Amélia morreu

Amelia Morreu

     Não era algo esperado para já.  Sua morte, por conta das muitas doenças, era prevista, mas a esperança alimentava os corações  com a certeza de que teria ainda alguns anos pela frente.  Após um mal súbito, uma dor forte no peito, ela desmaiou.  Levada para o hospital, foi imediatamente internada na Unidade de Tratamento Intensivo. A  família podia vê-la apenas alguns minutos por dia, sem que vissem da enferma nenhuma reação. Era um corpo inerte na casa, rodeado por luzes, enfermeiras e envazado por tubos.

        Alguns dias antes do mal súbito  havia sonhado que estava num carro cheio de luzes que tocava uma música de apenas duas notas. Contou este sonho para os filhos e o marido. Ninguém soube interpretar o  que significavam tais imagens.  Na saída da UTI, uma das filhas relembrou o sonho.

       - Era da ambulância que ela falava, disse a filha

       O marido ouviu quieto. Sim, pensou, era a ambulância com as luzes vermelhas e o som tocando alto…

       Outro filho lembrou-se de um sonho que Amélia tivera muito tempo atrás. Sonhara que fazia uma viagem sozinha, para um lugar desconhecido. Estava com medo. Porém, três semanas após ter chegado ao destino da viagem, a família inteira viera ao seu encontro e nunca mais se separaram.

       Todos começaram a tentar decifrar o sonho da viagem. O que seria?

      Enquanto ainda conjecturavam acerca da viagem fictícia, uma das enfermeiras veio ao encontro da família de Amélia

      – Infelizmente tenho que informá-los que ela morreu

     - Foi um baque! Todos choravam copiosamente. E nem mais se lembravam do sonho da viagem. Providenciaram o velório e o enterro. No dia seguinte ao féretro, uma das filhas procurou o pai à noite, e lhe disse:

       - Pai, o sonho da ambulância se realizou. E aquele da viagem?  Será que daqui três semanas iremos todos morrer?

       - Minha filha, é hora de dormir… Vamos deixar esta conversa para amanhã…

       Mas quem disse que o esposo de Amélia dormiu? Era um assunto sério.

       Após três semanas, uma coisa aconteceu. Uma velha tia veio visitá-los e tinha um pedido muito estranho a fazer.

      – Meus sobrinhos, preciso que vocês venham comigo até minha casa. Há algo lá que pertencia a Amélia.

       Imediatamente pai e filhos a acompanharam.

      Na frente da casa da tia havia um bonito jardim

. A velha senhora disse para os parentes enlutados:

- Aqui, nesta terra deste jardim, Amélia plantou certa vez uma muda de rosas brancas. Acontece que o galinho da flor murchou e morreu. No dia do falecimento dela, antes mesmo de saber da notícia, vi um pedacinho de verde neste local. E agora, após três semanas, vejam a linda rosa branca que desabrochou… Creio que é um sinal…

        Era de fato um sinal. Amélia queria novamente desabrochar na vida de todos. E não queria ser lembrada como a mulher na UTI ou dentro do caixão.

        Há pessoas que sepultam seus entes queridos duas vezes. Enterram o corpo e a história, pois só se lembram dos momentos da doença ou do velório. Amélia queria, a partir daquele momento, ser lembrada como a Rosa que perfumou a vida de todos durante todos os anos que com eles conviveu.

        Misteriosamente as rosas brancas continuaram a florir e até hoje há sempre uma delas  colocada num vaso sobre a mesa central da sala da família de Amélia. Quando uma murcha, logo outra é colhida e depositada ali.

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2012 PENTECOSTES

DOMINGO DE PENTECOSTES.

A missão da comunidade (João 20,19-23).

A PAZ ESTEJA COM VOCÊS!

Sugerimos a reflexão do CEBI. (Centro de Estudos Bíblicos).

1. OLHAR DE PERTO AS COISAS DA NOSSA VIDA

Somos convidados a meditar sobre a aparição de Jesus aos discípulos e a missão que eles receberam. Eles estavam reunidos com as portas fechadas porque tinham medo dos judeus. De repente, Jesus se coloca no meio deles e diz: “A paz esteja com vocês!” Depois de mostrar as mãos e o lado, ele diz novamente: “A paz esteja com vocês! Como o pai me enviou, eu envio vocês!” Em seguida, lhes dá o Espírito Santo para que possam perdoar e reconciliar. A Paz! Reconciliar e construir a paz! Esta é a missão quer recebem.

2. COMENTANDO

João 20,19-21: A experiência da ressurreição

Jesus se faz presente na comunidade. As portas fechadas não podem impedir que ele esteja no meio dos que nele acreditam. Até  hoje é assim! Quando estamos reunidos, mesmo com todas as portas fechadas, Jesus está no meio de nós. E até hoje, a primeira palavra de Jesus é e será sempre: “A paz esteja com vocês!” Ele mostrou os sinais da paixão nas mãos e no lado. O ressuscitado é o crucificado! O Jesus que está conosco na comunidade não é um Jesus glorioso que não tem mais nada em comum com a vida da gente. Mas é o mesmo Jesus que viveu nesta terra, e traz as marcas da sua paixão. As marcas da paixão estão hoje no sofrimento do povo, na fome, nas marcas de tortura, de injustiça. É nas pessoas que reagem, lutam pela vida e não se deixam abater que Jesus ressuscita e se faz presente no meio de nós.

João 20,21: O envio – “Como o Pai me enviou, eu envio vocês!”

É deste Jesus, ao mesmo tempo crucificado e ressuscitado, que recebemos a missão, a mesma que ele recebeu do Pai. E ele repete: “A paz esteja com vocês!” Esta dupla repetição acentua a importância da paz. Construir a paz faz parte da  missão. Paz significa muito mais do que só ausência de guerra. Significa construir uma convivência humana harmoniosa, em que as pessoas possam ser elas mesmas, tendo todas o necessário para viver, conviver felizes e em paz. Esta foi a missão de Jesus, e é também a nossa missão. Numa palavra, é criar comunidade a exemplo da comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

João 20,22: Jesus comunica o dom do Espírito

Jesus soprou e disse: “Recebei o Espírito Santo”. É só com a ajuda do Espírito de Jesus que seremos capazes de realizar a missão que ele nos dá. Para as comunidades do Discípulo Amado, Páscoa (ressurreição) e Pentecostes (efusão do Espírito) são as mesmas coisas. Tudo acontece no mesmo momento.

João 20,23: Jesus comunica o poder de perdoar os pecados

O ponto central da missão de paz está na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam: “Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados será perdoado e aqueles a quem retiverdes serão retidos!” Este poder de reconciliar e de perdoar é dado à comunidade (Jo 20,23; Mt 18,18). No Evangelho de Mateus é dado também a Pedro (Mt 16,19).  Aqui se percebe a enorme responsabilidade da comunidade. O texto deixa claro que uma comunidade sem perdão nem reconciliação já não é a comunidade cristã.

AFONSO DIAS É BÍBLISTA, E ASSESSOR DO CEBÍ-SP E SUL DE MG. (35)9924-0250 (11)4538-1446 OU (11)7189-5746 e-mail abdias49@bol.com.br Senador Amaral- MG ou Itatiba-SP

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NAS HORAS DE DEUS, AMÉM!

