Estudo de apoio ao Sínodo – Família

Paróquia Santo Antonio e N.S. Aparecida

FAMÍLIA, SOCIEDADE E RELIGIÃO (Efésios 6,1-4)

Tema: “Família, projeto de Deus”. Homem e mulher são queridos por Deus, para que vivam um para o outro, numa comunhão de pessoas. No matrimônio, Deus os une de maneira que, formando “uma só carne” (Gn 2,24), possam transmitir a vida humana, cooperando na obra da Criação.

É preciso trazer a família para o centro das reflexões da sociedade e da própria Igreja Católica. Lema: “Prudente é o homem que edifica sua casa sobre a rocha”.  A família é uma realidade humana muito significativa. As relações familiares e o matrimônio não podem ser colocados em segundo plano. É comum ouvir que a família já é uma instituição “superada”, pelo menos na sua forma natural e mais evidente, formada por um casal – homem e mulher, e por filhos. Há poucos dias, li num artigo que há uma forte pressão cultural e de grupos ideológicos militantes para fazer valer um “novo conceito de família”, separando casamento e família, ou casamento, família e procriação. Pretende-se negar a própria identidade da família.

Será isso um avanço da sociedade? Nas atuais tendências culturais, há uma grande desorientação sobre os rumos da família. No tempo de Jesus, quando desrespeitaram o matrimônio, Ele disse: “no princípio, quando Deus fez homem e mulher, não foi assim” (cf.Mt 19,3-8). E a Igreja, no cumprimento de sua missão, continua a indicar o rumo para o matrimônio e a família, contribuindo para uma sociedade sadia. A família é o alicerce da sociedade. Se a família não vai bem, a sociedade também não irá bem. E o rumo que a Igreja apresenta não pode ser diferente daquele que Deus indicou, já “no princípio”, já na natureza humana, e que Cristo confirmou. A família não pode perder sua evidência vital. Refletir como cristãos sobre a família hoje é uma necessidade, pois estamos sujeitos a uma pressão contrária constante, e não cristã, que, sem que o percebamos, transforma nosso pensar, e o transforma para pior. Nas revistas, novelas, filmes e livros, o amor dos esposos não é mais entendido como uma entrega da vida de um para o outro que, passando pelas crises do convívio, sempre perdoa, ressurgem, renasce, renova, cresce e amadurece. O amor é entendido como busca da “minha” felicidade, isto é, como busca de si, tornando o amor entre os esposos superficial e frágil, e, com isso, não há capacidade de resistir às inevitáveis tempestades da vida. O amor esponsal cristão como “decisão de toda uma vida” tem como referencial o amor com que o Senhor nos amou. É um amor que exige busca e luta, sim, mas que dá profunda realização ao viver conjugal.

A família precisa ser devidamente reconhecida, cuidada e amparada. Uma sociedade que descuida da família, criada por Deus, descuida de suas próprias bases. A Igreja trabalha para que as famílias sejam “Igrejas domésticas”, “formadoras de pessoas”, “promotoras de uma sociedade desenvolvida” e “educadoras na Fé”. Ela crê na vida, crê na família. Que Deus abençoe as famílias, para que sejam fiéis à missão que Ele lhes confiou.

MARCAS DE NOSSO TEMPO

OLHAR A REALIDADE (SOCIEDADE).

 O discípulo missionário sabe que, para efetivamente anunciar o Evangelho, deve conhecer a realidade à sua volta e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento. Como o Filho de Deus assumiu a condição humana, exceto o pecado, nascendo e vivendo em determinado povo e realidade histórica (cf. Lc 2,1-2), nós, como discípulos missionários, anunciamos os valores do Evangelho do Reino na realidade que nos cerca, à luz da Pessoa, da Vida e da Palavra de Jesus Cristo, Senhor e Salvador.

 O Concílio Vaticano II nos conclama a considerar atentamente a realidade, para nela viver e testemunhar nossa fé, solidários a todos, especialmente aos mais pobres. Sabemos, porém, que nem sempre é fácil compreender a realidade. Ela é sempre mais complexa do que podemos imaginar. Nela existem luzes e sombras, alegrias e preocupações.  Daí a contínua atitude de diálogo, de evangélica visão crítica, na busca de elementos comuns que permitam, em meio à diversidade de compreensões, estabelecerem fundamentos para a ação.

DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2011 – 2015

 A Conferência de Aparecida nos oferece rica indicação, ao recordar que vivemos um tempo de transformações profundas, que afetam não apenas este ou aquele aspecto da realidade, mas a realidade como um todo, chegando aos critérios de compreensão e julgamento da vida. Estamos diante de uma globalização que não é apenas geográfica, no sentido de atingir todos os recantos do planeta. Estamos, na verdade, diante de transformações que atingem também todos os setores da vida humana, de modo que já não vivemos uma “época de mudanças, mas uma mudança de época”. Os que antes eram certeza, até bem pouco tempo, servindo como referência para viver, tem se mostrado insuficiente para responder a situações novas, “deixando as pessoas estressadas ou desnorteadas”.(13 mudanças de valores)

 Mudanças de época são, de fato, tempos desnorteadores, pois afetam os critérios de compreensão, os valores mais profundos, a partir dos quais se afirmam identidades e se estabelecem ações e relações. Várias atitudes podem, então, surgir nestes períodos históricos. Duas, no entanto, se destacam. De um lado, é o agudo relativismo, próprio de quem, não devidamente enraizado, oscila entre as inúmeras possibilidades oferecidas. De outro, são os fundamentalismos que, se fechando em determinados aspectos, não consideram a pluralidade e o caráter histórico da realidade como um todo. Estas duas atitudes desdobram-se em outras tantas como, por exemplo, o laicismo militante, com posturas fortes contra a Igreja e a Verdade do Evangelho; a irracionalidade da chamada cultura midiática; o amoralismo generalizado; as atitudes de desrespeito diante do povo; um projeto de nação que nem sempre considera adequadamente os anseios deste mesmo povo.  Os critérios que regem as leis do mercado, do lucro e dos bens materiais regulam também as relações humanas, familiares e sociais, incluindo certas atitudes religiosas. Crescem as propostas de felicidade, realização e sucesso pessoal, em detrimento do bem comum e da solidariedade. Não raras vezes, o individualismo desconsidera as atitudes altruístas (amor ao próximo), (cf. Lc 10,25-37), misericórdia e compaixão, solidárias e fraternas. Por vezes, os pobres são considerados supérfluos e descartáveis. Desta forma, ficam comprometidos o equilíbrio entre os povos e nações, a preservação da natureza, o acesso à terra para trabalho e renda, entre outros fatores. É preciso pensar na função do Estado, na redescoberta de valores éticos, para a superação da corrupção, da violência, do narcotráfico, bem como o tráfico de pessoas e armamentos. A consciência de concidadania está comprometida. Em situação de contradições e perplexidades, o discípulo missionário reage, segundo o espírito das bem-aventuranças (cf. Lc 6,20-26), em defesa e promoção da vida, negada ou ameaçada por várias formas de banalização e desrespeito. Como não reagir diante da manipulação de embriões, homicídios, prática do aborto provocado, ausência de condições mínimas para uma vida digna com educação, saúde, trabalho, moradia, enfim, da ausência de efetiva proteção à vida e à família, às crianças e idosos, com jovens despreparados sem oportunidade para ocupação profissional?

