ORIENTAÇÕES PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS – CNBB DOCUMENTO 52

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL 

ORIENTAÇÕES PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

32ª Assembleia Geral  – Itaici, SP, 13 a 22 de abril de 1994

 

I – PARTE

SENTIDO LITÚRGICO DA CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

 

  1. “Entre as formas celebrativas que se encontram na tradição litúrgica, é muito recomendada a celebração da Palavra de Deus”, para o alimento da fé, da comunhão e do compromisso do Povo de Deus. Ela é ação litúrgica reconhecida e incentivada pelo Concílio Vaticano II: “Incentive-se a celebração sagrada da Palavra de Deus, nas vigílias das festas mais solenes, em algumas férias do Advento e da Quaresma, como também nos domingos e dias santos, sobretudo naqueles lugares onde falta o padre”.
  2. A realidade da “falta de ministros, a dispersão populacional e a situação geográfica do Continente fizeram crescer a consciência” da importância das celebrações da Palavra de Deus.
  3. Medellín, ao mesmo tempo que realça o valor desta forma celebrativa, sublinha sua relação com as celebrações sacramentais: “Fomentem-se as sagradas celebrações da Palavra, conservando sua relação com os sacramentos nos quais ela alcança sua máxima eficácia, e particularmente com a Eucaristia”.
  4. Puebla recomenda as celebrações da Palavra presididas por diáconos ou leigos, como ocasiões propícias de evangelização. Estas, “com uma abundante, variada e bem escolhida leitura da Sagrada Escritura, são de muito proveito para a comunidade, sobretudo, para a realização da celebração dominical”.
  5. É nesta celebração que muitas comunidades encontram  o alimento de sua vida cristã. Formadas por gente simples, em luta pela sobrevivência e mais abertas à solidariedade, estas comunidades, espontaneamente, unem a Escritura à vida e, criativamente, integram preciosos elementos da religiosidade popular e de sua cultura.
  6. Pela Palavra de Deus, as comunidades celebram o mistério de Cristo em sua vida. Depois dos sacramentos, a celebração da Palavra é a forma mais importante de celebrar. Isto exige de nós uma reflexão teológica mais aprofundada e uma maior atenção pastoral.
  7. Nas diferentes formas celebrativas e na diversidade de assembleias das quais os fiéis tomam parte, exprimem-se os múltiplos tesouros da única Palavra de Deus. Isto acontece no transcorrer do ano litúrgico, em que se recorda o mistério de Cristo em seu desenvolvimento, como na celebração dos sacramentos e dos sacramentais da Igreja, e também nas respostas de cada fiel à ação interna do Espírito Santo.

Deste modo, a celebração litúrgica, converte-se num acontecimento novo e enriquece a palavra com uma nova interpretação e eficácia.11

 

   DEUS FALA E AGE EM FAVOR DE SEU POVO

  1. A Palavra de Deus está viva e atuante hoje na comunidade eclesial. Deus continua a falar aos seus filhos em Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. Vale-se da comunidade dos fiéis que celebra a liturgia, para que a sua Palavra se propague e seja conhecida, e seu nome seja louvado por todas as nações.
  2. O mistério da salvação, que a Palavra de Deus não cessa de recordar e prolongar, alcança seu mais pleno significado na ação litúrgica. Assim, a Palavra de Deus é sempre viva pelo poder do Espírito Santo, e manifesta o amor ativo do Pai. A Palavra nunca deixa de ser eficaz. Ela contém, realiza e manifesta a aliança que Deus firmou com seu povo.
  3. A Palavra de Deus é um “acontecimento” através do qual o próprio Deus entra no mundo, age, cria, intervém na História do seu povo para orientar sua caminhada. “Ela é como a chuva e a neve que descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e o pão ao que come. Ela não torna a ele sem ter produzido fruto e sem ter cumprido a sua vontade”.Ela é poder e força criadora de Deus que se dirige pessoalmente a cada um, hoje. Nesta perspectiva, as celebrações da Palavra, sob a ação do Espírito Santo, se constituem em memória reveladora dos acontecimentos maravilhosos da salvação. O testemunho de vida do próprio ministro da Palavra tem sua importância.

 

   Memória e presença de Jesus Cristo

  1. O centro e a plenitude de toda a Escritura e de toda a celebração litúrgica é Jesus Cristo, palavra e sinal do amor com que Deus intervém e age para salvar seu povo: presença divina ativa entre nós.19 Ele é uma presença contínua na Igreja através da Eucaristia e dos demais sacramentos, da assembleia e do ministro, da Palavra proclamada e da oração comunitária. “Onde se proclama a sua soberania aí está o Senhor presente”, e, realizando o mistério da salvação, nos santifica e presta ao Pai o culto perfeito. A liturgia é a celebração da obra salvífica de Cristo. É ele quem realiza o projeto do Pai.
  2. Na proclamação da Palavra, Cristo continua falando a seu povo, como profeta e sacerdote . Os fiéis, escutando a Palavra de Deus, reconhecem que as maravilhas, ali anunciadas, atingem a plenitude no mistério pascal. A exemplo das comunidades primitivas, os irmãos reunidos para a escuta da Palavra na celebração fazem a experiência da presença viva do Ressuscitado. Pois, também, através da celebração da Palavra de Deus, faz-se memória do mistério pascal de Cristo morto e ressuscitado.