NAS HORAS DE DEUS, AMÉM!


SEIS HORAS DA MANHÃ – Hora de elevar aos céus o agradecimento por mais um dia!

Obrigado, Senhor, por mais um dia em minha vida. Que eu possa ser vosso instrumento de paz para as pessoas. Desde agora eu peço a Vossa poderosa benção sobre todos os que cruzarem o meu caminho. Amém!

NOVE HORAS DA MANHÃ! Hora de pedir que Deus perdoe meus erros do passado e que as lembranças deles me ajudem a acertar neste dia.

Senhor, perdoe meus erros e me ajude a ser melhor neste dia. Que eu possa aprender que o momento presente é a única realidade que tenho em minhas mãos. Obrigado, Senhor, pela vida!

MEIO DIA – Hora de almoçar – alimentar o corpo, que é o Templo do Espírito Santo!

Obrigado Deus misericordioso pelo alimento que vou tomar graças a vossa bondade. Abençoa os agricultores que plantaram e colheram este alimento. Benditas sejam as criaturas que o Senhor nos concedeu para que nos dessem do seu corpo como alimento. Que fortalecido por estes alimentos, eu possa servir-vos com muito mais vigor e ânimo. Amém!

TRÊS HORAS DA TARDE –  hora em que Jesus entregou seu Espírito a vós, Deus Pai bondoso. Neste momento eu peço que me ajudeis a perdoar às pessoas que me ofenderam no decorrer deste dia. Peço também vossa benção para que eu possa realizar todas as tarefas que ainda faltam para que, à noite, descanse tranquilo.  Senhor, ilumina a minha mente para que eu saiba decidir a coisa certa, na hora certa e do jeito certo. Amém!

SEIS HORAS DA TARDE – quase findando mais um dia!

Obrigado Senhor por este dia que vivi. Houve alegrias, algumas tristezas, mas estas duas realidades fazem parte da vida. Em vossas mãos entrego tudo o que pude realizar durante este dia. E peço que a vossa misericórdia me ajude a terminar as tarefas que ficaram para amanhã. Vem, Senhor, proteger-me neste início de noite.

Ó MARIA SANTÍSSIMA, que o vosso Manto Sagrado me envolva com a vossa maternal ternura. Ó Maria concebida sem pecado, rogai por mim que recorro a vós!

 

MEIA NOITE – Hora do merecido descanso!

Senhor, que os vossos anjos me protejam durante a noite. Que a minha mente possa repousar nas sombras da vossa bondade. E que amanhã, se for da vossa vontade, que eu desperte com muita coragem para viver e colaborar na construção do vosso Reino de amor e Justiça

Obrigado, Senhor, pela vida! Com Deus Pai me deito, com Deus Pai me levanto, com as graças do seu bendito Filho, Jesus Cristo, e os dons do Espírito Santo. Amém!

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COMIPA – como formar o COMIPA conselho missionário paroquial

COMO FORMAR O COMIPA NA PARÓQUIA

COMIPA é a sigla de CONSELHO MISSIONÁRIO PAROQUIAL.

A função do COMIPA é justamente o que o nome diz: avaliar o andamento da pastoral paroquial para verificar como as ações de cada grupo está sintonizada ou não com o Espírito Missionário. Afinal de contas, a Igreja existe para a Missão. Mas não é qualquer  missão. É a Missão da Trindade. Deus Pai enviou seu Filho Jesus Cristo ao mundo para nos salvar de todas as mazelas que o pecado colocou no coração humano. Depois de cumprida a sua missão, Jesus enviou seus discípulos a pregar o Evangelho. Então concedeu-nos o Espírito Santo para inspirar as ações e indicar os caminhos da Evangelização.

Toda a ação da Igreja, pois, é envolvida pelo espírito da Missão da Trindade Santíssima.

Para formar o COMIPA na Paróquia é preciso que primeiramente o responsável pelas pastorais (Padre, Diácono e em alguns lugares até mesmo freiras) esteja com o coração aberto e a mente esclarecida de que a Missão é a tarefa primordial da Igreja. Com este espírito decididamente missionário, o responsável convoca algumas pessoas de várias pastorais que possam formar o COMIPA. Estas pessoas todo mês se reúne para avaliar  o andamento missionário paroquial. As perguntas que sempre fazem são estas:

1- Estamos agregando novas pessoas à comunidade?

2- Estamos conseguindo chegar às pessoas em seus ambientes (familiar, trabalho, lazer)?

3- Estamos conseguindo chegar aos jovens?

4- Estamos conseguindo com que as crianças que fizeram a primeira Eucaristia e os jovens crismados permaneçam na comunidade?

5- Estamos conseguindo fazer com que “famílias” inteiras participem da comunidade?

6- Estamos conseguindo fazer com que os membros das pastorais se interessem mais pela Palavra de Deus?

A partir destas avaliações, o COMIPA propõe ações às pastorais que possam fazer com que a Missão consiga atrair pessoas para Jesus Cristo e se tornem Dele discípulos e missionários. Ao mesmo tempo propõe que os evangelizadores leigos se abram à formação bíblica, fonte primordial da missão evangelizadora.

Uma das mais importantes ações do COMIPA é fazer com que todas as pessoas envolvidas em quaisquer equipes (batismo, liturgia, dízimo, catequese, etc.) se sintam missionárias na paróquia.

Para que o COMIPA ganhe a importância devida, seus membros podem ter uma camiseta específica. Nos tempos fortes da evangelização – NOVENAS DO ADVENTO ou NOVENAS DA QUARESMA – os evangelizadores que percorrem as casas devem usar a camiseta onde se lê o nome da Paróquia e abaixo deste a sigla COMIPA.

Para que a Paróquia funcione missionariamente e crie grupos de convivência é importante dividi-la em setores  que podem ser compostos pela proximidade das casas. É preciso estudar bem esta divisão para que o setor não fique composto por mais de 20 casas. O mínimo de 12 e o máximo de 20 famílias, Feita a divisão, deve ser indicado um coordenador(a) do setor. Cada um dos coordenadores, juntamente com os membros do setor, escolhe um nome. As pastorais, por sua vez, terão o terreno dos setores para plantar suas sementes.

Em cada setor pode ser verificado:

Batismo – existem crianças ou adultos não batizados?

Catequese – existem crianças ou adultos que não fizeram a primeira eucaristia?

Liturgia – existem famílias que não participam das missas e outras atividades da comunidade?

Muitas outras realidades podem ser descobertas nos setores. O papel do COMIPA é incentivar as pastorais a descobrirem os setores como ambiente menor onde se pode evangelizar com jeito mais humano e próximo das pessoas. Com a criação dos setores a evangelização deixa de ser aquela que bate o sino e espera as pessoas virem. Os sinos continuam a ecoar, mas os evangelizadores e a evangelização vai atrás das famílias e a elas propõe a participação na Igreja.

O COMIPA, pois, é um instrumento de reorganização da mentalidade paroquial.

VALE A PENA CONSTITUIR O COMIPA.

