DOCUMENTO 105 CNBB resumo em duas laudas fonte arial 12

PARA DIVULGAÇÃO AMPLA DO DOCUMENTO 105 CNBB  NO ANO DO LAICATO, EIS AQUI RESUMÃO EM DUAS LAUDAS FONTE ARIAL 12

Padre Tarcísio Spirandio – Paróquia Sto. Antonio e Nsra. Aparecida – Itatiba – SP. Diocese de Bragança Paulista – SP.

DOCUMENTO 105 CNBB – Cristãos leigos na igreja e na sociedade “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mateus 5,13-14)

APRESENTAÇÃO: O Documento 105, dividido em 03 capítulos, além da Introdução e conclusão, trata da vocação e missão do cristão leigo na Igreja e na Sociedade (Cap. 1). Considera a diversidade de carismas, serviços e ministérios na Igreja a partir da identidade vocacional dos cristãos leigos (Cap.2). Desta vocação, que deve receber  a devida formação, brota a ação do laicato para o anúncio da Boa Nova no mundo a fim de transformar a sociedade.

INTRODUÇÃO: A vocação própria dos leigos é atuar no mundo (ambientes da política, realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes), para levar o Reino de Deus. A partir da vocação específica, cristãos leigos vivem o seguimento de Jesus em todos os ambientes que frequentar, colaborando assim na construção de uma sociedade justa e solidária.

CAPÍTULO 1 – O CRISTÃO LEIGO, Sujeito na Igreja e no Mundo: Esperanças e Angústias: Sal da Terra e luz do mundo (Mateus 5,13-14): imagens usadas por Jesus são significativas se aplicadas aos cristãos leigos. Nem o sal, nem a luz, nem a Igreja e nenhum cristão vivem para si mesmos. No caso dos cristãos, somente surtirão o efeito da Boa Nova, se estiverem ligados a Jesus Cristo (João 15,18). O grande campo de ação dos cristãos é o mundo. A Igreja, através dos leigos, está dentro do mundo, não fora. O Papa Francisco destaca que a atuação voluntária dos leigos na obra evangelizadora revela a revolução da ternura; o prazer de ser povo e a nova consciência de que a vida de cada pessoa é uma missão. A Igreja vive neste mundo globalizado, interpelada a um permanente discernimento. Discernir significa aprender a separar as coisas positivas das negativas que fazem parte do mesmo modo da vida atual.

TENTAÇÕES DA MISSÃO: O desafio do cristão será sempre viver no mundo sem ser do mundo (Jo 17,15-16), vencendo as tentações: do pessimismo estéril; acomodação; isolamento; falta de valorização dos leigos; falta de valorização da mulher; falta de valorização dos jovens e idosos.

IMPORTANTE SABER ISSO = A Igreja não é uma ilha de perfeitos, mas uma comunidade missionária seguidora de Jesus Cristo. Viver e atuar neste mundo globalizado implica mudança de mentalidade e de estruturas.  A Igreja, com as atitudes da escuta e diálogo, se insere no mundo como quem aprende e ensina, sabe dizer sim ao que é positivo e não ao que prejudica a dignidade humana. Assim a Igreja se insere no mundo com a atitude do serviço iluminado pela postura amorosa e serviçal presente na Santa Ceia.

CAPÍTULO 2: discípulos missionários e cidadãos do mundo: Os cristãos incorporados a Cristo pelo Batismo formam um só corpo (1 Coríntios 12,13; Efésios 4,5). Ungidos pela Crisma, na ação do Espírito Santo tornam-se defensores e difusores da fé. A Eucaristia une a todos na mesma fração do pão (1 Coríntios 10,17). E assim são chamados a serem os olhos, os ouvidos, as mãos, a boca, o coração de Cristo na Igreja e no mundo. Assim Cristo vive e age na Igreja, que é seu sacramento, sinal e instrumento (Efésios 1,22).

ÂMBITOS DE COMUNHÃO ECLESIAL E ATUAÇÃO DO LEIGO: Família, lugar não só da geração, mas também do acolhimento da vida que chega como um presente de Deus e santificam-se no cotidiano da família, Igreja doméstica.   A Paróquia e as Comunidades: são espaços para a vivência da unidade na diversidade, onde se celebram as reflexões bíblicas e as novenas ou encontros nos tempos fortes, os grupos de terço, as pastorais são formas concretas de comunhão e participação nas quais o cristão leigo atua como sujeito eclesial. As pequenas comunidades, como lembra o Documento de Aparecida no número 308, são ambientes propícios para escutar a Palavra de Deus, para viver a fraternidade, para animar na oração, para aprofundar processos de formação na fé e para fortalecer o exigente compromisso de ser apóstolo na sociedade hoje.

OS CONSELHOS PASTORAIS E OS CONSELHOS DE ASSUNTO ECONÔMICO: A ausência dos Conselhos Pastorais é reflexo da centralização da Igreja na figura do padre. A concordância entre o Conselho Econômico e o Conselho Pastoral contribui para que não aconteça o mau uso do dinheiro e a prática da corrupção na Igreja, mas transparência na prestação de contas.

