MARIA, MÃE DE JESUS : O DOCE PERFUME DO CÉU

O AMOR É O DOCE PERFUME DE DEUS NA VIDA HUMANA!!!

Então o silêncio se fez e um cheiro de céu tocou o olfato de uma jovenzinha que se chamava Maria. Naquele momento, suas mãos seguravam um rústico galho em cujas pontas haviam folhas que serviam como vassoura. Ao sentir o ambiente divinamente perfumado e a paz que ele trazia, Maria encostou a vassoura e instintivamente ajoelhou-se. Era esta sua atitude sempre que respirava aquela paz. Sim! Ela estava acostumada a inalar aquele aroma celestial. Certa vez, quando o cheiro dos anjos lhe penetrava as narinas, perguntou a uma amiga que estava em sua casa se também estava sentindo aquele perfume angelical. A companheira respirou profundamente e disse:
– Não! Só sinto cheiro de casa mesmo!
Novamente quando o mistério aromático envolveu Maria, estava ela com outras amigas e também as interrogou sobre o perfume divino no ar. Elas respiraram profundamente e nada sentiram. Acontece que as amigas de Maria começaram a pensar que ela estava ficando esquisita e comentavam entre si sobre a possível loucura daquela que sentia cheiro de céu. Ninguém pode sentir cheiro de céu. Aliás, Deus não tem corpo e portanto não tem suor. Muito menos os anjos poderiam ter algum tipo de cheiro pois são seres espirituais. Maria estava esquisita, diziam. Por saber que somente ela podia sentir o cheiro divino e sabendo sobre o que diziam dela, Maria decidiu nunca mais falar sobre aquela experiência com ninguém.
Naquele dia em que varria a casa sozinha, o cheiro divino a envolveu de maneira mais forte. Diferente das outras vezes, junto com o aroma divino veio junto uma luz bonita. Maria largou a vassoura, e ajoelhou-se com o rosto voltado para o feixe luminoso. Caso fosse uma outra jovenzinha que não tivesse tido experiências anteriores com o aroma divino, certamente sairia correndo, pensando tratar-se de fantasma ou coisa assim. Mas Maria foi exercitada aos poucos para que pudesse ter aquela experiência profunda de contato com o céu.
Aquele fio de luz aumentou e foi assumindo a forma de uma pessoa. O silêncio foi quebrado por uma voz angelical
– Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
A jovem Maria não se assustou. Apenas considerou o cumprimento estranho. Mas também era estranho que somente ela pudesse sentir o aroma celestial. Ainda ajoelhada manteve atento os ouvidos e escutou as palavras seguintes do ser angeli-cal:
– Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.
Embora muito jovem, Maria conhecia as coisas da vida e sabia que para ficar grávida precisaria unir seu corpo ao corpo de um homem. Era certo que estava noiva de um jovem chamado José e o casamento ainda demoraria algum tempo para acontecer. O anjo entretanto falava como se a gravidez fosse acontecer rapidamente. Para que isso acontecesse, ela teria que conhecer os segredos do corpo masculino e deixar-se penetrar por ele para que fosse fecundada. Por isso perguntou ao anjo:
– Como se fará isto, visto que não conheço homem al-gum?
Diante da pergunta sobre o processo da gravidez, o anjo respondeu:
– Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.
Certamente ficar grávida pela ação divina seria o maior presente que uma mulher poderia receber. Mas como toda mu-lher, a jovem Maria tinha vontade de compartilhar a experiência com as amigas. Mas se só com a notícia do cheiro já a consideravam endoidecida, imagine se dissesse que estava grávida de Deus? A experiência do cheiro divino para Maria era maravilhoso. Porém, era uma experiência que não podia compartilhar com ninguém, pois as pessoas não acreditavam nela. Então, o coração da jovenzinha ficou ainda mais perturbado pois se realmente ficasse grávida não poderia compartilhar com ninguém as suas alegrias. Mas o anjo logo disse:
– E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril. Porque para Deus nada é impossível.
Ao saber do milagre na vida de sua prima, o coração de Maria tranquilizou-se. Teria alguém para compartilhar a sua experiência divina. Tranquilizada pela notícia da gravidez da prima, confiou no chamado divino e tomou consciência de que não estava louca. O cheiro do céu era real e Deus estava muito próximo dela. Por isso disse com segurança:
– Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim se-gundo a tua palavra.
Quando o anjo ausentou-se e a luz e o cheiro do céu desapareceram, Maria logo se preparou para uma grande via-gem. Estava decidida a visitar a sua prima Isabel, que também tinha sentido o cheiro divino, e com ela compartilhar a divina experiência. Inexplicavelmente a prima Isabel ao avistar a prima, nem precisou saber sobre o relato da experiência do cheiro divino e da luz angelical. Ao ouvir a voz daquela que foi agraciada pela gravidez divina, exclamou:
– Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.
Hoje, Maria continua buscando pessoas que já sentiram um pouco do perfume divino para com elas compartilhar as alegrias e a divina experiência de sentir-se plenificada pela graça de Deus. Quem sabe você seja uma destas pessoas agraciadas que podem sentir o perfume do céu no coração.
Mas é preciso alertar que para sentir este divino perfume é preciso paciência, perseverança e, principalmente silêncio. Silenciar a mente e o coração e centrar a atenção somente no ato de respirar. Aspirar profundamente e expirar. Fazer este exercício várias vezes, durante por bons minutos. Lembre-se que o sopro divino é que nos deu a vida. Foi também através do sopro de Jesus que os apóstolos puderam receber o Espírito Santo.
O melhor lugar para sentir o aroma divino é, sem dúvi-da, em torno do altar onde se celebra a Santa Eucaristia. E quando Jesus Eucarístico lhe é entregue pelo ministro, deposite-o sobre a língua e deixe que a Hóstia Consagrada se dissolva em sua boca. Então, você e Jesus serão um só. Pode ter certeza de que não sentirá o perfume divino, mas seu corpo é que vai exalar o divino cheiro para as outras pessoas. Você será o frasco do perfume de Deus que vai exalar o cheiro divino para a sua família, para as pessoas em seu ambiente de trabalho. Seja você também o perfume de Deus no mundo!!! Seja você o doce perfume do amor para o mundo!
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amar-des (perfumardes) uns aos outros.” (João 13 : 35