RELIGIÃO

 O discípulo missionário observa, com preocupação, O surgimento de certas práticas e vivências religiosas, Predominantemente ligadas ao emocionalismo e ao sentimentalismo. O fenômeno do individualismo penetra até mesmo certos ambientes religiosos, na busca da própria satisfação, prescinde-se do bem maior, o amor de Deus e o serviço aos semelhantes. Oportunistas manipulam a mensagem do Evangelho em causa própria, incutindo a mentalidade de barganha por milagres e prodígios, voltados para benefícios particulares, em geral vinculados aos bens materiais. Exclui-se a salvação em Cristo, que passa a ser apresentada como sinônimo de prosperidade material, saúde física e realização afetiva. Reduzem-se, deste modo, o sentido de pertença e o compromisso comunitário-institucional. Surge uma experiência religiosa de momentos, rotatividade, individualização e comercialização. Já não é mais a pessoa que se coloca na presença de Deus, como servo atento (cf. 1Sm 3,9-10; Atos 1,8), mas é a ilusão de que Deus pode estar a serviço das pessoas.

 Importa discernir os motivos pelos quais uma ilusão tão grave assim acaba por adquirir força em nossos dias. As causas são muitas e interligadas. Dizem respeito às incontáveis carências das mínimas condições que grande parte de nossa população tem para enfrentar problemas ligados à saúde, à moradia, ao trabalho e às questões de natureza afetiva. Dizem ainda respeito às incertezas de um tempo de transformações, que levam algumas pessoas a buscarem tábuas de salvação, agarrando-se ao que mais imediatamente se encontra ao alcance. Assim, surgem os diversos tipos de fundamentalismo que atingem o modo da leitura bíblica e os demais aspectos da vida humana e social. Quando aliado ao individualismo, o fundamentalismo torna-se ainda mais perigoso, pois impede que se perceba o outro como diferente. Este, contudo, é também apelo ao encontro e ao convívio. O amor ao próximo, especialmente aos mais pobres, tende a desaparecer destas propostas, que acabam se tornando uma espécie de culto de si mesmo.

 Tempos de transformações tão radicais, por certo, nos afligem, mas também nos desafiam a discernir, na força do Espírito Santo, os sinais dos tempos. Mudanças de época pedem um tipo específico de ação evangelizadora, a qual, sem deixar de lado aspectos urgentes e graves da vida humana, preocupa-se em ajudar a encontrar e estabelecer critérios, valores e princípios.  São tempos propícios para volta às fontes e busca dos aspectos centrais da fé. Esta é a grande diretriz evangelizadora que, neste início de século XXI, acompanha a Igreja: não colocar outro fundamento que não seja Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). A espiritualidade, a vivência da fé e do compromisso de conversão e transformação nos orienta para a construção da caridade, da justiça, da paz, a partir das pessoas e dos ambientes onde há divisão, desafetos, disputas pelo poder ou por posições sociais. Este é um tempo em que, através de “novo ardor, novos métodos e nova expressão”,18 respondamos missionariamente à mudança de época com o recomeçar a partir de Jesus Cristo.

Cuidemos da nossa Família ( Mateus 2,13-15.19-23).

O evangelho de Mateus relata com muita precisão os lugares que a Sagrada Família os percorreu primeiros anos de vida de Jesus.  Ele nasceu em Belém, depois a família fugiu para o Egito até finalmente se instalar em Nazaré.

Obviamente isso não é casualidade. De uma maneira ou de outra, o evangelista busca mostrar à sua comunidade como se cumprem em Jesus as promessas feitas por Deus no Primeiro Testamento.

Em dois momentos, o autor nos diz que os acontecimentos se sucederam para que se cumprisse a Escritura, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas.

O texto nos permite acrescentar uma característica ao messianismo de Jesus.

Ele não ficou fechado nos limites de Israel. Ele também é luz para o mundo inteiro. É um Messias universal, como o demonstra a visita dos magos do Oriente.

Mateus também apresenta Jesus como o novo Moisés. Jesus também é vítima do pânico de um rei que tem medo de perder o trono, e quando todos os meninos morrem Jesus se salva e refaz o êxodo definitivo do povo de Israel.

 No Natal celebramos a festa de Deus, que põe sua morada no meio de nós. Ele vem ao mundo, mas “o mundo não o reconhece”, segundo o Evangelho de João (1,10).

Como tantos meninos e meninas de sua época e hoje à nossa volta, Jesus não tem um lugar para nascer. José e Maria sofrem perseguição e devem abandonar suas terras.

Quantos/as irmãozinhos/as nossos/as nascem nessa situação?

Pais e mães que devem arriscar a vida de seus pequeninos e a sua própria, abandonando tudo na busca de uma terra que os receba. Eles/as caminham até um lar incerto, desconhecido, pagando muito dinheiro para atravessar uma terra que ainda não os recebe porque sua presença incomoda.

Ao longo de todo este ano, o Papa Francisco tentou lembrar uma e outra vez tantas pessoas que devem abandonar suas terras. Ele pediu que não sejamos indiferentes frente a tanta dor e sofrimento  das pessoas que sofrem a perseguição e o exílio morrendo no caminho, procurando um refúgio e proteção para suas vidas, como aconteceu em outubro com o naufrágio de um barco com 500 africanos diante da Ilha de Lampedusa.

Ser a família de Jesus não a exime dos problemas e sofrimentos cotidianos. Olhando para ela, vemos que é como tantas outras, com alegrias, tristezas, conquistas e dificuldades.
Mas, nesse anonimato, a vida do Filho de Deus cresce querida, cuidada e protegida por Maria e José.

Estamos, sem dúvida, diante do grande mistério. Assim como a encarnação do Filho de Deus eleva a humanidade a ser capaz de acolher Deus, o lar da Sagrada Família manifesta a vocação de todas as famílias serem “casa” de Deus.

Sim, Deus quer viver, estar presente em nossas casas, em nossas famílias. Ele veio morar conosco.
 
AFONSO DIAS É BÍBLISTA, E ASSESSOR DO CEBÍ-SP E SUL DE MG. (35)9924-0250 (11)4538-1446 OU (11)97189-5746 e-mail abdias49@bol.com.br Senador Amaral- MG ou Itatiba-SP.

 

 

 

 

 

 

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Papa Francisco mostra o seu conceito de família cristã,

Papa Francisco mostra o seu conceito de família cristã, e explicou como a família pode ser fermento para toda a sociedade.

Apresentamos dez reflexões tiradas dos dois principais encontros do Papa com as famílias cristãs.

  1. 1.    O que mais pesa é a falta de amor

“Aquilo que pesa mais do que tudo isso é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo emfamília, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada, intolerável. Penso nos idosos sozinhos, nasfamílias em dificuldade porque sem ajuda para sustentarem quem em casa precisa de especiais atenções e cuidados. ‘Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos’, diz Jesus.”

  1. 2.    Os perigos da família

“Os esposos cristãos não são ingênuos, conhecem os problemas e os perigos da vida. Mas não têm medo de assumir a própria responsabilidade, diante de Deus e da sociedade. Sem fugir nem isolar-se, sem renunciar à missão de formar uma família e trazer ao mundo filhos.”

  1. 3.    A graça do sacramento do Matrimônio 

“Os sacramentos não servem para decorar a vida – mas que lindo matrimônio, que linda cerimônia, que linda festa!… Mas aquilo não é o sacramento, aquela não é a graça do sacramento. Aquela é uma decoração! E a graça não é para decorar a vida, é para nos fazer fortes na vida, para nos fazer corajosos, para podermos seguir em frente! Sem nos isolarmos, sempre juntos.”

