Paróquias: (1964) – total 173 4

Providas pelo clero Secular 25 2

Providas pelo clero Religioso 122 9

Anexas ou vagas 17 4

Prelados 29 13

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 122.320

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………. 139.690

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 20.186

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 17.676

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 6.633

REGIONAL NORDESTE I

(Maranhão – Piauí – Ceará)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

104

Brasil

Área (km2) 730.277 9

População 8.153.000 10

Circunscrições Eclesiásticas 19 10

Paróquias: (1964) – total 304 7

Providas pelo clero Secular . 183 7

Providas pelo clero Religioso 47 4

Anexas ou vagas 18 3

Prelados 21 9

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 429.105

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 38.433

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 2.402

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 26.819

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………. 10.727

REGIONAL NORDESTE II

(Rio Grande do Norte – Paraíba – Pernambuco – Alagoas)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 25.425 3

População 9.331.000 11

Circunscrições Eclesiásticas 19 10

Paróquias: (1964) – total 390 8

Providas pelo clero Secular 232 9

Providas pelo clero Religioso 60 5

Anexas ou vagas 28 5

Prelados 21 9

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 491.105

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 12.390

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 603

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 23.925

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………. 10.310

REGIONAL NORDESTE III

(Sergipe – Bahia)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 583.020 7

População 7.438.000 9

Circunscrições Eclesiásticas 15 8

Paróquias: (1964) – total 334 7

Providas pelo clero Secular 149 6

105

Providas pelo clero Religioso 54 4

Anexas ou vagas 119 23

Prelados 17 7

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 495.866

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 38.868

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 1.745

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 22.269

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………. 14.876

REGIONAL LESTE I

(Rio de Janeiro – Guanabara)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 50.082 1

População 8.102.000 9

Circunscrições Eclesiásticas 10 6

Paróquias: (1964) – total 365 8

Providas pelo clero Secular 200 9

Providas pelo clero Religioso 125 8

Anexas ou vagas 40 8

Prelados 22 9

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 810.200

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………….. 5.008

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 137

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 22.197

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 6.476

REGIONAL LESTE II

(Minas Gerais – Espírito Santo)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 632.769 7

População 12.917.000 16

Circunscrições Eclesiásticas 26 14

Paróquias: (1964) – total 938 20

Providas pelo clero Secular 543 23

Providas pelo clero Religioso 177 13

Anexas ou vagas 162 31

Prelados 31 14

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 496.807

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 24.337

106

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 674

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 13.770

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 6.429

REGIONAL SUL I

(São Paulo)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 247.898 3

População 15.326.000 19

Circunscrições Eclesiásticas 23 13

Paróquias: (1964) – total 927 20

Providas pelo clero Secular 461 19

Providas pelo clero Religioso 231 17

Anexas ou vagas 94 18

Prelados 33 15

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 666.347

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 10.778

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 267

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 16.532

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 5.840

REGIONAL SUL II

(Paraná)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 199.554 2

População 6.024.000 7

Circunscrições Eclesiásticas 10 6

Paróquias: (1964) – total 290 6

Providas pelo clero Secular 109 4

Providas pelo clero Religioso 169 13

Anexas ou vagas 12 2

Prelados 14 6

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 602.240

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 19.955

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 688

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 20.772

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 8.064

107

REGIONAL SUL III

(Santa Catarina – Rio Grande do Sul)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 378.169 4

População 8.684.000 11

Circunscrições Eclesiásticas 16 8

Paróquias: (1964) – total 686 15

Providas pelo clero Secular 444 19

Providas pelo clero Religioso 232 17

Anexas ou vagas 10 2

Prelados 20 9

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 542.750

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 23.635

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 551

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 12.658

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 4.455

REGIONAL EXTREMO-OESTE

(Mato Grosso – Rondônia (G. Mirim)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

Brasil

Área (km2) 1.320.457 15

População 1.189.000 1

Circunscrições Eclesiásticas 9 5

Paróquias: (1964) – total 75 2

Providas pelo clero Secular 9 1

Providas pelo clero Religioso 54 4

Anexas ou vagas 12 2

Prelados 10 4

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 132.111

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………. 146.717

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 17.606

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 15.853

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 5.857

REGIONAL CENTRO-OESTE

(Goiás)

