Curso para Ministros da Palavra, leitores e salmistas

Oratória – Curso

CURSO DE FORMAÇÃO PARA O MINISTÉRIO DE LEITORES

 

 

            A arte de falar em público requer aperfeiçoamento.

            É possível trabalhar para superar o medo, os erros de leitura, os vícios de postura, a falta de comunicação.

            Precisamos ter “a Palavra” como um tesouro, que necessita de constante polimento, de lapidação.

            Sempre é bom refletir, não falamos para nós mesmos, temos um público nos ouvindo. 

            Temos a missão de passar a mensagem:  “somos comunicadores do Reino de Deus”.

            Nosso triunfo principal é quando a palavra que anunciamos atinge o coração do ouvinte e se torna “semente plantada”.

            É preciso preparação: Doutrinal (Bíblia – Igreja), espiritual, moral e preparação técnica (prática).

            Liturgia se faz com palavras e ações, gestos, ritos e símbolos.

            Liturgia se faz com sinais sensíveis.  (SC 7). 

 

A PRESENÇA DE CRISTO NA LITURGIA

“7. Para realizar tal obra, Cristo está sempre presente à sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Presente ao sacrifício da missa, na pessoa do ministro, pois quem o oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que então se ofereceu na cruz, mas, especialmente presente sob as espécies eucarísticas.

            Presente, com sua força, nos sacramentos, pois, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza. Presente por sua palavra, pois é ele quem fala quando se lê a Escritura na Igreja. Presente, enfim, na oração e no canto da Igreja, como prometeu ‘estar no meio dos dois ou três que se reunissem em seu nome’ (Mt 18,20).

            Cristo age sempre e tão intimamente unido à Igreja, sua esposa amada, que esta glorifica perfeitamente a Deus e santifica os homens, ao invocar seu Senhor e, por seu intermédio, prestar culto ao eterno Pai.

            Com razão se considera a liturgia o exercício do sacerdócio de Cristo, em que se manifesta por sinais e se realiza a seu modo a santificação dos seres humanos, ao mesmo tempo que o corpo místico de Cristo presta culto público perfeito à sua cabeça.

            Tal celebração litúrgica, pois, como obra de Cristo sacerdote e de seu corpo, a Igreja, é ação sagrada num sentido único, não igualado em eficácia nem grau por nenhuma outra ação da Igreja”.

 

 

O QUE É LITURGIA?

 

            Para entender o que é liturgia, devemos situá-la no contexto da história da salvação, onde Cristo é o centro, e isto nós chamamos “Mistério Pascal”.

             A liturgia da Igreja torna presente a obra salvífica e redentora de Cristo, mediante sinais sagrados.

            Tudo o que o Senhor Deus realizou através dos séculos em favor da salvação da humanidade é atualizado, “Fazei isto em memória de Mim”.

            A Liturgia Divina se comunica a nós pele memória que dela fazemos. Podemos chamar a liturgia celebrada de momento histórico da salvação.

            Podemos também dizer que a liturgia bem celebrada é a melhor evangelização.

Na liturgia tudo fala de Jesus, tudo deve levar a vê-Lo, ouvi-Lo, apalpá-Lo, levar a acreditar Nele e entrar em comunhão com Ele e com o Pai (1Jo 1, 1-4).

 

            “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos tem apalpado no tocante ao Verbo da vida porque a vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. Escrevemo-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa” (1Jo 1, 1-4).

 

            CIC: “1097. Na liturgia da nova aliança, toda ação litúrgica, especialmente a celebração da Eucaristia e dos sacramentos, é um encontro entre Cristo e a Igreja. A assembléia litúrgica tira sua unidade da “comunhão do espírito Santo”, que congrega os filhos de Deus no único corpo de Cristo. Ela ultrapassa as afinidades humanas, raciais, culturais e sociais”.

 

“1099. O Espírito Santo e a Igreja cooperam para manifestar o Cristo e a sua obra de salvação na liturgia. Principalmente na Eucaristia, e analogicamente nos demais sacramentos, a liturgia é memorial do Mistério da Salvação. O Espírito Santo é a memória viva da Igreja”.

 

“1103. A celebração litúrgica refere-se sempre às intervenções salvíficas de Deus na história. ‘A economia da revelação concretiza-se através de acontecimentos e palavras intimamente interligadas. As palavras proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido’. Na liturgia da palavra o Espírito Santo “recorda” à assembléia tudo o que Cristo fez por nós”.

 

“1104. A liturgia cristã não somente recorda os acontecimentos que nos salvaram, como também os atualiza, torna-os presentes. O mistério pascal de Cristo é celebrado, não é repetido; o que se repete são as celebrações; em cada uma delas sobrevém a efusão do Espírito Santo que atualiza o único mistério”.

 

            Novo Testamento: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade  de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”(Rm 12,1-2).

 

“At 2,42. Perseveravam eles na doutrina dos Apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações”. 

 

“At 4,32. A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía: mas tudo entre eles era comum”.

 

 

ESPIRITUALIDADE LITÚRGICA

 

            Existe um princípio básico em todo trabalho pastoral, “A Espiritualidade”.

            A espiritualidade é a alma de qualquer pastoral, porque por meio dela o Espírito Santo mostra o caminho e ilumina a ação.

            A espiritualidade litúrgica tem como característica ser uma espiritualidade pascal. Significa uma espiritualidade libertadora e comprometedora.

 

            LIBERTADORA: libertados do mal e do pecado e de tudo o que nos impede de chegar a Deus.

            COMPROMETEDORA: é uma espiritualidade que traz conseqüências “colocar em prática aquilo que se celebra”.

 

Alguém que recebe a vida divina precisa distribuí-la, esparramá-la, anunciá-la.

 

Quem celebra a liturgia torna-se ao mesmo tempo “canteiro e semeador”.

 

A espiritualidade litúrgica é uma espiritualidade geradora de vida, “frutifica no meio da comunidade”, “árvore boa produz bons frutos”.

 

            Você celebra e Deus se faz presente em você e através de você. “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim; a minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).

 

“Quem se santifica passa a santificar”.

 

Deus Pai nos prestou esse grande serviço: “Ele nos deu o Filho”. A liturgia do Pai nos oferece o Filho, o Filho vive a liturgia do Pai.

 

Nosso Deus é liturgia, é a perfeição da liturgia.

 

A liturgia é fonte e ápice de toda ação da Igreja. Promover a liturgia é fazer ação pastoral, passando pelas linhas: comunitária, ministerial, catequética, missionária, ecumênica e transformadora.

 

A liturgia propõe: “A glorificação de Deus e a santificação dos homens”.

 

Fé em ato: o leitor une a Escritura à vida, se compromete com a Palavra que anuncia.

 

É necessário esmerar-se no Ministério da Palavra na Liturgia. “A Palavra de Deus é um Patrimônio Sagrado”.

 

 

A EUCARISTIA (A MISSA)

 

A missa é o maior culto que prestamos a Deus, é o culto completo. É o nosso encontro com Deus e com os irmãos.

 

Na missa Jesus é o orante principal. Jesus age pessoalmente como mediador para nossa salvação sem Jesus não existe salvação. Não há outro nome (At 4,12). Jesus é o Sumo Pontífice (nossa ponte entre o Céu e a Terra).

 

Devemos entender e participar da missa como mistério de salvação. A Eucaristia é o memorial do Senhor Jesus Ressuscitado, libertador do pecado e da morte.  “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22,19).

 

Memória não é só recordarmos o que Jesus disse e fez, mas é atualização do Mistério Pascal.

 

A Eucaristia une passado, presente e futuro. Jesus se torna presente sobre o Altar, enquanto esperamos sua vinda gloriosa.

 

Participar da missa é como colocarmos os pés na eternidade (embora ainda estejamos neste mundo) é sentirmos o sabor da Páscoa.

 

Lembremos que Eucaristia não é só Pão e Vinho consagrados, mas toda a celebração da Missa.

 

Certamente quem conhece, celebra, participa melhor, porque sabe que o significa cada gesto, cada oração cada rito…

 

Antes de celebrar com seus discípulos a Ceia Pascal onde instituiu a Eucaristia Jesus mandou preparar uma sala ampla e mobiliada (Lc 22,12-13). A Igreja sempre julgou dirigida a si esta ordem, estabelecendo como preparar as pessoas, os lugares, os ritos e os textos para a celebração da santíssima Eucaristia.

 

Sendo a missa por natureza de índole comunitária assumem grande importância os diálogos entre o presidente da celebração e a assembléia dos fiéis.

