CNBB DOCUMENTO 107 aplicação na Paróquia

Breve apresentação do projeto  INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ [1] (IVC)

O objetivo principal do projeto INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ  é

è Desenvolver um processo que leve a uma maior conversão a Jesus Cristo, forme discípulos missionários que testemunhem sua fé na sociedade. O projeto contemplará a centralidade da Palavra de Deus e a inspiração catecumenal, em uma Igreja em saída.

 

O projeto  Iniciação à Vida Cristã (IVC) é uma urgência porque

è Ele renova a vida comunitária e desperta seu caráter missionário. Isso requer novas atitudes evangelizadoras e pastorais. É a Igreja sempre em movimento, em construção e em renovação.

 PERGUNTA: Por que a Igreja deve renovar a ação pastoral?

RESPOSTA: O projeto da Iniciação à Vida Cristã, também chamado projeto catecumenal, é uma retomada do estilo catequético das primeiras comunidades cristãs. É uma retomada, porque este estilo se perdeu no decorrer dos tempos. Por que se perdeu? Antes de dar esta resposta, vamos relembrar o estilo da catequese das primeiras comunidades cristãs.

O processo catecumenal das primeiras comunidades cristãs está no livro Atos dos Apóstolos 2, 36-42.  Destacamos alguns destes versículos para explicar o modelo catecumenal:

ANÚNCIO DO QUERIGMA E PRÉ-CATECUMENATO: “Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo (36). E, ouvindo eles isto,(..) perguntaram: Que faremos, irmãos?” (37). “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (38)

CATECUMENATO: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações (42). E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum (44).

PURIFICAÇÃO/ILUMINAÇÃO: E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa (40). De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil pessoas (41).

MISTAGOGIA – “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração. Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”.

 

Era assim, em quatro tempos, que a Igreja primitiva agia:

  • anunciava o Kerigma, propunha o início da caminhada (pré-catecumenato),
  • praticava a catequese (catecumenato), tendo profunda unidade entre a Liturgia, a Ação Pastoral e o exercício do conhecimento da Doutrina dos Apóstolos.
  • Eram batizados e participavam da Ceia (Purificação e Iluminação)
  • E perseveravam no louvor a Deus e na prática da vida comunitária e do anúncio do querigma (mistagogia).

Por que o Catecumenato ficou  tanto tempo esquecido?

 

Depois do período de perseguição, a partir do século V a Igreja foi oficializada pelo Império Romano. Todo mundo era como que obrigado a fazer parte dela. Por isso o 1º anúncio (Kerigma) para a conversão ficou esquecido ou desnecessário. O Catecumenato tornou-se uma atividade da sociedade, que se baseava quase toda nos valores cristãos. Os princípios básicos da fé eram ensinados pela família. As grandes celebrações da Igreja para a instituição dos reis ou imperadores, as festas dos padroeiros nos povoados e vilas mantinham a tradição cristã uniforme em toda a sociedade. Mas isso mudou a partir do século XVI com a Reforma Protestante. A partir de então surgem novos grupos de cristãos com outras propostas e rejeições à prática da fé católica.

O Concílio de Trento, (realizado no século XVI com a missão dar uma resposta à Reforma Protestante) produziu o catecismo de Trento ou Catecismo Romano, que continha a formação doutrinal ou essencial da fé cristã. E demorou um bocado para existir alguma reação mais forte. Somente no começo do século XX é que foi facultada (não era obrigatória) a preparação de crianças à 1ª Comunhão Eucarística e ao sacramento da Penitência.

No Brasil, até a proclamação da República, o imperador era na verdade quem dirigia a Igreja, indicando até mesmo Bispos, colocando ou tirando padres. Por conta disso, por aqui, não chegaram as reflexões do Concílio de Trento. É certo que houve uma proteção à prática religiosa católica pelo fato de os protestantes serem impedidos de pregar sua doutrina nas terras brasileiras. Naquela época quase não havia processo de catequização. Os padres celebravam os sacramentos e pronto. O povo católico é que produzia uma espécie de catequese, mas baseada exclusivamente na religiosidade popular. E assim foi até o início do século XX quando, após a proclamação da República no Brasil, foi publicado o Catecismo da Doutrina Cristã, que alimentou a catequese até o Concílio Vaticano II.

Foi o Concílio Vaticano II (1965) que incentivou o projeto da Iniciação à Vida Cristã. Enquanto no passado, através do Catecismo de Trento e, posteriormente, o Catecismo publicado no Brasil se pensava apenas em fazer os catequizandos decorarem as respostas da fé, o Concílio Vaticano II propôs o processo catecumenal como o caminho para a pessoa aprender a viver a fé.

Infelizmente, a prática catequética, mesmo após o Vaticano II, em muitas paróquias, continuou quase no estilo tridentino (decorar respostas). A prática era sacramentalista (dê uma olhada no dicionário para ver o significado desta palavra). Pensava-se sempre em conseguir ter um número de celebrações sacramentais significativo, transmitir muitos conteúdos, mas tudo isso não colaborava para que a fé fosse transformada em vida ou que as pessoas que recebiam o sacramento tivessem o verdadeiro encontro com o Senhor Jesus

As coisas demoram, mas acontecem na Igreja. Faça as contas comigo: 2017 menos 1965 é igual a quanto? 52. Isso mesmo! Após 52 anos a Igreja como um todo decide assumir o Catecumenato como o processo da Iniciação à Vida Cristã. Então, para que este projeto possa ir à frente, é preciso mudar a postura evangelizadora que ficou praticamente viciada em decorar resposta na catequese, praticar devoções populares, em celebrar muitos sacramentos, receber sacramentos e não vivê-los.

 

POR ONDE PODEMOS COMEÇAR A MUDANÇA?

Para começar esta mudança é preciso parar de pensar que a equipe da catequese é a única responsável pelo processo do catecumenato. É dever de todas as pastorais.

  • Anunciar o Kerigma
  • Acompanhar os catequizandos e acolhê-los na comunidade da fé, para que aprendam a Doutrina dos Apóstolos.
  • Incentivá-los a participar e, principalmente, a viverem a Liturgia, transformando a graça dos Sacramentos em vida.
  • Promover a integração dos catecúmenos com a prática da Caridade vivida no exercício das Pastorais.

Por isso os Bispos afirmam que sem uma reforma nas estruturas da evangelização da paróquia não será possível implantar o projeto catecumenal. E aqui vai uma orientação prática para a leitura. Quando aparecem os termos “processo catecumenal”, “catecumenato” ou “Iniciação à Vida Cristã” o significado é o mesmo. Todas estas expressões indicam não a catequese como foi e é ainda hoje praticada. Atualmente os grupos catequéticos agem separados um do outro. “Processo catecumenal”, “catecumenato” ou “Iniciação à Vida Cristã” (ICV) tem o sentido de uma Igreja que se faz Mãe que acompanha os seus filhos por toda a vida. É uma catequese integrada, que não tem por objetivo entregar este ou aquele sacramento, mas sim em viver a graça dos sacramentos por toda a vida. “Processo catecumenal”, “catecumenato” ou “Iniciação à Vida Cristã” são expressões que também podem se traduzir assim: Igreja em atitude de formação permanente, pois, por mais que nos aprofundemos nos estudos e reflexões da Graça Divina, sempre haverá mais e mais para aprender.

 

Tornar a Paróquia Santo Antonio e Nsra. Aparecida  uma

Verdadeira Casa da INICIAÇÃO À VIDA CRISTÔ

 

Esta cartilha foi o jeito que o Padre Tarcísio, junto com os Pastoralistas, Articuladores da Paróquia e Articuladores das comunidades, encontraram para que o Projeto da Iniciação à Vida Cristã aconteça nas comunidades Santo Antonio, São Paulo Apóstolo, Nossa Senhora Aparecida e São Judas Tadeu.

Produzimos esta cartilha com a preocupação de simplificar  as orientações, mas sem perder a profundidade reflexiva do Documento 107 da CNBB. Pensamos assim: Não há como montar alguma coisa, até mesmo começar a usar um aparelho que a gente não conhece bem, sem que se dê uma olhadinha nas instruções. Esta cartilha tem a intenção de fazer com que as Reflexões da Iniciação à Vida Cristã cheguem a todos os paroquianos envolvidos na obra da evangelização para que, devidamente instruídos, possam montar o processo catecumenal na nossa Paróquia.

Para montar alguma coisa é preciso saber o nome das peças e, principalmente, para que servem e em quais lugares deverão ser colocadas. Daí a preocupação de esclarecer as palavras que indicam as partes do projeto da Iniciação à Vida Cristã. Nesta cartilha, nas últimas páginas (Anexo 1), há um dicionário das palavras que indica o que significam e onde colocar ou o que fazer com elas para implantar o IVC (èimportante: IVC é a sigla que usaremos também para falar da Iniciação à Vida Cristã). O ideal é que se leia os termos deste dicionário específico e volte a consultá-lo no decorrer da leitura da cartilha, quando os mesmos aparecerem.

No Capítulo 1 apresentamos uma rápida visão do projeto IVC. Tendo a visão do todo, será mais fácil a compreensão das orientações mais específicas de cada parte do projeto.

O Capítulo 2 trata sobre o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), indicado pela Igreja para o enfrentamento dos desafios à evangelização no século XXI. Sob a inspiração do RICA é possível propor um itinerário que avance por etapas e tempos sucessivos, garantindo que o catecúmeno cresça no conhecimento da pessoa de Jesus e assim amadureça a sua fé, alicerçada numa espiritualidade madura.

No Capítulo 3 serão apresentadas os quatro tempos do RICA, baseado em Atos 2,42-44) com orientações específicas para cada ação catequética da Dimensão da Iniciação à Vida Cristã [2].

FRUTOS ESPERADOS DA IMPLANTAÇÃO DO PROCESSO CATECUMENAL NA NOSSA PARÓQUIA

Todas as pastorais da nossa Paróquia, sejam elas compostas por crianças, adolescentes, jovens, adultos ou idosos, tem uma missão importante: ajudar os catecúmenos com seu exemplo a obedecerem com maior generosidade aos apelos do Espírito Santo.

É o Espírito Santo que age em todos os discípulos missionários  dando-lhes olhos para ver e ouvidos para ouvir as necessidades das pessoas que encontram em suas ações. Leia com atenção o texto escrito em vermelho:

 

É esta força do Espírito Santo que ilumina o testemunho solidário dos cristãos comprometidos com as pastorais. Por sua vez, este testemunho reluz aos olhos das pessoas que enxergam os cristãos. É isso que faz da Igreja uma comunhão com o Espírito Santo (2 Cor 13,13), já que todos confessam Jesus Cristo como Senhor na força do mesmo Espírito (1 Cor 12,3). Todos são ungidos pelo Espírito Santo (1 Jo 2,20), que lhes proporciona autêntico sentido da fé. Não importa de qual pastoral o cristão faça parte: todos são agraciados com carismas diversos, em vista da edificação comum, principalmente na propagação da fé transmitida pela vida Kerigmática e Mistagógica (1Cor 14,26).

 

Assim, a ação do Espírito Santo, por meio do processo catecumenal, faz a Igreja se tornar Mãe, geradora de filhos e filhas que aprenderão dela a serem também profetas, servidoras e testemunhas. Essa Mãe Igreja encontra em Maria, mãe do evangelho Vivo, o exemplo para agir com ternura e solicitude, sempre lembrando que todos os seguidores devem fazer tudo o que Jesus ordenou.

E assim o projeto IVC, tendo o exemplo de Maria como luz, ensina que os sacramentos do Batismo e da Crisma é que nos dão condições de nos aproximarmos da Mesa Eucarística. É o Espírito quem nos traz e, ao mesmo tempo, revela a presença misteriosa de Cristo na Eucaristia.

Este esclarecimento deve apagar a ideia errada de que é preciso ser preparado para a 1ª Eucaristia para ser Crismado. Ao contrário, o sacramento da Eucaristia deve ser o ápice, o centro da vida daqueles que renasceram pelo Batismo e também ungidos para que, na ação do Espírito Santo, reconheçam no pão e no vinho o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo.

Em uma Igreja kerigmática, mistagógica e materna, somos inspirados pelo estilo mariano evangelizador. Maria é modelo de Igreja para a evangelização, para que ela se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, geradora de um mundo novo e de pessoas novas, que se libertam das trevas do individualismo para a luz da fraterna convivência e se colocam à serviço, seguindo o mesmo exemplo que Jesus Cristo, Mestre e Senhor, nos deu ao lavar os pés dos discípulos (Jo 13,14-15).

Seguindo a espiritualidade da Santa Ceia as Dimensões Evangelizadoras da nossa Paróquia, com suas ações pastorais respectivas, devem gerar comunhão no espírito do serviço, que acontece no diálogo dos Pastoralistas com os grupos das dimensões que assessoram. Depois, esta postura dialógica encontra sua maior eficácia nos Conselhos da Pastoral Comunitária (CPC) e da Pastoral Paroquial (CPP).

É esta unidade, alimentada pelo diálogo, que garante o reconhecimento da vocação da missão de todos os batizados em torno do maior sinal da comunhão e que é o sentido da nossa vida cristã: a Santa Eucaristia. É o espírito catecumenal que ajudará a sermos mais próximos da Imagem da Igreja que Cristo institui: “Nisto reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). Certamente vivendo assim, muitas pessoas serão atraídas ao nosso convívio.

UM DESAFIO PARA AS PASTORAIS

Quando uma pastoral atrai alguém não suficientemente catequizado, é conveniente que membros deste grupo catequizem esta pessoa, uma vez que já firmaram algum tipo de afinidade com ela. Para que isso seja possível, na página 40 e seguintes há orientações para a catequese de adultos[3]. Temos atualmente quatro catequistas para os catecúmenos adultos. Contudo, as pastorais da Paróquia podem e devem catequizar as pessoas que não fizeram o caminho do catecumenato ou não completaram. Obviamente que a Coordenação da Catequese de Adultos pode também colocar-se à serviço destas iniciativas.

Que Deus abençoe o projeto da Iniciação à Vida Cristã.

Lembrando sempre que: A eficácia do projeto de evangelização da Iniciação à Vida Cristã na nossa Paróquia dependerá da sintonia entre a Liturgia e as diversas etapas e tempos do processo catecumenal, conforme será apresentado no segundo capítulo.

CAPÍTULO 1   RÁPIDA EXPLICAÇÃO DO

PROJETO EVANGELIZADOR INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

O Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, com suas celebrações, tornará solene todos os 04 tempos do processo catequético que serão os mesmos na preparação para os sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia. Também fizemos uma adaptação destes 04 tempos para a Pastoral dos Noivos que se preparam para o sacramento do matrimônio. Estes 04 tempos são:

  • Tempo do Pré-Catecumenato – Anúncio do Kerigma – tempo que envolve os seguintes momentos:
  • INSCRIÇÃO DOS FUTUROS CATECÚMENOS [4]

(Um esclarecimento importante: Há pessoas que farão suas inscrições por conta da tradição familiar. Outras virão porque, atraídas pelo testemunho querigmático dos cristãos, decidiram fazer parte da comunidade. É preciso distinguir os dois grupos. Para o primeiro caso, não é possível iniciar o processo do catecumenato sem que o Kerigma lhes seja anunciado para que não entrem para o catecumenato por conta do desejo dos pais, mas sim por decisão própria).