Especificação Nº Absoluto % sobre o total do

108

Brasil

Área (km2) 642 092 8

População 2 452 000 3

Circunscrições Eclesiásticas 9 5

Paróquias: (1964) – total 122 3

Providas pelo clero Secular 41 1

Providas pelo clero Religioso 61 5

Anexas ou vagas 12 2

Prelados 10 4

Habitantes por Circunscrição Eclesiástica …………………………………………………………… 272.444

Área por Circunscrição Eclesiástica ……………………………………………………………………… 71.343

Área por paróquia ……………………………………………………………………………………………………… 5.263

Habitantes por paróquia ……………………………………………………………………………………. 20.098

Habitantes para 1 sacerdote ………………………………………………………………………………… 9.887

109

110

Estatutos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

TÍTULO I – DA FINALIDADE E DOS MEMBROS

Art. 1º – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a organização instituída

pela Hierarquia Eclesiástica do Brasil, e aprovada pela Santa Sé, tendo como finalidade:

  1. a) estudar problemas de interesse da Igreja, particularmente no Brasil;
  2. b) apresentar normas, aprovar e coordenar medidas, que facilitem e promovam a

unidade de orientação e a conveniente atualização da pastoral.

Art. 2º – São membros da CNBB, com iguais direitos, os Ordinários de lugar de

qualquer rito (exceto os Vigários Gerais), os Coadjutores, Auxiliares e outros Bispos Titulares

em comunhão com a Santa Sé, que tenham residência canônica no Brasil.

  • único – O Núncio Apostólico será convidado a comparecer às reuniões da Assembléia

Geral.

TITULO II – DOS ÓRGÃOS CONSTITUTIVOS

Art. 3º – A Conferência exerce suas atividades por meio dos órgãos constitutivos

seguintes:

  1. a) Assembléia Geral
  2. b) Comissão Central
  3. c) Secretariado Geral

111

  1. d) Secretariados Nacionais
  2. e) Comissões Regionais
  3. f) Secretariados Regionais
  4. g) Comissões Episcopais
  5. h) Instituições por ela criadas

Capitulo Primeiro: Da Assembléia Geral

Art. 4º – A Assembléia Geral é o órgão supremo da CNBB.

  • único – A presidência e a direção da Assembléia Geral são exercidas pela Comissão

Central.

Art. 5º – A Assembléia Gera1 se reunirá, ordinariamente, de dois em dois anos, e

extraordinariamente, quando for requerida por 2/3 de seus membros ou da Comissão Central.

  • 1º – Os membros impedidos de comparecer podem, por escrito, enviar seus votos e

sugestões, ou designar, com especificação de poderes, outro membro que fale e vote em seu

nome.

  • 2º – Reunida a Assembléia, se não estiverem presentes ou representados ao menos 2/3

de seus membros, retardar-se-á, de um dia, o início dos trabalhos, podendo, então, a

Assembléia funcionar com o mínimo de 1/3.

  • 3º – Os peritos e técnicos, convidados a assessorar os trabalhos da Assembléia, só

poderão manifestar-se quando solicitados.

Art. 6º – Para que uma resolução ou proposição se tenha adotada pela Assembléia,

exige-se, em votação secreta, o sufrágio de pelo menos 2/3 dos membros presentes ou

representados.

  • 1º – Nos casos considerados mais simples, poderá a Assembléia, por maioria de 2/3,

dispensar a votação secreta, se não a exigir o direito comum.

  • 2º – Salvo nos casos previstos pelas Constituições e Decretos Conciliares ou Atos da

Santa Sé, as deliberações não terão força de lei, mas de orientação e coordenação pastoral,

de acordo com as finalidades estabelecidas no Artigo 1º.

  • 3º – Em virtude do bem comum e da unidade, procurem os Prelados executar em suas

Circunscrições Eclesiásticas o que for deliberado pela Assembléia Geral, e abstenham-se, em

todo o caso, de pronunciamentos públicos contra o estabelecido.

Art. 7º – As atas da Assembléia Geral, devidamente aprovadas, serão remetidas à Santa

Sé.

Art. 8º – As decisões, declarações e documentos da Assembléia Geral serão publicados,

ou pelo menos, registrados no órgão oficial da Conferência.

  • 1º- As resoluções que dependem de aprovação pontifícia somente serão consideradas

definitivas e tornadas públicas depois de confirmadas pela Santa Sé.

  • 2º – De ordinário, ao decisões, declarações e documentos serão comunicados aos

membros ausentes, antes de sua publicação.

Art. 9º – É de exclusiva competência da Assembléia Geral:

  1. a) examinar e aprovar a agenda dos trabalhos, para os quais se reúne;
  2. b) aprovar e modificar os estatutos de seus órgãos constitutivos;

112

  1. c) eleger o Presidente, o 1º e 2º Vice-Presidentes da Comissão Central, bem como o

Secretário Geral e os Secretários Nacionais;

  1. d) aprovar o plano nacional de ação do Episcopado e apreciar-lhe a execução;
  2. e) criar, dividir ou assumir os Secretariados Nacionais e Regionais;
  3. f) nomear Comissões Episcopais, para atender a exigências da Santa Sé e à solução de

problemas de interesse da Igreja no Brasil;

  1. g) aprovar a prestação de contas, nos termos do Art. 19, letra f;
  2. h) dispensar, em casos especiais, de exigências estatutárias ou não, em assuntos de

caráter interno.

