CF 2015 NA PERSPECTIVA CRISTOLÓGICA – VIVER A CF 2015 A PA R T I R D E J E S U S C R I S T O

PERSPECTIVA CRISTOLÓGICA DA CF 2015 

. A Igreja no Brasil, iluminada pelas provocações do texto base da Campanha da Fraternidade 2015, sob as luzes do Concílio Vaticano II, louva e bendiz o Deus da Vida, do Amor e da Paz, pela tradição em planejar a ação evangelizadora. Curva-se perante o Deus de Misericórdia, pedindo perdão por fraquezas, infidelidades e pecados de seus membros e implorando forças para viver, sempre mais intensamente, o discipulado missionário que decorre do encontro com Jesus Cristo, alimentado pela Palavra de Deus e pelos Sacramentos. Clama pela firmeza indispensável para superar uma concepção de fé restrita a um conjunto de práticas religiosas fragmentadas, a adesões parciais e à participação ocasional. Reza, enfim, para que, através das reflexões da CF 2015 e do empenho de todos, se supere o “medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas, na verdade, a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” (DAp 8).É preciso que a Igreja se torne realmente para o mundo FERMENTO, SAL E LUZ; E isso só será possível através do verdadeiro encontro com Jesus Cristo.

 VIVER A CF 2015 A PA R T I R D E J E S U S C R I S T O

. Toda ação eclesial brota de Jesus Cristo e se volta para Ele e para o Reino do Pai. Jesus Cristo é nossa razão de ser, origem de nosso agir, motivo de nosso pensar e sentir. Nele, com Ele e a partir d’Ele mergulhamos no mistério trinitário, construindo nossa vida pessoal e comunitária. Nisto se manifesta nosso discipulado missionário: contemplamos Jesus Cristo presente e atuante em meio à realidade, à Sua luz a compreendemos e com ela nos relacionamos no firme desejo de que nosso olhar, ser e agir, sejam reflexos do seguimento, cada vez mais fiel, ao Senhor Jesus. Em atitude orante, contemplativa, fraterna e servidora, somos convocados a responder, antes de tudo, a nós mesmos: quem é Jesus Cristo? (cf. Mc 8,27-29). O que significa acolhê-lo, segui-lo e anunciá-lo? O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio, faz arder nosso coração (cf. Lc 24,32), leva-nos a tudo deixar (cf. Lc 5,8-11) e, mesmo diante das nossas limitações e vicissitudes, afirmar um incondicional amor a Ele (cf. Jo 21,9-17)?

A paixão por Jesus Cristo leva ao arrependimento, à contrição (cf. Lc 24,47; cf. At 2,36ss) e à verdadeira conversão pessoal e pastoral. Por isso, devemos sempre nos perguntar: estamos convencidos de que Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida? O que significa para nós, hoje, o Reino de Deus por Ele instaurado e comunicado?

. Devemos olhar com atenção para Aquele que, sendo rico, se fez pobre para a todos enriquecer (cf. 2Cor 8,9). O discípulo missionário, ao contemplar Jesus Cristo descobre o Verbo que arma sua tenda entre nós, o Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade (cf. Jo 1,14); aquele que, sendo de condição divina, não se fecha em si mesmo, mas se esvazia até a morte e morte de cruz (cf. Fl 2,5ss) e, à diferença das aves do céu e das raposas, não tem sequer onde reclinar a cabeça (Mt 8,20). Ele sempre precisa ir a outros locais (Lc 4,43) para anunciar o Reino, a graça, a justiça e a reconciliação. Ele se preocupa com as ovelhas que não fazem parte do rebanho (Jo 10,16), mesmo que seja uma única ovelha perdida, sofrida (Lc 15,4-7), para reanimá-las diante da dor e da desesperança (Lc 24,13-35). É este mesmo Jesus que virá, um dia, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos (Mt 25,31-46).

. Como nos mostra claramente o Prólogo de João, o Logos indica originariamente o Verbo eterno, ou seja, o filho unigênito, gerado pelo Pai antes de todos os séculos e consubstancial a Ele: o Verbo estava junto de Deus, o Verbo era Deus. Mas este mesmo Verbo – afirma São João – ‘fez-se carne’” (Jo 1,14); por isso Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, é realmente o Verbo de Deus que Se fez consubstancial a nós. “Assim, a expressão ‘Palavra de Deus’ acaba por indicar aqui a pessoa de Jesus Cristo, Filho eterno do Pai feito homem”.

. Jesus Cristo é Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, manifestação plena do amor radical, que se entrega pelos pecadores (cf. Rm 5,8). Seu desejo de salvação não é simplesmente aguardar os que O buscam. Jesus Cristo é incessante e eterna entrega, dom de si para o outro. É contínuo convite aos discípulos missionários e, por meio deles, a toda a humanidade para segui-lo, em meio a diferenças e desencontros. O encontro com Jesus Cristo é acolhimento da graça do Pai que, pela força do Espírito, revela o Salvador e atua, no coração de cada pessoa, possibilitando-lhe esta resposta.

. As atitudes de alteridade e gratuidade marcam a vida do discípulo missionário de todos os tempos. Alteridade se refere ao outro, ao próximo, àquele que, em Jesus Cristo, é meu irmão ou minha irmã, mesmo estando do outro lado do planeta.  É o reconhecimento de que o outro é diferente de mim e esta diferença nos distingue, mas não nos afasta. As diferenças nos atraem e complementam, convidando ao respeito mútuo, ao encontro, ao diálogo, à partilha e ao intercâmbio de vida e à solidariedade. Fechar-se no isolamento, no individualismo e em atitudes que transformam pessoas em mercadorias é cair no pecado da idolatria e semear infelicidade. A vida só se ganha na entrega, na doação. “Quem quiser perder a sua vida por causa de mim a encontrará!” (Mt 10,39).

. Todo relacionamento é, igualmente, chamado a acontecer na gratuidade. À semelhança de Cristo Jesus que, saindo de si, foi ao encontro dos outros, nada esperando em troca (cf. Fl 2,5ss), também o discípulo missionário é chamado a profeticamente questionar, através de suas escolhas e atitudes, um mundo que se constrói a partir da mentalidade do lucro e do mercado, não esquecendo que tais atitudes geram violência, vingança, guerra e destruição (cf. Mt 6,24). Gratuidade significa amar, em Jesus Cristo, o irmão e a irmã, respondendo, através de atitudes fraternas e solidárias, a grande questão proposta a Jesus: “quem é o meu próximo?” (Lc 10,29), querendo e fazendo bem ao outro sem nada esperar em troca. Significa cortar a raiz mais profunda da violência, da exclusão, da exploração e de toda discórdia.

. Gratuidade e alteridade, como expressões do Amor, são fontes de paz, reconciliação e fraternidade. São sementes da atitude cristã mais radical: o perdão (cf. Lc 23,34), atitude que deve ser incessantemente testemunhada e transmitida (cf. Mt 18,21-22) a um mundo que se caracteriza pelo crescimento da vingança e da violência como soluções às dores da vida. A radicalidade do Amor de Deus atinge sua extrema manifestação no amor aos inimigos. A reconciliação é o ápice da Nova Lei. Supera toda divisão que nos afasta de Deus e nos separa uns dos outros. O discípulo missionário, ao contemplar Jesus Cristo – e Cristo crucificado! –, reconhece que a loucura e o escândalo (cf. 1Cor 1,18.21) do Reino de Deus chegam a seu ápice na reconciliação (cf. Rm 5,6-8; Lc 23,34).

