VIDA ALÉM DA VIDA – uma linda história familiar na cidade de São José dos Cordeiros – PB – BRASIL


Uma pequena criança embalada em grandes sonhos. É assim que o pai, Antonio, e a mãe, Maria, conhecida como Mariazinha, receberam o bem vindo Airton.

No meio da primeira infância um baita susto: Airton foi visitado pela temível meningite.  Mariazinha e Antonio não eram pessoas que se deixavam vencer, não importando o tamanho do desafio a ser enfrentado. Marido e mulher, agora pai e mãe de Airton formavam com a pequena criança o trio invencível. Foi com a força dos três membros daquela família que todos se colocaram na luta contra a doença terrível. E venceram a primeira batalha.

A vitória foi coroada com a chegada de Andressa. Agora a família era formada por duas mulheres e dois homens. Não era mais o trio e sim o quarteto invencível.

Airton seguiu sua vida com as sequelas da doença, leves, mas que sempre foram enfrentadas com coragem pela família, que fez da fé, além dos médicos e dos remédios,   a maior aliada na luta pela vida do valente menino.

O pequeno cresceu, frequentou a escola e até aprendeu música com seu pai, maestro da banda da pequena cidade que tem um nome diferente: São José dos Cordeiros.  Andressa, a irmã, cuidava do irmão com um carinho enorme e se orgulhava de vê-lo desfilando pelas ruas executando músicas, sempre orientado pelo pai, o maestro. Os olhos da mãe, Mariazinha, brilhavam ao ver o infante guerreiro enfrentando tudo com muita fé e, principalmente, amor pela vida.

Porém, aos vinte e um anos Airton recebeu outra visita, que não avisa quando chega: a morte. Não há guerreiro forte o suficiente que possa enfrentá-la e vencê-la na primeira batalha.  Quando a ceifadora da vida chega, o mais corajoso dos homens chora. É preciso dizer que a guerra contra a morte tem várias batalhas. E assim foi com o quarteto invencível de São José dos Cordeiros. No primeiro confronto, a morte levantou os braços bradando a sua vitória. Mas esta festa foi temporária.

Havia algo maior que a dor do falecimento de Airton presente no coração daquela família. A fé sempre esteve presente na vida familiar e foi ela  que deu para eles as forças para enfrentarem a segunda batalha contra a morte. Foi assim que  encontraram o sentido da vida de Airton para todos. Assim conseguiram ir para além do túmulo. Saíram do velório. A morte não se tornaria carcereira daquela família na prisão da tristeza.

Há famílias que não saem do velório. Choram copiosamente uma vida inteira pela morte de um ente querido. Não percebem que assim agindo entregam a vitória final para a morte. Não conseguem mais lembrar do falecido enquanto vivo, cantando, vivendo e lutando junto com todos pela vida. Sempre que se lembram daquele ou daquela que faleceu, logo trazem para a memória os momentos finais no hospital, o local do acidente e coroam estas lembranças com os momentos amargos do velório e do sepultamento. E assim se tornam prisioneiros da morte na cadeia da tristeza,s cujas grades são feitas com os sentimentos da revolta que são envolvidas pela falta da fé.

Antonio, o pai, Mariazinha, a mãe e Andressa, a irmã, não eram pessoas derrotadas e não se deixariam ser aprisionados pela morte. O corajoso Airton não nasceu para entristecê-los e sim para lhes ensinar a lutar pela vida.

Foi assim que Antonio, pai e maestro, que coordenava os músicos da banda, agora se tornara o regente da música do amor. Nos seus ombros as duas mulheres da família, Mariazinha, a mãe e Andressa, a irmã, encontraram aconchego para sustentar a dor que sentiam. E aprenderam com Antonio a também executarem a música da esperança.

Uma certeza aquela família tinha: ninguém, nem a morte, separariam o quarteto invencível. Antonio continua a reger a banda e no milagre do amor paterno sempre sente a presença de Airton entre os músicos. Não é presença física, que não existe mais. É Airton presente na vida de Antonio através da música do amor à vida que o filho lhe ensinou.

Andressa, a irmã, escolheu o trabalho com a juventude para perpetuar a força do irmão lutador. Ela sente que vários jovens, que nunca enfrentaram grandes lutas, vivem tristes, isolados e alguns até mesmo com sintomas de depressão. A irmã de Airton sabe que o problema destes rapazes e moças é não terem uma família que esteja ao lado deles para lutarem juntos pela vida.

Mariazinha, a mãe, no começo sentiu o colo vazio. Os braços maternais que carregaram o corpo frágil de Airton anos atrás, ferido pela doença, sentem a falta do cheiro, do sorriso e da valentia do filho querido. Mas ela também tem forças para preencher o vazio do colo de mãe com a disposição em ajudar outras mães que sofrem.

Quando temos ao lado mães e pais guerreiros, irmãos e irmãs que se tornam anjos uns dos outros, não existem problemas que possam derrotar a delícia da vida. Airton não está mais presente no corpo fragilizado pela meningite. Agora sua presença se faz pela força espiritual que envolve o valente e inseparável quarteto invencível.

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