APÓS A INSCRIÇÃO

Não pairando dúvidas nas informações e documentos anexos à Ficha de Inscrição, o futuro catecúmeno terá o seu primeiro encontro com a equipe catequética que o acompanhará.

Havendo dúvidas nas informações ou documentos anexos à Ficha de Inscrição, o futuro catecúmeno terá um encontro com o sacerdote. Tendo menos de 18 anos, os pais, ou a mãe ou o pai ou quem dele cuida, deverão estar presentes na entrevista com o sacerdote.

  • RITO DE ADMISSÃO DOS CATECÚMENOS: Este Rito terá estes momentos:

– Os futuros catecúmenos de todas as comunidades terão um encontro dinamizado por todos os catequistas da fase específica [5].

– Após este encontro, numa missa dominical celebraremos o Ritual proposto pelo Rito da Iniciação Cristã de Adultos.

-Depois destes dois primeiros momentos, inicia-se o processo catecumenal.

 

  • Tempo do CATECUMENATO – É o tempo mais longo. Durante este tempo, os catecúmenos serão instruídos na Doutrina Católica em todos os seus aspectos, de modo que neles a fé seja iluminada, o coração orientado para Deus, fomentada a participação no mistério Litúrgico, desenvolvido o seu espírito de apostolado e de toda a sua vida alimentada segundo o Espírito de Cristo.

è É importante deixar claro desde agora os seguintes pontos:

O projeto INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ não mudará o conteúdo que usamos na Pré-catequese, 1ª e 2ª Etapas Eucarísticas, Catequese Batismal e Catequese Matrimonial. Haverá mudança do subsídio para a catequese Crismal, mas só para o próximo grupo, em 2018. Os crismandos, inscritos agora, continuarão a serem instruídos com material existente. A próxima turma de 2018 utilizará um subsídio que contempla o processo catecumenal. Esta mudança também aumentará o tempo da catequese crismal, que irá de outubro de 2018 até a Páscoa de 2020. Portanto,a princípio, todos os materiais que temos continuam valendo.

 

  • Tempo da PURIFICAÇÃO E ILUMINAÇÃO – Acontece preferencialmente no período quaresmal, a fim de proporcionar preparação próxima para os Sacramentos, por meio do aprofundamento das práticas quaresmais junto à comunidade.

 

  • TEMPO: MISTAGOGIA –Acontece durante o tempo pascal, a fim de aprofundar os mistérios pascais, revestir-se do Cristo e partir para uma vida nova.

 

SÍNTESE DO PROCESSO CATECUMENAL

O projeto da Iniciação à Vida Cristã, em síntese, tem esta finalidade: favorecer a formação de cristãos que se configurem aos seguidores de Cristo narrado no Livro dos Atos dos Apóstolos 2,42-44:

“Eram perseverantes em ouvir os ensinamentos dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações. Em todos eles havia temor, por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. Todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas”(At 2, 42-44).

O relato bíblico revela-nos que o verdadeiro cristão é aquele que, sobretudo, vive sua fé em comunidade e cresce graças à catequese (“ensinamento dos apóstolos”). Desse modo, pode-se destacar um aspecto essencial do processo de iniciação à vida cristã: a catequese é realizada em conjunto pelos catequistas, pais, sacerdotes e toda comunidade de fé.

CAPÍTULO   Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA)

Método escolhido pela Igreja para  o enfrentamento aos desafios  do Século XXI

 O QUE É E QUAL OBJETIVO DO RICA?

O RICA é uma proposta para solenizar o processo catequético. È importante ter isso em mente; O RICA não é um curso,.

è O RICA não apresenta o conteúdo a ser ministrado nas diversas fases da catequese. 

O RICA é uma proposta de apresentação da fé e da vida cristã;

uma maneira consciente e solene de acolher aqueles que querem “por atração” viver a fé cristã e aderir a Cristo e Sua Igreja.

Portanto, o RICA não é a solução dos problemas para cristãos meio-católicos, católicos relaxados, cristãos não engajados e cristãos afastados, mas tão somente uma proposta de dinamizar e espiritualizar o acolhimento dos que querem ser cristãos e pedem da Igreja, a fé.

O RICA tem como objetivo apresentar o candidato e prepará-lo, assim como os cristãos já comprometidos, para que se unam na construção da fraterna convivência comunitária.            

O RICA compreende tanto o tempo quanto as etapas e celebrações para a recepção dos Sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia. Entretanto, os sacramentos não podem ser vistos como ponto de chegada, mas de partida para uma vivencia da fé e da vida cristã.

 Veja a proposta que o RICA apresenta:

Na execução do RICA existe um itinerário ou etapas, que são passos a serem executados de modo pedagógico e que visam o conhecimento e a adesão do candidato à fé cristã e suas consequências. O itinerário apresentado pelo RICA está organizado do seguinte modo:

TEMPO DE CONVERSÃO (kerigma, pré-catecumentato);

Neste período o candidato pede para ser recepcionado e se estabelece a instituição do catecumenato. É o que dizemos por aqui, “curso de…” e se dá início ao primeiro anuncio, o kerigma nos primeiros encontros. É neste momento que acontece a celebração de acolhida e apresentação dos candidatos à comunidade. Nesta celebração, os mesmos anotam os nomes no livro de registro do compromisso e recebem a cruz, símbolo do seguimento a Jesus.  O tempo dessa etapa vai depender do andamento e contexto de cada grupo ou comunidade. Esse período é também chamado de Pré-Catecumenato.

2º TEMPO – PREPARAÇÃO – (Catecumentato) período em que o candidato recebe uma catequese sólida dos conteúdos da fé cristã. É uma preparação intensiva e longa. Seus conteúdos geralmente estão associado a noções de Bíblia, Liturgia, Espiritualidade, o Credo e os Sacramentos. Pelo fim desde tempo, acontece o rito da eleição, momento em que  numa celebração o candidato assume mais concretamente sua adesão à fé e a comunidade. Aqui o mesmo recebe a Bíblia, Palavra de Deus . Esse período é também chamado de Catecumenato, Catequese ou Eleição.

3º TEMPO – RECEPÇÃO DOS SACRAMENTOS – (Purificação e Iluminação) O candidato é admitido na fé da Igreja e passa a ser ele mesmo a Igreja Viva junto com todos os outros membros da comunidade. Esta é a última etapa proposta pelo itinerário do RICA. Após a celebração dos sacramentos, é a comunidade que age naqueles que foram sacramentados, inicia-se o período da Iluminação e Purificação, que nada mais é senão os membros de todas as pastorais sentirem-se como que mães e pais dos neófitos que os acompanha para que amadureçam e se tornem também verdadeiros discípulos – missionários de Jesus Cristo.

4º TEMPO – MISTAGOGIA: O que é MISTAGOGIA?

É iniciar aqueles que, após a recepção dos sacramentos querem fazer a caminhada de fé na comunidade cristã, seguindo os passos de Jesus, nos Mistérios da Fé Cristã, cujo centro e ápice é o próprio Cristo. O catecúmeno adquiriu experiência e aprofundamento durante o período do catecumenato. Vivenciou o bom, o belo, o bonito da fé e da vida cristã e dos mistérios de Cristo. Agora é a vez dos cristãos que já possuem uma espiritualidade amadurecida ajudarem o iniciante a dar passos seguros na caminhada comunitária. A Igreja mistagógica é aquela em que a pessoa iniciante experimenta um engajamento concreto que a leva a dar passos como também a estreitar laços de comunhão e relacionamento com Jesus. É aquilo que costumamos dizer por ai, encontro pessoal com Cristo. E isso muda a vida e sua maneira de sentir, viver e enxergar as coisas.

Para que possamos ser uma Paróquia Mistagógica, é preciso aprofundar a espiritualidade dos membros das pastorais. Isso só é possível através do verdadeiro encontro com o Senhor Jesus. O projeto Iniciação à Vida Cristã trará eswte benefício para todos. Assumindo a condição de discípulos, escutaremos atentamente nosso Senhor Jesus Cristo. A partir desta escuta é que nos tornamos verdadeiros praticantes da mistagogia e realizamos uma eficaz missão levando adiante o mandato que nosso Salvador nos deixou: “Ide… fazei discípulos (…) ensinando-os a guardar e praticar tudo o que vos ordenei” (Mateus 28, 18-20).

O PROJETO DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTA PROVOCA

PERGUNTAS QUE PRECISAM DE RESPOSTAS

1ª Pergunta: A partir do rico processo do RICA como vivenciar isso em nossas comunidades eclesiais?

Resposta: Esse é o desafio! Uma coisa que precisa ser feita de imediato é tomar consciência do processo; em seguida, fazer todos os membros, grupos, movimentos, pastorais e a assembleia litúrgica conhecer, compreender e ajudar a construir o processo. Não há que se ter muita pressa, mas há que se ter sempre empenho para que o projeto da Iniciação à Vida Cristã se torne realidade na Paróquia. É uma proposta ousada!

2ª Pergunta: Já sabemos que os conteúdos não mudam. Mas muda o modo de apresentá-los nos encontros?

Resposta: O conteúdo fica a critério de cada realidade Paroquial. Quanto à metodologia catequética, hoje, temos dois métodos muito em voga na atualidade e bem recomendado pelos nossos bispos: a leitura orante da bíblica (léctio divina); e o método de iteração fé e vida (ver, iluminar, agir, celebrar, avaliar) que já é o método usado pela catequese e é algo tipicamente da tradição latino-americana. Estes métodos podem ser adequados aos conteúdos que as Paróquias já tem.

3ª Pergunta:  Essa forma de proceder pode ser aplicada à Pré-Eucaristia?

Resposta: Sim! Cada um (Batismo, Eucaristia – em todas as suas etapas-, Crisma) está dentro do processo do RICA. Agora o método e os conteúdos apresentados devem seguir sua metodologia própria conforme cada idade, situação, realidade, contexto, conforme nos orienta os nossos bispos.

VISÃO RÁPIDA E GERAL  DE CADA TEMPO PROPOSTO PELO RICA

 1º TEMPO –  PRÉ-CATECUMENATO – ANÚNCIO DO kERIGMA (também pode ser grafado Querigma)

Algumas pessoas podem não ter o conceito exato do que é o Kerigma. Antes de mais nada, então, vamos esclarecer isso.

No centro do processo formativo, celebrativo e missionário da Igreja está essencialmente uma pessoa: “Jesus de Nazaré, Filho único do Pai”.  Por isso, de cada discípulo, na comunidade cristã, deve nascer o testemunho de uma experiência capaz de contagiar a outros (1 João 1,1). Este testemunho necessita, tantas vezes, superar as barreiras, como Jesus assim superou a barreira entre os judeus e a Samaritana [6]. Também hoje é preciso ir às pessoas, dialogar e, a partir de suas necessidades, apresentar-lhes o primeiro anúncio sobre Jesus Cristo, que nada mais é que o Kerigma. Kerigma, pois, é o anúncio da Salvação que Jesus nos traz e o testemunho de quem anuncia de como a fé em Jesus modificou a sua vida.

O anúncio do querigma é sintetizado por São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios 15,1-10:

“Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo”.

São Paulo fala essencialmente do real encontro dele e de outras pessoas com Jesus Cristo.  Para muitos, hoje, este encontro aconteceu num retiro, numa celebração, numa experiência de dor ou alegria, que tocou o seu coração e o fez tomar a decisão de ser um discípulo missionário de Jesus. Quem, hoje, anuncia o Kerigma, fala também da morte de Jesus por nossos pecados, do seu sepultamento e ressurreição. Mas depois, testemunha o seu próprio encontro com o Senhor Jesus.

O primeiro anúncio da fé cristã, pois, não é uma aula de catequese ou sermão, mas sim uma partilha da experiência do encontro com Jesus. É importante lembrar que o Kerigma não é uma propaganda para dar visibilidade àquele que anincia. Alguns têm denominado de Kerigma, por exemplo, um anúncio que se limita a um reavivamento religioso, busca por milagres, sem compromisso profético e sem o seguimento. Mas o importante é formar discípulos que pratiquem a fraternidade e amor ao próximo e queiram seguir adiante no caminho de Jesus.

Além da forma testemunhal de anunciar o Kerigma, existem outras que podem ser utilizadas:

  • Expor o Kerigma usando um texto da Sagrada Escritura, que é uma forma expositiva ou, também, na forma de contemplação da natureza ou de uma obra de arte;
  • Outra forma eficaz da exposição do Kerigma é provocar o diálogo entre as pessoas que desejam iniciar-se na vida cristã, deixando que cada uma delas exponha o motivo que as fez querer os sacramentos;
  • As celebrações da Eucaristia, Exéquias, Matrimônio, Batismo, muitas vezes frequentada por pessoas afastadas da fé, podem ser oportunidades de colocá-las próximas da comunidade cristã;
  • Sem dúvida que o contato com os pobres, os sofredores pode facilitar uma experiência da misericórdia de Jesus Cristo e o engajamento pela transformação social.

 

Após esclarecermos o que é o Kerigma, vamos seguir explicando como devemos agir para acolher as pessoas que procuram os sacramentos na fase do Pré-Catecumenato.

Para os que não têm batismo ou não receberam a 1ª Eucaristia, nesse período é realizada a primeira evangelização, iniciando com o anúncio do Querigma. Depois é apresentado o reino de Deus e a Bíblia, para inspirar o desejo à conversão por meio da fé e oração.

Para os que já foram batizados e receberam a 1ª Eucaristia e que vão receber a Crisma, serão motivados a buscar o sacramento da reconciliação, mesmo durante o processo catecumenal. É um dos erros que precisamos superar: motivar o sacramento da reconciliação somente próximo à celebração da Crisma.

 

ORIENTAÇÃO PARA A CELEBRAÇÃO DE ACOLHIMENTO DOS INSCRITOS E QUE VÃO INICIAR O PROCESSO CATECUMENAL

Na celebração da acolhida, que acontece numa Liturgia dominical da comunidade, há dois momentos. O primeiro é espontâneo e pode ser dinamizado criativamente. Os que serão acolhidos são saudados com palavras informais, recebidos pelo sacerdote e catequistas. O segundo momento, sim, tem a orientação do RICA. Ao final da saudação espontânea inicial, seguiremos a Admissão ao Catecumenato, descrita no RICA para os não batizados, e adaptado para os já batizados. Até agora falamos bastante do Kerigma. Pode ser que algumas pessoas não estejam familiarizadas com o seu significado. Por isso vamos esclarecer o que é o Kerigma.