. Por certo, a ação evangelizadora e pastoral da Igreja trabalha pela reconciliação, o que não significa pactuar com a impunidade, a corrupção e todas as formas de desrespeito aos direitos básicos de toda pessoa. Diante de graves situações que fazem os irmãos sofrerem, o coração do discípulo missionário se enche de compaixão e clama por justiça e paz. Angustia-se diante da inércia e mesmo da omissão. Quer atitudes que superem o mal existente e não permitam o surgimento de mais dor. Esta indignação, porém, não deve afastar o discípulo missionário do ideal de perdão e reconciliação, pois o Reino de Deus só acontece efetivamente quando se responde ao mal com o bem (cf. Rm 12,17-21).

. Gratuidade e alteridade são, portanto, modos de compreender o que há de mais decisivo em Jesus Cristo: a saída de si, rumo à humanidade marcada pelo pecado, fonte de dor e morte. Jesus nos mostrou que não se vence o pecado pelo pecado (cf. Lc 11,14-22). Este é vencido pela graça derramada abundantemente nos corações dos discípulos missionários. A atuação da graça é paz, justiça, bondade, reconciliação, gratuidade e alteridade (cf. Gl 5,22). É, pois, motivado pela atitude de constante ida ao encontro do outro que o discípulo missionário contempla a realidade, não desejando que ela se encaixe em suas expectativas, mas nela se encarnando, discernindo a presença do Reino de Deus e trabalhando para que ele cresça cada vez mais. Jesus nos amou até o fim! A fidelidade é uma das maiores provas do amor. Num mundo onde tudo é descartável – até mesmo as pessoas –  o compromisso fiel torna-se uma das características fundamentais do(a) discípulo(a) missionário(a) (cf. Hb 10,38).

. O discípulo missionário sabe que não exerce esta sublime missão isoladamente. Ao contrário, ele a exerce na Igreja, grande comunidade de todos os discípulos missionários, novo povo de Deus, conclamado para reunir-se na fraternidade, acolher a Palavra, celebrar os sacramentos e sair em missão, no testemunho, na solidariedade e no claro anúncio da pessoa e da mensagem de Jesus Cristo. Mesmo quando se encontra sozinho, em meio a quem não se compromete com os valores do Reino de Deus, o discípulo missionário está unido a toda a Igreja. Sabe que, no mistério do Deus-Comunhão, ele será sempre um irmão entre irmãos.

. Cristo Cabeça remete necessariamente à Igreja Corpo (cf. Cl 1,18). Não há como ser verdadeiro discípulo missionário sem o vínculo efetivo e afetivo com a comunidade dos que descobriram fascínio pelo mesmo Senhor. Na Igreja, o discípulo missionário percebe a força de uma união que ultrapassa raças, condições econômico-sociais, preconceitos, discriminações (cf. Gl 3,28) e tudo que, de algum modo, tenda mais a separar do que a unir. Chamada a ser, na terra, sinal do Deus-Amor, do Deus-Comunhão, do Deus-Trindade, a Igreja encontra sua razão de ser na vivência e no anúncio do Reino de Deus (cf. LG, n. 1). A unidade de todos os discípulos missionários, em meio à diversidade de dons, serviços, carismas e ministérios (cf. LG, nn. 9-13), testemunha o amor trinitário do Pai, pelo Filho, no Espírito. Ao testemunhá-lo, interpela todas as formas de desfiguração humana, tais como discriminação, exclusão, exploração, separação, opressão, escravidão, manipulação, protecionismo, injustiça e ausência de reconciliação.

. Nestes tempos de agudo apelo ao individualismo hedonista e de fortíssimo consumismo, nos deparamos com o surgimento de propostas religiosas que dizem oferecer o encontro com Deus sem o efetivo compromisso cristão e a formação de comunidade. Desaparece, então, a imagem do Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, cujo zelo por suas criaturas é atento com as aves do céu, com os lírios do campo ou com um único fio de cabelo (cf. Lc 21,18). Surge a imagem do Deus da troca, do negócio, dando a impressão de que Ele se encontra mais preocupado com o que pode lucrar através de pedidos e reivindicações, notadamente dos que sofrem. Em tudo isso, o discípulo missionário reconhece que não pode existir caminho para o Deus revelado em e por Jesus Cristo, se não houver amor (cf. 1Jo 4,7.20-21). O discípulo missionário sempre desconfiará (cf. 1Jo 4,1) das propostas religiosas que não brotem do amor nem levem a ele.

. Viver, pois, o encontro com Jesus Cristo implica necessariamente amor, gratuidade, alteridade, unidade, eclesialidade, fidelidade, perdão e reconciliação. Torna o discípulo missionário firmemente enraizado e edificado em Cristo Jesus (cf. Ef 3,17; Cl 2,7), à semelhança da casa que se constrói sobre a rocha (cf. Mt 7,24-27). Assim, cada discípulo missionário, junto com toda a Igreja, comunidade dos discípulos missionários, torna-se fonte de paz, justiça, concórdia e solidariedade. Significa contemplar Jesus Cristo em constante atitude de saída de si, de desprendimento e esvaziamento. Significa acolher o mistério divino como contínuo transbordar do amor do Pai pelo Filho, no Espírito. Implica diálogo, unidade na diversidade, partilha, compreensão, tolerância, respeito, reconciliação e, consequentemente, missão.

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MÍSTICA DA AÇÃO MISSIONÁRIA

ESSÊNCIA DA AÇÃO MISSIONÁRIA

O missionário é uma pessoa com convicções profundas, que surgem da mística e espiritualidade cristãs.

“Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos… E qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem?… se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis;. …e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, Porque melhor é que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal” (1Pedro 3, 12-15.17).  O missionário sonha os mesmos sonhos de Jesus Cristo: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim. Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17, 21-26). A mística é como as raízes de uma planta: não aparecem mas, sem as raízes a árvore morre :“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. (Jo 15,5.16-18) A espiritualidade, alimentada pela mística, marca o estilo de viver dos seguidores de Jesus: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. (Filipenses 2, 4-8)

MÍSTICA MISSIONÁRIA

O missionário não busca a glória pessoal, mas cumpre a missão confiada por Jesus: “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (1Coríntios 9,16).

Só pode viver a mística missionária cristã quem não esquece o primeiro amor, o momento fundante da fé: “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”.(Apocalipse 2, 2-4). É a partir da experiência profunda com a Boa Nova que se pode falar do que se sentiu : “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida. Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada. O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo”. (1João 1, 1-4).

ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA

Crer que a Palavra de Jesus liberta é o ponto de partida da espiritualidade missionária “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8, 31-32). Alegrar-se com a missão, mesmo diante dos obstáculos, é atitude essencial do verdadeiro missionário: Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. (Lucas 10,21) Aceitar que a missão envolve a cruz, o conflito e a perseguição: “E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus. E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes? Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo… os judeus tomaram conselho entre si para o matar”.(Atos 9,20-23)

O MISSIONÁRIO ANUNCIA A GRATUIDADE DA TRINDADE

É a partir da vida da Trindade, baseada no amor, que a graça transborda e se torna missão: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3,16). Pela força do Espírito Santo, o desejo do Pai, realizado no Filho, é concedido a todo ser humano: Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. (João 20, 21-22).

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IGREJA – PREVISÃO DE CENÁRIOS POR LIBÂNIO HÁ 15 ANOS – será que que ele acertou algum ?

CENÁRIOS DA IGREJA

Há quinze anos João Batista Libânio fez previsão de três cenários possíveis para a Igreja.  Será que ele acertou algum? Leia abaixo e faça a sua avaliação.

Pe. João Batista Libânio, sj. (revista Vida Pastoral nº 215 – nov/dez-2000)

 A história nunca está fechada nem aberta arbitrariamente para nenhuma possibilidade. Nada acontece nela por acaso ou pura fatalidade. Todo evento, mesmo com doses aleatórias, pode ser inserido num universo de significado. Esta é a nossa tarefa humana e de cristãos. Se num juízo crítico desejamos determinado tipo de Igreja, cabe-nos colocar as condições de sua viabilidade.