  1. 4.    A necessidade familiar dos cristãos

“Os cristãos casam-se sacramentalmente, porque estão cientes de precisarem do sacramento! Precisam dele para viver unidos entre si e cumprir a missão de pais. ‘Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença’. Assim dizem os esposos no sacramento.”

  1. 5.    A família é para a vida toda

“Uma longa viagem, que não é feita de pedaços, dura a vida inteira! E precisam da ajuda de Jesus, para caminharem juntos com confiança, acolherem-se um ao outro cada dia e perdoarem-se cada dia. E isto é importante! Nas famílias, saber-se perdoar, porque todos nós temos defeitos, todos! Por vezes fazemos coisas que não são boas e fazemos mal aos outros. Tenhamos a coragem de pedir desculpa, quando erramos emfamília.”

  1. 6.    Com licença, obrigado, desculpa

“Para levar adiante uma família, é necessário usar três palavras. Três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave!”

  1. 7.    A família que ora

“Todas as famílias, todos nós precisamos de Deus: todos, todos! Há necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua bênção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é preciso simplicidade: para rezar em família, é necessária simplicidade! Rezar juntos o ‘Pai Nosso’, ao redor da mesa, não é algo extraordinário: é fácil. E rezar juntos o Terço, em família, é muito belo; dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa; a esposa pelo marido; os dois pelos filhos; os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto fortalece a família: a oração.”

  1. 8.    A família conserva a fé

“As famílias cristãs são famílias missionárias. Ontem escutamos, aqui na praça, o testemunho de famílias missionárias. Elas são missionárias também na vida quotidiana, fazendo as coisas de todos os dias, colocando em tudo o sal e o fermento da fé! Guardai a fé em família e colocai o sal e o fermento da fé nas coisas de todos os dias.”

  1. 9.    A alegria da família

“A alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estarmos juntos, de nos apoiarmos uns aos outros no caminho da vida.”

  1. 10.  Deus e a harmonia em meio às diferenças

“Ter paciência entre nós. Amor paciente. Só Deus sabe criar a harmonia a partir das diferenças. Se falta o amor de Deus, a família também perde a harmonia, prevalecem os individualismos, se apaga a alegria. Pelo contrário, afamília que vive a alegria da fé, comunica-a espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.”

 

 

 

 

ORAÇÃO DOS CINCO DEDOS – Papa Francisco

Um método de oração cuja autoria é atribuída ao Papa Francisco, quando era ainda bispo de Buenos Aires, Argentina.

1.O dedo polegar é o que está mais perto de ti. 

Assim, começa por orar por aqueles que estão mais próximo de ti. São os mais fáceis de recordar. Rezar por aqueles que amamos é «uma doce tarefa«.

2. O dedo seguinte é o indicador: reza pelos que ensinam, instruem e curam. Eles precisam de apoio e sabedoria ao conduzir outros na direcção correta. Mantém-nos nas tuas orações.

3. A seguir é o maior. Recorda-nos os nossos chefes, os governantes, os que têm autoridade. Eles necessitam de orientação divina.

4. O próximo dedo é o anelar. Surpreendentemente, este é o nosso dedo mais débil. Ele lembra-nos que devemos rezar pelos débeis, doentes ou pelos atormentados por problemas. Todos eles necessitam das nossas orações.

5. E finalmente temos o nosso dedo pequeno, o mais pequeno de todos. Este deveria lembrar-te de rezar por ti mesmo. Quando terminares de rezar pelos primeiros quatro grupos, as tuas próprias necessidades aparecer-te-ão numa perspectiva correcta e estarás preparado para orar por ti mesmo de uma maneira mais efectiva.

Deus nos abençoe a todos. Boa oração!

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APÓSTOLO PAULO E SUA VIDA COMO LUZ À MISSÃO NO SÉCULO XXI

Estudo sobre a vida de São Paulo, suas cartas, seu estilo missionário e as pistas que ele aponta para a missão hoje!

QUEM ERA PAULO:  Paulo nasceu na cidade de Tarso (Atos 21,39 e 22,3)  em uma família de  tradição judaica que pertencia à Tribo de Benjamim (Filipenses 3,5). Seus pais tinham uma situação financeira razoável, pois possuíam a cidadania romana, privilégio de poucos judeus. Foi justamente a cidadania romana que livrou Paulo de alguns momentos de tensão com os poderosos, que se sentiram afrontados por conta da sua ação evangelizadora (Atos 16,37ç 22, 25.29ç 23,27). Muito jovem, mudou-se para Jerusalém e, sob a orientação do mestre Gamaliel, doutor da Lei muito estimado por todos (Atos 5,34),  aprofundou os conhecimentos do farisaísmo.

O QUE É O FARISAÍSMO: Farisaísmo era uma corrente leiga que pretendia formar uma comunidade de puros entre o povo de Israel, Fariseu, em hebraico (parush) significa separado. Os fariseus tinham uma leitura fundamentalista da Torá (Lei). Seguiam piamente todos os detalhes da Lei e exigiam que todos os outros, mesmo os não fariseus, também a seguissem. Qualquer movimento que desviasse a Lei do sentido que os fariseus a concebiam, era  prontamente atacado por eles.

PAULO UM ÓTIMO FARISEU É neste espírito de busca da perfeição através do cumprimento da Lei que Paulo presencia o assassinato de Estevão – primeira mártir cristão (Atos 7,58). O zelo por sua religião o fez agir com absoluta presteza no cumprimento dos seus deveres de fariseu (Filipenses 3,6). Veja o que diz Paulo sobre isso: “… fui educado nesta cidade, formado na escola de Gamaliel, seguindo a linha mais escrupulosa dos nossos antepassados, cheio de zelo por Deus, como também vocês o são agora. Persegui mortalmente este caminho, prendendo e lançando à prisão homens e mulheres, como o sumo sacerdote e todos os anciãos podem testemunhar” (Atos 22,2-5). “Sabem que eu perseguia com violência a Igreja de Deus e fazia de tudo para arrasá-la. Eu superava no judaísmo a maior parte dos compatriotas da minha idade e procurava seguir com todo zelo as tradições dos meus antepassados” (Gálatas 1, 13-14). A CONVERSÃO DE PAULO: A conversão de Paulo é descrita em três textos do livro dos Atos dos Apóstolos: Atos 9, 3-18; Atos 22, 6-16; Atos 26, 4-18. Nesta três passagens, Paulo reafirma o propósito da perseguição aos seguidores de Jesus, o Nazareu: “Achei que devia empregar todos os meios para combater o nome de Jesus, o Nazareu. (…) também, por minha crueldades, queria forçá-los a blasfemar e, no excesso do furor contra eles, perseguia-os até nas cidades estrangeiras. (…) encarcerei um grande número de santos, tendo recebido autorização dos chefes dos sacerdotes e consentia ao serem eles mortos” (Atos 26, 9-11).Contudo, no caminho da sua missão assassina, Paulo é detido por uma grande luz vinda do céu. Cai por terra e escuta a voz do Senhor: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9,4; 22,7; 26,14). A grande luz vinda do céu mostra a Paulo sua cegueira espiritual. Tendo-lhe aberto os olhos do espírito, Deus transforma o perseguidor em um pastor do rebanho de Cristo: “ Eis porque eu te apareci: para constituir-te servo e testemunha da visão em que acabas de me ver e daquelas das quais ainda te aparecerei. Eu te livrarei das mãos deste povo e também dos pagãos, aos quais eu te envio para que lhes abras os olhos e para que se convertam das trevas para a luz, da autoridade de Satanás para Deus. Assim eles receberão o perdão dos pecados e participarão da herança com os santificados, pela fé em mim.” (Atos 26,16-18).Convertido, Paulo assume a missão de pastor, comparando-se a uma mãe que acaricia e alimenta os filhinhos “(…) apresentamo-nos  no meio de vocês cheio de bondade, como uma mãe que acaricia os seus filhinhos” (1 Tessalonicenses 2,7b). Esta comparação não é gratuita, pois Paulo vê as pessoas das comunidades por onde passou como filhos e filhas gerados por ele: “(…) fui eu quem pelo Evangelho vos gerou em Jesus Cristo” (1 Coríntios 4,15). Este sentimento de gestação das pessoas em Jesus Cristo, gera em Paulo uma profunda co-responsabilidade e afeto para com todas as comunidades por onde passou. Por isso ele nunca deixa de dar graças quando as percebe crescendo na fé e na prática da fraternidade: “(…) não cesso de dar graças a Deus a vosso respeito e de fazer menção de vós nas minhas orações” (Efésios 1,16 è veja também Filipenses 1,3; 2 Tessalonicenses 1,3;  1 Timóteo 2,1; 2 Timóteo 1,3).