 2º TEMPO CATECUMENATO – terá TRÊS etapas

 PRIMEIRA ETAPA

Devemos lembrar que a celebração da acolhida também é, no mesmo tempo, a abertura do CATECUMENATO. No rito da admissão onde os candidatos, reunidos pela primeira vez em público, manifestam à igreja a sua vontade de receber os sacramentos, são acolhidos no processo catecumenal. É a comunidade cristã que os recebe como membros. Nessa etapa, o candidato é incentivado a aderir a Jesus Cristo, a Igreja e ao desejo de viver uma nova vida. Os nomes dos catecúmenos são anotados em livro próprio com indicação dos introdutores. A duração deste processo do candidato para se formar, é variada. O termômetro para saber a hora do candidato é o seu amadurecimento da conversão e consequente prática da fé.

 

Como já foi dito anteriormente, o Projeto da Iniciação à Vida Cristã não apresenta um conteúdo expositivo nos encontros, mas uma metodologia para dinamizar e solenizar o processo catequético. Contudo, os ritos não podem secundar o conteúdo catequético. Por isso, há que se ter a preocupação de garantir os elementos próprios  do conteúdo da Iniciação Cristã, que são:

1.O Símbolo dos Apóstolos (Credo);    2. Narração da História da Salvação, vividos como instrumentos de nosso compromisso com Jesus;       3. Reflexões a partir do Catecismo da Igreja Católica sobre a moral cristã, a partir do amor, das bem-aventuranças e dos mandamentos da Lei de Deus e da Igreja.

SEGUNDA ETAPA = TEMPO DE PURIFICAÇÃO E ILUMINAÇÃO

Realizado na Quaresma. O processo catequético, nesta fase de Iluminação, é como um grande retiro Quaresmal, cujos grandes objetivos são a maturação das decisões e o exame de tudo aquilo que se opõe à vida cristã, bem como a entrega dos grandes documentos da fé. Começa com o Rito da Eleição ou inscrição dos nomes dos não batizados que se celebra preferencialmente no 1º domingo da quaresma, chegando ao ponto culminante na Vigília Pascal [7].

 TERCEIRA ETAPA – CELEBRAÇÃO DOS SACRAMENTOS DA INICIAÇÃO INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

Recebimento dos sacramentos da iniciação (Batismo, Crisma, Eucaristia) na Vigília Pascal. Os eleitos recebem a remissão dos pecados, e são incorporados ao povo de Deus. Assim, tornam-se seus filhos adotivos e são introduzidos, pelo Espírito, na prometida plenitude dos tempos. E participam desde já no Reino de Deus, pelo sacrifício e banquete Eucarístico.

 4º tempo – MISTAGOGIA

Esse último tempo é realizado no tempo Pascal. Nele a pessoa experimenta a vivência do “mistério”. A comunidade, juntamente com os neófitos, aprofunda e procura traduzir o mistério Pascal cada vez mais na vida pela meditação do evangelho, pela participação na Eucaristia e pelo exercício da caridade. Este tempo é também o de prever uma continuidade na caminhada por inserção concreta em um setor de pastoral para intensificar sua participação (é o período da Mistagogia). Acima de tudo, deve-se garantir que o leigo assuma a sua vocação. Todo o processo catecumenal pode se encerrar com uma celebração no término do tempo Pascal, nas proximidades do domingo de Pentecostes.

 

Celebrados os sacramentos do Batismo, da Crisma e da Eucaristia, a comunidade, unida e orientando aos recém iniciados (mistagogia), vai progredindo no conhecimento mais profundo do mistério pascal e em sua vivência cada vez maior pela meditação do Evangelho, participação da Eucaristia e prática da caridade.

 

CAPÍTULO 3 – EXPLICAÇÃO ESPECÍFICA DA AÇÃO DE

CADA EQUIPE DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

 

                                                      

A PASTORAL DO BATISMO ILUMINADA PELO

RITUAL DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

  1. ALGUMAS DICAS [8]

    PARA A EQUIPE DO BATISMO DE CRIANÇAS

O Batismo das crianças e adolescentes é uma excelente oportunidade para uma experiência catecumenal. Mais do que um “curso para pais e padrinhos”, de efeitos muito limitados, é ocasião para um acompanhamento personalizado da família. Já antes do nascimento da criança, através de celebrações especificamente preparadas para grávidas) é possível ajudar a família a acolher a nova vida como dom de Deus.

MOMENTOS IMPORTANTES DO

CATECUMENATO BATISMAL

  • VISITA ÀS FAMÍLIAS – Os catequistas do Batismo visitam a família para acolher suas motivações e anunciar o amor de Deus, revelado em Jesus Cristo (Kerigma). Esse acompanhamento vida renovar a fé da família e integrá-la à comunidade.
  • APRESENTAÇÃO DE QUEM SERÁ BATIZADO À COMUNIDADE: Outro elemento importante é a apresentação da criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso à comunidade, antes da celebração do sacramento. Trata-se de despertar, na comunidade cristã, a alegria por acolher novos filhos. Recomenda-se o Batismo de crianças e adolescentes em etapas, conforme prevê o Ritual do Batismo de Crianças no Brasil.

 

BATISMO DE JOVENS E ADULTOS

O jovem e o adulto buscam a Iniciação à Vida Cristã por decisão pessoal, procurando o sentido da vida, do mundo, da morte que não encontra em si e nas propostas do mundo. A Iniciação de jovens e adultos à vida cristã requer o envolvimento e a responsabilidade de toda a comunidade de fé. Sobre eles exerce grande influência positiva o testemunho da participação da comunidade nos ritos e nas celebrações que realizam a experiência de Deus, iniciada na escuta da Palavra.

 

Pais e padrinhos que pedem o batismo aos filhos e afilhados devem ser acolhidos por cristãos que se disponham a conhecê-los e saber de suas reais necessidades catequéticas. Em seguida deve ser apresentado para eles o primeiro anúncio sobre Jesus Cristo, que os desperte para o desejo de conhecer Jesus (Lucas 24,32 / IVC 154).

 

O primeiro anúncio (Kerigma) deve provocar o ardor no coração daqueles que o escutam, assim como suscitar neles o desejo de se encontrarem com Jesus. Este encontro é por excelência possibilitada pela Liturgia Eucarística.

Por isso, a preparação para o Batismo deve incluir a participação na Santa Eucaristia, ou melhor, aqueles que se preparam devem sentir que o Batismo brota da Salvação que Jesus Cristo nos favoreceu por sua entrega livre ao sacrifício da Cruz. Aquele que foi morto de forma cruenta, Deus o ressuscitou ao terceiro dia. O Ressuscitado oferece aos seus seguidores a salvação por meio do alimento sagrado: a Eucaristia.

Para que esta preparação centrada no Kerigma seja efetivada, requer-se uma nova concepção de preparação de pais e padrinhos para o Batismo de seus filhos e afilhados. Esta preparação necessita de 04 momentos interligados e necessitados um do outro, que começam depois da inscrição para a preparação batismal [9].

1º Momento – INSCRIÇÃO PARA O PROCESSO CATECUMENAL PARA O BATISMO.

Via de regra a inscrição é feita na secretaria da Paróquia. Os documentos necessários são: 1- Cópia da Certidão de nascimento de quem será batizado.    2-  Cópia dão Documento de Identidade dos pais ou cuidadores de quem será batizado, bem como comprovante de residência.     3- Cópia da Certidão do Casamento religioso, no caso de casais serem escolhidos para serem padrinhos, bem como a certidão do Batismo ou lembrança do mesmo.

Depois das fichas preenchidas, o sacerdote se encontra com a famíia de quem ser´pa batizado. Então as fichas são repassadas para a Equipe dos Cateqistas do Batismo e inicia-se o processo dos quatro tempos do processo Catecumenal.

1º TEMPO  – PRÉ-CATECUMENATO – dividido em duas etapas

1ª Etapa – visita dos membros da Pastoral do Batismo às famílias que pedem o sacramento. Neste encontro acontece o primeiro anúncio (Kerigma) e ao mesmo tempo conhecem a realidade da familiar. Verificam se há crianças em idade da catequese ou jovens, adultos ou idosos que não foram batizados, não receberam a 1ª Eucaristia ou a Crisma. Também podem perguntar aos que ainda não receberam o sacramento do matrimônio quais os porquês de ainda não o celebraram. Estas informações são repassadas para as devidas equipes. Ao final da visita, os membros da Pastoral do Batismo informam a data na qual a família do batizando deverá comparecer à celebração da Santa Eucaristia.

2ª Etapa –, Numa celebração dominical a criança ou adolescente (podemos também praticar isto com jovens, adultos e idosos) será apresentado à comunidade cristã e receberá o sinal da cruz na fronte. Os pais recebem um crucifixo. Para que este momento seja solene, a Equipe da Pastoral do Batismo deve prepará-la junto com a Equipe Celebrativa do dia.

2º TEMPOCATECUMENATO:

Todos os pais e padrinhos são convidados a participarem de um encontro que, na nossa Paróquia, é realizado na Sala da Catequese na comunidade Santo Antonio. Neste encontro acontece a preparação que envolve os símbolos batismais. Também há a ênfase quanto ao Credo e à Oração do Senhor. Ao final, as famílias são convidadas a participarem de outra celebração dominical da comunidade.

3º TEMPOPURIFICAÇÃO E ILUMINAÇÃO

Dividido em duas etapas, a saber

1ª Etapa – Em uma celebração dominical as famílias recebem o Credo e a Oração do Senhor. Para que este momento seja solene, a Equipe da Pastoral do Batismo deve prepará-la junto com a Equipe Celebrativa do dia.

2ª Etapa– CELEBRAÇÃO DO BATISMO. A comunidade cristã é convidada a participar deste momento. Membros da Pastoral Familiar podem, neste dia, reforçar o convite para a celebração do matrimônio dos pais que ainda não o receberam. As Equipes da Catequese da 1ª Eucaristia e Crisma podem motivar as crianças, jovens, adultos ou idosos que ainda estão fora do processo catequético a dele participarem.

 

4º TEMPO –  MISTAGOGIA –  É o tempo que membros da Pastoral do Batismo dinamizam a visita às famílias que batizaram seus filhos. Importante: não é só a equipe do Batismo que deve visitar, mas sim que ela dinamize esta visita envolvendo membros das outras pastorais que se disponham a este serviço. Neste tempo mistagógico a Pastoral do Batismo pode, com criatividade, convidar as famílias que batizaram seus filhos a vir celebrar a cada ano o aniversário batismal. Isto pode ser feito a cada semestre. Nestes momentos podem ser entregues às famílias outros símbolos. Isso deve acontecer até a criança atingir a idade para se inscrever no processo catequético.

 

A pré= catequese, 1ª e 2ª. etapas Eucarísticas iluminadas pelo RICA

INDICATIVOS  PRÁTICOS PARA A CATEQUESE

COM CRIANÇAS

A criança é capaz de manter uma relação com Deus e o faz de forma muito espontânea e pura. Consegue perceber a beleza, a justiça e a bondade de Deus, ao reconhecer a criação, a amizade e os gestos de valorização da vida. O que aprende por meio de dinâmicas e músicas, literatura infantil e o que experimenta pela escuta da Palavra de Deus e pelos ritos tende a repercutir por toda a vida.

No processo de Iniciação à Vida Cristã com crianças, devem predominar a convivência em clima de fé E o amor, como caminho, para a experiência do transcendente e a relação do que lhe é comunicado sobre Deus com a vida prática.

As histórias bíblicas e parábolas podem envolver as crianças de uma forma atrativa e sensível, levando-as a acolher o que lhes é anunciado. Isso supõe também uma escolha de textos bíblicos adequados à compreensão e aos sentimentos de cada idade.

É recomendável que os responsáveis pela iniciação das crianças aprendam a “ler” o que a expressão corporal infantil revela e o que, no profundo do ser, tenta comunicar com expressões, desenhos, olhares e gestos. O processo formativo supõe aprender com a pedagogia das perguntas e das respostas, para se chegar ao que realmente as crianças querem expressar. É importante construir com elas regras e responsabilidades.

As crianças também têm um espontâneo potencial de sensibilidade pelos que sofrem, de fazer algo em benefício dos outros e de atrair para a comunidade a própria família.

A prática catequética em todas as idades deve motivar o desejo do Encontro com Jesus, principalmente na participação da Liturgia Eucarística

A preparação de crianças, adolescentes, jovens, adultos e até mesmo idosos, requer uma educação mais unitária que vá além apenas da preparação sacramental. Ser cristão, hoje em dia, requer convicção de fé, encontro com Cristo e o seu Evangelho. Apenas um verniz de catequese não resolve. É preciso despertar nos catecúmenos o desejo ardoroso de participar da Liturgia Eucarística e nela viverem o encontro com o Senhor Jesus..

     Por isso, a Catequese terá a missão de revelar o que os sinais rituais representaram na história da salvação e como hoje eles continuam eficazes na celebração Eucarística. Daí a necessidade da Catequese e a Liturgia terem as mãos unidas[10]

ACOLHER A FAMÍLIA E OS CATEQUIZANDOS TAMBÉM É EVANGELIZAR

Pais que pedem o sacramento aos filhos ou a própria pessoa, devem ser acolhidos com atenção e carinho desde a feitura da ficha de inscrição. Esta acolhida acontece através de cristãos que se dispõem a conhecê-los e saber de suas reais necessidades catequéticas. Em seguida deve ser apresentado para eles, na visita à família ou em um encontro geral, o primeiro anúncio sobre Jesus Cristo, que seja capaz de lhes fazer arder o coração e desejarem encontrar com Jesus Cristo (Lucas 24,32 / IVC 154). Isso só é possível se os anunciadores proclamarem o Kerigma com a verdade do coração que se alegra com a presença de Jesus em suas vidas. E a cada fase catequética o Kerigma deve estar presente, marcando no coração das pessoas a alegria do encontro com o Senhor Jesus.

Para que esta preparação centrada no Kerigma seja efetivada, requer-se uma nova concepção de preparação catequética, não tanto no seu conteúdo, mas sim no seu processo. Esta preparação necessita de 04 momentos interligados e necessitados um do outro.

Ocasião especialINSCRIÇÃO PARA A CATEQUESE

  • Entrega dos documentos: 1- certidão de batismo da pessoa que será catequizada (Não tendo sido batizada, ou não havendo certeza do batismo, os pais e o futuro catequizando devem ser orientados a procurarem o sacerdote). 2- Cópia da Certidão de nascimento do catequizando e do documento de identidade dos pais. 3- Uma foto 3/4
  • Entrevista com o Catequista que acompanhará o inscrito para sanar dúvidas e estabelecer as orientações necessárias.

 

1º TEMPO– PRÉ-CATECUMENATO – dividido em duas etapas

1ª Etapa – Após a entrevista feita na Igreja, deve acontecer a visita do catequista ou de seus auxiliares às famílias dos futuros catequizandos. No mesmo tempo que o primeiro anúncio (Kerigma) é realizado os visitadores conhecem a realidade da família que pede o sacramento. Verificam se há outras crianças em idade da catequese ou jovens, adultos ou idosos que não receberam os sacramentos. Também podem perguntar aos pais, que ainda não receberam o sacramento do matrimônio quais os porquês de ainda não o celebraram. Estas informações são repassadas para a Pastoral Familiar e outras equipes indicadas pela necessidade da família.