No atual momento eclesiológico, vários cenários são possíveis. Antes de defender, rejeitar este ou aquele nos cabe colocar as condições que favoreçam um ou outro e julgarmos qual é o mais próximo da nossa visão de Igreja.

  • CENÁRIO DA IGREJA COMO INSTITUIÇÃO

Três centros que valorizam a presença da Igreja e sua visibilidade diante de outras denominações religiosas na sociedade. Quer marcar a sua atuação pelo seu poder.

  • Cúria Romana
  • Diocese
  • Paróquia

Teologia – a serviço do magistério. Qualquer outra teologia, diferente da oficial, sofrerá restrições.

Bíblia e Catequese – se pautará no Catecismo da Igreja Católica

Leigos – ocuparão lugar privilegiado por meio dos movimentos de espiritualidade e apostolado, influenciando o clero e a vida religiosa.

Escolha dos Bispos – obedecerá a critérios de fidelidade, obediência visível à instituição.

Formação seminarística– formar-se-á mais para as funções sagradas e institucionais, com maior reconhecimento social e com previsível aumento das vocações.

Campo da Moral – atenção especial à moral sexual, familiar, com ênfase à problemática bioética, com menor preocupação pela temática social.

Campo da Evangelização –  disputa por espaços na publicidade midiática. O clero atribuirá mais importância à exterioridade comunicativa, visual e midiática da mensagem do que a seu conteúdo.

Campo cultural – assumirá posição de resistência, crítica e combativa à modernidade, sobretudo dos que ameaçam a fé, a moral e a estabilidade familiar. Da modernidade, usará técnicas, especialmente da mídia, buscando ser uma Igreja visível por meio dos canais de TV, rádios e imprensa.

Campo social – a Igreja se preocupará com os pobres por meio de obras de assistência, mas não na perspectiva crítico social. Suprirá o Estado em suas carências assistenciais. Poderá receber apoio das classes empresariais e burguesia como forma de se evitar turbulência social.

PLAUSIBILIDADE DO CENÁRIO

Tem possibilidade de vingar e está presente no seio da Igreja. Pesa a favor de tal cenário a longa experiência da Igreja como Instituição. Porém, cada vez mais a Igreja esbarrará em uma sociedade avessa ao autoritarismo. Tanto as forças culturais pós-modernas quanto às aspirações religiosas vão à direção de estruturas mais flexíveis e adaptadas às experiências pessoais. Busca-se cada vez mais uma prática religiosa individual, subjetiva, montada no gosto das pessoas. Tal cenário não corresponda a uma Eclesiologia pautada na Pneutmatologia.

  • CENÁRIO DA IGREJA DO CARISMA

É um cenário quase oposto ao anterior. É o triunfo do carisma, da espiritualidade, da mística, das experiências pessoais e subjetivas. Quando se fala num cenário do carisma, quer-se chamar a atenção tanto para a presença mais acentuada do Espírito quanto para o lado inspirador e espiritual das próprias instituições;

Bíblia e Catequese- estará nas mãos dos fiéis que buscarão nela conselhos imediatos, palavras de estímulo e questionamentos. Será deixado de lado o aspecto científico para buscar na Bíblia consolo e receitas pessoais de felicidade a modo dos livros de auto-ajuda com reforço à autoridade de Deus.

Liturgia – se transformará na grande festa religiosa e emocional e  nela os leigos encontrarão muita liberdade celebrativa.

Formação seminarística – marcada pela espiritualidade de alguns movimentos, formará para que o clero anime e nutrirá os leigos na prática dos movimentos.

Ação Pastoral – receberá menos realce em favor da interiorização e privatização da vida cristã. A Igreja vai interessar-se mais por uma presença espiritual na mídia, que dificultará o envolvimento da Igreja com a sociedade e o mundo.

PLAUSIBILIDADE DO CENÁRIO

Tal cenário está, no momento, em alta, especialmente neste início de milênio. São previstos conflitos com a Igreja Institucional.

 

3- CENÁRIO DE UMA IGREJA DA PREGAÇÃO

Serão valorizados neste cenário os aspectos doutrinais, o ensino sob as formas de catequese, a pregação, a moral, a evangelização e o anúncio. A vida interna da Igreja se organizará em torno em torno da Palavra e cursos de Bíblia e Teologia serão instituídos para formar catequistas, leigos e agentes de pastoral.

Campo social A busca de uma sociedade justa e fraterna se expressará por meio de seus ensinamentos sociais. Ocupar-se-á a mídia como lugar da evangelização.

É uma Igreja que investirá muito na capacitação intelectual do clero e dos leigos.

PLAUSIBILIDADE DO CENÁRIO

Seu futuro vem da importância e necessidade crescente do saber na atual sociedade.Sua dificuldade se origina tanto na decadência dos cursos quanto no tipo de cultura vigente, mais simpático à imagem que ao conhecimento.

Teologicamente, nesse cenário valoriza mais a dimensão fundamental da fé como conhecimento.

  • CENÁRIO DE UMA IGREJA DA PRÁXIS LIBERTADORA

Neste cenário predominará a leitura popular da Bíblia com círculos bíblicos, em que se articulam fé e vida. A Teologia seguirá o método VER/JULGAR/AGIR. A Igreja se articulará em Comunidades de Base e surgirá a figura nova da Assembléia do Povo de Deus como órgão orientador da Igreja Local.

Multiplicar-se-ão celebrações sem a presença do ministro ordenado e os movimentos perderão a relevância, já que o principal ordenador da Igreja será as comunidades eclesiais de base. O leigo assumirá relevância maior na coordenação das comunidades e nos ministérios. Haverá um redimensionamento do papel do clero e, por conseguinte, sua preparação nos seminários. Haverá maior ênfase na espiritualidade do seguimento de Jesus na relação com a libertação dos sofrimentos sociais. As vocações surgirão especialmente dos ambientes populares e de grupos sintonizados com eles.

.     A presença da Igreja se tornará mais expressiva e crítica, seja por meio dos seus ensinamentos sociais, seja mediante práticas pastorais sociais. Em relação aos meios de comunicação, será dada ênfase às rádios comunitárias, programas populares e presença mais marcante nas camadas mais simples da população. Será valorizada a religiosidade popular, seja sob o aspecto da expressão da vida do povo, seja sob as suas possibilidades libertadoras.

 

PLAUSIBILIDADE DO CENÁRIO

As chances de êxito deste cenário fundam-se na tradição de Medellín e Puebla, das três últimas décadas, que conseguiu presença significativa em nosso continente por meio de uma prática pastoral libertadora e de um testemunho de vida até o martírio. As dificuldades vêm por conta da crise das esquerdas e das militâncias com a queda do Socialismo e com as sucessivas derrotas das forças populares. O clima de pós-modernidade e de neoliberalismo não favorecem este cenário.

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PRECISAMOS MAIS DE OUVIDOS QUE BOCAS

ATITUDE DA ESCUTA 

 

JESUS ESCUTA SUA MÃE E POR ISSO A FESTA FOI REVITALIZADA

 

       Numa festa de casamento, Maria, a Mãe de Jesus, viu a aflição das pessoas e comentou tal fato com seu Filho. Num diálogo rápido, nosso Senhor atende ao apelo de sua Mãe e realiza o milagre da transformação da água em vinho.

       Porque escutou, Jesus trouxe de volta a alegria à vida dos noivos. O que torna muito difícil a realização pessoal nos dias de hoje é justamente  a falta de pessoas que se disponham a escutar umas às outras.