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APÓSTOLO PAULO E SUA VIDA COMO LUZ À MISSÃO NO SÉCULO XXI

Estudo sobre a vida de São Paulo, suas cartas, seu estilo missionário e as pistas que ele aponta para a missão hoje!

QUEM ERA PAULO:  Paulo nasceu na cidade de Tarso (Atos 21,39 e 22,3)  em uma família de  tradição judaica que pertencia à Tribo de Benjamim (Filipenses 3,5). Seus pais tinham uma situação financeira razoável, pois possuíam a cidadania romana, privilégio de poucos judeus. Foi justamente a cidadania romana que livrou Paulo de alguns momentos de tensão com os poderosos, que se sentiram afrontados por conta da sua ação evangelizadora (Atos 16,37ç 22, 25.29ç 23,27). Muito jovem, mudou-se para Jerusalém e, sob a orientação do mestre Gamaliel, doutor da Lei muito estimado por todos (Atos 5,34),  aprofundou os conhecimentos do farisaísmo.

O QUE É O FARISAÍSMO: Farisaísmo era uma corrente leiga que pretendia formar uma comunidade de puros entre o povo de Israel, Fariseu, em hebraico (parush) significa separado. Os fariseus tinham uma leitura fundamentalista da Torá (Lei). Seguiam piamente todos os detalhes da Lei e exigiam que todos os outros, mesmo os não fariseus, também a seguissem. Qualquer movimento que desviasse a Lei do sentido que os fariseus a concebiam, era  prontamente atacado por eles.

PAULO UM ÓTIMO FARISEU É neste espírito de busca da perfeição através do cumprimento da Lei que Paulo presencia o assassinato de Estevão – primeira mártir cristão (Atos 7,58). O zelo por sua religião o fez agir com absoluta presteza no cumprimento dos seus deveres de fariseu (Filipenses 3,6). Veja o que diz Paulo sobre isso: “… fui educado nesta cidade, formado na escola de Gamaliel, seguindo a linha mais escrupulosa dos nossos antepassados, cheio de zelo por Deus, como também vocês o são agora. Persegui mortalmente este caminho, prendendo e lançando à prisão homens e mulheres, como o sumo sacerdote e todos os anciãos podem testemunhar” (Atos 22,2-5). “Sabem que eu perseguia com violência a Igreja de Deus e fazia de tudo para arrasá-la. Eu superava no judaísmo a maior parte dos compatriotas da minha idade e procurava seguir com todo zelo as tradições dos meus antepassados” (Gálatas 1, 13-14). A CONVERSÃO DE PAULO: A conversão de Paulo é descrita em três textos do livro dos Atos dos Apóstolos: Atos 9, 3-18; Atos 22, 6-16; Atos 26, 4-18. Nesta três passagens, Paulo reafirma o propósito da perseguição aos seguidores de Jesus, o Nazareu: “Achei que devia empregar todos os meios para combater o nome de Jesus, o Nazareu. (…) também, por minha crueldades, queria forçá-los a blasfemar e, no excesso do furor contra eles, perseguia-os até nas cidades estrangeiras. (…) encarcerei um grande número de santos, tendo recebido autorização dos chefes dos sacerdotes e consentia ao serem eles mortos” (Atos 26, 9-11).Contudo, no caminho da sua missão assassina, Paulo é detido por uma grande luz vinda do céu. Cai por terra e escuta a voz do Senhor: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9,4; 22,7; 26,14). A grande luz vinda do céu mostra a Paulo sua cegueira espiritual. Tendo-lhe aberto os olhos do espírito, Deus transforma o perseguidor em um pastor do rebanho de Cristo: “ Eis porque eu te apareci: para constituir-te servo e testemunha da visão em que acabas de me ver e daquelas das quais ainda te aparecerei. Eu te livrarei das mãos deste povo e também dos pagãos, aos quais eu te envio para que lhes abras os olhos e para que se convertam das trevas para a luz, da autoridade de Satanás para Deus. Assim eles receberão o perdão dos pecados e participarão da herança com os santificados, pela fé em mim.” (Atos 26,16-18).Convertido, Paulo assume a missão de pastor, comparando-se a uma mãe que acaricia e alimenta os filhinhos “(…) apresentamo-nos  no meio de vocês cheio de bondade, como uma mãe que acaricia os seus filhinhos” (1 Tessalonicenses 2,7b). Esta comparação não é gratuita, pois Paulo vê as pessoas das comunidades por onde passou como filhos e filhas gerados por ele: “(…) fui eu quem pelo Evangelho vos gerou em Jesus Cristo” (1 Coríntios 4,15). Este sentimento de gestação das pessoas em Jesus Cristo, gera em Paulo uma profunda co-responsabilidade e afeto para com todas as comunidades por onde passou. Por isso ele nunca deixa de dar graças quando as percebe crescendo na fé e na prática da fraternidade: “(…) não cesso de dar graças a Deus a vosso respeito e de fazer menção de vós nas minhas orações” (Efésios 1,16 è veja também Filipenses 1,3; 2 Tessalonicenses 1,3;  1 Timóteo 2,1; 2 Timóteo 1,3).