 

   Ação e presença do Espírito Santo

  1. O ambiente celebrativo da Palavra de Deus evidencia a relação existente entre a Palavra proclamada e celebrada e a ação do Espírito Santo. “Para que a Palavra de Deus realmente produza nos corações aquilo que se escuta com os ouvidos, requer-se a ação do Espírito, por cuja inspiração a Palavra de Deus se converte em fundamento, em norma e ajuda de toda a vida. A atuação do Espírito Santo não só precede, acompanha e segue toda a ação litúrgica, mas também sugere ao coração de cada um tudo aquilo que, na proclamação da Palavra de Deus, foi dito para toda a comunidade dos fiéis; e, ao mesmo tempo que consolida a unidade de todos, fomenta também a diversidade de carismas e a multiplicidade de atuações”.
  2. A acolhida da Palavra, a oração de louvor, de ação de graças e de súplica que ela suscita, é ação do Espírito, “pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis”. “Ninguém pode dizer Senhor Jesus, senão pelo Espírito Santo”. A escuta da Palavra de Deus se torna compromisso de fé e de conduta cristã pela força do Espírito Santo. “Tornai-vos praticantes da Palavra e não simples ouvintes”. Deste modo, o Espírito de Deus introduz os fiéis na celebração e na experiência cristã da riqueza libertadora da Palavra de Deus e por ele a Palavra se transforma em acontecimento de salvação no coração da História.
  3. O Espírito Santo agiu na vida de Cristo, ele está presente e atua na vida dos seguidores do Ressuscitado. Vivifica a ação celebrativa tornando-a frutuosa para a comunidade eclesial, que atualiza o passado e antecipa os definitivos acontecimentos da salvação na esperança da glória futura.

 

   Ação comunitária da Igreja

  1. A liturgia é ação comunitária da Igreja, o novo povo de Deus, que está no mundo vivenciando as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias com todos os homens e mulheres de hoje, sobretudo com os pobres. A liturgia é o ápice e a fonte da vida eclesial. É a festa da comunhão eclesial, na qual se celebra a ação do Senhor Jesus, que, por seu mistério pascal, assume e liberta o Povo de Deus.
  2. A Igreja, Povo de Deus convocado para o culto, cresce e se constrói ao escutar a Palavra de Deus. Os prodígios que de muitas formas Deus realizou na história da salvação fazem-se presentes, de novo, nos sinais da celebração litúrgica, de um modo misterioso, mas real. Portanto, sempre que a Igreja, na celebração litúrgica, anuncia e proclama a Palavra de Deus, se reconhece a si mesma como o povo da nova aliança.
  3. A Igreja continua na liturgia a ação de Jesus Cristo que como em Emaús, exorta a aprofundar o conjunto das Escrituras. Assim, “a Igreja perpetua e transmite a todas as gerações tudo o que ela é e tudo o que ela crê, de tal modo que, ao longo dos séculos, vai caminhando continuamente para a plenitude da verdade divina, até que nela mesma se realize completamente a Palavra de Deus”.
  4. Atenção pastoral merecem as celebrações ecumênicas da Palavra de Deus. Nestas celebrações a primazia recai sobre o espírito de unidade à luz da Palavra de Deus. Para isto, as celebrações ecumênicas devem ser preparadas previamente, com a colaboração e aprovação das partes interessadas, no que diz respeito aos textos bíblicos, cantos, orações, exercício dos ministérios e partilha da Palavra. Na organização do ambiente e dos elementos celebrativos, respeita-se a sensibilidade religiosa dos participantes. Importa ressaltar que o testemunho da unidade entre os cristãos é um imperativo da fé: “para que o mundo creia” (Jo 17,21).

   Ação simbólica

  1. Deus e a pessoa humana exprimem suas relações, através de sinais, símbolos e objetos. A celebração da Palavra, como toda a celebração litúrgica, se faz com “sinais sensíveis”. A participação do povo no acontecimento celebrado expressa-se com palavras, gestos, ações e ritos. A expressão simbólica da celebração “exprime e estimula os pensamentos e os sentimentos dos participantes”. O gesto corporal revela a fé e a comunhão. Os discípulos, ao verem o Senhor, “prostraram-se diante dele”. “O que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo”.

A Palavra de Deus na liturgia é sinal celebrativo. É sinal enquanto contém e expressa a realidade da salvação. Ela proporciona o encontro da comunidade com o próprio Deus que se comunica e se faz presente em Jesus Cristo.

 

   Ação ministerial

  1. A proclamação eclesial e litúrgica da Palavra de Deus é uma realidade ministerial. Por vontade divina, o novo povo de Deus está formado por uma variedade de membros; por esta razão, são também vários os serviços e as funções que correspondem a cada um, no que se refere à Palavra de Deus. Na celebração, cada um tem o direito e o dever de contribuir com sua participação, de modo diferente segundo a diversidade de função e de ministérios.

 

   

A escuta da Palavra gera vida nova

  1. Quando Deus comunica a sua Palavra, sempre espera uma resposta, que consiste em escutar e adorar “em Espírito e Verdade”. O Espírito Santo age para que a resposta seja eficaz, para que se manifeste na vida o que se escuta na ação litúrgica. Assim, procurem os fiéis, que aquilo que celebram na liturgia seja uma realidade em sua vida e costumes e, inversamente, o que fizerem em sua vida se reflita na liturgia.
  2. A escuta da Palavra suscita o arrependimento e estimula à conversão. “A Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas”. Ela põe em crise as situações erradas, provoca uma revisão, suscita o compromisso. “Senhor, eis que eu dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo”.
  3. As celebrações da Palavra de Deus atuam e frutificam à medida que há uma resposta de vida de fé, de esperança e de caridade da parte dos que escutam. A resposta de fé supõe explicação e compreensão da Palavra. “Como é que vou entender se ninguém me explicar”? Daí se pode entender a necessidade do estudo da Sagrada Escritura, a ser planejado de maneira correspondente às necessidades das pastorais e da pastoral de conjunto.
  4. Apoiando-se na Palavra de Deus, as pessoas se tornam mais solidárias e fazem dos momentos celebrativos um encontro festivo e comprometido com o próprio Deus da vida, que é Palavra que ama, salva, transforma e liberta.