 

Na missa se encontra o ápice da ação pela qual Deus santifica o mundo em Cristo.

 

 

FORMAÇÃO DO LEITOR

 

Na liturgia a palavra constitui aspecto elevado. A palavra na liturgia tem uma série de implicações com ela podemos: convocar a assembléia, acolher, receber, saudar, rezar, ler, aclamar, cantar, cumprimentar, admoestar, convidar, informar, notificar, avisar.

 

Praticamente não existe celebração na liturgia cristã, onde não se proclame a Palavra de Deus.

A Palavra de Deus na liturgia é mais do que uma instrução ou informação “é presença salvífica”.

 

Deus sempre fala a mente e ao coração daqueles que o procuram. A Palavra de Deus é viva, eficaz. “Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Heb 4,12).

 

O leitor é um ministro da Palavra, está a serviço de Deus e da comunidade, deve estar consciente de está emprestando a sua voz ao próprio Deus.

 

O leitor precisa se preparar, não consegue ler corretamente nas assembléias litúrgicas quem antes não treinou, não meditou, não penetrou no texto a ser proclamado.

 

Antes de proclamar o texto o leitor deve fazer como Ezequiel.  “Filho do homem, falou-me, come o rolo que aqui está, e, em seguida vai falar à casa de Israel. Abri a boca, e ele mo fez engolir. Filho do homem, falou-me, nutre o teu corpo, enche o teu estomago com o rolo que te dou. Então o comi, e era doce na boca, como o mel.” (Ez 3,1-4).

 

É preciso que o leitor saiba o texto com antecedência e procure aprofundar sua mensagem para poder dar vida e calor a leitura.

 

É importante que o leitor acredite e viva o que anuncia. Deus pede testemunhas vivas e o leitor deve ser uma dessas testemunhas.  “Porém, como invocarão aquele em quem não tem fé?. E como crerão naquele de quem não ouviram falar?. E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?. Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo” (Rom 10,14.17).

 

O leitor pleno de Deus, o comunica a todos. Se nos assemelhamos a Cristo aqueles que nos viram ficarão pensando Nele.

 

O leitor não apenas lê, mas comunica.

 

A formação técnica do leitor também é muito importante. O leitor ao proclamar a Palavra de Deus deve fazê-lo de tal forma que todos os presentes da assembléia “ouçam e entendam”.

 

Ao se formar tecnicamente é bom que o leitor se lembre:

  • Não é aluno de teatro (ator) ou candidato a locutor de rádio ou televisão;
  • Ter o cuidado para não assumir atitude de pose;
  • De acatar com humildade as observações de seu formador ou da coordenação.

 

 

A VOZ DO LEITOR:

 

            Deve ser clara e firme. Deve acompanhar a expressar o momento vivido. A voz de pedir perdão é diferente da voz que anuncia um glória. A voz da Páscoa é alegre, a voz do perdão é sóbria. A voz do glória é animada, a voz da meditação é carinhosa. Quanto ao tom de voz podemos classificar a voz em quatro espécies:

 

  1. Voz de ouro = entusiasta, empolga, é alta e clara, leva o ouvinte a sentir pelo que anuncia (Glória, Páscoa, Aleluia).
  2. Voz de prata = é normal, descritiva, calma, carinhosa. Encaminha a meditação.
  3. Voz de bronze = é misteriosa, sólida, sinistra: é a voz do perdão, da repreensão.
  4. Voz de veludo = misto de ouro e prata, voz de amor, do entendimento, do carinho.

 

Na leitura, tudo deve ser bem pronunciado, bem articulado, observar as pausas, ponto final, exclamação, interrogação, entonação.

 

Nas pausas longas, o leitor pode e deve olhar por uns instantes para a assembléia a fim de aproximar-se dela.

 

A dicção é fundamental: o leitor deve olhar para a assembléia e dizer solenemente: “Palavra do Senhor”.

 

Postura: o leitor deve ter cuidado com a postura junto ao ambão (mesa da Palavra). Nunca ler com as mãos nos bolsos ou para traz ou na cintura.

 

Traje: devem ser decentes, discretos, cuidado com roupas muito curta, espalhafatosas, excesso de jóias.

 

Lembre-se, escândalos no trajar, podem ser um sério obstáculo para que os demais aceitem a mensagem da Palavra de Deus.

 

Não chegue atrasado, suando, afobado, com pressa, tudo isso influencia na celebração.

 

 

 

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

 

EMISSOR: é aquele que transmite a mensagem ao receptor.

MENSAGEM: é o conteúdo transmitido.

RECEPTOR: é aquele que recebe a mensagem transmitida pelo emissor.

 

 

 

 

EMPECILHOS Á BOA COMUNICAÇÃO

 

Pressa.

Achar que já sabe o que o outro vai dizer (não ouvir).

Desinteresse.

Usar palavras que o ouvinte não conhece. (linguagem técnica, profissional, gíria).

Falta de clareza nas informações.

 

 

 

CUIDADOS NA COMUNICAÇÃO

 

Nunca achar que o que está claro para mim, também está para o outro.

Fazer perguntas ou fazer com que o outro pergunte.

Tom de voz (pelo tom da voz, transmitimos agressividade ou afeto).

Não decidir em cima de dúvidas (acho que…), buscar mais dados.

Evitar muitos intermediários (precisando dar recados, escreva).

Falar só o que é verdadeiro, o que é útil, o que interessa.

Não saber ouvir.

 

 

 

VER E OBSERVAR

 

            De acordo com vários psicólogos, a fala tem um papel duplo ao determinar a personalidade. A linguagem dos outros ajuda a criança a desenvolver suas formas de pensamento e reações ao que “eles dizem”. Por outro lado, seu próprio linguajar revela aos que a cercam, o que ela quer que eles saibam. A fala é um ingrediente básico no processo de socialização, é um meio de reação da personalidade aos condicionantes externos, bem como uma forma de revelar-se a outros. Este processo reside apenas parcialmente dentro de nós, pois ele também se dá ao mesmo tempo no contexto social afetando e sendo afetado pelos julgamentos das outras pessoas.

 

Quando exercemos os nossos diversos papéis (estudante, coordenador, pais, filhos, marido, mulher, patrão ou empregado), a linguagem é o nosso principal meio de estimular os outros, de controlar as respostas dos outros e a nós mesmos.

 

            Para uma boa comunicação, mais importante que falar bem, é extremamente necessário aprender a ouvir bem e observar atentamente as coisas que nos rodeiam e discernir sobre aquilo que nos é apropriado. Desde modo, você não estará simplesmente repetindo as coisas que ouviu e viu, mas à luz de sua reflexão, transmitindo de fato o conteúdo dessas experiências. Refletir sobre o que se vê ou ouve, é principalmente desvelar o conteúdo real da experiência vivida. Assim, sua comunicação será mais clara e objetiva, facilitando o entendimento de quem o ouve.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EXPRESSÃO CORPORAL

 

 

POSTURA

 

            Procure uma postura que ajude na comunicação sem perder a naturalidade. Evite uma postura que desvie a atenção do receptor, como excesso de movimentos, de gestos, ficar dançando, olhar fixo no infinito, para uma única pessoa, só para o papel, só para o teto ou para o chão, olhe suavemente para uma pessoa que esteja atenta ao que você está falando, do lado direito, depois ao centro e do lado esquerdo. Antes de começar a falar, acolha a assembléia com o olhar e com o sorriso. Mostre satisfação e prazer em estar ali. Isso dá e passa segurança.

 

 

 

O CORPO FALA

 

            Quando o emissor adquire a consciência de seu corpo, pode comunicar-se melhor através dele.  A postura deve ser ereta e descontraída, não coloque as mãos no bolso, nas costas ou cruzar os braços. Deve-se distribuir bem o peso do corpo sobre as duas pernas. Observe bem as pessoas para verificar se sua mensagem está sendo compreendida. Não deixe que a mensagem “negativa” de seu corpo ganhe mais importância que o conteúdo de sua fala.

 

RESPIRAÇÃO

 

            A respiração é a primeira e última relação direta que o ser humano tem com o mundo exterior. Normalmente não damos a devida importância à nossa respiração, ao menos, como ela ocorre. Esquecemos, dessa forma, que além do fornecimento de energia ao organismo e purificação do sangue, é um dos elementos básicos da comunicação oral.

