PAPA FRANCISCO – Oração dos cinco dedos

ORAÇÃO DOS CINCO DEDOS – Papa Francisco

Um método de oração cuja autoria é atribuída ao Papa Francisco, quando era ainda bispo de Buenos Aires, Argentina.

1.O dedo polegar é o que está mais perto de ti.

Assim, começa por orar por aqueles que estão mais próximo de ti. São os mais fáceis de recordar. Rezar por aqueles que amamos é «uma doce tarefa«.

  1. O dedo seguinte é o indicador: reza pelos que ensinam, instruem e curam. Eles precisam de apoio e sabedoria ao conduzir outros na direcção correta. Mantém-nos nas tuas orações.
  2. A seguir é o maior. Recorda-nos os nossos chefes, os governantes, os que têm autoridade. Eles necessitam de orientação divina.
  3. 4. O próximo dedo é o anelar. Surpreendentemente, este é o nosso dedo mais débil. Ele lembra-nos que devemos rezar pelos débeis, doentes ou pelos atormentados por problemas. Todos eles necessitam das nossas orações.
  4. E finalmente temos o nosso dedo pequeno, o mais pequeno de todos. Este deveria lembrar-te de rezar por ti mesmo. Quando terminares de rezar pelos primeiros quatro grupos, as tuas próprias necessidades aparecer-te-ão numa perspectiva correcta e estarás preparado para orar por ti mesmo de uma maneira mais efectiva.

Deus nos abençoe a todos. Boa oração!

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A CHUVA, A ESTRELA, O PASTEL E O AMOR

A CHUVA, A ESTRELA, O PASTEL E O AMOR

Lá em cima, no meio das nuvens, uma única estrela. A mudança do clima provocada pela frente fria trouxe nuvens espessas.  No meio delas uma única estrela insiste em brilhar. 

   Cá embaixo, olhando para o alto céu, está José, mirando os olhos para a única estrela que conseguiu burlar a barreira das nuvens.

   Pingos  de chuva, muitos deles e espessos, caem. As pessoas correm buscando proteção. Mas José insiste em olhar  para a estrela solitária.

   De repente uma mão em seus ombros. Uma mulher com seu guarda chuva cor de rosa ao seu lado, pergunta:

   – Você está bem?

   – Estou! – responde.

   – Se ficar aqui no meio da chuva e da rua vai pegar um resfriado.

   José aponta o dedo para a estrela e diz:

   – Aquela estrela, a única que insiste em brilhar, veja como é bela…

   A mulher olha para o céu, mas tem apenas alguns segundo para contemplar o brilho estelar. Justamente naquele momento uma nuvem a encobre.

   – Sumiu! diz ela com uma voz embargada. Por sua face um risco d´água  escorre. Será  água de chuva ou lágrima?

    Então o braço de José  envolve o ombro dela  e encosta sua cabeça ao lado do seu pescoço. Ela instintivamente fecha o guarda chuva e fica inerte, abraçada a ele, olhando para o céu.

    Só despertam daquele olhar sonhador por causa do som de uma buzina. Estão bem no meio de uma rua estreita e um fusca quer passar.

    O motorista buzina novamente e dá luz alta no farol por duas vezes. O casal olha aquela luz vinda do fusca como se a estrela estivesse agora ali, bem ao lado deles. Sorriem juntos e ele a aconchega ainda mais ao seu ombro.

    O condutor do veículo, impaciente, coloca a cabeça para fora da janela e grita:

    – Idiotas! Vocês não têm outro lugar para namorar?

    Os dois sorriem, trocando olhares. E de forma surpreendente ele vê o brilho da estrela nos olhos daquela que veio em seu socorro. Do modo que olhou-o parecia que também via o mesmo brilho em seus  olhos. Naquele mágico momento os lábios quase se encostam.