 

  • O QUE PROVOCA A FALTA DE ESCUTADORES NOS DIAS ATUAIS

 

O grande desafio do mundo atual é revitalizar os relacionamentos, principalmente a sensibilidade para a escuta

As invenções modernas que facilitam a comunicação – Internet, celular, TV a Cabo – fazem as notícias, inclusive as mais distantes, circularem instantaneamente. Por isso a maioria das pessoas tem, hoje, a sensação de que o tempo passa mais rápido, porque veem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo ao redor delas. Imagine um filme com cenas rápidas, com muitas informações que obriguem o expectador a manter a atenção ininterruptamente. Ao final de duas horas, ele terá a sensação de que se passaram poucos minutos.

Mesmo com a sensação de pouco tempo, as 24 horas do dia são as mesmas de sempre. É que a facilidade das pessoas usarem os equipamentos e obterem muitas e variadas informações produz a sensação de passar velozmente o tempo. Muitas vezes aqueles que usam a Internet passam horas diante do computador sem se darem conta do andar do relógio. Dessa maneira, as pessoas sem perceber, vão entrando no ritmo das conversas no celular, dos programas televisivos que roubam o diálogo familiar, das horas de navegação online e não tem mais “tempo” para parar, pensar, refletir, cultivar, projetar o futuro, viver o presente e escutar as pessoas da própria casa, vizinhos, colegas etc. Então, o escutar para muitos, infelizmente, termina sendo sinônimo de perda de tempo e dinheiro.

É o caso do filho ou filha que quer contar algo aos pais e, tentando contextualizar a narrativa, aumenta o tempo do encontro. Os pais pensando na atividade seguinte, talvez no trabalho, etc., e não querendo perder tempo dizem:

- Fala logo o que você quer dizer…

E assim as pessoas vão vivendo dentro da família, entre os amigos, com o namorado (a) sem se compreenderem realmente. Porque só pode compreender alguém quem o escuta.

Muitas coisas, ocasionadas por essa correria, provoca a falta de disposição para escutar.  O mau humor, o nervosismo, a irritação, a ira e, sobretudo, a necessidade de ter razão a todo custo são as consequências desta correria. Em uma conversa que se torna campeonato no qual a razão se transforma em um troféu, o diálogo se torna uma verdadeira guerra. Cada qual usará as armas que dispõe quase sempre frases cheias de preconceitos, acusações, falsidades…

 E por conta disto tudo, o que as pessoas mais querem, hoje, é serem escutadas por alguém que não as julgue, não repreenda, mas somente escute.  A maneira mais eficaz de conhecer o outro é a escuta atenta. Quando estamos ocupados ou distraídos, quase inevitavelmente ouvimos sem escutar o que as pessoas estão dizendo. Ouvir é somente deixar o som entrar pelo ouvido. Por exemplo, há pessoas que ouvem o que o outro está dizendo, mas o seu pensamento já está elaborando a resposta. Ou, o que é pior, está ouvindo o som, mas sua mente está voltada para o que fará após aquela conversa.

2-ESCUTAR É COMPREENDER

 A compreensão nasce da escuta. Escutar é entregar-se totalmente ao outro que fala.  Para haver esta entrega – verdadeiramente escutar -, precisamos aprender a traduzir não só palavras, mas também a gesticulação, o modo da articulação dos músculos do rosto, a tonalidade da voz e também cada palavra escolhida para expressar a realidade da vida narrada por aquele que fala.

Quem fala não somente deve se exprimir, mas ter certeza que quem o escuta o tenha entendido. Um diálogo se estabelece assim: os interlocutores, cada qual, devem ter a concreta certeza de ter escutado o outro e de ter sido escutado por ele. Isso significa que devemos saber escutar não somente com os ouvidos, mas até com os olhos.

É necessário dedicar tempo para prestar plena atenção. Significa suspender temporariamente os preconceitos e certezas. É parar a mente para quaisquer outros pensamentos senão às palavras que o outro fala. Os olhos não devem ter outra coisa à frente senão a imagem do corpo daquele que fala.

Há palavras que podem provocar naquele que escuta alguns incômodos. Por exemplo: um jovem que queira falar sobre sua homossexualidade, ou uma jovem que partilhe sobre a vida sentimental com um homem casado ou ainda a mãe que odeia um dos filhos, até mesmo filhos que renegam seus pais. Todas estas situações podem ser abominadas por aquele que escuta. Mas, naquele momento, o que importa é somente escutar sem julgar, sem preconceber nada. Apenas escutar com os olhos, com os ouvidos e com o coração, acolhendo a pessoa que teve a coragem de colocar-se à frente de outra para falar de si mesma.

Portanto, uma das principais características da atitude da Escuta é acolher a pessoa que pode errar ou acertar, ser feliz ou infeliz, amar ou odiar, querer viver ou até desejar o suicídio. Existe em cada um de nós a contradição e a coerência, a covardia e a coragem, a retidão da consciência e o pecado. Neste caso não uso a alternativa (ou) porque sempre teremos ao mesmo tempo tudo isso junto.

A necessidade fundamental de ser acolhido, compreendido, amado, tal como é, manifesta o desejo da pessoa em encontrar o caminho verdadeiro da vida em abundância. Num primeiro momento as pessoas querem falar da vida, não se importando se a história pessoal está errada ou certa.  Elas querem partilhar os seus sofrimentos e alegrias.

Por isso, escutar o outro é, em primeiro lugar, saber levar em conta a pessoa toda, com seus sorrisos ou suas lágrimas. Há muitos que pensando consolar dizem:

- Não chore!

Ser escutado é ter a permissão de manifestar os sentimentos, ainda que isso implique em lágrimas. Saber-se escutado é olhar para o outro e vê-lo acolhendo-me com os olhos do amor, ainda que falar implique em uma entonação de voz mais alta. Quando uma pessoa encontra alguém que de fato a escute, ela está no caminho para que encontre seu equilíbrio emocional, psicológico, e principalmente espiritual.

Muitos sofrimentos humanos são provocados pela falta de quem escute ao que sofre. Está faltando escutadores por conta daqueles motivos que citei logo no início: a correria que gera irritação, mau humor, nervosismo.  Ter a postura da escuta exige uma atitude mental, um fruto da vontade de escutar que é uma das características mais significativas do verbo amar. Quem escuta verdadeiramente ama.

Muitas famílias são, infelizmente, desprovidas de verdadeiros escutadores. Aos pais o desafio de criar na família uma cultura da compreensão, que somente é gerada pela escuta. E para ensinar à escuta, eles devem ser os primeiros escutadores. As relações familiares não podem ser profundas e construtivas sem uma verdadeira compreensão gerada pela atitude da escuta. Já foi dito que só compreende quem escuta.

 As pessoas cometem erros com os filhos, os parentes e outros membros da família, não porque são más. O que acontece é que não fazem esforço nenhum para verdadeiramente escutá-los. São analfabetos do coração. Falamos tanto, hoje, do analfabetismo informático, mas é muito maior o número daqueles que não conhecem as letras da sensibilidade da escuta e da acolhida.

3-ESCUTAR EXIGE 

CONVERSÃO PARA O AMOR!

Para que os ambientes de convivência sejam contemplados com a presença de escutadores, é necessária uma mudança de lógica. Normalmente se pensa que quando duas pessoas conversam sobre um determinado assunto que envolve alguma decisão, uma terá que ter mais razão que a outra. Às vezes as duas têm razão e cada uma, de acordo com seu ponto de vista, poderá agir desta ou daquela forma. No entanto, a postura da dominação, do desejo de estar acima, da competição, faz com que surjam sentimentos de revolta, desacordos, etc. A lógica do ouvir e não a de Escutar é que gera os muitos conflitos.

