FAMÍLIA, SOCIEDADE E RELIGIÃO (Efésios 6,1-4)

Paróquia Santo Antonio e N.S. Aparecida

FAMÍLIA, SOCIEDADE E RELIGIÃO (Efésios 6,1-4)

Tema: “Família, projeto de Deus”. Homem e mulher são queridos por Deus, para que vivam um para o outro, numa comunhão de pessoas. No matrimônio, Deus os une de maneira que, formando “uma só carne” (Gn 2,24), possam transmitir a vida humana, cooperando na obra da Criação.

É preciso trazer a família para o centro das reflexões da sociedade e da própria Igreja Católica. Lema: “Prudente é o homem que edifica sua casa sobre a rocha”.  A família é uma realidade humana muito significativa. As relações familiares e o matrimônio não podem ser colocados em segundo plano. É comum ouvir que a família já é uma instituição “superada”, pelo menos na sua forma natural e mais evidente, formada por um casal – homem e mulher, e por filhos. Há poucos dias, li num artigo que há uma forte pressão cultural e de grupos ideológicos militantes para fazer valer um “novo conceito de família”, separando casamento e família, ou casamento, família e procriação. Pretende-se negar a própria identidade da família.

Será isso um avanço da sociedade? Nas atuais tendências culturais, há uma grande desorientação sobre os rumos da família. No tempo de Jesus, quando desrespeitaram o matrimônio, Ele disse: “no princípio, quando Deus fez homem e mulher, não foi assim” (cf.Mt 19,3-8). E a Igreja, no cumprimento de sua missão, continua a indicar o rumo para o matrimônio e a família, contribuindo para uma sociedade sadia. A família é o alicerce da sociedade. Se a família não vai bem, a sociedade também não irá bem. E o rumo que a Igreja apresenta não pode ser diferente daquele que Deus indicou, já “no princípio”, já na natureza humana, e que Cristo confirmou. A família não pode perder sua evidência vital. Refletir como cristãos sobre a família hoje é uma necessidade, pois estamos sujeitos a uma pressão contrária constante, e não cristã, que, sem que o percebamos, transforma nosso pensar, e o transforma para pior. Nas revistas, novelas, filmes e livros, o amor dos esposos não é mais entendido como uma entrega da vida de um para o outro que, passando pelas crises do convívio, sempre perdoa, ressurgem, renasce, renova, cresce e amadurece. O amor é entendido como busca da “minha” felicidade, isto é, como busca de si, tornando o amor entre os esposos superficial e frágil, e, com isso, não há capacidade de resistir às inevitáveis tempestades da vida. O amor esponsal cristão como “decisão de toda uma vida” tem como referencial o amor com que o Senhor nos amou. É um amor que exige busca e luta, sim, mas que dá profunda realização ao viver conjugal.

A família precisa ser devidamente reconhecida, cuidada e amparada. Uma sociedade que descuida da família, criada por Deus, descuida de suas próprias bases. A Igreja trabalha para que as famílias sejam “Igrejas domésticas”, “formadoras de pessoas”, “promotoras de uma sociedade desenvolvida” e “educadoras na Fé”. Ela crê na vida, crê na família. Que Deus abençoe as famílias, para que sejam fiéis à missão que Ele lhes confiou.

MARCAS DE NOSSO TEMPO

OLHAR A REALIDADE (SOCIEDADE).

 O discípulo missionário sabe que, para efetivamente anunciar o Evangelho, deve conhecer a realidade à sua volta e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento. Como o Filho de Deus assumiu a condição humana, exceto o pecado, nascendo e vivendo em determinado povo e realidade histórica (cf. Lc 2,1-2), nós, como discípulos missionários, anunciamos os valores do Evangelho do Reino na realidade que nos cerca, à luz da Pessoa, da Vida e da Palavra de Jesus Cristo, Senhor e Salvador.

O Concílio Vaticano II nos conclama a considerar atentamente a realidade, para nela viver e testemunhar nossa fé, solidários a todos, especialmente aos mais pobres. Sabemos, porém, que nem sempre é fácil compreender a realidade. Ela é sempre mais complexa do que podemos imaginar. Nela existem luzes e sombras, alegrias e preocupações.  Daí a contínua atitude de diálogo, de evangélica visão crítica, na busca de elementos comuns que permitam, em meio à diversidade de compreensões, estabelecerem fundamentos para a ação.

DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2011 – 2015

A Conferência de Aparecida nos oferece rica indicação, ao recordar que vivemos um tempo de transformações profundas, que afetam não apenas este ou aquele aspecto da realidade, mas a realidade como um todo, chegando aos critérios de compreensão e julgamento da vida. Estamos diante de uma globalização que não é apenas geográfica, no sentido de atingir todos os recantos do planeta. Estamos, na verdade, diante de transformações que atingem também todos os setores da vida humana, de modo que já não vivemos uma “época de mudanças, mas uma mudança de época”. Os que antes eram certeza, até bem pouco tempo, servindo como referência para viver, tem se mostrado insuficiente para responder a situações novas, “deixando as pessoas estressadas ou desnorteadas”.(13 mudanças de valores)

Mudanças de época são, de fato, tempos desnorteadores, pois afetam os critérios de compreensão, os valores mais profundos, a partir dos quais se afirmam identidades e se estabelecem ações e relações. Várias atitudes podem, então, surgir nestes períodos históricos. Duas, no entanto, se destacam. De um lado, é o agudo relativismo, próprio de quem, não devidamente enraizado, oscila entre as inúmeras possibilidades oferecidas. De outro, são os fundamentalismos que, se fechando em determinados aspectos, não consideram a pluralidade e o caráter histórico da realidade como um todo. Estas duas atitudes desdobram-se em outras tantas como, por exemplo, o laicismo militante, com posturas fortes contra a Igreja e a Verdade do Evangelho; a irracionalidade da chamada cultura midiática; o amoralismo generalizado; as atitudes de desrespeito diante do povo; um projeto de nação que nem sempre considera adequadamente os anseios deste mesmo povo.  Os critérios que regem as leis do mercado, do lucro e dos bens materiais regulam também as relações humanas, familiares e sociais, incluindo certas atitudes religiosas. Crescem as propostas de felicidade, realização e sucesso pessoal, em detrimento do bem comum e da solidariedade. Não raras vezes, o individualismo desconsidera as atitudes altruístas (amor ao próximo), (cf. Lc 10,25-37), misericórdia e compaixão, solidárias e fraternas. Por vezes, os pobres são considerados supérfluos e descartáveis. Desta forma, ficam comprometidos o equilíbrio entre os povos e nações, a preservação da natureza, o acesso à terra para trabalho e renda, entre outros fatores. É preciso pensar na função do Estado, na redescoberta de valores éticos, para a superação da corrupção, da violência, do narcotráfico, bem como o tráfico de pessoas e armamentos. A consciência de concidadania está comprometida. Em situação de contradições e perplexidades, o discípulo missionário reage, segundo o espírito das bem-aventuranças (cf. Lc 6,20-26), em defesa e promoção da vida, negada ou ameaçada por várias formas de banalização e desrespeito. Como não reagir diante da manipulação de embriões, homicídios, prática do aborto provocado, ausência de condições mínimas para uma vida digna com educação, saúde, trabalho, moradia, enfim, da ausência de efetiva proteção à vida e à família, às crianças e idosos, com jovens despreparados sem oportunidade para ocupação profissional?

RELIGIÃO

 O discípulo missionário observa, com preocupação, O surgimento de certas práticas e vivências religiosas, Predominantemente ligadas ao emocionalismo e ao sentimentalismo. O fenômeno do individualismo penetra até mesmo certos ambientes religiosos, na busca da própria satisfação, prescinde-se do bem maior, o amor de Deus e o serviço aos semelhantes. Oportunistas manipulam a mensagem do Evangelho em causa própria, incutindo a mentalidade de barganha por milagres e prodígios, voltados para benefícios particulares, em geral vinculados aos bens materiais. Exclui-se a salvação em Cristo, que passa a ser apresentada como sinônimo de prosperidade material, saúde física e realização afetiva. Reduzem-se, deste modo, o sentido de pertença e o compromisso comunitário-institucional. Surge uma experiência religiosa de momentos, rotatividade, individualização e comercialização. Já não é mais a pessoa que se coloca na presença de Deus, como servo atento (cf. 1Sm 3,9-10; Atos 1,8), mas é a ilusão de que Deus pode estar a serviço das pessoas.

 Importa discernir os motivos pelos quais uma ilusão tão grave assim acaba por adquirir força em nossos dias. As causas são muitas e interligadas. Dizem respeito às incontáveis carências das mínimas condições que grande parte de nossa população tem para enfrentar problemas ligados à saúde, à moradia, ao trabalho e às questões de natureza afetiva. Dizem ainda respeito às incertezas de um tempo de transformações, que levam algumas pessoas a buscarem tábuas de salvação, agarrando-se ao que mais imediatamente se encontra ao alcance. Assim, surgem os diversos tipos de fundamentalismo que atingem o modo da leitura bíblica e os demais aspectos da vida humana e social. Quando aliado ao individualismo, o fundamentalismo torna-se ainda mais perigoso, pois impede que se perceba o outro como diferente. Este, contudo, é também apelo ao encontro e ao convívio. O amor ao próximo, especialmente aos mais pobres, tende a desaparecer destas propostas, que acabam se tornando uma espécie de culto de si mesmo.