A Paróquia de Santo Antonio e Nossa Senhora Aparecida tem o COMIPA e está sendo uma benção para todos nós!!!!!!! 

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GRATUIDADE: a maior dificuldade para viver o cristianismo

GRATUIDADE: DESAFIO DA MISSÃO DOS SEGUIDORES DE JESUS

Quem segue os passos de Jesus descobre que a salvação não é um sistema de trocas: toma lá – dá cá. Deus não é um banqueiro do mundo espiritual, sempre disposto a cobrar o que estamos devendo. Aliás, Cristo não morreu por nós porque éramos merecedores.(leia Romanos 5,7-8). Somos todos devedores, necessitados da misericórdia divina e convidados a sermos misericordiosos uns para com os outros. Por isso, toda pessoa chamada por Deus tem que estar mergulhada na espiritualidade da gratuidade do amor divino se quiser ser um verdadeiro seguidor de Jesus, caminho, verdade e vida. O que é gratuidade? Uma pequena história pode ajudar-nos a entende-la:

José caminhava em uma rua escura e foi abordado por um ladrão que, apontando-lhe a arma, anunciou o assalto.

-          Estou sem dinheiro, só tenho este relógio, disse assustada a vítima.

-          Então me dê o relógio.

Uma terceira pessoa viu a cena e decidiu ajudar. Silenciosamente aproximou-se e, com um golpe que atordoou o delinqüente, conseguiu tomar-lhe a arma. Desarmado, o assaltante fugiu. Aliviado José disse um emocionado obrigado àquele que o ajudou.

-          Obrigado nada! Eu arrisquei minha vida por você e mereço uma recompensa.

-          Mas eu só tenho este relógio, disse o que fora salvo do algoz agressor.

-          Então me dê o relógio que eu fico satisfeito!

E o salvador foi embora com o relógio de José e a arma do assaltante.

Gratuidade é agir desinteressadamente. É assim que Deus age por nós e foi movido pela gratuidade do amor que seu Filho derramou o sangue na cruz para nos salvar.  Assim, toda pessoa que se dispõe a anunciar a Palavra Divina precisa deixar de lado interesses particulares. O único objetivo é fazer com que os ouvintes da Boa Nova descubram que o mais importante nesta vida é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. O amor é alimentado pela gratuidade, e a falta dela é o mal maior deste nosso tempo. Da busca desenfreada das vantagens pessoais surge a corrupção, a falsificação de remédios, brigas entre familiares, nações, igrejas, traições, roubos, etc.

Para viver a gratuidade, o discípulo de Jesus precisa cumprir quatro exigências: A primeira é não esquecer que é Deus quem nos chama e dele recebemos os dons para servir a missão que nos foi confiada. Usando uma frase conhecida: “Deus não escolhe pessoas capacitadas, mas capacita os escolhidos”. Recebemos este chamado através de mensageiros divinos, que nem sempre são pessoas ligadas às Igrejas. A segunda exigência é viver a intimidade com Deus e entregar-se a Ele em confiança, porque sem confiança não há amor, não há fé e nem esperança. Ninguém conhece realmente a Deus sem confiar no seu amor que é capaz de tudo, porque quer nos salvar gratuitamente.

Cumpridas estas duas exigências, o discípulo está apto a anunciar. A terceira exigência é fazer este anúncio através da união entre a ação e a contemplação, entre o encontro com Deus e o encontro com o próximo. A contemplação autêntica não separa o absoluto de Deus dos apelos dos irmãos, especialmente dos mais pobres.  Jesus deu o exemplo, fazendo a síntese entre o contemplativo e o compromisso, de modo especial, no texto do juízo final (leia Mateus 25, 33-44). Acolher a Deus é se solidarizar com os sofredores. Vivendo a gratuidade, o discípulo de Jesus testemunhará a alegria de servir a Deus e aos irmãos, a quarta exigência. (Leia João 16,20; Mateus 13,44; Filipenses 4,4 e Romanos 12,6-8). O seguidor de Jesus que vive a gratuidade é também um pouco poeta e profeta, capaz de gostar das flores, da música, da festa, mas também de enfrentar situações difíceis para lutar contra as injustiças que se abatem sobre o povo.

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A ESTRELA, O PASTEL E O IDIOTA

A ESTRELA, O PASTEL E O IDIOTA

 Lá em cima, no meio das nuvens, uma única estrela. A mudança do clima provocada pela frente fria trouxe nuvens espessas.  No meio delas uma única estrela insiste em brilhar. 

   Cá embaixo, olhando para o alto céu, está José, mirando os olhos para a única estrela que conseguiu burlar a barreira das nuvens.

   Pingos  de chuva, muitos deles e espessos, caem. As pessoas correm buscando proteção. Mas José insiste em olhar  para a estrela solitária.

   De repente uma mão em seus ombros. Uma mulher com seu guarda chuva cor de rosa ao seu lado, pergunta:

   - Você está bem?

   - Estou! – responde.

   - Se ficar aqui no meio da chuva e da rua vai pegar um resfriado.

   José aponta o dedo para a estrela e diz:

   - Aquela estrela, a única que insiste em brilhar, veja como é bela…

   A mulher olha para o céu, mas tem apenas alguns segundo para contemplar o brilho estelar. Justamente naquele momento uma nuvem a encobre.

   - Sumiu! diz ela com uma voz embargada. Por sua face um risco d´água  escorre. Será  água de chuva ou lágrima?

    Então o braço de José  envolve o ombro dela  e encosta sua cabeça ao lado do seu pescoço. Ela instintivamente fecha o guarda chuva e fica inerte, abraçada a ele, olhando para o céu.

    Só despertam daquele olhar sonhador por causa do som de uma buzina. Estão bem no meio de uma rua estreita e um fusca quer passar.

    O motorista buzina novamente e dá luz alta no farol por duas vezes. O casal olha aquela luz vinda do fusca como se a estrela estivesse agora ali, bem ao lado deles. Sorriem juntos e ele a aconchega ainda mais ao seu ombro.

    O condutor do veículo, impaciente, coloca a cabeça para fora da janela e grita:

    – Idiotas! Vocês não têm outro lugar para namorar?

    Os dois sorriem, trocando olhares. E de forma surpreendente ele vê o brilho da estrela nos olhos daquela que veio em seu socorro. Do modo que olhou-o parecia que também via o mesmo brilho em seus  olhos. Naquele mágico momento os lábios quase se encostam.

     Ao som da buzina intermitente vinda do fusca e do pisca do farol intercalando em alta e baixa luminosidade, caminham, como se fossem personagens de um filme espetacular. E o motorista ainda grita impaciente:

     - Idiotas! Idiotas! Saiam da frente!!!

    – Quer comer um pastel, pergunta José.

    – Sim – responde a mulher. E saem  lado a lado com a certeza de que têm, cada qual, uma estrela particular para iluminar suas futuras noites de nuvens espessas.

        Os verdadeiros idiotas são aqueles que insistem em afugentar sonhadores de seus observatórios estelares.

       Idiotas verdadeiros não sabem apreciar o prazer da chuva caindo no corpo e nem tão pouco o brilho das estrelas penetrando as  pupilas!