     Ao som da buzina intermitente vinda do fusca e do pisca do farol intercalando em alta e baixa luminosidade, caminham, como se fossem personagens de um filme espetacular. E o motorista ainda grita impaciente:

     – Idiotas! Idiotas! Saiam da frente!!!

    – Quer comer um pastel, pergunta José.

    – Sim – responde a mulher. E saem  lado a lado com a certeza de que têm, cada qual, uma estrela particular para iluminar suas futuras noites de nuvens espessas.

        Os verdadeiros idiotas são aqueles que insistem em afugentar sonhadores de seus observatórios estelares.

       Idiotas verdadeiros não sabem apreciar o prazer da chuva caindo no corpo e nem tão pouco o brilho das estrelas penetrando as  pupilas!

 

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MARIA, MÃE DE JESUS : O DOCE PERFUME DO CÉU

O AMOR É O DOCE PERFUME DE DEUS NA VIDA HUMANA!!!

Então o silêncio se fez e um cheiro de céu tocou o olfato de uma jovenzinha que se chamava Maria. Naquele momento, suas mãos seguravam um rústico galho em cujas pontas haviam folhas que serviam como vassoura. Ao sentir o ambiente divinamente perfumado e a paz que ele trazia, Maria encostou a vassoura e instintivamente ajoelhou-se. Era esta sua atitude sempre que respirava aquela paz. Sim! Ela estava acostumada a inalar aquele aroma celestial. Certa vez, quando o cheiro dos anjos lhe penetrava as narinas, perguntou a uma amiga que estava em sua casa se também estava sentindo aquele perfume angelical. A companheira respirou profundamente e disse:
– Não! Só sinto cheiro de casa mesmo!
Novamente quando o mistério aromático envolveu Maria, estava ela com outras amigas e também as interrogou sobre o perfume divino no ar. Elas respiraram profundamente e nada sentiram. Acontece que as amigas de Maria começaram a pensar que ela estava ficando esquisita e comentavam entre si sobre a possível loucura daquela que sentia cheiro de céu. Ninguém pode sentir cheiro de céu. Aliás, Deus não tem corpo e portanto não tem suor. Muito menos os anjos poderiam ter algum tipo de cheiro pois são seres espirituais. Maria estava esquisita, diziam. Por saber que somente ela podia sentir o cheiro divino e sabendo sobre o que diziam dela, Maria decidiu nunca mais falar sobre aquela experiência com ninguém.
Naquele dia em que varria a casa sozinha, o cheiro divino a envolveu de maneira mais forte. Diferente das outras vezes, junto com o aroma divino veio junto uma luz bonita. Maria largou a vassoura, e ajoelhou-se com o rosto voltado para o feixe luminoso. Caso fosse uma outra jovenzinha que não tivesse tido experiências anteriores com o aroma divino, certamente sairia correndo, pensando tratar-se de fantasma ou coisa assim. Mas Maria foi exercitada aos poucos para que pudesse ter aquela experiência profunda de contato com o céu.
Aquele fio de luz aumentou e foi assumindo a forma de uma pessoa. O silêncio foi quebrado por uma voz angelical
– Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
A jovem Maria não se assustou. Apenas considerou o cumprimento estranho. Mas também era estranho que somente ela pudesse sentir o aroma celestial. Ainda ajoelhada manteve atento os ouvidos e escutou as palavras seguintes do ser angeli-cal:
– Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.
Embora muito jovem, Maria conhecia as coisas da vida e sabia que para ficar grávida precisaria unir seu corpo ao corpo de um homem. Era certo que estava noiva de um jovem chamado José e o casamento ainda demoraria algum tempo para acontecer. O anjo entretanto falava como se a gravidez fosse acontecer rapidamente. Para que isso acontecesse, ela teria que conhecer os segredos do corpo masculino e deixar-se penetrar por ele para que fosse fecundada. Por isso perguntou ao anjo:
– Como se fará isto, visto que não conheço homem al-gum?
Diante da pergunta sobre o processo da gravidez, o anjo respondeu:
– Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.
Certamente ficar grávida pela ação divina seria o maior presente que uma mulher poderia receber. Mas como toda mu-lher, a jovem Maria tinha vontade de compartilhar a experiência com as amigas. Mas se só com a notícia do cheiro já a consideravam endoidecida, imagine se dissesse que estava grávida de Deus? A experiência do cheiro divino para Maria era maravilhoso. Porém, era uma experiência que não podia compartilhar com ninguém, pois as pessoas não acreditavam nela. Então, o coração da jovenzinha ficou ainda mais perturbado pois se realmente ficasse grávida não poderia compartilhar com ninguém as suas alegrias. Mas o anjo logo disse:
– E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril. Porque para Deus nada é impossível.
Ao saber do milagre na vida de sua prima, o coração de Maria tranquilizou-se. Teria alguém para compartilhar a sua experiência divina. Tranquilizada pela notícia da gravidez da prima, confiou no chamado divino e tomou consciência de que não estava louca. O cheiro do céu era real e Deus estava muito próximo dela. Por isso disse com segurança:
– Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim se-gundo a tua palavra.
Quando o anjo ausentou-se e a luz e o cheiro do céu desapareceram, Maria logo se preparou para uma grande via-gem. Estava decidida a visitar a sua prima Isabel, que também tinha sentido o cheiro divino, e com ela compartilhar a divina experiência. Inexplicavelmente a prima Isabel ao avistar a prima, nem precisou saber sobre o relato da experiência do cheiro divino e da luz angelical. Ao ouvir a voz daquela que foi agraciada pela gravidez divina, exclamou:
– Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.
Hoje, Maria continua buscando pessoas que já sentiram um pouco do perfume divino para com elas compartilhar as alegrias e a divina experiência de sentir-se plenificada pela graça de Deus. Quem sabe você seja uma destas pessoas agraciadas que podem sentir o perfume do céu no coração.
Mas é preciso alertar que para sentir este divino perfume é preciso paciência, perseverança e, principalmente silêncio. Silenciar a mente e o coração e centrar a atenção somente no ato de respirar. Aspirar profundamente e expirar. Fazer este exercício várias vezes, durante por bons minutos. Lembre-se que o sopro divino é que nos deu a vida. Foi também através do sopro de Jesus que os apóstolos puderam receber o Espírito Santo.
O melhor lugar para sentir o aroma divino é, sem dúvi-da, em torno do altar onde se celebra a Santa Eucaristia. E quando Jesus Eucarístico lhe é entregue pelo ministro, deposite-o sobre a língua e deixe que a Hóstia Consagrada se dissolva em sua boca. Então, você e Jesus serão um só. Pode ter certeza de que não sentirá o perfume divino, mas seu corpo é que vai exalar o divino cheiro para as outras pessoas. Você será o frasco do perfume de Deus que vai exalar o cheiro divino para a sua família, para as pessoas em seu ambiente de trabalho. Seja você também o perfume de Deus no mundo!!! Seja você o doce perfume do amor para o mundo!
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amar-des (perfumardes) uns aos outros.” (João 13 : 35