PAULO, O MISSIONÁRIO QUE AGE COMO MÃE- Tal como uma mãe, Paulo está sempre atento à alimentação espiritual que deve dar para as comunidades. A umas ele dá leite e, a outras, alimento sólido, pois deseja que as comunidades cresçam e tenham a mesma graça da conversão que ele próprio experimentou (1 Coríntios 3,2). Nesta sua ação, Paulo não se preocupa em agradar os seres humanos, mas, na liberdade do amor, colocar-se inteiramente ao serviço de Deus (Gálatas 1,10). É esta liberdade que motiva Paulo a, se preciso for, entregar a própria vida pela causa do anúncio da Boa Nova (1 Tessalonicenses 2,8). A todos, fortes e fracos na fé, Paulo incentiva a caminhar no amor que superabundou na cruz de Jesus Cristo (2 Coríntios 2, 13-14). Anunciando o Evangelho com espírito maternal, Paulo tem a preocupação de primeiro ele vivenciar todas as verdades que anuncia: “Vós sois testemnunhas e Deus também o é, de quão puro, justo e irrepreensível tem sido o nosso modo de proceder para convosco, os fiéis (1 Tessalonicenses 2,1-12). Mesmo sofrendo perseguições dos judeus e, apesar das dificuldades encontradas nas comunidades cristãs, Paulo prega o Evangelho na alegria de quem ama e sabe o que faz (1 Tessalonicenses 2, 1-12).

DIFICULDADES DE PAULO NA OBRA EVANGELIZADORA– Uma das maiores dificuldades de Paulo foi evitar a tendência dos judeus convertidos de trazer os traços judaicos para as comunidades cristãs. Como judeu fariseu, Paulo conhecia bem o pensamento deles. Os judeus pensavam que somente pelo cumprimento da Lei a salvação já estaria garantida e queriam que todos os cristãos seguissem aquelas leis judaicas, principalmente a abstenção no consumo da carne de porco, sangue e a aceitação da  circuncisão. O apóstolo-mãe  mostra que nenhuma lei, mesmo a mosaica, pode, por si só, conduzir à salvação.  O Deus de Jesus Cristo, através da obra redentora de seu Filho, acolhe todos os seres humanos, independente de serem circuncidados ou não (Romanos 3, 21-23). Não é mais pelo mero cumprimento da Lei que a salvação se dá, pois “o homem não se justifica pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo (Gálatas 2,16 e Efésios 2, 8-10).  Por isso Paulo afirma com autoridade que “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Jesus Cristo” (Gálatas 3,28). Para convencer ainda mais os judeus convertidos, Paulo afirma: “Nós judeus, somos por acaso superiores? De jeito nenhum! (…) todos estão debaixo do império do pecado, tanto judeu como grego. Como diz as Escrituras: ´não há homem justo, não há um sequer. Todos se desviaram e se corromperam” (Romanos 3, 9-11ª.12ª).

Todos os seres humanos, independente da nação à qual pertencem ou religião professada, por conta do pecado vivenciam uma ambiguidade interior: “Não consigo entender nem, mesmo o que faço: pois faço o que não quero (…) Não faço o bem que quero e sim o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, não sou eu que faço, mas é o pecado que mora em mim” (Romanos 7, 14-20). Para romper esta ambiguidade, só há um caminho: a unidade dos cristãos em torno da Boa Nova de Jesus Cristo: “Exorto-vos pois, eu, o prisioneiro no Senhor, a andares de modo digno da vocação com que fostes chamados, com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (…) até chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude. Então, não seremos mais como crianças, entregues ao sabor das ondas e levados por todo vento de doutrina, ludibriados pelos outros e por eles, com astúcia, induzidos ao erro” (Efésios 4, 1-3. 13-14).

MOTIVAÇÕES DE PAULO PARA ESCREVER SUAS CARTAS

CARTA AOS ROMANOS:  Provavelmente influenciada por judeus convertidos, Paulo tenta mostrar a esta comunidade que nenhuma lei, mesmo a mosaica, pode salvar. A salvação depende da adesão à pessoa de Jesus através do seguimento dos seus passos que nos levam à construção de uma sociedade justa e fraterna que, através das ações alicerçadas na Boa Nova, antecipam na terra as graças que teremos um dia no céu.