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RESUMO DAS DIRETRIZES GERAIS DA EVANGELIZAÇÃO DA IGREJA NO BRASIL

RESUMO DAS Diretrizes Gerais da Evangelização da Igreja no Brasil – 2011/015 – Paróquia de Santo Antônio e Nossa Senhora Aparecida – Itatiba – SP.

Padre Tarcísio Spirandio

OBJETIVO GERAL DA EVANGELIZAÇÃO 2011 a 2015
EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missio-nária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção prefe-rencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo.

Desde 1966 a Igreja Católica no Brasil busca criar um rosto comum a toda ação evangelizadora nas terras tupiniquins. Por isso nasceram as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (a partir de agora denominada DGAE ou somente Diretrizes). As Diretrizes são um convite para que toda pessoa batizada, como discípula-missionária, assu-ma o mandato de Jesus Cristo: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda a criatura!” (Mc 16,15), mas que isso seja feito no espírito da comunhão entre as Dioceses. Um dos grandes objetivos das DGAE é promover uma sempre mais plena unidade visível no seio da Igreja Católica. Ao mesmo tempo busca promover a ação mis-sionária: Levar os homens à primeira adesão pessoal a Cristo, através do anúncio missionário da Palavra e do testemunho de vida evangélica.
Nas DGAE que vigorarão de 2011 a 2015 a grande orientação para os evangelizadores para este início de século XXI é não colocar outro fundamento que não seja Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). Diferente do século XX, em que o cristianismo e a pessoa de Jesus Cristo tinham aceitação quase unânime, o século XXI apresenta enormes desafios para o anúncio da Boa Nova. As Diretrizes destacam estes desafios:
1- O agudo relativismo que alimenta e justifica o individualismo. Crescem as propostas de felicidade, realização e sucesso pessoal imediatistas em detrimento do bem comum e da solidariedade. A solidariedade aos pobres fica em segundo plano em muitas comunidades, restringindo a promoção social meramente com ações assistencialistas, como a distribuição de cestas básicas. Ao destacar a opção preferencial pelos pobres no Objetivo a ser conquistado nos próximos 4 anos, a Igreja deseja que a evangelização seja solidária aos sofredores e unam suas forças para que seja promovida a dignidade integral da pessoa humana.
2- Os fundamentalistas se fecham em determinados aspectos, não consideram a pluralidade e o caráter históri-co da realidade como um todo. As incertezas de um tempo de transformações levam algumas pessoas a buscarem tábuas de salvação, agarrando-se ao que mais imediatamente se encontra ao alcance. Assim, surgem os diversos tipos de fundamentalismo que atingem o modo da leitura bíblica e os demais aspectos da vida humana e social. É deste cenário que surgem oportunistas que manipulam a mensagem do Evangelho em causa própria, incutindo a mentalidade de barganha por milagres e prodígios, voltados para benefícios particulares, em geral vinculados aos bens materiais. Exclui-se a salvação em Cristo, que passa a ser apresentada como sinônimo de prosperidade material, saúde física e realização afetiva.
O amor ao próximo, especialmente aos mais pobres, tende a desaparecer destas propostas, que acabam se tor-nando uma espécie de culto de si mesmo. Por isso, a grande orientação para os evangelizadores apontada pelas DGAE para este início de século XXI é esta: não colocar outro fundamento que não seja Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). Desta grande orientação nasce o OBJETIVO DA EVANGELIZAÇÃO de 2011 a 2015:
EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo.
Para alcançar este objetivo da Evangelização, as Diretrizes apontam cinco urgências para todas as Dioceses, o que significa dizer urgência para todas as Paróquias, comunidades, pastorais e movimentos:
1- Igreja em estado permanente de missão “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo!” (Mc 16,15)
A missão não é uma opção, mas uma exigência para todos os evangelizadores. Se hoje partilhamos a experiência cristã, é porque alguém nos transmitiu a beleza da fé, apresentou-nos Jesus Cristo, acolheu-nos na comunidade eclesial e nos fascinou pelo serviço ao Reino de Deus. Neste início de século XXI marcado pela mudança de época, a missão assume três características: urgência, amplitude, inclusão. A missão é urgente em decorrência da oscilação de critérios marcada pelo relativismo e individualismo; é também ampla porque surge a urgência ampliar a consciência missionária para todos os grupos de evangelização. Ou seja, pensar estruturas pastorais que favoreçam a realização da atual consciência missionária. Esta “deve impregnar todas as estruturas” (Mt 13,5-6.20-21). Trata-se, portanto, de despertar em cada batizado e em cada Paróquia, com seus movimentos e pastorais, uma forte consciência missionária, sem a qual os discípulos missionários não contribuirão efetivamente para que as novas gerações possam conhecer a beleza da fé, por isso é também includente. O desafio é Incluir todos os batizados na obra missionária. Esta inclusão é que evita o grave erro de conceber a atitude missionária ao lado de outros serviços ou atividades, mas de dar a tudo que se faz um sentido missionário, estabelecendo, neste conjunto de atividades desenvolvidas, algumas urgências que ajudem todos os batizados a efetivamente se reconhecerem como missionários. A atual consciência missionária interpela o discípulo missionário a “sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo”. O anúncio da Boa Nova deve sempre estar envolvido pelo objetivo de EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo.
Este é o grande serviço que a Igreja, discípula missionária de Jesus Cristo, é chamada a prestar neste mo-mento da história. Em atitude de diálogo, cabe-lhe não somente anunciar, mas procurar formas alternativas para este anúncio, mantendo sempre o mesmo conteúdo porque não podemos colocar outro fundamento que não seja Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8) O anúncio é sempre a Jesus Cristo e sua mensagem que convida à comunhão todos os seres humanos, para a busca da cultura da vida, a caminho do Reino definitivo.
PISTAS DE AÇÃO:
A- Visitas nas casas, escolas, hospitais, fábricas, etc.
B- As festas de Padroeiro/a devem serem ampliadas para além das novenas. Podem e devem ser utilizados es-tes períodos de religiosidade popular como momento propício para a acolhida, evangelização e consequente adesão dos fiéis à vida comunitária.
C- A participação massiva de fiéis de todas as comunidades paroquiais em atividades promovidas em áreas paroquiais onde a prática da fé ainda é tímida colabora para divulgar a Igreja na realidade onde está inserida. Durante o ano é possível promover vários destes momentos em forma rotativa nas comunidades, aproveitando os momentos fortes da liturgia ou festas de padroeiro/a.