PAULO, O MISSIONÁRIO QUE AGE COMO MÃE- Tal como uma mãe, Paulo está sempre atento à alimentação espiritual que deve dar para as comunidades. A umas ele dá leite e, a outras, alimento sólido, pois deseja que as comunidades cresçam e tenham a mesma graça da conversão que ele próprio experimentou (1 Coríntios 3,2). Nesta sua ação, Paulo não se preocupa em agradar os seres humanos, mas, na liberdade do amor, colocar-se inteiramente ao serviço de Deus (Gálatas 1,10). É esta liberdade que motiva Paulo a, se preciso for, entregar a própria vida pela causa do anúncio da Boa Nova (1 Tessalonicenses 2,8). A todos, fortes e fracos na fé, Paulo incentiva a caminhar no amor que superabundou na cruz de Jesus Cristo (2 Coríntios 2, 13-14). Anunciando o Evangelho com espírito maternal, Paulo tem a preocupação de primeiro ele vivenciar todas as verdades que anuncia: “Vós sois testemnunhas e Deus também o é, de quão puro, justo e irrepreensível tem sido o nosso modo de proceder para convosco, os fiéis (1 Tessalonicenses 2,1-12). Mesmo sofrendo perseguições dos judeus e, apesar das dificuldades encontradas nas comunidades cristãs, Paulo prega o Evangelho na alegria de quem ama e sabe o que faz (1 Tessalonicenses 2, 1-12).

DIFICULDADES DE PAULO NA OBRA EVANGELIZADORA- Uma das maiores dificuldades de Paulo foi evitar a tendência dos judeus convertidos de trazer os traços judaicos para as comunidades cristãs. Como judeu fariseu, Paulo conhecia bem o pensamento deles. Os judeus pensavam que somente pelo cumprimento da Lei a salvação já estaria garantida e queriam que todos os cristãos seguissem aquelas leis judaicas, principalmente a abstenção no consumo da carne de porco, sangue e a aceitação da  circuncisão. O apóstolo-mãe  mostra que nenhuma lei, mesmo a mosaica, pode, por si só, conduzir à salvação.  O Deus de Jesus Cristo, através da obra redentora de seu Filho, acolhe todos os seres humanos, independente de serem circuncidados ou não (Romanos 3, 21-23). Não é mais pelo mero cumprimento da Lei que a salvação se dá, pois “o homem não se justifica pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo (Gálatas 2,16 e Efésios 2, 8-10).  Por isso Paulo afirma com autoridade que “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois um só em Jesus Cristo” (Gálatas 3,28). Para convencer ainda mais os judeus convertidos, Paulo afirma: “Nós judeus, somos por acaso superiores? De jeito nenhum! (…) todos estão debaixo do império do pecado, tanto judeu como grego. Como diz as Escrituras: ´não há homem justo, não há um sequer. Todos se desviaram e se corromperam” (Romanos 3, 9-11ª.12ª).

Todos os seres humanos, independente da nação à qual pertencem ou religião professada, por conta do pecado vivenciam uma ambiguidade interior: “Não consigo entender nem, mesmo o que faço: pois faço o que não quero (…) Não faço o bem que quero e sim o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, não sou eu que faço, mas é o pecado que mora em mim” (Romanos 7, 14-20). Para romper esta ambiguidade, só há um caminho: a unidade dos cristãos em torno da Boa Nova de Jesus Cristo: “Exorto-vos pois, eu, o prisioneiro no Senhor, a andares de modo digno da vocação com que fostes chamados, com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (…) até chegarmos, todos juntos, à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude. Então, não seremos mais como crianças, entregues ao sabor das ondas e levados por todo vento de doutrina, ludibriados pelos outros e por eles, com astúcia, induzidos ao erro” (Efésios 4, 1-3. 13-14).

MOTIVAÇÕES DE PAULO PARA ESCREVER SUAS CARTAS

CARTA AOS ROMANOS:  Provavelmente influenciada por judeus convertidos, Paulo tenta mostrar a esta comunidade que nenhuma lei, mesmo a mosaica, pode salvar. A salvação depende da adesão à pessoa de Jesus através do seguimento dos seus passos que nos levam à construção de uma sociedade justa e fraterna que, através das ações alicerçadas na Boa Nova, antecipam na terra as graças que teremos um dia no céu.