2ª Etapa – Ao final da visita, a família é informada sobre a data que deverá comparecer à celebração da Santa Eucaristia, quando a criança será apresentada à comunidade e receberá o sinal da cruz na fronte e nos sentidos. Os pais recebem um crucifixo. Para que este momento seja solene, a Equipe da Catequese Eucarística deve prepará-la junto com a Equipe Celebrativa do dia. Lembrando que esta celebração da acolhida deve envolver a Pré – Catequese e também as 1ª e 2ª Etapas Eucarísticas. Nesta celebração os que estão na 2ª Etapa podem ser motivados a abraçar os que iniciarão a 1ª Etapa. Nesta celebração acontece ao mesmo tempo a acolhida e a abertura do catecumenato.

2º TEMPO– CATECUMENATO: Inicia-se o processo da catequese propriamente dita. Durante o período quaresmal acontecem várias celebrações que envolvem os catecúmenos, conforme orientação do RICA.

3º TEMPO – PURIFICAÇÃO E ILUMINAÇÃO – Dividido em duas etapas, a saber

1ª Etapa – Próximo à celebração da 1ª EUCARISTIA, criativamente os catequistas podem provocar vários tipos de celebração para despertar nos catecúmenos o bom gosto da celebração. Para que estes momentos sejam solenes, Catequistas, junto com a Equipe Celebrativa do dia, devem preparar a celebração. Um momento importante é o dia da primeira confissão, que pode ser antecedida por uma tarde ou manhã intensa de reflexão com todos os catecúmenos. O encontro com seus familiares também é uma atividade que favorece a maturidade da fé dos pais ou cuidadores daqueles que receberão a 1ª EUCARISTIA.

2ª Etapa – CELEBRAÇÃO DA 1ª EUCARISTIA. A comunidade cristã é convidada a participar deste momento. Deve-se evitar neste dia um clima de formatura ou de desfile de roupas exuberantes.

4º TEMPO- MISTAGOGIA –  É o tempo que um grupo de Catequistas dinamizam visitas às famílias daqueles que receberam a 1ª Eucaristia. Importante: não é só os catequistas ou seus auxiliares que fazem estas visitas.  É necessário que uma comissão de catequistas dinamize esta visita envolvendo membros das outras pastorais que se disponham a este serviço. Neste tempo mistagógico a Equipe Catequética pode, com criatividade, convidar as famílias e seus filhos a vir celebrar a cada ano o aniversário da 1ª Eucaristia. Nestes momentos podem ser entregues às famílias outros símbolos. Isso deve acontecer até a criança atingir a idade para se inscrever no processo catequético Crismal. No caso dos adultos, podemos criar momentos diferenciados.

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS PARA

OS CATEQUISTAS DA CRISMA ILUMINADAS PELO RICA

A preparação para a Crisma, que envolve adolescentes, jovens, adultos  e, ocasionalmente até mesmo idosos [11], precisa ir além da sensibilização e do entretenimento, priorizando o crescimento espiritual, a educação para a responsabilidade pessoal e social, a ética nas relações humanas, profissionais, afetivas e sexuais, e a orientação vocacional.

As diversas pastorais da comunidade devem ter uma atenção especial à catequese Crismal, pois é um ambiente muito propício para atrair novos membros para as diversas ações da paróquia. Obviamente que a idade será o determinante para que as pastorais atraiam  pessoas para suas atividades. Os catequistas da Crisma é que devem dinamizar estes encontros, motivando situações específicas nas quais os crismandos, através de pessoas das diversas pastorais da paróquia, podem conhecer como agimos para a transformação do mundo pela graça de Jesus Cristo. O Work Shop Pastoral é um momento de muita importância para o discernimento pastoral daqueles que receberão o sacramento da Crisma. Porém, o encontro dos crismando com as pastorais não pode ficar só nele.

QUEM SÃO AS PESSOAS QUE PEDEM A CRISMA?

As pessoas que pedem o sacramento da Crisma podem ser inseridas em 03 grupos: 1 – Os Filhos, cujos pais, por conta da tradição, exigem que se inscrevam; 2 – Aquelas que ouviram o Kerigma e sentiram necessidade do sacramento; 3- Aquelas que vão se casar e foi exigido que elas fossem crismadas. Vale ressaltar que ninguém pode ser obrigado a receber nenhum dos sacramentos.

É preciso distinguir de qual grupo o inscrito faz parte. Para os que são levados pelos pais para a recepção da Crisma, é preciso que o Kerigma lhes seja anunciado para que sintam eles próprios a Vontade de serem crismados. A nossa Paróquia não exige que ninguém seja crismado ou até mesmo batizado para receber o matrimônio. O Código do Direito Canônico prevê que ao menos uma das partes sejá batizada para que o casal receba o matrimônio. Mas pode ser que a pessoa vá celebrar o matrimônio em outra paróquia que lá lhe foi exigido isso. Neste caso, esta pessoa deve ser orientada a procurar o sacerdote.

Independente do grupo que façam parte, todos devem ser acolhidos com carinho. Os primeiros quatro encontros devem ser com todos os catecúmenos com vistas à Crisma. Nestas quatro primeiras reuniões deve ser apresentado o Kerigma (cf. Lucas 24,32 / IVC 154). Em uma catequese Kerigmática, a Iniciação à Vida Cristã assume um rosto evangelizador que favorece a verdadeira experiência de fé. Promove o encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, o que ajuda a despertar a consciência do futuro discipulado missionário, e a inserção na comunidade cristã e nas pastorais, que é o objetivo da catequese Crismal. Isso só acontece quando o catecúmeno tem o verdadeiro encontro com: Jesus de Nazaré, Filho único do Pai (IVC 155).

Para que esta preparação centrada no Kerigma seja efetivada, requer-se uma conversão de toda a comunidade paroquial. Ou seja, todas as pastorais da paróquia devem visualizar o espaço catequético da crisma como local privilegiado para conquistar novos membros.

Para que isso aconteça, os catequistas e auxiliares da Crisma devem sempre convidar as pastorais para que visitem e exponham suas atividades para os catecúmenos, incluindo aí o Work Shop Pastoral . Obviamente que o Work Shop Pastoral terá como preocupação central a exposição de suas atividades para os crismandos, sem perder de vistas os outros catecúmenos[12]. Esta é a nova concepção de preparação catequética, não tanto no seu conteúdo, mas sim no seu processo..

 

Momento especialInscrição para a preparação para a catequese Crismal

  • Entrega dos documentos (1- certidão ou lembrança do batismo – não tendo sido batizado ou não tendo certeza de tal, o crismando deve ser orientado a procurar o sacerdote; 2- Lembrança da 1ª Eucaristia – no caso de não ter feito a 1ª Eucaristia, o crismando receberá encontros especiais para tanto)
  • Entrevista com o catequista para sanar dúvidas dar orientações necessárias, como escolher desde agora o padrinho ou madrinha.

Na entrevista ou uma semana após,  o crismando deverá informar quem será o seu padrinho ou madrinha. Estes terão que entregar na secretaria paroquial os seguintes documentos: 1- Sendo casado, deverá apresentar a certidão do casamento religioso. Pode a pessoa escolhida para apadrinhar ser solteira. 2- Em ambos os casos deverá apresentar a certidão da crisma ou uma foto que comprove a recepção do sacramento. Importante: Não podem ser padrinhos ou madrinhas os pais, esposo, esposa ou filhos.

 

  • Importante desde a inscrição informar o crismando ou seus familiares sobre a taxa do sacramento e também esclarecer que é um recurso repassado para o seminário diocesano.

 

1º TEMPO – PRÉ-CATECUMENATO – dividido em duas etapas

1ª Etapa – Com a ficha do inscrito nas mãos e os dados cadastrais, o catequista e seus auxiliares entram em contato e marcam uma visita às famílias dos futuros catequizandos. Neste encontro, no mesmo tempo conhecem a realidade da família que pede o sacramento, anunciam o Kerigma. E também verificam se há outras crianças em idade da catequese ou jovens, adultos ou idosos que não receberam os sacramentos.. Também podem perguntar aos pais, que ainda não receberam o sacramento do matrimônio quais os porquês de ainda não o celebraram. Estas informações são repassadas para a Pastoral Familiar ou equipes afins. Importante nesta visita informar ao catecúmeno que ele deve escolher o futuro padrinho ou madrinha. Não podem ser padrinhos ou madrinhas os pais, esposo, esposa ou filhos.

2ª Etapa – Ao final da visita, a família é informada sobre a data na qual deverá comparecer à celebração da Santa Eucaristia, quando aquele que será crismado é apresentado à comunidade cristã e recebe o sinal da cruz na fronte e nos sentidos. Os padrinhos, que já devem ser escolhidos neste início do processo, e os pais ou cuidadores recebem na celebração um crucifixo. Para que este momento seja solene, a Equipe da Catequese Crismal deve prepará-la com a Equipe Celebrativa do dia.

2º TEMPO – CATECUMENATO: Inicia-se o processo da catequese propriamente dita. Durante o período quaresmal acontecem várias celebrações que envolvem os catecúmenos, conforme orientação do RICA.

3º TEMPO– PURIFICAÇÃO E ILUMINAÇÃO – Dividido em duas etapas, a saber

1ª Etapa – Próximo à celebração da Crisma, criativamente os catequistas podem provocar vários tipos de celebração que envolva os catecúmenos. Para que estes momentos sejam solenes, Catequistas, junto com a Equipe Celebrativa do dia, devem preparar a celebração. Um momento importante é o dia da confissão, que pode ser antecedida por uma tarde ou manhã intensa de reflexão com todos os catecúmenos.

O encontro com seus familiares também é uma atividade que favorece a maturidade da fé dos pais ou cuidadores daqueles que receberão a Crisma.

Faremos também um encontro com os padrinhos e madrinhas junto com seus afilhados para explicar a importância do seu ato na celebração Crismal.

 

2ª Etapa – CELEBRAÇÃO DA CRISMA. A comunidade cristã é convidada a participar deste momento. Deve-se evitar neste dia um clima de formatura ou de desfile de roupas exuberantes.

TEMPO – MISTAGOGIA –  É o tempo que um grupo de Catequistas Crismal dinamiza visitas às famílias daqueles que receberam a Crisma. Importante destacar: não é só os catequistas que fazem estas visitas, mas sim que uma comissão de catequistas dinamize esta visita envolvendo membros das outras pastorais que se disponham a este serviço. Seria muito interessante que os crismados indicassem a pastoral que mais lhes chamou a atenção e que membros deste grupo escolhido visitasse a pessoa que foi crismada.

Neste tempo mistagógico a Equipe Catequética pode, com criatividade, convidar as famílias, os crismados e seus padrinhos a vir celebrar a cada ano o aniversário da Crisma. Nestes momentos podem ser entregues às famílias outros símbolos. No caso dos adultos, podemos criar momentos diferenciados.

A PASTORAL DO MATRIMÔNIO (NOIVOS) Iluminada pelo RICA

A Catequese dos Noivos com vistas ao sacramento do matrimônio é uma das extensões da Pastoral Familiar. No contexto da Iniciação à Vida Cristã, é preciso destacar que a Pastoral Familiar tem que ter os olhos abertos às famílias que estão próximas da Paróquia nas seguintes situações:

  • Famílias que pedem o batismo dos seus filhos
  • Famílias que inscrevem seus filhos para a 1ª Eucaristia
  • Famílias que inscrevem seus filhos para a Crisma
  • Jovens que participam dos grupos juvenis e que estão namorando.
  • Famílias que recebem as cestas básicas
  • Famílias que têm idosos e que recebem a assistência da Pastoral da Pessoa Idosa ou da Pastoral dos Enfermos
  • Famílias que recebem a assistência da Pastoral d Criança

 

É comum existir dificuldade na promoção do encontro de casais, quando, de forma aleatória, convidam famílias para a inscrição. De comum acordo com as pastorais acima indicadas, a Pastoral Familiar pode promover estes encontros de forma muito mais eficaz. Para isso, é preciso que também as pastorais indicadas vejam a Pastoral Familiar como um instrumento de apoio para suas atuações e possibilidade de crescimento dos Lares assistidos na espiritualidade. Esta é a proposta do projeto da Iniciação à Vida Cristã: acabarmos com o isolamento entre as diversas atividades evangelizadoras.

COMO A PASTORAL FAMILIAR PODE AJUDAR À CATEQUESE EM SUAS DIVERSAS FASES

A educação dos filhos deve ser marcada por um percurso de transmissão da fé que se vê cada vez mais dificultada pelos horários de trabalho, pela complexidade do mundo atual, onde muitos têm ritmo frenético para sobreviver [13].

Apesar destas dificuldades, a Pastoral Familiar deve atuar junto às famílias para que as desperte ao chamado de serem o lugar da Iniciação à Vida Cristã, onde se aprende a rezar e a viver os valores da fé. Aos pais cristãos cabe a primeira responsabilidade pela formação de seus filhos no seguimento de Jesus Cristo.

A Pastoral Familiar pode também promover encontros com os adolescentes e jovens que pedem a 1ª Eucaristia ou a Crisma. Muitos deles vivem situações da violência familiar, exclusão social, carência afetiva, vivência sexual pré-matrimonial, gravidez não planejada. A pastoral familiar pode ajudar estes adolescentes e jovens a enfrentarem tais situações com mais lucidez ou a prevenir ocasiões que possam perverter o projeto divino para a família.

SITUAÇÕES DE CASAIS IRREGULARES OU NOVAS UNIÕES

        Quando o grupo de catequistas percebe famílias dos catequizandos em situações difíceis ou as “novas uniões homoafetivas”, devem buscar a ajuda da Pastoral Familiar. A Pastoral Familiar poderá ajudá-las, partindo de suas situações particulares, a abrir-lhes portas para o serviço na comunidade, ajudando-as a aceitar a viver o amor em sua situação real [14]

A PASTORAL DOS NOIVOS SOB A ILUMINAÇÃO

DO PROJETO DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

Para a preparação dos Noivos com vistas ao sacramento do Matrimônio, pode-se adotar um itinerário catecumenal que favoreça aos noivos os elementos necessários para construírem o Lar alicerçado no sacramento do Matrimônio e assim tenham melhores disposições e solidez na vida familiar. Esse itinerário deve oferecer propostas que ultrapassem a mera instrução para receber o sacramento e se converter em autêntico acompanhamento por parte da comunidade cristã para que o casal viva de fato o Matrimônio. Daí a necessidade de que exista na Paróquia a preparação remota ao sacramento do Matrimônio, que acontece nos encontros da Crisma, com casais de namorados e nas reflexões entre os grupos de jovens. A preparação próxima é aquele que acontece para os que se decidiram casar e participam da catequese dos noivos. O acompanhamento após a Celebração matrimonial é importante para que o casal se mantenha unido à comunidade e que esta possa ajudá-lo a superar as dificuldades da convivência, que aparecem.