2- Igreja: casa da iniciação à vida cristã “Paulo e Silas anunciaram a Palavra do Senhor ao carcereiro e a todos os da sua casa. E, imediatamente, foi batizado, junto com todos os seus familiares” (At 16,32s)

A fé é dom que Deus, através da Igreja, situada em um determinado tempo histórico, concede à humanidade. Este dom, situado historicamente na vida cristã, tem características específicas para apresentar Jesus e suscitar nos corações o seguimento do caminho, que é o Cristo, nosso Senhor. Em outras épocas, a apresentação de Jesus Cristo se dava através de um mundo que se concebia cristão. Família, escola e sociedade em geral, ao mesmo tempo em que ajudavam a se inserir na cultura, apresentavam também a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo.
Em nossos dias, os meios utilizados para o anúncio da Boa Nova em outros tempos já não possuem a mes-ma eficácia de antes. Em outras épocas, era possível pressupor que o primeiro contato com a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo acontecia em sociedade, possibilitado pelos diversos mecanismos culturais, fazendo com que a ação evangelizadora se preocupasse mais com a purificação e a retidão doutrinais, com a moral e com os sacramentos. Olhemos, por exemplo, a família, chamada a ser a grande transmissora da fé e dos valores. Tamanhas têm sido as transformações que a instituição familiar já não possui o mesmo fôlego de outras épocas para cumprir esta missão indispensável. O mesmo ocorre com outras instituições importantes. Esta situação exige uma radical transformação no modo de concretizar a ação evangelizadora. A mudança de época exige que o anúncio de Jesus Cristo não seja mais pressuposto, porém explicitado continuamente. O estado permanente de missão só é possível a partir de uma efetiva iniciação à vida cristã.
A iniciação cristã não se esgota na preparação aos sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia. Este é um dos mais urgentes sentidos do termo missão em nossos dias: ajudar as pessoas a conhecer Jesus Cristo, fascinar-se por Ele e optar por segui-lo. Portanto, Esta adesão deve ser feita pela primeira vez, mas refeita, fortalecida e ratificada tantas vezes quantas o cotidiano exigir. Nossas comunidades precisam ser comunidades diuturnamente mistagógicas. Mistagogia é o “caminho” pelo qual o ser humano percorre para que pelas experiências relacionadas com o religioso-transcendente ele se envolva com o mistério divino. Comunidades mistagógicas são, pois, aquelas que se percorrem caminho de nosso Senhor, que são preparadas para permitir que o encontro com Jesus Cristo47 se faça e se refaça permanentemente.
Para que sejam mistagógicas, as comunidades cristãs devem cumprir estas exigências: acolhida, diálogo, partilha, bem como maior familiaridade com a Palavra de Deus e a vida em comunidade. Em segundo lugar, implica estruturas, isto é, grupos de estilo catecumenal. O estilo catecumenal – Catecumenato – é um processo progressivo de crescimento na fé que envolve um itinerário prolongado de preparação e compreensão da fé. É o acolhimento e preparação no mistério da fé, da vida nova revelada em Cristo e celebrada na liturgia.
Este processo mistagógico e catecumenal implica em novo perfil do agente evangelizador, no qual o Ministério dos(as) introdutores(as) e catequistas assuma papel preponderante. Eles são a ponte entre o coração que busca descobrir ou redescobrir Jesus Cristo e Seu seguimento na comunidade de irmãos, em atitudes coerentes e na missão de colaborar na edificação do Reino de Deus (1Pd 3,15). No serviço do acolhimento, que inicia ou reinicia no encontro com Jesus Cristo e com a comunidade dos discípulos, a ação evangelizadora se põe em diálogo com o atual momento da história, que pede o anúncio explícito e contínuo de Jesus Cristo e o chamado à comunhão, como atitude decorrente para a vivência de fé e para a vida em geral.
Pistas de ação
A formação dos discípulos missionários mistagógicos precisa articular fé e vida e integrar cinco aspectos fundamentais: o encontro com Jesus Cristo; a conversão; o discipulado; a comunhão; a missão.
Portanto:
1- Encontro com Jesus: As crianças da pré-catequese e 1ª Eucaristia devem viver momentos de destaque nas liturgias e, conforme orientação do Ritual de Iniciação Cristã (RICA) receber símbolos que as motivem ao ato celebrativo e o verdadeiro encontro com Jesus Cristo. O mesmo deve ser feito com os crismados e, princi-palmente, com os adultos que desejam o batismo e os outros sacramentos da iniciação cristã.
2- Conversão e Discipulado: Esta inter-relação com a comunidade provoca a conversão e o consequente disci-pulado. Sentindo-se acolhidas pela comunidade, certamente viverão a comunhão da comunidade cristã. Desta comunhão nascerá em seus corações o desejo de serem também discípulos missionários.
3- Comunhão e Missão: Para que se tornem verdadeiros discípulos missionários, os catequizandos devem co-nhecer as diversas formas de atuação na Igreja. No processo catequético devem existir momentos em que as diversas pastorais e movimentos apresentem a sua organização e o trabalho específico que desepenham.
A formação de leigos e leigas precisa ser uma das prioridades da Igreja Particular, dado que é “um direito e dever para todos”. Ela se torna mais efetiva e frutuosa quando integrada em um “projeto orgânico de formação”, que con-temple a formação básica de todos os membros da comunidade e a formação específica e especializada, sobretudo ao que atuam na sociedade, onde se apresenta o desafio de dar “testemunho de Cristo e dos valores do Reino”.
3- Igreja: lugar de animação bíblica da vida e da pastoral
“Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir, para educar conforme a justiça” (2Tm 3,16)
“Quem conhece a Palavra divina dialoga com Deus e conhece plenamente o significado de cada criatura”. O atual momento da ação evangelizadora convida o discípulo missionário a redescobrir o contato pessoal e comunitário com a Palavra de Deus como lugar privilegiado de encontro com Jesus. Dizendo de outra forma, iniciação à vida cristã e Palavra de Deus está intimamente ligada. Uma não pode acontecer sem a outra.
“No início do sec. XXI há muitos cristãos não evangelizados e têm necessidade que lhes seja anunciada no-vamente, de modo persuasivo, a Palavra de Deus, para poderem assim experimentar concretamente a força do Evangelho”. A Igreja hoje tem consciência de que “particularmente as novas gerações têm necessidade de ser intro-duzidas na Palavra de Deus através do encontro e do testemunho autêntico do adulto, da influência positiva dos amigos e da grande companhia que é a comunidade cristã”.
Não se trata, por certo, de nos voltarmos para a Palavra de Deus como atitude momentânea, fruto do atual período da história. Trata-se de redescobrir, mais ainda, que o contato profundo e vivencial com as Escrituras é condição indispensável para encontrar a pessoa e a mensagem Jesus Cristo e aderir ao Reino de Deus. Este é um tempo muito rico para que cada pessoa seja iniciada na contemplação da vida, à luz da Palavra e no empenho para que ela seja efetivamente colocada em prática (Tg 1,22-25).
É no contato com a comunidade cristã e a Bíblia que o discípulo missionário, permanecendo fiel, vai encon-trar forças para atravessar um período histórico de pluralismo e grandes incertezas. Bombardeado a todo o momento por questões que lhe desafiam a fé, a ética e a esperança, o discípulo missionário precisa estar de tal modo familiarizado com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra que, mesmo abalado pelas pressões, continue solidamente firmado em Cristo Jesus e, por seu testemunho, converta os corações que o questionam (cf. At 16,16-34).
Não há, pois, discípulo missionário sem efetivo contato com a Palavra de Deus, um contato que atinge toda a vida e que é transmitido aos irmãos e irmãs. Esse encontro gera solidariedade, justiça, reconciliação, paz e defesa de toda a criação. Dirigem-se a crianças, jovens, adultos, idosos, migrantes, doentes, pobres e pecadores.
O mundo tem sede da Palavra de Deus. O desafio para o jovem – assim como para todos os que aceitam Jesus como caminho – é escutar a voz de Cristo em meio a tantas outras vozes-informações que ecoam, hoje, pela Internet, TVs a Cabo, etc. Infelizmente, em meio a tantos ruídos, também podemos constatar que a Bíblia, algumas vezes, não é usada como luz para a vida. Ao contrário, é instrumentalizada até mesmo para engodo de oportunistas que oferecem soluções fáceis para os problemas humanos. Cabe ao discípulo missionário não se abater diante de tamanha manipulação da Escritura. Não podemos aprisionar as Escrituras nas amarras dos interesses pessoais. Assim como Jesus venceu a morte e o pecado, o discípulo missionário de hoje é chamado a ultrapassar as teias da manipulação bíblica e fazer a Palavra brilhar (Mt 5,14-16), como fonte de vida, justiça e paz. Quanto bem tem feito, pelo Brasil afora, nas mais diversas realidades, a leitura da vida à luz da Palavra nas Escolas da Fé, nos Círculos Bíblicos, nos Grupos de Oração e Reflexão e outros similares!
São vários os métodos de leitura da Bíblia. A Leitura Orante é um caminho para o encontro com a Palavra de Deus. Nela, o discípulo missionário acolhe a Palavra como dom, mergulha na riqueza do texto sagrado e, sob o impulso do Espírito, assimila esta Palavra na vida e na missão. Em meio à agitação cotidiana, notadamente nas grandes cidades, onde o tempo se tornou uma questão crucial, a Leitura Orante permite ao discípulo missionário estabelecer uma relação com a Palavra de Deus a qualquer momento e em qualquer lugar. Assim como dois amigos são capazes de se identificar em meio à multidão, o discípulo missionário, através do exercício da Leitura Orante, aprende a estabelecer contato com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra, ainda que em meio à agitação diária. Por tudo isso, o discípulo missionário compreende a expressão do salmista, quando diz que a Palavra de Deus é luz para sua vida (Sl 119,105). Não se quer formar doutores na Palavra de Deus, mas a partir dela formar santos.
A Igreja, como casa da Palavra deve, antes de tudo, privilegiar a Liturgia, pois esta é o âmbito privilegiado onde Deus fala à comunidade. Nela Deus fala e o povo escuta e responde. Cada ação litúrgica está, por sua nature-za, impregnada da Escritura Sagrada. Como consequência do serviço que disponibiliza ainda mais a Palavra de Deus, cada discípulo missionário se descobre preparado para o diálogo com uma mentalidade que, sob diversas formas, o interpela. Pela firmeza em seus valores e referências, faz de sua vida um verdadeiro anúncio do que po-dem ser os novos tempos que estão para surgir, tempos de comunhão, que brota da Palavra, gerando vida e paz.

