orientações para fazer a agenda paroquial a partir dos documentos 105 e 107 da CNBB

ORIENTAÇÕES PARA FAZER A AGENDA PASTORAL PAROQUIAL A PARTIR DOS DOCUMENTOS 105 E 107 DA CNBB

 

A agenda Pastoral Paroquial não pode ser elaborada por uma pessoa ou por um grupinho. Ela deve ser pensada por todos os grupos pastorais. O Conselho Pastoral Paroquial recebe as propostas das datas da atividade de cada pastoral e faz a revisão para verificar os  possíveis  confrontos de datas. Havendo, os grupos são convidados a rever os eventos.

É importante não pensar a agenda como um trilho que, se dele sair, a comunidade descarrilha. Ela é uma proposta de caminho. No meio do trajeto podem ser descobertos atalhos que possibilitam maior agilidade para alcançar os objetivos ou mesmo a vontade de parar um pouco mais em alguma atividade. Atenção: parar um pouco, mas não estacionar. Os ambientes apropriados para rever as atividades são o Conselho Pastoral da Paróquia e o Conselho Pastoral Comunitário, Nestes encontros algumas atividades poderão ser incrementadas ou abolidas, ainda que agendadas, e outras acrescentadas.

O que deve nortear as atividades listadas na agenda é a motivação de ir além da mera conservação das atividades tradicionais. É preciso que a comunidade seja impelida pelo sopro do Espírito Santo, que provoca o ardor missionário e a leva a olhar a realidade social ao redor, na cidade, no Brasil e no mundo para discernir os caminhos que conduzam a uma verdadeira e eficaz evangelização. A evangelização eficaz só acontece se, de fato, os evangelizadores, em saída, como quer o Papa Francisco, romperem os muros dos templos.

Daí a importância de listar na agenda não somente Missas ou Celebrações, mas também os terços e celebrações nas casas (de preferência organizadas em pequenos setores). Lembremos que nas famílias se celebra a vida através do terço, da celebração dos tempos fortes da Liturgia, momentos provocadores da unidade entre as famílias e que podem atrair novos membros. Igualmente importantes são as visitas dos catequistas às famílias dos catequizandos. Listadas estas atividades na Agenda Paroquial, as Pastorais podem participar, aproveitando estes momentos para a evangelização a partir das orientações da sua atividade específica.

É importante lembrar que as equipes de Liturgia (Ministros, Leitores, Salmistas, Coroinhas, Ministérios da Música, Equipes da Acolhida) deverão estar atentas aos acontecimentos importantes da vida das pessoas que frequentam as comunidades e também aos fatos sociais para trazê-los para as celebrações. É este movimento de ir ao encontro das pessoas em seus ambientes e de trazer suas preocupações para as celebrações que efetivamente a Igreja se torna aberta à realidade que a cerca e pode eficazmente evangelizar.

Lembremos outras pastorais que naturalmente agem fora do espaço físico da comunidade: Pastorais dos Enfermos, da Saúde, da Pessoa Idosa, da Criança, Cesta básica. Não podemos esquecer que as Exéquias são ocasiões importantes para evangelizar pessoas que, muitas vezes, não frequentam a Igreja. O Grupo da visitação pode com amor visitar os lares das famílias enlutadas para rezar o terço, também leva a evangelização para além do espaço físico da comunidade.

Duas atividades importantes na comunidade são a Renovação Carismática Católica e as CEBs, que devem ter um olhar carinhoso para as atividades nas famílias listadas na agenda, e ver nelas ambiente apropriado para a missão. Isso significa dizer que uma Paróquia em saída não restringe seus encontros de oração e reflexão somente nas salas ou templo da comunidade. É preciso ir ao encontro das pessoas, visitá-las para atraí-las para o encontro com Cristo.

Tudo isso deve ser feito, mas sem ativismo. Precisamos, além das atividades próprias das pastorais, encontrar o tempo irrenunciável para a oração pessoal, familiar e comunitária. Por isso o núcleo de toda a nossa ação será a Liturgia. Daí a preocupação, além das Missas, de ter também as celebrações da Palavra tanto nas comunidades “oficiais” da paróquia, como nas famílias que celebram a vida em suas casas, reunindo os setores para celebrações específicas nas famílias.

Não nos esqueçamos dos momentos formativos próprios de cada atividade pastoral e da formação Bíblica, que podem ser contempladas pela Escola da fé, CEBI ou grupos Bíblicos reflexivos da RCC. Importante nestes encontros ter sempre um tempo para refletir os documentos do Papa Francisco, da CNBB e do Bispo Diocesano, que iluminam a caminhada evangelizadora.

Muito importante ter algum espaço de formação para as pessoas atraídas para a caminhada comunitária cristã e que desejam participar de alguma pastoral. Elas não devem ser colocadas de imediato na ação, mas passar por um período de adaptação das atividades e, principalmente, serem beneficiadas com a espiritualidade da missão evangelizadora. Um ritual seria pelo menos quatro meses de estudo e experiência espiritual, ao mesmo tempo em que vão sendo inseridas na pastoral escolhida. Nos primeiros quatro meses estarão ao lado daqueles que já atuam, mas sem assumir nenhum compromisso. Neste período podem ser observadas se têm perseverança, humildade e compromisso. Depois deste tempo de discipulado, também se lançarem como missionárias.

É importante que cada discípulo missionário da Paróquia tenha a consciência de que, embora sejam muitas as atividades, deve assumir trabalhos na comunidade que não retire o tempo de também orar, viver as graças da vida familiar, alimentar os encontros de lazer com o cônjuge, filhos, irmãos, pais e entre amigos, cuidando com igual empenho da atividade que garante o pão diário. O trabalho na comunidade cristã deve ser prazeroso. Mais que isso, deve ser o local privilegiado onde a pessoa ganha forças para enfrentar os desafios da vida familiar, social e profissional.

Por isso é importante o encontro dos Conselhos Pastorais, da Paróquia e de cada comunidade, locais privilegiados para avaliar as atividades, promover a solidariedade entre as pastorais nas atividades e revisar o caminho proposto pela agenda.   Nos encontros dos conselhos da pastoral paroquial e comunitária devem ser verificados se há excesso de reuniões e atividades ou mesmo avaliar se há alguém assumindo tanta coisa que não dá espaço para outros também agirem.

A Paróquia deve ser o espaço onde leigos comprometidos com a obra da evangelização, assumem com o sacerdote a administração paroquial, tanto litúrgica, pastoral como econômica. Devem descobrir cada vez mais a identidade laical que não é outra senão sentir-se Igreja e dela cuidar como quem cuida do próprio corpo. E, principalmente, ser o fermento, sal e luz na sociedade, em lugares onde o padre não pode estar, mas que ali ele, o leigo, assume a missão evangelizadora.

Vivendo assim a fé, certamente muitas pessoas serão atraídas pela comunidade cristã, que se torna um centro irradiador da graça presente na vida dos seguidores de Jesus Cristo. Aos atraídos pelo testemunho dos cristãos, deve-se ter carinho e atenção acolhendo-os no processo formativo para que desenvolvam a espiritualidade dos discípulos missionários.

Que todos da paróquia percorram o caminho da evangelização tendo como fonte de inspiração Filipenses 2,1-11.

 

Padre Tarcísio Spirandio e Conselho de Pastoral Paroquial

Itatiba, 04 de Fevereiro de 2018