 

   Relação entre a Palavra de Deus e a Eucaristia

  1. A Igreja cresce e se edifica ao escutar a Palavra de Deus e ao celebrar a eucaristia como memorial da morte e ressurreição de Jesus Cristo, até que ele venha. A Palavra de Deus proclamada conduz à plenitude do mistério pascal de Cristo crucificado e ressuscitado. Com efeito, o mistério pascal de Cristo, anunciado nas leituras e na homilia, realiza-se por meio da Eucaristia.
  2. Palavra de Deus e mistério eucarístico foram honrados pela Igreja com a mesma veneração, embora com diferente culto. “A Igreja sempre quis e determinou que assim fosse, porque, impelida pelo exemplo de seu fundador, nunca deixou de celebrar o mistério pascal de Cristo, reunindo-se para ler todas as passagens da Escritura que a ele se referem e realizando a obra da salvação, por meio do memorial do Senhor”.
  3. “A Igreja alimenta-se com o Pão da Vida na mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo”. “Na Palavra de Deus se anuncia a aliança divina e na Eucaristia se renova esta mesma aliança nova e eterna. Na Palavra recorda-se a história da salvação, na Eucaristia a mesma história se expressa por meio de sinais sacramentais”. Portanto, a Palavra conduz à Eucaristia. Se, por um lado, a Palavra encontra sua realização na Eucaristia, por outro a Eucaristia tem seu fundamento na Palavra.
  4. A celebração eucarística é o verdadeiro centro de toda a vida cristã, para a qual convergem e se unem as atividades pastorais, os ministérios eclesiais e os demais sacramentos. “Nenhuma comunidade cristã se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebração da santíssima Eucaristia”.
  5. Palavra de Deus e Eucaristia são duas formas diferentes da presença de Jesus Cristo no meio do povo da nova aliança. O ideal seria que todas as comunidades cristãs pudessem celebrar a eucaristia, especialmente, aos domingos. Todavia, inúmeras razões, como: a falta de ministros, o aumento do número de comunidades cristãs, sua dispersão em lugares afastados e outros motivos, impedem que as comunidades participem da celebração eucarística dominical.

 

   O domingo, dia do Senhor e da comunidade

  1. O domingo é uma instituição de origem especificamente cristã. Começou com a reunião dos primeiros cristãos para celebrar a memória da morte e ressurreição de Jesus Cristo que se deu no primeiro dia da semana. A celebração do Senhor ressuscitado e a ação de graças — eucaristia — são os elementos essenciais do domingo cristão. Os irmãos reunidos oravam, escutavam a Palavra e eram alimentados com o alimento divino — fração do pão.
  2. O domingo é o dia da Igreja. Dia da comunidade reunida em nome do Senhor. Nesse mesmo dia, o Filho enviou de junto do Pai, o Espírito Santo sobre seus discípulos. E os enviou como mensageiros da Boa Nova.62 O dia do Senhor devia ser vivido na alegria, dia da grande libertação, sinal profético da reunião universal de todos os eleitos diante do Trono de Deus, cantando seus louvores.
  3. O domingo era tão significativo para os primeiros cristãos, que eles se sentiam verdadeiramente convidados a participar da reunião comunitária. Nem o risco de vida, a prisão ou as torturas os afastavam das celebrações dominicais. Faltar à assembleia dominical é amputar o Corpo de Cristo. Reunir-se e tomar parte na liturgia dominical, na escuta da Palavra, na participação no corpo e no sangue do Senhor, era expressão de pertença a Cristo. Sinal da alegria pela presença do Espírito Santo e pela comunhão com o Senhor glorificado e pela esperança de sua volta.
  4. Tomar parte da assembleia litúrgica, trata-se de um imperativo que brota da fé e da comunhão com a Igreja de todos os tempos, em torno do Ressuscitado. Daí que, para aquele que crê, e se sente integrado numa comunidade de fé, “reunir-se no dia do Senhor”, mais que uma obrigação preceitual, é um privilégio.
  5. O cuidado pastoral deverá considerar a assembleia dominical como a reunião do Povo de Deus convocado para celebrar a Páscoa do Senhor. Desse modo, os fiéis serão, por sua participação ativa na ação litúrgica dominical, fortalecidos em sua fé e no testemunho de sua vida eclesial.
  6. O domingo, além de ser o dia do Senhor e da comunidade, é também o dia de alegria e de repouso do trabalho, expressão de liberdade e de convivência fraterna. O repouso dominical é sinal de libertação e proclamação da grandeza da pessoa humana, “que, sem dúvida, tem mais valor do que os negócios e os processos produtivos”.69
  7. A sociedade consumista e secularizada perdeu o sentido religioso do domingo. O mundo do trabalho por turnos, a mentalidade de produção e o regime urbano de vida estão enfatizando outras dimensões. Não tendo tempo disponível durante a semana, as pessoas ocupam o domingo nos afazeres domésticos ou em serviços que possam ajudar na subsistência familiar. Muitas famílias procuram, fora da cidade, a superação da tensão gerada pela vida cotidiana, por vezes, em realidades opostas ao sentido cristão do domingo.

   A celebração dominical

  1. Os fiéis sejam instruídos acerca do significado da assembleia dominical. Onde não for possível a celebração eucarística, possibilitem às comunidades eclesiais a celebração da Palavra de Deus. Deste modo, seus membros, terão acesso aos tesouros da Sagrada Escritura e da oração da Igreja. “A celebração da Palavra, mesmo com a distribuição da comunhão, não deve levar o povo a pensar que se trata do Sacrifício da missa”.
  2. As celebrações dominicais da Palavra de Deus sejam acompanhadas de uma oportuna catequese aos fiéis sobre o seu sentido, e se proporcione uma adequada formação litúrgica aos que nelas desempenham serviços e ministérios.
  3. Mesmo tendo presente o valor pastoral e sacramental das celebrações dominicais da Palavra de Deus, não se devem ocultar questões sérias, como a dos ministérios e do direito das comunidades à celebração mais freqüente da Eucaristia. O Papa João Paulo II lembra que a Eucaristia é o centro das formas de oração e o fundamento indispensável para as comunidades cristãs.
  4. No Ano Litúrgico, além do domingo, existem outros momentos importantes na vida da Igreja, que precisam ser celebrados. Neles revive-se o mistério pascal. São as solenidades relacionadas a Jesus, como o dia de Natal e o Corpo e o Sangue de Cristo e as festas da Virgem Maria, como o dia da Imaculada Conceição, Santa Mãe de Deus e outros acontecimentos importantes da comunidade e da sociedade.