PRIMEIRA CARTA AOS CORÍNTIOS: Paulo escreve para uma comunidade dividida pelas brigas de grupos que valorizavam a autoridade deste ou daquele pregador do Evangelho. Muitos desejavam obter o sucesso humano e se esqueciam de abraçar a cruz provinda da ação evangelizadora. Por isso Paulo vai falar sobre a loucura que é a cruz para os pagãos e, inclusive, os judeus (1,23) O Dom da Graça não procede da sabedoria humana, mas brota da gratuidade do serviço à causa do Reino. SEGUNDA CARTA AOS CORÍNTIOS: esta carta nos revela o sofrimento do missionário Paulo diante do desafios da Evangelização. Percebe o individualismo entre as comunidades e propõe que todos os cristãos se esforcem na mútua ajuda. CARTA AOS GÁLATAS:  Era uma comunidade que negava a autoridade de Paulo como apóstolo. Influenciada pelos judeus convertidos, que exigiam a circuncisão de todos os convertidos, e por outras práticas pagãs, os  cristãos de Gálatas estavam sob um sério risco de perderem a liberdade proposta por Jesus Cristo. Por isso o tema principal desta carta será a liberdade que nos foi dada através da obra redentora de Jesus, que nos deu a graça de sermos considerados filhos de Deus. CARTA AOS EFÉSIOS:  Paulo escreve esta carta na prisão e lembra aos cristãos sobre a verdadeira missão da Igreja que deve colocar Jesus Cristo como centro dela. Porém, a Igreja deve vislumbrar não somente o Cristo glorioso, mas o verbo de Deus encarnado na história humana que, através da cruz, leva a família humana de volta à casa do Pai. CARTA AOS FILIPENSES: É uma comunidade solidária à ação missionária de Paulo, que o auxilia em orações e em recursos materiais. Nesta carta, que também foi escrita na prisão, novamente Paulo adverte a comunidade sobre o perigo da influência das idéias judaizantes, assim como dos frutos do egoísmo e da competição.  CARTA AOS COLOSSENCES: os cristãos de Colossas estavam dando demasiada importância à práticas ocultas baseada nas forças da natureza (2,8), culto aos anjos (2,18) e leis alimentares (2,16.21) como forma da busca da felicidade, colocando em segundo plano a doutrina da fé cristã. Por isso Paulo vai lembrá-los da importância da fé vivenciada primeiramente em casa, na família para que, a partir desta, a Boa Nova atinja a sociedade como um todo. PRIMEIRA CARTA AOS TESSALONICENSES: A comunidade de Tessalônica pensava que a volta de Jesus se realizaria logo e se perguntavam se os que já haviam falecido iriam participar desta glória. Paulo mostra que no fim da história, tanto os mortos como os vivos estarão reunidos para viverem para sempre com o Cristo ressuscitado. SEGUNDA CARTA AOS TESSALONICENSES:  Esperando para logo a volta do Cristo, muitos desta comunidade relaxaram no trabalho missionário. Paulo alerta a comunidade para que não cruzem os braços, mas que assumam com coragem a missão evangelizadora. PRIMEIRA CARTA A TIMÓTEO: Ao contrário das outras cartas, dirigidas para comunidades, esta é endereçada a uma pessoa. Timóteo, a quem Paulo escreve, tornou-se um colaborador de Paulo ainda muito novo (1 Timóteo 4,12) e fala dele com muito carinho em outras cartas (1 Tessalonicenses 3,2; 2 Coríntios 1,19). Paulo orienta Timóteo a evitar transformar a prática religiosa em um negócio e a organizar a comunidade nos vários ministérios (3, 1- 14). Também salienta sobre o comportamento do evangelizador, sobre a prática da caridade na comunidade. Novamente o espírito maternal de Paulo o leva a preocupar-se  com a saúde de Timóteo (5,23) SEGUNDA CARTA A TIMÓTEO: Paulo alerta Timóteo sobre a necessidade de manter-se atento às Escrituras. É nesta carta que Paulo avalia a sua longa trajetória como apóstolo do evangelho e diz que “Combati um bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé” (2 Timóteo 4,7).. CARTA A TITO: Paulo trata sobre a verdadeira doutrina que é a salvação proposta à humanidade toda. CARTA A FILEMON: Embora breve, esta é uma carta que Paulo trata sobre a sua visão da relação entre os cristãos e da salvação em Jesus cristo. Embora não querendo modificar o sistema escravista de então, Paulo esvazia o estatuto da escravidão ao afirmar que todos os seres humanos são irmãos em Jesus cristo. CARTA AOS HEBREUS: Tudo indica que esta carta não foi escrita por Paulo. De autoria desconhecida, a carta tem por objetivo despertar a comunidade para a importância da paixão de Jesus Cristo. Dando muita ênfase à tradição judaica, esta comunidade tinha dificuldade para aceitar a forma humilhante e dolorosa da paixão. Por isso Paulo esclarece sobre Jesus como verdadeiro sacerdote que rompeu definitivamente o véu do santuário possibilitando que todos adentrem no recinto sagrado. O novo santuário não foi construído por mãos humanas, mas pelo próprio Deus. A carta aos hebreus, de maneira especial, nos ensina a ler o Antigo Testamento na perspectiva cristã.

COMO LER AS CARTAS DE PAULO:

A ordem que as traduções Bíblicas utilizam para a sequência das cartas de Paulo é o tamanho, da maior para a menor. Porém, para que se possa Ter uma visão mais clara do pensamento paulino, é interessante não lê-las nesta sequência, mas sim na ordem cronológica que seria esta: Primeira e Segunda Carta aos Tessalonicenses, Filipenses, Primeira e Segunda carta aos Coríntios, Gálatas, Romanos, Efésios, Colossences, Filemon, Primeira Segunda Carta a Timóteo e Tito.

Ao final da leitura nesta sequência, pode-se ler a carta aos Hebreus, inclusive para perceber a diferença do estilo da escrita, que dá base para afirmar que esta carta não foi escrita por São Paulo.