 

Apesar de ser um ato inconsciente de qualquer ser vivo, o homem perde a maneira natural de respirar e acaba respirando errado. Perde toda a capacidade respiratória. Acaba tencionando e retesando o corpo, os ombros e o pescoço, dificultando a fala e a expressão.

 

            Quando praticada corretamente, a respiração:

  1. Ajuda a aliviar a tensão;
  2. Corrige alguns desvios de postura;
  3. Faz o corpo repousar, relaxar;
  4. Massageia órgãos internos;
  5. Contribui para um melhor controle do nosso corpo.

 

Não é apenas a respiração em si, aspecto importante a ser trabalhado, é essencial também observar a coordenação entre respiração e fonação.

 

      Ex.: Você fala uma oração e ainda há ar contido nos pulmões para ser expirado.

 

Ao falar uma oração e ao final dela é quase inaudível por falta de ar. Este é o caso mais comum.

Esses problemas além de ocorrerem durante uma conversação, podem ser registrados por ocasião da leitura ou da música.

 

Para uma comunicação eficiente, é indispensável observar a pontuação. Assim, uma vírgula (,), significa breve pausa, onde você deve inspirar rapidamente, a fim de dar continuidade à leitura, o ponto final (.), ponto e vírgula (;) e dois pontos (:), representam pausas mais prolongadas onde você pode efetuar um movimento de respiração completo antes de prosseguimento da leitura, ou seja:

 

            INSPIRAR – ESPIRAR – INSPIRAR = LER

 

EXERCÍCIOS:

 

  1. Respiração total: Imagine seu pulmão como um vaso, cuja base chega perto da cintura e que vai enchendo de água até em cima. Uma maneira de experimentar esta respiração é deitar de costas no chão, relaxar o corpo e respirar profundamente. Nesta posição respiramos mais naturalmente, o que pode ser observado colocando a mão sobre o diafragma e sentindo seu movimento. Seria conveniente que se treinasse para se ter uma respiração total, normalmente.

 

  1. Respiração em 4 tempos:

Inspiração: 1,2,3,4

Pausa: 1,2,3,4

Expiração: 1,2,3,4

 

  1. Os ombros: Braços ao longo do corpo. Subir um braço de cada vez, levemente. Inspirar no momento em que ele sobe até a orelha e expirar no momento em que ele desce, fazendo movimentos circulares. Quatro ou cinco vezes cada braço. Em seguida, relaxar o tronco, inclinando para a frente, soltando os braços.

 

 

RELAXAMENTO:

 

  • Pé: Erguer um pé movimente-o para frente, para trás, de lado e circular (fazer o mesmo com o outro pé).
  • Joelhos: Por as mãos no joelho, abaixar um pouco e movimentá-los para dentro e em forma circular.
  • Cabeça: movimentar lentamente para a direita, esquerda, frente, atrás, circular. Várias vezes. Inspirar quando levantar e espirar quando abaixar a cabeça.
  • Ombros: Levantar levemente o ombro direito querendo chegar até a orelha. Fazer o mesmo com o esquerdo. Elevar os dois e mantê-los elevados. Relaxar de uma vez.

 

 

VOZ

 

            Aprenda a usar a voz corretamente. Não concentre sua força, ao falar, na garganta. Não confundir gritar com falar alto. Solte sua foz naturalmente, principalmente através do canto.

 

Os exercícios vocais podem ser repetidos com freqüência. Faça do treinamento uma rotina, ainda que seja apenas alguns minutos por dia. Com os treinamentos, o resultado virá. Não basta saber a técnica, é preciso exercitá-la intensamente.

 

Pronuncie bem as silabas. Fale firme. Não engolir os “S” nos finais das palavras. Pronuncie as palavras com a parte da frente da boca (fale para fora).

 

Pronuncie o som: MMMMMMMMMMMM até vibrar a região dos lábios. Depois de vários exercícios, acrescente sucessivamente as 5 vogais, assim:

 

MMMMMMMMMMMM    AAAAAAAAAAA    MMMMMMMMMMMM    EEEEEEEEEEEE

MMMMMMMMMMMM     IIIIIIIIIIII                  MMMMMMMMMMMM    UUUUUUUUUUUUUU

 

 

Pronuncie cada vogal de modo diferente.

 

  • Com a boca aberta.
    • Com a boca entreaberta, como num leve sorriso.

I –   Com os lábios não muito aproximados.

  • Com a boca arredondada.
  • Com os lábios pontudos, mas a boca inteiramente aberta.

 

 

RITMO

 

            Para haver uma boa comunicação, é necessário ritmo, que surge da combinação de vários elementos: volume, velocidade, entonação.

 

VOLUME. De acordo com o contexto, aprenda a alterar o volume de sua voz. Quando falar para um grande público, sem microfone, projete sua voz para que atinja quem estiver sentado na última cadeira.

 

VELOCIDADE. Evite falar devagar ou depressa demais. Alterne a velocidade sempre que possível.

 

ENTONAÇÃO. É aquilo que dá vida e movimento ao discurso. Às vezes, na leitura de um texto, a entonação já vem indicada pela pontuação.

 

Ex.: Homem não chora. Homem não chora? Homem, não chora! Homem não chora! Seja homem, não chore! Homem não chora… Homem… não! Chora? Homem, não. Chora.

 

                        Pronunciar as frases abaixo procurando enfatizar a palavra grifada:

 

Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo descansou.

Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo descansou.

Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo descansou.

Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo descansou.

Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo descansou.

Deus fez o mundo em seis dais e no sétimo descansou.

 

Observação: Com a repetição, esses exercícios produzem excelentes resultados. Eles podem ser feitos individualmente, mas quando realizados em grupo, o resultado ainda é melhor e mais rápido. Grave sua voz e pouco a pouco, vá conferindo o progresso.

 

 

 

EXERCÍCIOS DE ARTICULAÇÃO

 

1- Ler o texto de maneira lenta e pausada.

2- Ler naturalmente.

3- Ler aceleradamente, o mais rápido que conseguir, como se fosse um locutor de corrida.

4- Ler naturalmente.

 

 

CORRIDA DE CAVALOS

 

Atenção, foi dada a partida para o 5º páreo, prova especial em 1.400 metros. Excelente partida saindo todos emparelhados tomou a ponta o Alazão Lambari que vai livrando logo um corpo inteiro de vantagem para Urutau, correndo em segundo, seguido de perto por Borboleta. Tangará que já estava atrasado passa para a 3ª posição.

 

            Continua na ponta Lambari ainda com um corpo inteiro para Urutau que tenta a 1ª colocação agora junto com Borboleta que num estilo vigoroso passa já para o 2º lugar e vai alcançando Lambari que resiste ao impetuoso ataque.

 

            Borboleta avança livrando cabeça, pescoço, meio corpo e já corpo inteiro. Na frente Borboleta, a grande favorita, em 2º, Lambari, em 3º Urutau, em 4º Vagalume e em 5º Tangará. Contornam a 1ª metade da grande curva. Na ponta Borboleta que vem tinindo fortemente atacada por Lambari. Em 3º Urutau que tenta desesperadamente reconquistar a 2ª colocação. Em 4º, emparelhados, Vagalume e Tangará contornam a grande curva e entram na reta final. Urutau é agora atacado por Tangará que passa de passagem para o 3º, deixando Urutau para trás. Três animais no mesmo pleno disputando a 1ª colocação.

 

            Pequena vantagem de Lambari sobre Borboleta, violenta investida de Borboleta que consegue novamente livrar cabeça, pescoço, meio corpo e corpo inteiro, em alta velocidade, cruzam a reta final. Borboleta, uma égua que surpreendeu na sua belíssima desempenho, derrotando o Alazão, foi a grande vencedora do páreo, em 2º Lambari, em 3º Urutau, em 4º Tangará e em 5º Vagalume.

 

TRAVA-LÍNGUA

“B”

 

Bela baila boiava, boneca de bronze bailava, burlando e botando bufão, umbulesco bedeguê-guedebê da Bahia.

 

 

“T”; “TR”

 

            Tavares tratava de tomar a tatuzinho, talvez porque triturasse seu ar triste. Trancou-se triunfante quando viu tramontina tripudiando Tereza que trazia tâmaras. Carmela concentrava-se como uma cobra, quando caboclo Carolino caminhando cansado depois de seu combate na guerra do Coriolano correu para encontrá-lo. Carmela com o confeite na mão saltou de trás do pé da catuqueira na frente de Carolino que estava conturbado e não conseguia cortar o caju cristalizado. 

 

 

 

“C”

 

            Carmela – Como você não come?

