SÍNODO DA JUVENTUDE 2018 – texto preparatório

SÍNODO DOS BISPOS   XV ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

Os jovens, a fé e o discernimento vocacional     OCUMENTO PREPARATÓRIO

«Eu disse-vos estas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa» (Jo 15, 11): eis o projeto de Deus para os homens e as mulheres de todos os tempos e, portanto, também para todos os jovens e as jovens do terceiro milénio, sem excluir ninguém.

 

Anunciar a alegria do Evangelho (Evangelii gaudium e Amoris laetitia  destacam esta perspectiva do anúncio) é o caminho da missão que o Senhor confiou à sua Igreja. Em continuidade com este caminho, através de um novo percurso sinodal sobre o tema: «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional», a Igreja decidiu interrogar-se sobre o modo de acompanhar os jovens a reconhecer e a acolher a chamada ao amor e a vida em plenitude, e também pedir aos próprios jovens que a ajudem a identificar as modalidades hoje mais eficazes para anunciar a Boa Notícia. Através dos jovens, a Igreja poderá ouvir a voz do Senhor que ressoa inclusive nos dias de hoje. Assim como outrora Samuel (cf. 1 Sm 3, 121)e Jeremias (cf. Jr 1, 410), existem jovens que sabem vislumbrar aqueles sinais do nosso tempo, apontados pelo Espírito. Ouvindo as suas aspirações, podemos entrever o mundo de amanhã que vem ao nosso encontro e os caminhos que a Igreja é chamada a percorrer.

Para cada um a vocação ao amor adquire uma forma concreta na vida quotidiana, através de uma série de escolhas que estruturam a condição de vida (casamento, ministério ordenado, vida consagrada, etc.), a profissão, as modalidades de compromisso social e político, o estilo de vida, a gestão do tempo e do dinheiro, etc. Assumidas ou incorridas, conscientes ou inconscientes, se trata de escolhas das quais ninguém se pode eximir. A finalidade do discernimento vocacional consiste em descobrir como as transformar, à luz da fé, em passos rumo à plenitude da alegria à qual todos nós somos chamados.

A Igreja está consciente de que possui «o que constitui a força e o encanto dos jovens: a faculdade de se alegrar com o que começa, de se dar sem nada exigir, de se renovar e de partir para novas conquistas»

(Mensagem do Concílio Vaticano II aos jovens, 8 de dezembro de 1965); as riquezas da sua tradição espiritual oferecem muitos instrumentos com os quais acompanhar o amadurecimento da consciência e de uma liberdade autêntica.

Nesta perspectiva, com o presente Documento preparatório tem início a fase da consulta de todo o Povo de Deus. O Documento – dirigido aos Sínodos dos Bispos e aos Conselhos dos Hierarcas das Igrejas Orientais Católicas, às Conferências Episcopais, aos Dicastérios da Cúria Romana e à União dos Superiores Gerais – termina com um questionário. Além disso, está prevista uma consulta de todos os jovens através de um site da Internet, com um questionário sobre as suas expectativas e a sua vida. As respostas aos dois questionários constituirão a base para a redação do Documento de trabalho, ou Instrumentum laboris, que será o ponto de referência para o debate dos Padres sinodais.

Este Documento preparatório propõe uma reflexão subdividida em três passos. Começa se delineando resumidamente algumas dinâmicas sociais e culturais do mundo em que os jovens crescem e tomam as suas decisões, para propor uma sua leitura de fé. Depois, percorrem-se de novo as passagens fundamentais do processo de discernimento, o qual constitui o principal instrumento que a Igreja deseja oferecer aos jovens para descobrir a própria vocação, à luz da fé. Finalmente, salientam-se os pontos fundamentais de uma pastoral juvenil vocacional. Por conseguinte, não se trata de um documento completo, mas de uma espécie de mapa que tenciona incentivar uma procura cujos frutos somente estarão disponíveis no final do caminho sinodal.

 

NOS PASSOS DO DISCÍPULO AMADO

Como inspiração para o percurso que começa, oferecemos um ícone evangélico: o apóstolo João. Na leitura tradicional do quarto Evangelho ele é tanto a figura exemplar do jovem que decide seguir Jesus, como «o discípulo a quem Jesus amava»(Jo 13,23;19,26;21, 7).

Fixando o olhar sobre Jesus que passava, [João Batista] disse: “Eis o Cordeiro de Deus!”. Os dois discípulos ouviram Jesus falar e seguiram-no. Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: “O que procurais?”. Responderam-lhe: “Rabi – que quer dizer Mestre – onde moras?”. Retorquiu-lhes: “Vinde e vede”. Foram então e viram onde morava, e naquele dia ficaram com Ele; eram aproximadamente quatro da tarde» (Jo 1, 3639).

Na busca do sentido a dar à própria vida, dois discípulos de João Batista ouvem Jesus dirigir-lhes uma pergunta: «O que procurais?». À sua réplica: «Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?», segue-se a Resposta convite do Senhor: «Vinde e vede» (vv. 3839).

Jesus chama-os a um percurso interior e, ao mesmo tempo, a uma disponibilidade a colocar-se concretamente em movimento, sem saber bem onde é que isto os levará. Será um encontro memorável, a tal ponto que se recorda da hora em que teve lugar (v.39).

Graças à coragem de ir e ver, os discípulos experimentarão a amizade fiel de Cristo e poderão viver diariamente com Ele, fazer-se interrogar e inspirar pelas suas palavras, deixar-se tocar e comover pelos seus gestos.

João, em particular, será chamado a ser testemunha da Paixão e Ressurreição do seu Mestre. Na última ceia (cf. Jo 13, 21-29), a sua intimidade com Ele levá-lo-á a apoiar a cabeça no peito de Jesus e a confiar-se à sua palavra. Conduzindo Simão Pedro até à casa do sumo sacerdote, enfrentará a noite da provação e da solidão (cf. Jo 18, 13-27). Ao pé da cruz abraçará a profunda dor da Mãe, a quem será confiado, assumindo a responsabilidade de cuidar dela (cf. Jo 19, 2527).

Na manhã de Páscoa, compartilhará com Pedro a corrida impetuosa e cheia de esperança rumo ao sepulcro vazio (cf. Jo 20, 110).

Finalmente, durante a pesca extraordinária no lago de Tiberíades (cf. Jo 21, 114), reconhecerá o Ressuscitado e dará testemunho disto diante da comunidade.

A figura de João pode ajudar-nos a compreender a experiência vocacional como um progressivo processo de discernimento interior e de amadurecimento da fé, que leva a descobrir a alegria do amor e a vida em plenitude no dom de si e na participação no anúncio da Boa Notícia.

 

OS JOVENS NO MUNDO DE HOJE

Este capítulo não traça uma análise completa da sociedade e do mundo juvenil, mas tem alguns resultados de sondagens em âmbito social, úteis para abordar o tema do discernimento vocacional, de forma a «deixar-se tocar por ela em profundidade e dar uma base concreta ao percurso ético e espiritual seguido» (Laudato Si’, 15).

O quadro, traçado a nível planetário, deverá ser adaptado à realidade das circunstâncias específicas de cada região: não obstante a existência de tendências globais, as diferenças entre as várias áreas do planeta permanecem relevantes. Sob muitos aspetos, é correto afirmar que existe uma pluralidade de mundos juvenis, e não apenas um. Entre as numerosas diferenças, algumas sobressaem com particular evidência.

A primeira é o efeito das dinâmicas demográficas e separa os países com elevada taxa de natalidade, em que os jovens representam uma porção significativa e crescente da população, daqueles onde o seu peso demográfico se vai reduzindo. Uma segunda diferença deriva da história, que distingue os países e os continentes de antiga tradição cristã, cuja cultura é portadora de uma memória que não pode ser perdida, dos países e continentes cuja cultura é, ao contrário, marcada por outras tradições e onde o cristianismo constitui uma presença minoritária e com frequência recente. Finalmente, não podemos esquecer a diferença entre os géneros masculino e feminino: por um lado, ela determina uma sensibilidade diferente e, por outro, é origem de formas de domínio, exclusão e discriminação das quais todas as sociedades têm necessidade de se libertar.

Nas páginas que seguem, o termo «jovens» indica as pessoas de aproximadamente 16 a 29 anos de idade, com a consciência de que também este elemento deve ser adaptado às circunstâncias locais. De qualquer maneira, é bom recordar que a juventude, mais do que identificar uma categoria de pessoas, é uma fase da vida que cada geração volta a interpretar de modo singular e irrepetivel.

 

  1. Um mundo que se transforma rapidamente

A velocidade dos processos de mudança e de transformação é a principal particularidade que caracteriza as sociedades e as culturas contemporâneas (cf. Laudato Si’, 18). A combinação entre elevada complexidade e rápida mudança faz com que nos encontremos num contexto de fluidez e de incerteza jamais experimentado precedentemente: é uma realidade que devemos aceitar sem julgar a priori, se se trata de um problema ou de uma oportunidade. Esta situação exige que se assuma um olhar integral e que se adquira a capacidade de programar a longo prazo, prestando atenção à sustentabilidade e às consequências das escolhas de hoje em tempos e lugares remotos.

O aumento da incerteza reflete-se sobre a condição de vulnerabilidade, ou seja, a combinação entre mal estar social e dificuldade econômica, e sobre as experiências de insegurança de amplas camadas da população. No que diz respeito ao mundo do trabalho, podemos pensar nos fenômenos do desemprego, do aumento da flexibilidade e da exploração, sobretudo de menores, ou então no conjunto de causas políticas, econômicas, sociais e até ambientais, que explicam o aumento exponencial do número de refugiados e migrantes. Face a poucos privilegiados que podem beneficiar das oportunidades oferecidas pelos processos de globalização econômica, muitos vivem em situações de vulnerabilidade e de insegurança, o que tem um impacto sobre os seus itinerários de vida e sobre as suas escolhas.

A nível global, o mundo contemporâneo é marcado por uma cultura «cientificista», muitas vezes dominada pela técnica e pelas infinitas possibilidades que ela promete abrir, mas em cujo âmbito «parecem multiplicar-se as formas de tristeza e solidão em que caem as pessoas, incluindo muitos jovens» (Misericordia et misera, 3). Como ensina a encíclica Laudato Si’, o enredo entre paradigma tecnocrático e busca frenética do lucro a curto prazo está na origem daquela cultura do descartável que exclui milhões de pessoas, entre as quais numerosos jovens, e que leva à exploração indiscriminada dos recursos naturais e à degradação do meio ambiente, ameaçando o futuro das próximas gerações (cf. nn. 20-22).

Além disso, não podemos esquecer que muitas sociedades se tornam cada vez mais multiculturais e multi religiosas. Em particular, a presença simultânea de diversas tradições religiosas representa um desafio e uma oportunidade: podem aumentar a desorientação e a tentação do relativismo, mas, ao mesmo tempo, crescem as possibilidades de confronto fecundo e de enriquecimento recíproco. Aos olhos da fé, parece que este é um sinal do nosso tempo, o qual exige um crescimento na cultura da escuta, do respeito e do diálogo.

 

  1. As novas gerações

Quem é jovem hoje? Vive a própria condição num mundo diferente daquele da geração dos seus pais e dos seus educadores? Não apenas o sistema de vínculos e oportunidades muda com as transformações econômicas e sociais, mas de forma subjacente alteram-se também os desejos, as necessidades, as sensibilidades e o modo de se relacionar com os outros. Além disso, se sob um certo ponto de vista é verdade que com a globalização os jovens tendem a ser cada vez mais homogêneos em todas as partes do mundo, contudo nos contextos locais subsistem peculiaridades culturais e institucionais que têm repercussões no processo de socialização e de construção da identidade.

O desafio da multiculturalidade atravessa de maneira particular o mundo juvenil, por exemplo com as peculiaridades das «segundas gerações» (ou seja, daqueles jovens que crescem numa sociedade e numa cultura diferentes daquelas dos seus pais, em virtude dos fenómenos migratórios), ou dos filhos de casais de certa forma «mistos» (sob os pontos de vista étnico, cultural e/ou religioso).

Em muitas partes do mundo, os jovens experimentam condições particularmente árduas, em cujo âmbito se torna difícil criar o espaço para escolhas de vida autênticas, na ausência de margens até mínimas de exercício da liberdade. Pensemos nos jovens em situações de pobreza e exclusão; naqueles que crescem sem pais nem família, ou então em quantos não têm a possibilidade de ir à escola; nas crianças e nos meninos de rua de numerosas periferias; nos jovens desempregados, deslocados e migrantes; naqueles que são vítimas de exploração, tráfico e escravidão; nas crianças e nos adolescentes recrutados à força em grupos criminosos ou milícias irregulares; nas noivas crianças ou nas jovens obrigadas a casar contra a sua própria vontade. No mundo demasiadas pessoas passam diretamente da infância para a idade adulta e para uma carga de responsabilidades que não puderam escolher. Muitas vezes as meninas, as adolescentes e as jovens devem enfrentar dificuldades ainda maiores do que as dos seus coetâneos.

Estudos realizados a nível internacional permitem identificar alguns traços característicos dos jovens do nosso tempo.

 

Pertença e participação

Os jovens não se sentem como uma categoria desfavorecida, nem como um grupo social que deve ser protegido e, por conseguinte, nem sequer como destinatários passivos de programas pastorais ou de escolhas políticas. Não poucos deles desejam ser parte ativa dos processos de mudança do presente, como confirmam aquelas experiências de ativação e inovação a partir de baixo, que veem os jovens como protagonistas principais, embora não únicos.

A disponibilidade à participação e à mobilização em ações concretas, nas quais a contribuição pessoal de cada um seja ocasião de reconhecimento da própria identidade, mistura-se com a intolerância em relação a ambientes em que os jovens sentem, justa ou injustamente, que não encontram espaço nem recebem estímulos; isto pode levar à renúncia ou à dificuldade de desejar, sonhar e projetar, como o demonstra a difusão do fenômeno NEET (not in education, employment or training, ou seja, dos jovens não comprometidos numa atividade de estudo, nem de trabalho e nem sequer de formação profissional). A discrepância entre os jovens passivos e desanimados, e aqueles empreendedores e vitais é o fruto das oportunidades concretamente oferecidas a cada um dentro do contexto social e familiar em que cresce, assim como das experiências de sentido, relação e valor feitas, inclusive antes do início da juventude. A falta de confiança em si mesmo e nas suas capacidades pode manifestar-se não somente na passividade,mas também numa preocupação exagerada com a própria imagem e num conformismo condescendente com as modas do momento.

 

 

Pontos de referência pessoais e institucionais

Várias pesquisas demonstram que os jovens sentem a necessidade de figuras de referência próximas, credíveis, coerentes e honestas, assim como de lugares e de ocasiões para pôr à prova a capacidade de se relacionar com os outros (tanto adultos como seus coetâneos) e para enfrentar as dinâmicas afetivas. Eles procuram figuras que sejam capazes de manifestar sintonia e oferecer apoio, encorajamento e ajuda a reconhecer os limites, sem fazer pesar o próprio juízo.