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Amélia morreu

Amelia Morreu

     Não era algo esperado para já.  Sua morte, por conta das muitas doenças, era prevista, mas a esperança alimentava os corações  com a certeza de que teria ainda alguns anos pela frente.  Após um mal súbito, uma dor forte no peito, ela desmaiou.  Levada para o hospital, foi imediatamente internada na Unidade de Tratamento Intensivo. A  família podia vê-la apenas alguns minutos por dia, sem que vissem da enferma nenhuma reação. Era um corpo inerte na casa, rodeado por luzes, enfermeiras e envazado por tubos.

        Alguns dias antes do mal súbito  havia sonhado que estava num carro cheio de luzes que tocava uma música de apenas duas notas. Contou este sonho para os filhos e o marido. Ninguém soube interpretar o  que significavam tais imagens.  Na saída da UTI, uma das filhas relembrou o sonho.

       – Era da ambulância que ela falava, disse a filha

       O marido ouviu quieto. Sim, pensou, era a ambulância com as luzes vermelhas e o som tocando alto…

       Outro filho lembrou-se de um sonho que Amélia tivera muito tempo atrás. Sonhara que fazia uma viagem sozinha, para um lugar desconhecido. Estava com medo. Porém, três semanas após ter chegado ao destino da viagem, a família inteira viera ao seu encontro e nunca mais se separaram.

       Todos começaram a tentar decifrar o sonho da viagem. O que seria?

      Enquanto ainda conjecturavam acerca da viagem fictícia, uma das enfermeiras veio ao encontro da família de Amélia

      – Infelizmente tenho que informá-los que ela morreu

     – Foi um baque! Todos choravam copiosamente. E nem mais se lembravam do sonho da viagem. Providenciaram o velório e o enterro. No dia seguinte ao féretro, uma das filhas procurou o pai à noite, e lhe disse:

       – Pai, o sonho da ambulância se realizou. E aquele da viagem?  Será que daqui três semanas iremos todos morrer?

       – Minha filha, é hora de dormir… Vamos deixar esta conversa para amanhã…

       Mas quem disse que o esposo de Amélia dormiu? Era um assunto sério.

       Após três semanas, uma coisa aconteceu. Uma velha tia veio visitá-los e tinha um pedido muito estranho a fazer.

      – Meus sobrinhos, preciso que vocês venham comigo até minha casa. Há algo lá que pertencia a Amélia.

       Imediatamente pai e filhos a acompanharam.

      Na frente da casa da tia havia um bonito jardim

. A velha senhora disse para os parentes enlutados:

– Aqui, nesta terra deste jardim, Amélia plantou certa vez uma muda de rosas brancas. Acontece que o galinho da flor murchou e morreu. No dia do falecimento dela, antes mesmo de saber da notícia, vi um pedacinho de verde neste local. E agora, após três semanas, vejam a linda rosa branca que desabrochou… Creio que é um sinal…

        Era de fato um sinal. Amélia queria novamente desabrochar na vida de todos. E não queria ser lembrada como a mulher na UTI ou dentro do caixão.

        Há pessoas que sepultam seus entes queridos duas vezes. Enterram o corpo e a história, pois só se lembram dos momentos da doença ou do velório. Amélia queria, a partir daquele momento, ser lembrada como a Rosa que perfumou a vida de todos durante todos os anos que com eles conviveu.

        Misteriosamente as rosas brancas continuaram a florir e até hoje há sempre uma delas  colocada num vaso sobre a mesa central da sala da família de Amélia. Quando uma murcha, logo outra é colhida e depositada ali.

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NAS HORAS DE DEUS, AMÉM!

NAS HORAS DE DEUS, AMÉM!


SEIS HORAS DA MANHÃ – Hora de elevar aos céus o agradecimento por mais um dia!

Obrigado, Senhor, por mais um dia em minha vida. Que eu possa ser vosso instrumento de paz para as pessoas. Desde agora eu peço a Vossa poderosa benção sobre todos os que cruzarem o meu caminho. Amém!

NOVE HORAS DA MANHÃ! Hora de pedir que Deus perdoe meus erros do passado e que as lembranças deles me ajudem a acertar neste dia.

Senhor, perdoe meus erros e me ajude a ser melhor neste dia. Que eu possa aprender que o momento presente é a única realidade que tenho em minhas mãos. Obrigado, Senhor, pela vida!

MEIO DIA – Hora de almoçar – alimentar o corpo, que é o Templo do Espírito Santo!

Obrigado Deus misericordioso pelo alimento que vou tomar graças a vossa bondade. Abençoa os agricultores que plantaram e colheram este alimento. Benditas sejam as criaturas que o Senhor nos concedeu para que nos dessem do seu corpo como alimento. Que fortalecido por estes alimentos, eu possa servir-vos com muito mais vigor e ânimo. Amém!