            Carolino – Claro que como, como não?

            Carmela – Come senão entra em coma.

            Arolino   –  Então como correndo no canto.

            Carmela – Não comente que come coma.

            Carolino – Claro que como.

            Carolino comeu.

 

            Quem a paca cara compra, cara paca comprará.

 

            No ninho de mafagafa, tinham sete mafagafinhos. Quando a mafagafa canta, cantam os sete mafagafinhos.

            No ninho de mafagafa, tinham sete mafagafinhos. Quem desmafagafa a mafagafa, bom desmafagafador será.

 

            Chico chutou a chave da chácara. A chave caiu. Chico chorou porque a chave perdeu. Não chore Chico, a chave achei. Estava no chão, perto do cocho quando cheguei.

 

            Vozes veladas, veludosas vozes; volúpia de violões, vozes veladas, vagam nos velhos vórtices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

 

 

TREINAMENTO PARA OBTER FÔLEGO: CAFÉ COM PÃO

 

Tentar falar este texto usando todo o ar que inspirou. Quanto menos inspirações você der, mais fôlego estará desenvolvendo.

 

            CAFÉ COM PÃO / CAFÉ COM PÃO / CAFÉ COM PÃO

 

Que foi com isso maquinista / agora sim / agora sim / café com pão / agora sim / agora sim / agora sim / café com pão.

 

Voa fumaça / corre cerca / ai seu foguista / bota fogo / na fornalha / que eu preciso / muita força / muita força / foge bicho / foge povo!

 

Passa ponte / passa poste / passa pasto / passa boi / passa boiada / passa galho / de ingazeira / debruçada / no riacho / que vontade / de cantar!

 

Quando me prenderam / no canaviá / xada pé de cana / era um oficiá / menina bonita / do vestido verde / me dá tua mão / vem me segurar!

 

Vou mimbora / vou mimbora / não gosto daqui / nasci no sertão / sou de Ouricuri / vou depressa / vou correndo / vou na toda / que só levo / pouca gente / pouca gente / pouca gente.

 

 

            “O SEGREDO DO SUCESSO É O TREINAMENTO”!

 

Repita várias vezes, até conseguir falar todo o texto num só fôlego!

 

Exercícios de articulação. Inicialmente pronunciar estas seqüências com calma. Em seguida, variar a velocidade e a tonalidade.

 

ZAS  XAS  VAS  VRAS  TAS  TRAS   SAS            RAS  QUIAS  PAS  PRAS  NAS  MAS  LAS  JAS  GAS  GRAS  FAS  FRAS  DAS  DRAS  CAS  CRAS  BAS   BRÁS 

 

ZES  XES  VES  VRES  TES  TRES  SES  RES  GUES  PES  PRES  NES  MES  LES  JES  GUES  GRES  FES  FRES  DES  DRES  QUES  CRES  BES  BRES

 

ZIS  XIS  VIS  VRIS  TIS  TRIS  SIS   RIS  QUIS  PIS  PRIS  NIS  MIS  LIS  JIS  GUIS  GRIS  FIS  FRIS  DIS  DRIS  QUIS  CRIS  BIS  BRIS

 

ZOS  XOS  VOS  VROS  TOS  TROS  SOS  ROS  QUOS  POS  PROS  NOS  MOS  LOS  JOS  GUOS  GROS  FOS  FROS  DOS  DROS  QUOS  CROS  BOS  BROS

 

ZUS  XUS  VUS  VRUS  TUS  TRUS  SUS  RUS  CUS  PUS  PRUS  NUS  MUS  LUS  JUS  GUS  GRUS  FUS  FRUS  DUS  DRUS  CRUS  BUS  BRUS

 

 

 ZAR  XAR  VAR  VRAR TAR  TRAR   SAR          RAR  QUIAR  PAR  PRAR  NAR  MAR  LAR  JAR  GAR  GRAR  FAR  FRAR  DAR  DRAR  CAR  CRAR  BAR   BRAR

 

 

ZER  XER  VER  VRER TER  TRER   SER            RER  QUIER  PER  PRER  NER  MER  LER  JER  GER  GRER  FER  FRER  DER  DRER  CER  CRER  BER   BRER

 

 

ZIR  XIR  VIR  VRIR TIR  TRIR   SIR           RIR  QUIR  PIR  PRIR  NIR  MIR  LIR  JIR  GIR  GRIR  FIR  FRIR  DIR  DRIR  CIR  CRIR  BIR   BRIR

 

 

ZOR  XOR  VOR  VROR TOR  TROR   SOR         ROR  QUOR  POR  PROR  NOR  MOR  LOR  JOR  GOR  GROR  FOR  FROR  DOR  DROR  COR  CROR  BOR   BROR

 

 

ZUR  XUR  VUR  VRUR TUR  TRUR   SUR           RUR  QUR  PUR  PRUR  NUR  MUR  LUR  JUR  GUR  GRUR  FUR  FRUR  DUR  DRUR  CUR  CRUR  BUR   BRUR

 

 

 

ORIENTAÇÕES PARA SE FAZER UMA BOA LEITURA

 

            O ministério de Leitor é um dos mais importantes na celebração eucarística. Antes de tudo, é bom, lembrar que é um ministério, isto é, um serviço à Igreja. Ao proclamar a Palavra de Deus, você não é um simples repetidor de palavras, mas é transmissor de uma mensagem de vida. Você torna-se um instrumento que Deus usa para comunicar-se com as pessoas que estão ali, celebrando. Você empresta sua boca, voz e todo o seu ser para que a mensagem de Deus possa chegar àquelas pessoas. Já imaginou? Quando você diz “Palavra do Senhor”. A leitura será tanto mais bem feita quanto melhor você deixar Deus falar por você.

 

Procure tratar com muito respeito o livro santo da Palavra de Deus e tê-lo com fé e alegria. Você é um verdadeiro profeta e evangelizador.

 

            Nervos – Mais ou menos todo mundo tem. O que fazer? Prepare bem, respire antes de começar, encoste a mão na estante para não tremer. O nervosismo só desaparece com o tempo. Mas perder o nervo ainda não quer dizer que a leitura melhora. Se você entrar em pânico, respire devagar e fundo. “Calma e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.

 

            Ler o texto antes – Leia antes o texto em voz alta e várias vezes, ouvindo a própria voz. Assim, você entenderá bem o seu sentido e poderá dar a devida entonação a cada frase. Saber com antecedência quais deve ressaltar, onde estão os pontos, as vírgulas, em quais palavras poderá equivocar-se. Eventualmente, marque intervalos, respiração, palavras difíceis, acentos… A única maneira de aprender a ler bem é ensaiar, de preferência ouvindo a si mesmo num gravador. Você deve entender o que está lendo. Se nem você entender… e o povo, percebe!.

 

            Convicção – O fundamental para uma boa leitura é a convicção. O leitor precisa passar a convicção de que acredita naquilo que está lendo. Para isso, ele precisa rezar o texto antes. Se quiser, faça antes esta oração: “Senhor, tome conta de mim, para que eu seja um instrumento seu na transmissão de sua Palavra viva. Nossa Senhora Aparecida, fique ao meu lado. Amém”.

 

            Ao aproximar-se do ambão – Faça-o com respeito e calma, caminhando lentamente e sem chamar a atenção para si. Se passar pela frente do altar, faça reverência a ele. É importante a maneira como você se veste para esse ministério. Faça tudo com humildade. Você não vai lá para se projetar.

 

            Postura digna – Quando você está diante do ambão, tome cuidado com a posição do corpo. Não se trata de ficar rígido como uma estátua, mas também você não deve ler, por exemplo, com a mão no bolso. Se você faz gestos fora, diferente, vai distrair a assembléia. É o que a gente chama de “ruído” litúrgico. Evite coçar o nariz. Se o pé está doendo, deixe doer. Se não houver ambão, escolha um lugar bem visível. Não se esconda.

 

            Observe a acústica – Dependendo da acústica da igreja, o som ressoa muito alto e confuso. Faz eco.  Para que todos entendam, leia devagar e pausadamente.

 

            O bom uso do microfone – Logo ao chegar, verifique com calma se seu microfone está ligado (a chavinha deve estar para cima). Segure o microfone uns cinco centímetros abaixo da boca. Não na frente da boca, para não sair o ruído do sopro e não encostar o microfone na boca. Regule o microfone antes da celebração.  Nunca bata nem sopre no microfone para experimentar. Use somente a voz para testar. Se o microfone parar de funcionar, continue normalmente a leitura, apenas fale mais alto.