PRIMEIRA CARTA AOS CORÍNTIOS: Paulo escreve para uma comunidade dividida pelas brigas de grupos que valorizavam a autoridade deste ou daquele pregador do Evangelho. Muitos desejavam obter o sucesso humano e se esqueciam de abraçar a cruz provinda da ação evangelizadora. Por isso Paulo vai falar sobre a loucura que é a cruz para os pagãos e, inclusive, os judeus (1,23) O Dom da Graça não procede da sabedoria humana, mas brota da gratuidade do serviço à causa do Reino. SEGUNDA CARTA AOS CORÍNTIOS: esta carta nos revela o sofrimento do missionário Paulo diante do desafios da Evangelização. Percebe o individualismo entre as comunidades e propõe que todos os cristãos se esforcem na mútua ajuda. CARTA AOS GÁLATAS:  Era uma comunidade que negava a autoridade de Paulo como apóstolo. Influenciada pelos judeus convertidos, que exigiam a circuncisão de todos os convertidos, e por outras práticas pagãs, os  cristãos de Gálatas estavam sob um sério risco de perderem a liberdade proposta por Jesus Cristo. Por isso o tema principal desta carta será a liberdade que nos foi dada através da obra redentora de Jesus, que nos deu a graça de sermos considerados filhos de Deus. CARTA AOS EFÉSIOS:  Paulo escreve esta carta na prisão e lembra aos cristãos sobre a verdadeira missão da Igreja que deve colocar Jesus Cristo como centro dela. Porém, a Igreja deve vislumbrar não somente o Cristo glorioso, mas o verbo de Deus encarnado na história humana que, através da cruz, leva a família humana de volta à casa do Pai. CARTA AOS FILIPENSES: É uma comunidade solidária à ação missionária de Paulo, que o auxilia em orações e em recursos materiais. Nesta carta, que também foi escrita na prisão, novamente Paulo adverte a comunidade sobre o perigo da influência das idéias judaizantes, assim como dos frutos do egoísmo e da competição.  CARTA AOS COLOSSENCES: os cristãos de Colossas estavam dando demasiada importância à práticas ocultas baseada nas forças da natureza (2,8), culto aos anjos (2,18) e leis alimentares (2,16.21) como forma da busca da felicidade, colocando em segundo plano a doutrina da fé cristã. Por isso Paulo vai lembrá-los da importância da fé vivenciada primeiramente em casa, na família para que, a partir desta, a Boa Nova atinja a sociedade como um todo. PRIMEIRA CARTA AOS TESSALONICENSES: A comunidade de Tessalônica pensava que a volta de Jesus se realizaria logo e se perguntavam se os que já haviam falecido iriam participar desta glória. Paulo mostra que no fim da história, tanto os mortos como os vivos estarão reunidos para viverem para sempre com o Cristo ressuscitado. SEGUNDA CARTA AOS TESSALONICENSES:  Esperando para logo a volta do Cristo, muitos desta comunidade relaxaram no trabalho missionário. Paulo alerta a comunidade para que não cruzem os braços, mas que assumam com coragem a missão evangelizadora. PRIMEIRA CARTA A TIMÓTEO: Ao contrário das outras cartas, dirigidas para comunidades, esta é endereçada a uma pessoa. Timóteo, a quem Paulo escreve, tornou-se um colaborador de Paulo ainda muito novo (1 Timóteo 4,12) e fala dele com muito carinho em outras cartas (1 Tessalonicenses 3,2; 2 Coríntios 1,19). Paulo orienta Timóteo a evitar transformar a prática religiosa em um negócio e a organizar a comunidade nos vários ministérios (3, 1- 14). Também salienta sobre o comportamento do evangelizador, sobre a prática da caridade na comunidade. Novamente o espírito maternal de Paulo o leva a preocupar-se  com a saúde de Timóteo (5,23) SEGUNDA CARTA A TIMÓTEO: Paulo alerta Timóteo sobre a necessidade de manter-se atento às Escrituras. É nesta carta que Paulo avalia a sua longa trajetória como apóstolo do evangelho e diz que “Combati um bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé” (2 Timóteo 4,7).. CARTA A TITO: Paulo trata sobre a verdadeira doutrina que é a salvação proposta à humanidade toda. CARTA A FILEMON: Embora breve, esta é uma carta que Paulo trata sobre a sua visão da relação entre os cristãos e da salvação em Jesus cristo. Embora não querendo modificar o sistema escravista de então, Paulo esvazia o estatuto da escravidão ao afirmar que todos os seres humanos são irmãos em Jesus cristo. CARTA AOS HEBREUS: Tudo indica que esta carta não foi escrita por Paulo. De autoria desconhecida, a carta tem por objetivo despertar a comunidade para a importância da paixão de Jesus Cristo. Dando muita ênfase à tradição judaica, esta comunidade tinha dificuldade para aceitar a forma humilhante e dolorosa da paixão. Por isso Paulo esclarece sobre Jesus como verdadeiro sacerdote que rompeu definitivamente o véu do santuário possibilitando que todos adentrem no recinto sagrado. O novo santuário não foi construído por mãos humanas, mas pelo próprio Deus. A carta aos hebreus, de maneira especial, nos ensina a ler o Antigo Testamento na perspectiva cristã.

COMO LER AS CARTAS DE PAULO:

A ordem que as traduções Bíblicas utilizam para a sequência das cartas de Paulo é o tamanho, da maior para a menor. Porém, para que se possa Ter uma visão mais clara do pensamento paulino, é interessante não lê-las nesta sequência, mas sim na ordem cronológica que seria esta: Primeira e Segunda Carta aos Tessalonicenses, Filipenses, Primeira e Segunda carta aos Coríntios, Gálatas, Romanos, Efésios, Colossences, Filemon, Primeira Segunda Carta a Timóteo e Tito.

Ao final da leitura nesta sequência, pode-se ler a carta aos Hebreus, inclusive para perceber a diferença do estilo da escrita, que dá base para afirmar que esta carta não foi escrita por São Paulo.

UM NOVO JEITO DE SER CRISTÃO- Lá pelos idos de 1960, até meados dos anos setenta, o povo ia para a missa para assistir a celebração, Ninguém conseguia entender o que era dito, pois as palavras eram pronunciadas na língua latina e o padre celebrava de costas para o povo. Por isso, enquanto a missa era celebrada, algumas pessoas rezavam o terço, novena, etc. Quando soava o sino, todos sabiam que era a hora da consagração e paravam suas rezas para prestar atenção na elevação do pão e do vinho. O concílio Vaticano II deu novas luzes à expressão da liturgia e trouxe para o centro da preocupação da Igreja a pessoa do cristão não ordenado (leigo). Para se ter uma idéia desta preocupação basta dizer que dos 1577 parágrafos que compõem os documentos do Vaticano II quase dez por cento (+ ou – 149) falam sobre o cristão não ordenado.    Com relação ao batismo e aos outros sacramentos da iniciação cristã, os pais os procuravam para seus filhos por razões diversas, menos a verdadeira: Razões supersticiosas: prevenção de doenças, evitar os ataques do demônio; Razões sociais: tradição familiar; Razões econômicas: padrinhos influentes ou abastados que favorecessem o afilhado.A preocupação era com a roupa, principalmente na primeira eucaristia. Quanto ao batismo, poucos batizavam com a idéia de que este sacramento as tornava também Igreja. Para a maioria a Igreja era coisa somente de Bispos, Padres, Freiras e Beatas/os.
Naquela época, o leigo vinha na base da pirâmide (em último lugar).

Além de fazer o padre celebrar de frente para o povo e na língua que todos entendessem, o Vaticano II fez com que a Igreja Piramidal fosse substituída pela Igreja Circular onde todos os ministérios são exercidos no espírito do serviço.Para que todos pudessem participar da Igreja, houve a necessidade de preparar todas as pessoas que iriam receber os sacramentos: batismo, crisma, matrimônio, etc. Em 1974, a Conferência dos Bispos do Brasil produziu um documento intitulado “Pastoral dos Sacramentos da Iniciação Cristã”. Este documento orientava a preparação para o batismo da seguinte forma:“Quando o candidato ao batismo é adulto, a preparação refere-se a ele próprio e tem exigências mais radicais de fé, com o respectivo comprometimento pessoal e comunitário Quando se trata de crianças, a preparação refere-se especialmente aos pais e padrinhos.Esta preparação deve consistir não somente numa transmissão de doutrina, mas será, antes, oportunidade privilegiada de colocar os pais da criança em contato com os Cristãos que se esforçam para viver o evangelho e assim testemunhar a fé. O objetivo principal da preparação não é tanto aumentar nos pais padrinhos da criança o conhecimento teórico do cristianismo, mas acender ou reanimar ou intensificar a chama da fé” (n. 4.3 – 1º parágrafo).

Naquela época, os cristãos leigos eram apenas um detalhe, que ficava na base da pirâmide

Papa

Bispos

Padres

Diáconos

Religiosos(as)

         Cristãos Leigos

    papa

 bispos                        leigos

eligiosos(as)      diáconos

2- Quem deve participar e como devem ser os encontros de pais e padrinhos

Quanto à preparação dos sacramentos, surgem sempre algumas pergunta:

1-   Quem faz parte das pastorais, serviços e movimentos, quando vão batizar seus filhos também precisam participar da preparação? Um jovem que tenha uma vivência intensa na Igreja precisa se preparar para receber o sacramento da crisma?

2-   Como e quantos encontros devem ser feitos para preparar pais e padrinhos ou o jovem que vai ser crismado?