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ANO A 2014 – Estudo do Evangelho de São Mateus

EVANGELHO DE SÃO MATEUS

 

PLANO GERAL DO EVANGELHO DE MATEUS

  1. Evangelho da Infância de Jesus è1,1-2,23;  Mateus narra infância de Jesus para proclamar que Ele é o Herdeiro das promessas feitas a Abraão e a David (Genealogia), é o descendente de David anunciado pelos Profetas (1ª passagem), reúne os traços de Salomão, o sábio (2ª passagem) e de Moisés, o salvador do povo (3ª passagem). Os pagãos vêm a Ele com presentes, como o tinham anunciado os profetas (2ª passagem).
  2. Anúncio do Reino do Céu è 3,1-25,46; São Mateus mostra-nos o princípio do Reino dos Céus: Jesus é anunciado e proclamado como Filho de Deus, nas tentações cumpre a vontade do Pai como verdadeiro Filho e no sermão ensina-nos a cumprir essa mesma vontade de Deus, para podermos receber o Reino dos Céus (5, 20) e ser também filhos de Deus (5, 45). Os capítulos 8 e 9 do Evangelho mostra o poder do Reino dos Céus; Cristo é Aquele que tem esse poder e demonstra-o fazendo milagres e perdoando os pecados, no mesmo tempo que expulsa os demônios; mas logo a seguir, transmite este poder aos Doze, de modo que esse poder se perpetue na Igreja.
  3. Paixão e Ressurreição de Jesus è 26,1-28,20.

 

Mateus apresenta Jesus como o Filho de David, o herdeiro do Reino (2 Samuel 7, 12-14), e também como o Emanuel (“Deus conosco”), da profecia de Isaías (7, 14). No entanto, o título que mais lhe interessa é o de Filho de Deus. A imagem de Cristo apresentada por Mateus é a do enviado de Deus, na qual se vão cumprir todas as expectativas do Antigo Testamento. Cristo é a realização de tudo o que fala o Antigo Testamento; dito de outra maneira, Mateus contempla todos os personagens do Antigo Testamento como figuras de Cristo, enquanto que Cristo é a realidade, na qual tudo se cumpre. É como se tudo o que dizia a Sagrada Escritura até então, fosse algo vazio que agora se enche, ou como um desenho que agora tem de se terminar de pintar.

Mateus fala frequentemente do “Reino de Deus”, ou do “Reino dos Céus”, dando preferência a esta última expressão, sem fazer aparentemente distinção entre as duas formas. Os outros evangelistas, ao contrário, usam mais a primeira. É notável a frequência com que Mateus se refere ao Reino: enquanto Mateus refere-o 50 vezes, Marcos refere-o somente 14 e Lucas 39.

Deve-se recordar que a “Boa Nova” consiste em Deus que vem reinar sobre o seu povo. O Reino dos Céus não é algo que está exclusivamente do outro lado (no Céu), mas sim, que vem a este mundo: Deus vem exercer a sua função de Rei, transformando tudo, tanto o mundo, como os homens. O Reino dos Céus vem a este mundo, começa a ganhar forma na terra, e terá a sua consumação nos Céus. São Mateus preocupa-se em mostrar que a boa nova da chegada do Reino dos Céus dá-se na pessoa de Jesus Cristo. O Reino dos Céus anunciado e preparado no Antigo Testamento já está presente em nós, porque Jesus é o cumprimento de todas as profecias. Jesus forma uma comunidade, na qual se começam a manifestar os sinais da presença do Reino. São Mateus é o único evangelista que dá o nome de “Igreja” a esta comunidade (Mateus 16, 18).

 

DETALHES DO EVANGELHO DE MATEUS

Autor: Mateus significa “dom de Deus” (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9). Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).

Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galiléia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais freqüentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:

Quem é Jesus? (conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;

Como seguir Jesus Cristo? (fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: “fazei que todas as nações se tomem discípulos meus... (28,19).

 

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO EVANGELHO DE MATEUS

1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:

– 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;

– 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;

– 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

2. É o Evangelho do Pai:

Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como do Pai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40). Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do “Pai”: a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).

3. É o Evangelho da Justiça (3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc):

– Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);

– As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);

– A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);

– O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).

– O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.

4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:

– O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;

– Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH – Javé).

5. A valorização da história e do Antigo Testamento:

– Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;

– Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.

6. As mulheres:

– Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38); Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabéia era mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;

– É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);

– As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1-10);

– Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.

7. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:

O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).

8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):

– São 7 ou 9, depende de como são contadas;

– A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados…;

– Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”.

Eles aparecem no capítulo 23;

– Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;

– Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões… Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.

9. Mateus utiliza muitos números:

Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando…” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;

– O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);

– Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;

– Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).

10. Jesus é o novo Moisés:

– A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);

– Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);

– Várias vezes, Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai;

11. O verbo “ver”:

– Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etc…

12. É o Evangelho da Igreja:

– Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembléia (16,18; 18,17);

– Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);

– Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;

– O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;

– Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.

BIBLIOGRAFIA: – CNBB Ele está no meio de nós, Paulus (1998, São Paulo)

– MOSCONI, L. O Evangelho de Mateus CEBI (1990, São Leopoldo)

– STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Mateus, Paulus (1990, São Paulo)

– Introdução ao Evangelho de Mateus da Bíblia de Jerusalém, Edição Pastoral e Bíblia do Peregrino.

* Neste texto, todas as citações onde não aparece o nome do livro da Bíblia, são do Evangelho de Mateus.