Deste ponto de vista, o papel dos pais e das famílias permanece crucial e às vezes problemático. Com frequência, as gerações mais maduras tendem a subestimar as potencialidades, põem em evidência as formas de fragilidade e têm dificuldade de compreender as exigências dos mais jovens. Pais e educadores adultos podem também ter em consideração os seus próprios erros e o que não gostariam que os jovens fizessem, mas muitas vezes também não sabem claramente como ajudá-los a orientar o seu olhar para o futuro. As duas reações mais comuns são a renúncia a fazer-se ouvir e a imposição das próprias escolhas.

Pais ausentes ou superprotetores tornam os filhos mais frágeis e tendem a subestimar os riscos ou a ser obcecados pelo medo de cometer erros. No entanto, os jovens não procuram apenas figuras de referência adultas: é forte o seu desejo de confronto aberto entre pares. Tendo em vista esta finalidade, é grande a necessidade de ocasiões de interação livre, de expressão afetiva, de aprendizagem informal, de experimentação de funções e de habilidades, sem tensão nem ansiedade.

Tendencialmente cautelosos com aqueles que se encontram fora do círculo das relações pessoais, muitas vezes os jovens alimentam desconfiança, indiferença ou até indignação pelas instituições. Isto não diz respeito unicamente à política, mas refere-se cada vez mais às instituições de formação e à Igreja, no seu aspeto institucional. Gostariam que ela estivesse mais próxima do povo e fosse mais atenta aos problemas sociais, mas não têm a certeza de que isto acontecerá de forma imediata.

Tudo isto se verifica num contexto em que a pertença confessional e a prática religiosa se tornam cada vez mais características de uma minoria, e os jovens não se colocam «contra», mas aprendem a viver «sem» o Deus apresentado pelo Evangelho e «sem» a Igreja, confiando ao contrário em formas de religiosidade e espiritualidade alternativas e pouco institucionalizadas, ou então refugiando-se em seitas ou experiências religiosas com uma forte matriz identitária. Em muitos lugares a presença da Igreja torna-se menos minuciosa e por isso é mais difícil encontrá-la, enquanto a cultura dominante é portadora de instâncias muitas vezes em contraste com os valores evangélicos, quer se trate de elementos da própria tradição, quer da declinação local de uma globalização de tipo consumista e individualista.

Rumo a uma geração hiperconectada

Hoje as jovens gerações são caracterizadas pela relação com as modernas tecnologias da comunicação e com aquilo que normalmente é chamado o «mundo virtual», mas que também tem efeitos muito reais. Ele oferece possibilidades de acesso a uma série de oportunidades que as gerações precedentes não tinham, e ao mesmo tempo apresenta riscos. No entanto, é de grande importância que se preste atenção ao modo como a experiência de relações tecnologicamente mediadas estrutura o conceito do mundo, da realidade e das relações interpessoais, e é com isto que é chamada a medir-se a ação pastoral, que tem necessidade de desenvolver uma cultura adequada.

  1. Os jovens e as escolhas

No contexto de fluidez e de precariedade que pudemos delinear, a transição para a vida adulta e a construção da identidade exigem cada vez mais um percurso «reflexivo». As pessoas são forçadas a readaptar os seus percursos de vida e a voltar a apropriar-se continuamente das próprias escolhas. Além disso, juntamente com a cultura ocidental difunde-se um conceito de liberdade entendida como possibilidade de aceder a oportunidades sempre novas. Não se aceita que construir um percurso de vida pessoal significa renunciar a trilhar caminhos diferentes no futuro: «Hoje escolho este, amanhã veremos». Tanto nas relações afetivas como no mundo do trabalho, o horizonte compõe-se mais de opções sempre reversíveis do que de escolhas definitivas.

Neste contexto, as antigas abordagens não funcionam mais e a experiência transmitida pelas gerações precedentes torna-se rapidamente obsoleta. Oportunidades válidas e riscos insidiosos entrelaçam-se num enredo não facilmente solúvel. Tornam-se indispensáveis instrumentos culturais, sociais e espirituais adequados, a fim de que os mecanismos do processo decisório não se bloqueiem e de que, talvez por medo de errar, não se acabe por se submeter à mudança em vez de orientá-la. Eis quanto disse o Papa Francisco: «“Como podemos despertar a grandeza e a coragem de escolhas de amplo alcance, de impulsos de coração para enfrentar desafios educativos e afetivos?”. Já repeti muitas vezes: arrisca!  Arrisca! Quem não arrisca não caminha. “Mas se eu errar?”. Bendito o Senhor! Errarás mais se permaneceres parado, parada» (Discurso na Villa Nazareth, 18 de junho de 2016).

Na busca de percursos capazes de despertar a coragem e os impulsos do coração, não podemos deixar de ter em consideração que a pessoa de Jesus e a Boa Notícia por Ele proclamada continuam a fascinar muitos jovens.

A capacidade que os jovens têm de escolher é impedida por dificuldades ligadas à condição de precariedade: a luta para encontrar um trabalho ou a falta dramática do mesmo; os obstáculos na construção de uma autonomia econômica; a impossibilidade de estabilizar o próprio percurso profissional. Normalmente, para as mulheres jovens, estes obstáculos são ainda mais árduos de superar.

A dificuldade econômica e social das famílias, o modo como os jovens adquirem alguns traços da cultura contemporânea e o impacto das novas tecnologias exigem uma maior capacidade de enfrentar o desafio educacional no seu significado mais amplo: esta é a emergência educativa evidenciada por Bento XVI na Carta à Cidade e à Diocese de Roma sobre a urgência da educação (21 de janeiro de 2008). A nível global, é necessário ter em consideração inclusive as desigualdades entre os países e o seu efeito sobre as oportunidades oferecidas aos jovens nas diferentes sociedades, em termos de inclusão. Também fatores culturais e religiosos podem gerar a exclusão, por exemplo, no que diz respeito às disparidades de gênero ou à discriminação contra as minorias étnicas ou religiosas, a ponto de impelir os jovens mais empreendedores à emigração.

Em tal contexto é urgente promover as capacidades pessoais, colocando-as ao serviço de um sólido projeto de crescimento comum. Os jovens apreciam a possibilidade de combinar a ação em projetos concretos, nos quais medir a própria capacidade de alcançar resultados, o exercício de um protagonismo destinado a melhorar o contexto em que vivem, a oportunidade de adquirir e aprimorar no campo competências úteis para a vida e o trabalho.

A inovação social exprime um protagonismo positivo que inverte a condição das novas gerações: de perdedores que pedem proteção contra os riscos da mudança, para protagonistas da transformação, capazes de criar novas oportunidades. É significativo que exatamente os jovens – com frequência fechados no estereótipo da passividade e da inexperiência – proponham e pratiquem alternativas que mostram como o mundo ou a Igreja poderiam ser. Se quisermos que aconteça algo de novo na sociedade ou na comunidade cristã, devemos deixar espaço a fim de que pessoas mais jovens possam agir. Em outras palavras, projetar a mudança segundo os princípios da sustentabilidade exige que se permita às novas gerações experimentar um novo modelo de desenvolvimento. Isto é particularmente problemático naqueles países e âmbitos institucionais em que a idade de quantos ocupam lugares de responsabilidade é elevada, diminuindo os ritmos de renovação geracional.

 

II – FÉ, DISCERNIMENTO, VOCAÇÃO

Através do percurso deste Sínodo, a Igreja quer reiterar o seu desejo de encontrar, acompanhar e cuidar de cada jovem, sem exceção. Não podemos nem queremos abandoná-los às formas de solidão e de exclusão às quais o mundo os expõe. Que a sua vida seja uma boa experiência, que não se percam ao longo de caminhos de violência ou de morte, que a desilusão não os aprisione na alienação: tudo isto não pode deixar de ser uma forte solicitude de quantos foram gerados para a vida e para a fé, conscientes de ter recebido um grande dom.

Em virtude desta dádiva, sabemos que vir ao mundo significa encontrar a promessa de uma vida boa e que ser recebido e protegido é a experiência originária que inscreve em cada um a confiança de não ser abandonado à falta de sentido, nem à obscuridade da morte, e a esperança de poder manifestar a própria originalidade num percurso rumo à plenitude da vida.

A sabedoria da Igreja oriental ajuda- nos a descobrir como esta confiança está radicada na experiência de «3 nascimentos»: o nascimento natural, como mulher ou como homem, num mundo capaz de receber e promover a vida; o nascimento do batismo, «quando alguém se torna filho de Deus pela graça»; e depois um terceiro nascimento, quando se verifica a passagem «da forma de vida corporal para aquela espiritual», que abre ao exercício maduro da liberdade (cf. Discursos de Filoxeno de Mabug – século V, n. 9).

Oferecer a outros o dom que nós mesmos recebemos significa acompanhá-los ao longo deste percurso, ladeando-os na abordagem das próprias fragilidades e das dificuldades da vida, mas, sobretudo, fomentando as liberdades que ainda se forem constituindo. Em relação a tudo isto a Igreja, a começar pelos seus Pastores, é chamada a pôr-se em discussão e a descobrir de novo a sua vocação à atenção, com o estilo que o Papa Francisco recordou no início do seu pontificado: «O cuidar, o guardar, requer bondade, requer que seja praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas no seu íntimo sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos; antes, pelo contrário, denota fortaleza de espírito e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, capacidade de amor»(Homilia por ocasião do início do ministério petrino, 19/03/2013).

Nesta perspectiva, agora serão apresentadas algumas considerações em ordem a um acompanhamento dos jovens a partir da fé, à escuta da tradição da Igreja e com o claro objetivo de os assistir no seu discernimento vocacional e na assunção das opções fundamentais da vida, a partir da consciência da índole irreversível de algumas delas.

  1. Fé e vocação

Enquanto participação no modo de ver de Jesus (cf. Lumen fidei, 18), a fé é a fonte do discernimento vocacional, porque oferece os seus conteúdos fundamentais, as suas articulações específicas, o seu estilo singular e a pedagogia que lhe é própria. Receber este dom da graça com alegria e disponibilidade requer que ele se torne fecundo através de escolhas de vida concretas e coerentes.

«Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi e vos constituí para irdes e dardes fruto, e para que o vosso fruto permaneça. Foi assim que vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai, em meu nome, Ele vo-lo conceda. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros» (Jo 15,16-17).

Se a vocação à alegria do amor é o apelo fundamental que Deus inscreve no coração de cada jovem, a fim de que a sua experiência possa dar fruto, a fé é dom do alto e, ao mesmo tempo, resposta ao sentir-se escolhido e amado.

A fé «não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir uma grande chamada — a vocação ao amor — e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregarse a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que é mais forte do que toda a nossa fragilidade» ( Lumen fidei, 53). Esta fé «torna-se luz para iluminar todas as relações sociais», contribuindo para «construir a fraternidade universal» entre os homens e as mulheres de todos os tempos (ibid., 54).

A Bíblia apresenta numerosas narrações de vocação e de resposta de jovens. À luz da fé, eles tomam gradualmente consciência do projeto de amor apaixonado que Deus tem por cada um. É esta a intenção de cada ação de Deus, a partir da criação do mundo como lugar «bom», capaz de acolher a vida, e oferecido em forma de dom como urdidura de relações às quais confiar-se.

Acreditar significa colocar-se à escuta do Espírito e em diálogo com a Palavra, que é caminho, verdade e vida (cf. Jo 14, 6), com toda a própria inteligência e afetividade, aprender a dar-lhe confiança «encarnando-a» na realidade da vida quotidiana, nos momentos em que a cruz se faz próxima e naqueles em que se experimenta a alegria perante os sinais de ressurreição, precisamente como fez o «discípulo amado». É este o desafio que interpela a comunidade cristã e cada fiel em particular.

O espaço deste diálogo é a consciência. Como ensina o Concílio Vaticano II, ela «é o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual ele se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser» (Gaudium et spes, 16). Por conseguinte, a consciência é um espaço inviolável onde se manifesta o convite a aceitar uma promessa. Distinguir a voz do Espírito dos outros apelos e decidir que resposta dar é uma tarefa que compete a cada um: os outros podem acompanhá-lo e confirmá-lo, mas jamais substituí-lo.

A vida e a história ensinam-nos que para o ser humano nem sempre é fácil reconhecer a forma concreta daquela alegria para a qual Deus o chama e para a qual o seu desejo tende, muito menos agora, num contexto de mudança e de incerteza generalizada. Por vezes a pessoa deve lutar contra o desencorajamento ou contra a força de outros apegos, que a impedem na sua corrida rumo à plenitude: é a experiência de muitas pessoas, por exemplo, daquele jovem que dispunha de demasiadas riquezas para ser livre de aceitar o chamamento de Jesus e, por isso, foi embora triste e não repleto de alegria (cf. Mc 10, 17-22).

Não obstante tenha necessidade de ser sempre purificada e desimpedida, contudo a liberdade humana nunca perde totalmente a capacidade radical de reconhecer o bem e de o praticar: «Os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se, para além de qualquer condicionamento psicológico e social que lhes for imposto» (Laudato Si’, 205).

 

  1. O dom do discernimento

Tomar decisões e orientar as ações pessoais em situações de incerteza e perante impulsos interiores contrastantes é o âmbito do exercício do discernimento. Trata-se de um termo clássico da tradição da Igreja, que se aplica a uma pluralidade de situações. Com efeito, existe um discernimento dos sinais dos tempos, que aposta no reconhecimento da presença e da ação do Espírito na história; um discernimento moral, que distingue o que é bom daquilo que é mau; um discernimento espiritual, que se propõe reconhecer a tentação para a rejeitar e, ao contrário, proceder pelo caminho da plenitude da vida. As tramas entre estas diferentes interpretações são evidentes e nunca se conseguem desatar completamente.

Tendo isto em mente, concentremo-nos aqui no discernimento vocacional, ou seja, no processo com que a pessoa, em diálogo com o Senhor e à escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar por aquela sobre o estado de vida. Se a interrogação sobre o modo como não desperdiçar as oportunidades de realização pessoal diz respeito a todos os homens e mulheres, para o crente a pergunta torna-se ainda mais intensa e profunda. Como viver a Boa Notícia do Evangelho e responder ao chamamento que o Senhor dirige a todos aqueles dos quais vai ao encontro: através do casamento, do ministério ordenado, da vida consagrada? E qual é o campo em que se pode fazer frutificar os talentos pessoais: a vida profissional, o voluntariado, o serviço aos últimos, o compromisso na política?