O documento Pastoral da Iniciação Cristã responde à primeira pergunta:

“A fim de que esta preparação não tome um caráter de mera formalidade (como freqüentar tantas palestras, conseguir um certificado, etc.), convém distinguir entre os pais já iniciados na fé e integrados na vida da comunidade e os outros que, por razões diferentes, mas com boa vontade, vêm procurar o batismo para seus filhos. Para os primeiros (as pessoas que já participam da comunidade cristã), a preparação poderá estar bastante inspirada na própria celebração do sacramento e seus ritos. Para os demais, o fundamental é ajuda-los a descobrir a Igreja em suas comunidades, sua missão, e recursos para alimentar a vida de seus membros “ (n.4.3 – parág. Quarto)

O documento Batismo de crianças, também da CNBB e editado em 1980, responde da seguinte maneira: “Não se deveria falar em cursos, mas em reuniões ou encontros de preparação, nos quais haja reflexão, diálogo, oração e alguma celebração. Muito recomendável são visitas às famílias dos batizandos, com o fim de integrá-las à Igreja pelos laços da verdadeira amizade”. O documento Batismo de crianças ainda destaca o seguinte: “Na realidade, os principais educadores cristãos da criança serão normalmente os pais e mais raramente os padrinhos. É, pois, com os pais, que se deve ter especial atenção durante a preparação para o batismo” (n. 151/52).

Um verdadeiro encontro de preparação de pais e padrinhos para o batismo das crianças ou de jovens para a crisma, deveria ser um momento que contemplasse as seguintes dimensões:

1-   Encontro com o Deus da misericórdia. Encontro com pessoas que vivem a fé celebrada no ritual litúrgico, mas também no amor e na partilha vividos em comunidades.

2-   Encontro com a comunidade ministerial e que, a partir do serviço da evangelização, procura inserir na sociedade a realidade do Reino de Deus.

3-   Encontro com a Palavra de Deus e o seu amor, presentes na comunidade cristã e na história humana.

ESSÊNCIA DA AÇÃO MISSIONÁRIA

O missionário é uma pessoa com convicções profundas, que surgem da mística e espiritualidade cristãs.

“Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos… E qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem?… se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis;. …e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, Porque melhor é que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal” (1Pedro 3, 12-15.17).  O missionário sonha os mesmos sonhos de Jesus Cristo: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim. Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17, 21-26). A mística é como as raízes de uma planta: não aparecem mas, sem as raízes a árvore morre :“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. (Jo 15,5.16-18) A espiritualidade, alimentada pela mística, marca o estilo de viver dos seguidores de Jesus: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. (Filipenses 2, 4-8)

MÍSTICA MISSIONÁRIA

O missionário não busca a glória pessoal, mas cumpre a missão confiada por Jesus: “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (1Coríntios 9,16).

Só pode viver a mística missionária cristã quem não esquece o primeiro amor, o momento fundante da fé: “Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”.(Apocalipse 2, 2-4). É a partir da experiência profunda com a Boa Nova que se pode falar do que se sentiu : “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida. Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada. O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo”. (1João 1, 1-4).

ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA

Crer que a Palavra de Jesus liberta é o ponto de partida da espiritualidade missionária “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8, 31-32). Alegrar-se com a missão, mesmo diante dos obstáculos, é atitude essencial do verdadeiro missionário: Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. (Lucas 10,21) Aceitar que a missão envolve a cruz, o conflito e a perseguição: “E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus. E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes? Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo… os judeus tomaram conselho entre si para o matar”.(Atos 9,20-23)

O MISSIONÁRIO ANUNCIA A GRATUIDADE DA TRINDADE

É a partir da vida da Trindade, baseada no amor, que a graça transborda e se torna missão: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3,16). Pela força do Espírito Santo, o desejo do Pai, realizado no Filho, é concedido a todo ser humano: Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. (João 20, 21-22).

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ANO A 2014 – Estudo do Evangelho de São Mateus

EVANGELHO DE SÃO MATEUS

 

PLANO GERAL DO EVANGELHO DE MATEUS

  1. Evangelho da Infância de Jesus è1,1-2,23;  Mateus narra infância de Jesus para proclamar que Ele é o Herdeiro das promessas feitas a Abraão e a David (Genealogia), é o descendente de David anunciado pelos Profetas (1ª passagem), reúne os traços de Salomão, o sábio (2ª passagem) e de Moisés, o salvador do povo (3ª passagem). Os pagãos vêm a Ele com presentes, como o tinham anunciado os profetas (2ª passagem).
  2. Anúncio do Reino do Céu è 3,1-25,46; São Mateus mostra-nos o princípio do Reino dos Céus: Jesus é anunciado e proclamado como Filho de Deus, nas tentações cumpre a vontade do Pai como verdadeiro Filho e no sermão ensina-nos a cumprir essa mesma vontade de Deus, para podermos receber o Reino dos Céus (5, 20) e ser também filhos de Deus (5, 45). Os capítulos 8 e 9 do Evangelho mostra o poder do Reino dos Céus; Cristo é Aquele que tem esse poder e demonstra-o fazendo milagres e perdoando os pecados, no mesmo tempo que expulsa os demônios; mas logo a seguir, transmite este poder aos Doze, de modo que esse poder se perpetue na Igreja.
  3. Paixão e Ressurreição de Jesus è 26,1-28,20.

 

Mateus apresenta Jesus como o Filho de David, o herdeiro do Reino (2 Samuel 7, 12-14), e também como o Emanuel (“Deus conosco”), da profecia de Isaías (7, 14). No entanto, o título que mais lhe interessa é o de Filho de Deus. A imagem de Cristo apresentada por Mateus é a do enviado de Deus, na qual se vão cumprir todas as expectativas do Antigo Testamento. Cristo é a realização de tudo o que fala o Antigo Testamento; dito de outra maneira, Mateus contempla todos os personagens do Antigo Testamento como figuras de Cristo, enquanto que Cristo é a realidade, na qual tudo se cumpre. É como se tudo o que dizia a Sagrada Escritura até então, fosse algo vazio que agora se enche, ou como um desenho que agora tem de se terminar de pintar.

Mateus fala frequentemente do “Reino de Deus”, ou do “Reino dos Céus”, dando preferência a esta última expressão, sem fazer aparentemente distinção entre as duas formas. Os outros evangelistas, ao contrário, usam mais a primeira. É notável a frequência com que Mateus se refere ao Reino: enquanto Mateus refere-o 50 vezes, Marcos refere-o somente 14 e Lucas 39.

Deve-se recordar que a “Boa Nova” consiste em Deus que vem reinar sobre o seu povo. O Reino dos Céus não é algo que está exclusivamente do outro lado (no Céu), mas sim, que vem a este mundo: Deus vem exercer a sua função de Rei, transformando tudo, tanto o mundo, como os homens. O Reino dos Céus vem a este mundo, começa a ganhar forma na terra, e terá a sua consumação nos Céus. São Mateus preocupa-se em mostrar que a boa nova da chegada do Reino dos Céus dá-se na pessoa de Jesus Cristo. O Reino dos Céus anunciado e preparado no Antigo Testamento já está presente em nós, porque Jesus é o cumprimento de todas as profecias. Jesus forma uma comunidade, na qual se começam a manifestar os sinais da presença do Reino. São Mateus é o único evangelista que dá o nome de “Igreja” a esta comunidade (Mateus 16, 18).

 

DETALHES DO EVANGELHO DE MATEUS

Autor: Mateus significa “dom de Deus” (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9). Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).

Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galiléia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais freqüentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:

- Quem é Jesus? (conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;

- Como seguir Jesus Cristo? (fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: “fazei que todas as nações se tomem discípulos meus... (28,19).