Pistas de ação
1- Estimular iniciativas que permitam colocar a Bíblia nas mãos de todos, especialmente dos mais pobres. No entanto, não basta possuir. É necessário que a pessoa seja ajudada a ler corretamente a Escritura, “chegar à interpretação adequada dos textos bíblicos e empregá-los como mediação de diálogo com Jesus Cristo”. O encontro com a Palavra viva exige a experiência de fé. Para isso, o católico precisa ser devidamente capaci-tado tanto no conteúdo bíblico quanto na pedagogia para iniciar e manter o contato com a Escritura.
2- Incrementar a animação bíblica de toda a pastoral, com seus agentes e suas equipes, indispensável para que toda a vida da Igreja seja, ainda mais, uma “escola de interpretação ou conhecimento da Palavra, escola de comunhão e oração com a Palavra e escola de evangelização e proclamação da Palavra”. Por isso, as equipes de animação bíblica da pastoral precisam proporcionar retiros, cursos, encontros, subsídios para a leitura individual, familiar e em pequenos grupos da Palavra de Deus. A existência de um serviço especiali-zado para a iluminação ou a animação bíblica de toda a pastoral não exime, mas, pelo contrário, impulsiona a responsabilidade de todos os batizados.

4- Igreja: comunidade de comunidades
“Às Igrejas da Galácia, a vós graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Gl 1,2s).

O discípulo missionário de Jesus Cristo faz parte do Povo de Deus (cf. 1Pd 2,9-10) e necessariamente vive sua fé em comunidade. Ao mesmo tempo em que se constata, nesta mudança de época, uma forte tendência ao individualismo, percebe-se igualmente a busca por vida comunitária. Esta busca nos recorda como é importante a vida em fraternidade. Mostra também que o Espírito Santo acompanha a humanidade suscitando, em meio às trans-formações da história, a sede por união e solidariedade.
Comunidade implica necessariamente convívio, vínculos profundos, afetividade, interesses comuns, estabili-dade e solidariedade nos sonhos, nas alegrias e nas dores. Um dos maiores desafios consiste em iluminar, com a Boa Nova, as experiências nos ambientes marcados por aguda urbanização, para os quais vizinhança geográfica não significa necessariamente convívio, afinidade e solidariedade. Outro grande desafio encontra-se nos ambientes virtuais, onde a rapidez da comunicação e a liberdade em relação às distâncias geográficas tornam-se atrativos. Estas situações configuram desafios para a ação evangelizadora, na medida em que nada substitui o contato pessoal.
No caminhar em busca de vida comunitária, constata-se a presença das comunidades cristãs de base (CEBs, Apostolado da Oração, Liga Católica, Renovação Carismática Católica, Movimento de Schoenstatt, em nossa Paróquia o grupo de Jovens Maranatha, Pastoral da criança) que, alimentadas pela Palavra, fraternidade, oração e pela Eucaristia, são sinal de vitalidade da Igreja. É também presença da Igreja junto aos mais simples, partilhando a vida e com ela se comprometendo em vista de uma sociedade justa e solidária. Veem-se atualmente desafiadas a não esmorecer, mas a discernir, na comunhão da Igreja, caminhos para enfrentar os desafios oriundos de um mundo plural, globalizado, urbanizado e individualista. Também elas se deparam com os desafios da mudança de época.
O Espírito sopra onde quer e nenhuma forma comunitária de vivência da fé possui o monopólio da ação deste mesmo Espírito. Nenhuma deve chamar para si a primazia sobre as demais, pois todos os membros do corpo possuem igual valor (1Cor 12,12ss). A comunidade cristã deve abrir-se para acolher dinamicamente os vários carismas, serviços e ministérios. De cada uma dessas formas de vivência da fé, exige-se que sejam alicerçadas na Palavra de Deus, celebrem e vivam os sacramentos, manifestem seu compromisso evangelizador e missionário, principalmente com os afastados, sejam solidárias com os mais pobres. O importante é evitar concorrências, desgastes inúteis e ambiguidades. Todas as comunidades são convocadas a se unirem em torno das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e a assumirem os Planos Pastorais de cada Igreja Particular.
Para os cristãos do século XXI, o desafio maior é fazer com que as Paróquias construam a solidariedade entre as comunidades, movimentos e pastorais. A setorização da paróquia pode favorecer o nascimento de comunidades e alimentar a solidariedade entre as já existentes, pois valoriza os vínculos humanos e sociais. Assim, a Igreja se faz presente nas diversas realidades, vai ao encontro dos afastados, promove novas lideranças e a iniciação à vida cristã acontece no ambiente em que as pessoas vivem.
Importa reconhecer que o investimento nos setores traz consigo o desafio de se pensar naqueles que os vão pastorearem, bem como na diversificação dos ministérios confiados aos leigos. Em tempos de incerteza, individualismo e solidão, a presença de uma comunidade próxima à vida, às alegrias e às dores é um serviço, que urge apresentar a um mundo que necessita vencer a “cultura de morte”. Comunidades são escolas de diálogo interno e externo. São pontos de partida para o anúncio do Deus da Vida, que acolhe, redime, purifica, gera comunhão e envia em missão.