TRÊS HORAS DA TARDE –  hora em que Jesus entregou seu Espírito a vós, Deus Pai bondoso. Neste momento eu peço que me ajudeis a perdoar às pessoas que me ofenderam no decorrer deste dia. Peço também vossa benção para que eu possa realizar todas as tarefas que ainda faltam para que, à noite, descanse tranquilo.  Senhor, ilumina a minha mente para que eu saiba decidir a coisa certa, na hora certa e do jeito certo. Amém!

SEIS HORAS DA TARDE – quase findando mais um dia!

Obrigado Senhor por este dia que vivi. Houve alegrias, algumas tristezas, mas estas duas realidades fazem parte da vida. Em vossas mãos entrego tudo o que pude realizar durante este dia. E peço que a vossa misericórdia me ajude a terminar as tarefas que ficaram para amanhã. Vem, Senhor, proteger-me neste início de noite.

Ó MARIA SANTÍSSIMA, que o vosso Manto Sagrado me envolva com a vossa maternal ternura. Ó Maria concebida sem pecado, rogai por mim que recorro a vós!

 

MEIA NOITE – Hora do merecido descanso!

Senhor, que os vossos anjos me protejam durante a noite. Que a minha mente possa repousar nas sombras da vossa bondade. E que amanhã, se for da vossa vontade, que eu desperte com muita coragem para viver e colaborar na construção do vosso Reino de amor e Justiça

Obrigado, Senhor, pela vida! Com Deus Pai me deito, com Deus Pai me levanto, com as graças do seu bendito Filho, Jesus Cristo, e os dons do Espírito Santo. Amém!

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A ESTRELA, O PASTEL E O IDIOTA

A ESTRELA, O PASTEL E O IDIOTA

 Lá em cima, no meio das nuvens, uma única estrela. A mudança do clima provocada pela frente fria trouxe nuvens espessas.  No meio delas uma única estrela insiste em brilhar. 

   Cá embaixo, olhando para o alto céu, está José, mirando os olhos para a única estrela que conseguiu burlar a barreira das nuvens.

   Pingos  de chuva, muitos deles e espessos, caem. As pessoas correm buscando proteção. Mas José insiste em olhar  para a estrela solitária.

   De repente uma mão em seus ombros. Uma mulher com seu guarda chuva cor de rosa ao seu lado, pergunta:

   – Você está bem?

   – Estou! – responde.

   – Se ficar aqui no meio da chuva e da rua vai pegar um resfriado.

   José aponta o dedo para a estrela e diz:

   – Aquela estrela, a única que insiste em brilhar, veja como é bela…

   A mulher olha para o céu, mas tem apenas alguns segundo para contemplar o brilho estelar. Justamente naquele momento uma nuvem a encobre.

   – Sumiu! diz ela com uma voz embargada. Por sua face um risco d´água  escorre. Será  água de chuva ou lágrima?

    Então o braço de José  envolve o ombro dela  e encosta sua cabeça ao lado do seu pescoço. Ela instintivamente fecha o guarda chuva e fica inerte, abraçada a ele, olhando para o céu.

    Só despertam daquele olhar sonhador por causa do som de uma buzina. Estão bem no meio de uma rua estreita e um fusca quer passar.

    O motorista buzina novamente e dá luz alta no farol por duas vezes. O casal olha aquela luz vinda do fusca como se a estrela estivesse agora ali, bem ao lado deles. Sorriem juntos e ele a aconchega ainda mais ao seu ombro.

    O condutor do veículo, impaciente, coloca a cabeça para fora da janela e grita:

    – Idiotas! Vocês não têm outro lugar para namorar?

    Os dois sorriem, trocando olhares. E de forma surpreendente ele vê o brilho da estrela nos olhos daquela que veio em seu socorro. Do modo que olhou-o parecia que também via o mesmo brilho em seus  olhos. Naquele mágico momento os lábios quase se encostam.