Conversar significa versar – falar – com o outro sobre um determinado assunto. Significa partilhar o meu ponto de vista para escutar a partilha do ponto de vista do outro. Quando esta partilha de pontos de vista acontece envolvida pela escuta, a realidade pode ser vista de forma mais ampla.

A conversação implicaria, num primeiro momento, em convergir, ou seja, ver uma realidade em várias perspectivas para depois agir melhor. Em última instância conversar pode até implicar em entrar em acordo, mas é também crescer no conhecimento a partir daquilo que o outro pode me ensinar.

No entanto, a maioria das conversas, hoje, se estabelece mais no desejo de convencer do que acolher, mais de dominar pela própria palavra que deixar que a palavra do outro penetre meus pensamentos. Desta forma não há compreensão. Se não compreendermos verdadeiramente o outro, nunca saberemos o que realmente é importante para ele ou ela.

Cada pessoa é única, e como tal deve ser amada. É então indispensável procurar compreender e falar a linguagem de amor do outro. Nesse sentido, o primeiro resultado de uma real vontade de Escutar – compreender – é a confiança que se estabelece quando aquele que fala sente que o outro o Escuta.

Conversar não significa apenas falar. Significa também – e principalmente – escutar o outro e ter confiança de que ele está compreendendo o que escuta. E neste sentido são sábias as palavras do Eclesiaste quando alerta que há tempo para falar e tempo para calar, tempo para falar e tempo para escutar. Em nossos lares, cheios de ruídos e gritos, cada um deveria se fazer a pergunta: há quanto tempo eu não escuto ninguém.

4-POR QUE A ATITUDE DA ESCUTA?

A atitude da Escuta é urgente para muitas pessoas desesperadas e desorientadas, pois quando alguém as escuta sente-se valorizadas e com possibilidades de luzes em seu viver. 

O serviço de escuta é um espaço em que é possível encontrar alguém que escute com profundo respeito aquilo que aflige a pessoa.

     Quando alguém viveu os desafios dos limites da existência humana em vários sentidos, sem dúvida saberá escutar os sofrimentos dos outros e compreendê-los.  E saberá motivá-las a continuar a buscar que Deus as escute. Você, com certeza, muitas vezes clamou aos céus, pedindo que Deus escutasse as suas preces.

Para fazer parte da atitude da Escuta é necessário que o Escutador tenha uma relação próxima com Deus. A atitude da escuta toma como orientação o ministério fundamentado na empatia, no respeito e no amor que Cristo manifestava às pessoas.  Ele escutou o sofrimento dos enfermos e até das prostitutas. Escutou e amou aquelas pessoas. Mas soube depois dar-lhes uma palavra que as motivasse a sair da situação do desânimo ou do pecado.

Considero muito revelador o diálogo estabelecido entre Jesus e o cego Bartimeu. O cego sentiu que era Jesus quem passava e começou a gritar para que o Filho de Deus o escutasse. As pessoas mandavam que ele se calasse. Mas Jesus o chamou e perguntou: Que queres que te faça?  Era óbvio que ele queria o milagre de ver novamente. Mas Jesus primeiramente o escutou. E o cego lhe disse: Mestre, quero ver novamente! (Marcos 10, 49-51). E Jesus o curou. E então aquele homem não somente recuperou a visão, mas pode ver a vida presente em Jesus Cristo. Aliás, ao Cristo ele já enxergava pelos olhos da fé, antes mesmo que a seus olhos fossem curados.

Escutar, pois, seguindo o exemplo de Jesus, é criar condições para que o ser humano que está só ou em crise trace um caminho, pela experiência, que o leve a curar suas dores e ao mesmo tempo a encontrar a si mesmo, mas também descobrir que, por meio do Cristo ressuscitado, Deus está presente em sua vida. Quem se deixar tocar por Jesus, receberá de presente uma nova forma de ver sua vida e será curado desde a base. Por isso, o ato de escutar também deve estar envolvido pelo amor – “pois o amor vem de Deus” (1 Jo 4,7) −, pelo calor humano e pela aceitação”. Creio que você possui o dom da escuta e poderá exercitá-lo. Você vai aperfeiçoar este dom através das leituras de livros escritos por especialistas, mas o exercício da escuta é o melhor caminho para aprender cada vez mais a acolher ao outro com o mesmo amor de Jesus.

5-VAMOS OLHAR A BÍBLIA E DELA APRENDER O DOM DA ESCUTA

Escutar não é tão fácil assim. E o desejo de ser escutado está presente no clamor do salmista:

“Senhor, escuta a minha voz; sejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas.” (Salmo 130 : 2)

Na Bíblia há muitos exemplos do benefício da escuta. Deus escuta o clamor de seu povo que vivia na escravidão do Egito e os liberta (cf. Ex 3,7). Encontra-se no Deuteronômio a profissão de fé do povo: “Escuta, ó Israel! O Senhor nosso Deus, o Senhor é único” (Dt 6,4).

No Novo Testamento, em Lucas, o próprio Jesus aproxima-se dos discípulos de Emaús e escuta-os. Iam tristes e abatidos pelo caminho, quando Jesus os acompanha e escuta os motivos de sofrimento e angústia. Após escutar suas decepções, começa a falar, e eles escutam com atenção ao ponto de seus corações se abrasarem. Ao escutarem, foram curados e logo o reconheceram ao partir o pão. Nessas experiências voltaram libertos e correndo para Jerusalém, a fim de contar aos demais discípulos (cf. Lc 24,13-35).

Na parábola do fariseu e do publicano, apenas este saiu justificado por apresentar a sua vida com sinceridade de coração, enquanto aquele não (cf. Lc 18,9-14).

Na visita de Jesus às suas amigas Marta e Maria, reclamou que Marta se preocupa e se agita demais com os afazeres, enquanto Maria escuta (cf. Lc 10,38-42). Ao chamar a atenção de Marta, não está desmerecendo seu serviço, mas salientando a importância da escuta. Lucas, com o comportamento de Marta, mostra um exemplo de resistência à escuta ao ficar envolvida somente com as coisas materiais. Em contrapartida à resistência de Marta, João apresenta a atitude empática de Jesus ao relacionar-se com a samaritana à beira do poço de Jacó (cf. Jo 4,7-30). A samaritana revela o seu grande vazio interior e, ao escutar o Senhor, é transformada por Ele.

Como se vê, em apenas alguns exemplos bíblicos de escuta muitas transformações de vida aconteceram. A Palavra de Deus tem o poder transformador, de curar e mudar a vida. A escuta da Palavra gera o homem novo, porque é o mesmo espírito que a atualiza e toca o coração do ser humano. A Palavra não entra pelos olhos, mas pelos ouvidos e toca o coração, produzindo vida nova, como aconteceu com tantos homens e mulheres, em acontecimentos registrados na Bíblia.

Deus continua agindo no mundo de diversas formas criativas, por meio das pessoas que fizeram uma experiência profunda com Ele. Creio que a sua história pessoal é repleta de profundas experiências com Deus. Por diversas vezes você clamou a Deus. Tenho que lhe dizer que Deus fala e escuta o clamor das pessoas de muitas maneiras.

São muitas as pessoas que precisam, hoje, serem escutadas. E várias delas que buscam o sacerdote, terminam desistindo por conta da fila de espera. Ter outra pessoa que possa escutá-las, será uma benção enorme.

A primeira pergunta que você deve fazer a quem a buscar é esta:

- Você quer uma conversa, um conselho ou confessar?

Se a resposta for CONFESSAR, então buscarão o sacerdote. Porém, eu lhe digo que muitas pessoas que me buscam, querem confessar, mas também desabafar, contar uma tristeza, falar das suas angustias.

