O MISTÉRIO DAS ROSAS BRANCAS


O MISTÉRIO DAS ROSAS BRANCAS

     Não era algo esperado para já.  Sua morte, por conta das muitas doenças, era prevista, mas a esperança alimentava os corações  com a certeza de que teria ainda alguns anos pela frente.  Após um mal súbito, uma dor forte no peito, ela desmaiou.  Levada para o hospital, foi imediatamente internada na Unidade de Tratamento Intensivo. A  família podia vê-la apenas alguns minutos por dia, sem que vissem da enferma nenhuma reação. Era um corpo inerte na cama, rodeado por luzes, enfermeiras e envazado por tubos.

        Alguns dias antes do mal súbito  havia sonhado que estava num carro cheio de luzes que tocava uma música de apenas duas notas. Contou este sonho para os filhos e o marido. Ninguém soube interpretar o  que significavam tais imagens.  Na saída da UTI, uma das filhas relembrou o sonho.

       – Era da ambulância que ela falava, disse a filha

       O marido ouviu quieto. Sim, pensou, era a ambulância com as luzes vermelhas e o som tocando alto…

       Outro filho lembrou-se de um sonho que Amélia tivera muito tempo atrás. Sonhara que fazia uma viagem sozinha, para um lugar desconhecido. Estava com medo. Porém, três semanas após ter chegado ao destino da viagem, a família inteira viera ao seu encontro e nunca mais se separaram.

       Todos começaram a tentar decifrar o sonho da viagem. O que seria?

      Enquanto ainda conjecturavam acerca da viagem fictícia, uma das enfermeiras veio ao encontro da família de Amélia

      – Infelizmente tenho que informá-los que ela morreu

     – Foi um baque! Todos choravam copiosamente. E nem mais se lembravam do sonho da viagem. Providenciaram o velório e o enterro. No dia seguinte ao féretro, uma das filhas procurou o pai à noite, e lhe disse:

       – Pai, o sonho da ambulância se realizou. E aquele da viagem?  Será que daqui três semanas iremos todos morrer?

       – Minha filha, é hora de dormir… Vamos deixar esta conversa para amanhã…

       Mas quem disse que o esposo de Amélia dormiu? Era um assunto sério.

       Após três semanas, uma coisa aconteceu. Uma velha tia veio visitá-los e tinha um pedido muito estranho a fazer.

      – Meus sobrinhos, preciso que vocês venham comigo até minha casa. Há algo lá que pertencia a Amélia.

       Imediatamente pai e filhos a acompanharam.

      Na frente da casa da tia havia um bonito jardim

. A velha senhora disse para os parentes enlutados:

– Aqui, nesta terra deste jardim, Amélia plantou certa vez uma muda de rosas brancas. Acontece que o galinho da flor murchou e morreu. No dia do falecimento dela, antes mesmo de saber da notícia, vi um pedacinho de verde neste local. E agora, após três semanas, vejam a linda rosa branca que desabrochou… Creio que é um sinal…

        Era de fato um sinal. Amélia queria novamente desabrochar na vida de todos. E não queria ser lembrada como a mulher na UTI ou dentro do caixão.

        Há pessoas que sepultam seus entes queridos duas vezes. Enterram o corpo e a história, pois só se lembram dos momentos da doença ou do velório. Amélia queria, a partir daquele momento, ser lembrada como a Rosa que perfumou a vida de todos durante todos os anos que com eles conviveu.

        Misteriosamente as rosas brancas continuaram a florir e até hoje há sempre uma delas  colocada num vaso sobre a mesa central da sala da família de Amélia. Quando uma murcha, logo outra é colhida e depositada ali.

 

 

 

 

 

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