 

            Leia com boa velocidade – Não leia rápido demais. Se a sua dicção for diferente, será ainda mais grave, já que dificilmente alguém conseguirá entendê-lo. Também não leia muito lentamente, com pausas prolongadas, para não entediar os ouvintes. O principal defeito dos leitores é de ler muito depressa. Se pronunciarmos bem, a pessoa pode entender tudo, mas a leitura não penetrará. Devemos, portanto, evitar aquele tipo de leitor que vai depressa ao ambão, começa sem olhar para o povo, lê depressa e volta mais depressa ainda para a cadeira. Ao chegar ao ambão, respire bem antes de começar a ler, contemple a assembléia e a acolha com o olhar e com um suave sorriso.

 

            Pronuncie bem as palavras – Pronuncie completamente todas as palavras. Principalmente não omita a pronúncia dos “s” e “r” finais e dos “i” intermediários. Por exemplo: fale primeiro, janeiro, terceiro, precisar, trazer, levamos, e não janero, tercero, precisa, traze, levamo… Pronunciando todos os sons corretamente, a mensagem será melhor compreendida pelos ouvintes e haverá maior valorização da imagem de quem lê. Faça exercícios para melhorar a dicção lendo qualquer texto com o dedo (ou rolha) entre os dentes e procurando falar de forma mais clara possível.

 

            Leia com boa intensidade – Se ler muito baixo, as pessoas que estiverem distantes não entenderão as palavras e deixarão de prestar atenção. Também não deverá ler muito alto porque, além de se cansar rapidamente, poderá irritar os ouvintes. Leia numa altura adequada para cada ambiente ou serviço de som. Nunca deixe, entretanto, de ler com entusiasmo e vibração. Se não demonstrar interesse por aquilo que transmite, não conseguirá também interessar os ouvintes.

 

            Leia com bom ritmo – Alterne a altura e a velocidade da leitura para construir um ritmo agradável de comunicação. Quem lê com velocidade e altura constantes acaba por desinteressar os ouvintes, pela maneira “descolorada” com que se apresenta.

 

            Expressividade – Colocar expressão e sentimento na leitura. Observe que o tom de voz é diferente quando se está narrando alguma coisa e quando se está pronunciando a palavra de alguém.  Por exemplo, ao ler Lc 10, 38-42, a assembléia deve sentir a afobação de Marta e a serenidade de Jesus. Leia de acordo com o tipo de texto: poesia, comentário, história, oração, salmo… A leitura deve ter ritmo! Mais que ler, procure proclamar a Palavra de Deus.

 

            Olhar para o povo – Os olhos não devem estar o tempo todo fixos no livro, mas de vez em quando, levantá-los e dirigi-los com tranqüilidade aos que o(a) escutam. Em missa transmitida pela TV, esse olhar deve ser dirigido ao povo e à câmara que está transmitindo. Isso prende a atenção dos ouvintes e ajuda-os a destacar as frases mais importantes. Olhar os ouvintes em uma frase importante fá-los penetrar mais. Além disso, ajuda o clima da leitura, faça uma pausa, fite as pessoas para então dizer: “Palavra do Senhor”. E não saia do ambão antes da resposta do povo.

 

            O começo da leitura – Você começa dizendo: “Leitura dos Atos dos Apóstolos”. Não precisa dizer Capitulo e Versículos. 

 

LEITURA NA LITURGIA

 

  • O Leitor é o porta-voz de Deus e ministro da Igreja;
  • O Leitor integra uma equipe de Celebração e “mastiga” a Palavra;
  • Ler é para si, em silêncio e proclamar é para os outros;
  • O Leitor personaliza o texto e proclama a Palavra na sua interpretação;
  • Evitar proclamação teatral (falsa), impessoal e monótona;
  • Ler olhando para a assembléia, com ritmo, expressão e ênfase;
  • Tenha o mínimo de técnica, dicção, articulação, pausa e ritmo.

 

 

 

DICÇÃO: Pronunciar com clareza e precisão.

 

ARTICULAÇÃO: Pronúncia nítida da silaba, consoantes e vogais.

 

ACENTUAÇÃO: Levantar ou abaixar a voz para dar maior sentido à palavra ou frase.

 

ENTONAÇÃO: Subindo ou descendo para dar ênfase à idéia.

 

PAUSA: É o intervalo de uma palavra à outra para dar sentido ou para respirar, conforme a acentuação gráfica.

 

RITMO: É a velocidade com que se lê. Cria interesse, chama a atenção ou dispersa os ouvintes.

 

Observações: Pronunciar 150 palavras por minuto está muito rápido. Pronunciar 130 palavras por minuto, está devagar. O ideal está em pronunciar por volta de 140 palavras por minuto. Cada um deve criar o seu ritmo ideal.

 

Calma e dignidade sempre… Exemplos: texto errado, barulho de avião, falta de energia, coroinha que cai no fio do microfone, erro de leitura, espirro, chora de crianças…

 

 

 

DICAS DE BOA EDUCAÇÃO VOCAL

 

(Serviço à Pastoral da Comunicação).

 

  • Tomar pelo menos 8 copos de água diariamente;
  • Não respirar de boca aberta se o ambiente for úmido, com mofo;
  • O nariz tem função de purificar o ar. Sempre que não estiver falando, respire pelo nariz;
  • Não sair com voz aquecida na friagem (se fizer, usar cachecol e não respirar pela boca);
  • Tomar cuidado com gelado, ele baixa a resistência do corpo;
  • Doces e derivados de mel fazem salivar muito;
  • Chá, sem açúcar, é uma boa opção;
  • Inimigos da voz: Chocolate, café e fumo;
  • Maçã é ótimo para cortar a salivação excessiva;
  • Gengibre é uma boa opção ou chá de menta, antes de ir dormir. Não sair na friagem após tomar estes produtos;
  • Cansaço físico (estafa) afeta a voz. O repouso vocal é importante, usar ressonância;
  • Não sussurrar (é o mesmo que falar alto). Para sussurrar é preciso usar ressonância baixa;
  • Usar taponagem (batidas leves para soltar o catarro, melhor nas costas) e inalação quando estiver com o peito cheio de catarro;
  • Sauna é ótimo;
  • Quando acordamos, nosso corpo está em estado basal, portanto é preciso diminuir o esforço vocal. Quanto mais frouxa a garganta, mais a voz fica densa. Quando se usa tencionar a garganta, a voz afina. Não gritar ao acordar;
  • Não gritar em ambiente ruidoso.

 

 

 

                                                           FONTES DE CONSULTA:

 

  • A Missa Parte por Parte – Pe. Luiz Cechinato
  • Animação da Vida Litúrgica no Brasil – CNBB – 43
  • Curso de Liturgia – Pe Joãozinho
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Preparação para Leitor – Escola Diaconal Santo Antonio

 

 

Jamais se dê por vencido!

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fa fa mi humilha

Postado originalmente em Reflexões do Padre Tarcísio Spirandio:

Casa, casinha,  Casarão

Tanto faz

Nada na linha do coração

Pranto sem paz

Irmão irmã pai mãe

Decepção hoje amanhã

Uma flor no jardim dos mortos

Uma vaga lembrança 

Caminhos tortos

 Vida sem esperança

Ver original

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fa fa mi humilha

Casa, casinha,  Casarão

Tanto faz

Nada na linha do coração

Pranto sem paz

Irmão irmã pai mãe

Decepção hoje amanhã

Uma flor no jardim dos mortos

Uma vaga lembrança 

Caminhos tortos

 Vida sem esperança

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COPA 2014 / BRASIL X ALEMANHA =UMA LIÇÃO IMPORTANTE

COPA 2014 / BRASIL X ALEMANHA =UMA LIÇÃO IMPORTANTE

De tudo o que acontece na vida temos que tirar uma lição.Quanto à derrota do Brasil para a Alemanha (7 Alemanha; 1 Brasil), podemos tirar as seguintes lições:

1- O Brasil se apoia sempre em figurões ou estrelas. Neimar e Tiago Silva eram os figurões da seleção. Os que jogaram sem eles, sentiram-se órfãos. Precisamos aprender a explorar a capacidade de cada integrante do grupo, mesmo que não existam figurões.
2- O Brasil ainda acredita na força individual. Precisamos aprender a trabalhar em equipe.
3- O Brasil ainda acredita que pessoas valorizadas de fora é que são força real. Por isso são convocados jogadores que atuam nos times do exterior. Está na hora de formar uma equipe nativa, que vista a camisa do Brasil

Enfim, perder talvez tenha sido melhor que até mesmo ganhar a copa. Assim tiramos estas lições que não nos seriam apresentadas com a vitória.
Na política o Brasil ainda acredita em candidatos salvadores da pátria e não numa equipe partidária.
Na economia acredita-se mais em empresários iluminados que em trabalhadores eficazes, que fazem uma empresa caminhar com força;

Quem sabe na próxima copa o Brasil ganhe, mas com o resultado provindo de um trabalho de uma equipe e não de figurões do futebol

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MARIA, MÃE DE JESUS : O DOCE PERFUME DO CÉU

O AMOR É O DOCE PERFUME DE DEUS NA VIDA HUMANA!!!