Tempos de transformações tão radicais, por certo, nos afligem, mas também nos desafiam a discernir, na força do Espírito Santo, os sinais dos tempos. Mudanças de época pedem um tipo específico de ação evangelizadora, a qual, sem deixar de lado aspectos urgentes e graves da vida humana, preocupa-se em ajudar a encontrar e estabelecer critérios, valores e princípios.  São tempos propícios para volta às fontes e busca dos aspectos centrais da fé. Esta é a grande diretriz evangelizadora que, neste início de século XXI, acompanha a Igreja: não colocar outro fundamento que não seja Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). A espiritualidade, a vivência da fé e do compromisso de conversão e transformação nos orienta para a construção da caridade, da justiça, da paz, a partir das pessoas e dos ambientes onde há divisão, desafetos, disputas pelo poder ou por posições sociais. Este é um tempo em que, através de “novo ardor, novos métodos e nova expressão”,18 respondamos missionariamente à mudança de época com o recomeçar a partir de Jesus Cristo.

Cuidemos da nossa Família ( Mateus 2,13-15.19-23).

O evangelho de Mateus relata com muita precisão os lugares que a Sagrada Família os percorreu primeiros anos de vida de Jesus.  Ele nasceu em Belém, depois a família fugiu para o Egito até finalmente se instalar em Nazaré.

Obviamente isso não é casualidade. De uma maneira ou de outra, o evangelista busca mostrar à sua comunidade como se cumprem em Jesus as promessas feitas por Deus no Primeiro Testamento.

Em dois momentos, o autor nos diz que os acontecimentos se sucederam para que se cumprisse a Escritura, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas.

O texto nos permite acrescentar uma característica ao messianismo de Jesus.

Ele não ficou fechado nos limites de Israel. Ele também é luz para o mundo inteiro. É um Messias universal, como o demonstra a visita dos magos do Oriente.

Mateus também apresenta Jesus como o novo Moisés. Jesus também é vítima do pânico de um rei que tem medo de perder o trono, e quando todos os meninos morrem Jesus se salva e refaz o êxodo definitivo do povo de Israel.

No Natal celebramos a festa de Deus, que põe sua morada no meio de nós. Ele vem ao mundo, mas “o mundo não o reconhece”, segundo o Evangelho de João (1,10).

Como tantos meninos e meninas de sua época e hoje à nossa volta, Jesus não tem um lugar para nascer. José e Maria sofrem perseguição e devem abandonar suas terras.

Quantos/as irmãozinhos/as nossos/as nascem nessa situação?

Pais e mães que devem arriscar a vida de seus pequeninos e a sua própria, abandonando tudo na busca de uma terra que os receba. Eles/as caminham até um lar incerto, desconhecido, pagando muito dinheiro para atravessar uma terra que ainda não os recebe porque sua presença incomoda.

Ao longo de todo este ano, o Papa Francisco tentou lembrar uma e outra vez tantas pessoas que devem abandonar suas terras. Ele pediu que não sejamos indiferentes frente a tanta dor e sofrimento  das pessoas que sofrem a perseguição e o exílio morrendo no caminho, procurando um refúgio e proteção para suas vidas, como aconteceu em outubro com o naufrágio de um barco com 500 africanos diante da Ilha de Lampedusa.

Ser a família de Jesus não a exime dos problemas e sofrimentos cotidianos. Olhando para ela, vemos que é como tantas outras, com alegrias, tristezas, conquistas e dificuldades.
Mas, nesse anonimato, a vida do Filho de Deus cresce querida, cuidada e protegida por Maria e José.

Estamos, sem dúvida, diante do grande mistério. Assim como a encarnação do Filho de Deus eleva a humanidade a ser capaz de acolher Deus, o lar da Sagrada Família manifesta a vocação de todas as famílias serem “casa” de Deus.

Sim, Deus quer viver, estar presente em nossas casas, em nossas famílias. Ele veio morar conosco.

AFONSO DIAS É BÍBLISTA, E ASSESSOR DO CEBÍ-SP E SUL DE MG. (35)9924-0250 (11)4538-1446 OU (11)97189-5746 e-mail abdias49@bol.com.br Senador Amaral- MG ou Itatiba-SP.

 

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