     Ao som da buzina intermitente vinda do fusca e do pisca do farol intercalando em alta e baixa luminosidade, caminham, como se fossem personagens de um filme espetacular. E o motorista ainda grita impaciente:

     – Idiotas! Idiotas! Saiam da frente!!!

    – Quer comer um pastel, pergunta José.

    – Sim – responde a mulher. E saem  lado a lado com a certeza de que têm, cada qual, uma estrela particular para iluminar suas futuras noites de nuvens espessas.

        Os verdadeiros idiotas são aqueles que insistem em afugentar sonhadores de seus observatórios estelares.

       Idiotas verdadeiros não sabem apreciar o prazer da chuva caindo no corpo e nem tão pouco o brilho das estrelas penetrando as  pupilas!

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O ROUBO DO PORTÃO: o sonho que virou pesadelo

O ROUBO DO PORTÃO

Fato verdadeiro: um rapaz roubou o portão da entrada de uma chácara. Imagine alguém com um martelo, chave de fenda e outras ferramentas retirando o portão de um domicílio sem permissão. Talvez se fosse de uma casa, o barulho alertaria o morador que cuidaria de logo espantar o meliante. Mas o fato aconteceu em um ambiente quase rural. A distância entre o portão e a casa é considerável. Pequenas batidas ouvidas ao longe não despertaria a atenção de ninguém. Depois de um tempo de esforço (afinal de contas, também para roubar o portão ou qualquer outro objeto há uma ação que redunda em cansaço), o objeto do desejo daquele jovem estava em suas mãos. Ele colocou-o nas costas e foi embora.

Mas o proprietário daquela chácara ouviu o estranho barulho e de forma discreta foi ver o que estava acontecendo. Foi tão discreto que o ladrão nem percebeu a presença da vítima, que acompanhou todo o “trabalho” do meliante à distância. Portão nas costas, passos lentos – era um portão grande e pesado – lá foi aquele que gosta de pegar coisas do alheio caminhando cambaleante, e a vítima atrás, seguindo-o. O destino foi um ferro velho. A conversa entre o surrupiador das coisas alheias e do comprador e vendedor de sucatas, imagino que deva ter sido esta:

– Trouxe um portão velho para vender.

O proprietário do ferro velho olha o objeto e faz uma avaliação da coisa e de quem a quer vender. Digamos que o pobre rapaz não tem características de quem pudesse ter um portão daqueles. Obviamente que algo está errado.

– Quem lhe deu este portão?

– NInguém me deu. Ele é meu. Não o quero mais, por isso quero vendê-lo.

Quem tivesse um portão daquele tipo provavelmente também teria uma bela casa. Era um portão trabalhado, ferro de primeiríssima qualidade. E se tivesse uma bela casa, por certo também teria uma caminhoneta ou recursos para contratar uma que o ajudasse a conduzir o portão até o local da venda. Mas ali, na frente do negociador de sucata, estava um jovem maltrapilho, descalço, suado por ter carregado um belo portão. Tudo indicava que o objeto era produto de roubo. E a resposta foi um sonoro não!

– Não me interessa o portão. Pode levá-lo embora.

À distância o dono do portão acompanhava a conversa dos dois. Enquanto olhava tudo, cuidou de usar o celular para chamar a polícia. Viu que o ladrão colocar o portão de volta às suas costas, levando-o embora. O comprador de coisas velhas não permitiu nem que o pobre rapaz ladrão o deixasse ali.

Agora o dono da chácara que ficara sem o portão tinha dentro de si uma indignação. Como é que alguém em sã consciência poderia recusar um portão tão bonito? E provavelmente o ladrão o estivesse vendendo a preço de banana. Aquele portão fora desenhado por ele mesmo. Levou muitas noites rabiscando, pensando, até que a obra estivesse pronta. Pagou o serralheiro pelo trabalho em quatro vezes – prestações, aliás, bem salgadas. Mas ele queria um portão bonito para enfeitar a entrada da sua chácara – a chácara dos seus sonhos – era o que estava escrito em uma placa logo acima do portão furtado: “Chácara dos meus sonhos”.