 

Frei Ildo Perondi – ildo@sercomtel.com.br

 

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Documento 100 CNBB leitura rápida

PARÓQUIA DE SANTO ANTONIO E NOSSA SENHORA APARECIDA – ITATIBA – SP/2013

síntese do documento 100– CNBB – COMUNIDADE DE COMUNIDADES: UMA NOVA PARÓQUIA

A nova paróquia, descrita no documento 104 da CNBB, é aquela que se abre para o enfrentamento dos desafios do século XXI e assume como modelo a ação de Jesus Cristo: proclamar o ano da graça do Senhor (Lc 4,18- 19). Ao redor de Jesus surge uma comunidade onde há igualdade entre homem e mulher, portanto, sem discriminação, e, principalmente, há partilha dos bens.  Jesus fazia missão nas casas: Ao enviar os discípulos, deu-lhes a missão de entrar nas casas do povo e levar a paz (cf. Mt 10,12- 14). Para esta missão, O Espírito Santo concede diversos carismas que acompanham o verdadeiro anúncio evangélico para toda a comunidade cristã:  1) o ensinamento dos apóstolos: ( 1Ts 2,13);   2) a comunhão: ( At 2,44- 45; 4,32; 34- 35); 3) a fração do pão (eucaristia): (Jo 6,11); 4) as orações: (At 5,12b).

A comunidade cristã caminha rumo à Pátria Trinitária ( Fl 3,20). ( 2Pd 3,13). Porém, não vive no espiritualismo descompromissado com a realidade Os olhos cristãos se voltam para a Jerusalém Celeste, mas procura plenificar a graça da Trindade desde agora no mundo, buscando a realização do Reino da Justiça e da vida em abundância para todos (cf. Mt 25,33-44; 1Cor 15,28; Ef 1,10).

No início havia a IGREJA DOMÉSTICA – os cristãos se reuniam nas casas – e nas residências os fiéis professavam a fé, ouviam e celebravam a Palavra, viviam a caridade e oravam a partir de tudo que Jesus ensinou. O surgimento das PARÓQUIAS acontece mais tarde, quando, com o aumento do número dos membros das comunidades, as casas já não comportavam mais as celebrações. As celebrações nos templos tornaram as assembleias cristãs anônimas, com relações frias e distantes, realidade que persiste até os dias de hoje.  Nos dias atuais é urgente a formação de comunidades que propiciem uma real experiência de comunhão com Cristo. O desafio da Igreja é recuperar a fraternidade da Igreja nas casas, pois, relações frias, não criam sentimento de pertença.

Além das relações distantes, há paróquias que concentram as atividades principais na liturgia sacramental e nas devoções, sem preocupação social. Falta-lhes um plano pastoral e os leigos não tomam decisões e nem assumam compromissos. O padre é quem planeja e comanda tudo sozinho. Para superar esta realidade, e que surja uma nova Paróquia, é preciso que a evangelização contemple três dimensões.

1.EVANGELIZAR A PESSOA – Nos dias atuais Muitos vivem sua religiosidade frequentando templos sem nenhuma ligação de fraternidade.      2.EVANGELIZAR A COMUNIDADE – a renovação paroquial depende muito de uma conversão profunda das pessoas e das comunidades para o modelo da ação de Cristo,  3.EVANGELIZAR A SOCIEDADE – Os índices de pobreza e miséria continuam a desafiar qualquer consciência tranquila. A Igreja há de se orientar por valores baseados numa sociedade onde a civilização do amor encontre seu espaço e novas oportunidades. Outro desafio é o aumento do número daqueles que se declaram sem religião, Está em crise o engajamento na paróquia. Para que surja a Nova Paróquia é preciso que os cristãos – a)  Vivam da Palavra – (múnus profético)  a catequese centrada na Palavra de Deus.   b) Vivam da Eucaristia – (múnus sacerdotal) valorizar mais o domingo, redescobrir a beleza da fé que vence o individualismo,   c) Vivam na caridade – (múnus real)  O amor ao próximo exige que os cristãos olhem para aqueles que vivem em condições de vulnerabilidade (situação de risco),

A Nova Paróquia necessita da conversão pessoal e comunitária e que a alegria seja a característica dos que vivem em torno da Palavra de Deus. Através da conversão pastoral, provocada pela Palavra, será possível deixar de praticar a pastoral de manutenção e realizar a pastoral missionária. Principalmente, a Nova Paróquia dependerá de Padres e Bispos chamados a estimular e apoiar a revitalização das Paróquias e suas respectivas comunidades. A renovação paroquial exige que Padres e Bispos estimulem a participação ativa dos leigos da paróquia através da constituição dos diversos Conselhos de Pastoral Paroquial e Comunitário, bem como o Conselho Econômico e, principalmente o COMIPA.  Atividades que mantém a Nova Paróquia são a homilia alicerçada na Palavra de Deus e na vida e o melhor atendimento das pessoas que vivem em diferentes ritmos da vida diária. A setorização – formação de pequenas comunidades- pode ser pela vizinhança, mas também por afinidades. A Nova Paróquia exige constante Formação e por isso a catequese deve ser uma prioridade. A celebração eucarística é fator essencial para o surgimento da Nova Paróquia, desde que elas favoreçam a linguagem do Mistério, o que implica não exceder nas falas, explicações e comentários.  Uma paróquia renovada há de marcar no serviço em favor e no cuidado da vida, especialmente a vida daqueles que estão caídos na beira do caminho. A missão neste momento difícil da pessoa depende da urgente alteração da agenda do pároco para encontrar tempo para acolher, e que pode delegar funções administrativas para leigos. Igualmente, é importante cuidar da pastoral da acolhida, da escuta e do aconselhamento. Ocasião para acolher os afastados pode ser: a iniciação à vida cristã dos adultos; a preparação de pais e de padrinhos para o batismo de seus filhos; a preparação de noivos para o Sacramento do Matrimônio; as exéquias; e a formação de pais de crianças e de jovens da catequese.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: É hora de renovarmos as paróquias para que cada pessoa tenha a possibilidade do encontro com Jesus èSomos uma Igreja em caminho que sabe onde deve aportar: a Santíssima Trindade, onde Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28).