O casal que busca o sacramento do matrimônio deve se sentir acolhido na comunidade, fazer ali novas amizades e descobrir maneiras gratificantes e que favoreçam a sua comunicação com Deus.

A PREPARAÇÃO DOS NOIVOS PROPRIAMENTE DITA

O Papa Francisco nos fez olhar com mais carinho e acolhida às novas realidades da composição da vida familiar, o que não significa aceitar tais situações. Por isso, a Igreja Católica sempre vai primar pelo anúncio da família composta pelo homem, a mulher e seus filhos, abençoados pelo sacramento do Matrimônio. E, quando pedem este sacramento, a comunidade cristã deverá prepará-los adequadamente para que vivam em um Lar que tenha a presença divina como luz para a convivência.

Para isso, é necessária uma preparação que tenha por intenção primeira a descoberta do nome “família cristã” como sendo a mais alta dignidade que um casal alcança neste mundo. Esta descoberta acontece através do anúncio da Salvação que Jesus nos concede por sua vida, paixão, morte e ressurreição (Kerigma).

Encontrar-se com os casais no estágio de vida que estão passando, desenvolver misericórdia e compaixão com suas dores e alegrar-se com suas conquistas é o primeiro passo para ajudá-los a realizar a experiência de Deus em sua convivência familiar. Envolvido por este clima de acolhida, é muito mais provável que o anúncio do Kerigma provoque no coração dos que o escutam o desejo de se encontrarem com Jesus. Deste primeiro anúncio brota, então o desejo do encontro que, por excelência, é possibilitado pela Santa Eucaristia.

A fim de que o espírito catecumenal seja implantado na preparação dos casais para a recepção do sacramento do Matrimônio e que, principalmente, se encontrem com Jesus Cristo na Liturgia Eucarística, o processo preparatório terá estes momentos.

Ocasião especialI

NSCRIÇÃO PARA O PROCESSO MATRIMONIAL 

A– Entrega dos documentos (1- Certidão original do batismo dos nubentes – a data da emissão não pode ser superior a seis meses da data da celebração do matrimônio; 2- Cópia do Documento de identidade dos nubentes e comprovantes de residência dos dois; 3- Caso o casamento seja com efeito civil, a certidão de habilitação para o casamento civil; 3- Documentos de identidade dos padrinhos do religioso com suas qualificações [estado civil, profissão, endereço]).

B- Entrevista com o sacerdote para sanar dúvidas e orientar o casal para o processo de preparação.

 

1º TEMPO –  PRÉ CATECUMENATO – dividido em duas etapas

1ª Etapa – visita de um casal (que pode ser da Pastoral Familiar, Pastoral do Batismo ou Ministros Extraordinários da Santa Comunhão) àqueles que pedem o matrimônio. Através do contato telefônico se marca o dia da visita na casa da noiva ou do noivo, se ainda não estiverem morando juntos. Nesta visita é que se conhece a realidade do casal e também se verifica se há mais pessoas na casa em idade da catequese que não estão neste processo do catecumenato. Se isto for um fato, os visitantes repassam as informações para as equipes devidas.

2ª ETAPA – Ao final da visita, o casal é informado sobre a data na qual deverá comparecer à celebração da Santa Eucaristia, quando serão apresentados à comunidade cristã e receberão o sinal da cruz na fronte e nos sentidos para que sejam protegidos contra as tentações. Também receberão um crucifixo como sinal do compromisso deles com Jesus Cristo. Para que este momento seja solene, a Pastoral Familiar deve prepará-la junto com a Equipe Celebrativa do dia.

 

2º TEMPO– CATECUMENATO – é o momento do encontro com todos os casais que receberão o sacramento do matrimônio. As Palestras não sofrerão mudanças de conteúdo, mas deverão sempre enfatizar o Kerigma. Ao escutar o anúncio do Kerigma, a parti de diversos prismas, muitos vão desejar o encontro com Jesus, que é, por excelência, possibilitado pela Liturgia Eucarística. Por isso, a preparação para o Matrimônio deve incluir a participação na Santa Eucaristia.

Ao final do encontro, geralmente entregamos aos casais o certificado da preparação para o matrimônio na Celebração Eucarística das 19h00 na comunidade Santo Antonio. Faremos, a partir da Páscoa de 2018 de uma forma diferente. Na celebração Eucarística no final do encontro entregaremos uma mensagem-convite para que participem de outra liturgia – que pode ser na semana seguinte [15].  Aí sim receberão o certificado e também os símbolos dos Apóstolos (Credo) e a Oração do Senhor (Pai Nosso).

3º TEMPO–PURIFICAÇÃO/ILUMINAÇÃO

dividido em 02 etapas

1ª ETAPA – Celebração da Eucaristia, quando será entregue para o casal o Credo, a Oração do Senhor e o certificado de participação do processo de preparação para o Matrimônio.

2ª ETAPA – Celebração do Matrimônio – A comunidade cristã é convidada a participar deste momento.

4º  TEMPO – MISTAGOGIA –  É o tempo que a PASTORAL FAMILIAR dinamiza a visita aos casais que receberam o matrimônio. Importante: è não é só a Pastoral Familiar que deve visitar, mas sim que ela dinamize esta visita envolvendo membros das outras pastorais que se disponham a este serviço. Neste tempo mistagógico a Pastoral Familiar pode, com criatividade, convidar os casais a vir celebrar a cada ano o aniversário da celebração. Isto pode ser feito a cada semestre. Nestes momentos podem ser entregues para o casal outros símbolos.

CATEQUESE PARA SITUAÇÕES ESPECIAIS

      A Iniciação à Vida Cristã supõe a coragem de sair de si para ir às periferias existenciais, ao encontro daquelas pessoas que sofrem as diversas formas de conflitos, carências e injustiças. Em nossa realidade é grande o número de pessoas que vivem situações específicas. Cabe à Igreja identificá-las, acompanhá-las, com misericórdia e paciência, nas possíveis etapas de crescimento, que vão sendo construídas, dia após dia, no percurso da via da caridade. Recordando-nos sempre de que uma pessoa que não tivesse plena consciência do erro da atitude que a levou a determinada situação, não pode ser-lhe imputada culpa que não lhe cabe.

Para acompanhar pessoas em situações especiais é preciso:

  • Compreender e discernir suas fragilidades
  • Aplicar a lógica da misericórdia pastoral [16], levando em conta que devemos crescer na compreensão do Evangelho e no discernimento das possibilidades do Espírito, procurando comunicar cada vez melhor a fé nas realidades específicas que aparecem.
  • A Paróquia deve formar catequistas que sejam capazes de dialogar com as pessoas nas diversas situações especiais em que se encontram.

Para os casos mais complexos, caberá ao Pároco encontrar o itinerário específico para o aprofundamento espiritual. Por isso, todas as pastorais, quando se depararem com estas situações, devem orientar a pessoa para que procure o sacerdote ou anotar o telefone destas pessoas e repassá-lo para o padre a fim de que entre em contato com tais pessoas.

UMA ANOTAÇÃO ESPECIAL PARA A CATEQUE DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA

Para acolher alguém com deficiência, é necessário escutar a própria pessoa, procurando saber como ela habitualmente realiza suas atividades na vida diária, em casa, na escola e em outros ambientes. No caso de crianças, é importante conversar com a família e, se necessário, com o consentimento dos pais, contatar  a escola, uma vez que os professores, por já estarem em interação com ela, poderão ajudar com sugestões interessantes. Na nossa Paróquia temos psicopedagogos e psicólogos que, de forma gratuita, colaboram para o êxito da catequese para crianças com deficiência.

IMPORTANTE è Não deve existir a criação de grupos especiais para pessoas com deficiência. O melhor para elas e para a comunidade é estarem incluídas nos grupos existentes

A Catequese de Adultos é o grande desafio para a Evangelização nos dias atuais.

As Pastorais do Batismo e dos Noivos, por tratarem diretamente com adultos, podem encontrar pessoas não catequizadas ou que ainda não completaram o ciclo da Iniciação à Vida Cristã.

        Havendo disponibilidade dos membros da equipe, eles próprios podem se colocar a serviço da catequização destas pessoas. Na Paróquia temos, hoje, 04 catequistas de Adultos, coordenados pela Guadalupe. Precisamos de mais catequistas. Mais ainda: precisamos de catequistas que se adequem à linguagem do mundo atual.

O CUIDADO COM A LINGUAGEM

        Em nosso tempo, marcado pela civilização da imagem, a linguagem audiovisual adquiriu um lugar relevante no âmbito da cultura. As pessoas que acessam as novas tecnologias de informação, especialmente as redes sociais, produzem novas formas de viver em sociedade e de interpretar a realidade.

A Igreja precisa de uma linguagem adequada para comunicar a fé cristã. Atenção especial seja dada à interatividade, interconexão e à valorização das experiências vividas, veiculadas pelas redes sociais. Em sua missão, a Igreja necessita tanto garantir uma linguagem que seja expressão de sua fé quanto assumir criativamente novas linguagens significativas para as pessoas.

Devemos ter em conta que hoje vivemos na cultura digital, que é sinônimo de acesso, conexão com pessoas e lugares de todo o mundo. É importante conhecer e valorizar a cultura da conexão, superando preconceitos e a desconfiança sobre as novas tecnologias. Os novos meios de comunicação social são excelentes instrumentos para a ação evangelizadora não somente com adultos, mas especialmente com jovens e adolescentes, porque oferecem importantes benefícios e vantagens desde para as informações religiosas.

Para que haja uma prévia instrução sobre a Catequese com Adultos, segue abaixo alguns esclarecimentos:

Passos Metodológico para uma Catequese de Adulto: Perguntas e Respostas

  • Como começar um grupo de Catequese de Adulto

No geral, o grupo nasce da necessidade de aprofundar a fé cristã por parte de alguns fiéis que já despertaram para uma vivência mais comprometida ou que sentem necessidade da mesma. Isso pode acontecer no processo da preparação para o Matrimônio ou para o Batismo dos filhos. Pode até mesmo ser possível encontrar pessoas sem a Iniciação à Vida Cristã entre os pais dos catecúmenos para a 1ª Eucaristia ou Crisma.

  • Que material usar?

Depende muito da necessidade do grupo; da realidade em que vive; de suas reais motivações. Não há um subsídio específico, mas existem muitos e bons materiais e livros, especialmente na área de Bíblia, Doutrina, Espiritualidade, Orientações de Fé e Vida, etc. A Guadalupe, que é a Coordenadora da Catequese com Adultos, pode indicar os materiais.

No geral, a Bíblia é o principal referencial de catequese, contudo, tem que haver não só um bom livro ou manual de ajuda para compreendê-la, mas deve haver também a passagem da fé para a vida e vice-versa. Ela deve ser aplicada de modo seguro na vida e leva as pessoas aos passos seguintes, sem se fechar em si. Podemos utilizar os cinco passos para a catequese da 1ª Eucaristia também com os adultos

  • Como integrar um grupo nascente dentro do processo de engajamento da comunidade?

O engajamento nasce aos poucos, como necessidade, na medida em que o processo vai dando passos. Não deve ser cobrado, imposto. Na hora certa, na hora do grupo, isso vai acontecer. Forçar e incentivar um engajamento sem que o grupo todo tenha despertado para isso é no mínimo atropelar o processo.

Uma vez que o grupo já começa despertar para isso, é preciso tomar conhecimento e aprofundar a vida comunitária, o projeto vivencial paroquial (quais as pastorais, movimentos, grupos sociais existe e qual a ação pastoral da paróquia, seu calendário) e como o grupo pode contribuir. Isso acontece naqueles grupos em que a maioria tem uma vivencia religiosa de missa, contribui com alguma campanha, mas sem vínculo de compromisso mais sério.

  • Que método e ou roteiro usar?

A princípio, conforme algumas experiências, o método é sempre partir da realidade do adulto. Enxergar suas necessidades e inquietações sobre a fé, sua religiosidade, sua forma de ver, pensar e agir no mundo que o cerca. Saber o que quer, porque quer, o que o motiva à buscar aprofundamento catequético. Para isso é imprescindível do catequista, alguns requisitos como: a escuta, capacidade de compreensão da realidade, capacidade criativa na ação pastoral catequética. Uma coisa é importante ao catequista: conhecer e saber sobre os documentos da catequese e da igreja, bem como está atualizado sobre o processo de catequese e suas novidades no contexto atual. Há o método de interação fé e vida (VER, ILUMINAR, AGIR) que ajuda no processo de formação catequética. Existem roteiros para realização do encontro catequético. Cada um há que achar o melhor para sua realidade.

  • Por quanto tempo deve durar a Catequese de Adulto com o grupo?

O tempo vai depender da motivação do grupo e da criatividade do catequista. A catequese é um processo permanente, progressivo, sistemático, ordenado, pessoal e comunitário da fé. Não se restringe a informações somente, ou a doutrina e muito menos a ideias. Trata-se de um conteúdo que envolve a pessoa e o grupo dentro de um projeto maior, que é o Reino. O grupo faz parte da Igreja e a Igreja existe por causa da missão que lhe foi confiada: a pregação do Reino. Isso implica uma relação adulta dos seus membros, um compromisso consciente, um testemunho eficaz e uma comunhão pessoal e comunitária com o Senhor, com a Trindade e com o Seu Projeto. Cada membro faz parte do Corpo Místico de Cristo e quanto mais aprofunda sua relação com Ele com a Igreja mas vontade tem de caminhar e aprofundar. É o encontro pessoal com Ele. É o encontro do grupo com Ele.

A maturidade em Cristo acontece no percurso e no verdadeiro encontro com Ele na vida comunitária. Não é algo isolado, individualista. É pessoal, mas não individualista. Por isso, o tempo é não é parado, mas frutífero e contínuo.

  • Quais os objetivos específicos da Catequese de Adulto?

Como já foi dito, que cada um como pessoa e como grupo, possa alcançar a maturidade em Cristo. Isto acontece dentro de um processo. Logo, a catequese com adultos tem algumas metas que proporciona uma boa iniciativa:

  • Aprofundar os rudimentos da fé, das verdades da fé confessada, meditada, celebrada e anunciada;
  • Dar elementos para a compreensão do “encontro pessoal com Cristo”;
  • Formar discípulos missionários; criar católicos conscientes e conscientizadores;
  • Ser membro católico atuante dentro (que nem sempre significar estar atrelado a um movimento ou pastoral, para sabe-se engajado) e fora da igreja;
  • Ser pessoa equilibrada e cidadão responsável no mundo em que habita (casa, trabalho, social, político, etc);
  • Respaldar sua vida pelas linhas mestra do Evangelho.

Devemos pois entender que nem “tudo” foi dito aqui, evidentemente.

  • Como organizar a Catequese com Adulto?

Primeiramente é conhecer a experiência dos catequista de adultos que já existem na Paróquia; Segundo, se a necessidade assim convier, formar pequenos grupos nas comunidades e paróquia. Uma vez detectado a existência desses grupos, convocar suas lideranças para compor na paróquia uma equipe de catequese de adultos e na medida do possível fazer a ligação com a coordenação diocesana de catequese. Tudo isso evidentemente, combinado com o pároco.