Sem ter conseguido vender o objeto que lhe dera tanto trabalho, o ladrão não quis carregá-lo mais. Viu um terreno baldio ali por perto e tratou de jogá-lo em meio ao matagal. Não deu muitos passos e foi abordado pelos policiais que vieram atender ao chamado da vítima.

– Mãos na cabeça! – disse o policial com armas em punho.

– O que foi que eu fiz? – perguntou o rapaz!

– Você roubou o meu portão – disse o dono da chácara.

Enquanto um policial tratava de algemar o meliante, o outro foi buscar o portão. Era pesado, por isso pediu ajuda ao dono do objeto furtado que o ajudasse. Logo todos estavam reunidos em frente ao terreno baldio: portão, vítima, ladrão, vendedor de sucatas e dois policiais. Diante das evidências o rapaz não teve como negar o crime.

– Fui eu mesmo quem roubou o portão.

– Mas por que? – perguntou o policial.

– Tava precisando de dinheiro para dar de comer aos meus filhos.

– Isso é mentira. Acho que nem casado ele é! Devia usar o dinheiro para comprar drogas – disse indignado a vítima.

Todos foram para a delegacia. As pessoas – cada qual cumprindo o seu papel (vítima, ladrão, policiais) seguiram em automóveis e o portão levado em uma velha caminhoneta pelo proprietário do ferro velho. Devido à nova lei cautelar que manda que delitos que não redundem em mais de quatro anos de reclusão seja arbitrada fiança em vez da prisão, depois de feito o registro o delegado informou ao meliante:

– Pagando um salário mínimo você responderá ao inquérito em liberdade.

– Posso ligar para alguém trazer o dinheiro?

O delegado indicou o telefone para o rapaz, que se comunicou com um colega de serviço, ou seja, um outro ladrão. Ninguém sabe de onde, mas depois de duas horas – mais ou menos – o dinheiro foi entregue para o delegado. O dono do ferro velho, depois de ter dado suas declarações, foi embora. No calor dos fatos, a vítima nem tinha se dado conta de que agora tinha um portão a ser levado embora, mas o carro que o trouxera já não estava mais ali.

– Posso ir embora? perguntou o rapaz que roubara portão.

– Sim! Disse o delegado.

O dono da chácara não compreendeu o porque estava sendo solto aquele que lhe fizera perder tanto tempo naquele dia e que também tinha danificado a entrada da chácara.

– É a nova lei cautelar – respondeu o delegado, mesmo antes de ser questionado pela vítima. A lei manda arbitrar a fiança e temos que fazer.

– E como é que eu levo o meu portão de volta agora?

– Isso é por sua conta. Nós o trouxemos aqui para fotografar e constar nos autos a imagem do produto do furto. Levá-lo embora e recolocá-lo no lugar é por sua conta.

Depois de algumas ligações, o proprietário da chácara conseguiu alugar uma caminhoneta para transportar o portão. Somados o aluguel do veículo e os pedreiros que colocaram o portão de volta ao seu lugar, a vítima teve que desembolsar quase quatrocentos reais.Mas seu prejuízo não ficou só nisso. Teve que colocar um equipamento de segurança com câmara de vigilância na entrada da chácara. Mesmo assim, depois de um mês, teve uma nova experiência da violência urbana. Desta vez os bandidos pularam o portão e entraram na casa da chácara. Mediante grave ameaça sob a mira de revolver, reviraram todo o imóvel e levaram vários objetos de valor, inclusive o dinheiro que seria usado para pagar a prestação do equipamento de segurança instalado à entrada da chácara.

Na semana seguinte o chacareiro colocou um anúncio no jornal: “Vende-se Chácara”.

Infelizmente a chácara dos sonhos se tornara a chácara do pesadelo.

 

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