    Equipe de celebração

  1. A celebração da Palavra de Deus, como expressão da Igreja reunida, supõe a presença de uma equipe de celebração que, a prepare, anime e integre os diversos serviços: do acolhimento fraterno, da presidência, da animação, do canto, da proclamação das leituras e outros. Para o seu bom desempenho, requer-se para a equipe a formação litúrgica. Convém que dela participem crianças, jovens, homens e mulheres.
  2. No momento de preparar a celebração, a equipe considere os seguintes elementos: situar a celebração no tempo litúrgico e na realidade de vida da comunidade; ler e refletir os textos bíblicos, percebendo sua mensagem central; prever os comentários, as orações, os cantos, os gestos e as expressões simbólicas que a vida da comunidade e a Palavra de Deus sugerem. Após a elaboração do roteiro da celebração, a equipe distribua co-responsavelmente os serviços, visando a participação ativa de toda a assembleia.

 

   Espaço celebrativo

  1. Embora toda a terra seja santa, “A Igreja, como família de Deus, precisa de uma casa para reunir-se, dialogar, viver na alegria e na comum-união os grandes momentos de sua vida religiosa”. Por isso, o espaço celebrativo seja funcional e significativo, de tal modo que favoreça:

— a participação ativa da assembleia;

— exercício de diferentes ministérios. O espaço celebrativo visa suscitar em todos a recordação da presença de Deus que fala ao seu povo.

  1. Tenha-se cuidado com a disposição e ornamentação do espaço celebrativo. Valorizem-se as expressões da arte local. O bom gosto criará um ambiente religioso, digno, agradável, levando-se em conta a cultura própria da região. A configuração do espaço celebrativo deverá ser tal que ponha em destaque a mesa da palavra, e que os ministros possam facilmente ser vistos e ouvidos pela assembleia.
  2. A dignidade da Palavra de Deus requer, no espaço celebrativo, um lugar próprio para a sua proclamação. Convém que a “mesa da Palavra” ocupe lugar central. Nela são proclamadas as leituras Bíblicas. Aí aquele que preside, dirige-se à assembleia e profere as orações. Para a “Mesa da Palavra” convergem as atenções de todos os presentes.
  3. Os livros litúrgicos sejam tratados com cuidado e respeito, pois é deles que se proclama a Palavra de Deus e se profere a oração da Igreja. Por isso, na celebração, os ministros tenham em sua mão livros belos e dignos, quer na apresentação gráfica quer na encadernação.
  4. A acústica e o sistema de som merecem um cuidado especial para permitir a comunicação da Palavra, a escuta e a resposta da assembleia impregnando o ambiente de nobreza e de religiosidade.
  5. A diversidade de ministérios na celebração é significada exteriormente pela diversidade das vestes, que são sinais distintivos da função própria de cada ministro. Na celebração da Palavra podem-se adotar vestes litúrgicas confeccionadas segundo a sensibilidade e o estilo próprio das culturas locais. Por sua vez, a diversidade de cores tem por finalidade exprimir de modo mais eficaz, o caráter dos mistérios da fé que se celebram e o sentido da dinâmica da vida cristã ao longo do ano litúrgico.

 

II – PARTE

ELEMENTOS PARA O ROTEIRO DA CELEBRAÇÃO

  1. Há entre as comunidades eclesiais uma diversidade de roteiros para a celebração da Palavra de Deus. Será de grande proveito que as equipes de liturgia das comunidades e dioceses, dê sua colaboração na elaboração de roteiros que expressem, de forma inculturada, a riqueza do mistério de Deus na vida do povo.
  2. As celebrações dos sacramentos possui um ritual próprio. No caso da celebração da Palavra de Deus, não existe um ritual específico. Muitas comunidades simplesmente seguem o esquema da Celebração Eucarística, omitindo algumas partes. Outras comunidades usam o roteiro sugerido por folhetos litúrgicos.
  3. Se por um lado, há certa liberdade na celebração da palavra, por outro, há uma lógica a ser observada que, no seu conjunto, reflete uma coerência teológico-litúrgica: o Senhor convida e reúne, o povo atende e se apresenta; o Senhor fala, a assembleia responde professando sua fé, suplicando e rezando, louvando e bendizendo. A comunidade com ritos, gestos e símbolos expressa e renova a Aliança de Deus com o seu povo e deste com Deus. A assembleia é abençoada e enviada em missão na construção de comunidades vivas.
  4. É necessário situar a celebração da Palavra de Deus no contexto do tempo litúrgico e na vida da comunidade. Tenha-se presente os acontecimentos e esteja-se atento à realidade das pessoas que vão celebrar. Para garantir o ritmo celebrativo procure-se integrar de forma harmoniosa, movimento e descanso, gesto e palavra, canto e silêncio, expressão e interiorização, ação dos ministros e participação da comunidade. É preciso levar em conta as exigências da comunicação e da cultura do povo.
  5. Na celebração da Palavra sejam devidamente valorizados os seguintes elementos:

lº Reunião em nome do Senhor;

2º Proclamação e atualização da palavra;

3º Ação de graças;

4º Envio em missão.

  1. O roteiro da celebração da Palavra deve ser organizado de tal modo que favoreça a escuta e a meditação da Palavra de Deus, a oração e o compromisso de vida.
  2. A celebração possibilite o encontro de comunhão afetivo e efetivo entre Deus e as pessoas, e seja capaz de penetrar as dimensões mais profundas da vida. Por isso, a celebração deve respeitar a dinâmica dialogal que tem início em Deus e que provoca a resposta dos fiéis reunidos em assembleia.