 

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO EVANGELHO DE MATEUS

1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:

- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;

- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;

- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

2. É o Evangelho do Pai:

Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como do Pai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40). Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do “Pai”: a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).

3. É o Evangelho da Justiça (3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc):

- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);

- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);

- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);

- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).

- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.

4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:

- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;

- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH – Javé).

5. A valorização da história e do Antigo Testamento:

- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;

- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.

6. As mulheres:

- Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38); Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabéia era mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;

- É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);

- As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1-10);

- Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.

7. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:

O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).

8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):

- São 7 ou 9, depende de como são contadas;

- A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados…;

- Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”.

Eles aparecem no capítulo 23;

- Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;

- Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões… Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.

9. Mateus utiliza muitos números:

Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando…” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;

- O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);

- Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;

- Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).

10. Jesus é o novo Moisés:

- A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);

- Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);

- Várias vezes, Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai;

11. O verbo “ver”:

- Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etc…

12. É o Evangelho da Igreja:

- Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembléia (16,18; 18,17);

- Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);

- Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;

- O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;

- Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.

BIBLIOGRAFIA: – CNBB Ele está no meio de nós, Paulus (1998, São Paulo)

- MOSCONI, L. O Evangelho de Mateus CEBI (1990, São Leopoldo)

- STORNIOLO, I. Como ler o Evangelho de Mateus, Paulus (1990, São Paulo)

- Introdução ao Evangelho de Mateus da Bíblia de Jerusalém, Edição Pastoral e Bíblia do Peregrino.

* Neste texto, todas as citações onde não aparece o nome do livro da Bíblia, são do Evangelho de Mateus.

 

Frei Ildo Perondi – ildo@sercomtel.com.br

 

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Leitura rápida documento 104 CNBB – Comunidades de Comunidades: uma nova paróquia

PARÓQUIA DE SANTO ANTONIO E NOSSA SENHORA APARECIDA – ITATIBA – SP/2013

síntese do documento 104 – CNBB – COMUNIDADE DE COMUNIDADES: UMA NOVA PARÓQUIA

 

A nova paróquia, descrita no documento 104 da CNBB, é aquela que se abre para o enfrentamento dos desafios do século XXI e assume como modelo a ação de Jesus Cristo: proclamar o ano da graça do Senhor (Lc 4,18- 19). Ao redor de Jesus surge uma comunidade onde há igualdade entre homem e mulher, portanto, sem discriminação, e, principalmente, há partilha dos bens.  Jesus fazia missão nas casas: Ao enviar os discípulos, deu-lhes a missão de entrar nas casas do povo e levar a paz (cf. Mt 10,12- 14). Para esta missão, O Espírito Santo concede diversos carismas que acompanham o verdadeiro anúncio evangélico para toda a comunidade cristã:  1) o ensinamento dos apóstolos: ( 1Ts 2,13);   2) a comunhão: ( At 2,44- 45; 4,32; 34- 35); 3) a fração do pão (eucaristia): (Jo 6,11); 4) as orações: (At 5,12b).

A comunidade cristã caminha rumo à Pátria Trinitária ( Fl 3,20). ( 2Pd 3,13). Porém, não vive no espiritualismo descompromissado com a realidade Os olhos cristãos se voltam para a Jerusalém Celeste, mas procura plenificar a graça da Trindade desde agora no mundo, buscando a realização do Reino da Justiça e da vida em abundância para todos (cf. Mt 25,33-44; 1Cor 15,28; Ef 1,10).

No início havia a IGREJA DOMÉSTICA – os cristãos se reuniam nas casas – e nas residências os fiéis professavam a fé, ouviam e celebravam a Palavra, viviam a caridade e oravam a partir de tudo que Jesus ensinou. O surgimento das PARÓQUIAS acontece mais tarde, quando, com o aumento do número dos membros das comunidades, as casas já não comportavam mais as celebrações. As celebrações nos templos tornaram as assembleias cristãs anônimas, com relações frias e distantes, realidade que persiste até os dias de hoje.  Nos dias atuais é urgente a formação de comunidades que propiciem uma real experiência de comunhão com Cristo. O desafio da Igreja é recuperar a fraternidade da Igreja nas casas, pois, relações frias, não criam sentimento de pertença.

Além das relações distantes, há paróquias que concentram as atividades principais na liturgia sacramental e nas devoções, sem preocupação social. Falta-lhes um plano pastoral e os leigos não tomam decisões e nem assumam compromissos. O padre é quem planeja e comanda tudo sozinho. Para superar esta realidade, e que surja uma nova Paróquia, é preciso que a evangelização contemple três dimensões.

1.EVANGELIZAR A PESSOA – Nos dias atuais Muitos vivem sua religiosidade frequentando templos sem nenhuma ligação de fraternidade.      2.EVANGELIZAR A COMUNIDADE – a renovação paroquial depende muito de uma conversão profunda das pessoas e das comunidades para o modelo da ação de Cristo,  3.EVANGELIZAR A SOCIEDADE – Os índices de pobreza e miséria continuam a desafiar qualquer consciência tranquila. A Igreja há de se orientar por valores baseados numa sociedade onde a civilização do amor encontre seu espaço e novas oportunidades. Outro desafio é o aumento do número daqueles que se declaram sem religião, Está em crise o engajamento na paróquia. Para que surja a Nova Paróquia é preciso que os cristãos – a)  Vivam da Palavra – (múnus profético)  a catequese centrada na Palavra de Deus.   b) Vivam da Eucaristia – (múnus sacerdotal) valorizar mais o domingo, redescobrir a beleza da fé que vence o individualismo,   c) Vivam na caridade – (múnus real)  O amor ao próximo exige que os cristãos olhem para aqueles que vivem em condições de vulnerabilidade (situação de risco),

A Nova Paróquia necessita da conversão pessoal e comunitária e que a alegria seja a característica dos que vivem em torno da Palavra de Deus. Através da conversão pastoral, provocada pela Palavra, será possível deixar de praticar a pastoral de manutenção e realizar a pastoral missionária. Principalmente, a Nova Paróquia dependerá de Padres e Bispos chamados a estimular e apoiar a revitalização das Paróquias e suas respectivas comunidades. A renovação paroquial exige que Padres e Bispos estimulem a participação ativa dos leigos da paróquia através da constituição dos diversos Conselhos de Pastoral Paroquial e Comunitário, bem como o Conselho Econômico e, principalmente o COMIPA.  Atividades que mantém a Nova Paróquia são a homilia alicerçada na Palavra de Deus e na vida e o melhor atendimento das pessoas que vivem em diferentes ritmos da vida diária. A setorização – formação de pequenas comunidades- pode ser pela vizinhança, mas também por afinidades. A Nova Paróquia exige constante Formação e por isso a catequese deve ser uma prioridade. A celebração eucarística é fator essencial para o surgimento da Nova Paróquia, desde que elas favoreçam a linguagem do Mistério, o que implica não exceder nas falas, explicações e comentários.  Uma paróquia renovada há de marcar no serviço em favor e no cuidado da vida, especialmente a vida daqueles que estão caídos na beira do caminho. A missão neste momento difícil da pessoa depende da urgente alteração da agenda do pároco para encontrar tempo para acolher, e que pode delegar funções administrativas para leigos. Igualmente, é importante cuidar da pastoral da acolhida, da escuta e do aconselhamento. Ocasião para acolher os afastados pode ser: a iniciação à vida cristã dos adultos; a preparação de pais e de padrinhos para o batismo de seus filhos; a preparação de noivos para o Sacramento do Matrimônio; as exéquias; e a formação de pais de crianças e de jovens da catequese.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: É hora de renovarmos as paróquias para que cada pessoa tenha a possibilidade do encontro com Jesus èSomos uma Igreja em caminho que sabe onde deve aportar: a Santíssima Trindade, onde Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28).