O Espírito fala e age através dos acontecimentos da vida de cada um, mas os eventos em si mesmos são mudos ou ambíguos, uma vez que podem ser interpretados de diferentes modos. Iluminar o seu significado em ordem a uma decisão exige um percurso de discernimento. Os três verbos com que ele é descrito na Evangelii gaudium, 51 – reconhecer, interpretar, escolher – podem ajudar-nos a delinear um itinerário adequado tanto para os indivíduos como para os grupos e as comunidades, conscientes de que na prática os confins entre as diversas fases nunca são tão claros.

Reconhecer

O reconhecimento diz respeito antes de tudo aos efeitos que os acontecimentos da minha vida, as pessoas com as quais me encontro, as palavras que ouço ou que leio produzem na minha interioridade: uma variedade de «desejos, sentimentos, emoções» (Amoris laetitia, 143) de natureza muito diferente: tristeza, obscuridade, plenitude, medo, alegria, paz, sensação de vazio, ternura, raiva, esperança, tibieza, etc. Sinto-me atraído ou impelido numa pluralidade de direções, sem que nenhuma delas me pareça como aquela que claramente devo tomar; é o momento dos altos e baixos, e em certos casos de uma autêntica luta interior. Reconhecer requer que se traga à tona esta riqueza emocional e que se mencionem estas paixões, mas sem as julgar. Exige também que se sinta o «gosto» que elas deixam, ou seja, a consonância ou dissonância entre o que eu experimento e aquilo que existe de mais profundo em mim.

Nesta fase a Palavra de Deus reveste uma grande importância: com efeito, meditá-la põe em movimento as paixões, assim como todas as experiências de contacto com a própria interioridade, mas ao mesmo tempo oferece uma possibilidade de as fazer sobressair, identificando-se nas vicissitudes que ela narra. A fase do reconhecimento coloca no centro a capacidade de escuta e a afetividade da pessoa, sem se subtrair por medo ao cansaço do silêncio. Trata-se de uma passagem fundamental no percurso de amadurecimento pessoal, de maneira particular para os jovens que experimentam com maior intensidade o vigor dos desejos e podem sentir-se também assustados diante deles, talvez renunciando aos grandes passos para os quais contudo se sentem impelidos.

Interpretar

Não é suficiente reconhecer aquilo que nós experimentamos: é necessário «interpretá-lo » ou, em outras palavras, compreender para o que o Espírito nos chama através daquilo que suscita em cada um. Muitas vezes detemo-nos a narrar uma experiência, ressaltando que «ficamos deveras impressionados». Mais difícil é compreender a origem e o significado dos desejos e das emoções sentidas e avaliar se eles nos orientam numa direção construtiva ou, pelo contrário, se nos levam a fechar-nos em nós mesmos.

Esta fase de interpretação é muito delicada; exige paciência, vigilância e também uma certa aprendizagem. Devemos ter a capacidade de estar cientes dos efeitos dos condicionamentos sociais e psicológicos. Isto requer que se ponham em campo também as próprias faculdades intelectuais, contudo sem cair no risco de construir teorias abstratas sobre aquilo que seria bom ou bonito fazer: até no discernimento, «a realidade é superior à ideia» (Evangelii gaudium, 231). Na interpretação, não podemos nem sequer descuidar o confronto com a realidade e a consideração das possibilidades que objetivamente temos à disposição.

Para interpretar os desejos e os impulsos interiores é necessário confrontar-se honestamente, à luz da Palavra de Deus, também com as exigências morais da vida cristã, procurando inseri-las sempre na situação concreta de vida. Este esforço impele quem o envida a não se contentar com a lógica legalista do mínimo indispensável, procurando ao contrário o modo de valorizar da melhor maneira os dons pessoais e as próprias possibilidades: por isso, trata-se de uma proposta atraente e estimulante para os jovens.

Este trabalho de interpretação realiza-se num diálogo interior com o Senhor, com a ativação de todas as capacidades da pessoa; no entanto, a ajuda de um especialista na escuta do Espírito constitui um apoio inestimável, que a Igreja oferece e do qual é pouco prudente não lançar mão.

Escolher

Uma vez reconhecido e interpretado o mundo dos desejos e das paixões, o ato de decidir torna-se exercício de autêntica liberdade humana e de responsabilidade pessoal, obviamente sempre situadas e, portanto, limitadas. Por conseguinte, a escolha subtrai-se à força cega dos instintos, aos quais um certo relativismo contemporâneo acaba por atribuir o papel de critério último, aprisionando a pessoa na volubilidade. Ao mesmo tempo, liberta-se da sujeição a instâncias externas à pessoa e portanto heterónomas, exigindo igualmente uma coerência de vida.

Durante muito tempo, ao longo da história, as decisões fundamentais da vida não foram tomadas pelas partes diretamente interessadas; em certas regiões do mundo ainda é assim, como foi mencionado, inclusive no capítulo I. Promover escolhas verdadeiramente livres e responsáveis, despojando-se de toda a conivência com legados de outros tempos, permanece o objetivo de qualquer pastoral vocacional séria. O discernimento é o seu principal instrumento, que permite salvaguardar o espaço inviolável da consciência, sem pretender substituí-la (cf. Amoris laetitia, 37).

A decisão deve ser posta à prova dos acontecimentos, tendo em vista a sua confirmação. A escolha não pode permanecer prisioneira numa interioridade que corre o risco de permanecer virtual ou irrealista –trata-se de um perigo acentuado na cultura contemporânea – mas é chamada a traduzir-se em ação, a encarnar, a dar início a um percurso, aceitando o risco de se confrontar com aquela realidade que tinha posto em movimento desejos e emoções. Nesta fase surgirão outros ainda: reconhecê-los e interpretá-los permitirá confirmar a bondade da decisão tomada ou aconselhará a revê-la.

Por isso, é importante «sair» também do medo de errar que, como vimos, pode tornar-se paralisante.

  1. Percursos de vocação e missão

O discernimento vocacional não se completa com um único ato, não obstante na narração de cada vocação seja possível identificar momentos ou encontros decisivos. Como todas as realidades importantes da vida, também o discernimento vocacional é um processo longo, que se desenvolve ao longo do tempo, durante o qual é preciso continuar a velar sobre as indicações com as quais o Senhor determina e especifica uma vocação, que é primorosamente pessoal e irrepetível. O Senhor pediu a Abraão e Sara que partissem, mas foi somente num caminho progressivo e não sem passos falsos que se esclareceu qual era a inicialmente misteriosa «terra que Eu te mostrarei» (Gn 12, 1). A própria Maria progride na consciência da sua própria vocação através da meditação sobre as palavras que ouve e os eventos que lhe acontecem, inclusive aqueles que Ela não compreende (cf. Lc 2, 5051).

O tempo é fundamental para verificar a orientação efetiva da decisão tomada. Como ensina cada página do texto bíblico, não existe vocação que não seja ordenada para uma missão acolhida com temor ou com entusiasmo. Aceitar a missão implica a disponibilidade de arriscar a própria vida e percorrer o caminho da cruz, nos passos de Jesus que, com determinação, se pôs a caminho rumo a Jerusalém (cf. Lc 9, 51) para entregar a própria vida pela humanidade. Só se a pessoa renunciar a ocupar o centro da cena com as suas próprias necessidades é que se abrirá o espaço para receber o projeto de Deus sobre a vida familiar, o ministério ordenado ou a vida consagrada, assim como para desempenhar com rigor a própria profissão e buscar sinceramente o bem comum. Em particular nos lugares onde a cultura é mais profundamente marcada pelo individualismo, é necessário averiguar quanto as escolhas são ditadas pela própria autorrealização narcisista e, ao contrário, em que medida elas abrangem a disponibilidade a viver a existência pessoal na lógica do dom generoso de si mesmo. É por isso que o contacto com a pobreza, a vulnerabilidade e a carência revestem uma grande importância nos percursos de discernimento vocacional. No que se refere aos futuros pastores, é oportuno acima de tudo avaliar e promover o crescimento da disponibilidade a deixar-se impregnar pelo «cheiro de ovelhas».

  1. O acompanhamento

Na base do discernimento podemos encontrar 3 convicções, bem arraigadas na experiência de cada ser humano, relida à luz da fé e da tradição cristã. A 1ª é que o Espírito de Deus age no coração de cada homem e de cada mulher, através de sentimentos e desejos que se vinculam a ideias, imagens e projetos. Ouvindo com atenção, o ser humano tem a possibilidade de interpretar estes sinais. A 2ª convicção é que o coração humano, por causa da sua fragilidade e do seu pecado, se apresenta normalmente dividido porque atraído por apelos diversos ou até opostos entre si. A 3ª convicção é que, contudo, o percurso de vida obriga a decidir, porque não se pode permanecer infinitamente na indeterminação. No entanto, é preciso dispor dos instrumentos para reconhecer a chamada do Senhor para a alegria do amor e decidir dar-lhe uma resposta.

Entre estes instrumentos, a tradição espiritual põe em evidência a importância do acompanhamento pessoal. Para acompanhar outra pessoa, não é suficiente estudar a teoria do discernimento; é preciso viver na própria pele a experiência de interpretar os movimentos do coração para neles reconhecer a ação do Espírito, cuja voz sabe falar à singularidade de cada um. O acompanhamento pessoal requer que se aguce continuamente a própria sensibilidade à voz do Espírito, levando a descobrir nas peculiaridades pessoais um recurso e uma riqueza. Trata-se de favorecer a relação entre a pessoa e o Senhor, colaborando para remover aquilo que a impede.

Nisto consiste a diferença entre o acompanhamento em vista do discernimento e o apoio psicológico, que, no entanto, se permanecer aberto à transcendência, se revelará com frequência de importância fundamental. O psicólogo apoia uma pessoa em dificuldade, ajudando-a a tomar consciência das próprias fragilidades e potencialidades; o guia espiritual remete a pessoa ao Senhor e prepara o terreno para o encontro com Ele (cf. Jo 3, 2930).

Os trechos evangélicos que narram o encontro de Jesus com as pessoas do seu tempo põem em evidência alguns elementos que nos ajudam a traçar o perfil ideal de quem acompanha o jovem no discernimento vocacional: o olhar amoroso (a vocação dos primeiros discípulos, cf. Jo 1, 35-51); a palavra autorizada (o ensinamento na sinagoga de Cafarnaum, cf. Lc 4, 32); a capacidade de «se fazer próximo» (a parábola do bom samaritano, cf. Lc 10, 25-37); a escolha de «caminhar ao lado» (os discípulos de Emaús, cf. Lc 24, 13-35); e o testemunho de autenticidade, sem medo de ir contra os preconceitos mais difundidos (lava pés/última ceia, cf. Jo 13, 1-20).

No compromisso de acompanhamento das jovens gerações, a Igreja acolhe a sua chamada a colaborar para a alegria dos jovens, em vez de procurar apoderar-se da sua fé (cf. 2 Cor 1, 24). Em última instância, este serviço radica-se na oração e no pedido do dom do Espírito que guia e ilumina todos e cada um.

III – A AÇÃO PASTORAL

O que significa para a Igreja acompanhar os jovens e acolher a chamada para a alegria do Evangelho, sobretudo, numa época marcada pela incerteza, pela precariedade e pela insegurança?

A finalidade deste capítulo é pôr em foco o que comporta levar a sério o desafio do cuidado pastoral e do discernimento vocacional, tendo em consideração os protagonistas, os lugares e os instrumentos à disposição. Neste sentido, reconhecemos uma inclusão recíproca entre pastoral juvenil e pastoral vocacional, mas permanecemos conscientes das diferenças. Não se trata de uma visão exaustiva, mas de indicações para completar, tendo como base as experiências de cada uma das Igrejas locais.

  1. Caminhar com os jovens

Acompanhar os jovens exige sair dos próprios esquemas pré-fabricados, encontrando-os lá onde eles estão, adaptando-se aos seus tempos e aos seus ritmos; significa também levá-los a sério na dificuldade que têm de decifrar a realidade em que vivem e de transformar um anúncio recebido em gestos e palavras, no esforço quotidiano de construir a própria história e na busca mais ou menos consciente de um sentido para as suas vidas.

Cada domingo os cristãos mantêm viva a memória de Jesus morto e ressuscitado, encontrando-o na celebração da Eucaristia. Na fé da Igreja muitas crianças são batizadas e prosseguem o caminho da iniciação cristã. Porém, isto ainda não equivale a uma escolha madura para uma vida de fé. Para alcançar isto, é necessário trilhar um caminho que às vezes passa inclusive por sendas imprevisíveis e distantes dos lugares habituais das comunidades eclesiais. Por isso, como recordou o Papa Francisco, «pastoral vocacional significa aprender o estilo de Jesus, que passa pelos lugares da vida diária, se detém sem pressa e, olhando para os irmãos com misericórdia, os conduz ao encontro com Deus Pai» (Discurso aos participantes no Congresso de pastoral vocacional, 21 de outubro de 2016). É caminhando com os jovens que construímos a inteira comunidade cristã.

Exatamente porque se trata de interpelar a liberdade dos jovens, é necessário valorizar a criatividade de cada comunidade para construir propostas capazes de reconhecer a originalidade de cada um e de secundar o seu desenvolvimento. Em muitos casos, trata-se também de aprender a dar espaço real à novidade, sem a sufocar na tentativa de a catalogar em esquemas predeterminados: não pode existir uma sementeira de vocações frutuosa, se simplesmente permanecermos fechados no «cômodo critério pastoral do “sempre se fez assim”», sem «sermos ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades» (Evangelii gaudium, 33).

Três verbos, que nos Evangelhos conotam o modo de Jesus se encontrar com as pessoas do seu tempo, ajudam-nos a estruturar este estilo pastoral: sair, ver, chamar.

 

Sair

Neste sentido, pastoral vocacional significa aceitar o convite do Papa Francisco a sair, antes de mais nada, daquelas formas de rigidez que tornam menos credível o anúncio da alegria do Evangelho, dos esquemas em que as pessoas se sentem catalogadas e de um modo de ser da Igreja que às vezes resulta anacrônica.

Sair é também sinal de liberdade interior em relação a atividades e preocupações habituais, de maneira a permitir que os jovens sejam protagonistas. Julgarão a comunidade cristã tanto mais atraente quanto mais a experimentarem acolhedora no que diz respeito à contribuição concreta e original que eles mesmos podem oferecer.

 

Ver

Sair para o mundo dos jovens exige a disponibilidade a passar tempo com eles, a ouvir as suas histórias, as suas alegrias e esperanças, as suas tristezas e angústias, para as compartilhar com eles: este é o caminho para inculturar o Evangelho e evangelizar todas as culturas, inclusive a juvenil. Quando os Evangelhos narram os encontros de Jesus com os homens e as mulheres do seu tempo, põem em evidência exatamente a sua capacidade de estar com eles e a fascinação que sentem quantos fitam o seu olhar. Nisto consiste o olhar de cada pastor autêntico, capaz de ver nas profundezas do coração, sem ser inoportuno nem ameaçador; é o verdadeiro olhar do discernimento, que não quer apoderar-se da consciência de outrem, e nem sequer predeterminar o percurso da graça de Deus a partir dos seus próprios esquemas.