Pistas de ação
1- Entre as formas de renovação da paróquia está a urgência de sua “setorização em unidades territoriais me-nores, com equipes próprias de animação e de coordenação que permitam maior proximidade com as pes-soas e grupos que vivem na região”.
2- Para uma Igreja comunidade de comunidades, é imprescindível o empenho por uma efetiva participação de todos nos destinos da comunidade, pela diversidade de carismas, serviços e ministérios. Para isso, faz-se necessário promover:
1.1- A formação e o funcionamento de comissões, assembleias pastorais
1.2- Conselhos, tanto em âmbito pastoral como em âmbito econômico-administrativo.
Os leigos, corresponsáveis com o ministério ordenado, atuando nessas assembleias, conselhos e comissões, tor-nam-se cada vez mais envolvidos no planejamento, na execução e na avaliação de tudo que a comunidade vive e faz. Estes organismos são instrumentos que levam à valorização dos diferentes serviços de pastoral e podem ser um meio para evidenciar a necessidade de todos os membros da comunidade eclesial tornaram-se sujeitos corresponsáveis na ação evangelizadora como um todo;
3- A articulação das ações evangelizadoras, através da pastoral orgânica e de conjunto que só é possível com a criação dos CPPs e CPCs, para evitar o contratestemunho da divisão e a competição entre grupos.
Somente a articulação dos carismas e iniciativas de evangelização é capaz de efetivar a unidade. Instrumento privilegiado de uma pastoral orgânica e de conjunto é o planejamento, com a participação de todos os membros da comunidade eclesial na projeção da ação, tanto no processo de discernimento como na tomada de decisão.
5- Igreja a serviço da vida plena para todos
“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)
A vida é dom de Deus! “A grande novidade que a Igreja anuncia ao mundo é que Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, a Palavra e a Vida, veio ao mundo para nos fazer ‘partícipes da natureza divina’ (2Pd 1,4), e para que participemos de sua própria vida. A nova época que, pela graça deste mesmo Deus, haverá de surgir precisa ser marcada pelo amor e pela valorização da vida, em todas as suas dimensões. É a vida trinitária do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a vida eterna”. A omissão diante de tal desafio será cobrada por Deus e pela história futura.
O Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus. A Palavra de Deus ilumina o compromisso com a rede de comunidades e que age para ser no mundo fermento, sal e luz. A Igreja no Brasil sabe que “nossos povos não querem andar pelas sombras da morte. Têm sede de vida e felicidade em Cristo”. Por isso, proclama com vigor que “as condições de vida de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o projeto do Pai e desafiam os discípulos missionários a um maior compromisso a favor da cultura da vida”. Ao longo de uma história de solidariedade e compromisso com as incontáveis vítimas das inúmeras formas de destruição da vida, a Igreja se reconhece servidora do Deus da Vida.
Ao mergulhar nas profundezas da existência humana, o discípulo missionário abre seu coração para todas as formas de vida ameaçada desde o seu início até a morte natural. Na medida em que nenhuma vida existe apenas para si, mas para outras e para Deus, este é um tempo mais do que propício para a articulação e a integração de todas as formas de paixão pela vida. Só assim conseguiremos, de fato, vencer os atrativos da cultura de morte que coloca mel no individualismo pautado no fundamentalismo, bases da busca dos interesses pessoais. É através da promoção da cultura da vida que os discípulos missionários de Jesus Cristo testemunham verdadeiramente sua fé.
Num tempo que tende a privilegiar o indivíduo, a ganância e o culto ao corpo em detrimento do bem comum, o discípulo missionário sabe que Jesus Cristo veio dar a vida em resgate de todos, voltando-se de modo especial para a ovelha perdida, desgarrada, fragilizada (Lc 10,3-9). Contemplando os diversos rostos de sofredores, desta Terra de Santa Cruz, especialmente, os “novos rostos dos pobres”, o discípulo missionário enxerga, em cada um, o rosto de seu Senhor: chagado, destroçado, flagelado (Is 52,13ss). Seu amor por Jesus Cristo e Cristo Crucificado (1Cor 1,23-25) leva-o a buscar o Mestre em meio às situações de morte (cf. Mt 25,31-46). Leva-o a não aceitar tais situações de morte, sejam elas quais forem se envolvendo na preservação da vida.
O discípulo missionário não se cala diante da vida impedida de nascer seja por decisão individual, seja pela legalização e despenalização do aborto. Não se cala igualmente diante da vida sem alimentação, casa, terra, traba-lho, educação, saúde, lazer, liberdade, esperança e fé. Torna-se, deste modo, alguém que sonha e se compromete com um mundo onde seja, efetivamente, reconhecido o direito a nascer, crescer, constituir família, seguir a vocação, crer e manifestar sua fé, num mundo onde o perdão seja a regra; a reconciliação, meta de todos; a tolerância e res-peito, condição de felicidade; a gratuidade, vitória sobre a ambição. O discípulo missionário reconhece que seu sonho por vida eterna leva-o a ser, já nesta vida, parceiro da vida e vida em plenitude.
Consciente de que precisa enfrentar as urgências que decorrem da miséria e da exclusão, o discípulo missi-onário também sabe que não pode restringir sua solidariedade ao gesto imediato da doação caritativa (somente cestas básicas ou outros auxílios paliativos). Embora importante e mesmo indispensável, a doação imediata do necessário à sobrevivência não abrange a totalidade da opção pelos pobres. Antes de tudo, esta implica convívio, relacionamento fraterno, atenção, escuta, acompanhamento nas dificuldades, buscando, a partir dos próprios pobres, a mudança de sua situação. Os pobres e excluídos são sujeitos da evangelização e da promoção humana integral. Em tudo isso, a Igreja reconhece a importância da atuação no mundo da política e assim incentiva os leigos e as leigas à participação ativa e efetiva nos diversos setores diretamente voltados para a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário.
O serviço testemunhal à vida, de modo especial à vida fragilizada e ameaçada, é a mais forte atitude de diá-logo que o discípulo missionário pode e deve estabelecer com uma realidade que sente o peso da cultura da morte. Na solidariedade de uma igreja samaritana, o discípulo missionário vive o anúncio de um mundo diferente que, acima de tudo, por amar a vida, convoca à comunhão efetiva entre todos os seres vivos.
Pistas de ação
O serviço à vida começa pelo respeito à dignidade da pessoa humana, através de iniciativas como:
I- Defender e promover a dignidade da vida humana em todas as etapas da existência, desde a fecunda-ção até a morte natural; tratar o ser humano como fim e não como meio, respeitando- o em tudo que lhe é próprio: corpo, espírito e liberdade;
II- Tratar todo ser humano sem preconceito nem discriminação, acolhendo, perdoando, recuperando a vida e a liberdade de cada pessoa, tendo presentes as condições materiais e o contexto histórico, social, cultural em que cada pessoa vive.
III- Começaremos a ter estas posturas solidárias na Paróquia de Santo Antônio e Nossa Senhora Aparecida através da constituição dos grupos ANJOS DA PAZ E PROMOÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA
Um olhar especial merece a família, patrimônio da humanidade, lugar e escola de comunhão, primeiro local para a iniciação à vida cristã das crianças, no seio da qual, os pais são os primeiros catequistas. Tamanha é sua impor-tância que precisa ser considerada “um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora” e, portanto, respalda-da por uma pastoral familiar intensa, vigorosa e frutuosa. As pastorais, embebidas pelo desejo de contemplarem a realidade familiar, poderão contribuir para que a família seja, de fato, lugar de realização humana, de santificação na experiência de paternidade, maternidade e filiação e de educação contínua e permanente da fé.