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Amélia morreu

Amelia Morreu

     Não era algo esperado para já.  Sua morte, por conta das muitas doenças, era prevista, mas a esperança alimentava os corações  com a certeza de que teria ainda alguns anos pela frente.  Após um mal súbito, uma dor forte no peito, ela desmaiou.  Levada para o hospital, foi imediatamente internada na Unidade de Tratamento Intensivo. A  família podia vê-la apenas alguns minutos por dia, sem que vissem da enferma nenhuma reação. Era um corpo inerte na casa, rodeado por luzes, enfermeiras e envazado por tubos.

        Alguns dias antes do mal súbito  havia sonhado que estava num carro cheio de luzes que tocava uma música de apenas duas notas. Contou este sonho para os filhos e o marido. Ninguém soube interpretar o  que significavam tais imagens.  Na saída da UTI, uma das filhas relembrou o sonho.

       – Era da ambulância que ela falava, disse a filha

       O marido ouviu quieto. Sim, pensou, era a ambulância com as luzes vermelhas e o som tocando alto…

       Outro filho lembrou-se de um sonho que Amélia tivera muito tempo atrás. Sonhara que fazia uma viagem sozinha, para um lugar desconhecido. Estava com medo. Porém, três semanas após ter chegado ao destino da viagem, a família inteira viera ao seu encontro e nunca mais se separaram.

       Todos começaram a tentar decifrar o sonho da viagem. O que seria?

      Enquanto ainda conjecturavam acerca da viagem fictícia, uma das enfermeiras veio ao encontro da família de Amélia

      – Infelizmente tenho que informá-los que ela morreu

     – Foi um baque! Todos choravam copiosamente. E nem mais se lembravam do sonho da viagem. Providenciaram o velório e o enterro. No dia seguinte ao féretro, uma das filhas procurou o pai à noite, e lhe disse:

       – Pai, o sonho da ambulância se realizou. E aquele da viagem?  Será que daqui três semanas iremos todos morrer?

       – Minha filha, é hora de dormir… Vamos deixar esta conversa para amanhã…

       Mas quem disse que o esposo de Amélia dormiu? Era um assunto sério.

       Após três semanas, uma coisa aconteceu. Uma velha tia veio visitá-los e tinha um pedido muito estranho a fazer.

      – Meus sobrinhos, preciso que vocês venham comigo até minha casa. Há algo lá que pertencia a Amélia.

       Imediatamente pai e filhos a acompanharam.

      Na frente da casa da tia havia um bonito jardim

. A velha senhora disse para os parentes enlutados:

– Aqui, nesta terra deste jardim, Amélia plantou certa vez uma muda de rosas brancas. Acontece que o galinho da flor murchou e morreu. No dia do falecimento dela, antes mesmo de saber da notícia, vi um pedacinho de verde neste local. E agora, após três semanas, vejam a linda rosa branca que desabrochou… Creio que é um sinal…

        Era de fato um sinal. Amélia queria novamente desabrochar na vida de todos. E não queria ser lembrada como a mulher na UTI ou dentro do caixão.

        Há pessoas que sepultam seus entes queridos duas vezes. Enterram o corpo e a história, pois só se lembram dos momentos da doença ou do velório. Amélia queria, a partir daquele momento, ser lembrada como a Rosa que perfumou a vida de todos durante todos os anos que com eles conviveu.

        Misteriosamente as rosas brancas continuaram a florir e até hoje há sempre uma delas  colocada num vaso sobre a mesa central da sala da família de Amélia. Quando uma murcha, logo outra é colhida e depositada ali.

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NAS HORAS DE DEUS, AMÉM!

NAS HORAS DE DEUS, AMÉM!


SEIS HORAS DA MANHÃ – Hora de elevar aos céus o agradecimento por mais um dia!

Obrigado, Senhor, por mais um dia em minha vida. Que eu possa ser vosso instrumento de paz para as pessoas. Desde agora eu peço a Vossa poderosa benção sobre todos os que cruzarem o meu caminho. Amém!

NOVE HORAS DA MANHÃ! Hora de pedir que Deus perdoe meus erros do passado e que as lembranças deles me ajudem a acertar neste dia.

Senhor, perdoe meus erros e me ajude a ser melhor neste dia. Que eu possa aprender que o momento presente é a única realidade que tenho em minhas mãos. Obrigado, Senhor, pela vida!

MEIO DIA – Hora de almoçar – alimentar o corpo, que é o Templo do Espírito Santo!

Obrigado Deus misericordioso pelo alimento que vou tomar graças a vossa bondade. Abençoa os agricultores que plantaram e colheram este alimento. Benditas sejam as criaturas que o Senhor nos concedeu para que nos dessem do seu corpo como alimento. Que fortalecido por estes alimentos, eu possa servir-vos com muito mais vigor e ânimo. Amém!

TRÊS HORAS DA TARDE –  hora em que Jesus entregou seu Espírito a vós, Deus Pai bondoso. Neste momento eu peço que me ajudeis a perdoar às pessoas que me ofenderam no decorrer deste dia. Peço também vossa benção para que eu possa realizar todas as tarefas que ainda faltam para que, à noite, descanse tranquilo.  Senhor, ilumina a minha mente para que eu saiba decidir a coisa certa, na hora certa e do jeito certo. Amém!