 

Chamar

Nas narrações evangélicas, o olhar de Jesus transforma-se numa palavra, que é uma chamada a uma novidade a ser acolhida, explorada e construída. Chamar quer dizer em primeiro lugar despertar o desejo, tirar as pessoas daquilo que as mantém bloqueadas ou das comodidades em que elas se instalam. Chamar quer dizer formular perguntas para as quais não existem respostas pré-fabricadas. É isto, e não a prescrição de normas a respeitar, que incentiva as pessoas a colocar-se a caminho e a encontrar a alegria do Evangelho.

 

  1. Sujeitos – Todos os jovens, sem exclusão alguma

Para a pastoral, os jovens são sujeitos e não objetos. Na prática, eles são muitas vezes tratados pela sociedade como uma presença inútil ou importuna: a Igreja não pode reproduzir esta atitude, porque todos os jovens, sem exclusão alguma, têm o direito de ser acompanhados no seu caminho.

Além disso, cada comunidade é chamada a prestar atenção principalmente aos jovens pobres, marginalizados e excluídos, e a torná-los protagonistas. Estar próximo dos jovens que vivem em condições de maior pobreza e dificuldade, violência e guerra, enfermidade, deficiência e sofrimento, é uma dádiva especial do Espírito, capaz de fazer resplandecer o estilo de uma Igreja em saída. A própria Igreja é chamada a aprender dos jovens: disto dão um testemunho luminoso numerosos jovens santos, que continuam a ser fonte de inspiração para todos.

 

Uma comunidade responsável

Toda a comunidade cristã deve sentir-se responsável pela tarefa de educar as novas gerações, e devemos reconhecer que são muitas as figuras de cristãos que a assumem, a partir daqueles que se comprometem no seio da vida eclesial. Devem ser apreciados também os esforços de quantos dão testemunho da vida boa do Evangelho e da alegria que dela brota nos lugares da vida quotidiana. Finalmente, é necessário valorizar as oportunidades de compromisso dos jovens nos organismos de participação das comunidades diocesanas e paroquiais, a começar pelos conselhos pastorais, convidando-os a oferecer a contribuição da sua criatividade e aceitando as suas ideias, até quando parecem provocadoras.

No mundo inteiro existem paróquias, congregações religiosas, associações, movimentos e realidades eclesiais capazes de projetar e de oferecer aos jovens experiências de crescimento e de discernimento verdadeiramente significativas. Às vezes esta dimensão de projeto deixa espaço para a improvisação e a incompetência: é um risco do qual nos devemos defender, assumindo cada vez mais seriamente a tarefa de pensar, concretizar, coordenar e realizar a pastoral juvenil de modo correto, coerente e eficaz. Também aqui se impõe a necessidade de uma preparação específica e contínua dos formadores.

 

As figuras de referência

O papel de adultos fidedignos, com os quais entrar em aliança positiva, é fundamental em cada percurso de amadurecimento humano e de discernimento vocacional. São necessários crentes autorizados, com uma clara identidade humana, uma sólida pertença eclesial, uma visível qualidade espiritual, uma vigorosa paixão pela educação e uma profunda capacidade de discernimento. Por vezes, ao contrário, adultos despreparados e imaturos tendem a agir de modo possessivo e manipulador, criando dependências negativas, grandes dificuldades e graves contratestemunhos, que podem chegar até ao abuso.

Para que haja figuras credíveis, é necessário formá-las e apoiá-las, oferecendo-lhes também maiores competências pedagógicas. Isto é válido de modo particular para aqueles aos quais é confiada a tarefa de acompanhadores do discernimento vocacional, em ordem ao ministério ordenado e à vida consagrada.

Pais e família: dentro de cada comunidade cristã deve ser reconhecido o papel educativo insubstituível, desempenhado pelos pais e pelos demais familiares. No seio da família, são em primeiro lugar os pais que exprimem cada dia o cuidado de Deus por cada ser humano, no amor que os une entre si e aos seus próprios filhos. A tal propósito, são preciosas as indicações oferecidas pelo Papa Francisco, num capítulo

específico da Amoris laetitia (cf. 259290).

Pastores: o encontro com figuras ministeriais, capazes de se colocar autenticamente em jogo com o mundo juvenil, dedicando-lhe tempo e recursos, graças inclusive ao testemunho generoso de mulheres e homens consagrados, é decisivo para o crescimento das novas gerações. Também o Papa Francisco o recordou: «Peço isto sobretudo aos pastores da Igreja, aos Bispos e aos Sacerdotes: vós sois os principais responsáveis das vocações cristãs e sacerdotais, e esta tarefa não se pode relegar a um cargo burocrático.

Também vós vivestes um encontro que mudou a vossa vida, quando outro sacerdote – o pároco, o confessor, o diretor espiritual – vos fez experimentar a beleza do amor de Deus. E assim também vós: saindo, ouvindo os jovens – é preciso paciência! – os podeis ajudar a discernir os movimentos do seu coração e a orientar os seus passos» (Discurso aos participantes no Congresso de pastoral vocacional, 21 de outubro de 2016).

Professores e outras figuras educativas: muitos professores católicos estão comprometidos como testemunhas nas universidades e nas escolas de todos os níveis; no mundo do trabalho, muitos estão presentes com competência e paixão; na política, numerosos crentes procuram ser fermento para uma sociedade mais justa; no voluntariado civil, muitos se dedicam em prol do bem comum e do cuidado da criação; na animação do tempo livre e do desporto, são numerosos os que trabalham com entusiasmo e generosidade. Todos eles dão testemunho de vocações humanas e cristãs acolhidas e vividas com fidelidade e compromisso, suscitando em quantos os veem o desejo de fazer o mesmo: responder com generosidade à própria vocação é o 1º modo de promover a pastoral vocacional.

 

  1. Lugares – A vida quotidiana e o compromisso social

Tornar-se adulto significa aprender a gerir autonomamente dimensões da vida que são fundamentais e, ao mesmo tempo, quotidianas: a utilização do tempo e do dinheiro, o estilo de vida e de consumo, o estudo e o tempo livre, a roupa e a comida, a vida afetiva e a sexualidade. Esta aprendizagem, que inevitavelmente os jovens devem enfrentar, é a ocasião para colocar em ordem a própria vida e as suas prioridades, experimentando percursos de escolha que podem tornar-se uma escola de discernimento e consolidar a orientação pessoal, tendo em vista as decisões mais importantes: quanto mais autêntica for a fé, tanto mais interpelará a vida quotidiana e por ela se deixará interrogar. Merecem uma menção particular as experiências, muitas vezes difíceis ou problemáticas, da vida de trabalho ou relativas à falta de trabalho: também elas constituem uma ocasião para compreender ou aprofundar a própria vocação.

Os pobres gritam e, juntamente com eles, também a terra: o compromisso a ouvir pode ser uma ocasião concreta de encontro com o Senhor e com a Igreja, bem como de descoberta da própria vocação. Como ensina o Papa Francisco, as ações comunitárias mediante as quais cuidamos da casa comum e da qualidade de vida dos pobres, «quando exprimem um amor que se doa, podem transformar-se em experiências espirituais intensas» (Laudato Si’, 232), e, portanto, também em oportunidades de caminho e de discernimento vocacional.

 

Os âmbitos específicos da pastoral

A Igreja oferece aos jovens lugares específicos de encontro e de formação cultural, de educação e de evangelização, de celebração e de serviço, colocando-se em primeira linha em ordem a uma hospitalidade aberta a todos e a cada um. Para estes lugares e para quantos os animam, o desafio consiste em proceder sempre mais na lógica da construção de uma rede integrada de propostas, e em assumir na própria maneira de agir, o estilo do sair, ver, chamar.

A nível global, sobressaem as Jornadas Mundiais da Juventude. Além disso, as Conferências Episcopais e as Dioceses sentem cada vez mais como um seu dever proporcionar eventos e experiências específicas para os jovens.

As Paróquias propõem espaços, atividades, tempos e percursos para as jovens gerações. A vida sacramental oferece ocasiões fundamentais para crescer na capacidade de receber a dádiva de Deus na própria existência e convida à participação ativa na missão eclesial. Sinal de atenção ao mundo dos jovens são os centros juvenis e os oratórios.

As universidades e as escolas católicas, com o seu precioso serviço cultural e formativo, constituem outro instrumento de presença da Igreja no meio dos jovens.

As atividades sociais e de voluntariado oferecem a oportunidade de se colocar em jogo no serviço generoso; o encontro com pessoas que experimentam pobreza e exclusão pode ser uma ocasião favorável de crescimento espiritual e de discernimento vocacional: também a partir deste ponto de vista os pobres são mestres, aliás, portadores da Boa Notícia de que a fragilidade é o lugar em que se realiza a experiência da salvação.

As associações e os movimentos eclesiais, mas inclusive muitos lugares de espiritualidade, propõem sérios percursos de discernimento aos jovens; as experiências missionárias tornam-se momentos de serviço generoso e de intercâmbio fecundo; a redescoberta da peregrinação como forma e estilo de caminho parece válida e promissora; em numerosos contextos a experiência da piedade popular sustém e alimenta a fé dos jovens.

Um lugar de importância estratégica é ocupado pelos seminários e pelas casas de formação que, também através de uma vida comunitária intensa, devem permitir que os jovens recebidos possam fazer a experiência, que por sua vez os tornará capazes de acompanhar outros.

 

O mundo digital

Pelos motivos já recordados, merece uma menção particular o mundo dos new media, que sobretudo para as jovens gerações se tornou verdadeiramente um lugar de vida; oferece muitas oportunidades inéditas, sobretudo, no que diz respeito ao acesso à informação e à construção de vínculos à distância, mas apresenta também riscos (por exemplo, o cyberbullying, o jogo de azar, a pornografia, as insídias das salas de chat, a manipulação ideológica, etc.). Não obstante as numerosas diferenças entre as várias regiões, a comunidade cristã ainda deve construir a sua presença neste novo areópago, onde os jovens certamente têm algo para lhe ensinar.

 

  1. Instrumentos: As linguagens da pastoral

Às vezes observamos que entre a linguagem da Igreja e a dos jovens se abre um espaço difícil de preencher, não obstante haja muitas experiências de encontro fecundo entre a sensibilidade dos jovens e as propostas da Igreja nos âmbitos bíblico, litúrgico, artístico, catequético e dos meios de comunicação.

Sonhamos com uma Igreja que saiba deixar espaços ao mundo juvenil e às suas linguagens, apreciando e valorizando a sua criatividade e os seus talentos. Reconhecemos em particular no desporto um recurso educativo que oferece grandes oportunidades, e na música e nas outras expressões artísticas uma privilegiada linguagem expressiva que acompanha o caminho de crescimento dos jovens.

 

 

 

A atenção à educação e os percursos de evangelização

Na ação pastoral com os jovens, na qual é necessário empreender processos mais do que ocupar espaços, descobrimos antes de tudo a importância do serviço em prol do crescimento humano de cada um e dos instrumentos pedagógicos e formativos que podem sustentá-lo.

Entre evangelização e educação existe um fecundo vínculo genético que, na realidade contemporânea, deve ter em consideração a gradualidade dos caminhos de amadurecimento da liberdade.

Em relação ao passado, devemos habituar-nos a percursos de aproximação da fé sempre menos padronizados e mais atentos às características pessoais de cada um: ao lado daqueles que continuam a seguir as etapas tradicionais da iniciação cristã, muitos chegam ao encontro com o Senhor e com a comunidade dos fiéis através de outro caminho e em idade mais avançada, por exemplo, a partir da assunção de um compromisso em prol da justiça ou do encontro em âmbitos extraeclesiais, com alguém que é capaz de ser testemunha credível. Para as comunidades, o desafio consiste em ser hospitaleiras para com todos, seguindo Jesus que sabia falar com judeus e samaritanos, com pagãos de cultura grega e ocupantes romanos, compreendendo o desejo profundo de cada um deles.

 

Silêncio, contemplação, oração

Finalmente, e sobretudo, não há discernimento sem cultivar a familiaridade com o Senhor e o diálogo com a sua Palavra. Em particular, a Lectio Divina é um método precioso que a tradição da Igreja nos transmite. Numa sociedade cada vez mais barulhenta, que proporciona uma superabundância de estímulos, um objetivo fundamental da pastoral juvenil vocacional consiste em oferecer ocasiões para saborear o valor do silêncio e da contemplação, e formar para a nova leitura das experiências pessoais e para a escuta da própria consciência.

 

  1. Maria de Nazaré

Confiemos a Maria este percurso em que a Igreja se interroga sobre a maneira de acompanhar os jovens a aceitar a chamada para a alegria do amor e para a vida em plenitude. Ela, jovem mulher de Nazaré, que em cada etapa da sua existência acolhe a Palavra e a conserva, «meditando-a no seu coração» (cf. Lc 2, 19), foi a primeira que percorreu este caminho.

Cada jovem pode descobrir na vida de Maria o estilo da escuta, a coragem da fé, a profundidade do discernimento e a dedicação ao serviço (cf. Lc 1, 3945). Na sua «pequenez», a Virgem noiva de José experimenta a debilidade e a dificuldade de compreender a vontade misteriosa de Deus (cf. Lc 1, 34). Também Ela é chamada a viver o êxodo de si mesma e dos seus projetos, aprendendo a entregar-se e a confiar.

Fazendo memória das «maravilhas» que o Todo Poderoso realizou nela (cf. Lc 1, 49), a Virgem não se sente sozinha, mas plenamente amada e apoiada pelo “Não temas”! do anjo (cf. Lc 1, 30). Consciente de que Deus está com Ela, Maria abre o seu coração ao Eis-me!, inaugurando deste modo o caminho do Evangelho (cf. Lc 1, 38). Mulher da intercessão (cf. Jo 2, 3), diante da cruz do Filho, unida ao «discípulo amado», aceita novamente a chamada a ser fecunda e a gerar a vida na história dos homens. Nos seus olhos cada jovem pode voltar a descobrir a beleza do discernimento, e no seu  coração pode experimentar a ternura da intimidade e a coragem do testemunho e da missão.

 

QUESTIONÁRIO:

A finalidade deste questionário é ajudar os Organismos que têm direito, a expressar a sua compreensão acerca do mundo juvenil e a ler a sua experiência de acompanhamento vocacional, tendo em vista a coleta de elementos para a redação do Documento de trabalho, ou Instrumentum laboris. Para ter em consideração as diversas situações continentais, depois da pergunta n. 15 foram inseridas três interrogações específicas para cada uma das áreas geográficas, às quais os Organismos em causa são convidados a responder. A fim de tornar este trabalho mais fácil e sustentável, pede-se aos respectivos Organismos que enviem em resposta aproximadamente uma página para os dados, sete oito páginas para a interpretação da situação e uma página para cada uma das três experiências a ser compartilhadas.