  • Quais os conteúdos da catequese com adulto?

No geral, tais conteúdos partem da necessidade e da realidade do grupo. Porque cada indivíduo e também o grupo tem uma história própria e está num estágio mais ou menos, comparado com o que já possui do querigma (primeiro anúncio) e dos rudimentos da catequese. Há que se analisar todos os lados da questão. Porém, a princípio, é importante começar pelo conhecimento das Sagradas Escrituras; das verdades contidas no Catecismo em linguagem própria para adulto; oferecer alguma coisa sobre a caminhada da Igreja na história; conhecer, aprofundar e incentivar aquilo que é próprio na vida da Igreja através da Liturgia; da Oração e da Sua Ação Pastoral.

 Palavras que não finalizam, mas abrem esperança

Não fazemos aqui uma conclusão. Esta cartilha é o início de um longo processo que envolverá a todos da nossa Paróquia. Num primeiro momento vamos estudar o conteúdo, Isso acontecerá até dezembro de 2017. A partir de fevereiro de 2018 vamos começar a esquematizar e treinar os trabalhos de cada equipe aqui orientadas. Após a Páscoa de 2018, aí sim iniciaremos o processo catecumenal com toda força e entusiasmo.

O importante é que a nova postura da prática do projeto da Iniciação Cristã estabelecerá o diálogo entre o processo catecumenal e a Liturgia. Ao mesmo tempo, os serviços oferecidos pela IVC tornam-se, cada qual, um centro de unidade entre todo o processo catequético (Batismo, Eucaristia, Crisma ou Matrimônio).

A implantação do processo catecumenal necessita que todas as pastorais estejam unidas em um único objetivo que é:

Conquistar as pessoas que se dispuseram a receber os sacramentos para que os vivam através da convivência e da prática pastoral da Paróquia de Santo Antonio e Nsra. Aparecida.

É urgente construir uma Igreja que seja a casa da Iniciação à Vida Cristã e que esta nova Igreja tenha como eixo uma decidida postura de renovação da consciência dos cristãos. Somente esta nova postura ajudará a superar o isolamento das equipes  para que elas se integrem numa pastoral orgânica. Quando usamos a palavra “orgânica”, queremos utilizar a comparação com o corpo, que é um organismo perfeito. Cada parte do corpo (olhos, nariz, boca, coração, veias, ossos, etc.) existe não para si, mas para o bem estar de todo o organismo. Assim também, cada pastoral não existe para si, mas para o bem da Igreja -, cuja cabeça é o Senhor Jesus.  Este corpo – a Igreja – existe para a vida em abundância (Jo 10,10).

Ao celebrarmos os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Estrela da Nova Evangelização confiamos nossos esforços pastorais. E com o Papa Francisco suplicamos:

“Virgem e Mãe Maria, alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte. Daí-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos, para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga- (…) Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. Amém. Aleluia!”!

ANEXO 1  VOCABULÁRIO DO PROCESSO CATECUMENAL

Admissão: é o chamado “rito de entrada”, quando o candidato se transforma em catecúmeno; “celebra-se o rito de admissão entre os catecúmenos quando as pessoas que desejam tornarem-se cristãs, tendo acolhido o primeiro anúncio do Deus vivo, já possuem a fé inicial no Cristo Salvador” (RICA n. 62; cf. n. 9,15). O rito da admissão é considerado como a primeira etapa do catecumenato (cf. Estudos da CNBB 97, n. 80-81)

Banho Batismal: o mesmo que batismo, palavra do grego que significa “mergulho”; o batismo é mergulho na morte e ressurreição de Cristo, participando da salvação (cf. Rm 6,3-6); é o primeiro dos três sacramentos da Iniciação, numa “unidade indissolúvel” com os outros dois (cf. Estudos da CNBB 97, n. 63).

Catecumenato: é o segundo tempo da iniciação cristã “dedicado à catequese completa… um espaço de tempo em que os candidatos recebem formação e exercitam-se praticamente na vida cristã” (RICA n. 7,19). Estritamente falando catecumenato seria o ‘segundo tempo” da iniciação cristã, ou “catecumenato propriamente dito” (RICA, n. 134; cf. Estudos da CNBB 97, n. 82), porém muitos chamam de catecumenato todo o processo da iniciação (cf. DNC, n. 36,45-50). Veja mais na frente: “processo catecumenal”.

Catecúmenos: do grego “catekoúmenoi”: aqueles que recebem a instrução oral (verbo “catekéo”). Há o catecumenato batismal ou pré-batismal, para os que ainda não foram batizados; e o catecumenato pós-batismal, para os que já foram batizados e agora completam ou refazem o próprio itinerário em direção a um maior compromisso com sua opção cristã (cf. Estudos da CNBB 97).
Catequizandos : aqueles que já foram batizados e agora se preparam para receber a Primeira Comunhão Eucarística, a Crisma e demais sacramentos.

Catequese: propriamente falando é o segundo tempo do catecumenato, tempo mais longo dedicado ao ensino, à reflexão e aprofundamento da fé (cf. RICA, n. 7), tempo em que os catequizandos “recebem formação e exercitam-se praticamente na vida cristã” (RICA, n. 19); “distribuída por etapas e integralmente transmitida, relacionada com o ano litúrgico e apoiada nas celebrações da Palavra, leva os catecúmenos, não só ao conhecimento dos dogmas e preceitos, como à íntima percepção do mistério da salvação de que desejam participar” (RICA, n. 19:1). A finalidade da catequese “é aprofundar e amadurecer a fé educando o convertido para que se incorpore à comunidade cristã… ela exige contínuo retorno ao núcleo do Evangelho (querigma), ou seja, ao mistério de Jesus Cristo em sua Páscoa libertadora, vivida e celebrada continuamente na Liturgia” (DNC, n. 33). A catequese é precedida do primeiro anúncio (pré-catecumenato) e sucedida pela formação permanente na comunidade. Conforme Aparecida a catequese de iniciação é a “maneira ordinária e indispensável de introdução na vida cristã e como a catequese básica e fundamental. Depois, virá a catequese permanente que continua o processo de amadurecimento da fé” (n. 294).

Catequese mistagógica: veja “Mistagogia“.

Catequese sacramentalista: concepção equivocada de catequese que a reduz à preparação dos sacramentos, isolados do resto da vida cristã (Estudos da CNBB 97, n. 53 : toda catequese conduz aos sacramentos, mas não se reduz a eles, pelo contrário, tem em vista toda a vida cristã.

Competentes: veja “eleitos“.

Conversão: mudança radical de vida”, reconhecer Jesus Cristo como seu Salvador:: At 2.37-41; cf. RICA, n. 1, 4, 6a, 10,15,223, 51.
Eleição: rito de eleição, no início da Quaresma: é o momento central do Catecumenato, pelo qual, após o discernimento (escrutínios) aqueles que realmente querem receber os sacramentos e se julgados preparados, são escolhidos (eleitos) para celebrarem os sacramentos. “Denomina-se eleição porque a Igreja admite o catecúmeno baseada na eleição de Deus, em cujo nome ela age” (RICA, n. 22; cf. Estudos da CNBB 97, n. 83).

Eleitos: assim são chamados após a eleição: escolhidos por Deus a participar de seu Povo, a Igreja de Jesus Cristo. São chamados também de competentes (cf. RICA, n. 153, n. 155; Estudos da CNBB 97, n. 83).

Entregas: ritos de entrega dos documentos-síntese da fé (.Símbolo ou Credo) e da oração cristã (Pai Nosso). “Essas entregas representam a herança da fé que é passada aos caminhantes. Outros rituais vão acompanhando o processo” (veja “tradítio” e “reddítio“).

Equipe (Comissão) de Coordenação da Iniciação à Vida Cristã: é formada pelos encarregados da tradicional preparação ao Batismo, à Confirmação e à Eucaristia; tal equipe coordenará todo o processo da Iniciação à Vida Cristã dando unidade a ele. É uma equipe fundamental para o modo como todo o processo da Iniciação vai ser vivido (cf. Estudos da CNBB 97, n. 146-148).

Escrutínios: ritos de discernimento com relação ao progresso no catecumenato e de purificação interior. Também significam exame da conduta moral (cf. RICA 25: n. 1,52,153,157- 159…; Estudos da CNBB 97, n. 76;85;94).

Etapa: conforme o RICA são “passos, pelos quais o catecúmeno, ao caminhar, como que atravessa uma porta ou sobe um degrau” (n. 6). São as três grandes celebrações que marcam a passagem de um tempo para o outro, dando o sentido de gradualidade ao processo catecumenal (cf. Estudos da CNBB 97, n. 75).

Exorcismo: rito com a imposição das mãos, pedindo a Deus “a libertação das consequências do pecado e da influência maligna, para que os catecúmenos sejam fortalecidos em seu caminho espiritual e abram o coração para os dons do Senhor” (Estudos da CNBB 97, n. 77;93; cf. RICA, n. 156).

Família: seu papel no processo da Iniciação à Vida Cristã (cf. Estudos da CNBB 97, n. 133-139).

Garante (veja INSTRUTOR)

Iluminação: assim era chamado o Batismo; é também o tempo de preparação próxima para recebê-lo: a Quaresma. É o terceiro tempo do catecumenato, “destinado à mais intensa preparação espiritual” (RICA final do n. 7; cf. n. 21-22. Cf. Estudos da CNBB 97, n. 84-86).

Iniciação Cristã: é a introdução de alguém no “mistério de Cristo, da Igreja e dos sacramentos”, por meio da proclamação da mensagem (querigma), da catequese e dos ritos sacramentais e outras celebrações. É obra do amor de Deus, por seu Filho no Espírito Santo; realiza-se na Igreja e pela mediação da Igreja, requer a decisão livre da pessoa e nela se realiza a participação humana no diálogo da salvação (cf. Estudos da CNBB 97, n. 62- 66; Diretório Nacional da Catequese, n. 35-37, n. 45-50).

Iniciático: aquilo que se refere ao processo de iniciação.

Inscrição do nome: é o rito que se realiza por ocasião da “eleição” no tempo quaresmal. “Chama-se inscrição dos nomes porque os candidatos, em penhor de sua fidelidade, inscrevem seus nomes no registro dos eleitos” (cf. RICA, n. 22;51,17, 133).

Inspiração catecumenal: um processo de iniciação cristã que, sem reproduzir estritamente o esquema do catecumenato pré ou pós-batismal, procura traduzir suas principais características (cf. Estudos da CNBB 97). Catequese de inspiração catecumenal é o mesmo que catequese com dimensão catecumenal, com caráter catecumenal, cunho catecumenal, feição catecumenal, etc.

Instituição dos catecúmenos: assim pode ser denominado o “rito de entrada”, ou a primeira grande celebração do catecumenato (cf. RICA, n. 6,14,50,60…).

Introdutor (no Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, repassado para as pastorais, o termo instrutor é grafado como “garante”): alguém da comunidade cristã que introduz na vida da Igreja e acompanha o(a) catecúmeno(a): “homem ou mulher, que o conhece, ajuda e é testemunha dos costumes, fé e desejo do catecúmeno” (RICA, n. 42; cf. Estudos da CNBB 97, n. 127-130; 78; 91b; 124).

Ministros ordenados: ministros que, pelo sacramento da Ordem, são os primeiros responsáveis pelo processo de iniciação na comunidade: o Bispo, presbíteros e diáconos (cf. Estudos da CNBB 97, n. 151-154; DNC, n. 248-251;324-325,327,329).

Mistagogia: a palavra significa “introdução ao mistério”; na verdade toda catequese é mistagógica; porém, no processo catecumenal, é o último tempo da iniciação, durante o período pascal: visa ao progresso no conhecimento do mistério celebrado através de novas explanações, e ao começo da participação integral na comunidade; é o prolongamento da experiência dos iniciados (cf. Estudos da CNBB 97, n. 88-89; cf. RICA, n. 7d,37- 40,237; DNC, n. 46c). Célebres são as “catequeses mistagógicas” dos Santos Padres (Estudos da CNBB 97, n. 153).

Mistagogo: à semelhança da palavra pedagogo, é aquele que introduz o catecúmeno ou catequizando nos mistérios da fé; todos que trabalham no processo catecumenal são mistagogos: ministros ordenados, catequistas, introdutores, pais, padrinhos…

Mistério: palavra grega (mystérion) usada no Novo Testamento para designar o plano de salvação que o Pai realizou em Cristo Jesus, principalmente por sua Morte e Ressurreição; por consequência, mistério é tudo o que a Igreja realiza para manifestar e realizar essa salvação divina ao longo da História, sobretudo os sacramentos (a palavra latina sacramento é tradução da palavra grega mystérion). A iniciação cristã é sempre iniciação aos mistérios de Cristo Jesus e de sua Igreja, através, sobretudo, do exercício da vida cristã e da celebração dos sacramentos (cf. Estudos da CNBB 97, n. 37-39;52-54; DNC, n. 35- 37,45-50,14g,33,60,117-122).

Mistérico: aquilo que se refere ao mistério.

Modelo catecumenal: o mesmo que “catequese de inspiração catecumenal” (veja acima “inspiração catecumenal”; cf. Estudos da CNBB 97, n. 95).

Neófitos: o mesmo que recém iniciados na fé ou recém batizados.

Padres da Igreja ou Santos Padres: assim são denomina-dos os escritores antigos que viveram entre os séculos I a VIIDC e se distinguiram como mestres da fé e promotores da unidade da igreja. Sua doutrina é reconhecida pela Igreja como ortodoxa, verdadeira (cf. Estudos da CNBB 97, n. 44;153).

Padrinho/madrinha: pais espirituais da fé; “entre suas tarefas há o acompanhamento para ajudar o catecúmeno a viver o Evangelho, auxiliá-lo nas dúvidas e inquietações, velar pelo seu crescimento na fé, na fraternidade, na vida de oração, no interesse pela comunidade e pelo Reino de Deus” (Estudos da CNBB 97 e cf. RICA, n. 43).

Processo Catecumenal: o mesmo que “catecumenato”: os procedimentos, práticas, ritos e celebrações que constituem a autêntica iniciação à vida cristã. Conforme o catecumenato antigo, o processo catecumenal é constituído em 4 tempos: pré-catecumenato, ca leeu menato, purificação-iluminação e mistagogia; e três grandes celebrações: admissão ao catecumenato, preparação para os sacramentos (eleição) e celebração dos três sacramentos da iniciação.

Pré-catecumenato: é o primeiro tempo do catecumenato: um espaço indeterminado de tempo para o acolhimento na comunidade cristã, o primeiro anúncio (querigma) ou evangelização e uma primeira adesão à fé (cf. RICA, n. 7a, 9-13; Estudos da CNBB 97).
Purificação: Iluminação: é o terceiro tempo do catecumenato, que se inicia com a segunda grande celebração (segunda etapa): é o tempo consagrado para preparar mais intensamente o espírito e o coração dos catecúmenos/catequizandos para celebrarem os sacramentos. “Nessa etapa, a Igreja procede à “eleição” ou seleção, e admite os catecúmenos que se acham em condições de participar dos sacramentos da iniciação nas próximas celebrações” (RICA, n. 22; cf. Estudos da CNBB 97, n. 84-86).