6- O QUE FAZER DIANTE DE ALGUÉM   

    QUE DESEJA SER ESCUTADO?

Diante de alguém que procura a caridade da escuta é perguntar:

- O que eu posso lhe ajudar?

A partir desta pergunta ampla e que manifesta a disposição da solidariedade, a pessoa expõe o seu drama. E ela falará e falará muito se sentir que existe a disposição de quem a escute. A sua atitude num primeiro momento é somente escutar.

 Se quiser, pode anotar em um papel alguns pontos relevantes daquilo que foi dito, mas tendo sempre a preocupação de manter os olhos sempre voltados para a pessoa que fala.

Quando tudo o que tiver que ser dito for pronunciado, a própria pessoa irá expressar que encerrou o relato. Então é hora de deixar que o Espírito Santo a ilumine para que:

1-         Ajude a pessoa a perceber pontos positivos onde ela só via coisas negativas

2-         Perceber que nem sempre são os outros que nos infernizam, mas que a nossa passividade diante da vida é que pode tornar tudo muito pesado

3-         Jamais você irá apontar soluções, mas sempre provocar a pessoa para que ela descubra os caminhos da solução.

4-         Terá que ter a sensibilidade para diferenciar os encontros em que somente há a necessidade de um desabafo e aqueles em que a pessoa deseja realmente uma luz.

5-         A sua experiência pessoal, iluminada por sua fé e pelos seus estudos pessoais serão os componentes para torna-la uma verdadeira escutadora.

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CF 2015 – PLANO PASTORAL DA PARÓQUIA – sob a ótica da CF 2015

OBJETIVO GERAL DA EVANGELIZAÇÃO

Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), Rumo ao Reino definitivo.

PLANO PASTORAL DA PARÓQUIA

DE S. ANTONIO E NOSSA SENHORA APARECIDA

Operacionalização das Prioridades da Diocese assumidas pela Paróquia em Assembleia para atingir o objetivo geral

  • SETORES – Identificação/fortalecimento das relações familiares

TAREFAS A CURTO   PRAZO – 2015

  O QUÊ QUEM QUANDO
Missas nas casas das famílias nos setores Sacerdote, com colaboração das Equipes pastorais 2ª feira de cada mês, com exceção da 1ª.
Celebrações da Palavra nas casas das famílias nos setores Ministro da Palavra e ministérios de música

Jovens Maranatha

Primeira 2ª feira de cada mês

Toda 6ª Feira

Círculo Bíblico nos setores Assessores do CEBI Conforme datas listadas na agenda
Religiosidade popular (terço, novenas, etc.) Apostolado da Oração e Liga Católica Conforme datas listadas na agenda
Tempos Fortes: Advento e Quaresma vividos nos setores Animadores dos setores Nos tempos de preparação para o Natal e Páscoa

CATEQUESE NOS SETORES

DESAFIOS A CURTO PRAZO

2015 - Primeiro semestre: Identificação de possíveis catequistas nos setores

Segundo semestre: Formação destes catequistas

DESAFIOS A LONGO PRAZO

20171º Semestre: abertura da catequese nas diversas etapas nos setores.  A metodologia a ser usada será:

  • Encontros catequéticos – Durante o mês: 03 encontros nos setores e 01 encontro Geral com todos os grupos catequéticos, separados por etapas.
  • Encontros mensais com os pais dos catequizandos. Duas vezes por ano (Maio e Novembro) encontro de todos os pais agrupados pelas etapas catequéticas dos filhos.

A partir de outubro de 2016 – Identificação e Inscrição das pessoas em cada setor para o processo catequético nas etapas específicas.

PREPARAÇÃO: BATISMO E MATRIMÔNIO NOS SETORES

DESAFIOS A CURTO E MEDIO PRAZO – 2015 – 2016

2015 – 1º Semestre – Identificação nos setores de pessoas que assumam a preparação de pais e padrinhos para o batismo dos seus filhos e de casais que iniciem a preparação de noivos para o matrimônio.

De Agosto de 2015 até o Setembro de 2016: preparação das pessoas que assumirão a catequese para o batismo e para o matrimônio.

A Partir do 1º semestre de 2017 – Quando as pessoas procurarem o batismo dos seus filhos ou o sacramento do matrimônio será preenchida ficha na secretaria, que, posteriormente, será entregue ao animador do setor que, após visita, iniciará a preparação para o sacramento.

  • MISSÃO –

A missão acontece sempre tendo como foco os setores missionários através de visitas às famílias tendo como objetivo despertá-las para a participação na comunidade cristã

O QUÊ QUEM QUANDO
Visita às famílias dos setores ao redor das comunidades Membros das pastorais paroquiais Uma semana antes da festa dos padroeiros das comunidades
PROCISSÃO dos setores até o local celebrativo – Esta caminhada de fé já é missão testemunhal Animadores dos setores próximos se reúnem com seus membros para a procissão Sempre que o Bispo vier celebrar. Nas grandes celebrações: Natal, Páscoa, Pentecoste e Corpus Christi
Visita às famílias para convocá-las para as Novenas de preparação para o Natal e para a Páscoa Membros das pastorais e animadores dos setores- tendo como foco as famílias afastadas Uma semana antes da quarta feira de cinzas e do 1º Domingo do Advento
Visitas às escolas Catequistas Divulgação da catequese Paroquial

A Missão é anúncio, mas também FORMAÇÃO permanente daqueles que, ouvindo a Boa Nova, se dispõe a serem catequizados. A próxima prioridade “Iniciação à Vida Cristã” tem relação com a Missão.

  • INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

BATISMO- Atualmente, a preparação do Batismo acontece em dois momentos:

  • Preparação na casa de cada família;
  • 2- Encontro Geral de todas as famílias que batizarão seus filhos na sala da catequese. Mudará a visita, que será feita pelos animadores dos setores onde a família mora.

MATRIMÔNIO: Atualmente a preparação acontece em um único encontro de 12 horas de duração (das 08h às 20h00).

A mudança será a inserção de um encontro individual dos casais com os animadores dos setores onde irão morar para que iniciem a vida matrimonial também com a prática da fé em comunidade.

      O QUÊ QUEM QUANDO
BATISMO Preparação de pais e padrinhos Pastoral do Batismo, tendo a colaboração das pastorais Datas na agenda – lembrando que a partir de 2017 acontecerão também nos setores
MATRIMÔNIO Preparação

dos  Noivos

Past. Familiar, tendo a colaboração das pastorais Datas na agenda – lembrando que a partir de 2017 acontecerão também nos setores
CATEQUESE

Nas várias etapas

Catequistas e os pais dos catequizandos Durante o período estabelecido pela Diocese a cada etapa catequética

DESAFIOS MISSIONÁRIOS E FORMATIVOS

Casais homoafetivos:

MÉDIO PRAZO (2016) – identificação de casais homoafetivos responsáveis por filhos a serem batizados ou catequizados.

LONGO PRAZO (2017) – realização de encontro com tais casais. Vamos esperar as conclusões do Sínodo das Famílias que serão elaboradas a partir de outubro de 2016. Assim que entregues, vamos estudá-las e, a partir disto, realizaremos o encontro com os casais homoafetivos.

Casais em 2ª. União

MÉDIO PRAZO (2016) – Identificação de casais vivendo 2ª união.

LONGO PRAZO (2017) – realização de encontro com tais casais, tendo as mesmas prerrogativas reflexivas do Sínodo das Famílias.

  • ANIMAÇÃO BÍBLICA DA VIDA E DA PASTORAL

Temos os círculos Bíblicos nos Setores. Mas precisamos de momentos de FORMAÇÃO mais consistentes que preparem os assessores que coordenarão as reflexões bíblicas setoriais.