 

 

   Ritos iniciais

  1. A celebração comunitária da Palavra preparada e realizada num clima de acolhida mútua, de amizade, de simplicidade, de alegria e de espontaneidade, favorece a comunhão e a participação dos fiéis na escuta da Palavra e na oração. “A atitude de amizade e de acolhimento acentua a valorização da pessoa, num mundo onde a técnica e o progresso nem sempre deixam espaço para a comunicação pessoal”. “Por isso, a pessoa precisa ser acolhida na comunidade, com abertura e sensibilidade para os diversos aspectos e dimensões de sua identidade e existência”.
  2. Além do “ministério da acolhida” e da postura acolhedora, alegre, disponível e bem-humorada dos ministros, é importante a apresentação das pessoas que tomam parte pela primeira vez, ou que estão em visita ou de passagem pela comunidade; a lembrança das pessoas ausentes por motivos de enfermidade, de trabalho ou de serviço em favor da comunidade; a recordação dos falecidos e seus familiares enlutados.
  3. Nos ritos iniciais e de acolhida são importantes ainda, para se criar o clima de encontro: o ensaio de cantos, um breve tempo de oração pessoal e silenciosa, a recordação de acontecimentos da semana ligados à vida das pessoas, famílias, comunidades, diocese, país e do mundo, ligando a Páscoa de Jesus Cristo com os acontecimentos da vida.
  4. O comentarista, consciente de sua função, orienta a assembleia litúrgica com breves indicações sobre os cânticos, partes e os elementos da celebração.
  5. Quem preside a assembleia, com palavras espontâneas e breves, saúda e acolhe a todos e os introduz no espírito próprio da celebração, despertando na assembleia a consciência de que está reunida em nome de Cristo e da Trindade para celebrar.
  6. A equipe de liturgia, em conformidade com o tempo litúrgico e os acontecimentos da vida da comunidade, poderá iniciar a celebração com uma procissão, levando a imagem do santo da devoção do povo, bandeiras, estandarte, faixas, cartazes e símbolos expressivos da realidade e da vida de fé dos presentes, entronizando a Cruz e a Bíblia e no tempo pascal, o Círio.
  7. O rito penitencial é um momento importante na celebração da Palavra. Ele prepara a assembleia à escuta da Palavra e à oração de louvor. Para que a comunidade externe melhor os sentimentos de penitência e de conversão, a equipe de liturgia, de modo criativo, poderá prever cantos populares de caráter penitencial, refrões variados, expressões corporais, gestos, símbolos e elementos audiovisuais que permitam à comunidade e às pessoas externarem melhor os sentimentos de penitência e conversão, o reconhecimento das situações de pecado pessoal e social. Tenha-se o cuidado para não prolongar este rito de modo desproporcional às outras partes da celebração.
  8. Aquele que preside concluirá os ritos iniciais com uma oração. Tendo em conta a assembleia e suas condições, quem preside poderá solicitar aos presentes, após uns instantes de oração silenciosa, que proclamem os motivos de sua oração — fatos da vida, aniversários, falecimentos, problemas, alegrias e esperanças — e, depois, concluirá a oração proposta, integrando as intenções no conteúdo e no espírito do tempo litúrgico.
  9. Em conformidade com o espírito da festa, a experiência de fé e a sensibilidade cultural da comunidade poderá ser de grande proveito a inclusão de orações tiradas da piedade popular.81

 

   Liturgia da Palavra

  1. Deus convoca a assembleia e a ela dirige sua Palavra e a interpela no hoje da História. A liturgia da Palavra compõe-se de leituras tiradas da Sagrada Escritura, salmo responsorial, aclamação ao Evangelho, homilia, profissão de fé e oração universal. “Nas leituras atualizadas pela homilia Deus fala a seu povo, revela o mistério da redenção e da salvação, e oferece alimento espiritual. O próprio Cristo, por sua palavra, se acha presente no meio dos fiéis. Pelos cantos, o povo se apropria dessa palavra de Deus e a ela adere pela profissão de fé. Alimentado por essa palavra, reza na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro”.
  2. A equipe de liturgia pode escolher os textos bíblicos à luz dos acontecimentos da vida da comunidade. Acontecimentos esses que devem ser refletidos e celebrados pela comunidade, na perspectiva da fé e tendo como ponto de referência a Sagrada Escritura. Isto supõe que a equipe de liturgia esteja familiarizada com a Bíblia para poder escolher a passagem bíblica de acordo com cada realidade.
  3. Nos dias de festa e nos domingos dos tempos fortes do Ano Litúrgico (Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e tempo Pascal) é importante que as leituras Bíblicas sejam as indicadas para as celebrações Eucarísticas, pois elas muitas vezes parecem ser um providencial “recado” de Deus para a situação concreta da comunidade.
  4. A proclamação do Evangelho deve aparecer como ponto alto da liturgia da Palavra, para o qual a assembleia se prepara pela leitura e escuta dos outros textos bíblicos. Entre a 1ª leitura e o Evangelho existe uma íntima unidade que evidencia a realização das promessas de Deus no Antigo Testamento e no Novo Testamento.84
  5. Convém que as comunidades, conforme as circunstâncias específicas, encontrem, dentro da variedade de gestos possíveis, ritos que permitem valorizar e realçar o Livro da Palavra (Bíblia, Lecionário) e a sua proclamação solene. O Livro, sinal da Palavra de Deus, é trazido em procissão, colocado na Mesa da Palavra, aclamado antes e depois da leitura e venerado. Não é recomendável que o leitor proclame a Palavra usando o folheto.
  6. Faz parte também da Liturgia da Palavra um tempo de meditação — silêncio, repetição, partilha — para buscar em comunidade o que o Senhor pede e para acolher a Boa Nova que sua Palavra comunica. Por isso, evite-se a pressa que impede o recolhimento.86 Pode-se guardar momentos de silêncio antes da motivação para a liturgia da Palavra, depois da 1ª e da 2ª leitura e ao concluir a homilia.
  7. A Palavra de Deus a ser proclamada e a dimensão comunitária da celebração requerem dos ministros da Palavra uma adequada preparação Bíblico-Litúrgica e técnica. Por esta razão, leve-se em conta a maneira de ler, a postura corporal, o tom da voz, o modo de se vestir e a boa comunicação. Proclamar a Palavra é colocar-se a serviço de Jesus Cristo que fala pessoalmente a seu povo reunido.