SEIS HORAS DA TARDE – quase findando mais um dia!

Obrigado Senhor por este dia que vivi. Houve alegrias, algumas tristezas, mas estas duas realidades fazem parte da vida. Em vossas mãos entrego tudo o que pude realizar durante este dia. E peço que a vossa misericórdia me ajude a terminar as tarefas que ficaram para amanhã. Vem, Senhor, proteger-me neste início de noite.

Ó MARIA SANTÍSSIMA, que o vosso Manto Sagrado me envolva com a vossa maternal ternura. Ó Maria concebida sem pecado, rogai por mim que recorro a vós!

 

MEIA NOITE – Hora do merecido descanso!

Senhor, que os vossos anjos me protejam durante a noite. Que a minha mente possa repousar nas sombras da vossa bondade. E que amanhã, se for da vossa vontade, que eu desperte com muita coragem para viver e colaborar na construção do vosso Reino de amor e Justiça

Obrigado, Senhor, pela vida! Com Deus Pai me deito, com Deus Pai me levanto, com as graças do seu bendito Filho, Jesus Cristo, e os dons do Espírito Santo. Amém!

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COMIPA – como formar o COMIPA conselho missionário paroquial

COMO FORMAR O COMIPA NA PARÓQUIA

COMIPA é a sigla de CONSELHO MISSIONÁRIO PAROQUIAL.

A função do COMIPA é justamente o que o nome diz: avaliar o andamento da pastoral paroquial para verificar como as ações de cada grupo está sintonizada ou não com o Espírito Missionário. Afinal de contas, a Igreja existe para a Missão. Mas não é qualquer  missão. É a Missão da Trindade. Deus Pai enviou seu Filho Jesus Cristo ao mundo para nos salvar de todas as mazelas que o pecado colocou no coração humano. Depois de cumprida a sua missão, Jesus enviou seus discípulos a pregar o Evangelho. Então concedeu-nos o Espírito Santo para inspirar as ações e indicar os caminhos da Evangelização.

Toda a ação da Igreja, pois, é envolvida pelo espírito da Missão da Trindade Santíssima.

Para formar o COMIPA na Paróquia é preciso que primeiramente o responsável pelas pastorais (Padre, Diácono e em alguns lugares até mesmo freiras) esteja com o coração aberto e a mente esclarecida de que a Missão é a tarefa primordial da Igreja. Com este espírito decididamente missionário, o responsável convoca algumas pessoas de várias pastorais que possam formar o COMIPA. Estas pessoas todo mês se reúne para avaliar  o andamento missionário paroquial. As perguntas que sempre fazem são estas:

1- Estamos agregando novas pessoas à comunidade?

2- Estamos conseguindo chegar às pessoas em seus ambientes (familiar, trabalho, lazer)?

3- Estamos conseguindo chegar aos jovens?

4- Estamos conseguindo com que as crianças que fizeram a primeira Eucaristia e os jovens crismados permaneçam na comunidade?

5- Estamos conseguindo fazer com que “famílias” inteiras participem da comunidade?

6- Estamos conseguindo fazer com que os membros das pastorais se interessem mais pela Palavra de Deus?

A partir destas avaliações, o COMIPA propõe ações às pastorais que possam fazer com que a Missão consiga atrair pessoas para Jesus Cristo e se tornem Dele discípulos e missionários. Ao mesmo tempo propõe que os evangelizadores leigos se abram à formação bíblica, fonte primordial da missão evangelizadora.

Uma das mais importantes ações do COMIPA é fazer com que todas as pessoas envolvidas em quaisquer equipes (batismo, liturgia, dízimo, catequese, etc.) se sintam missionárias na paróquia.

Para que o COMIPA ganhe a importância devida, seus membros podem ter uma camiseta específica. Nos tempos fortes da evangelização – NOVENAS DO ADVENTO ou NOVENAS DA QUARESMA – os evangelizadores que percorrem as casas devem usar a camiseta onde se lê o nome da Paróquia e abaixo deste a sigla COMIPA.

Para que a Paróquia funcione missionariamente e crie grupos de convivência é importante dividi-la em setores  que podem ser compostos pela proximidade das casas. É preciso estudar bem esta divisão para que o setor não fique composto por mais de 20 casas. O mínimo de 12 e o máximo de 20 famílias, Feita a divisão, deve ser indicado um coordenador(a) do setor. Cada um dos coordenadores, juntamente com os membros do setor, escolhe um nome. As pastorais, por sua vez, terão o terreno dos setores para plantar suas sementes.

Em cada setor pode ser verificado:

Batismo – existem crianças ou adultos não batizados?

Catequese – existem crianças ou adultos que não fizeram a primeira eucaristia?

Liturgia – existem famílias que não participam das missas e outras atividades da comunidade?

Muitas outras realidades podem ser descobertas nos setores. O papel do COMIPA é incentivar as pastorais a descobrirem os setores como ambiente menor onde se pode evangelizar com jeito mais humano e próximo das pessoas. Com a criação dos setores a evangelização deixa de ser aquela que bate o sino e espera as pessoas virem. Os sinos continuam a ecoar, mas os evangelizadores e a evangelização vai atrás das famílias e a elas propõe a participação na Igreja.

O COMIPA, pois, é um instrumento de reorganização da mentalidade paroquial.

VALE A PENA CONSTITUIR O COMIPA.

A Paróquia de Santo Antonio e Nossa Senhora Aparecida tem o COMIPA e está sendo uma benção para todos nós!!!!!!! 

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