Então o silêncio se fez e um cheiro de céu tocou o olfato de uma jovenzinha que se chamava Maria. Naquele momento, suas mãos seguravam um rústico galho em cujas pontas haviam folhas que serviam como vassoura. Ao sentir o ambiente divinamente perfumado e a paz que ele trazia, Maria encostou a vassoura e instintivamente ajoelhou-se. Era esta sua atitude sempre que respirava aquela paz. Sim! Ela estava acostumada a inalar aquele aroma celestial. Certa vez, quando o cheiro dos anjos lhe penetrava as narinas, perguntou a uma amiga que estava em sua casa se também estava sentindo aquele perfume angelical. A companheira respirou profundamente e disse:
– Não! Só sinto cheiro de casa mesmo!
Novamente quando o mistério aromático envolveu Maria, estava ela com outras amigas e também as interrogou sobre o perfume divino no ar. Elas respiraram profundamente e nada sentiram. Acontece que as amigas de Maria começaram a pensar que ela estava ficando esquisita e comentavam entre si sobre a possível loucura daquela que sentia cheiro de céu. Ninguém pode sentir cheiro de céu. Aliás, Deus não tem corpo e portanto não tem suor. Muito menos os anjos poderiam ter algum tipo de cheiro pois são seres espirituais. Maria estava esquisita, diziam. Por saber que somente ela podia sentir o cheiro divino e sabendo sobre o que diziam dela, Maria decidiu nunca mais falar sobre aquela experiência com ninguém.
Naquele dia em que varria a casa sozinha, o cheiro divino a envolveu de maneira mais forte. Diferente das outras vezes, junto com o aroma divino veio junto uma luz bonita. Maria largou a vassoura, e ajoelhou-se com o rosto voltado para o feixe luminoso. Caso fosse uma outra jovenzinha que não tivesse tido experiências anteriores com o aroma divino, certamente sairia correndo, pensando tratar-se de fantasma ou coisa assim. Mas Maria foi exercitada aos poucos para que pudesse ter aquela experiência profunda de contato com o céu.
Aquele fio de luz aumentou e foi assumindo a forma de uma pessoa. O silêncio foi quebrado por uma voz angelical
– Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
A jovem Maria não se assustou. Apenas considerou o cumprimento estranho. Mas também era estranho que somente ela pudesse sentir o aroma celestial. Ainda ajoelhada manteve atento os ouvidos e escutou as palavras seguintes do ser angeli-cal:
– Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.
Embora muito jovem, Maria conhecia as coisas da vida e sabia que para ficar grávida precisaria unir seu corpo ao corpo de um homem. Era certo que estava noiva de um jovem chamado José e o casamento ainda demoraria algum tempo para acontecer. O anjo entretanto falava como se a gravidez fosse acontecer rapidamente. Para que isso acontecesse, ela teria que conhecer os segredos do corpo masculino e deixar-se penetrar por ele para que fosse fecundada. Por isso perguntou ao anjo:
– Como se fará isto, visto que não conheço homem al-gum?
Diante da pergunta sobre o processo da gravidez, o anjo respondeu:
– Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.
Certamente ficar grávida pela ação divina seria o maior presente que uma mulher poderia receber. Mas como toda mu-lher, a jovem Maria tinha vontade de compartilhar a experiência com as amigas. Mas se só com a notícia do cheiro já a consideravam endoidecida, imagine se dissesse que estava grávida de Deus? A experiência do cheiro divino para Maria era maravilhoso. Porém, era uma experiência que não podia compartilhar com ninguém, pois as pessoas não acreditavam nela. Então, o coração da jovenzinha ficou ainda mais perturbado pois se realmente ficasse grávida não poderia compartilhar com ninguém as suas alegrias. Mas o anjo logo disse:
– E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril. Porque para Deus nada é impossível.
Ao saber do milagre na vida de sua prima, o coração de Maria tranquilizou-se. Teria alguém para compartilhar a sua experiência divina. Tranquilizada pela notícia da gravidez da prima, confiou no chamado divino e tomou consciência de que não estava louca. O cheiro do céu era real e Deus estava muito próximo dela. Por isso disse com segurança:
– Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim se-gundo a tua palavra.
Quando o anjo ausentou-se e a luz e o cheiro do céu desapareceram, Maria logo se preparou para uma grande via-gem. Estava decidida a visitar a sua prima Isabel, que também tinha sentido o cheiro divino, e com ela compartilhar a divina experiência. Inexplicavelmente a prima Isabel ao avistar a prima, nem precisou saber sobre o relato da experiência do cheiro divino e da luz angelical. Ao ouvir a voz daquela que foi agraciada pela gravidez divina, exclamou:
– Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.
Hoje, Maria continua buscando pessoas que já sentiram um pouco do perfume divino para com elas compartilhar as alegrias e a divina experiência de sentir-se plenificada pela graça de Deus. Quem sabe você seja uma destas pessoas agraciadas que podem sentir o perfume do céu no coração.
Mas é preciso alertar que para sentir este divino perfume é preciso paciência, perseverança e, principalmente silêncio. Silenciar a mente e o coração e centrar a atenção somente no ato de respirar. Aspirar profundamente e expirar. Fazer este exercício várias vezes, durante por bons minutos. Lembre-se que o sopro divino é que nos deu a vida. Foi também através do sopro de Jesus que os apóstolos puderam receber o Espírito Santo.
O melhor lugar para sentir o aroma divino é, sem dúvi-da, em torno do altar onde se celebra a Santa Eucaristia. E quando Jesus Eucarístico lhe é entregue pelo ministro, deposite-o sobre a língua e deixe que a Hóstia Consagrada se dissolva em sua boca. Então, você e Jesus serão um só. Pode ter certeza de que não sentirá o perfume divino, mas seu corpo é que vai exalar o divino cheiro para as outras pessoas. Você será o frasco do perfume de Deus que vai exalar o cheiro divino para a sua família, para as pessoas em seu ambiente de trabalho. Seja você também o perfume de Deus no mundo!!! Seja você o doce perfume do amor para o mundo!
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amar-des (perfumardes) uns aos outros.” (João 13 : 35

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Estudo de apoio ao Sínodo – Família

Paróquia Santo Antonio e N.S. Aparecida

FAMÍLIA, SOCIEDADE E RELIGIÃO (Efésios 6,1-4)

Tema: “Família, projeto de Deus”. Homem e mulher são queridos por Deus, para que vivam um para o outro, numa comunhão de pessoas. No matrimônio, Deus os une de maneira que, formando “uma só carne” (Gn 2,24), possam transmitir a vida humana, cooperando na obra da Criação.

É preciso trazer a família para o centro das reflexões da sociedade e da própria Igreja Católica. Lema: “Prudente é o homem que edifica sua casa sobre a rocha”.  A família é uma realidade humana muito significativa. As relações familiares e o matrimônio não podem ser colocados em segundo plano. É comum ouvir que a família já é uma instituição “superada”, pelo menos na sua forma natural e mais evidente, formada por um casal – homem e mulher, e por filhos. Há poucos dias, li num artigo que há uma forte pressão cultural e de grupos ideológicos militantes para fazer valer um “novo conceito de família”, separando casamento e família, ou casamento, família e procriação. Pretende-se negar a própria identidade da família.