Querigma: originalmente significava “proclamação em alta voz” ou anúncio. No Novo Testamento é o anúncio central da fé, o núcleo de toda mensagem cristã, a boa notícia da salvação (evangelho). O querigma é tão importante na evangelização, que muitas vezes se torna sinônimo dela, embora seja apenas um dos seus aspectos (o mais importante). Veja também abaixo: “querigmático”.

Querigmático: tudo o que se refere ao anúncio essencial da fé; o pré-catecumenato consiste basicamente nesse “anúncio essencial ou central da fé”.

Reddítio: em latim significa “devolução”: o catecúmeno, uma vez que recebe os principais documentos da fé (tradítio) “devolvia” essa mensagem recebida à comunidade em forma de vivência cristã, práticas evangélicas assimiladas em sua própria maneira de ser (cf. DNC, n. 39, principalmente sua nota 14). Veja traditio.

Religiões iniciáticas: religiões que na antiguidade ou ainda hoje praticam os ritos de iniciação. “O cristianismo foi até confundido com uma das tantas religiões iniciáticas que pululavam o Oriente Médio. Mas ele era algo muito mais profundo: para participar do mistério de Cristo Jesus é preciso passar por uma experiência impactante de transformação pessoal e deixar-se envolver pela ação do Espírito” (Estudos da CNBB 97, n. 41).

RICA: é a sigla do Ritual de Iniciação Cristã dos Adultos destinado à celebração do Batismo de Adultos, o que por sua vez requer série preparação, ou catecumenato. O RICA oferece pistas para o processo catequético catecumenal, ajudando os adultos para que iluminados pelo Espírito Santo, conscientes e livres, procurem Jesus vivo através do caminho da fé e o da conversão.

Rito: Conjunto de gestos, orações, fórmulas litúrgicas, sinais e símbolos expressando na celebração uma realidade que não se quer significar. E o conjunto das cerimônias próprias de uma igreja ou religião.

Sacramento: tradução latina da palavra grega mystérion (cf. Estudos da CNBB 97, n. 52 ); 6 um sinal visível de uma realidade invisível. O sacramento por excelência é Jesus Cristo, a Igreja é Sacramento de Jesus Cristo, e os sete sacramentos expressam a ação salvadora de Jesus hoje através da Igreja. Os sacramentos são “momentos culminantes da participação no mistério de Cristo. O Vaticano II afirma que a liturgia, por ser celebração dos sacramentos, é cume e fonte da vida cristã” (Estudos da CNBB 97, n. 56). Veja acima a palavra mistério.

Sacramentalismo – É uma prática equivocada da fé. A preocupação primeira de uma paróquia sacramentalista é o número de pessoas que recebem o sacramento e não o como estas pessoas vivem os sacramentos. Pessoas que vivem em paróquias sacramentalistas  não deixam que o Evangelho renove suas vidas e  por isso não conseguem ter um verdadeiro encontro com o Senhor Jesus.

Sacramentos da Iniciação: são os sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia que, na tradição antiga, eram recebidos simultaneamente, após um longo período de catecumenato (cf. DNC, n. 35). “Os três sacramentos da iniciação, numa unidade indissolúvel, expressam a unidade da obra trinitária na iniciação cristã: o Batismo nos torna filhos do Pai, a Eucaristia nos alimenta com o Corpo de Cristo e a Confirmação nos unge com unção do Espírito” (Estudos da CNBB 97, n. 63). Hoje a Igreja pede que se recupere essa unidade dos três sacramentos.

Símbolos: em grego synballon, significa colocar junto, confrontar. Mostra as relações entre dois elementos da realidade: um objetivo e outro subjetivo. O símbolo evoca, por meio de um objeto ou sinal um outro significado de algo que ele deseja expressar, como acontece por exemplo, com a bandeira, a cruz… e todos os símbolos cristãos, (cf. Estudos da CNBB 97, n. 12;53;74). Muitas vezes a palavra Símbolo designa também o Símbolo dos Apóstolos ou Credo (cf. RICA, n. 25,26,33,57).

Sinais: é a associação de duas realidades concretas unidas por uma conexão natural ou convencional que leva a um determinado sentido ou realidade (cf. RICA, n. 215,258, 349).

Tempo: no catecumenato “tempo” é o período em que transcorrem as quatro grandes partes do processo de iniciação à vida cristã: o pré-catecumenato, o catecumenato, a purificação iluminação e a mistagogia. Entre um tempo e outro há as etapas ou grandes ritos de passagem (cf. RICA, n. 6-7; Estudos da CNBB 97, n. 72; 153; Diretório Nacional da Catequese, n. 46).

Tradição: em latim “traditio” vem do verbo “tradere”, que significa “entregar, transmitir, passar adiante”. Na linguagem teológica, a Tradição (com T maiúsculo) é o processo pelo qual o conteúdo da verdade revelada é transmitido às diversas gerações e ambientações culturais, empregando palavras e normas diversas, mas conservando sempre a sua essência, e tendo a chancela da autoridade dos sucessores dos Apóstolos.

Traditio: em latim significa “entrega”: num rito durante o catecumenato a comunidade entrega ao catecúmeno ou catequizando os “tesouros da fé” ou seus principais documentos da fé: Bíblia, Credo e Pai-nosso. Veja acima a palavra “entrega”.

 

        ANEXO 2     Um Ícone Bíblico: O encontro de  Jesus e a Samaritana

         Se os Atos dos Apóstolos inspiram a metodologia do processo catecumenal, a narrativa do evangelista João do encontro de Jesus com a Samaritana no poço de Jacó dá a base da espiritualidade da ação evangelizadora. Desejam os Bispos que os cristãos encontrem no relato deste encontro a motivação necessária para a renovação da espiritualidade da ação pastoral das paróquias. Portanto, não se trata somente de uma reformulação da prática catequética, mas sim de uma mudança de atitude de toda a ação evangelizadora paroquial. Vamos ler e refletir este divino encontro de Jesus com a mulher sedenta de uma água nova, água da vida.

 

Deixemo-nos iluminar por uma página do Evangelho: o encontro de Jesus com a mulher samaritana (Jo 4,5-42)

11-Não há homem ou mulher que, na sua vida, não se encontre, como a mulher da Samaria, ao lado de um poço com uma âncora vazia, na esperança de encontrar que seja satisfeito o desejo mais profundo do coração, o único que pode dar significado pleno à existência. Esperamos que o encontro de Jesus com a Samaritana ilumine nossas reflexões sobre a Iniciação à Vida Cristã, animando-nos a dar novos passos no caminho de nossa ação evangelizadora.

12- É verdade que nos Evangelhos, como nos demais textos do Novo Testamento, há muitos exemplos  inspiradores que podem ajudar a perceber os processos de iniciação ao discipulado de Jesus. Podemos recordar alguns:

12.1- os primeiros chamados (Marcos 1,16-20);

12.2- a experiência de Simão Pedro, quando convidado a avançar para as águas mais profundas (Lucas 5,1-11);

12.3- a narrativa sobre Zaqueu (Lucas 19,1-10);

12.4- a experiência dos discípulos de Emaús (Lucas 24,13-35);

12.5- Até o caso do jovem rico, seguido do diálogo de Jesus com os discípulos (Mateus 19,16-30) pode ser lembrado como um caso fracassado de iniciação ao seguimento.

13- Aqui vamos refletir sobre o texto da Samaritana, que nos mostra como um encontro com Jesus muda a própria vida e ayinge outras vidas, porque quem descobre essa presença salvadora não a guarda só para si. Vai levá-los a outros. Convidamos, pois, o leitor (a), a contemplar esse encontro transformador. Um diálogo profundo, fundado na verdade, carregado de esperanças e de promessas, atento aos anseios das pessoas, ao respeito por elas e suas buscas.

 

PRIMEIRO PASSO: o encontro – Dá-me de Beber (João 4,7)

14- Já em um primeiro olhar, quem lê o texto de João 4,1-42 talvez pense que o pedido de Jesus tinha, como expectativa, apenas um simples gesto de cortesia da parte daquela mulher samaritana, que viera ao poço de Jacó retirar água para suas necessidades. Porém, um leitor mais atento, conhecedor dos capítulos anteriores, sabe quem é aquele homem que pede água para beber. Ele é a Palavra que se fez carne e veio morar entre nós (João 1,14), o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo (João 1,29); é aquele que Natanael chamou de Filho de Deus (João 1,49) e é o mesmo que, em Caná da Galiléia, oferecera o vinho bom aos convivas e os discípulos creram nele (João 2,1-11).

15- Um dos versículos iniciais diz que “(…) era preciso passar pela Samaria” (João 4,4). A expressão “era preciso”, quando empregada pelos evangelistas, aponta para um desígnio de Deus. Na realidade, havia outros caminhos para chegar à Galiléia, evitando a região da Samaria. Mas Deus quer que seu Filho passe por lá, justamente pela região em que viviam os considerados distantes do verdadeiro culto. E o que se afigura como um simples pedido por água para beber, dá início a um impressionante diálogo, em que a “água”, os “maridos” e, por fim, “o culto verdadeiro”, a ser prestado a Deus ganham um significado especial.

16- Jesus, cansado da viagem, vai sentar-se junto ao poço. Era meio-dia. Os discípulos tinham ido à cidade providenciar o almoço. Justamente naquela hora, chega uma samaritana para buscar água (João 4,6-7). O “poço”, desde o Antigo Testamento, é um lugar de encontros que suscitam belas experiências de comunhão amorosa. No tempo de Jesus, naquela cultura, era incomum um homem pedir água para beber a uma mulher, mais ainda se samaritana, filha de um povo cuja religiosidade era mal vista. Tudo sugeria adversidade recíproca, pluralismo, diferença, contraste. Mas Jesus se apresentou com sede. Dar de beber era símbolo de acolhimento. A sede de Jesus é o seu desejo de nos ver seguindo seu caminho.

17- A Samaritana se surpreende com a solicitação. Afinal, segundo o costume da época, não era esperado que judeus e samaritanos tivessem um bom relacionamento. Ms o evangelista quer mostrar a disposição de Jesus em revelar-se àquela mulher. Ele se apresenta reconhecendo, primeiramente, que ela pode oferecer-lhe algo que está precisando. E o que Jesus precisa, ainda hoje, é que todos nós conheçamos o dom de Deus em nossas vidas.

  • – SEGUNDO PASSO – o diálogo –

“Se conhecesses o dom de Deus” (João 4,10)

18- São muitas as barreiras sociais, culturais, religiosas, políticas presentes naquele encontro. Tudo, portanto, sugere mais desencontro que diálogo. O evangelista, porém, quer que o leitor perceba a disposição de Jesus em dialogar com a Samaritana. Para tanto, era preciso superar as distâncias. Então, eis que Ele apresenta àquela mulher “distante” três grandes possibilidades: o dom de Deus, a água viva e quem naquele momento oferece graça (João 4,10). E o que parecia ser uma cena de muitas suspeitas (um homem e uma  mulher, um judeu e uma samaritana; dois desconhecidos, próximos de um poço; ela sem nome), torna-se um encontro entre a necessidade humana e a gratuidade de Deus.

19- É digno de nota o emprego repetido do verbo “conhecer”. Nossas traduções empregam-no, por vezes, com sentido de “saber”. A Samaritana, por exemplo, “sabe” que virá um Messias e que Ele tudo anunciará (João 4,25). Todavia, seu saber é apenas uma informação. Mas “conhecer”, no sentido pretendido pelo evangelista, é muito mais: é experenciar, é viver o encontro pessoal, é deixar-se marcar pela presença da pessoa encontrada. A Samaritana ainda não “conhece” o dom, nem quem é aquele que o pode dar. Tampouco sabe o que pedir, mas vai viver uma experiência transformadora, vai conhecer a verdadeira “água viva”. Todavia, é preciso que o diálogo começado avance.

20- Nem tudo é compreendido em um primeiro momento. A mulher questiona Jesus: de onde poderia vir aquela tal “água viva”, se ele não tem vasilha e o poço é profundo? Por agora, há uma série de questões que lhe fogem à compreensão. Ela ainda não conhece outra água, a não ser aquela do poço. Por estar apenas no início do encontro, há mais perguntas do que percepções. Também o “dom de Deus”, associado à água viva merece um olhar atento. O “dom” que ela conhecia era apenas aquele de Jacó (“que nos deu este poço”). Como desconhece o sentido da água viva, tampouco ela é capaz dos meios para dispor dessa água. Soa-lhe estranho que Jesus fale de água, mas sem vasilha em um poço profundo (v.11).

21- Na tradição bíblica, o simbolismo da água é muito rico: além de restaurar, purificar, produzir frutos, faz lembrar o Espírito de Deus (Isaías 44,3-4); simboliza também a salvação (Isaías 12,3; Ezequiel 47, 1-12). O próprio Deus é apresentado como “fonte de água viva” (Jeremias 2,13). A Samaritana ainda não consegue alcançar o sentido das palavras de Jesus. No entanto, ela se mostra interessada na conversa. Por isso mesmo, sente-se encorajada a fazer algumas perguntas. O encontro está apenas começando.

22- A Samaritana tem uma interrogação “(…) de onde, pois, tiras essa água viva?” (João 4,11). Esse “de onde” aparece outras vezes no Evangelho de João. Em Caná, os serventes sabiam “de onde” viera o vinho bom, pois tinham “feito tudo o que Jesus lhes dissera” (João 2,9). Nicodemos não sabia “donde” vinha o vento; tampouco lhe seria possível “nascer do Espírito”, sem “conhecer Jesus” (Jo 3,1-21). Agora é a Samaritana a indagar “de onde” pode vir a “água viva”.

1.3- TERCEIRO PASSO: conhecer Jesus – “Quem beber da água que eu lhe darei, nunca mais terá sede” (João 4,14).

23- A Samaritana conhecia apenas o dom de Jacó (João 4,12: “ele nos deu este poço”). Não lhe fora apresentado, até então, um outro dom, uma “outra água”. Ela sabe que onde não há água, não há vida. Mas Jesus fala de outra “água viva” que efetivamente atenda à nossa verdadeira sede de estar com Deus. Isso só acontece em um encontro pessoal com Ele, em um novo caminho, que Jesus revela.

24- A água que Jesus oferece é dada gratuitamente. Basta aceitá-la. Mais ainda: quem assim fizer, também se tornará fonte. A água do poço sacia momentaneamente. A que Jesus oferece, faz do sedento “uma fonte de água, jorrando para a vida eterna” (João 4,14). Há um sentido mais pronunciado de abundância, de transbordamento e de movimento. Tudo isso se contrapõe à água estagnada, sem dinamismo, sem vida.