 

   Salmo Responsorial e Aclamação

  1. O Salmo Responsorial, Palavra de Deus, é parte integrante da liturgia da Palavra. É resposta orante da assembleia à 1ª leitura. Favorece a meditação da Palavra escutada. Em lugar do refrão do mesmo salmo, podem-se cantar refrões adaptados, de caráter popular. Dar-se-á sempre preferência a um salmo em lugar do chamado canto de Meditação.
  2. O Aleluia ou, de acordo com o tempo litúrgico, outro canto de aclamação ao Evangelho, é sinal da alegria com que a assembleia recebe e saúda o Senhor que vai falar e da disponibilidade para o seguimento da mensagem da Boa Nova proclamada.89

 

   Homilia ou partilha da Palavra de Deus

  1. A homilia é também parte integrante da Liturgia da Palavra. Ela atualiza a Palavra de Deus, de modo a interpelar a realidade da vida pessoal e comunitária, fazendo perceber o sentido dos acontecimentos, à luz do plano de Deus, tendo como referencial a pessoa, a vida, a missão e o mistério pascal de Jesus Cristo. A explicação viva da Palavra de Deus motiva a assembleia a participar na oração de louvor e na vivência da caridade, buscando realizar a ligação entre a Palavra de Deus e a vida, com mensagem que brota dos textos em conjunto e em harmonia entre si, atingindo a problemática do dia-a-dia da comunidade.
  2. Quando o diácono preside a celebração da Palavra a ele compete a homilia. Na sua ausência, a explicação e a partilha comunitária da Palavra de Deus cabe a quem preside a celebração.
  3. Quando oportuno, convém que a homilia ou a partilha da Palavra desperte a participação ativa da assembleia, por meio do diálogo, aclamações, gestos, refrãos apropriados. Segundo as circunstâncias, quem preside convida os presentes a dar depoimentos, contar fatos da vida, expressar suas reflexões, sugerir aplicações concretas da Palavra de Deus. Poderá haver troca de ideias em grupo, seguida de uma breve partilha comum e a complementação de quem preside.
  4. Conforme o caso, a dramatização da Palavra, poderá ser excelente complementação da homilia, sobretudo nas comunidades menores e constituídas pelo povo mais simples, que gosta de se expressar com gestos, símbolos e encenações adequadas ao seu universo mental.

 

   Profissão de Fé

  1. O Creio é uma resposta de fé da comunidade à Palavra de Deus. Exprime a unidade da Igreja na mesma fé e sua adesão ao Senhor. Por isso, é significativo recitar ou cantar a profissão de fé nos domingos e nas solenidades. Existem três fórmulas do Creio: O Símbolo dos Apóstolos, o Símbolo Niceno-constantinopolitano e a fórmula com perguntas e respostas como a encontramos na Vigília Pascal e na celebração do batismo. Eventualmente, podem-se usar refrãos cantados e adequados para que a comunidade manifeste a sua adesão de fé eclesial. Fé é adesão incondicional feita somente a Deus e não a pessoas, instituições ou movimentos humanos.

 

   Oração dos Fiéis / Oração Universal

  1. A oração dos fiéis ou oração universal, em geral, tornou-se um momento bom, variado e de razoável participação nas comunidades, “onde o povo exerce sua função sacerdotal”.95 Nela, os fiéis pedem a Deus que a salvação proclamada se torne uma realidade para a Igreja e para a humanidade, suplicam pelos que sofrem e pelas necessidades da própria comunidade, da nação, da Igreja e seus ministros,96 sem excluir os pedidos de interesse particular das pessoas.
  2. A comunidade reunida eleva ao Senhor sua oração universal com grande simplicidade. Nas comunidades maiores, a equipe de celebração, atenta à realidade local, eclesial e litúrgica elabora os pedidos. Seria bom que, onde há o ministério das rezadeiras, esse momento fosse, algumas vezes, confiado a elas. É oração que brota do coração da comunidade animada pelo Espírito Santo, pela Palavra ouvida e pela vida. Por isso, não é coerente a simples leitura de intenções de um folheto.
  3. Após a oração dos fiéis pode-se fazer a coleta como expressão de agradecimento a Deus pelos dons recebidos, de co-responsabilidade da manutenção da comunidade e seus servidores e como gesto de partilha dos irmãos necessitados.

 

   Momento do Louvor

  1. Um dos elementos fundamentais da celebração comunitária é o “rito de louvor”, com a qual se bendiz a Deus pela sua imensa glória. A comunidade reconhece a ação salvadora de Deus, realizada por Jesus Cristo e canta seus louvores. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de bênçãos”. “Ele nos arrancou do poder das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, no qual temos a redenção — a remissão dos pecados”.
  2. A comunidade sempre tem muitos motivos para agradecer ao Senhor, seja pela vida nova que brota da Ressurreição de Jesus, como pelos sinais de vida percebidos durante a semana na vida familiar, comunitária e social.
  3. O momento da ação de graças ou de louvor pode realizar-se através de salmos, hinos, cânticos, orações litânicas ou ainda benditos e outras expressões orantes inspiradas na piedade popular. Isso pode ser após a oração dos fiéis, a distribuição da comunhão ou, ainda, no final da celebração.
  4. O momento de louvor não deve ter, de modo algum, a forma de celebração eucarística. Não faz parte da celebração comunitária da Palavra a apresentação das ofertas de pão e de vinho, a proclamação da oração eucarística própria da missa, o canto do Cordeiro de Deus e a bênção própria dos ministros ordenados. Também nas celebrações da Palavra não se deve substituir o louvor e a ação de graças pela adoração ao Santíssimo Sacramento.