Será isso um avanço da sociedade? Nas atuais tendências culturais, há uma grande desorientação sobre os rumos da família. No tempo de Jesus, quando desrespeitaram o matrimônio, Ele disse: “no princípio, quando Deus fez homem e mulher, não foi assim” (cf.Mt 19,3-8). E a Igreja, no cumprimento de sua missão, continua a indicar o rumo para o matrimônio e a família, contribuindo para uma sociedade sadia. A família é o alicerce da sociedade. Se a família não vai bem, a sociedade também não irá bem. E o rumo que a Igreja apresenta não pode ser diferente daquele que Deus indicou, já “no princípio”, já na natureza humana, e que Cristo confirmou. A família não pode perder sua evidência vital. Refletir como cristãos sobre a família hoje é uma necessidade, pois estamos sujeitos a uma pressão contrária constante, e não cristã, que, sem que o percebamos, transforma nosso pensar, e o transforma para pior. Nas revistas, novelas, filmes e livros, o amor dos esposos não é mais entendido como uma entrega da vida de um para o outro que, passando pelas crises do convívio, sempre perdoa, ressurgem, renasce, renova, cresce e amadurece. O amor é entendido como busca da “minha” felicidade, isto é, como busca de si, tornando o amor entre os esposos superficial e frágil, e, com isso, não há capacidade de resistir às inevitáveis tempestades da vida. O amor esponsal cristão como “decisão de toda uma vida” tem como referencial o amor com que o Senhor nos amou. É um amor que exige busca e luta, sim, mas que dá profunda realização ao viver conjugal.

A família precisa ser devidamente reconhecida, cuidada e amparada. Uma sociedade que descuida da família, criada por Deus, descuida de suas próprias bases. A Igreja trabalha para que as famílias sejam “Igrejas domésticas”, “formadoras de pessoas”, “promotoras de uma sociedade desenvolvida” e “educadoras na Fé”. Ela crê na vida, crê na família. Que Deus abençoe as famílias, para que sejam fiéis à missão que Ele lhes confiou.

MARCAS DE NOSSO TEMPO

OLHAR A REALIDADE (SOCIEDADE).

 O discípulo missionário sabe que, para efetivamente anunciar o Evangelho, deve conhecer a realidade à sua volta e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento. Como o Filho de Deus assumiu a condição humana, exceto o pecado, nascendo e vivendo em determinado povo e realidade histórica (cf. Lc 2,1-2), nós, como discípulos missionários, anunciamos os valores do Evangelho do Reino na realidade que nos cerca, à luz da Pessoa, da Vida e da Palavra de Jesus Cristo, Senhor e Salvador.

 O Concílio Vaticano II nos conclama a considerar atentamente a realidade, para nela viver e testemunhar nossa fé, solidários a todos, especialmente aos mais pobres. Sabemos, porém, que nem sempre é fácil compreender a realidade. Ela é sempre mais complexa do que podemos imaginar. Nela existem luzes e sombras, alegrias e preocupações.  Daí a contínua atitude de diálogo, de evangélica visão crítica, na busca de elementos comuns que permitam, em meio à diversidade de compreensões, estabelecerem fundamentos para a ação.

DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2011 – 2015

 A Conferência de Aparecida nos oferece rica indicação, ao recordar que vivemos um tempo de transformações profundas, que afetam não apenas este ou aquele aspecto da realidade, mas a realidade como um todo, chegando aos critérios de compreensão e julgamento da vida. Estamos diante de uma globalização que não é apenas geográfica, no sentido de atingir todos os recantos do planeta. Estamos, na verdade, diante de transformações que atingem também todos os setores da vida humana, de modo que já não vivemos uma “época de mudanças, mas uma mudança de época”. Os que antes eram certeza, até bem pouco tempo, servindo como referência para viver, tem se mostrado insuficiente para responder a situações novas, “deixando as pessoas estressadas ou desnorteadas”.(13 mudanças de valores)

 Mudanças de época são, de fato, tempos desnorteadores, pois afetam os critérios de compreensão, os valores mais profundos, a partir dos quais se afirmam identidades e se estabelecem ações e relações. Várias atitudes podem, então, surgir nestes períodos históricos. Duas, no entanto, se destacam. De um lado, é o agudo relativismo, próprio de quem, não devidamente enraizado, oscila entre as inúmeras possibilidades oferecidas. De outro, são os fundamentalismos que, se fechando em determinados aspectos, não consideram a pluralidade e o caráter histórico da realidade como um todo. Estas duas atitudes desdobram-se em outras tantas como, por exemplo, o laicismo militante, com posturas fortes contra a Igreja e a Verdade do Evangelho; a irracionalidade da chamada cultura midiática; o amoralismo generalizado; as atitudes de desrespeito diante do povo; um projeto de nação que nem sempre considera adequadamente os anseios deste mesmo povo.  Os critérios que regem as leis do mercado, do lucro e dos bens materiais regulam também as relações humanas, familiares e sociais, incluindo certas atitudes religiosas. Crescem as propostas de felicidade, realização e sucesso pessoal, em detrimento do bem comum e da solidariedade. Não raras vezes, o individualismo desconsidera as atitudes altruístas (amor ao próximo), (cf. Lc 10,25-37), misericórdia e compaixão, solidárias e fraternas. Por vezes, os pobres são considerados supérfluos e descartáveis. Desta forma, ficam comprometidos o equilíbrio entre os povos e nações, a preservação da natureza, o acesso à terra para trabalho e renda, entre outros fatores. É preciso pensar na função do Estado, na redescoberta de valores éticos, para a superação da corrupção, da violência, do narcotráfico, bem como o tráfico de pessoas e armamentos. A consciência de concidadania está comprometida. Em situação de contradições e perplexidades, o discípulo missionário reage, segundo o espírito das bem-aventuranças (cf. Lc 6,20-26), em defesa e promoção da vida, negada ou ameaçada por várias formas de banalização e desrespeito. Como não reagir diante da manipulação de embriões, homicídios, prática do aborto provocado, ausência de condições mínimas para uma vida digna com educação, saúde, trabalho, moradia, enfim, da ausência de efetiva proteção à vida e à família, às crianças e idosos, com jovens despreparados sem oportunidade para ocupação profissional?

RELIGIÃO

 O discípulo missionário observa, com preocupação, O surgimento de certas práticas e vivências religiosas, Predominantemente ligadas ao emocionalismo e ao sentimentalismo. O fenômeno do individualismo penetra até mesmo certos ambientes religiosos, na busca da própria satisfação, prescinde-se do bem maior, o amor de Deus e o serviço aos semelhantes. Oportunistas manipulam a mensagem do Evangelho em causa própria, incutindo a mentalidade de barganha por milagres e prodígios, voltados para benefícios particulares, em geral vinculados aos bens materiais. Exclui-se a salvação em Cristo, que passa a ser apresentada como sinônimo de prosperidade material, saúde física e realização afetiva. Reduzem-se, deste modo, o sentido de pertença e o compromisso comunitário-institucional. Surge uma experiência religiosa de momentos, rotatividade, individualização e comercialização. Já não é mais a pessoa que se coloca na presença de Deus, como servo atento (cf. 1Sm 3,9-10; Atos 1,8), mas é a ilusão de que Deus pode estar a serviço das pessoas.

 Importa discernir os motivos pelos quais uma ilusão tão grave assim acaba por adquirir força em nossos dias. As causas são muitas e interligadas. Dizem respeito às incontáveis carências das mínimas condições que grande parte de nossa população tem para enfrentar problemas ligados à saúde, à moradia, ao trabalho e às questões de natureza afetiva. Dizem ainda respeito às incertezas de um tempo de transformações, que levam algumas pessoas a buscarem tábuas de salvação, agarrando-se ao que mais imediatamente se encontra ao alcance. Assim, surgem os diversos tipos de fundamentalismo que atingem o modo da leitura bíblica e os demais aspectos da vida humana e social. Quando aliado ao individualismo, o fundamentalismo torna-se ainda mais perigoso, pois impede que se perceba o outro como diferente. Este, contudo, é também apelo ao encontro e ao convívio. O amor ao próximo, especialmente aos mais pobres, tende a desaparecer destas propostas, que acabam se tornando uma espécie de culto de si mesmo.

 Tempos de transformações tão radicais, por certo, nos afligem, mas também nos desafiam a discernir, na força do Espírito Santo, os sinais dos tempos. Mudanças de época pedem um tipo específico de ação evangelizadora, a qual, sem deixar de lado aspectos urgentes e graves da vida humana, preocupa-se em ajudar a encontrar e estabelecer critérios, valores e princípios.  São tempos propícios para volta às fontes e busca dos aspectos centrais da fé. Esta é a grande diretriz evangelizadora que, neste início de século XXI, acompanha a Igreja: não colocar outro fundamento que não seja Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). A espiritualidade, a vivência da fé e do compromisso de conversão e transformação nos orienta para a construção da caridade, da justiça, da paz, a partir das pessoas e dos ambientes onde há divisão, desafetos, disputas pelo poder ou por posições sociais. Este é um tempo em que, através de “novo ardor, novos métodos e nova expressão”,18 respondamos missionariamente à mudança de época com o recomeçar a partir de Jesus Cristo.