  1. Coletar os dados

Pede-se para indicar, na medida do possível, as fontes e os anos de referência. Podem-se anexar outros dados resumidos à disposição, que parecerem relevantes para compreender melhor a situação dos diferentes países.

  • Número de habitantes no país/nos países e taxa de natalidade.
  • Número e percentagem de jovens (16 a 29 anos) no país/nos países.
  • Número e percentagem de católicos no país/nos países. Idade média (nos últimos cinco anos) de casamento (distinguindo entre homens e mulheres), de entrada no seminário e de entrada na vida consagrada (distinguindo entre homens e mulheres). Na faixa etária de 16 a 29 anos, percentagem de: estudantes, trabalhadores (se for possível, especificar os âmbitos), desempregados, NEET.
  1. Interpretar a situação
  2. a) Jovens, Igreja e sociedade

Estas perguntas referem-se tanto aos jovens que frequentam os ambientes eclesiais, como àqueles que vivem mais distantes ou até alheios à Igreja.

  1. De que modo vós ouvis a realidade dos jovens?
  2. Quais são os principais desafios e quais as oportunidades mais significativas para os jovens do vosso país/dos vossos países hoje?
  3. Que tipos e lugares de agregação juvenil, institucionais e não, têm maior sucesso dentro do âmbito eclesial, e porquê?
  4. Que tipos e lugares de agregação juvenil, institucionais e não, têm maior sucesso fora no âmbito eclesial, e porquê?
  5. O que pedem concretamente os jovens do vosso país/dos vossos países à Igreja hoje?
  6. No vosso país/nos vossos países que espaços de participação ocupam os jovens na vida da comunidade eclesial?
  7. Como e onde conseguis encontrar os jovens que não frequentam os vossos ambientes eclesiais?
  8. b) A pastoral juvenil vocacional
  9. Qual é a participação das famílias e das comunidades no discernimento vocacional dos jovens?
  10. Quais são as contribuições para a formação no discernimento vocacional por parte de escolas e universidades, ou de outras instituições de ensino (civis ou eclesiais)?
  11. De que modo vós avaliais a mudança cultural determinada pelo desenvolvimento do mundo digital?
  12. De que maneira as Jornadas Mundiais da Juventude ou outros eventos nacionais ou internacionais conseguem entrar na prática pastoral ordinária?
  13. De que forma nas vossas Dioceses se projetam experiências e caminhos de pastoral juvenil vocacional?
  14. c) Os acompanhadores
  15. Que tempos e espaços dedicam os pastores e os outros educadores ao acompanhamento espiritual pessoal?
  16. Que iniciativas e caminhos de formação são postos em prática para os acompanhadores vocacionais?
  17. Que acompanhamento pessoal é proposto nos seminários?

AMÉRICA

  1. De que modo as vossas comunidades se ocupam dos jovens que experimentam situações de violência extrema (guerrilhas, quadrilhas, prisão, toxico-dependência, casamentos forçados), acompanhando-os ao longo dos percursos de vida?
  2. Que formação ofereceis para apoiar o compromisso dos jovens em âmbito sociopolítico, tendo em vista o bem comum?
  3. Em contextos de forte secularização, que ações pastorais resultam mais eficazes para prosseguir um caminho de fé depois do percurso de iniciação cristã?
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OFÍCIO EM LOUVOR A MARIA ADAPTADO

LOUVOR À MARIA, MÃE DA HUMANIDADE,   MÃE DO FILHO DE DEUS

COMENTARISTA: Em Maria está toda a plenitude de graças. Nela o Verbo de Deus, Jesus Cristo, se fez homem. Com a encarnação, Maria se fez coredentora. Com sua vida de união com Jesus, ela se torna mestra, rainha e modelo; na morte de seu Filho Jesus, este no-la entrega como nossa mãe.

Por isso, nesta noite, louvemos a cheia de graça, Maria, a mãe, mestra e rainha da humanidade. Em pé, iniciemos nosso louvor cantando.

 

 

 

  • Santa Mãe Maria, nessa travessia, cubra-nos teu manto cor de anil. Guarda nossa vida, Mãe Aparecida Santa padroeira do Brasil.

Ave, Maria! Ave, Maria! Ave, Maria! Ave, Maria!

  • Mulher peregrina, força feminina a mais importante que existiu. Com justiça queres que nossas mulheres sejam construtoras do Brasil

 

PRESIDENTE: Deus vos salve, Filha de Deus Pai! Deus vos salve, Mãe de Deus Filho! Deus vos salve, Esposa do Espírito Santo! Deus vos salve, Sacrário da Santíssima Trindade!

TODOS: Agora, lábios meus, dizei e anunciai os grandes louvores da Virgem, Mãe de Deus. Sede em meu favor, Virgem soberana, livrai-me do inimigo com vosso valor. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus, em pessoas três, agora e sempre e sem fim.

LEITOR 1: Deus vos salve, Virgem, Senhora do mundo, rainha dos céus e das virgens, Virgem. Estrela da manhã, Deus vos salve cheia de graça divina e formosa. Dai pressa, Senhora, em favor do mundo, pois vos reconhece como defensora.
TODOS: Deus vos nomeou, desde a eternidade, para a mãe do Verbo com o qual criou. Terra, mar e céus e vos escolheu quando Adão pecou, por esposa de Deus. Deus a escolheu e, já muito antes, em seu tabernáculo morada lhe deu.

 

PRESIDENTE: Sentados, rezemos um Mistério do Terço.

 

COMENTARISTA: Em pé, rezemos juntos:

TODOS: Ouvi, Mãe de Deus, minha oração. Toquem em vosso peito, os clamores meus.

PRESIDENTE: Santa Maria, rainha dos céus, mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, senhora do mundo, que a nenhum pecador desamparais e nem desprezais, ponde, senhora, em mim os olhos de vossa piedade e alcançai de vosso amado filho o perdão de todos os meus pecados, para que eu, que agora venero com devoção vossa Imaculada Conceição, mereça na outra vida alcançar o prêmio da bem-aventurança, pelo merecimento de vosso bendito Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém.

TODOS: Sede em meu favor, Virgem soberana, livrai-me do inimigo com vosso valor. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus, em pessoas três, agora e sempre e sem fim.

COMENTARISTA: Vamos cantar juntos

Maria de Nazaré, Maria me cativou. Fez mais forte a minha fé e por filho me adotou. Às vezes eu paro e fico a pensar e, sem perceber, me vejo a rezar, o meu coração se põe a cantar pra Virgem de Nazaré. Menina que Deus amou e escolheu pra Mãe de Jesus, o Filho de Deus. Maria que o povo inteiro elegeu, Senhora e Mãe do Céu. Ave, Maria… Maria que eu quero bem, Maria do puro amor. Igual a você ninguém, Mãe pura do meu Senhor. Em cada mulher que a terra criou, um traço de Deus Maria deixou, um sonho de mãe Maria plantou, pro mundo encontrar a paz. Maria, que fez o Cristo falar; Maria, que fez Jesus caminhar; Maria que só viveu pra seu Deus; Maria do povo meu. Ave, Maria…

PRESIDENTE: Sentados, rezemos um Mistério do Terço

 

COMENTARISTA:  Em pé, rezemos juntos:

TODOS: Deus vos salve, mesa para Deus ornada, coluna sagrada
de grande firmeza. Casa dedicada a Deus sempiterno. Sempre preservada, Virgem, do pecado. Antes que nascida fostes, Virgem, santa no ventre ditoso de Ana concebida.

LEITOR 1: Sois mãe criadora dos mortais viventes. Sois dos santos porta, dos anjos, senhora. Sois forte esquadrão contra o inimigo. Estrela de Jacó, refúgio do cristão. A Virgem criou Deus no Espírito Santo, e todas as suas obras com ela as ornou.
TODOS: Ouvi, Mãe de Deus, minha oração. Toquem em vosso peito, os clamores meus.

PRESIDENTE: Santa Maria, rainha dos céus, mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, senhora do mundo, que a nenhum pecador desamparais e nem desprezais, ponde, senhora, em mim os olhos de vossa piedade e alcançai de vosso amado filho o perdão de todos os meus pecados, para que eu, que agora venero com devoção vossa Imaculada Conceição, mereça na outra vida alcançar o prêmio da bem-aventurança, pelo merecimento de vosso bendito Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém.

TODOS: Sede em meu favor, Virgem soberana, livrai-me do inimigo
com vosso valor. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus, em pessoas três, agora e sempre e sem fim. Amém!

LEITOR 1: De vós, ó Mãe Santíssima, nasceu o Filho de Deus. Assim vos livrou da culpa original, de nenhum pecado há em vós sinal. Vós que habitais lá nas alturas e tendes vosso trono entre as nuvens puras.

TODOS: Ouvi, Mãe de Deus, minha oração. Toquem em vosso peito,
os clamores meus.

PRESIDENTE: Santa Maria, rainha dos céus, mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, senhora do mundo, que a nenhum pecador desamparais e nem desprezais, ponde, senhora, em mim os olhos de vossa piedade e alcançai de vosso amado filho o perdão de todos os meus pecados, para que eu, que agora venero com devoção vossa Imaculada Conceição, mereça na outra vida alcançar o prêmio da bem-aventurança, pelo merecimento de vosso bendito Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém.

TODOS: Sede em meu favor, Virgem soberana, livrai-me do inimigo
com vosso valor. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus, em pessoas três, agora e sempre e sem fim. Amém!

PRESIDENTE: Sentados, rezemos um Mistério do Terço

 

COMENTARISTA: Em pé rezemos juntos:

TODOS: Deus vos salve, Virgem da Trindade templo, alegria dos anjos, da pureza exemplo. Que alegrais os tristes com vossa clemência, horto de deleites, palma de paciência.

LEITOR 1: Sois terra bendita e sacerdotal. Sois da castidade, símbolo real. Cidade do Altíssimo, porta oriental, sois a mesma graça, Virgem singular. Qual lírio cheiroso entre espinhas duras, tal sois vós, Senhora, entre as criaturas.

TODOS:Ouvi, Mãe de Deus, minha oração. Toquem em vosso peito,
os clamores meus.

PRESIDENTE: Santa Maria, rainha dos céus, mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, senhora do mundo, que a nenhum pecador desamparais e nem desprezais, ponde, senhora, em mim os olhos de vossa piedade e alcançai de vosso amado filho o perdão de todos os meus pecados, para que eu, que agora venero com devoção vossa Imaculada Conceição, mereça na outra vida alcançar o prêmio da bem-aventurança, pelo merecimento de vosso bendito Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém.

TODOS:  Sede em meu favor, Virgem soberana, livrai-me do inimigo
com vosso valor. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus, em pessoas três, agora e sempre e sem fim. Amém!

PRESIDENTE: Sentados, rezemos um Mistério do Terço

 

COMENTARISTA: Em pé, rezemos juntos:

TODOS: Maria. Deus vos salve, cidade de torres guarnecida, de Davi, com armas bem fortalecida. De suma caridade sempre abrasada. Do dragão, a força foi por vós prostrada.
LEITOR 1: Sois terra bendita e sacerdotal. Sois da castidade, símbolo real. Cidade do Altíssimo, porta oriental, sois a mesma graça, Virgem singular.

TODOS: Ouvi, Mãe de Deus, minha oração. Toquem em vosso peito,
os clamores meus.

PRESIDENTE: Oração: Santa Maria, rainha dos céus, mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, que a nenhum pecador desamparais e nem desprezais, ponde, senhora, em mim os olhos de vossa piedade e alcançai de vosso amado filho o perdão de todos os meus pecados, para que eu, que agora venero com devoção vossa Imaculada Conceição, mereça na outra vida alcançar o prêmio da bem-aventurança, pelo merecimento de vosso bendito Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina para sempre. Amém.

TODOS: Sede em meu favor, Virgem soberana, livrai-me do inimigo
com vosso valor. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus, em pessoas três, agora e sempre e sem fim. Amém.

PRESIDENTE: Sentados, rezemos juntos um Mistério do Terço

 

COMENTARISTA: Em pé, rezemos juntos:

TODOS:  Deus vos salve, Virgem, Mãe imaculada, rainha de clemência
de estrelas coroada. Vós, sobre os anjos, sois purificada, de Deus, à mão direita, estais de ouro ornada.

LEITOR 1: Por vós, Mãe da graça, mereçamos ver a Deus nas alturas
com todo prazer. Pois sois esperança dos pobres errantes, e segurança dos passos dos caminhantes neste mundo.
TODOS:  Humildes, oferecemos a vós, Virgem pia, estas orações, porque em nossa guia vades vós adiante e, na agonia, vós nos animeis, ó doce Maria! Amém!

PRESIDENTE:  Para encerrar nossa celebração, invoquemos as bençãos de Nossa Mãe Maria:

TODOS:  Dai-nos a bênção, ó Mãe querida, Nossa Sra Aparecida! (bis)

PRESIDENTE:  Por intercessão de nossa Mãe Querida, Maria Santíssima, Deus nos abençoe em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

TODOS:  Amém

CANTO FINAL: Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida. Viva a Virgem Imaculada, a senhora Aparecida!

  1. Aqui estão vossos devotos, cheios de fé incendida, de conforto e de esperança, ó Senhora Aparecida.
  2. Protegei a Santa Igreja, Mãe terna e compadecida. Protegei a nossa Pátria, ó senhora Aparecida.
  3. Oh! Velai por nossos lares, pela infância desvalida, pelo povo brasileiro, ó senhora Aparecida.
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ofício das Trevas adaptado

OFÍCIO DAS TREVAS

ACOLHIDA

COMENTARISTA: Irmãos e irmãs, celebramos o Ofício das Trevas adaptado pela equipe de liturgia da nossa paróquia. Todos participarão. Em alguns momentos o celebrante, em outros o leitor, assim como todos e depois só os homens ou só as mulheres lerão parte do texto desta celebração. Por isso é importante que todos acompanhem com atenção o texto escrito deste ato celebrativo. O centro desta celebração não é o Altar Eucarístico e sim o ambão, o Altar da Palavra. É para o ambão que a nossa atenção deverá estar voltada. Ladeando o Altar da Palavra temos cinco e seis velas. Sobre o altar Eucarístico uma única vela e todas acesas, que serão apagadas, menos uma, no decorrer da celebração. Elas totalizando doze velas, simbolizam os discípulos de Jesus. Nesta celebração não teremos cânticos. Vamos iniciar. Todos em pé.

PRESIDENTE:  Abri os meus lábios, ó Senhor.

TODOS: E minha boca anunciará vosso louvor.

COMENTARISTA: Vamos acolher o convite ao louvor de Deus  Animai-vos uns aos outros, dia após dia, sem descanso.