AS ASSEMBLÉIAS E REUNIÕES PASTORAIS: Nas assembleias e reuniões pastorais aprende-se a ser Igreja. Nas assembleias temos oportunidade de ser Igreja comunidade, Igreja família, Igreja comunhão. Ciúmes, fofocas, manipulações, além de trazer divisões, agressões, brigas, causam fracasso pastoral.

O ESPÍRITO SANTO CAPACITA A TODOS NA IGREJA Permanecendo Igreja, como ramo na videira (João 15,5) o cristão leigo transita no ambiente eclesial (Igreja) ao mundo civil, para, a modo de sal, luz (Mateus 5,13-14) e fermento (Mateus 13,33; Lucas 20,21), somar com todos os cidadãos de boa vontade, na construção da cidadania plena para todos. Não é preciso sair da Igreja para ir ao mundo como não é preciso sair do mundo para entrar e viver na Igreja.

CAPÍTULO 3: A AÇÃO TRANSFORMADORA NA IGREJA E NO MUNDO: Antes de deixar este mundo, Jesus Cristo enviou seus discípulos em missão: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura” (Marcos 16,15).  Obedecendo a este mandato divino a Igreja é comunhão no amor, seguidora de Cristo e servidora da humanidade. Por isso a essência da Igreja é a missão, a Igreja é toda ela missionária.

IGREJA POBRE, PARA OS POBRES, COM OS POBRES: Quando olhamos os rostos dos que sofrem, do trabalhador desempregado, da mãe que perdeu o filho para o narcotráfico, da criança explorada, quando recordamos estes rostos e nomes, estremecem nossas entranhas diante de tanto sofrimento e comovemo-nos. Vemos neles a face do Cristo sofredor (Mateus 25,33ss).

Igreja do serviço, escuta, e diálogo: Um desafio para os cristãos leigos é superar as divisões (Atos 2,42-45;4,32-35), praticando as bem-aventuranças do Reino: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8,34).

ESPIRITUALIDADE DA COMUNHÃO E MISSÃO: Em sua inserção no mundo, os cristãos leigos são convidados a viver a espiritualidade de comunhão e missão, comprovada no esforço e na prática da misericórdia, do perdão da reconciliação e da fraternidade, até o amor aos inimigos. Sem a espiritualidade de comunhão e missão caímos nas “máscaras de comunhão” e damos espaço ao terrorismo da fofoca, às suspeitas, ciúmes, invejas que são sentimentos e atitudes destrutivas.

O MUNDANISMO ESPIRITUAL: Uma forma de mundanismo espiritual, segundo o Papa Francisco, consiste em só confiar nas próprias forças e se sentir superior aos outros por ser fiel a certo estilo católico, próprio do passado. O mundanismo espiritual atinge tanto a liturgia como a militância social: 1- há uma pretensão de dominar o espaço da Igreja com um cuidado exibicionista da liturgia; 2- por outro lado, o mundanismo espiritual se esconde atrás do fascínio de poder mostrar conquistas sociais e políticas.

A Igreja existe para o Reino de Deus: Dessa convicção ela se nutre e nessa direção se organiza em suas estruturas. Pela força do Espírito a ação da Igreja é direcionada para fora de si mesma como servidora do ser humano, buscando a transformação da sociedade através das graças do Reino de Deus. A partir da Eucaristia nasce a coragem profética. Não podemos ficar insensíveis diante dos processos de globalização que faz crescer a distância entre ricos e pobres. É impossível calar diante dos grandes campos de deslocados ou refugiados, amontoados em condições precárias. Basta dizer que menos da metade das somas globalmente destinadas a armamentos poderia tirar de modo estável da indigência o exército ilimitado dos pobres. Isso interpela a nossa consciência.

CONCLUSÃO: Incentivamos os irmãos leigos a acreditarem na própria vocação, como sujeitos de uma missão específica. Reconhecemos o direito e a autonomia das diferentes formas de organização e articulação do laicato expressos nos documentos do Vaticano II. Conclamamos, de modo especial, os irmãos e irmãs religiosos e religiosas e a todos os consagrados e consagradas, que buscam viver na alegria seus votos de castidade, pobreza e obediência, a manter viva, também nos irmãos leigos e leigas, a consciência do valor das coisas que passam, sem descuidar dos bens que não passam. Pedimos aos irmãos diáconos permanentes que, em sua maioria, vivem a realidade do matrimônio e do trabalho, que se dediquem a todos os cristãos leigos e leigas e às famílias, motivados pela graça de terem recebido os sacramentos do Matrimônio e da Ordem. Incentivamos e encorajamos os irmãos presbíteros, indispensáveis colaboradores dos bispos, a serem cada vez mais amigos dos irmãos leigos e leigas. Como bispos nos propomos a acolher cada vez mais com coração fraterno a todos os cristãos leigos e leigas, valorizando sua atuação na Igreja e no mundo, ouvindo suas opiniões e sugestões, confiando-lhes responsabilidades e ministérios. Pedimos a Maria, mãe da Igreja, cheia de fé e de graça, totalmente consagrada ao Senhor, exemplo de mulher solícita e laboriosa, que acompanhe a todos os leigos e leigas, seus filhos e filhas, em cada dia da vida. Sob sua maternal proteção ecoem em nossos corações as suas palavras: “Fazei tudo o que ele vos disser” (João 2,5).

 

Anúncios