 

   Oração do Senhor — Pai-Nosso

  1. A Oração do Pai-nosso, que nunca deverá faltar na celebração da Palavra, pode ser situada em lugares diferentes conforme o roteiro escolhido para a celebração. A oração do Senhor é norma de toda a Oração do Cristo, pede o Reino, o pão e a reconciliação, e expressa o sentido da filiação Divina e da fraternidade. Evite-se sua substituição por cantos ou orações parafraseados. O Pai-Nosso pode ser cantado por toda a assembleia.

 

   Abraço da Paz

  1. O abraço da paz é expressão de alegria por estar junto aos irmãos e irmãs, é expressão da comunhão fraterna, é importante portanto que na celebração haja um momento para este gesto. Poderá variar o momento conforme o enfoque da celebração que estamos vivendo. Pode ser no início da celebração, após o ato penitencial, após a homilia, ou no final da celebração.

 

   A Comunhão Eucarística

  1. Nas comunidades onde se distribui a comunhão durante a celebração da Palavra, o Pão Eucarístico pode ser colocado sobre o altar antes do momento da ação de graças e do louvor, como sinal da vinda do Cristo, pão vivo que desceu do céu.
  2. Compete ao ministro extraordinário da comunhão distribuir a sagrada comunhão todas as vezes que não houver presbítero ou diácono em número suficiente e que as necessidades pastorais o exigirem. A comunhão eucarística, de preferência seja distribuída da mesa (do altar).

Ritos de Comunhão

Oração do Pai-nosso,

Oração: Senhor todo-poderoso, criastes todas as coisas e nos destes alimentos que nos sustentam, concedei-nos crescer na vida espiritual pelo pão da vida que vamos receber, Por Jesus Cristo vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

O ministro, toma a hóstia e, elevando-a, diz em voz alta voltado para a assembleia:

“Irmãos e irmãs, participemos da comunhão do Corpo do Senhor em profunda unidade com nossos irmãos que, neste dia, tomam parte da celebração eucarística, memorial vivo da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. O Corpo de Cristo será nosso alimento”.

Portanto:

Felizes os convidados para a Ceia do Senhor.

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

ou

Eu sou o Pão vivo, que desceu do céu: se alguém come deste Pão, viverá eternamente.

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do  mundo.

Assembleia:

Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.

Se o ministro comungar, reza em silêncio:

Que o Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna.

E diz a cada comungante:

O Corpo de Cristo.

Amém!

Durante a distribuição da comunhão a assembleia canta um hino apropriado.

Pode-se guardar durante algum tempo um silêncio ou entoar um salmo ou um cântico de louvor. A seguir o ministro conclui com a oração:

Restaurados à vossa mesa pelo Pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos servir em nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

(ou)

Fortificados por este alimento sagrado, nós vos damos graças, ó Deus, e imploramos vossa misericórdia; fazei que perseverem na sinceridade do vosso amor aqueles que fortalecestes pela infusão do Espírito Santo. Por Cristo nosso     Senhor.

(ou)

Alimentados com o mesmo pão, nós vos pedimos, ó Deus, que possamos viver uma vida nova e perseverar no vosso amor solidários com vossos filhos e nossos irmãos. Por Cristo nosso     Senhor.

Para o tempo pascal:

Senhor nosso Deus e Pai, pelo mistério da Páscoa que celebramos, fazei crescer em nossos corações e em nossas vidas os frutos da vossa aliança que hoje renovastes conosco. Dai-nos a alegria de vos servir, apesar das muitas dificuldades de cada dia. Por Cristo nosso Senhor.

Avisos:

Ministro invoca a bênção sobre os presentes:

Que o Senhor nos abençoe, guarde-nos de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Amém!

(ou)

O Senhor nos abençoe e nos guarde!

O Senhor faça brilhar sobre nós a sua face e nos seja favorável!

O Senhor dirija para nós o seu rosto e nos dê a paz.

Que o Senhor confirme a obra de nossas mãos, agora e para sempre. Amém!

Abençoe-nos o Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo.

Amém!

A alegria do Senhor seja nossa força vamos em paz e o Senhor nos acompanhe.

(ou)

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado!

  1. Nas comunidades onde não há distribuição de comunhão, este pode ser um bom momento para alguma ação simbólica, como: partilha do pão, recebimento do dízimo, coleta de donativos em vista de ajuda aos necessitados da comunidade. Pode-se realizar também a aspersão com água, sinal do batismo, ou outras expressões simbólicas ligadas à experiência religiosa da comunidade.

   Ritos finais — Compromisso

  1. Pelos ritos de despedida a assembleia toma consciência de que é enviada a viver e testemunhar a Aliança no seu dia-a-dia e nos serviços concretos na edificação do Reino.
  2. Antes de se encerrar a celebração, valorizem-se os avisos e as notícias que dizem respeito à vida da comunidade, da paróquia ou da Diocese. Esses avisos podem ser uma forma de ligação entre o ato litúrgico e os compromissos da semana.
  3. A bênção é um ato de envio para a missão e de despedida com a graça de Deus. É de suma importância que todos retornem às suas casas e ao convívio social, com um compromisso, com esperança, com a experiência de terem crescido na fraternidade e com a decisão de ser testemunhas do Reino.
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12 respostas para ORIENTAÇÕES PARA A CELEBRAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS – CNBB DOCUMENTO 52

  1. Raimundo Novato Correia Santiago disse:

    De grande ajuda.

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    • Ricardo Mendes de Lima disse:

      NÃO. Porque não há consagração das partículas (hóstias). Essa missão é exclusiva do SACERDOTE (Ministro ORDENADO). Na celebração da Palavra o Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e das Exéquias faz o traslado das âmbulas do Sacrário e as coloca sobre o corporal que é estendido previamente no altar. A comunidade é instada pelo Ministro da Palavra a se ajoelhar e a realizar um momento de adoração ao Cristo presente. Encerrada a adoração o(s) Ministro(s) da Eucaristia se aproxima(m) do altar, retiram uma hóstia da âmbula e, de frente para a comunidade eleva a hóstia e diz: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor. Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” A comunidade responde: “Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada mas dizei uma só palavra e serei salvo.”. O Ministro da Eucaristia diz: “Que o sangue e o corpo de Cristo nos guarde para a vida eterna.” A comunidade responde:”Amém!”. A seguir entrega a comunhão ao Ministro da Palavra, desce do presbitério e vai distribuir a comunhão à comunidade.
      (Ricardo Mendes – Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e das Exéquias – Comunidade Nossa Senhora de Fátima – Paróquia São José e São Gabriel Passionista – Belo Horizonte/MG.)