TODOS: O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

LEITOR 1: Vinde, exultemos de alegria no Senhor; aclamemos o rochedo que nos salva. Ao seu encontro caminhemos com louvores,  e com cantos de alegria o celebremos!

TODOS:  O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

LEITOR 1: O Senhor é o grande Deus, o grande Rei, muito maior que os deuses todos. Ele tem nas mãos as profundezas dos abismos, as alturas das montanhas lhe pertencem; o mar é dele, pois foi ele quem o fez, a terra firme suas mãos a modelaram.

TODOS: O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

LEITOR 1: Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!  Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão.

TODOS: O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

LEITOR 1: Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não fecheis os corações como em Meriba,  como em Massa, no deserto, aquele dia,  nem que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras.

TODOS: O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

LEITOR 1: Quarenta anos desgostou-me aquela raça, e eu disse: “Eis um povo transviado, seu coração não conheceu os meus caminhos!”  E por isso lhes jurei na minha ira: “Não entrarão no meu repouso prometido”!

PRESIDENTE: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

TODOS: Como era no princípio, agora e sempre. Amém. O Cristo, o Filho de Deus, com seu sangue nos remiu.

COMENTARISTA: Vamos dar início à meditação dos mistérios da dor de Jesus Cristo. Rezemos juntos:

TODOS : Divino Jesus, eu vos ofereço este terço que vou rezar contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria Santíssima, a quem me dirijo, as virtudes necessárias para bem rezá-lo e a graça de ganhar as indulgências anexas a esta devoção. : Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra…

CONTEMPLAÇÃO DOS MISTÉRIOS DOLOROSOS

COMENTARISTA: No primeiro mistério contemplamos a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras e pedimos a graça da conversão de nossa vida. Vamos ouvir a narração de São Mateus deste mistério

LEITOR 1: Evangelho de S. Mateus 26,36-46. (ler na Bíblia)

COMENTARISTA – Sentados, rezemos este mistério

APÓS O MISTÉRIO èSALMODIA

COMENTARISTA: Vamos apagar duas velas do lado esquerdo do ambão. Enquanto isso acontece, em pé,  digamos juntos:

TODOS:  Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica.

LEITOR 1: Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores; glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça de Israel! Porque Deus não desprezou nem rejeitou a miséria do que sofre sem amparo; não desviou do humilhado a sua face, mas o ouviu quando gritava por socorro.

TODOS: Sois meu louvor em meio à grande assembleia; cumpro meus votos ante aqueles que vos temem! Vossos pobres vão comer e saciar-se, e os que procuram o Senhor o louvarão; “Seus corações tenham a vida para sempre”!

LEITOR 1: Lembrem-se disso os confins de toda a terra,  para que voltem ao Senhor e se convertam, e se prostrem, adorando, diante dele todos os povos e as famílias das nações. Pois ao Senhor é que pertence a realeza; ele domina sobre todas as nações.

TODOS: Somente a ele adorarão os poderosos, e os que voltam para o pó o louvarão. Para ele há de viver a minha alma, toda a minha descendência há de servi-lo; às futuras gerações anunciará o poder e a justiça do Senhor; ao povo novo que há de vir, ela dirá: “Eis a obra que o Senhor realizou!”

PRESIDENTE: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

TODOS: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

COMENTARISTA: No segundo mistério contemplamos a flagelação de Jesus e aprendemos a praticar a mortificação dos sentidos. Vamos ouvir a narrativa de São Marcos sobre este mistério

LEITOR 1: Leitura de S. Marcos 15,12-15 (ler na Bíblia).

COMENTARISTA: Sentados, rezemos este mistério e vamos apagar uma vela do lado direito do ambão.

APÓS O MISTÉRIO

COMENTARISTA: Em pé, vamos refletir sobre a imagem de Jesus, como o Cordeiro que é imolado para nossa salvação.

PRESIDENTE  Foi levado como ovelha ao matadouro; e, maltratado, não abriu a sua boca; Foi condenado para a vida de seu povo.

TODOS:  Ele próprio entregou a sua vida e deixou-se colocar entre os facínoras.

PRESIDENTE  Não  foi  nem  com  ouro  nem  prata  que  fostes remidos, irmãos; mas sim pelo sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem mancha. Por ele nós temos acesso num único Espírito ao Pai.

TODOS: O sangue do Filho de Deus nos lava de todo pecado.

PRESIDENTE:: Conhecemos nossas culpas e as de nossos ancestrais, pois pecamos contra vós! Por amor de vosso nome, ó Senhor, não nos deixeis!

TODOS: Não deixeis que se profane vosso trono glorioso! Recordai-vos, ó Senhor! Não rompais vossa Aliança!

PRESIDENTE Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

TODOS: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

COMENTARISTA: Vamos apagar mais duas velas do lado direito do ambão. Enquanto isso acontece digamos juntos:

TODOS: Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica.

COMENTARISTA: No terceiro mistério contemplamos a coroação de espinhos de Jesus Cristo e aprendemos a combater o nosso orgulho e egoísmo. Vamos ouvir a narrativa de São Mateus .

LEITOR 1: Leitura de S. Mateus 27,27-30. (Ler na Bíblia)

COMENTARISTA: Sentados, rezemos este mistério

APÓS O MISTÉRIO

COMENTARISTA: Peçamos perdão a Deus por nossos pecados e pelos pecados de toda a humanidade. Neste salmo homens e mulheres terão o seu momento específico. O salmo 50 nos conduzirá nesta reflexão. Fiquemos todos em pé.

TODOS: Tende piedade, ó meu Deus! Renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. Revesti o homem novo Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

LEITOR 1: Eu reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente.  Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

HOMENS: Mostrais assim quanto sois justo na sentença, e quanto é reto o julgamento que fazeis.  Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade e pecador já minha mãe me concebeu.

MULHERES: Mas vós amais os corações que são sinceros, na intimidade me ensinais sabedoria. Aspergi-me e serei puro do pecado, e mais branco do que a neve ficarei.

LEITOR 1: Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, e exultarão estes meus ossos que esmagastes.  Desviai o vosso olhar dos meus pecados e apagai todas as minhas transgressões!

HOMENS: Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido.  Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

MULHERES: Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso!  Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.

TODOS: Da morte como pena, libertai-me, e minha língua exaltará vossa justiça!  Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!  Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

LEITOR 1: Sede benigno com Sião, por vossa graça, reconstruí Jerusalém e os seus muros! E aceitareis o verdadeiro sacrifício, os holocaustos e oblações em vosso altar!

PRESIDENTE Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

TODOS: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.  Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós.

COMENTARISTA: Apaguemos mais duas velas do lado direito do ambão. Enquanto isso acontece, vamos rezar todos juntos:

TODOS:  Jesus Cristo nos amou até o fim e lavou nossos pecados com seu sangue.

COMENTARISTA:  No quarto mistério contemplamos a Jesus carregando a cruz para o calvário e aprendemos a paciência nos contratempos e injustiças da vida. Vamos ouvir a narrativa de São João sobre este mistério:

LEITOR 1: Leitura do Evangelho de S. João 19,17-22.

COMENTARISTA: Sentados, vamos rezar este mistério

APÓS O MISTÉRIO

PRESIDENTE: Vamos apagar duas velas do lado esquerdo do ambão. Enquanto isso acontece rezemos juntos:

TODOS: Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós para nossa salvação.

COMENTARISTA: Em pé, vamos refletir o Salmo 147

LEITOR 1: Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro.

TODOS: Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus!  Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou;  a paz em teus limites garantiu *  e te dá como alimento a flor do trigo.  Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz core veloz;  ele faz cair a neve como lã e espalha a geada como cinza.

LEITOR 1: Como de pão lança as migalhas do granizo, a seu frio as águas ficam congeladas.  Ele envia sua palavra e as derrete, sopra o vento e de novo as águas corem.  Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos e suas leis a Israel.  Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.

PRESIDENTE Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

TODOS: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

COMENTARISTA: Vamos apagar duas velas à esquerdo do ambão.Enquanto isso acontece vamos rezar juntos:

TODOS: Jesus Cristo se humilhou e se fez obediente, obediente até à morte e morte de cruz.

COMENTARISTA: São Lucas nos ajudará a refletir o mistério da Salvação.Quem puder, fique ajoelhado. Caso não possa, fique em pé e vamos todos refletir o texto de Lucas 1, 68-79

TODOS: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que a seu povo visitou e libertou;  e fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos,  para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam.

LEITOR 1: Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança  e o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos  que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias.

TODOS: Serás profeta do Altíssimo, ó menino, pois irás andando à frente do Senhor para aplainar e preparar os seus caminhos, anunciando ao seu povo a salvação, que está na remissão de seus pecados.

LEITOR 1: Pelo amor do coração de nosso Deus, Sol nascente que nos veio visitar  lá do alto como luz resplandecente a iluminar a quantos jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados e para dirigir os nossos passos, guiando-nos no caminho da paz.

PRESIDENTE Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *

TODOS: Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

COMENTARISTA: Todos sentados, vamos refletir o  quinto mistério, que  contempla a crucificação e a morte de Jesus e aprendemos a ter amor a Deus e horror ao pecado. Vamos ouvir a narrativa de São João sobre este mistério.

LEITOR 1: Leitura do  Evangelho de S. João 19,25-30.

COMENTARISTA: Rezemos este mistério.

APÓS O MISTÉRIO:

COMENTARISTA; Vamos concluir a oração do terço com um louvor a Maria, a Mãe de Jesus.

TODOS: Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossas mãos liberais. Dignai-vos, agora e sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e, para mais vos obrigar, vos saudamos com uma: Salve, Rainha…

COMENTARISTA: Antes da benção final cabe mais uma explicação sobre as velas desta celebração.

PRESIDENTE: Todas as velas que estavam ao lado do ambão foram apagadas. Elas representam os discípulos que, na hora da paixão, fugiram, negaram e deixaram Jesus sozinho. A coragem deles de apagou. Tiveram medo e fugiram.

LEITOR 1: A vela que está sobre o altar representa o discípulo amado, que esteve aos pés da cruz junto com as três mulheres, uma delas a Mãe Santíssima de Jesus, que foi entregue aos cuidados daquele que não deixou o medo apagar a sua coragem.

PRESIDENTE: A luz dos discípulos foi acesa somente quando Jesus, ressuscitado, foi ao encontro dos discípulos, que estavam escondidos na casa com todas as portas fechadas. Vamos ouvir a narrativa de João sobre este episódio (João 20, 19-23):

LEITOR 1:  Leitura de João 20, 19-23 (Ler na Bíblia)

ORAÇÃO FINAL

PRESIDENTE: Olhai com amor, ó Pai, esta vossa família, pela qual nosso Senhor Jesus Cristo livremente se  entregou às mãos dos inimigos e sofreu o suplício da cruz. Fazei que a nossa coragem não se apague e que sejamos firmes no anúncio da Boa Nova nesta Paróquia e onde quer que estejamos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.  R. Amém.

PRESIDENTE:. O Senhor esteja convosco.

TODOS: Ele está no meio de nós.

TODOS: Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.

TODOS: Amém.

COMENTARISTA: Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

TODOS: Graças a Deus.

Apaga-se a vela sobre o altar. Todos saem em silêncio

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Receita para a felicidade em 2017

Para viver feliz em 2017, siga esta receita:

Coloque bastante desejo de viver ativo como uma criança,

Uma media porção para viver disposto  a aventurrar-se como um adolescente,

Uma porção bem cheia de sonhos e energia de  jovem,

Use como recheio a prudência  e sensatez  de um adulto

Cubra tudo com a satisfação  de um  ancião  que contempla a vida é agradece cada dia por tudo que viveu.
Cada dia ser criança adolescente jovem adulto e ancião.
Isso é ser feliz ! Viver feliz todo dia de 2017 é ter esta capacidade : brincar com a vida, aventurar-se na vida, sonhar com a vida pensar a vida, agradecer a vida
Feliz 2017
Tarcisio

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feliz 2017 aos leitores do blog

Seja feliz em 2017.  Para isso acontecer faça um trato com Deus, como oriena o padre Zezinho na letra da sua música abaixo:

 

O meu senhor e eu temos um trato especial.
O meu senhor cuida de mim
Eu cuido das coisas do meu senhor.
Eu tenho a minha fé
Perfeita eu sei que ela não é
Mas vou viver até o fim
Cuidando das coisas do meu senhor.

Pois meu senhor e eu temos um trato especial
Ele encheu a minha vida de paz e de amor
Eu serei testemunha fiel, eu serei,
Das maravílhas que ele faz.
Ele encheu a minha vida de paz e de amor
Eu serei testemunha fiel, eu serei,
Das maravílhas que ele faz.

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É POSSÍVEL VIVER A QUARESMA OUVINDO NAS HOMILIAS TEMAS COMO ESGOTO, BANHEIRO, BIOMAS, ÁGUA TRATADA?????

É POSSÍVEL VIVER A QUARESMA OUVINDO NAS HOMILIAS lTEMAS COMO ESGOTO, BANHEIRO, BIOMAS, ÁGUA TRATADA?????

Há cristãos incomodados com os dois últimos temas das Campanhas da Fraternidade 2016/2017. Por que falar de esgoto ou de biomas numa época em que o foco deveria ser a Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus? Para compreender estas escolhas temáticas do Magistério é preciso voltar os olhos para o gravíssimo problema da sustentabilidade do planeta terra. A situação é preocupante, como alertou o papa Francisco na encíclica Laudato Si, a primeira encíclica ecológica do magistério.

O Papa Francisco nos convida a ouvir os gritos do planeta e dos pobres, explorados pelos que buscam o lucro fácil. Francisco exorta todos a uma «conversão ecológica», segundo a expressão de São João Paulo II, isto é, a «mudar de rumo», assumindo a beleza e a responsabilidade de um compromisso para o «cuidado da casa comum». O Papa  Francisco  se dirige aos fiéis católicos, retomando as palavras de São João Paulo II, afirmando que os deveres em relação à natureza e ao Criador fazem parte da fé e da evangelização » (64),

Levando-se em consideração que Deus criou o universo e com carinho especial o Planeta Terra para nele desenvolver o seu plano de amor ao ser humano, não preocupar-se com o meio ambiente é desconsiderar o Plano de Amor Divino. A pessoa mais velha do mundo tem 117 anos, ou seja, nasceu em 1899.  Em 2133 (outros 117 anos à frente), provavelmente todos os humanos de hoje já estarão mortos. E que mundo a nossa geração deixará para os humanos do futuro que deverão viver o Plano do Amor Divino no planeta terra?

É certo que a nossa fé aponta o fim dos tempos, mas o final deverá ser por iniciativa divina e não provocado pelo pecado humano que, na busca do lucro fácil,  detona a natureza e explora os mais fracos e pobres.

