O QUE É EVANGELIZAR

INTRODUÇÃO =- O QUE É EVANGELIZAR

Para nos tornarmos evangelizadores precisamos compreender em primeiro lugar o que é Evangelizar. A evangelização hoje não pode ser compreendida como “dar catecismo”. A Evangelização faz parte da essência da ação da Igreja que envolve aqueles que aderem a Jesus Cristo. Evangelização é o ensinamento essencial da fé e não apenas doutrina.

Precisamos viver esta fé na comunidade e a partir dela evangelizar, levando em conta a realidade da pessoa: suas preocupações e angustias, esperanças e necessidades. Portanto, a Evangelização precisa ter este objetivo: educar na fé as diversas dimensões do ser humano. A evangelização precisa ter também uma meta, isto é, um caminho: levar a pessoa evangelizada a ser sujeito da sua história. E para sermos verdadeiros evangelizadores, precisamos nos espelhar em Jesus Cristo que se encarnou no meio dos homens e mulheres de sua época. Portanto a primeira atitude do evangelizador é conhecer a realidade da pessoa evangelizada, tal como Jesus fez. Evangelizar nos enche de alegria como também de muitas preocupações. Ser evangelizador não é fácil. È muito mais simples ensinar perguntas e respostas do catecismo, para guarda-las na memória, do que fazer uma Evangelização que se preocupa com a realidade, com os conflitos, etc.

Uma evangelização que amortece os conflitos e a realidade é escondida, é uma Evangelização amortecedora. Infelizmente ainda temos este tipo presente, em comunidades, Paróquia e até Dioceses. A verdadeira Evangelização não é teórica, é vida, é ação, por isso precisamos conhecer melhor a realidade que queremos transformar para fazermos uma Evangelização transformadora aonde os conflitos sejam vistos de frente. Por isso você evangelizador é um enviado de Deus. Sua missão é de ser um agente transformador da realidade egoísta, que atormenta, oprime e entristece o ser humano para uma realidade de amor e partilha.

O evangelizador é um porta-voz de Deus, que sendo chamado, responde “sim” a sua vocação e dá testemunho de vida cristã, sendo um membro atuante e participativo da comunidade. Temos evangelizadores que começam a Evangelização com certo entusiasmo e nas primeiras dificuldades desistem.  É necessário paciência, dedicação e perseverança. A Evangelização, um processo dinâmico e permanente de educação da fé, exige do evangelizador coragem, perseverança, amor no coração, que ajudam o cristão comprometido com o batismo a seguir nos caminhos da fraternidade, da justiça, da liberdade e da paz.

A vocação é um chamado de Deus, que espera da pessoa chamada uma resposta. A vocação é a realização do plano de Deus, na vida de cada cristão, que responde “sim” ao chamado. Por isso precisamos assumir nossa vocação com grande ardor missionário-evangelizador. A vocação se manifesta em dois sentidos: a descoberta da própria vocação e o compromisso de vive-la com toda integridade. A vocação do evangelizador é comunitária, pois ela abrange toda a ação da comunidade. Quando o evangelizador tem consciência do seu chamado, desempenha junto à comunidade um serviço eficaz e efetivo colaborando na transformação da sociedade pelo testemunho comunitário e pelo anúncio da Palavra de Deus.

A formação do evangelizador é algo essencial por isso você precisa buscar a formação na comunidade, na Paróquia, junto a outros evangelizadores. Partindo de uma formação eficaz o evangelizador contempla a realidade, torna-se pessoa comprometida com o ser humano e com a realidade social. Procura adquirir uma formação como cidadão, tendo como ponto referencial Jesus Cristo, Filho de Deus, encarnado numa realidade humano-social-religiosa. Esta formação ajuda a descobrir que a vida humana é o valor central da sociedade. A formação dos evangelizadores é hoje uma das mais importantes e urgentes tarefas das Paróquias, comunidades e das Dioceses. Ninguém nasce evangelizador. Aqueles que são chamados tornam-se bons evangelizadores, através da meditação diária da Palavra de Deus e da preparação adequada, da conscientização de sua importância como educadores da fé. Por isso a nossa Paróquia este ano dedica-se à formação dos evangelizadores. Valorize esta formação e tenha certeza que para você se tornar um evangelizador precisa primeiro ser evangelizado. Precisamos de evangelizador que ensine a pessoa evangelizada a viver o mistério da eucaristia, assumindo com coragem o batismo. Esta é a grande missão do evangelizador.

ESCUTAR E APRENDER A EVANGELIZAR COM JESUS CRISTO

Todos nós temos uma certeza: A igreja nasce na Páscoa a partir da fé em Cristo Ressuscitado. A Igreja desde suas origens é sinal e instrumento do Reino de Deus.  A Igreja nasceu do discipulado convocado por Jesus. Aos discípulos Jesus ensinava com explicações tiradas da vida e das Escrituras. Jesus era missionário-evangelizador consagrado pelo Pai e enviado ao mundo. A missão era a própria vida de Jesus. Os discípulos aprenderam a missão na vida. Assim se formaram apóstolos-missionários-evangelizadores, enviados por Jesus com a força do Espírito Santo.

No Evangelho encontramos os começos da fraternidade de discípulos convocados por Jesus.  A comunidade faz o que vê Jesus fazer, que cumpre a vontade do Pai e leva a cabo sua obra. O Reinado de Deus, este é o projeto do Pai, esta é a ação missionária de Jesus. Jesus que vive para ele, mostra e faz presente em sua própria pessoa o Reino de Deus.