TRÊS SERVIÇOS IMPORTANTÍSSIMOS PARA A AÇÃO PAROQUIAL
a- Serviço da Palavra: a proclamação da Palavra de Deus pela Igreja é decisiva para a fé do cristão, já que ela possibilita o acolhimento livre do anúncio salvífico da pessoa de Cristo, acolhimento esse possibilitado pela atuação do Espírito Santo (1Cor 12,3). É através do querigma que acontece o autêntico encontro pessoal com Jesus Cristo. Por isso, ele deve ser uma oferta imprescindível a todos.
b- Serviço à liturgia ocupa, na ação evangelizadora da Igreja, lugar essencial. Ela é o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força. Nela, o discípulo realiza o mais íntimo encontro com seu Senhor e dela recebe a motivação e a força máximas para sua missão na Igreja e no mundo.
c- Serviço da Caridade: se as fontes da vida da Igreja são a Palavra e o Sacramento, o centro da vida cris-tã173 é a caridade, o amor-doação, o amor que vem de Deus mesmo (Rm 5,5) e que o apóstolo Paulo aponta como o mais alto dos dons (1Cor 12,31). “Toda a atividade da Igreja é a manifestação de um amor que procura o bem integral do ser humano”, amor esse que “é o melhor testemunho do Deus em que acreditamos”. O amor cristão tem duas faces inseparáveis: faz brotar e crescer a comunhão fraterna entre os que acolheram a Palavra do Evangelho e leva ao serviço a todos, particularmente aos mais pobres (At 3,1-9; 6,1-6; 9,36-42; 20,33-35). A vivência do tríplice múnus – vocação, carisma, missão de cada batizado – conforme as Diretrizes da Ação Evangelizadora no Brasil têm indicado, nos últimos tempos, se dá no âmbito da pessoa, no âmbito da comunidade, no âmbito da sociedade. Eles constituem tanto o espaço como as realidades em que o Evangelho precisa ser encarnado. Pessoas evangelizadas, ao se fazerem dom, transbordam na comunidade, que, por sua vez, como comunidade cristã, existe para o serviço de Deus na sociedade.
Todas as Pastorais da Paróquia deverão ter atenção especial para três perspectivas da evangelização:
A- PESSOA: a fé cristã é, antes de tudo, adesão pessoal à pessoa de Jesus Cristo e ao seu Evangelho, acolhida do dom gratuito que vem de Deus. É a pessoa o sujeito de toda a realidade que a circunda, o ser capaz de descobrir seu sentido e governá-la (Gn 2,20). Por isso, não podemos deixar de reconhecer e valorizar cada pessoa, em sua liberdade, autonomia, responsabilidade e dignidade. A ação evangelizadora implica, antes de tudo, respeitar, defender e promover a dignidade de todas as pessoas.
B- COMUNIDADE: a fecundidade da comunhão que vem de Deus nos impulsiona para a vida em comunidade
e para a transformação da sociedade. Criada à imagem e semelhança do Deus-Trindade, do Deus que é amor e comunhão, a pessoa só se realiza plenamente à medida que se faz dom numa experiência concreta de comunidade. Em nossos dias, é, portanto, indispensável proclamar que “Jesus convoca a viver e caminhar juntos. A vida cristã só se aprofunda e se desenvolve na comunhão fraterna”, como Igreja. É preciso estar preparado para gerar o fascínio pela vida fraterna no seio de uma comunidade eclesial, acolher os que chegam permitir-lhes o amadurecimento na fé, sair em missão.
c- SOCIEDADE: A Igreja não é deste mundo, mas está no mundo e existe para a salvação do mundo.181 Por isso, ela é chamada a ser sacramento de amor, de solidariedade, de justiça entre nossos povos. O compromisso social tem, pois, sua raiz na própria fé. O interesse autêntico e sincero pelos problemas da sociedade nasce da solidariedade para com as pessoas183 e do encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo. É sinal privilegiado do seguimento daquele que veio para servir e não para ser servido (Mc 10,45), devendo ser manifestado por toda a comunidade eclesial e não apenas por algum grupo ou alguma pastoral social. A sociedade civil é também lugar de missão.

CONCLUSÃO:
As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil representam forte apelo à efetiva unidade. O novo Povo de Deus, ao mesmo tempo em que respeita a diversidade, testemunha igualmente a unidade. Assim, a Igreja no Brasil se tornará cada dia mais, imagem do Deus-Trindade, sinal escatológico do Reino definitivo, quando Cristo será tudo em todos no amor (1 Cor 15,28). O testemunho da unidade (Jo 17,21), indispensável em todos os tempos e lugares, torna-se hoje ainda mais importante, para que se possa profeticamente interpelar à gratuidade e à alteridade.
Através das Diretrizes, a Igreja no Brasil assume seu compromisso de fidelidade a Jesus Cristo e seu mandato missionário (Mt 28,18ss), discernindo os sinais dos tempos e os desafios específicos para a Evangelização. Iluminada pela Palavra, alimentada pela Eucaristia, animada e dinamizada pela caridade de Cristo, interpelada pelo testemunho de tantos santos e santos, que responderam como discípulos missionários em seu tempo e contexto a Igreja no Brasil deseja, através das presentes Diretrizes da Ação Evangelizadora, ser expressão da encarnação do Reino de Deus no hoje de nossa história.
Maria foi quem melhor assimilou e viveu o Evangelho. Por isso, ela é modelo de ação evangelizadora para a Igreja. Sua vida simples, marcada pela obediência da fé, nos acerca a seu Filho e nos faz verdadeiros discípulos missionários. Que a Mãe de Deus e Nossa Senhora Aparecida, nos acompanhe com sua intercessão e exemplo, para que façamos tudo àquilo que seu Filho nos disser.

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