Concluindo, ao celebrar a Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, temos que viver a nossa fé a partir da cristificação do universo. Fazer com que as pessoas vivam a fé desencarnada, alienadas dos problemas sociais e ambientais, é percorrer o caminho contrário da Salvação. Jesus é o caminho, a verdade e a vida. É seguindo os seus passos que chegamos à vida eterna. Portanto, é preciso que cada cristão se insira de fato em sua realidade sócio, política, econômica e ecológica (bioma).

Lembre-se que ao encarnar-se na história humana, ( que envolve as realidades religiosas, sociais, políticas e ecológicas) Jesus também se tornou um terráqueo. Propôs a vida fraterna vivida em todos os biomas. Por isso enviou seus discípulos a anunciar a Boa Nova a todo mundo, em todos os lugares. E disse mais:que seus seguidores lutem para que todos tenham vida, e vida em abundância. Para que a vida em abundância seja real para todos, é preciso atmosfera sem poluição, rede de esgoto, banheiros, água tratada, etc. E que as demais espécies que dividem conosco o planeta terra também sejam respeitados.

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LEITURA FACILITADA TEXTO BASE CF 2017 –

TEXTO BASE DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017

LEITURA FACILITADA

Tema – Fraternidade: Biomas Brasileiros e defesa da vida

Lema – Cultivar e guardar a criação (Gênesis 2,15)

 

OBJETIVO GERAL DA CF 2017: Cuidar da criação de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos à luz do Evangelho.

INTRODUÇÃO

Biomas são conjuntos de ecossistemas com características semelhantes dispostos em uma mesma região e que historicamente foram influenciados pelos mesmos processos de formação. No Brasil temos 06 biomas: a Mata Atlântica, a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e o Pampa. Nesses biomas vivem pessoas, povos, resultantes da imensa miscigenação brasileira.

Os biomas brasileiros sofrem interferências negativas desde a chegada dos primeiros colonizadores ao Brasil, que começaram a extração do pau-brasil usando a mão de obra escrava indígena e mais tarde dos negros. Após mais de 500 anos do início da exploração comercial das riquezas naturais do Brasil, como estão os biomas brasileiros?

A Igreja Católica tem sido voz profética a respeito da questão ecológica. Neste início do terceiro milênio, ter uma população de mais de 200 milhões de brasileiros, sendo mais de 160 milhões vivendo em cidades gera sérias preocupações. O impacto dessa concentração populacional sobre o meio ambiente produz problemas que põem em risco as riquezas dos biomas brasileiros.

À luz da fé, nos interrogaremos nas reflexões desta Campanha da Fraternidade de 2017 sobre o significado dos desafios apresentados pela situação atual dos biomas e dos povos que neles vivem. E abordaremos as principais iniciativas já existentes para a manutenção de nossa riqueza natural básica. Apontaremos propostas sobre o que podemos e devemos fazer em respeito à criação que Deus nos deu para cultivá-la e guardá-la.

CAPÍTULO I – VER – OS BIOMAS BRASILEIROS

Bioma Amazônia:

O bioma Amazônia ocupa 61% do território brasileiro e possui a maior reserva de água doce do mundo.  Seu principal rio, o Amazonas, lança no Oceano Atlântico cerca de 175 milhões de litros d´água a cada segundo, levando para as águas oceânicas materiais orgânicos e sedimentos que geram a biodiversidade marinha, colaborando para a temperatura do planeta. Também há o rio aéreo que leva água em forma de vapor pela região Centro-Oeste, Sul, Sudeste do Brasil.

Nesta região vivem aproximadamente 24 milhões de pessoas, sendo que 80% delas nas áreas urbanas, sem saneamento básico e outras mazelas. Há décadas os conflitos pelo território deste bioma geram mortes. O manejo florestal passou a ser uma atividade financiada pelo capital nacional e internacional e são inúmeras as denúncias de trabalho escravo. A expropriação privada de grandes áreas de terra continua sendo a principal causa de desmatamento. A pecuária é a principal atividade implantada nas áreas recentemente desmatadas. A construção de grandes hidrelétricas e atividades de mineração são responsáveis por boa parte dos danos ambientais e sociais nas comunidades.

O problema fundamental da Amazônia é o modelo de desenvolvimento adotado para a região. A disputa pelas riquezas faz com que a legislação flutue conforme os interesses das corporações econômicas que atuam na região. Indígenas, ribeirinhos e quilombolas lutam contra este modelo corrupto de busca desenfreada da riqueza e também pela manutenção de seus territórios. Graças a essas populações corajosas, ainda temos grande parte da floresta em pé. E junto aos  que lutam  pela vida digna na floresta, diversos leigos, sacerdotes, religiosos (as) derramaram seu sangue em nome da dimensão sociotransformadora da fé, cuja defesa dessas populações e do meio ambiente foram seu principal esforço.

BIOMA CAATINGA:

A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro, que abrange territórios de 8 estados do Nordeste e o Norte de Minas Gerais, onde vivem 27 milhões de pessoas. Esse bioma está sujeito a dois períodos secos anuais: um de longo período de estiagem, seguido de chuvas intermitentes e um de seca curta seguido de chuvas torrenciais (que podem faltar durante anos). Dos ecossistemas originais da caatinga, 80% foram alterados, em especial por causa de desmatamentos e queimadas.

Este bioma tem sido agredido pelas queimadas e pelo desmatamento para plantio de culturas que raramente se adaptam adequadamente como o caso do ciclo do algodão. Outras causas do desmatamento são o gado bovino solto nas caatingas e a geração de madeira para a indústria de gesso e para as carvoarias. O desmatamento gera a desertificação provocada pela economia irresponsável e predadora.

Embora ainda concentre 40% da população ma área rural, a ampliação dos centros urbanos médios e pequenos na Caatinga crescem, como em todas as regiões do Brasil e padecem dos mesmos problemas de saneamento, violência e outros males dos centros urbanos brasileiros.

A partir da década de 90 do século passado foi abandonada a ideia de lutar contra a seca – característica do bioma caatinga – e passou-se a difundir a ideia de aprender a conviver com o semiárido. Esta mudança de ideia promoveu a captação da água da chuva para beber, da defesa dos territórios das comunidades tradicionais e indígenas, valorização da cultura local, dos saberes dos povos caatingueiros, do aproveitamento da energia solar, dos ventos e outros potenciais da região. Também se expandiu a rede de infraestrutura social, como energia elétrica, adutoras, telefonia, internet, etc. Contudo, há ainda a debilitada infraestrutura da saúde, violência no campo e a presença das drogas nas cidades interioranas. A insegurança no campo tem provocado a migração para as áreas urbanas.

BIOMA Cerrado:

O Cerrado tem duas estações climáticas bem definidas: chuvosa e seca. O solo, de composição arenosa, é considerado o bioma brasileiro mais antigo. Sua vegetação é encontrada na região Centro-Oeste e também na região oeste de Minas Gerais e das regiões sul do Maranhão e do Piauí. Nesta área vivem 22 milhões de pessoas.

É no Cerrado que está a nascente das três maiores bacias da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em elevado potencial aquífero e grande biodiversidade. Esse bioma abriga mais de 6,5 mil espécies de plantas já catalogadas.

No Cerrado predominam formações da savana e clima tropical quente subúmido, com uma estação seca e uma chuvosa e temperatura média anual entre 22°C e 27°C.

Embora o Cerrado não produza água, ele acumula as águas das chuvas em seu subsolo poroso, principalmente as vindas dos “rios aéreos” amazônicos. Assim, os biomas Amazônico e Cerrado se unem para abastecer a bacia do Rio São Francisco. Um bioma tão antigo mostra-se frágil em sua capacidade de resistência e regeneração. A mão humana pode extinguir rapidamente um dos biomas mais antigos da face da terra.

Amparados por decisões governamentais de caráter duvidoso, o agronegócio avança sobre o bioma cerrado, principalmente para exploração do solo e aproveitamento desordenado das águas no subsolo. O agronegócio produz amplo desmatamento, sequestram a terra dos povos e comunidades tradicionais, modificam a química do solo, além de alterar o regime das águas, trazendo grande prejuízo a todo o território brasileiro. O que é preocupante é que o Cerrado, uma vez destruído, não se reconstitui.

A atividade garimpeira, intensa na região, contaminou os rios de mercúrio e contribuiu para seu assoreamento. A mineração favoreceu o desgaste e a erosão dos solos. Nos últimos 30 anos, a pecuária extensiva, as monoculturas e a abertura de estradas destruíram boa parte do cerrado. Hoje, menos de 2% está protegido em parques ou reservas.

A Igreja Católica está empenhada na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional –PEC 115/150 -, que inclui o Cerrado e a Caatinga como Patrimônios Nacionais. Também produz material popular para ativar a consciência da preservação ambiental junto às comunidades.

BIOMA MATA ATLÂNTICA 

A Mata Atlântica abrangia uma área equivalente a 1.315.460 quilômetros quadrados. Atualmente, somados todos os fragmentos de floresta acima de 3 hectares, temos 12,5% da sua área original.  Desde o descobrimento do Brasil a Mata Atlântica vem sendo destruída. O pau-brasil, característico dela, foi o principal alvo da extração e exploração daqueles que colonizavam o Brasil.

Os relatos antigos falam de uma floresta aparentemente intocada, apesar de habitada por vários povos indígenas. Hoje a concentração urbana neste bioma abriga a maioria das capitais litorâneas e regiões metropolitanas. Nestas regiões o saneamento básico ainda é um sonho para muitos.

A Mata Atlântica já foi um dos mais ricos e variados conjuntos florestais pluviais da América do Sul, mas atualmente é reconhecida como o bioma brasileiro mais descaracterizado. Isso porque os primeiros episódios de colonização no Brasil e os ciclos de desenvolvimento do país levaram o homem a ocupar e destruir parte desse espaço.

A pressão sobre a Mata Atlântica é histórica e ao longo do tempo muda de aspecto e aumenta em intensidade. Começa com a extração do pau-brasil, passa por vários ciclos econômicos de cana de açucar, café, ouro, fumo. A devastação total da araucária ocorreu a partir do século XX com a intensa exploração da agricultura e agropecuária, assim como a expansão urbana desordenada.

Entre as interferências no processo cultural do bioma Mata Atlântica estão as empresas nacionais e transnacionais. Elas investem na monocultura do eucalipto, o que provoca, em vários estados brasileiros, o “deserto verde”. Outra situação preocupante  é que grande parte do que resta da Mata Atlântica está nas mãos de proprietários particulares, que precisam ser conscientizados sobre a necessidade da preservação do bioma Mata Atlântica.

No Bioma Mata Atlântica a concentração populacional na área urbana leva à ocupação em áreas de risco, de mananciais e encostas de morros. Os serviços de tratamento de esgoto, resíduos sólidos ainda são muito precários o que aumenta a degradação do ambiente. O maior problema deste e de outros biomas são as consequências de um modelo econômico que para gerar riqueza tem que concentrar pessoas e destruir o ambiente no qual se insere.

A ganância capitalista, conivência do poder público e falta de consciência ecológica tem provocado a degradação do meio ambiente e a expulsão de diversas comunidades. A ausência do saneamento básico é outra grave ameaça. Grande parte dos esgotos das residências de áreas urbanas e rurais é despejada diretamente nos rios, no mar e nos mangues.

A falta do comprometimento político em relação ao uso e ao cuidado da água tem gerado consequências sentidas pela população nestes últimos anos com a baixa do espelho d´água em muitos reservatórios (represas) e consequente racionamento do líquido da vida.

BIOMA PANTANAL:

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o bioma Pantanal é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. O Pantanal é um bioma praticamente exclusivo do Brasil, pois apenas uma pequena faixa dele adentra outros países (o Paraguai e a Bolívia).

O BIOMA Pantanal é caracterizado por inundações de longa duração (devido ao solo pouco permeável) que ocorrem anualmente na planície, e provocam alterações no ambiente, na vida silvestre e no cotidiano das populações locais. A vegetação predominante é a savana. A cobertura vegetal original de áreas que circundam o Pantanal foi em grande parte substituída por lavouras e pastagens, num processo que já repercute na Planície do Pantanal.

Esse bioma é muito influenciado pelos regimes dos rios presentes nesses lugares, pois, durante o período chuvoso (outubro a abril), a água do pantanal alaga grande parte da planície da região. Quando o período chuvoso acaba, os rios diminuem o seu volume d’água e retornam para os seus leitos. Por essa razão, a vegetação e os animais precisam adequar-se a essa movimentação das águas. Todos esses fatores tornam a vegetação do pantanal muito diversificada, havendo exemplares adaptados à umidade, plantas típicas do Cerrado e da Amazônia e, nas áreas mais secas, espécies adaptadas à pouca umidade.

A expansão desordenada e rápida da agropecuária, com a utilização de pesadas cargas de agroquímicos, a exploração de diamantes e de ouro nos planaltos, com a utilização intensiva de mercúrio, são responsáveis por profundas transformações regionais. A mineração ativa na região podem afetar os lençóis freáticos que abastecem os rios, córregos e poços, contaminando a água.

A falta de visão e políticas integradas para o Pantanal, que considerem as necessidades essenciais das populações locais resulta em ações isoladas e com pouca repercussão em sua totalidade. Além disso, as principais demandas sociais vão sendo postas em segundo plano.

BIOMA PAMPA:

O bioma pampa ocupa 63% do território do Rio Grande do Sul e é marcado por clima chuvoso, sem período seco regular e com frentes polares e temperaturas negativas no inverno. Esse bioma é bastante influenciado pelo clima subtropical e pela formação do relevo, que é constituído principalmente por planícies. Em virtude do clima frio e seco, a vegetação não consegue desenvolver-se, sendo constituída principalmente por gramíneas, como capim-barba-de-bode, capim-gordura, capim-mimoso etc.

A vegetação predominante do pampa é constituída de ervas e arbustos, recobrindo um relevo nivelado levemente ondulado. Formações florestais não são comuns nesse bioma e, quando ocorrem, são do tipo floresta ombrófila densa (árvores altas) e floresta estacional decidual (com árvores que perdem as folhas no período de seca).

A progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do bioma Pampa. Estimativas de perda de habitat dão conta de que em 2002 restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da vegetação nativa do Bioma Pampa.

Atualmente, muitas mulheres rurais nos Pampas são responsáveis e mantenedoras da economia doméstica, organizando-se em cooperativas, lidando com a pecuária de leite, artesanato, etc. Também muitas delas são conhecedoras das ervas medicinais e dos processos de curas naturais auxiliando na preservação dos recursos naturais.

A ovinocultura, tanto pelo uso da carne como da lã, ainda é a mais forte tradição da região Pampa, mas sua principal atividade continua sendo a criação do gado bovino. O chimarrão, o churrasco, a música de fronteira, são riquezas que permanecem mesmo em tempos da indústria cultural.

