Homenagem a José Eugênio- meu irmão que será avô


Meu irmão  José Eugênio, que gostava muito de tocar violão e cantar, faleceu em 2015. Foi sempre um guerreiro. Às vezes perdia a batalha para o vício do álcool. Mas, conseguiu vencer esta batalha e teve muitas alegrias com a família. Minha cunhada sofre por ele não estar por aqui para receber mais dois netos que virão. Para ela não chorar mais, escrevi o texto abaixo.
Havia um menino tímido que conseguiu mais que a timidez lhe permitiria. Fez do violão um meio para superar a barreira do silêncio e soltar sentimentos. Cantando encantava. Mas ele próprio ficava assustado com o que o canto mostrava. Havia coisas no coração que não compreendia. Quem o ajudava nestes mistérios era a pessoa que ele um dia encantara com a voz.
A ajuda vinha por palavras e pela atitude de querer ser uma corda no seu violão. Outras cordas vieram. Não era mais um simples violão. A base das cordas agora era a família. As tarrachas para afinar eram o diálogo para as cordas grossas e a sinceridade as finas. Tendo dificuldade para usar estas tarrachas, durante um tempo a música desafinou. As cordas, que eram três sofriam com a música desafinada e sem ritmo.
Depois de um tempo juntou-se ao instrumento outra corda (o genro). Insistiu em afinar as cordas do seu jeito. Algumas ficavam apertadas e outras soltas. Foi somente com a chegada de uma corda nova é que aprendeu a afinar. Viu que a base delas, a família, somente ecoaria o som se ele respeitasse o jeito de cada uma. Aprendeu isso com a nova corda chamada neto. Aprendeu que para tocar certo precisava brincar com as cordas, de um jeito certo. Antes ele brincava sozinho. Com a corda neto ele aprendeu a tocar todas as cordas e a afina-las com o diálogo e a sinceridade.
E vieram mais cordas (outro genro, mais um neto e uma neta)
Era um lindo violão de oito cordas, todas afinadas. Ele se tornou um instrumentista exemplar.
Hoje ao seu instrumento juntou-se outras duas cordas. Não é mais um violão e sim uma harpa que ele toca. E não ecoa o som na terra e sim no céu, com os anjos. Francisca, o Eugênio não está ausente. Ele continua a tocar melodias. Algumas tristes, outras alegres. Mas será sempre ele a tocar a harpa das dez cordas. O mais importante é que com seus erros, ensinou-nos a tocar certo. E com seus acertos ensinou-nos a tocar com a alma
Abraço Tarcisio

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