O QUÊ QUEM QUANDO
ESCOLA DA FÉ Afonso Dias é o assessor. Participam paroquianos em geral Toda 3ª QUARTA FEIRA DO MÊS –
FORMAÇÃO CEBI Afonso Dias é o assessor. Participam animadores dos setores e membros das pastorais Todo 3º sábado do mês
SEMANA BÍBLICA

NOS SETORES

Cursistas da FORMAÇÃO do CEBI – Evangelho de Marcos De 14 a 18 de setembro
ESCOLA CATEQUÉTICA Seminários temáticos apresentados pelos participantes da Escola Catequética Todo 1º sábado de cada mês

V – IGREJA A SERVIÇO DA VIDA  –

èCom atenção aos novos rostos dos Pobres

  O QUÊ QUEM QUANDO
Distribuição das cestas básicas Pastoral da Dignidade Humana 2º SÁBADO DE CADA MÊS
Evangelização e capacitação humana das famílias beneficiadas com a cesta básica Todas as pastorais escalonadas conforme indicação na agenda 2º Sábado de cada mês – das 10 às 12 horas.
Pessoas em situação de risco Promoção de esporte e incentivo às artes Dignidade Humana e Anjos da Paz Conforme datas indicadas na agenda

Quanto aos adictos, manteremos parceria com as entidades IRMÃOS DE RUA e MISSÃO BELÉM. Ajudaremos estas entidades com a doação de alimentos e sempre que alguém quiser internação eles os acolherão. Temos o desafio de encontrar uma casa que acolha também mulheres que desejem o abandono das drogas.

Firmamos parceria com a Secretaria de Promoção Social e Fundo Social para as diversas ações que estejam além das nossas capacidades para a solução.

Os Grupos Dignidade Humana e Anjos da Paz promoverão jantares e bingos (conforme datas indicadas na agenda) com a finalidade de arrecadar recursos para o financiamento de suas ações junto às pessoas em situação de risco.

DIMENSÕES DA AÇÃO PASTORAL DA NOSSA PARÓQUIA

Cada grupo pastoral tem seu objetivo específico. Porém, não podem agir isoladamente. Para uma solidária execução dos objetivos particulares e ação conjunta com vistas ao objetivo geral, as 05 Dimensões agrupam as equipes com afinidades na ação para que, na comunhão, colaborarem para que as atividades sejam desenvolvidas.

DIMENSÃO LITÚRGICA: Cecília  e  Santa

A Dimensão Litúrgica tem a missão especial de Evangelizar as famílias em seu ambiente (setores), num estado permanente de missão através da religiosidade popular (terços, novenas, etc.). É sua Tarefa também

  • DINAMIZAR a solidariedade às famílias enlutadas, tanto no velório, como na oração do terço em suas casas nos três dias seguintes ao sepultamento.
  • MOTIVAR as pastorais a assumir a cada final de semana uma das celebrações e divulgarem nelas suas ações.
  • PROMOVER a reflexão das liturgias dominicais e festas, preparando os comentários, músicas e demais ações condizentes ao espírito de cada celebração.
  • PREPARAR as pessoas envolvidas com a celebração para que desempenhem com competência e espiritualidade suas funções litúrgicas.

PASTORAIS DA DIMENSÃO LITÚRGICA

Coroinhas – Mara

Leitores e Comentaristas - Cecília

Música e salmistas – Ivonilde

MESC PAROQUIAL – Santa ,  Cecília, Janete  e Dalva

MESC Santo Antônio:  Dalva, Márcio e William

MESC N. Sra .Ap.: Janete, Humberto

EXÉQUIAS – Milton  e Anderson

PASTORAL DA ESPERANÇA – Dito e Maria das Dores

DIMENSÃO MISSIONÁRIA: Edmundo  e Iolanda

A Dimensão Missionária tem como objetivos organizar e realizar as tarefas de Animação, Formação, Organização e Cooperação Missionárias, em  todos  os níveis eclesiais, e dedicar especial atenção à espiritualidade missionária.  As tarefas específicas desta dimensão são:

  • DINAMIZAR as semanas missionárias nos setores que antecedem as festas dos padroeiros.
  • MOTIVAR as pastorais a colaborar na feitura do livro da Novena do Natal e Reflexões da Campanha da Fraternidade de cada ano.
  • ORGANIZAR a Semana Bíblica nos setores.
  • ACOMPANHAR os Círculos Bíblicos e demais Celebrações nos setores, incentivando a mútua cooperação entre eles.
  • DIVULGAR/SENSIBILIZAR todos para as Campanhas Solidárias realizadas no Domingo de Ramos, Mês das Missões e Natal.

PASTORAIS DA DIMENSÃO MISSIONÁRIA

Ressalva: embora todas as pastorais da paróquia tenham que ter o espírito missionário, algumas são especificamente chamadas a permanentemente animar a missão paroquial.

COMIPA – Iolanda, Edmundo e Ângela

CEBs- Edmundo

INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE MISSIONÁRIA– Márcio, Marcela e Junior e Thaís.

Jovens Maranata – Fagner

Liga Católica: Cristiano –

Apostolado – Ana, Dito e Maria das Dores –

Mãe Rainha – Valéria:

RCC – Terezinha (Dois Irmãos)

  • DIMENSÃO SOCIAL: Graça  e Ivete

Esta Dimensão tem por preocupação central

  • MANTER A ATENÇÃO À REALIDADE PAROQUIAL para que as pastorais ajam para realizar as transformações necessárias “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).
  • AGIR PARA TRANSFORMAR: Essa transformação deve realizar-se com a participação solidária de todos, objetivando a libertação integral da pessoa humana e a construção de uma sociedade justa e fraterna, segundo o Espírito de Jesus.

PASTORAIS DA DIMENSÃO SOCIAL

PASTORAL DA CRIANÇA – Sérgio

DIGNIDADE HUMANA – Eva

ESCUTA – Luiza

SAÚDE – Ivete Mônica

PESSOA IDOSA – Ivete

DIMENSÃO CATEQUÉTICA: Guadalupe e Kátia

  • A Dimensão Bíblico-Catequética se ocupa da organização das atividades na área da pastoral catequética e da animação bíblica, levando em consideração a realidade de cada pessoa que deseja conhecer as verdades da fé Tem por objetivo final tornar o catequizando em um verdadeiro discípulo missionário.

Para que a Dimensão catequética cumpra a sua missão, é necessário que ela possibilite uma Formação integral dos catequizandos para que possam ter:

  1. a) VERDADEIRO ENCONTRO COM JESUS CRISTO: É necessário propiciar o encontro com Cristo que dá origem à iniciação cristã. Este encontro deve se renovar constantemente pelo testemunho pessoal, pelo anúncio do kerigma e pela ação missionária da comunidade. O kerygma não é somente uma etapa, mas o fio condutor de um processo que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo. Só a partir do kerygma acontece a possibilidade de uma iniciação cristã verdadeira.
  2. b) VERDADEIRA CONVERSÃO: É a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê n’Ele pela ação do Espírito, decide-se ser seu amigo e por isso muda sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida.
  3. c) VERDADEIRO DISCÍPULO DE JESUS: A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre e Salvador, aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para isso são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que nos desafia.
  4. d) VIVER A FÉ EM COMUNHÃO NA COMUNIDADE CRISTÃ: Como os primeiros cristãos, que praticavam a fé em comunidade, o discípulo participando na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vive o amor de Cristo na vida fraterna solidária e amadurece a sua espiritualidade.
  5. e) TORNAR-SE MISSIONÁRIO CONVICTO: A missão é inseparável do discipulado, a qual não deve ser entendida como uma etapa posterior à Formação, ainda que ela seja realizada de diversas maneiras de acordo com a própria vocação  e ao momento da maturidade humana e cristã em que se encontre a pessoa.