Entre os desafios e as fragilidades do bioma Pampa estão as iniciativas governamentais que contrariam a vocação natural da região para a pecuária e o turismo. Estas iniciativas incluem grandes plantios de pinus e eucaliptos que causam impactos ambientais, tais como: alteração dos recursos hídricos; interferência no regime dos ventos e de evaporação.

Outras preocupações que ameaçam o bioma Pampa são a ampliação da área de soja, trigo e arroz e a cultura da mamona para a elaboração de biocombustível. Há ainda a antiga e constante ameaça da mineração e queima de carvão mineral, o que aumenta a incidência e frequência de doenças pulmonares.

É no Pampa que existe a grande maioria dos latifúndios do Rio Grande do Sul que, além da criação de gado, apostam na monocultura de eucalipto, acácia e pinus. Estes monocultivos são denominados pelos Movimentos Sociais de “Deserto Verde”, exatamente porque são extremamente nocivos ao meio ambiente, prejudicando a fauna e a flora originais do Pampa. É importante destacar que, apesar de ser região latifundiária, há muitas famílias de pequenos agricultores, indígenas, quilombolas.

CAPÍTULO II – JULGAR

NA SAGRADA ESCRITURA

A Sagrada Escritura, embora  não se preocupa diretamente com os biomas, oferece elementos que iluminam a temática a partir do projeto de Deus nela apresentado. Tal projeto inicia-se pela criação e organização do mundo. E conhece uma ruptura por causa do pecado. Seu verdadeiro significado é revelado em Cristo Jesus. A reflexão que segue está dividida nesses três momentos buscando apresentar que o mundo e as criaturas fazem parte desse projeto de Deus.

HARMONIA ORIGINAL DO MUNDO FOI CRIADO POR DEUS

A criação é apresentada em dois relatos. O primeiro apresenta a criação sendo realizada em sete dias (Gn 1,1-2,4a). Cada um dos seis primeiros dias tem em seu programa um elemento necessário para a continuidade da obra no outro dia (Gn 1,3-24). O sétimo dia tem como programa o descanso divino.  O segundo relato destaca Deus providenciando a chuva e para a fecundação da terra e só depois cria o homem e o coloca como guardião de toda obra criada.

A criação é obra prima das mãos de Deus (Salmo 8).  A acusação que a ordem de Deus “enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28) favoreceria a exploração selvagem da natureza se baseia em uma má compreensão do texto.  O Papa Francisco na encíclica Laudato SI explica que “cultivar” quer dizer proteger, cuidar, preservar, velar. Isso implica uma relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza. A criação pertence a Deus  (Sl 24; Lv 25,23). O homem, que é imagem e semelhança de Deus, recebeu a vocação de cuidar e guardar com atenção dos seres que dela fazem parte.

As primeiras páginas do livro do Gênesis relatam também a triste realidade do pecado do homem (Gn 3,6). O ser humano provoca uma ruptura nas relações. A primeira relação a ser ferida é com Deus. As relações interpessoais também são afetadas (Gn 3,12-13). E a ruptura dos relacionamentos inclui o mundo criado (Gn 19; Ex 8-11; 2 Sm 24). O relato do pecado afirma como consequência da queda a hostilidade da terra ao homem (Gn 3,19).

Aos profetas caberá a missão de denunciar o pecado confrontado com o plano de Deus e também a insistência para o valor do arrependimento (Am 5,4;. Os 14; Jr 3,12; Is 55,7; 57,15; Ez 18,23). Os profetas têm consciência plena de que as relações serão restauradas (Is 2,4; Is 60,18-19): “o lobo, então, será hóspede do cordeiro, o leopardo vai se deitar ao lado do cabrito, o bezerro e o leãozinho pastam juntos, uma criança pequena toca os dois(…) O bebê vai brincar no buraco da cobra venenosa (Is 11,6-8).

TEMPOS MESSIÂNICOS: restauração de tudo em Cristo

Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebermos a dignidade de filhos (Gl 4,4-5). A iniciativa é sempre de Deus, porque o homem em si é incapaz de se reconciliar com seu Criador por suas próprias forças(2 Cor 5,18; Rm 5,10; Mt 6,9-13; Jo 20,17).

Jesus, nas suas mensagens catequéticas utiliza de elementos da criação (Jo 4,10-14; Mt 5,45; Jo 15;; Mc 4,1-20). Assim, por meio da contemplação da natureza o ser humano é convidado por Jesus a compreender que sua vida está nas mãos de Deus (Mt 6,28-29). Somente buscando o Reino de Deus em primeiro lugar o homem pode libertar-se do incansável desejo de possuir (Mt 6,33-34).

A redenção da criação é apresentada em Apocalipse 21-22 através da imagem da Jerusalém celeste. Antes disso, o livro do Apocalipse apresenta o desequilíbrio gerado pelo pecado do homem em toda a criação: rios poluídos (Ap 8,8); queimadas (Ap 8,7); terremotos (Ap 16,18); doenças (Ap 9,4-5). Quando tudo parece perdido, Deus age e coloca fim no sofrimento, fazendo surgir um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1). Jesus reconstrói toda a criação e faz novas todas as coisas (Ap 21,5)

A tomada de consciência do desafio ecológico à ação da Igreja

O Beato Paulo VI iniciou a reflexão do magistério pontifício sobre ecologia na carta apostólica Octogesima Adveniens, em comemoração dos 80 anos da encíclica Rerum Novarum do papa João XXIII. Dizia Paulo VI que: “Não só já o ambiente material se torna uma ameaça permanente, poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto; é mesmo o quadro humano que o homem não consegue dominar, criando assim, para o dia de amanhã, um ambiente global, que poderá tornar-se para a humanidade insuportável” (AO 21).

Continuando o pensamento de seu antecessor, São João Paulo II, na mensagem para o vigésimo terceiro Dia Mundial da Paz (01/01/1990) afirmou: “O gradual esgotamento da camada do ozônio e o consequente efeito estufa que ele provoca já atingiram dimensões críticas, por causa da crescente difusão das indústrias, das grandes concentrações urbanas e do consumo de energia. Lixo industrial, gases produzidos pelo uso de combustíveis fósseis, desflorestamento imoderado” (…) “tudo isto, como se sabe é nocivo para a atmosfera e para o ambiente”.

Em sua encíclica Centesimus Annus (01/05/1991) São João Paulo II considera que o homem, tomado mais pelo desejo do ter e do prazer, do que pelo ser e crescer consome de maneira desordenada os recursos da terra e da sua própria vida. Segundo ele, a atenção à preservação dos habitat naturais das diversas espécies animais ameaçadas de extinção deve ir de mãos dadas com o respeito pela estrutura natural e moral, da qual o homem foi dotado. Para São João Paulo II a crise ambiental não é só científica e tecnológica, mas fundamentalmente moral.

O sucessor de São João Paulo II, o Papa Bento XVI foi apresentado como “o primeiro papa verde”. Em sua mensagem para o sexagésimo Dia Mundial da Paz (01/01/2007) ele retomou e consolidou a relação inseparável que existe entre ecologia da natureza, ecologia humana e ecologia social.  Na encíclica Caritas in Veritate (29/06/2009) ele recordou a urgência de uma solidariedade que leve a uma redistribuição mundial dos recursos energéticos, de modo que os próprios países desprovidos possam ter acesso a eles. Na audiência Geral de 26/08/2009 afirmou: “é indispensável converter o atual modelo de desenvolvimento global para uma maior e compartilhada assunção de responsabilidade em relação à criação: isso é exigido não só pelas emergências ambientais, mas também pelo escândalo da fome e da miséria”.

No magistério do Papa Francisco aparece uma clara visão global, em continuidade com seus antecessores. Em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium (24/11/2013) o pontífice argentino afirmou: “Nós, os seres humanos, não somos meramente beneficiários, mas guardiões das outras criaturas. Pela nossa realidade corpórea, Deus uniu-nos tão estreitamente ao mundo que nos rodeia que a desertificação do solo é como uma doença para cada um, e podemos lamentar a extinção de uma espécie como se fosse uma mutilação”.

O Papa Francisco diz que o tempo para encontrar soluções globais está acabando. Por isso percebeu o sumo pontífice que já era chegado o momento de produzir um documento oficial sobre a ecologia. E assim nasce a Laudato SI aos 24 de maio de 2015. Nesta, que é a primeira encíclica ecológica, o Papa indica como um dos eixos fundamentais da reflexão ecológica a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta. Tanto a natureza como os pobres são usados como formas para o lucro fácil: exploração da mão de obra barata e extração desenfreada dos recursos naturais, tudo em nome do lucro fácil disfarçado de progresso humano.

CONCLUSÃO

A reflexão sobre os biomas e os povos originários recebe uma rica iluminação da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja. É preciso que a constatação das riquezas e dos desafios ligados ao tema da Campanha da Fraternidade seja levada à ação a partir de uma reflexão serena e profunda dos ensinamentos da tradição cristã.

A partir da fé cristã, é grande a contribuição que pode ser dada às questões da ecologia integral e, em particular, à convivência harmônica com os nossos biomas. Como afirma o Papa Francisco: “as convicções da fé oferecem aos cristãos – e, em parte, também a outros crentes – motivações importantes para cuidar da natureza e dos irmãos e irmãs mais frágeis”. (Laudato Si n.64).

CAPÍTULO III- AGIR

O agir da Campanha da Fraternidade de 2017 está em sintonia com a Doutrina Social da Igreja, principalmente com a encíclica Laudato SI e com a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016. Elas indicam a necessidade da conversão pessoal e social, dos cristãos e não cristãos, para cultivar e cuidar da criação. A encíclica Laudato Si propõe a ecologia integral como condição para a vida do planeta.

A Campanha da Fraternidade 2017 também está em sintonia com a celebração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Sob as bênçãos de Maria, rogamos a Deus para nos encorajar a fim de que possamos fazer ecoar nosso grito à sociedade brasileira e ao mundo que os biomas pedem socorro.

O AGIR NO BIOMA AMAZÔNIA: Precisa ser superada a ideia da Amazônia como terra a ser explorada. É preciso aprender com os povos originários e comunidades tradicionais a convivência com o meio ambiente. É preciso igualmente fortalecer as cooperativas, baseadas no agroextrativismo que gera renda para muitas famílias. Também é necessário fortalecer as políticas públicas por saneamento básico e transporte público de qualidade.

O AGIR NO BIOMA CAATINGA: A Caatinga é um bioma extremamente frágil. Nas últimas décadas 40 mil quilômetros quadrados deste bioma se transformaram em deserto por interferência do homem. Além de lutar contra a desertificação, é preciso ainda retomar as discussões sobre a realidade urbana, principalmente em relação ao esgotamento sanitário. Ampliar o uso de cisternas para captação das águas da chuva e desenvolver a captação da energia solar e uso da energia eólica. Reforçar a luta pela demarcação dos territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Trazer para as escolas o estudo sobre um correto entendimento do bioma caatinga para que as pessoas ali residentes aprendam a conviver e superar os desafios da seca.

O AGIR NO BIOMA CERRADO: Promover o intercâmbio entre as comunidades locais. Fortalecer a agricultura familiar e a preservação e recuperação das frutas e das ervas medicinais. Reforçar a campanha promovida por diversas entidades cujo lema é: Cerrado, berço das águas: sem Cerrado, sem água, sem vida. Exigir controle mais rígido sobre o licenciamento de novos projetos de irrigação.

O AGIR NO BIOMA MATA ATLÂNTICA: Exigir do poder público a recuperação das áreas degradadas do bioma, como as matas ciliares e nascentes. Exigir que as políticas de saneamento básico sejam implantadas em toda a área urbanizada e rural do bioma Mata Atlântica. Cuidar das nascentes e dos rios. Apoiar as ações em defesa do bioma frente ao avanço das mineradoras que degradam e retiram riquezas. Denunciar os projetos econômicos imobiliários em áreas de Preservação Permanente (APP). Apoiar a produção agroecológica camponesa com base na agricultura familiar, como alternativa ao latifúndio e o agronegócio. Incentivar o consumo de produtos agroecológicos e sustentáveis da Economia Solidária.

O AGIR NO BIOMA PANTANAL: Dar visibilidade as populações pantaneiras com suas culturas e costumes. Apoiar os povos indígenas para garantir que suas terras ancestrais lhes sejam demarcadas, afastando os fazendeiros gananciosos da região. Promover campanhas de conscientização quanto ao descarte adequado dos resíduos sólidos e esgotos sanitários, para preservar os rios, lagos e igarapés. Promover a integração das lideranças indígenas e das populações tradicionais na luta pelas causas comuns. Assegurar a presença efetiva da Igreja na assistência espiritual às comunidades católicas indígenas.

O AGIR NO BIOMA PAMPA: É notório que o bioma Pampa está sendo ameaçado e tem seus ecossistemas modificados, Por esta razão, propomos incentivar ações que promovam o direito à vida e a cultura dos povos tradicionais que habitam o bioma. Conscientizar da necessidade de defender a biodiversidade animal e vegetal do bioma. Propor novos métodos de produção das áreas ocupadas pelo agronegócio através da recomposição da vegetação original e de cultivo agroecológico. Motivar a recuperação das fontes de água potável, rios, lagoas e banhados através de políticas de despoluição, replantio das matas ciliares e redefinição de seu uso. Exigir políticas públicas para o controle de exploração e comercialização da água, com incentivo ao controle social.

CONCLUSÃO GERAL

As indicações do agir não são de caráter geral. É importante que cada comunidade, a partir do bioma em que vive, e em relação com os povos originários desse bioma, faça o discernimento  de quais ações são possíveis e, entre elas quais são as mais importantes e de impacto mais positivo e duradouro. Para este discernimento é importante ouvir a mensagem do Papa Francisco proferida no dia 01/09/2016 no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. Francisco convida a renovar o diálogo sobre os sofrimentos que afligem os pobres e a devastação do meio ambiente. Para o Papa Francisco, é por nossa causa que milhares  de espécies já não dão glória a Deus com sua existência. É devido à atividade humana que o planeta continua a aquecer. Este aquecimento provoca mudanças climáticas que geram a dolorosa crise dos migrantes forçados. Os pobres do mundo, embora sejam os menos responsáveis pelas mudanças climáticas, são os mais vulneráveis e já sofrem os seus efeitos.

A Campanha da Fraternidade 2017, abordando a realidade dos biomas brasileiros e as pessoas que neles moram, deseja despertar as comunidades, famílias e pessoas de boa vontade para o cuidado e cultivo da casa comum. Cuidar da obra saída das mãos de Deus deveria ser um compromisso de todo cristão.

A criação é obra amorosa de Deus confiada a seus filhos e filhas. Nossa Senhora, Mãe de Deus e dos homens acompanhará as comunidades e famílias no caminho do cuidado e cultivo da casa comum no tempo quaresmal.

 

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