Capítulo Segundo: Da Comissão Central

Art. 10 – A Comissão Central é o órgão diretor da CNBB, dependente da Assembléia

Geral, cujas resoluções deve cuidar sejam executadas.

Art. 11 – Constituem a Comissão Central:

  1. a) como membros natos, os Cardeais do Brasil e o Titular da Arquidiocese na Capital

Federal;

  1. b) o Presidente e os Vice-Presidentes;
  2. c) o Secretário Geral;
  3. d) o Tesoureiro Geral;
  4. e) os Secretários Nacionais;
  5. f) os Secretários Regionais.

Art. 12 – A Comissão Central compete:

  1. a) aprovar seu Regimento Interno, o dos Secretariados Nacionais e do Departamento

de Finanças;

  1. b) planejar uma ação concorde e atualizada do Episcopado. nos assuntos de interesse

comum, para aprovação da Assembléia Geral;

  1. c) promover os estudos necessários ao referido planejamento e orientar-lhe as medidas

executivas;

  1. d) escolher data, local, temário e ordem dos trabalhos da Assembléia Geral;
  2. e) constituir quando necessário equipes de estudos e ad referendum da Assembléia

Geral, Comissões Episcopais para atender a problemas de interesse da Igreja no

Brasil;

  1. f) convocar Assembléia Geral extraordinária;
  2. g) tomar as devidas providências para a publicação das resoluções e documentos

aprovados pela Assembléia Geral;

  1. h) sob sua responsabilidade e ad referendum da Assembléia Geral, fazei

pronunciamento ou tomar medidas urgentes, quando não houver tempo de solicitar

aprovação dos membros da Conferência;

  1. i) adotar medidas adequadas para o fiel desempenho de todos os órgãos da CNBB;
  2. j) aprovar os nomes indicados para Sub-Secretários Gerais e Nacionais, bem como

assessores oficiais da CNBB;

  1. k) aprovar normas de funcionamento para os Secretariados Nacionais .

Art. 13 – A Comissão Central reunir-se-á, ordinariamente, duas vezes por ano, em local

e data que o Presidente considere oportuno.

113

  • único – Extraordinariamente, reunir-se-á a Comissão Central a Critério do Presidente,

ou quando a convocação for requerida pelo mínimo de 1/3 de seus membros.

Art. 14 – A Comissão Central só poderá deliberar com ao menos 2/3 de seus membros

presentes ou representados.

  • 1º – As deliberações serão tomadas por simples maioria, a não ser que ao menos 2

(dois) membros requeiram quorum especial.

  • 2º – As votações serão secretas, salvo requerimento nos termos do § anterior.
  • 3º – Cada membro da Comissão Central tem direito apenas a um voto, ainda que

acumule mais de um cargo segundo a norma do canon 164.

Art. 15 – Ao Presidente da Comissão Central compete:

  1. a) exercer as atribuições da Comissão Central, que a mesma não se reservar;
  2. b) convocar as reuniões ordinárias da Assembléia Geral e todas as reuniões da

Comissão Central;

  1. c) presidir às reuniões da Assembléia Geral e da Comissão Central;
  2. d) remeter à Santa Sé as atas da Assembléia Geral, assim como as resoluções que

necessitem de aprovação pontifícia;

  1. e) decidir, ad referendum da Comissão Central, os assuntos que por sua urgência não

possam esperar solução;

  1. f) acompanhar e orientar as atividades dos Secretariados Geral e Nacionais, assim

como das Comissões Regionais, dentro das normas estatutárias e deliberações da

Assembléia Geral;

  1. g) representar a Assembléia Geral é a Comissão Central, inclusive para efeitos legais,

podendo estabelecer quando necessário;

  1. h) aprovar as indicações dos assessores para cada Secretariado;
  2. i) indicar à Comissão Central, para a devida aprovação, os assessores oficiais da

CNBB.

Art. 16 – Os Vice-Presidentes participarão das responsabilidades do presidente e o

substituirão nos impedimentos.

Art. 17 – O Secretário Geral da Conferência, mediante consentimento do Santo Padre,

ficará liberado de qualquer outro munus, como de Bispo Diocesano ou Auxiliar, e a serviço do

Episcopado brasileiro.