25- A oferta de Jesus e sua promessa de vida despertaram o anseio da mulher: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui para tirá-la!” (João 4,15). Ela tem agora o desejo da nova fonte. Embora tudo pareça novidade à Samaritana, o leitor já pode perceber os sinais para onde aponta aquele encontro. E também o sentido daquela “água viva”. Sem muita demora, ela mesma ouvirá de seus conterrâneos que reconhecem naquele homem o Salvador do mundo (v.42). O dom de Deus aponta para algo vinculado à salvação. Por enquanto, a mulher e, depois, os samaritanos estão maravilhados. O leitor, por sua vez, é convidado a continuar a busca. Como poderia aquela mulher, se bebesse da água que Jesus lhe daria, tornar-se fonte de água abundante a jorrar para a vida eterna? A resposta começará a aparecer em João 7,37-39. Lá, retornará o tema da sede humana. Para saciar-se, será preciso crer. Os samaritanos creram. Mas ao leito, virão proposições ainda mais explícitas: a água viva é o Espírito que receberiam os que acreditassem. A Samaritana e os leitores do Evangelho são interpelados a continuar o diálogo.

26- A mulher descobre que, para receber da nova água/vida, é preciso tomar consciência dos próprios descaminhos das infidelidades e dos pecados. Em sua narrativa, o evangelista faz entrar, de modo inesperado, a temática dos maridos da Samaritana (João 4,16). Parece uma mudança abrupta de assunto, mas, quando se trata de “água viva”, o confronto com o passado, a partir do encontro com Jesus, requer outra direção quanto ao hoje e ao futuro. É preciso mudança de vida. É preciso conversão. Ora, a aliança com Deus é, muitas vezes, simbolizada pelo casamento. Assim, os “maridos” podem representar aspectos desviados (idolatrias) da religião praticada na Samaria. Isso faria parte da história de um povo que se distanciou de seu Deus, mas que, mesmo assim, busca-o com sinceridade. Os muitos ídolos não saciaram, e o povo voltou a “ter sede”. Jesus apareceu na história daquela mulher / daquele povo, como a nova fonte, fonte de uma nova água. E ele vai revelar o verdadeiro “marido” e, como consequência, a verdadeira adoração em espírito e verdade. Tudo em vista de uma nova vida.

1.4- QUARTO PASSO: a revelação – “Sou eu que estou falando contigo” (João 4,26)

27- A mulher (que representa o povo samaritano) reconhece em Jesus “um profeta”. Ela descobrira que, na fala de Jesus, sua própria história repleta de “muitos maridos”, era interpretada, na perspectiva da Misericórdia de Deus. Não havia condenação. Não havia juízos ante os erros, Diante da atitude acolhedora de Jesus, sentiu-se encorajada a abordar o tema do culto verdadeiro em Jerusalém ou em Samaria? Onde Deus poderia ser encontrado? Tudo, porém, ainda se apresentava em quadros restritos de culto de templo. Para Jesus, é fundamental dar um novo passo. Em suas palavras, Deus recebe um nome novo. Pais (João 4,21). É esta a razão pela qual encontrá-lo não depende de lugar e/ou de formato de culto. O que conta é que sejam adoradores do Pai, em espírito e verdade (João 4,23-24).

28- Para aquela samaritana chegar a “hora”. Até então era excluída; agora Ele a faz saber que pode ser incluída entre os “adoradores que o Pai procura” (João 4,23), que encontrá-la é anseio do Pai. É admirável sua reação: confessa-se disposta a aceitar o Messias, quando Ele chegar (João 4,25). Na mente dos samaritanos, o Messias esperado teria a função de revelar a verdade de Deus (João 4,25: “quando Ele vier, nos fará conhecer todas as coisas”). Embora ainda não tivesse reconhecido quem era Jesus, compreendera que suas palavras anunciavam dias de graça; erm os tempos messiânicos. Estavam, pois, preparados o ambiente,  o clima, as condições para que Jesus se identificasse e se revelasse.

29- As duas breves frases pronunciadas por Jesus, mas de pleno significado, dizem tudo: “Sou eu que estou falando contigo” (João 4,26). Chega-se aqui ao ápice daquele encontro. Ela, até então, falara do Messias. Agora fala diretamente com Ele, em pessoa. O que antes era esperança mal definida, agora é presença, é pessoa encontrada. Até o cântaro para levar água, antes um instrumento indispensável para saciar a sede da água do poço, agora perde relevância. Aquele cântaro apontava para um cotidiano escravizador. Agora, a mulher descobrira que sua fonte de vida vem não do poço, mas de Jesus, que se aproximara e se deixara encontrar.

30- Ao ouvir a expressão “sou eu”, certamente afloraram na mente da Samaritana as antigas experiências de libertação. Outror Deus se apresentara como libertador (Êxodo 3,14: “Eu sou”). Uma nova história de liberdade pode estar começando. Mas o leitor tem uma grande vantagem em relação à Samaritana. Essa expressão poderá lhe ressoar ainda muitas vezes. Se continuar o diálogo com Jesus, vai ouvi-lo dizer “Eu sou o pão vivo” (João 6,35); “Eu sou o bom pastor” (João 10,11); “Eu sou a ressurreição e a vida” (João 11,25); “Eu sou o caminho, a verdade, a vida” (João 14,6); “Eu sou a videira” (João 15,1). Ao falar, as possibilidades são muito maiores que à Samaritana.

1.5 – QUINTO PASSO: o anúncio – “Vinde ver (…) não será ele o Cristo?” (João 4,29)

31- Já por várias vezes, o leitor de João se deparou com frase semelhante: “Vinde ver” (João 1,39); “Vem e vê” (João 1,46). Os convidados foram, viram e permaneceram com Ele. Algo semelhante aconteceu com aquela mulher da Samaria. O que ela comunica aos seus resulta de uma experiência viva e pessoal. No quarto Evangelho, quando usados juntos, os verbos “vir” e “ver” apresentam uma verdade de fé, possível de ser conhecida somente através da experiência. De fato, aproximar-se de Jesus e “vê-lo” é momento fundamental, indispensável, para a adesão amadurecida a ele. Não há outro caminho, a não ser o encontro pessoal, para tê-lo como Senhor. Isso valeu para aqueles samaritanos e continua valendo para nós hoje.

32- É interessante ainda comparar a mulher com outros discípulos. Ela “diz” às pessoas da cidade: “vinde ver um homem que medisse tudo o que eu fiz” (João 4,29). Algo muito semelhante dissera André a seu irmão Simão (João 1,41). Fora assim também entre Felipe e Natanael (João 1,45). Nos três casos, eles e elas se maravilharam com o Senhor e foram comunicar isso a outros. Tal maravilha suscita nela a esperança: “Não será ele o Cristo?” (João 4,30). Seu conhecimento acerca daquele “homem” estava apenas no início, mas ela já sentia o desejo de propor a outros a mesma experiência.

33- Do mesmo modo que ela, os samaritanos têm sede. Percebem, também eles, pelo anúncio daquela mulher, que algo de essencial lhes faltava. Daí a resposta imediata que lhes dão: “saíram da cidade ao encontro de Jesus” (João 4,30). Para melhor compreender o sentido e o alcance do movimento daqueles samaritanos que partem ao encontro de Jesus, recordemos que Natanael veio ao encontro de Jesus e, em seguida, tornou-se discípulo (João 1,45-51). Esse é o mesmo movimento realizado agora pelos samaritanos: “foram ao encontro de Jesus”, a fonte de água viva que ela quis partilhar com eles.

1.6- SEXTO PASSO: o testemunho – “Nós mesmos ouvimos e sabemos (…) é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4,42)

 

34- Muitos samaritanos “creram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava” (João 4,39). A fé em Jesus nasce de um encontro com Ele. Mas tudo começou com um testemunho. Eles, sedentos, partem e, depois de estar com ele, não querem que se vá: “pediam que permanecesse cm eles” (João 4,40). Tudo muito semelhante ao que ocorrera com os primeiros discípulos: “foram, viram onde morava e permaneceram com ele aquele dia” (João 1,39). Foi um novo passo, uma resposta de fé, uma nova progressão no cminho do discipulado.

35- Jesus permaneceu com eles dois dias. “Permanecer” indica a continuidade, indispensável na alimentação da fé. Foram dias ricos de belas experiências. Mas o processo não parou aí. O texto diz: “muitos (…) acreditaram (…) por causa da palavra da mulher” (João 4,39). É a valorização do testemunho e do anúncio. A seguir, porém, a mesma experiência revela motivos mais profundos: “muitos outros ainda creram por causa da palavra dele” (João 4,41). É o encontro pessoal. Viveram uma experiência pessoal, que é a base da fé e que vai gerar um processo de contínuo crescimento.

36- O primeiro anúncio abriu caminhos para uma adesão que gerou vida nova aos discípulos. O que se iniciara por uma experiência pessoal e individual, desdobrou-se em vivência de comunidade de fé. São eles, os samaritanos, a dizer à mulher: “(…) este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (João 4,42). Ela lhes havia apresentado Jesus. A comunidade ajudou-a a reconhecer o Salvador do mundo. Aconteceu uma bela experiência de fé partilhada.

37- Esse encontro de Jesus com a Samaritana é exemplo perfeito da maneira como Ele se faz conhecer àqueles que o procuram. Ele se faz conhecer progressivamente, como acontece na Iniciação à Vida Cristã. Lentamente, a mulher vai descobrir quem é Jesus. No início do diálogo, Ele era simplesmente um “judeu” (João 4,9),    depois ela descobre que é “um profeta” (João 4,19), quando lhe diz que precisamos adorar Deus em espírito e verdade, o próprio Jesus revela que é o “Messias” (João 4,26). No final do encontro, os samaritanos o reconhecem como “Salvador” (João 4,42), ponto de chegada da revelação.

38- “Como Jesus no poço de Sicar, também a Igreja sente que deve sentar-se ao lado dos homens e mulheres deste tempo, para tornar presente o Senhor na sua vida, para que possam encontrá-lo, porque só o seu espírito é água que dá a vida verdadeira”. Nesse sentido, é que entendemos que um processo consistente de Iniciação à Vida Cristã, é indispensável ao tipo de missão que os novos interlocutores de hoje estão pedindo à nossa Igreja.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] Uma prévia orientação: Utilizaremos no decorrer do texto a sigla IVC, que é a representação da Iniciação à Vida Cristã. Também utilizaremos para nos referirmos ao IVC a expressão “processo catecumenal”, que tem o mesmo significado da Iniciação à Vida Cristã.

 

[2] è Atenção: A Dimensão da Catequese Ampliada passa a chamar-se DIMENSÃO DA INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ. Não é simples troca de nome. É uma mudança de postura, que destrói o isolamento entre equipes catequéticas. É preciso que a Paróquia – todas as pastorais – atue com consciência no projeto da Iniciação à Vida Cristã.

[3] Na Paróquia de Santo Antonio e Nsra. Aparecida a Guadalupe é a coordenadora.

[4] Para a inscrição no processo catecumenal, atentar para as seguintes orientações:

  • Aqueles que já foram batizados, com entrega dos documentos: Certidão de Batismo; Certidão de Nascimento; comprovante de Residência, uma foto ¾.
  • A Inscrição daqueles que foram batizados, mas não têm facilidade de conseguir a certidão: Necessário o testemunho de alguém que presenciou o batismo (pode ser pai, mãe, padrinho, madrinha ou de quem esteve presente na celebração batismal). Também devem entregar a Certidão de Nascimento; comprovante de Residência, uma foto ¾.
  • Os que não foram batizados, na inscrição, se menores de 14 anos, serão inscritos no processo catecumenal da 1ª e 2ª Etapas da catequese Eucarística. Os maiores de 14 anos serão inscritos no processo catecumenal da catequese Crismal. Tanto os menores como os maiores de 14 anos receberão orientações especiais quanto ao batismo. Também devem entregar a Certidão de Nascimento; comprovante de Residência, uma foto ¾.
  • As pessoas acima de 20 anos serão inscritas no processo catecumenal da catequese para adultos. Se batizadas, deverão, conforme o caso, seguir as orientações dos itens ‘a”, “b” ou “c”.

[5] A Pré-Catequese, 1ª e 2ª Etapas para crianças terão um encontro só para eles. Da mesma forma a Catequese Crismal terá o seu momento de encontro, assim como a Catequese de Adultos. A separação é importante porque os futuros catecúmenos irão partilhar os motivos pelos quais pedem o sacramento que almejam receber. Será de bom proveito neste encontro que a Pastoral Familiar possa assessorar os momentos específicos para a reflexão com os pais dos futuros catecúmenos.

[6] No anexo 2 há uma bela reflexão teológica e catequética do encontro de Jesus com a Samaritana. Não deixe de ler.

[7] Nas celebrações com catecúmenos ou catequizandos adultos (já batizados), prefira-se o esquema da Liturgia da Palavra do Ano “A”, que valoriza o caráter batismal, especialmente no terceiro, quarto e quinto domingos da Quaresma.

 

[8]  DICAS QUE VALEM PARA TODAS AS EQUIPES:

Deve ser apresentado o itinerário da Iniciação à Vida Cristã para os pais e demais familiares daqueles que serão batizados. Essa é uma ótima oportunidade para reforçar a fé das famílias e integrá-las à comunidade. Tenha-se o cuidado de valorizar os casais, as mães e os pais como sujeitos ativos da catequese (…) De grande ajuda é a Catequese Familiar (Pastoral Familiar) enquanto método eficaz para formar os pais e jovens e torná-los conscientes de sua missão como evangelizadores da própria família.

 

[9] No Ato da Inscrição para o Batismo devem ser entregues os seguintes documentos:  certidão de nascimento da criança, cópia da identidade dos pais e dos padrinhos. Depois da ficha, é realizada uma entrevista com o sacerdote para sanar dúvidas dar as orientações necessárias.

 

[10] Os catequistas devem ajudar o catecúmeno a fazer a experiência dos símbolos e gestos celebrados. Não há como realizar esta tarefa senão ter a percepção de que a celebração também faz parte da catequese e isso é que amplia a educação para a Eucaristia para que se perceba que os sinais tão simples e tão humanos da liturgia não são apenas elementos deste mundo, mas, aos olhos da fé, também são realidades divinas.

[11]  A Catequese Crismal, embora tenha na maior parte dos seus membros adolescentes e jovens, também acolhe jovens, adultos e idosos. Por isso, não podemos considerar, a princípio, a Crisma como uma extensão da pastoral da juventude, muito embora a pastoral juvenil tenha que ter atenção aos jovens que se preparam para a Crisma.

[12] Obviamente que o Work Shop Pastoral terá como preocupação central a exposição de suas atividades para os crismandos, sem perder de vistas os outros catecúmenos.

[13] AMORIS LAETITIA n. 287

[14] Diretório Nacional da Catequese 241

[15] Poderemos ter casos nos quais o casal mora fora de Itatiba ou que vão se casar na semana seguinte. Não vamos criar conflitos. Para estas situações o certificado será entregue ao final do encontro.

[16]  AMORIS LAETITIA  307-312

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