PASTORAIS DA DIMENSÃO CATEQUÉTICA

CATEQUESE – Kátia e Guadalupe

PASTORAL FAMILIAR: Guilherme e Rafaela –

BATISMO – Hermindo – João

CRISMA E CATEQUESE DE ADULTOS– Guadalupe –

CATEQUESE INCLUSIVA – Paula e Silvana

  • DIMENSÃO PARTICIPATIVA: COORDENADORES – Milton, Eduardo e Daniel

A dimensão participativa tem por objetivo despertar todos os cristãos para a cooperação direta na administração dos recursos financeiros da Paróquia, bem como planejamento e avaliação da ação pastoral, formativa e celebrativa.

Esta dimensão deve:

  • MOTIVAR O ENCONTRO Mensal ou Bimestral dos Conselhos Pastorais Comunitários (CPC), do Conselho Pastoral Paroquial (CPP) e do Conselho a Assunto Econômico Paroquial (CAEP)
  • PROMOVER A PARTILHA entre as comunidades dos recursos financeiros, materiais e humanos.
  • CONVOCAR AS COMUNIDADES À PARTICIPAÇÃO no custeio das despesas operacionais da paróquia.
  • DESPERTAR A SOLIDARIEDADE entre as pessoas quando algum membro da paróquia passar por alguma necessidade.

PASTORAIS E EQUIPES DA DIMENSÃO PARTICIPATIVA

 DÍZIMO – Lucimara e Eduardo. Ana Flávia

ALMOXARIFADO – Durval e Walter

CONSTRUÇÕES E REFORMAS – Tatiana, Lucas, Leca, Walter

SETOR DE COMPRAS – Eduardo , Walter

CONSELHO DE ASSUNTO ECONÔMICO – Antonio Cláudio e Gerson

CONSELHOS PAROQUIAIS (CPP E CPCs) – Milton, Eduardo e Daniel Os Conselhos Pastorais Comunitários são coordenados pelos respectivos articuladores das comunidades, a saber: Santo Antonio – Fátima e Walter // N. S. Aparecida – Cecília, Leca e Cláudia // São Judas – Graça e Durval // São Paulo Apóstolo – Terezinha, Maura, Néia e Miro.

METAS GERAIS DE TODAS AS COMUNIDADES E, PORTANTO, DE TODAS AS DIMENSÕES PASTORAIS:

  • Fortalecer os Conselhos de Pastoral Comunitário e os Conselhos Administrativos em nível de Comunidades e de Paróquia.
  • Fortalecer e ampliar a Pastoral do Dízimo;
  • Proporcionar Formação permanente da ação evangelizadora, conforme orientações da Diocese.
  • Despertar o sentimento de pertença à Igreja.
  • Implantar a Pastoral Pós Sacramental na Paróquia. Começaremos pela área do Batismo através do reencontro das famílias que batizaram seus filhos nos últimos três anos.
  • Despertar um trabalho paroquial com a juventude capaz de envolver todos os grupos que trabalham com os jovens através da criação do Setor Juventude.
  • Fortalecer a ação da Pastoral Social para sermos de fato fermento, sal e luz!
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CF 2015 – GESTOS CONCRETOS: O DIA QUE A COMUNIDADE FOI PARA O BAR

CF 2015 – GESTOS CONCRETOS: O DIA QUE A COMUNIDADE FOI PARA O BAR

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Era uma quinta feira de dezembro. A Paróquia já tinha tido acesso ao texto base da CF 2015. E de algumas pessoas surgiu a ideia de fazermos uma celebração em um dos bares problemáticos da região.

Conversamos com a proprietária e sem que o estabelecimento fosse fechado, reunimos seus frequentadores e fizemos a celebração.

Naquele dia três dos frequentadores me procuraram pedindo ajuda para abandonar o vício do álcool.

Foram encaminhados a uma clínica chamada IRMÃOS DE RUA, na cidade de Itatiba, que recebe as pessoas sem condições de pagar o tratamento. Aliás, se quiser ajudar esta clínica, procure Flávio pelo fone 55 (11) 99989 5846 e veja como pode contribuir.

Assim iniciamos o encontro da Igreja com a Sociedade, buscando construir nela a fraternidade

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A CHUVA, A ESTRELA, O PASTEL E O AMOR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A CHUVA, A ESTRELA, O PASTEL E O AMOR

Lá em cima, no meio das nuvens, uma única estrela. A mudança do clima provocada pela frente fria trouxe nuvens espessas.  No meio delas uma única estrela insiste em brilhar. 

   Cá embaixo, olhando para o alto céu, está José, mirando os olhos para a única estrela que conseguiu burlar a barreira das nuvens.

   Pingos  de chuva, muitos deles e espessos, caem. As pessoas correm buscando proteção. Mas José insiste em olhar  para a estrela solitária.

   De repente uma mão em seus ombros. Uma mulher com seu guarda chuva cor de rosa ao seu lado, pergunta:

   – Você está bem?

   – Estou! – responde.

   – Se ficar aqui no meio da chuva e da rua vai pegar um resfriado.

   José aponta o dedo para a estrela e diz:

   – Aquela estrela, a única que insiste em brilhar, veja como é bela…

   A mulher olha para o céu, mas tem apenas alguns segundo para contemplar o brilho estelar. Justamente naquele momento uma nuvem a encobre.

   – Sumiu! diz ela com uma voz embargada. Por sua face um risco d´água  escorre. Será  água de chuva ou lágrima?

    Então o braço de José  envolve o ombro dela  e encosta sua cabeça ao lado do seu pescoço. Ela instintivamente fecha o guarda chuva e fica inerte, abraçada a ele, olhando para o céu.

    Só despertam daquele olhar sonhador por causa do som de uma buzina. Estão bem no meio de uma rua estreita e um fusca quer passar.

    O motorista buzina novamente e dá luz alta no farol por duas vezes. O casal olha aquela luz vinda do fusca como se a estrela estivesse agora ali, bem ao lado deles. Sorriem juntos e ele a aconchega ainda mais ao seu ombro.

    O condutor do veículo, impaciente, coloca a cabeça para fora da janela e grita:

    – Idiotas! Vocês não têm outro lugar para namorar?

    Os dois sorriem, trocando olhares. E de forma surpreendente ele vê o brilho da estrela nos olhos daquela que veio em seu socorro. Do modo que olhou-o parecia que também via o mesmo brilho em seus  olhos. Naquele mágico momento os lábios quase se encostam.

     Ao som da buzina intermitente vinda do fusca e do pisca do farol intercalando em alta e baixa luminosidade, caminham, como se fossem personagens de um filme espetacular. E o motorista ainda grita impaciente:

     – Idiotas! Idiotas! Saiam da frente!!!

    – Quer comer um pastel, pergunta José.

    – Sim – responde a mulher. E saem  lado a lado com a certeza de que têm, cada qual, uma estrela particular para iluminar suas futuras noites de nuvens espessas.

        Os verdadeiros idiotas são aqueles que insistem em afugentar sonhadores de seus observatórios estelares.

       Idiotas verdadeiros não sabem apreciar o prazer da chuva caindo no corpo e nem tão pouco o brilho das estrelas penetrando as  pupilas!

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Às vezes é preciso parar! Simplesmente parar!

Quando se ama verdadeiramente, não há outra opção senão a de estar constantemente ao lado de quem amamos!

 

A solidão é um dos degraus da busca da felicidade. Ninguém chega a ela sem antes mergulhar dentro de si mesmo!

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