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  2. vanderlino soares barbosa disse:

    Muito boas as orintaçoes. Eu tenho uma duvida: reza-se o cordeiro de DEUS em uma celabraçao ca palavra?

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    • Tarcísio disse:

      Vanderlino

      A CNBB publicou um documento (número 52) sobre “Orientações para a celebração da Palavra de Deus”. Neste documento, encontramos alguns dados importantes:

      1. Na Celebração da Palavra, sejam valorizados os seguintes elementos: 1) Reunião em nome do Senhor; 2) Proclamação e atualização da Palavra; 3) Ação de Graças; e 4) Envio em Missão.

      O documento ainda oferece um roteiro:
      1. Ritos iniciais: Saudação, acolhida, introdução no espírito da celebração, rito penitencial. Quem preside conclui os ritos iniciais com uma oração.
      2. Leitura, Salmo e Evangelho.
      3. Partilha da Palavra de Deus.
      4. Profissão de Fé.
      5. Oração dos Fiéis.
      6. Momento de Louvor: Não deve ter, de modo algum, a forma de Celebração Eucarística.
      7. Oração do Senhor – Pai Nosso.
      8. Abraço da Paz.
      Não se reza o “Cordeiro”
      9. Comunhão Eucarística: Nas comunidades onde se distribui a Comunhão durante a Celebração da Palavra, o Pão Eucarístico pode ser colocado sobre o altar após o “Pai Nosso”, antes do momento da ação de graças e do louvor, como sinal da vinda do Cristo, Pão Vivo que desceu do céu.
      10. Ritos finais.

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    • Ricardo Mendes de Lima disse:

      NÃO. Porque não há consagração das partículas (hóstias). Essa missão é exclusiva do SACERDOTE (Ministro ORDENADO). Na celebração da Palavra o Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e das Exéquias faz o traslado das âmbulas do Sacrário e as coloca sobre o corporal que é estendido previamente no altar. A comunidade é instada pelo Ministro da Palavra a se ajoelhar e a realizar um momento de adoração ao Cristo presente. Encerrada a adoração o(s) Ministro(s) da Eucaristia se aproxima(m) do altar, retiram uma hóstia da âmbula e, de frente para a comunidade eleva a hóstia e diz: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor. Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” A comunidade responde: “Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada mas dizei uma só palavra e serei salvo.”. O Ministro da Eucaristia diz: “Que o sangue e o corpo de Cristo nos guarde para a vida eterna.” A comunidade responde:”Amém!”. A seguir entrega a comunhão ao Ministro da Palavra, desce do presbitério e vai distribuir a comunhão à comunidade.
      (Ricardo Mendes – Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e das Exéquias – Comunidade Nossa Senhora de Fátima – Paróquia São José e São Gabriel Passionista – Belo Horizonte/MG.)

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    • Ricardo Mendes de Lima disse:

      Reza-se o cordeiro de Deus em uma celebração da palavra?

      NÃO. Porque não há consagração das partículas (hóstias). Essa missão é exclusiva do SACERDOTE (Ministro ORDENADO). Na celebração da Palavra o Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e das Exéquias faz o traslado das âmbulas do Sacrário e as coloca sobre o corporal que é estendido previamente no altar. A comunidade é instada pelo Ministro da Palavra a se ajoelhar e a realizar um momento de adoração ao Cristo presente. Encerrada a adoração o(s) Ministro(s) da Eucaristia se aproxima(m) do altar, retiram uma hóstia da âmbula e, de frente para a comunidade eleva a hóstia e diz: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor. Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” A comunidade responde: “Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada mas dizei uma só palavra e serei salvo.”. O Ministro da Eucaristia diz: “Que o sangue e o corpo de Cristo nos guarde para a vida eterna.” A comunidade responde:”Amém!”. A seguir entrega a comunhão ao Ministro da Palavra, desce do presbitério e vai distribuir a comunhão à comunidade.
      (Ricardo Mendes – Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e das Exéquias – Comunidade Nossa Senhora de Fátima – Paróquia São José e São Gabriel Passionista – Belo Horizonte/MG.)

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      • Rosana Caiafa disse:

        Sou ministra da Palavra e aqui em nossa diocese de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, somos orientados que não há momento de adoração na celebração da Palavra. Quando o Santíssimo Sacramento é trazido pelo ministro da Eucaristia e é colocado sobre o Altar, se faz o rito da louvação.

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  3. Maria Helena Dias disse:

    Muito boa a reflexão. Dou ministra dá palavra é catequista de crisma. Amei os esclarecimentos. Deus os abençoe.

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  4. cidnea zambom disse:

    gostei agora vou sempre ler

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  5. Flavio Ferreira de Almeida disse:

    Sou ministro da Palavra e gostaria de saber se cabe ao ministro proferir a oração pela paz e a conclusão do Pai Nosso?
    Aqui em nossa Paróquia sempre que muda o Padre muda a orientação e o documento 52 não é claro a esse respeito.

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    • Rosana Caiafa disse:

      Após a oração do Pai nosso, o Ministro da Palavra reza sozinho a oração da Paz (ela é feita somente por quem preside a celebração, seja pelo padre, diácono ou ministro da Palavra, não é feita pela assembleia). O ministro da Palavra não reza aquela oração entre o Pai nosso e a paz. É importante também orientar a assembleia que não se deve sair do lugar a fim de se fazer a saudação da paz. Também não se canta o canto da paz, ele não existe no rito Romano.

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