Cuidemos da nossa Família ( Mateus 2,13-15.19-23).

O evangelho de Mateus relata com muita precisão os lugares que a Sagrada Família os percorreu primeiros anos de vida de Jesus.  Ele nasceu em Belém, depois a família fugiu para o Egito até finalmente se instalar em Nazaré.

Obviamente isso não é casualidade. De uma maneira ou de outra, o evangelista busca mostrar à sua comunidade como se cumprem em Jesus as promessas feitas por Deus no Primeiro Testamento.

Em dois momentos, o autor nos diz que os acontecimentos se sucederam para que se cumprisse a Escritura, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas.

O texto nos permite acrescentar uma característica ao messianismo de Jesus.

Ele não ficou fechado nos limites de Israel. Ele também é luz para o mundo inteiro. É um Messias universal, como o demonstra a visita dos magos do Oriente.

Mateus também apresenta Jesus como o novo Moisés. Jesus também é vítima do pânico de um rei que tem medo de perder o trono, e quando todos os meninos morrem Jesus se salva e refaz o êxodo definitivo do povo de Israel.

 No Natal celebramos a festa de Deus, que põe sua morada no meio de nós. Ele vem ao mundo, mas “o mundo não o reconhece”, segundo o Evangelho de João (1,10).

Como tantos meninos e meninas de sua época e hoje à nossa volta, Jesus não tem um lugar para nascer. José e Maria sofrem perseguição e devem abandonar suas terras.

Quantos/as irmãozinhos/as nossos/as nascem nessa situação?

Pais e mães que devem arriscar a vida de seus pequeninos e a sua própria, abandonando tudo na busca de uma terra que os receba. Eles/as caminham até um lar incerto, desconhecido, pagando muito dinheiro para atravessar uma terra que ainda não os recebe porque sua presença incomoda.

Ao longo de todo este ano, o Papa Francisco tentou lembrar uma e outra vez tantas pessoas que devem abandonar suas terras. Ele pediu que não sejamos indiferentes frente a tanta dor e sofrimento  das pessoas que sofrem a perseguição e o exílio morrendo no caminho, procurando um refúgio e proteção para suas vidas, como aconteceu em outubro com o naufrágio de um barco com 500 africanos diante da Ilha de Lampedusa.

Ser a família de Jesus não a exime dos problemas e sofrimentos cotidianos. Olhando para ela, vemos que é como tantas outras, com alegrias, tristezas, conquistas e dificuldades.
Mas, nesse anonimato, a vida do Filho de Deus cresce querida, cuidada e protegida por Maria e José.

Estamos, sem dúvida, diante do grande mistério. Assim como a encarnação do Filho de Deus eleva a humanidade a ser capaz de acolher Deus, o lar da Sagrada Família manifesta a vocação de todas as famílias serem “casa” de Deus.

Sim, Deus quer viver, estar presente em nossas casas, em nossas famílias. Ele veio morar conosco.
 
AFONSO DIAS É BÍBLISTA, E ASSESSOR DO CEBÍ-SP E SUL DE MG. (35)9924-0250 (11)4538-1446 OU (11)97189-5746 e-mail abdias49@bol.com.br Senador Amaral- MG ou Itatiba-SP.

 

 

 

 

 

 

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Papa Francisco mostra o seu conceito de família cristã,

Papa Francisco mostra o seu conceito de família cristã, e explicou como a família pode ser fermento para toda a sociedade.

Apresentamos dez reflexões tiradas dos dois principais encontros do Papa com as famílias cristãs.

  1. 1.    O que mais pesa é a falta de amor

“Aquilo que pesa mais do que tudo isso é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo emfamília, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada, intolerável. Penso nos idosos sozinhos, nasfamílias em dificuldade porque sem ajuda para sustentarem quem em casa precisa de especiais atenções e cuidados. ‘Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos’, diz Jesus.”

  1. 2.    Os perigos da família

“Os esposos cristãos não são ingênuos, conhecem os problemas e os perigos da vida. Mas não têm medo de assumir a própria responsabilidade, diante de Deus e da sociedade. Sem fugir nem isolar-se, sem renunciar à missão de formar uma família e trazer ao mundo filhos.”

  1. 3.    A graça do sacramento do Matrimônio 

“Os sacramentos não servem para decorar a vida – mas que lindo matrimônio, que linda cerimônia, que linda festa!… Mas aquilo não é o sacramento, aquela não é a graça do sacramento. Aquela é uma decoração! E a graça não é para decorar a vida, é para nos fazer fortes na vida, para nos fazer corajosos, para podermos seguir em frente! Sem nos isolarmos, sempre juntos.”

  1. 4.    A necessidade familiar dos cristãos

“Os cristãos casam-se sacramentalmente, porque estão cientes de precisarem do sacramento! Precisam dele para viver unidos entre si e cumprir a missão de pais. ‘Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença’. Assim dizem os esposos no sacramento.”

  1. 5.    A família é para a vida toda

“Uma longa viagem, que não é feita de pedaços, dura a vida inteira! E precisam da ajuda de Jesus, para caminharem juntos com confiança, acolherem-se um ao outro cada dia e perdoarem-se cada dia. E isto é importante! Nas famílias, saber-se perdoar, porque todos nós temos defeitos, todos! Por vezes fazemos coisas que não são boas e fazemos mal aos outros. Tenhamos a coragem de pedir desculpa, quando erramos emfamília.”

  1. 6.    Com licença, obrigado, desculpa

“Para levar adiante uma família, é necessário usar três palavras. Três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave!”

  1. 7.    A família que ora

“Todas as famílias, todos nós precisamos de Deus: todos, todos! Há necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua bênção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é preciso simplicidade: para rezar em família, é necessária simplicidade! Rezar juntos o ‘Pai Nosso’, ao redor da mesa, não é algo extraordinário: é fácil. E rezar juntos o Terço, em família, é muito belo; dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa; a esposa pelo marido; os dois pelos filhos; os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto fortalece a família: a oração.”

  1. 8.    A família conserva a fé

“As famílias cristãs são famílias missionárias. Ontem escutamos, aqui na praça, o testemunho de famílias missionárias. Elas são missionárias também na vida quotidiana, fazendo as coisas de todos os dias, colocando em tudo o sal e o fermento da fé! Guardai a fé em família e colocai o sal e o fermento da fé nas coisas de todos os dias.”

  1. 9.    A alegria da família

“A alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estarmos juntos, de nos apoiarmos uns aos outros no caminho da vida.”

  1. 10.  Deus e a harmonia em meio às diferenças

“Ter paciência entre nós. Amor paciente. Só Deus sabe criar a harmonia a partir das diferenças. Se falta o amor de Deus, a família também perde a harmonia, prevalecem os individualismos, se apaga a alegria. Pelo contrário, afamília que vive a alegria da fé, comunica-a espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.”

 

 

 

 

ORAÇÃO DOS CINCO DEDOS – Papa Francisco

Um método de oração cuja autoria é atribuída ao Papa Francisco, quando era ainda bispo de Buenos Aires, Argentina.

1.O dedo polegar é o que está mais perto de ti. 

Assim, começa por orar por aqueles que estão mais próximo de ti. São os mais fáceis de recordar. Rezar por aqueles que amamos é «uma doce tarefa«.

2. O dedo seguinte é o indicador: reza pelos que ensinam, instruem e curam. Eles precisam de apoio e sabedoria ao conduzir outros na direcção correta. Mantém-nos nas tuas orações.

3. A seguir é o maior. Recorda-nos os nossos chefes, os governantes, os que têm autoridade. Eles necessitam de orientação divina.

4. O próximo dedo é o anelar. Surpreendentemente, este é o nosso dedo mais débil. Ele lembra-nos que devemos rezar pelos débeis, doentes ou pelos atormentados por problemas. Todos eles necessitam das nossas orações.

5. E finalmente temos o nosso dedo pequeno, o mais pequeno de todos. Este deveria lembrar-te de rezar por ti mesmo. Quando terminares de rezar pelos primeiros quatro grupos, as tuas próprias necessidades aparecer-te-ão numa perspectiva correcta e estarás preparado para orar por ti mesmo de uma maneira mais efectiva.

Deus nos abençoe a todos. Boa oração!

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