  • único – Os Sub-Secretários Gerais, que podem não ser Bispos, auxiliarão o Secretário

Geral e exercerão as funções que o mesmo determinar e, se necessário, em regime de tempo

integral.

Art. 18 – Compete ao Secretário Geral:

  1. a) cuidar do perfeito funcionamento do Secretariado Geral;
  2. b) organizar, supervisionar e coordenar todos os Departamentos e Serviços do

Secretariado Geral;

  1. c) facilitar a coordenação de todas as atividades da CNBB, de modo a estimular e

concretizar um trabalho orgânico e permanente;

  1. d) promover a execução das resoluções da Assembléia Geral e da Comissão Central;
  2. e) manter relações com as Conferências Episcopais, especialmente com o Conselho

Episcopal Latino-Americano (CELAM) ;

114

  1. f) promover a coordenação das atividades da CNBB com a Conferência dos Religiosos

do Brasil (CRB) ;

  1. g) manter a Conferência principalmente através de seus órgãos constitutivos, informada

de experiências e iniciativas pastorais da Igreja no mundo, de modo a possibilitar o

seu aproveitamento;

  1. h) estar ao corrente das disposições civis em matéria eclesiástica, particularmente no

Brasil, providenciar o estudo das questões relativas a tais assuntos, para oportunas

informações ao Episcopado;

  1. i) cuidar da Secretaria da Assembléia Geral e da Comissão Central, e preparar

adequadamente suas reuniões;

  1. j) cooperar na organização e funcionamento dos Secretariados Nacionais e Regionais,

de acordo com as normas aprovadas pela Comissão Central;

  1. k) indicar os respectivos Sub-Secretários à Comissão Central para a devida aprovação;
  2. l) publicar o órgão oficial da CNBB.

Art. 19 – Ao Tesoureiro Geral compete:

  1. a) organizar e manter, em perfeito funcionamento, o Departamento de Finanças, com

pessoal próprio e especializado, segundo as normas do Regimento Interno,

aprovado pela Comissão Central;

  1. b) responsabilizar-se pela guarda dos bens e valores da Conferência, sua administração

ordinária e conveniente aplicação;

  1. c) elaborar e submeter, cada ano, à Comissão Central a proposta orçamentária e zelar

pela execução do orçamento aprovado;

  1. d) fixar, com aprovação da Presidência, os níveis salariais do pessoal a serviço da

CNBB e efetuar todos os pagamentos devidos;

  1. e) assinar cheques e contratos que envolvam compromissos financeiros e autorizar

despesas extraordinárias, dentro dos limites fixados pela Comissão Central;

  1. f) prestar contas de sua gestão, anualmente, à Comissão Central e, de dois em dois

anos à Assembléia Geral;

  1. g) substituirá o Tesoureiro nos impedimentos o Secretário Geral da CNBB, com os

mesmos direitos e deveres.

Art. 20 – Os Secretários Nacionais, em harmonia com o Secretário Geral, respondem

perante a Assembléia por setores de especial interesse da vida e da ação da Igreja.

  • único – Quando a Assembléia Geral julgar conveniente poderá pedir ao Santo Padre a

liberação de Secretários Nacionais, nos termos estabelecidos para o Secretário Geral.

Art. 21 – Compete aos Secretários Nacionais:

  1. a) organizar, orientar e dirigir o respectivo Secretariado, de acordo com as normas

aprovadas pela Comissão Central;

  1. b) indicar subsecretário à Comissão Central e assessores ao Presidente para a devida

aprovação;

  1. c) apresentar relatórios à Assembléia Geral.
  • único – Aplica-se aos Sub-Secretários Nacionais o disposto no art. 17 § único.

Capítulo Terceiro: Das Comissões e Secretariados Regionais

115

Art. 22 – As Comissões Regionais são órgãos de planejamentos de orientação da

pastoral de conjunto no âmbito da região, em consonância com as diretrizes do plano

nacional.’

Art. 23 – A Comissão Regional é constituída por todos os membros da CNBB

pertencentes à região.

Art. 24 – Compete às Comissões Regionais:

  1. a) aprovar seu regimento interno;
  2. b) estabelecer suas linhas de funcionamento, de acordo com as normas da Comissão

Central;

  1. c) estudar e equacionar os problemas próprios da região;
  2. d) aprovar planos de ação de âmbito regional e orientar sua execução;
  3. e) fornecer os elementos requeridos pela Comissão Central para o cumprimento do art.