Continuaram aprendendo comunitariamente. Até os dias de hoje a Igreja continua em discipulado e missão por ter recebido o Evangelho com amor e ter dado frutos de conversão e salvação. A Igreja permanentemente se recria no discipulado de Jesus, acolhe a Palavra, medita esta Palavra e a torna carne da sua carne, espírito do seu espírito.

Neste mundo em mudanças constantes continua se realizando o Plano de Deus, projeto de Jesus, animado pelo Espírito. Todos nós devemos estar atentos aos três eixos temáticos da missão – Discipulado, Pentecostes e Evangelização – que são essenciais à ação missionária.

 

è DISCIPULADO – comunidade discípula de Jesus

Jesus a fim de realizar a missão do Pai escolheu os discípulos que estivessem com Ele, aprendessem dele e iniciassem com ele a comunidade Igreja. Jesus sai de si mesmo para vir ao encontro da humanidade. Por amor se fez história em nossa história. Por amor veio para trazer-nos o gérmen da vida.

Nosso Senhor é o bom Pastor que se encontra com o cego no caminho, que dignifica a samaritana, que cura os enfermos, que alimenta o povo faminto. Igualmente convida seus discípulos à reconciliação, ao amor aos inimigos, a optar pelos mais pobres. Jesus é o caminho, a verdade, a vida, plenitude de vida que diviniza e humaniza o ser humano.

O Filho de Deus começa sua missão chamando vários seguidores. O chamado de Jesus Cristo ao discipulado implica uma opção fundamental por sua pessoa, que por sua vez exige seguimento de suas atitudes, de seu modo de ser e relacionar-se com Deus. Jesus exige de seus discípulos participar do seu estilo de vida. Exige de seus discípulos que se desprendam do seu egoísmo. Jesus diz: “quiser ser o primeiro que seja o último de todos e o servidor de todos”.

O Cristo ensina seus discípulos a cultivar gestos e sentimentos e atitudes humanizadoras. Ele expressa compaixão por quem sofre. Jesus ressuscitado ensina os discípulos a interpretar as Escrituras à luz da sua pessoa para que a Palavra possa chegar a todos os corações.  E envia seus discípulos a proclamar esta Palavra ao mundo. Diz Jesus: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. Dito isto soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebam o Espírito Santo”. O sinal (sacramento) que os discípulos usavam por mandato de Cristo para fazer novos discípulos era o batismo. E formavam então pequenas comunidades como sinais viventes da presença da nova fé que não conhecia limites. Os membros destas comunidades, especialmente os pobres e os escravos encontravam um sentido de pertença, e reconhecimento da própria dignidade pessoal que constituía uma verdadeira alternativa a uma sociedade opressora.

Entenderam a missão de Jesus como uma tarefa que haveriam de levar ao todos os confins da terra. Por isso se deu um forte movimento missionário-evangelizador que começou com Pedro, João, Filipe, Tiago, e as mulheres, como Maria Madalena, Salomé, testemunhas da ressurreição. E continua hoje, com você, também discípulo missionário-evangelizador de Jesus.

Cada Igreja – comunidade – deve ser missionária dentro e fora dos seus limites. É necessário que nós todos abramos os nossos corações para que ele se renove e aprofunde na própria identidade pastoral da Igreja que é a Missão.

– Missão: natureza da Igreja!

– Missão: identidade da Igreja!

– ]Missão: levar ao mundo a proposta salvífica de Deus!

CINCO ASPECTOS DO PROCESSO DE FORMAÇÃO

DO DISCIPULADO MISSIONÁRIO-EVANGELIZADOR

No processo de formação de discípulos missionário-evangelizador, convém destacar cinco aspectos fundamentais:

  1. O encontro com Jesus Cristo. É o Senhor Jesus quem chama. E hoje a Igreja, anunciando a verdade vital para toda a humanidade – Jesus Cristo está vivo, ressuscitado. Jesus Cristo é o nosso salvador – a partir deste anuncio se estabelece o desejo à iniciação cristã – o encontro verdadeiro com o Cristo Jesus. A partir deste encontro vem o segundo aspecto que é .
  2. A conversão – que é a resposta inicial de quem escutou o Senhor, crê nele pela ação do Espírito Santo e decide ser seu amigo e ir atrás dele, mudando sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer ao pecado é alcançar a vida.
  3. Discipulado – A catequese permanente e a vida sacramental fortalecem a conversão inicial e possibilitam aos discípulos, missionários e evangelizadores, perseverar na vida cristã e continuarem sendo sempre discípulos e missionários evangelizadores.
  4. Comunhão – Como os primeiros cristãos, em comunidade, os discípulos participam hoje na vida da Igreja, no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna – solidária.
  5. Missão – A missão é inseparável do discipulado. Por isso todas as comunidades cristãs devem se comprometer com a ação missionária e realiza-la dentro dos seus limites geográficos, mas também expandi-la para além destes limites. É preciso destacar que o testemunho é a primeira forma da ação missionária. É a vida santa do missionário-evangelizador, da família cristã e da comunidade eclesial que por primeiro anuncia a Palavra de Deus.
  6. O testemunho e anúncio de Cristo são centrais na evangelização. Para isto o missionário-evangelizador deve conhecer e amar a fundo Jesus Cristo, de modo que possa segui-lo e anuncia-lo com sua própria vida. A evangelização também requer da família uma renovada dedicação em muitos aspectos fundamentais, como se tornar uma comunidade primeira do testemunho evangelizador. Vivendo e atuando segundo a Palavra de Deus. Que seja uma família que se forma na comunidade íntima de vida e amor como testemunho vital do anúncio do Evangelho em cada ambiente.
  7. A missão é a identidade da Igreja.

Enquanto durar este tempo de Igreja, ela deve ser uma Igreja missionária sempre aberta a levar ao mundo a Palavra de Deus.