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Amélia morreu

Amelia Morreu

     Não era algo esperado para já.  Sua morte, por conta das muitas doenças, era prevista, mas a esperança alimentava os corações  com a certeza de que teria ainda alguns anos pela frente.  Após um mal súbito, uma dor forte no peito, ela desmaiou.  Levada para o hospital, foi imediatamente internada na Unidade de Tratamento Intensivo. A  família podia vê-la apenas alguns minutos por dia, sem que vissem da enferma nenhuma reação. Era um corpo inerte na casa, rodeado por luzes, enfermeiras e envazado por tubos.

        Alguns dias antes do mal súbito  havia sonhado que estava num carro cheio de luzes que tocava uma música de apenas duas notas. Contou este sonho para os filhos e o marido. Ninguém soube interpretar o  que significavam tais imagens.  Na saída da UTI, uma das filhas relembrou o sonho.

       – Era da ambulância que ela falava, disse a filha

       O marido ouviu quieto. Sim, pensou, era a ambulância com as luzes vermelhas e o som tocando alto…

       Outro filho lembrou-se de um sonho que Amélia tivera muito tempo atrás. Sonhara que fazia uma viagem sozinha, para um lugar desconhecido. Estava com medo. Porém, três semanas após ter chegado ao destino da viagem, a família inteira viera ao seu encontro e nunca mais se separaram.

       Todos começaram a tentar decifrar o sonho da viagem. O que seria?

      Enquanto ainda conjecturavam acerca da viagem fictícia, uma das enfermeiras veio ao encontro da família de Amélia

      – Infelizmente tenho que informá-los que ela morreu

     – Foi um baque! Todos choravam copiosamente. E nem mais se lembravam do sonho da viagem. Providenciaram o velório e o enterro. No dia seguinte ao féretro, uma das filhas procurou o pai à noite, e lhe disse:

       – Pai, o sonho da ambulância se realizou. E aquele da viagem?  Será que daqui três semanas iremos todos morrer?

       – Minha filha, é hora de dormir… Vamos deixar esta conversa para amanhã…

       Mas quem disse que o esposo de Amélia dormiu? Era um assunto sério.

       Após três semanas, uma coisa aconteceu. Uma velha tia veio visitá-los e tinha um pedido muito estranho a fazer.

      – Meus sobrinhos, preciso que vocês venham comigo até minha casa. Há algo lá que pertencia a Amélia.

       Imediatamente pai e filhos a acompanharam.

      Na frente da casa da tia havia um bonito jardim

. A velha senhora disse para os parentes enlutados:

- Aqui, nesta terra deste jardim, Amélia plantou certa vez uma muda de rosas brancas. Acontece que o galinho da flor murchou e morreu. No dia do falecimento dela, antes mesmo de saber da notícia, vi um pedacinho de verde neste local. E agora, após três semanas, vejam a linda rosa branca que desabrochou… Creio que é um sinal…

        Era de fato um sinal. Amélia queria novamente desabrochar na vida de todos. E não queria ser lembrada como a mulher na UTI ou dentro do caixão.

        Há pessoas que sepultam seus entes queridos duas vezes. Enterram o corpo e a história, pois só se lembram dos momentos da doença ou do velório. Amélia queria, a partir daquele momento, ser lembrada como a Rosa que perfumou a vida de todos durante todos os anos que com eles conviveu.

        Misteriosamente as rosas brancas continuaram a florir e até hoje há sempre uma delas  colocada num vaso sobre a mesa central da sala da família de Amélia. Quando uma murcha, logo outra é colhida e depositada ali.

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2012 PENTECOSTES

DOMINGO DE PENTECOSTES.

A missão da comunidade (João 20,19-23).

A PAZ ESTEJA COM VOCÊS!

Sugerimos a reflexão do CEBI. (Centro de Estudos Bíblicos).

1. OLHAR DE PERTO AS COISAS DA NOSSA VIDA

Somos convidados a meditar sobre a aparição de Jesus aos discípulos e a missão que eles receberam. Eles estavam reunidos com as portas fechadas porque tinham medo dos judeus. De repente, Jesus se coloca no meio deles e diz: “A paz esteja com vocês!” Depois de mostrar as mãos e o lado, ele diz novamente: “A paz esteja com vocês! Como o pai me enviou, eu envio vocês!” Em seguida, lhes dá o Espírito Santo para que possam perdoar e reconciliar. A Paz! Reconciliar e construir a paz! Esta é a missão quer recebem.

2. COMENTANDO

João 20,19-21: A experiência da ressurreição

Jesus se faz presente na comunidade. As portas fechadas não podem impedir que ele esteja no meio dos que nele acreditam. Até  hoje é assim! Quando estamos reunidos, mesmo com todas as portas fechadas, Jesus está no meio de nós. E até hoje, a primeira palavra de Jesus é e será sempre: “A paz esteja com vocês!” Ele mostrou os sinais da paixão nas mãos e no lado. O ressuscitado é o crucificado! O Jesus que está conosco na comunidade não é um Jesus glorioso que não tem mais nada em comum com a vida da gente. Mas é o mesmo Jesus que viveu nesta terra, e traz as marcas da sua paixão. As marcas da paixão estão hoje no sofrimento do povo, na fome, nas marcas de tortura, de injustiça. É nas pessoas que reagem, lutam pela vida e não se deixam abater que Jesus ressuscita e se faz presente no meio de nós.

João 20,21: O envio – “Como o Pai me enviou, eu envio vocês!”

É deste Jesus, ao mesmo tempo crucificado e ressuscitado, que recebemos a missão, a mesma que ele recebeu do Pai. E ele repete: “A paz esteja com vocês!” Esta dupla repetição acentua a importância da paz. Construir a paz faz parte da  missão. Paz significa muito mais do que só ausência de guerra. Significa construir uma convivência humana harmoniosa, em que as pessoas possam ser elas mesmas, tendo todas o necessário para viver, conviver felizes e em paz. Esta foi a missão de Jesus, e é também a nossa missão. Numa palavra, é criar comunidade a exemplo da comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

João 20,22: Jesus comunica o dom do Espírito

Jesus soprou e disse: “Recebei o Espírito Santo”. É só com a ajuda do Espírito de Jesus que seremos capazes de realizar a missão que ele nos dá. Para as comunidades do Discípulo Amado, Páscoa (ressurreição) e Pentecostes (efusão do Espírito) são as mesmas coisas. Tudo acontece no mesmo momento.

João 20,23: Jesus comunica o poder de perdoar os pecados

O ponto central da missão de paz está na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam: “Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados será perdoado e aqueles a quem retiverdes serão retidos!” Este poder de reconciliar e de perdoar é dado à comunidade (Jo 20,23; Mt 18,18). No Evangelho de Mateus é dado também a Pedro (Mt 16,19).  Aqui se percebe a enorme responsabilidade da comunidade. O texto deixa claro que uma comunidade sem perdão nem reconciliação já não é a comunidade cristã.

AFONSO DIAS É BÍBLISTA, E ASSESSOR DO CEBÍ-SP E SUL DE MG. (35)9924-0250 (11)4538-1446 OU (11)7189-5746 e-mail abdias49@bol.com.br Senador Amaral- MG ou Itatiba-SP

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