12, letras b e c;

  1. f) requerer dos órgãos nacionais as medidas e os meios indispensáveis às suas

atividades;

  1. g) decidir, por maioria de votos, sobre a sede do Secretariado Regional ou sua

transferência;

  1. h) eleger o Prelado Secretário Regional que dirigirá os trabalhos da Comissão;
  2. i) confiar, se oportuno, a Prelados da Região, setores ou tarefas especiais de ação da

Igreja;

  1. j) colaborar para a criação de Secretariados Diocesanos em consonância com os

Secretariados Nacionais e Regionais;

  1. k) estudar questões atinentes a limites e à criação de novas Circunscrições Eclesiásticas

na região, e apresentar, através da Presidência da Comissão Central, seu parecer e

votos à Santa Sé.

Art. 25 – Para que uma resolução ou proposição seja adotada pelas Comissões

Regionais, exige-se o previsto no artigo 6.

  • único – As resoluções e documentos das Comissões Regionais serão comunicados à

Comissão Central.

Art. 26 – Os Secretários Regionais velem pela aplicação do plano nacional nas

respectivas regiões, e procurem coordenar a pastoral de conjunto.

Art. 27 – Compete aos Secretários Regionais, consultados os Bispos por meio dos

Metropolitas:

  1. a) organizar, orientar e dirigir os Secretariados Regionais de modo a poderem

colaborar com as Circunscrições Eclesiásticas na aplicação das diretrizes e decisões

da Assembléia Geral, Comissão Central e Comissões Regionais;

  1. b) manter-se em articulação com o Secretário Geral e os Secretários Nacionais, para o

devido funcionamento, na região, de todos os setores de atividades da CNBB;

  1. c) apresentar relatórios à Assembléia Geral;
  2. d) indicar à Comissão Regional Sub-Secretários pesa a devida aprovação.

TÍTULO III – DAS ELEIÇÕES

116

Art. 28 – Salvo os membros natos, todos os componentes da Comissão Central são

eleitos por mandato de quatro anos, com possibilidade de reeleição.

Art. 29 – As eleições de competência da Assembléia Geral serão feitas em votações

sucessivas, separadas e secretas, por maioria de 2/3, para Presidente e Secretário Geral, e por

maioria absoluta para os demais cargos, não se computando os votos nulos.

  • 1º – Para facilitar a escolha dos candidatos, nada impede que a Comissão Central e as

Comissões Regionais submetam à Assembléia Geral nomes ou chapas, para os diversos

cargos, salvo o direito de a Assembléia sufragar nomes não sugeridos.

  • 2º – Nos casos em que se exige a maioria de 2/3, se esta não for obtida em dois

escrutínios, prevalecerá o critério da maioria absoluta para os demais escrutínios.

  • 3º- Em caso de empate em três escrutínios sucessivos, prevalecerá o critério da

precedência canônica.

Art. 30 – Tornando-se vago, por qualquer motivo, algum dos cargos de eleição para a

Assembléia Gera1 pode a Comissão Central eleger, de acordo com as normas estabelecidas

no artigo 29, substituto interino, até que se realize a mais próxima Assembléia.

Art. 31 – Os mandatos de todos os cargos da CNBB terminarão ao serem efetuadas as

novas eleições gerais, qualquer que tenha sido o tempo de exercício.

Art. 32 – A eleição do Secretário Regional será secreta e por maioria absoluta, pela

Comissão Regional.

TÍTULO IV – DA MANUTENÇÃO DOS SERVIÇOS

Art. 33 – Os Serviços nacionais da CNBB serão mantidos:

  1. a) pela contribuição mensal das Circunscrições Eclesiásticas;
  2. b) pela cooperação financeira dos Santuários;
  3. c) por doações e legados;
  4. d) por eventuais receitas.
  • único – No fim de cada período a Comissão Central apresentará se necessário, para

aprovação da Assembléia, o quantum das contribuições dos Santuários e Circunscrições

Eclesiásticas, a vigorar no período seguinte.

Art. 34 – Compete ao Departamento de Finanças coordenar as receitas e despesas da

CNBB de modo a atender às necessidades de todos os setores nacionais salvaguardada,

porém, a destinação especifica de contribuições e doações.

Art. 35 – A critério da Comissão Regional, análogo processo de manutenção poderá ser

instituído nos Secretariados Regionais.

TÍTULO V – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 36 – As instituições criadas pela Conferência terão estatutos próprios, e por eles

serão regidas.

117

Art. 37 – Modificação alguma poderá ser introduzida nos presentes Estatutos, sem

explícita aprovação da Santa Sé.

Art. 38 – Compete à Assembléia Geral, e por motivos urgentes à Comissão Central, a

solução dos casos omissos.

Art. 39 – Para efeitos de legislação civil, os presentes estatutos são completados por um

Estatuto Civil.

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